29 maio 2008

a juventude está perdida

Pensava que as únicas coisas que o Gustavo tinha em comum com o Marco Paulo (nos seus tempos áureos) eram os caracóis e o gosto musical duvidoso. Mas não, ele também tem dois amores.
Já sabia que a Clara andava a arrastar a asa - as Claras têm todas um fraquinho pelo Gustavo, não é Sara? ;) -, que isto de dar empurrões toda a gente sabe que é uma manifestação de interesse, mas parece que a paixão da Sila não é menos assolapada. Pelo menos hoje, mal chegámos à creche, ela veio a correr pelo corredor, toda espavorida, abraçou-o e beijou-o em cada centímetro de bochecha que apanhou a jeito (e há muita bochecha no meu filho, senhores). O Gustavo estava meio em choque, meio a curtir aquilo tudo. Isto é que é uma pouca vergonha!

(Mas eu achei tão lindo!!! Afinal acho que não vou ser uma sogra assim tão má)

28 maio 2008

o que nos alimenta a fornalha

Sempre fui pessoa de desejos simples e ambições moderadas. No fim de um ano lectivo, comemorava com um banho de imersão e uma coca-cola. E que prazer que isso me dava!

(não vamos pegar por aí, pelas férias de Verão, que ainda vamos parar à falta de férias e à falta de Verão, e hoje ainda não vou refilar por isso)

Junho trazia a Feira do Livro e uma noitada seguida, de janela aberta para as cigarras encaloradas (mais uma vez, não vamos por aí), a devorar um ou dois volumes do que tivesse comprado.
Julho trazia as férias na praia, o melhor bálsamo que sempre me puderam dar.
Agosto trazia as férias em Lisboa, deserta, a fazer só e apenas o que me apetecia.
Setembro trazia os livros escolares novos e as encomendas para o Outono do catálogo da La Redoute.
E pronto, isto era o meu Verão, a minha época de ouro. Aquilo que me motivava para o resto do ano, de chuva e frio, que sempre tive dificuldade em suportar.

Agora parece que (me) roubaram isso. O que é que me alimenta a fornalha? Uns miminhos bons pela manhã. E a esperança de que o fim-de-semana dê para passear.

(mas em Junho logo voltamos a falar do estado do tempo, porque isto é um assunto que levo muito a peito)

27 maio 2008

o dom da palavra

Como qualquer blogomamã que se preze, também eu gosto de vir para aqui apregoar os dons do meu filho. Neste caso, as muitas palavras que ele já domina (acrescento a tradução para os menos fluentes nesta língua):

Mamã = Mamã
Mã-mã-mã = Peguem-me ao colo para eu chegar às facas sobre a bancada.
Mamããã = Tenho sono.
Mamã = Passem-me aí mais dessa broa de milho, sff.
Mamã = Warning! A fralda está cheia (ups, tinha prometido não falar mais disto).
Mamã = Larguem-me, não gosto de colo.
Mamã = Quem és tu e por que é que estás a fazer essa cara palerma à espera que me ria?
Mamã = Faz-me miminhos, mamã.
Mamã = Parem lá de falar uns com os outros, não vêem que eu também quero participar?
Mamã-ão-ão = Onde está o Matias?
Mamã = Quero brincar com o telemóvel.

p.s. Pronto, ele até já sabe outras palavras, mas estas servem para quase tudo...

23 maio 2008

temos homem!

O meu filho (atentem no orgulho com com uso esta expressão, "o meu filho") come arroz com feijão e tabasco - e gosta. O resultado é facilmente imaginável.

(Isto para acabar uma semana que tem sido um hino à escatologia. Ah, já agora, muito bom: cocó na fralda. Obrigada Inesa. Pronto, eu prometo que se acabam por aqui os cocós)

22 maio 2008

ora, como e que eu hei de dizer isto?

Que cocó de tempo! (tenho que me desabituar de dizer asneiras, maternidade oblige)

Pelo menos, vai haver menos incêndios este ano.
Pelo menos, não vai haver seca.
Pelo menos, adia-se um pouco a desertificação do país.
Pelo menos, diminuem os acidentes de automóvel graves.
Pelo menos, não sobe o preço das hortaliças.
Pelo menos, não cheira tão mal nos transportes públicos.
Pelo menos, os estudantes não têm desculpa para não estudar para os exames.
Pelo menos, não tenho de lavar o carro.
Pelo menos, consome-se menos gelados e bebidas alcoólicas, que engordam horrores.
Pelo menos, não evapora a água das piscinas.
Pelo menos, não apetece comer bolas de Berlim na praia (que a ASAE já proibiu, de qualquer forma).

Que bom... É só vantagens.
(Cocó, cocó, cocó!)

21 maio 2008

ah, então é por isso

Está explicado por que é que eu tenho um "angel baby" (cf. Tracy Hogg). Segundo esta notícia, usar telemóveis na gravidez gera criancinhas irrequietas. Eu, por mim, quanto menos puder usar um telemóvel, melhor.

(o mesmo já não se aplica ao tal angel baby, que tenta, por todos os meios, surripiar-me essa ferramenta do demónio)

17 maio 2008

gostar de cães

Gostar de cães é uma armadilha. Eu até gosto de gostar de cães, mas dá tanto trabalho...
Aqui há uns milhões de anos, uma alcateia de lobos juntou-se e decidiu: vamos ser giros e queridos para sermos adoptados pelas pessoas e não termos de nos cansar para comer qualquer coisa. Meu dito, meu feito, pelo que vem de longe esta mania humana de ver um cachorro e levá-lo logo para casa. De certeza que eu descendo em linha directa do primeiro Homem que se deixou encantar pelos canídeos, a avaliar pela minha ascendência e, agora, descendência.

Senão, vede:

(mais 9 anitos e começas a levá-lo tu à rua 4 vezes por dia, meu filho, não seja por isso)

13 maio 2008

ai agora querem que eu perceba de cálculo financeiro?

Estou a tornar-me especialista em fingir muito bem que estou a perceber tudo o que me estão a explicar e que vou aplicá-lo, afincadamente, daí em diante. É simples: vou alternando entre o anuir com a cabeça, o segurar o queixo e fazer "hum, hum..." e um olhar interessado, curioso, sedento de mais sabedoria. Alguém me sabe dizer se esta minha nova competência serve para alguma coisa para além da política e do trabalho com doentes mentais?

08 maio 2008

ser senhora de mim (e não só)

Estou de volta ao meu espaço de trabalho, depois de um exílio forçado de demasiado tempo. Até me deu vontade de chorar quando me vi de frente para a minha linda vista para a Cidade Universitária, na minha querida secretária, com a flor de papel que recebi do Gustavo pelo dia da Mãe. Estou no meu espaço. Meu. E não me arredam daqui nos próximos tempos. E não tenho ninguém a chatear-me de 5 em 5 minutos e a fazer grandes dramas acerca de pequenos nadas. Uffffff...
E para comemorar a nova liberdade, ontem resolvi esquecer as rotinas e, chegando a casa, ala comigo e com o filhote para a banheira. Deitámos metade da água cá para fora. (Re)descobrimos as texturas um do outro. Ele apaixonou-se pelo meu umbigo. E rimos, muito. Foi tão bom! :)

06 maio 2008

mulher menina mulher

Para todas as que acordam de manhã e nem sempre reconhecem aquelas pernas e braços compridos.
Para as que gostavam de subir às árvores mas também se escapuliam, volta e meia, com os sapatos de salto alto da mãe.
Para as que guardaram muitas cartas de amor palermas, que nunca chegaram a ser enviadas.
Para as que passaram noites de Verão a olhar para as estrelas e a imaginar que alguém estaria também, naquele momento, a olhar para elas.
Para as que queriam ser bailarinas. E fadas. E sereias. E princesas.
Para as que escreviam diários, trocavam bilhetes com as amigas nas aulas, e desenhavam o nome na areia molhada da praia.
Para as que ainda têm tanta vontade de fazer estas coisas - não somos todas?

Para quem tiver paciência: The Lucky One (au revoir simone)

04 maio 2008

dia da mãe

Aproprio-me deste dia, a cada ano um pouco mais. Quero lá saber se me julgam extemporânea ou limitada, mas aquilo que me faz sentir mais realizada na vida é ser mãe. Adoro ser mãe. Adoro os abracinhos abrutalhados, os grandes sorrisos de chinoca, o mantra mã-mã-mã-mã-mã que entoa quando está ensonado. Adoro e sinto-me a explodir de orgulho com cada nova conquista do meu filho. E quem não sabe dar valor à preciosidade que é ser mãe é um totó. Obrigada ao meu marido, que me deu esta oportunidade e que é, ainda por cima, o melhor pai do mundo.

p.s. E esta noite sonhei que estava grávida do próximo. Já sabia o sexo e o nome do bebé. Vejam só a minha ânsia... e o meu desespero por ter de continuar a adiar...

p.p.s. E um beijinho também para a minha mãe, de quem eu gosto muito, apesar de me ter feito arroz de grelos para o jantar de ontem.

01 maio 2008

a primeira manif

De pequenino se mobiliza um gralhinho, de modo que, ontem à noite, o Gustavo lá foi à sua primeira manifestação (contra as touradas). Foi a segunda do Matias. Mais uns aninhos e já andam os dois a distribuir panfletos e a organizar abaixo-assinados, os meus lindos. Estou tão orgulhosa.


p.s. Escusam de comprar o jornal porque acabei por não assassinar ninguém. Ainda, pelo menos.

30 abril 2008

há algo de estranho no país dos póneis

Quando as minhas referências estéticas regressam à infância, isso só pode significar uma coisa: é desta que eu estou a dar em doida.

É claro que, hoje em dia, toda a gente trabalha demais. E é claro que as mães que trabalham ainda trabalham mais um bocadinho demais. Pois sim, não sou a única. Mas, andava eu no 9º ano e tive de decidir: quero ser rica ou quero ter uma vida descansada? Eu escolhi ter uma vida descansada. E eis que me vejo nada rica e nada descansada. Estou a defraudar-me a mim mesma. Estou a matar-me a trabalhar. Estou com vontade de cometer crimes contra a integridade física de certas entidades laborais. Estou com vontade de mandar isto tudo à m&rd@. E nem eu, nem o meu marido, nem o meu filho merecemos isto. Por isso, isto vai ter de acabar.

(leiam o jornal "O Crime" de amanhã se quiserem ver a continuação desta história)

28 abril 2008

olhe, podia ser mais um destes, faz favor

O fim-de-semana foi bom, bom, bom. É incrível como o bom tempo faz toda a diferença, pelo menos para mim. Fartámo-nos de pastar, quase conheci uma Manhã de Inverno e um Pinguim (foi pena, espero que haja mesmo uma próxima!), o Gustavo comeu muita areia da praia e já passeia o Matias pela trela. É tão bom sair de casa de manga curta, só com a chave e o telemóvel, e andar a aproveitar a minha Lisboa vazia :)

25 abril 2008

olha o convitinho grátis para a festa do Indie

Meninos, tenho montes de convites para a festa do Indie hoje, no Lux. Quem quer, quem quer? (eu não vou, pois está claro)

(e-mail para gralhadixitarrobagmail.com)

Bom 25 de Abril! Viva a Liberdade! Sai uma grande beijoca para o Salgueiro Maia e amiguinhos. Mas acabem lá com a cena dos cravos, que são pirosérrimos. Não podem passar a ser gerberas?

23 abril 2008

a falta de tempo

A falta de tempo é grave quando não tenho tempo de ler os meus blogues de estimação.
É gravíssima quando não tenho tempo de cortar as unhas.
É perigosa quando não tenho tempo de comer.
É contornável quando tenho de programar telefonemas para a caminhada até casa à hora de almoço (sim, tenho tempo para ir almoçar a casa)
É triste quando não chega para fazer festas ao Matias (e agora também tenho lá em casa o outro carente perpétuo, o Roger).
É irritante quando não consigo ler mais do que um parágrafo de um livro por dia.
É aceitável enquanto houver tempo para brincar com o Gustavo uma hora depois do jantar, deixá-lo tocar tambor na minha barriga, esfrangalhar vários livros, conversar na língua dos ETs e dar-lhe banho em paz e sossego, com a banheira cheia de bonecada.

22 abril 2008

a foice em seara alheia

Provavelmente não tenho nada a ver com isto e devia era olhar para o lado e assobiar. Provavelmente sou uma grande moralista, idealista e mais uns quantos "istas" completamente fora do tempo. Provavelmente devia era estar mas é caladinha. Mas fico tão enervada quando vejo um amigo, que é um bom amigo

(e um rapaz simpático, giro, etc., com um bando de raparigas sempre à perna),

que tem namorada

(uma rapariga simpática, gira e que gosta mesmo dele),

em aberto flirt com outra rapariga

(que é uma rapariga simpática, gira e que não esconde as suas intenções apesar de saber que ele tem namorada).

Ora são os flirts que dão graça à vida, pois são. E podem ser inocentes e inconsequentes, pois podem. Mas eu bem vejo que esta moçoila está mais determinada do que uma patinadora que treina para chegar aos Jogos Olímpicos! Ela definiu o alvo e não se desvia nem um milímetro do mesmo. E está-se mesmo a ver onde isto vai parar.

Eu sei que as pessoas não têm de ficar todas juntas e felizes para sempre. A minha única pergunta é: por que é que quase ninguém tem coragem de ser verdadeiro ao ponto de só se meter numa quando já saiu da outra? Por que é que há tantos salta-pocinhas? (pronto, afinal havia duas perguntas)

21 abril 2008

atchim!

a....aaaaa....atchim!

(santinha para mim)

Xô, alergia, xô!

16 abril 2008

o duende do lar

Para provar que as tarefas domésticas não são uma questão de género mas sim de exemplo, a maior amiga do meu filho é, actualmente, a esfregona.(E para provar que o género também tem o seu peso, a parte melhor da esfregona é servir para andar à paulada...)

foto retirada

Mas nem só de limpezas é feita a vida de um perdigoto de 13 meses. Também há tempo para trepar escadas, dançar o twist e inspeccionar sanitas!

E vejam só quem já está pronto para a praia:

14 abril 2008

cá estou eu de novo

As férias foram óptimas, muito obrigada. Apanhei todo o sol de que estava a precisar e comi mais fruta do que em todo o Inverno que passou (não estou a exagerar). Por falar nisso, ouvi dizer que o Inverno ainda não passou mas estou em negação. O meu bronzeado fica bem com o meu blusão quentinho, por isso ainda não me vou zangar.
Agora, chegar cá e saber que o meu cão tem problemas cardíacos é triste.
E nem consigo descrever-vos a sensação horrível de o meu filho não me reconhecer nos primeiros 5 minutos... Fazer uma cara muito séria como quem sabe que aquela pessoa é familiar mas não está bem a ver de onde é que a conhece... E depois passou o dia todo a fazer grandes fitas por tudo e por nada, como quem precisava de expressar toda a angústia acumulada por não saber o que lhe tinha acontecido naquela semana. Nas sestas, recusava-se a adormecer porque devia ter medo que nos fôssemos de novo embora. Sei que ele esteve bem mas agora acho que ele ainda era demasiado pequeno para o deixar tanto tempo :( Não volta a acontecer nos próximos tempos! E como ele mudou tanto, física e comportamentalmente, numa semana...
Enfim, ao trabalho! Há muuuuito para fazer. Só que agora posso fechar os olhos e lembrar-me do nascer do sol na praia.

Boa semana :)

09 abril 2008

telegrama do brasil

tá fazendo calor stop
passando por aqui porque o sol tá quente djimaiz stop
vou pegar uma água de coco stop
e fazer uma sesta para dar aquela descançada geral stop
ja ganhei uns dois kilos de comida boa mas ainda não dancei stop
volto não demasiado em breve stop
beijinhos a todos stop

03 abril 2008

sambando e viajando para umas férias de sonho

Sábado vou de férias
(Sábado vou deixar o meu filho durante uma semana)
Vou andar de avião
(Ele vai andar a voar de avó em avó)
Vou comer porcarias e beber caipirinhas
(Não sei o que ele vai comer mas isso também não me preocupa)
Vou apanhar sol
(Não vou fazer castelos na areia nem brincar nas pocinhas)
Vou nadar o tempo que me apetecer
(Nada se compara ao tempo que passo com ele)
Vou namorar muito
(O primeiro namoro só a dois desde... há quase dois anos!)
Vou dançar, dançar, dançar!!!
(E quando voltar, danço mais um pouco com ele ao colo)
Vou ter muitas saudades mas ele vai ficar bem e vai ser um bom tempo para todos. Ai vai, vai.




(Mas vai custar deixá-lo. Ai vai, vai)

p.s. E volto no meu aniversário (13). Vá lá, quero ser muito parabenizada para não ficar deprimida com o fim das férias.

02 abril 2008

olá primavera! (agora é que é)

Pronto, lá ando eu ranhosa a manhã inteira (nunca mais vou tratar desta alergia), mas tudo vale a pena quando, finalmente, já cheira a calor, o céu azul cega-nos os olhos desabituados de cor e a noite chega a uma hora decente. Ontem (ou hoje), à meia-noite, o jardim emanava uma promessa de erva seca e eu sorri, apesar das muitas horas de trabalho que ficaram para trás.
E agora adeuzinho, que tenho de começar a fazer as malas :)

31 março 2008

o que muda (para pior)

Pois é, hoje é segunda-feira, aquele dia em que eu costumo chegar aqui com lindas mensagens para levantar a moral ao pessoal. Mas desta vez não vai dar, lamento imenso. É que hoje vejo o lado negro da maternidade - e não o lado solar, o meu filho. E o lado negro não é só a falta de tempo para mim, o meu ar simultaneamente escanzelado e mole, a minha barriga que não voltou a ser a mesma, as pequenas rugas à volta dos olhos (mas essas são de tanto sorrir). O lado negro é sobretudo o da imbecilidade. Quem daqui sente que ficou mais estúpida depois de ter um bebé? Eeeeeu.

27 março 2008

sem notícias

É como eu ando, basicamente. Eu sei que vocês choram baba e ranho quando chegam aqui ao burgo e não há novos posts mas não tenho tido grandes novidades e continuo com muito trabalho. O Guguinha está óptimo, se bem que cada vez mais fiteiro. Agora gosta de apagar a luz do quarto e fugir a correr até se estatelar no chão e chorar, muito ofendido. Pronto, é com este tipo de sujeitos desregulados que eu convivo no dia-a-dia. Com este e com outros, infelizmente desregulados mesmo a sério, com quem trabalho...

Até breve e beijinhos para todos (vou tentando visitar-vos e comentar-vos sempre que possível).

22 março 2008

páscoa

Hoje vou dar uma grande (e mórbida) volta até chegar ao título do post. Só para avisar.

Para alguém como eu que, felizmente, não tem vivido a perda de muitas pessoas queridas, a morte ainda não é uma certeza. Isto é ridículo, mas ainda não acredito muito na minha própria finitude. Contudo, vou acreditando cada vez mais quando reconheço que já não sou jovem. E isso percebe-se quando os jogadores de futebol e as top-models são todos mais novos que eu. Quando as figuras públicas começam a ser da minha idade. Quando toda a gente me trata por "senhora" apesar de me vestir de forma bastante informal. Quando penso que me visto de forma "jovem" e depois reconheço que já vou a léguas da moda. Quando ouço músicas dos "meus" anos 80 e sinto tantas saudades dos intervalos das aulas do liceu, das pastilhas elásticas, dos disparates, dos sonhos da adolescência.

Mas tudo isto é uma nostalgia doce e não me importo de já ser "crescida" e de ir começando a envelhecer. Porque sou imortal. Tenho um filho que, se Deus quiser, irá levar um pouco de mim ao mundo quando eu já cá não estiver. Mas, acima de tudo - e agora, sim, chegámos à Páscoa - acredito que a morte não será o meu fim porque há Alguém que me ama tanto que se entregou por mim, e por todos, para que eu viva para sempre.

Boa Páscoa para todos :)

21 março 2008

olá primavera!

foto retirada

É bom ficar em casa quando o sol brilha, Lisboa está deserta e podemos passear muito!

19 março 2008

previsões para os próximos dias

Se o tempo estiver bom a valer: Algarve.

Se o tempo não estiver bom a valer: Casa (+ Lost, + comida japonesa).

A avaliar pelo dia de hoje, já sinto o saborzinho do wasabi na boca...

17 março 2008

regresso à normalidade

É tão bom voltar a levantar-me de manhã e ir acordar o filhote com miminhos e um biberão de 270 ml de leite morninho. Depois, estar ali aqueles minutos com ele bem enroscadinho em mim, a acordar ao seu ritmo. E arranjá-lo nas calmas, levá-lo para a escola e vê-lo a olhar para tudo com a curiosidade que só um bebé de um ano tem. Isto, a seguir a um fim-de-semana em que passeámos e brincámos muito, faz com que seja mesmo indiferente se é ou não segunda-feira.

Uma óptima semana (santa) para todos :)

12 março 2008

1 ano

"Tu és o meu Filho muito amado; em ti pus o meu encanto." (Lc 3, 22)

foto retirada

Faz hoje um ano que tive aquele que foi não o dia mais feliz - porque esses foram todos desde então - mas o mais importante da minha vida.
Hoje é o teu primeiro aniversário, meu querido filho, e gostava de apagar todo o ruído à nossa volta para ficar só a amar-te. Ter-te meu. Ficar em silêncio a beber do teu riso cristalino, a acompanhar os teus pezinhos apressados (que são os do teu pai), a afagar os teus cabelos (que são os meus) e a reconhecer nesta pequena criança o recém-nascido das 17h43 do dia 12 de Março de 2007, agora 8,5 kg mais pesado e 25 cm mais crescido. Reconhecer o indivíduo que já é muito mais do que a herança da mãe e do pai, é um ser único por si próprio, uma pessoa novinha em folha no mundo. E o mundo está muito mais bonito desde que tu chegaste, filhote.
Para mim serás sempre perfeito. Para mim serás sempre lindo e encantador. Não estou a exagerar quando digo que toda a minha vida terá valido a pena só por te ter tido comigo. Espero que assim possa ser por muito tempo. E não há muito mais que possa dizer porque todo o meu ser grita o amor eterno e incondicional que sinto por ti.

11 março 2008

12 meses

(umas horas antes)

Filho, este mês passou num ápice, na antecipação do teu aniversário e no remoinho da minha vida profissional de pernas para o ar. Espero poder gozar-te mais daqui em diante.
Agora que dominas a marcha, ganhaste muita capacidade de concentração, o que se traduz na aprendizagem de mais gracinhas e no empenho em descobrir pequenos mistérios como o que está por trás das portinhas dos teus livros. És capaz de te dedicar por longos tempos a cada brinquedo e já compreendes mesmo os conceitos de forma e dimensão dos objectos. Também gostas de parar para explorar o teu corpo (fazes festinhas nas tuas pernas, na barriga, viras as mãos) e o dos pais - já descobriste que somos mais do que caras e mãos, também temos peito, pescoço, pernas, costas e uma série interminável de coisas para beliscar, puxar e morder.
Continuas a palrar decidida e continuamente mas acho que vais demorar a falar mesmo a sério. Este mês, ouvi-te a pedir pão por três vezes e o papá diz que disseste cão (mas normalmente só ladras). Gostas de observar a nossa reacção a tudo e fazes malandrices com o nítido intuito de nos testar. Por outro lado, já consegues dar-nos as coisas quando tas pedimos, mas claro que ficas ofendidíssimo quando te tiramos algo de que não queres prescindir. É mesmo próprio da idade, não é Guguinha? E nós lá vamos fazendo um esforço muito grande para não nos rirmos e para mantermos a cara séria quando começa um esboço de birrinha.




É também aqui que terminam estes relatos mensais. Tiveram o seu sentido no seu devido tempo, como tive oportunidade de justificar, mas já está na hora de devolver plenamente este blogue ao seu objectivo inicial, o de permitir-me partilhar opiniões acerca de tudo e de nada. Evidentemente que o meu filho terá sempre espaço aqui mas o tempo do gralha dixit como beibiblogue está definitivamente encerrado. Espero que achem que vale a pena continuar a lê-lo.

03 março 2008

post para mim

É bom recordar-me, mesmo que seja por maus motivos, que não me arrependo do rumo académico e profissional que dei à minha vida. Isto porque (sempre e para sempre)

ODEIO NÚMEROS

E (sempre e para sempre)

ADORO PALAVRAS

E espero que as palavras voltem a ter mais peso em breve, porque eu não nasci mesmo para o vazio de sentido da contabilidade. Mesmo que continue pobrezinha até ao fim dos meus dias. Mesmo que nunca mais possa viajar o que me apetecer. Mesmo que não possa comprar livros cada vez que entro numa livraria. Mesmo que não possa ter quatro filhos como me apetecia.

27 fevereiro 2008

voltamos já

Meus senhores e minhas senhoras, voltamos em breve, quando houver notícias de relevo.
(pronto, agora começa o boato de que estou grávida - não, lamento, vou só começar uma formação em simultâneo com trabalho extra pelo que não há tempo nem para meia dúzia de caracteres bloguísticos)

Fiquem bem e até já :)

26 fevereiro 2008

junk mail: uma breve análise sociológica

Já quase toda a gente postou sobre este assunto mas acho que está na altura de dar o meu contributo profissional. Para quem nunca percebeu para que serve um sociólogo, é isto: para fazer assim umas afirmações sobre quase qualquer coisa, de preferência apoiado em estatísticas, entrevistas, inquéritos ou outro tipo de documentos (normalmente não nos arriscamos pelos campos da física quântica - excepto eu, que casei com um físico e portanto também percebo do assunto por osmose).

Vejamos uns exemplares acabadinhos de sair do forno (ou seja, da minha caixa de correio de hoje):

"Don't be the guy the girls laugh about in the bathroom because you have a small one." (Este chegou em duas mensagens diferentes. O destinatário do junk mail é nitidamente o cidadão do sexo masculino que se sente alvo de chacota do mulherio.)

"Don't let her sleep with other men because she's not satisfied with your performance." (Também veio em duplicado. Pior do que ela andar a contar às amigas que o pirilau do legítimo é modesto é andar enrolada com outros, obviamente!)

"Don't just make her moan, make her moan so load that she wakes the neighbours up." (A reprodução social do preconceito que as mulheres fingem satisfação. Ou então é mesmo uma nova ferramenta para incomodar os vizinhos - a nós, isto dava-nos jeito)

"My neighbours have been complaining Sharon moans too loud when we make love every night now." (Atentem no indisfarçável orgulho deste homem. Incomodar os vizinhos é pouco, eles têm de vir queixar-se!)

"After taking this and putting on 3 inches, your girlfriend will not be able to take her hands off you." (Acabaram-se os rodeios: o problema está mesmo no tamanho. Quais performances, quais meiguices, ela precisa é de mais 3 polegadas para os vizinhos se virem queixar)

"Voted the most effective male enlargement supplement product by MYSPACE users." (É pá! Também querem apelar ao sentido democrático do cidadão. Este produto não só é bom como foi sujeito ao escrutínio do povo e a maioria deu-lhe o aval - por esta hora, já há muitos vizinhos a fazer queixa à polícia)

E fico-me por aqui porque os outros já eram demasiado ordinários para constar num blogue tão pacato. Mas agora a sério: os senhores do pseudo-marketing que produzem esta lixeira traçam um interessante perfil do internauta, o de um infeliz com a sua vida sexual que acredita que a solução dos seus problemas está no aumento do dito cujo. A resposta ao porquê deste perfil é que dava para uma tese de doutoramento.

25 fevereiro 2008

nostalgia II

Acordar a cada manhã, fazer-te uma festa através da barriga - ainda estavas a dormir quando eu acordava - e tentar adivinhar se seria naquele dia que ias nascer. Imaginar-te calmo, sorridente, feliz. Era assim, há um ano. Só que tinha calor e subia as escadas devagarinho.

22 fevereiro 2008

rufia

Nunca pensei dizer isto - sobretudo numa fase tão precoce do campeonato - mas o meu filho está a tornar-se um rufia. Note-se bem que não digo isto com nenhuma satisfação ou orgulho mas sim com surpresa e um grande "e agora?" plantado na testa. Digamos que a forte interacção do Gustavo com os colegas da creche passou a ser uma interacção... à força! Já não bastava roubar-lhes as chuchas, agora rouba-lhes comida, puxa-lhes os cabelos, empurra-os... Nunca pensei que um bebé de 11 meses já começasse a fazer destas coisas! E o que é que eu posso fazer? Se fosse em casa tentava evitar estas situações e, quando acontecessem, fazia-lhe cara séria e dizia com firmeza que isso não se faz (que é a única coisa que se pode fazer a bebés tão pequeninos, que ainda não compreendem o que estão a fazer). Perguntei às educadoras o que elas faziam mas não fiquei muito tranquila com as respostas ("é normal", "sim, nós dizemos para não fazer", "se não fosse ele era outro")... Não quero que o meu filho comece já a aproveitar-se da sua dimensão para passar por cima dos outros e nem quero imaginar receber um telefonema a dizer que outro menino se magoou por causa do Gustavo :(
C'os diachos, do que ele se foi lembrar agora!

(mas já vão 4 semanas sem faltar à creche por doença! Obaaaa!)

Adenda: isto faz-me sentir especialmente mal porque eu própria era um bocadinho rufia em pequena (e não só) e fico a achar que é culpa dos meus genes. Pois.

20 fevereiro 2008

férias

É fácil de perceber que estou mais que precisada de férias. A questão nem é tanto o descanso, é mesmo a praia e o sol - o sol! o que eu preciso de sol! - e tudo aquilo a que tenho direito: caipirinhas, cheiro a creme protector, banho ao fim da tarde, um pezinho de dança. Tenho direito a essas coisas, olaré se tenho. E vou ter, por alturas do meu aniversário. Então, por que é que não estou mais entusiasmada? Porque o Gustavo não vai connosco.
É verdade que o sítio para onde vamos não garante todas as condições de segurança para um bebé de pouco mais de um ano. É verdade que andaríamos em volta das rotinas dele, que não poderíamos fazer tanta praia, que teríamos de nos deitar sempre a horas de bebé. É verdade que todos os casais precisam de tempo a dois - e nós até na Lua-de-mel levámos o Gustavo (embutido de 7 meses). É verdade. Mas custa-me muito não o levar (ainda que ele fique bem entregue aos cuidados de 2 pares de avós). Vou ter muitas saudades. Vou pensar nele quase o tempo todo. Vou estar na praia a matutar se estará outra vez com tosse ou se não o estarão a estragar sempre ao colo, a amparar-lhe as birrinhas. A vantagem é que contar os dias para o regresso não será um exercício deprimente, como era costume. Vá, mães galinhas, digam que me compreendem.

19 fevereiro 2008

nostalgia I

Por esta altura, há um ano, 11h da manhã eram sinónimo de um chocolate (depois de passarmos a fase das sandes de fiambre ao lanche). Eu engolia mais do que saboreava e tu dançavas contente na minha barriga. O chocolate agora já não tem tanta graça. E tu, qualquer dia, voltas e prová-lo, desta vez pela tua própria boca.

18 fevereiro 2008

um dia amarelo intermitente

Hoje está uma segunda-feira tão segunda-feira que não podia ser mais segunda-feira. Só se fosse o primeiro dia depois das férias e eu não tivesse trazido botas altas e guarda-chuva. E se tivesse escorregado numa poça. De resto, não podia ser mais segunda-feira do que isto.
Meditando sobre o assunto, penso que não está um dia cinzento - está, sim, um dia amarelo intermitente. Amarelo como os semáforos que piscam ao longo das ruas de Lisboa. Amarelo como os quatro piscas dos automóveis atolados por todo o lado (vá lá que o meu fiel Ferrari conseguiu vencer a intempérie). Amarelo como o meu sorriso aos outros condutores que apitam insistentemente, como se assim resolvessem alguma coisa. Amarelo, sobretudo, como a luz do sol que é a alegria imbatível do Gustavo, apesar de tudo. Consegui levá-lo à creche sem que apanhasse uma gota de chuva na cabeça. Hoje, isso basta-me. Boa semana :)

16 fevereiro 2008

imitações

Bem me lembro, em pequena, de o meu irmão (mais novo que eu 6 anos) andar atrás de mim e fazer tudo o que eu fazia. Se eu dizia mata, ele dizia esfola. Se eu não gostava de queijo, ele também decidia que aquilo não prestava para nada - apesar de, na verdade, se pelar por um bom Camembert.
Nos dias de hoje, saio à rua com o cão e o Gustavo - se o Matias ladra, o Gustavo ladra.

14 fevereiro 2008

uma vida fixe

Se eu pudesse optar por uma vida fixe deixava-me de números e contas e facturas e trabalhava como freelancer em casa. Passava meses em bibliotecas, savanas, cafés, desertos e ruas a fazer pesquisa e depois escrevia à noite, no escritório da minha casa fantástica com vista sobre a falésia. Depois de deixar os filhos na escola pegava nos cães e íamos para a praia apanhar umas ondas. Era sempre Verão. Depois do almoço fazia uma grande sesta e ia buscar a criançada para irmos dar grandes passeios, de botas na lama (apesar de ser sempre Verão), visitar museus, brincar às escondidas, inventar canções e, à noite, contar histórias no terraço, com a lua cheia e as cigarras a cantar. Pronto, era assim.

12 fevereiro 2008

11 meses

Apesar da perene constipação, acordaste com um sorriso por entre a chucha e puseste-te logo aos saltinhos na cama. Obrigada por seres este encanto há 11 meses filho! Continuas a sorrir muito com as tuas 6 dentolas, mesmo que - e por muito que me custe - estejas a ficar rezingão. Quando a comida demora, se estás aborrecido, se tenho de te aspirar o nariz, já sei que vais espernear, encavalitar-te, gritar e fazer que não com a cabeça. Esta parte de ser mãe não é nada divertida, filho, mas nós vamos sempre ser firmes porque a última coisa que queremos é um menino caprichoso...
Felizmente, ainda são muitos mais os momentos de encanto. Como quando resolves apagar a luz e ficar caladinho a ver o que fazemos; quando brincas às escondidas connosco e até com o Matias e fazes um "cúcú!" que soa mais a "cácá!"; quando ligas os teus brinquedos e já compreendes os mecanismos, sendo capaz de ficar tempos infinitos a atirar a bola saltitona só para a ver brilhar (e chamas-lhe "gol"); quando imitas o cão, o galo e o pato durante as músicas que ouvimos juntos; quando chamas "mamã" ao meu pai (realmente sou parecida com ele...); e, sobretudo, quando te dão os ataques de meiguice e me dás abracinhos bons e chapadinhas de amor - hoje fizeste-me as primeiras festinhas de verdade...
Quanto à alimentação, continuas o maior dos gulosos e já comes tudo sólido. Estou desejosa que faças 1 ano apenas para podermos todos comer a mesma comida (a mamã agradece ter menos trabalho na cozinha e tu agradeces os sabores novos, de certeza!). Continuas é a não tocar numa pinga de água, vamos lá a ver se é quando começar a fazer calor.
Continuas também a ser um menino muito sociável, nisso sais mesmo ao papá. Adoras bebés e crianças mais crescidas, queres ir brincar com todos os que vês na escola, na rua e na televisão. Estou desejosa de poder dar-te um(a) maninho(a)!
E, claro, a grande conquista deste mês foi mesmo a marcha. É assustador e impressionante ver um menino pequenino (matulão!) a andar por todo o lado, a dar as ocasionais quedas e a nunca deixar de se pôr logo de pé. Sei que vais ser destemido (e perigoso!) e espero que toda a vida tenhas essa vontade de descobrir tudo sem desistir apesar das dificuldades. És o meu filho lindo, Guguinha!



11 fevereiro 2008

está aberta a época da nostalgia

Olhar para o prazo de validade de um bolo - 12 de Março de 2008 - e vir a lagriminha ao canto do olho.

Boa semana para todos! A minha vai ser longa: trabalho chato, homem no estrangeiro, Gustavo de novo constipado e, o pior de tudo, ter de esperar por 2ª feira da próxima semana para ver o 3º episódio da 4ª série dos Perdidos (ah pois é, já começou nos EUA!)

Beijinhos

08 fevereiro 2008

192 meses

(post futurista)

Filho lindo do meu coração: parabéns pelos teus 192 meses! Estás cada vez mais matulão (já vestes o XL e calças o 45, o que não admira com o teu 1,89m) e continuas a comer tudo muito bem. Mal acredito que ainda ontem eras o meu bebé pequenino e agora já estás um homem feito. Não és muito marrão mas gostas de aprender as coisas por ti - principalmente tudo o que diga respeito aos animais, continuo convencida que irás para Medicina Veterinária. Adoras a tua escola e tens muitos amigos. Este mês começaste a tirar o curso de mergulho e ontem apareceste pela primeira vez com uma namorada cá em casa. Parece-me inteligente, engraçada, opiniosa mas um bocadinho rezingona (não sei por que gostarás tu de raparigas assim...). Espero que te trate bem e que tu a trates bem. E espero que continues a aproveitar a tua juventude como o tens feito até aqui. Continua também sempre assim: simpático, lindão e muito amigo de toda a gente, sim?

Até quando irei escrever este tipo de posts? Quando é que serão tão ridículos que eu ganharei vergonha na cara e deixarei de elogiar o meu filho aos quatro ventos? Qual o prazo de validade de um babyblog? Não sei, mas não há de ser para breve de certeza!

07 fevereiro 2008

a folga

Qualquer mãe merece uma, de vez em quando. Ora então, no Sábado passado, e depois de ter rogado aos céus que o tempo se aguentasse decente (aguentou), aproveitei para lisboar. De manhã, fui correr junto ao rio, que já cheirava a Primavera. À tarde, depois de um almoço de cereais (que bom que é não cozinhar!), apanhei o Metro até ao Terreiro do Paço (já não andava de Metro há tanto tempo que já não me lembrava das entradas e saídas da minha estação) e passeei devagarinho de lá até ao Chiado, tirando fotografias, cheirando as castanhas assadas extemporâneas, entrando e saindo de lojas (comprei umas coisinhas lindas para o Gustavo, que isto não pode ser tudo do Continente - passo a publicidade), e aproveitando cada raio de sol na cara. Faz-me tanta falta o sol! Para terminar em beleza, ainda fiquei um bocadinho a ler e a escrever na esplanada da Bénard, só eu e o meu capuccino - e os magotes de turistas, que Lisboa não é só para mim. Soube bem, bem, bem. Cheguei a casa leve e em paz comigo mesma. Tive o tempo que precisava para divagar, para não pensar em nada e para ficar com saudades dos três machos que me esperavam em casa.

06 fevereiro 2008

(ainda) o carnaval

Eis a razão pela qual não sou grande apreciadora do Carnaval:


gralha, 1985



gralha, 1986


Não é preciso dizer mais nada, pois não?

(mas este Carnaval até foi bom porque foram quatro dias em família, de papo para o ar, a passear, a brincar, a comer coisas boas, a ver filmes, uma maravilha!)

01 fevereiro 2008

o carnaval

Nunca gostei assim lá muito do Carnaval. Traumas de infância mal resolvidos, resultado da minha aversão ao ridículo combinada com a inclinação que a minha Mãe tinha para me mascarar de coisas que não lembram ao diabo. Entretanto já voltei a mascarar-me mas é coisa que não faço de muito bom grado e também não sou fã de cornetas, serpentinas, desfiles e afins.
Está visto então por que é que não mascarei o meu filho este ano. No próximo já estou a ver que não me safo a passar uns serões a cozer panos da louça, jornais, balões e sei lá que mais para corresponder ao tema que a escola propuser, mas este ano ele não nota.
Não nota que é o único que não foi mascarado...

(E por isso fiquei a sentir-me um bocadinho mal. Será que foi egoísmo da minha parte?)

29 janeiro 2008

a ementa

Pronto, então é assim: se algum dia eu cometer um grande crime nos EUA, na Coreia, na Turquia, ou assim, e for condenada à morte, a minha última refeição pode ser a seguinte:

Entrada:
Folhadinho (muito estaladiço) de galinha com pinhões e passas e umas folhas de rúcula para abrir caminho para o resto do manjar

Prato principal:
Uma travessa gigante de sushi e sashimi com muito wasabi para ter desculpa para chorar com pena de mim própria

Sobremesa:
Strüdel de maçã e frutos silvestres com gelado de nata

Acompanho tudo isto com uma garrafita de Vila Santa tinto e termino com uma chávena de café Blue Mountain e um chocolatinho 90% cacau Lindt.

(que querem, dá-me para estes apetites às terças-feiras de manhã)

28 janeiro 2008

parabéns tio gralho

O meu irmãozinho pequenino (matulão) já é dr. e, como lhe é muito próprio, só o soube a menos de 24 horas de começar uma pós-graduação a centenas de quilómetros daqui. Arriscou, fez as malas, fez-se à estrada e fez bem. Mais uma vez vai para longe - e é bom que nos habituemos já que vai trabalhar na área do turismo - e mais uma vez o Guguinha (que já está um bocadinho melhor) fica sem ver o único tio por uns bons tempos :(. Mas é por uma boa razão. Sei que não lês isto M. mas desejo-te o que desejo ao meu filho: a maior das felicidades e o maior dos sucessos!

24 janeiro 2008

a grande conspiração

Matias: OK, então já sabes o que é preciso fazer, não é?
Gustavo: Mas não achas que começa a ser um bocado suspeito eu ficar doente com tanta frequência?
Matias: Não, pá. Como andas na creche eles acham normal. Vamos rever o plano?
Gustavo: Mas eu até gosto de ir à escola... Lá tenho amigos e montes de brinquedos...
Matias: Isso é tudo muito bonito mas eu não gosto de ficar sozinho em casa. Queres ou não queres que eu te deixe puxar-me as orelhas?
Gustavo: Pronto, está bem...
Matias: Então, já sabes: quando ela te for buscar, começas a fungar e a fazer um ar sonolento.
Gustavo: Certo.
Matias: Depois, ao jantar, podes comer mas depois convém que devolvas tudo à precedência.
Gustavo: Mas, mas...
Matias: Nada de "mas"! E depois, quando te forem medir a febre, aproveitas quando estiverem distraídos e aproximas o termómetro do aquecimento.
Gustavo: OK, se achas que é mesmo preciso.
Matias: E não te esqueças de dar umas boas tossidelas. Inclusive durante a noite, senão eles topam que é tudo um esquema.
Gustavo: E assim deixas-me andar a cavalo de ti?
Matias: Estás a brincar?! Tu já pesas alguns 13 kg e eu já não vou para novo. Deixo-te puxar-me o rabo e já vais com muita sorte. Não te esqueças que eu sou o irmão mais velho, eu é que mando cá em casa.

23 janeiro 2008

coisas que eu não sabia I

Antes de ser Mãe não sabia que as dores dos filhos nos doem tanto mais a nós, pais.

22 janeiro 2008

ela escreve tão bonito

O meu coração bate palminhas quando descubro um blogue que vale mesmo, mesmo a pena. É que ela escreve bem como o caraças, pá! Fico abrutalhada perante linhas puras e simples.

(E, sim, acaba com os meus últimos preconceitos, os que definem que nos subúrbios se perdeu o Norte à beleza.)

Senão, vejam lá só um bocadinho do post "Monte Abraão, 19h00":

"Fico-me pela mãe que dá colo ao rapaz que já não tem idade para colo e se equilibra de encontro ao apoio da coxia. Ele não repara, mas está bom de ver que por hoje ela já deu tudo o que tem - está a funcionar só a amor."

21 janeiro 2008

sozinha

Sempre precisei de estar, de vez em quando, um bocadinho sozinha. Com os meus pequenos rituais. A não fazer nada. Enrolada num cobertor, só com uma mãe de fora a equilibrar um livro - já para não falar da minha "fantasia" mais recente que é apenas estar um bocado numa esplanada com sol e calor, a torrar as pernas enquanto bebo um sumo de laranja e devoro um livro inteiro ou mesmo uma revista fútil. Como é muito difícil ter esse bocadinho sozinha, às vezes irrito-me com certas coisas sem necessidade.

O que é engraçado quando faço o contraste com o filme que vi ontem (I am Legend), que aborda a mais profunda solidão do ser humano. O fim do ser humano enquanto tal porque o ser-se humano é inseparável do estar com outros seres humanos. Mas é possível que seja isso, acima de tudo, que me falta: sentir falta dos outros para me humanizar um pouco. Para aceitar as pequenas falhas, para reconhecer as minhas imperfeições, para dar o devido valor a cada gesto.

18 janeiro 2008

isto é mesmo um babyblog e pronto

Chegar a casa à hora de almoço e bater uma saudade tão grande que tenho de ir ao teu quarto pegar nas tuas coisas, cheirar a tua essência que por lá mora há meses. Que mora em mim desde sempre... Amo-te desde sempre filho, desde muito antes de seres concebido. Foi por isso que a primeira sensação que tive quando te vi cá fora foi: "chegaste, por fim". E o meu amor por ti é eterno como nem as estrelas são. Eterno porque só o verdadeiro amor é eterno, apesar de tudo o que possa acontecer.

17 janeiro 2008

bin laden ou o grande punzete?

Ontem alguém se descuidou e lá fui eu (e mais os outros iscterianos todos) evacuada. A sério, na televisão tentaram dar um ar gravoso à coisa - começo a suspeitar que é isso que fazem as televisões: dar um ar sério a eventos banais -, mas a verdade é que cheirava a pum, e muito. Eu achei logo que isto era coisa de aluno que não queria fazer um exame naquele dia, como é tradição antiga aqui no estabelecimento, mas o que é certo é que nos puseram fora, à chuva e ao frio, sem casacos, malas, chaves, coisa nenhuma (vá lá que tinha o telemóvel no bolso). Foi tudo muito tranquilo e à boa maneira portuguesa, a notícia a passar de boca em boca: "olha, acho que é para sair porque cheira a gás." "Ah, está bem, deixa-me só acabar o cigarrinho que agora não posso passar nos corredores com isto aceso." Aparentemente, nem a miséria de um alarme existe. E nem sequer desligaram a electricidade quando ainda se pensava que era mesmo gás. Fico muito mais tranquila por saber que temos um plano de emergência exaustivo e treinado a primor.

16 janeiro 2008

dois anos de blogue

Isto é só efemérides, hoje o gralha dixit faz dois anos, eeeeeehhhhh! Mudou muito desde o início, passou de anónimo a privado, continua a correr grandes riscos de se tornar um babyblog, mas acho que ainda cumpre a sua função inicial: servir de registo das minhas opiniões mais insignificantes - e também de algumas com a sua importância. Muito obrigada a todos os visitantes e comentadores :)

Ontem foi uma noite muito especial porque pudemos testemunhar ao vivo e a cores os primeiros passos a solo do Gustavo. A emoção ao passar por este momento é indescritível! Este filho está praticamente criado.

(também está bastante melhor e já foi para a escola, vamos ver até quando...)

12 janeiro 2008

10 meses

Meu amor pequenino, é incrível mesmo como já foi há 10 meses que nasceste. Hoje não vamos passar um dia muito animado porque continuas doente e eu vou ter de ir trabalhar mas sei que ficarás bem a brincar com o papá. Sobretudo agora que ele anda babado porque já dizes papá! :) Este mês brincaste muito com os novos brinquedos que recebeste no Natal, tornaste-te ainda mais gralhador (se tal era possível) e ganhaste confiança para, quando te distrais, ficares de pé sem apoio. Mas a maior conquista são sem dúvida os primeiros passos agarrao ao meu dedo. Tic, tc, tic, lá vamos nós corredor fora. Vamos ver quando ganhas agora confiança para o fazer sozinho...


11 janeiro 2008

enquanto não ganho o euromilhões

Vão chegando outros prémios simpáticos, desta feita da Rita, e que muito agradeço :D.

"1. Este prémio deve ser atribuído aos blogs que considerem serem bons (entende-se como bom os blogs que costumam visitar regularmente e onde deixam comentários);
2. Somente se recebeu o "Diz que até não é um mau blog", deve escrever um post contendo: a indicação da pessoa que lhe deu o prémio com um link para o respectivo blog, a tag do prémio, as regras e a indicação de outros 7 blogs para receberem o prémio;
3. Deve exibir a tag do prémio no seu blog, de preferência com um link para o post em que fala dele"

Os eleitos aqui do burgo são, por ordem alfabética:
1- O Baby Boom;
2- O Blog Catita;
3- O de pai para filho;
4- O luz & sombra;
5- A Maçanica;
6- O quadro de ardósia
7- O SaraMM

... E muitos outros mas só podiam ser 7 e não quero repremiar sempre os mesmos senão ficam mimados e não escrevem com regularidade ;)

10 janeiro 2008

básica

(acho que já tinha escrito um post com este título mas como estou mesmo básica não consigo pensar noutro)

É engraçado como, ao cabo de uns dias a dormir uma miséria, entro num estado mental correspondente ao dos computadores em safemode, isto é, só respondo ao básico, habitualmente com um grunhido. Venho a caminho do trabalho e, ao contrário das outras manhãs em que cogito sobre os grandes paradigmas filosóficos dos nossos dias ou planeio soluções para os maiores problemas da humanidade (not!), reajo a tudo o que passa por mim com um simples "gosto" ou "não gosto".

Apanhar sol nas bochechas: gosto.
Escorregar nos passeios porque se fartou de chover de noite e nem toda a gente recolhe os cocós dos seus cãezinhos: não gosto.
Apanhar as músicas começadas pela letra E no meu novo telemóvel com mp3 com 1 GB (até que enfim uma utilidade para um telemóvel): gosto.
Perder a chave do trabalho no forro da mala depois de ontem a ter encontrado (a custo, como podem imaginar) na borracha da porta da máquina de lavar: não gosto.
O novo anúncio das Oreo, em que o leite foge do copo para ir ter com as bolachas: gosto.
Os estofos cinzentos com cornucópias bordeaux de um qualquer automóvel: não gosto.
A piadinha do senhor brasileiro que está a distribuir os jornais gratuitos que eu nunca pego mas leio as letras gordas: gosto.
O António Vitorino a cruzar-se comigo com um sobretudo demasiado comprido que o faz parecer o Conde Patrácula: não gosto.
Chegar ao trabalho e ter, pela primeira vez em meses, apenas uma pequenina pilha de papeis com problemas por resolver: gosto.

09 janeiro 2008

coisas que já sobejam

O Inverno. Não tenho feitio para o Inverno. Não há vantagens no Inverno. Que chova nas couves, que esfrie nos Pólos. Que me deixem apanhar sol e calor daquele que toda a gente não suporta mas a mim me deixa com um sorriso nos lábios.
A moda da roupa roxa. Não gosto. Acabem lá com isso, por favor.
O Gustavo estar sempre a ficar doente, com febre e com tosse de cada vez que vai mais do que 3 dias seguidos à creche. Fico com o coração pequenino e não consigo pensar em mais nada.

08 janeiro 2008

às vezes esqueço-me

Ora bolas, sou adulta! Eram quase quatro da tarde e apetecia-me pizza. A vozinha interior apressou-se a ditar que já não eram horas de almoço e ainda não eram horas do lanche. Sobretudo, que pizza não é lanche. Comi a bela fatia bem gordurosa e soube-me pela vida.

Hi5

Não, a sério, o que é que leva estes senhores a pensar que eu os quero conhecer?



(ou por que é que eu ainda estou metida nesta treta do Hi5?)

p.s. Houve para aí uns problemas com os comentários devidos à minha nabice mas acho que já estão resolvidos. Desculpem lá se houve comentários vossos perdidos para todo o sempre no vazio da blogosfera.

05 janeiro 2008

bodas de papel

Hoje é o primeiro aniversário do meu casamento. É um primeiro aniversário um pouco estranho porque não parece que estamos casados há 365 dias. Foram poucos os tempos que passámos a dois no meio disto de sermos pais de primeira viagem. A verdade é que não houve muito tempo para sermos só e apenas marido e mulher. Não houve tempo para mimos alongados e jantares românticos - e daí, também não houve muito tempo para discussões nem para começarmos a embirrar com os hábitos estranhos um do outro. Não foi bem o primeiro ano, foi mais o ano zero. Mas até foi um bom ano zero e, olhando para trás, não podia estar mais convicta de que este é mesmo o homem com quem eu quero passar o resto dos meus dias. O homem que é o (excelente) pai do meu filho. O homem que faz sopas enquanto eu estendo a roupa. O homem que me ensina a tocar piano e também quis aprender a tricotar. O homem que gosta de voar mas também tem paciência para dançar comigo mesmo que troque os passos todos. O homem que me abraça quando chego à cama geladinha, que me pede festas nas orelhas e que tem paciência (e um sorriso constante) para o meu constante gralhar. Obrigada por este ano, meu amor. Que venham muitos mais melhores ainda!

04 janeiro 2008

o que é que vocês faziam?

No jardim em frente a minha casa - com parque infantil e tudo - procede-se a um tipo de comércio duvidoso a partir do final da tarde. Nessa altura, e noite fora, diversas personagens por lá circulam, desde os vulgares passeadores de cães aos sem-abrigo a caminho do seu poiso e todo o tipo de pessoas.

(aquilo parece uma amostra representativa da população residente em Portugal, dá imenso jeito a qualquer sociólogo que queira fazer inquéritos)

O que me deixa um pouco intrigada e até angustiada é que, quase todas as noites, e até altas horas, há uma família de mãe-pai-e-filho que fica pelo jardim, faça chuva ou faça sol (neste caso, lua), esteja calor ou frio. A mãe é magra com um cigarro, sempre de óculos escuros. O pai tem um aspecto deplorável, é bruto e grita o ocasional palavrão para o filho quando ele desobedece. Este, com os seus 5 anos, lá anda atrás do seu brinquedito, jogando à bola às nove da noite, enxotando os pombos adormecidos à meia-noite e tal, tudo isto sob a fumaça contínua do tabaco dos pais (nos jardins ainda se pode!). Não sei se eles estão mesmo a vender droga (é o que me parece) nem é isso que me interessa particularmente. O que me custa é ver aquela criança, com aquela idade, sempre ali, ao frio, em vez de estar na cama a dormir. Como está o meu filho. Não vejo que o maltratem mas... O que fazer? Não tenho nada a ver com o assunto mas onde é que termina a privacidade de cada família e começa a nossa responsabilidade de cidadãos?

01 janeiro 2008

resoluções de ano novo

Nunca faço mas este ano fiz três:

- Vou aprender a tocar piano (já comecei)
- Vou começar a escrever o meu primeiro romance (já tenho o enredo)
- Vou deixar de comer as peles dos dedos (já pintei as unhas)

É muita ambição, bem sei, mas a mais difícil é a terceira!

O Gustavo despediu-se de 2007 todo contente a caminhar agarrado ao meu dedo. É lindo e inacreditável, nem os apóstolos devem ter ficado tão espantados quando Jesus andou sobre a água.

28 dezembro 2007

balanço de 2007

De corrida, só para lembrar alguns acontecimentos marcantes deste ano (aqueles que me vêm à cabeça), e porque o dever de uma gralha é denunciar, denunciar, denunciar. O que houve de bom e de mau.

Pela negativa:

A morte de Benazir Bhutto: mulher, corajosa, lutadora pela liberdade - uma combinação demasiado explosiva (não pretendo aqui fazer nenhum trocadilho de mau gosto) para o nosso mundo de hoje.
O encerramento de diversos serviços de saúde em Portugal: sou sempre a favor da optimização e rentabilização dos serviços mas sou, antes de mais, pela garantia dos direitos inalienáveis dos cidadãos e parece-me que esses estão a ser postos em causa.
O degelo recorde no Ártico, onde a superfície gelada que derreteu a mais este ano tem uma dimensão próxima da África do Sul.

Pela positiva:
A derrota, em referendo, de Hugo Chávez, que tentou promover uma reforma constitucional que permitiria a reeleição para presidente por um número indeterminado de vezes. A democracia tremelica em grandes partes do mundo mas aqui ainda conseguiu fazer-se valer (vamos ver até quando).
A publicação da lei anti-tabaco em Portugal: perdoem-me os meus amigos fumadores mas ATÉ QUE ENFIM.
A assinatura pelos EUA do acordo de Bali: não sei se terá algum impacte real mas marca alguma mudança de atitude sobre estas temáticas num dos maiores poluidores mundiais e, certamente, no país que tem actualmente maior influência sobre o devir no nosso pequeno planeta.

Pessoalmente, e dando muitas graças a Deus, olho para 2007 e só vejo acontecimentos positivos. Casei-me, tive um filho, mudei de trabalho mas não de emprego e tenho muita confiança que é no próximo ano que vou ganhar o Euromilhões. Só me falta começar a jogar.

Um óptimo 2008 para todos :)

26 dezembro 2007

do natal

É nestas alturas que eu vejo que a boa disposição e bom feitio do Gustavo são ímpares. Suportou dois dias de confusão e imensa gente (sobretudo ontem) a pedir gracinhas, a cantar para ele dançar, a pegá-lo ao colo, a querer brincar com ele, a tirar infinitas fotografias, um reboliço extremamente cansativo até para mim. E tudo sem um queixume, dormindo descansadamente as suas sestas, brincando por breves segundos com cada novo brinquedo (foi mais o tempo a recebê-los do que a desfrutar deles), fazendo o seu charme do costume. Palavra de honra que não compreendo como saiu tão mansinho e tão festeiro em simultâneo.
E assim se fez o Natal. Com muita família, como eu gosto, com comidinhas boas, como eu gosto, com aberturas de presentes intermináveis, como eu já estou habituada. Para o ano há mais, de preferência com mais bebés - não há meio é de os meus primos se decidirem a isso.
E agora, de volta ao trabalho. A avaliar pelo deserto que está hoje a cidade de Lisboa, sou a única que veio trabalhar hoje.

22 dezembro 2007

feliz natal!



Este ano foi Natal para nós em Março. E o resto do ano foi Natal todos os dias, porque o privilégio de assistir ao crescimento do nosso filho é o maior milagre da vida. Por isso, este Natal é só mais um dia, mas é um dia especial porque ainda assinala para mim, sobretudo, o nascimento do que há de mais puro e bom, a concretização de uma promessa há muito esperada.
Tenho algum pudor em falar assim da nossa alegria neste Natal porque sei que há muita gente para quem a quadra natalícia é um suplício que têm de suportar com um sorriso amarelo. E isso é triste. Há sempre gente que perdeu alguém este ano e há gente que ainda continua à espera da sua própria promessa há muito esperada. A todos vós, a quem não vos apetecia nada o Natal, gostava de deixar um abraço muito apertado. Gostava que pudessem ouvir o riso do meu filho, que contagia até o mais sisudo. Gostava que acreditassem que o próximo Natal será certamente melhor. A todos, a família gralha deseja um Natal cheio de luz!

20 dezembro 2007

um dia (e noite) em cheio

Ontem foi daqueles dias em que, à partida, dado o dilúvio estúpido que resolveu desabar sobre esta terra, não dava grande coisa por aquilo. Mas não, foi óptimo! Passei a manhã a brincar com o ranhoso e o manhoso (Gustavo e Matias)

(não sei porquê, isto agora fez-me lembrar o Duarte & Companhia. Era tão fixe, o Duarte & Companhia)

li, preguicei, tricotei, e ainda fomos ter com umas miúdas muito giras e simpáticas. Gostámos muito de rever a Leonor e a Ana e também de finalmente conhecer a Clara e a Sara. Achei mesmo graça ao modo como a bebezada se fartou de interagir - e ainda dizem que os bebés desta idade não ligam uns aos outros! A Clara é tão meiguinha, tão querida e feminina que fiquei mesmo cheia de vontade de mandar vir uma menina...
E eis senão quando chego a casa, depois do trânsito e da chuva e do vento, e encontro o L. à minha espera... Para me levar a jantar fora ao restaurante aonde fomos quando fizemos um ano de namoro. Fiquei tão surpreendida e tão contente! Fez-nos tão bem aquele tempo só a dois, depois dos meses de fraldas, sopas, biberons e etc.
Pronto, este post hoje ficou um bocado pessoal e a fugir para o romance de cordel, mas apeteceu-me dizer que estou contente :)

18 dezembro 2007

porta 65

Embuste. Rectórica. Trapaça. Utopia. Tantas palavras poderiam ser usadas para descrever este programa.

(para quem não sabe: uma iniciativa governamental para incentivar o arrendamento jovem)

Sobretudo, acho que é o maior incentivo à reprodução das injustiças sociais. Senão, vejamos:

É preciso conciliar uma renda muito baixa (teoricamente impossível para cada tipo de localização) com um ordenado do ano anterior relativamente alto. Logo aqui se exclui as pessoas que só recentemente começaram a trabalhar, as pessoas que ganham miseravelmente e, a parte mais "divertida" para mim, as pessoas que são tão comodistas, tão comodistas, que se dispõe a pagar mais de 550 euros por um T3 em Lisboa, por exemplo. Toda a gente sabe que há por aí casas gigantes ao pontapé, em toda a cidade de Lisboa, por 300 e tal euros. Só paga mais quem é mimado. Na verdade, e para o exemplo de Lisboa, parece-me que só é possível cumprir os critérios de elegibilidade de duas formas:

- Vai-se viver para Santo António dos Cavaleiros e demora-se 4 horas no trânsito todos os dias - reprodução da injustiça na versão classe média baixa
- Vai-se viver para o centro de Lisboa num apartamento que não estava para alugar no mercado, que se conseguiu através de conhecimentos e outros mecanismos subterrâneos - reprodução da injustiça na versão classe média alta

Eu consegui. Mas é injusto, e fico chateada.

17 dezembro 2007

de férias

Que é como quem diz, em casa, de papo para o ar (quando não estou a brincar com o Gustavo, a fazer sopas, a fazer os preparativos para o Natal, etc.). Se encontrar uma nota de 500 euros perdida na rua, ainda pego no filhote e vamos para uma qualquer capital europeia - que sempre há de estar menos fria que a nossa casa...

Até já!

13 dezembro 2007

imodéstia

A última coisa que eu queria era que este blogue se tornasse numa listagem dos meus motivos de orgulho como Mãe, tal como não quero tornar-me naquelas Mães chatas que não sabem falar de mais nada senão das gracinhas dos filhos. Isto tudo para explicar que os posts intermináveis que faço a cada mês não se destinam ao vosso fastio nem estou à espera que me confirmem que o meu filho é mesmo espectacular (ainda que isso fosse perfeitamente normal). Estes posts são o resumo que guardo de cada mês porque isto da maternidade é uma coisa mesmo bastante fixe mas que passa à velocidade da luz e quando eu estiver caquéctica, com os últimos 50 cabelos brancos na cabeça, a medir 1,50m e sem carninha nenhuma sobre os ossos, vou fartar-me de chorar a ler isto enquanto resmungo com uma voz trémula (possivelmente com um sotaque regional qualquer que hei-de adoptar): "ai, meu filho, tão lindo que eras! ai, que me trocaste por aquela desavergonhada da tua mulher! ai, que lhe vou fazer a vida negra!".

12 dezembro 2007

9 meses

Hoje acordámos os dois lado a lado cheios de alegria! Já passaste tanto tempo cá fora como dentro da minha barriga e eu nem tento esconder o orgulho que tenho em ti, meu filho :) Não podias ser mais querido e perfeito, és a realização do meu maior sonho, e a cada mês sinto uma imensa gratidão por acompanhar o teu crescimento.
Apesar de todas as doenças que te acompanharam também neste mês, foi tempo de grandes conquistas. Chegaram o segundo e o terceiro dente, o que te tirou um bocadinho o apetite (nem por isso baixaste dos percentis 95), mas já gostas de comer sozinho as primeiras comidas de "crescido" - e eu desespero com os tempos infinitos para apanhar uma rodela de cenoura ou um bocadinho de salsicha de perú...
Em termos de comportamento, lá por seres simpático e gostares de brincar com os colegas da escola, não deixas de ser um grande patife porque lhes roubas as chuchas e foges à descarada. Já aprendeste a contornar os objectos grandes para encontrar os brinquedos escondidos e agarras-te a tudo (a mamã, por exemplo, dá imenso jeito) para te pores de pé e dares os primeiros passinhos apoiado. Fazes adeus e acenas "não" com a cabeça, enquanto dizes "na" (já do contra???) e também vais dizendo os ocasionais "ma-ma" quando o mimo ataca. A gracinha mais recente foi o tio que te ensinou: palminhas! A coisa mais fantástica é que obedeces quando te dizemos para não mexer em alguma coisa (até quando?) e a coisa mais gira é ver-te a cantar e a dançar o "la cucaracha" enquanto agitas as maracas. Terás um belo futuro no showbiz, certamente... No entanto, a herança genética da engenharia é notória, porque estás sempre a testar os materiais para ver se são consistentes. Por falar em herança genética, andas completamente fixado no avô (o meu pai), que está a aproveitar muito bem esta semana em que estamos em casa deles. Só queres brincar com ele e até lhe pedes colo, tu, que nunca gostaste de colo.
Agora, a coisa mais linda - que me enche o coração de um amor infinito que não é possível haver coisa mais querida no mundo, que até vejo estrelas e arco-íris e o universo fica em suspenso - é quando andas, como sempre, a brincar sozinho a 100km/hora e, de vez em quando, páras e vens dar-me um grande abraço apertadinho. E depois atiras-te para o chão e lá vais de novo à tua vida. Posso dizer que sei mesmo o que é ser feliz :)



11 dezembro 2007

quem é a esposa querida, quem é?

Estas são todas para ti, meu amantíssimo conjuge:







(2ª feira - Evangeline Lilly; 3ª feira - Natalie Portman; 4ª feira - Beyoncé Knowles; 5ª feira - Eva Green; 6ª feira - Giselle Bündchen)

Sim, que eu também sei apreciar a beleza feminina.

10 dezembro 2007

patrão fora...

... semana santa na loja.







(2ª feira - Wentworth Miller; 3ª feira - Reynaldo Gianecchini; 4ª feira - Daniel Craig;; 5ª feira - Amaury Nolasco; 6ª feira - Josh Halloway)

Deus criou o homem numa tão linda variedade... (e assim se prova que todos os homens ficam lindos de camisa e mãos nos bolsos)

(Marido querido, que estás a milhares de quilómetros: não te zangues que amanhã eu compenso-te)

07 dezembro 2007

a besta cultural

É o que eu estou a ficar. Compreendo agora que a maior mudança que esta nova fase da minha vida trouxe - atenção, não estou a culpar o meu filho, estou a culpar-me a mim - foi a ruína da minha vida cultural. Como o tempo não é elástico, com a entrada das fraldas e das sopas e dos biberons, tinha de saltar qualquer coisa e foi isso que saltou (e mais o desporto, mas pronto...).
Não me lembro da última vez que entrei numa galeria de arte.
Não vou a um museu há um ano e meio.
Não vou ao teatro há mais de um ano.
Desde que o Guguinha nasceu, só fui uma vez ao cinema e foi para ver qualquer coisa fraquita, já não me lembro o quê.
Concertos, exceptuando os obrigatórios Police, nicles.
Música, em geral, ando a rejeitar. Não consigo gostar de nenhuma rádio, estou farta dos meus CDs do costume e são pouquinhas as coisas novas que me chegam ao ouvido e lá permanecem.
E os livros, senhores, os livros! Eu sou leitora ávida e não consigo acabar nada há que tempos. Mas há esperança! Na minha mesa de cabeceira a puericultura (Tracy Hogg) já está debaixo da Agustina Bessa-Luís, sobre quem repousa a Zita Seabra...
Não digo estas coisas como queixume vazio nem para dar ares de intelectual. A verdade é que eu não posso negar a minha essência nerd e a importância que estas coisas têm para mim. Nem só de pão vive o homem e esta mulher sente falta de cócegas lá naquela parte do cérebro que mexe com a criatividade e com as coisas bonitas.

06 dezembro 2007

natal antecipado?

Alguém anda a deixar-me notas de 10 euros nos bolsos, só pode. Todos os dias tenho amanhecido com uma diferente, linda e cor-de-rosinha. Agradeço e estimulo a continuação de tão bom hábito matutino.

(ou isso, ou realmente tenho de começar a não deixar acumular quilos de lixo nos bolsos, na mala, na consola do carro...)

05 dezembro 2007

nevoeiro

Nestes dias de nevoeiro contínuo, a estrutura do tempo deslaça-se como claras em castelo feitas na Bimby.

(é por arruinar todas as metáforas com imagens corriqueiras que o meu futuro como poetisa está condenado à partida)

04 dezembro 2007

uns queridos

Não sei se será da época natalícia, mas os homens das obras estão a ficar uns fofos! Só hoje já ouvi um

"És uma boneca!"

e um

"Ahhh, o capuchinho vermelho"

Mais alguém me diz uma destas e arrisca-se a levar uma grande beijoca naquela bochechinha com barba de 3 dias.

03 dezembro 2007

duas rodas

Mandem toda a espécie de veículos, motorizados e não motorizados, terrestres, aquáticos, aéreos (aviõezinhos de papel), que a gralha lá se ajeita a conduzi-los. Mas, por alguma razão, tudo o que é com duas rodas tem de ser mantido bem distante das minhas patinhas. Fala-vos alguém que já conseguiu atropelar-se a si própria com uma trotinete eléctrica.
Ainda assim, destemida e fresca, lá fui eu andar de bicicleta com o meu pai na manhã de Sábado. Podia ter sido um momento de família tão bonito... E até foi, à excepção daquela vez em que ia atropelando um polícia (que se desviou a tempo). E daquela outra em que ia sendo atropelada por um carro porque, no meio da indecisão entre parar antes do cruzamento ou passar antes do carro (dava tempo), resolvi que era melhor travar a fundo mesmo à frente do dito carro, cujos travões estavam a funcionar bem, graças a Deus. É uma coisa inexplicável esta minha dificuldade. O problema não é andar, o problema é só virar e, sobretudo, parar. Pura e simplesmente estupidifico e, na maior parte das vezes, acabo por me enlaçar nos pedais, nas rodas e no diabo a quatro. Para a semana vou de patins.

30 novembro 2007

em casa

Muito obrigada pelos vossos comentários ao post de ontem, cada um especial à sua maneira (é assim que eu vejo que valeu a pena privatizar o blogue e reservar a entrada só a pessoas - e pinguins - fora de série).
Hoje fiquei em casa com Gustavo para ver se, pelo menos por uns dias, ele não leva a injecção de vírus da creche. Ele continua a tossir como um camionista sem chauffage que atravessa os Pirinéus no Inverno, mas já está medicado e talvez um pouco melhor. Conseguimos consulta ontem com a Pediatra, o que sempre deu não só para a medicação mas também para confirmar que ele continua matulão, giro, desenvolvido, etc.
As dúvidas continuam sempre, claro. É só que, às vezes, olho para mim e vejo-me ainda quase adolescente e a não saber o que fazer a tanta responsabilidade. Mas depois isso passa-me logo porque eu sempre me achei muito forte e corajosa (como o Matias, um Beagle que se julga Rottweiller, pelos vistos é de família).

Por isso, amiguinhos, bom fim-de-semana. Façam a árvore de Natal! Sim, é neste Domingo, que é quando começa o Advento. O Advento, para quem não sabe, são as 4 semanas antes do Natal, que é o dia de aniversário daquele boneco mais pequenino e de fraldas que têm no vosso presépio. Pronto, quem quiser também pode montar o pinheirinho só no próximo dia 8, que era a tradição antigamente.

p.s. Estou muito contente porque parte de mim vai amanhã para um sítio onde sempre sonhei ir, a Costa Rica. Infelizmente, essa parte é apenas a minha mochila e o meu saco-cama. Pode ser que traga uma tarântula lá dentro, ou coisa que o valha.

29 novembro 2007

equilíbrios

Uma mulher que se torna mãe pare um bebé mas engole uma espécie de bicho que a corrói de dúvidas e preocupações para o resto da vida.

(isto as mães que o são por escolha, claro)

E ainda tem de engolir mais uma quantidade infinita de sapos, mas agora não me apetece falar disso.

Decisões como pô-los ou não na creche, ficar ou não em casa, confiá-los ou não a outras pessoas, deixam-nos sempre a interrogação se tomámos as melhores decisões, se o fazemos por eles, por nós, pela relação com o nosso marido, por todos... É tão difícil equilibrar tudo isto, e é sobretudo nas alturas de crise - como nas doenças persistentes de um bicharoco pequenino (matulão) de 8 meses e tal, que não tem culpa de nada - que estas dúvidas nos martirizam. Só queria saber tomar sempre a melhor decisão para todos. Queria conciliar um desenvolvimento independente com a saúde física, a minha própria sanidade mental com o conforto dele, o bem-estar do meu casamento com um acordar sem tosse a cada dia... Mas não parece possível, não parece possível. Estou triste.

27 novembro 2007

...e mais uma

Gralhinho doente. Eu bem lhe digo para parar com isto das viroses, que já não é nada original. Febre, ranhoca, a estreia da devolução do jantar (em jacto) sobre o pai. Uma festa. Até melhores dias!

23 novembro 2007

o que me falta

Não sei se vocês param, de vez em quando, para pensar se levam a vida que desejam (se não o fazem, é lastimável) mas eu lá faço o exercício ocasionalmente. Verbalizar mesmo o que se deseja, o que se deseja de facto, é muito importante. Eu sempre desejei para a minha vida constituir família e ter um trabalho que ajude, de alguma forma, a fazer deste mundo um lugar melhor. Estou muito contente com a minha família recém-nascida, e que espero que possa crescer e dar frutos (não desfazendo, acho que vou ser uma avó espectacular). E o resto?
Quando olho para os meus posts anteriores vejo escapismo, preocupações sociais e ambientais. Vejo a minha urgência em ajudar, em tomar os mais frágeis debaixo das minhas asas. E olho para os meus dias de trabalho e vejo despesas e receitas e uma grande alegria quando recebo pastas novas que me permitem organizar as montanhas de papeis que já faziam sombra ao teclado do computador. Caramba, isso é tão pouco, tão... ao lado do que eu desejo. E até tenho planos e ideias bem definidas do que poderia fazer. Mas lá vêm as desculpas: falta-me o dinheiro para montar o negócio, o tempo para fazer tudo direitinho, a estabilidade para poder largar o trabalho que tenho e dedicar-me só aos meus projectos. Mas quase toda a gente que monta um negócio de raiz tem falta de tudo isso, não? O que me falta é outra coisa...

21 novembro 2007

galápagos

Ora hoje podia era estar aqui.



Só eu, o meu marido - que bem está a precisar -, um tabuleiro com ameijoas, pão acabado de fazer e sangria de champanhe. Ficávamos só a observar as iguanas à pesca na água gelada. E estava sol, muito sol. Mainada.

(Deus abençoou-me com tanta imaginação...)

20 novembro 2007

não concordo

Nunca falei de política neste blogue, e nem tenciono voltar a fazê-lo, mas tenho de dizer que não concordo que o nosso Primeiro-Ministro, representando um país democrático, receba um ditador. Não concordo, pronto. Os ditadores podem ser pitorescos à distância, podem dar personagens interessantíssimos de romances históricos, mas a minha experiência num país que ainda vive uma ditadura fez-me perder toda a paciência para estes salvadorezecos-da-pátria que acabam por retirar as liberdades individuais para encher o ego ou mesmo para encher o bolso. Como o meu blogue é democrático, aceito todos os comentários contra, mas eu digo: Chávez, baza!

19 novembro 2007

grrrrrr

Dir-se-ia que 28 anos anos já são uma idadezita razoável para não corar por tudo e por nada - especialmente por nada! - só porque se fala com alguém e se pensa que a outra pessoa pensa que nós estamos a pensar em qualquer coisa que não estamos a pensar, não? OK, isto está indecifrável mas esta traição das minhas próprias bochechas, que passaram todo o dia da cor da cal, dá-me vontade de me dar um par de lambadas a mim mesma.

como foi que disse?

Esta noite reencontrei cara-a-cara uma amiga de longa data, que já não via desde os 7 meses de gravidez do Gustavo (a minha sanita) e digo-vos que não senti falta da dita. É por estas e por outras que não tenho saudades de estar grávida. O que vale é que o entrevadinho já está melhor e já podia andar a cuidar do filhote, que andou a acordar de hora a hora até às tantas da matina.

Só que, no meio disto tudo, e para compensar a última semana,

ma - ma - ma - ma

diz lá outra vez, Guguinha

ma - ma

(estendendo os bracitos para trepar por mim acima, o novo hobby)

ma - ma

E é nestas alturas que o meu coração explode de amor e tudo o resto se torna secundário.

16 novembro 2007

para onde podemos ir?

Hoje o que me está mesmo a incomodar é o permanente aroma a escape que entra nas minhas narinas, desde a porta de casa até à porta do trabalho. Por que é que tenho de viver no meio de tanta poluição? Porquê? Porque vivo num centro urbano. Ora, ir viver para o campo era muito simpático mas a nossa profissão não o permite. A solução estará, então, num centro urbano menos poluído, uma cidade simpática onde o meu filho possa crescer sem ficar com pulmões de fumador antes dos 3 anos.
Qual não foi o meu espanto quando, pesquisando na Internet, não encontrei qualquer estudo sistematizado sobre os índices de poluição a nível mundial (se alguém conhecer, por favor diga-me). Só há uma lista negra das 10 piores cidades, feita pelo Blacksmith Institute. É bom, porque já fico a saber que a China, a Índia e a Rússia não são os melhores países para construír uma vivenda com canteiros de buganvílias. Mas isso não me diz nada acerca dos níveis de poluição de Lisboa ou de alternativas como Roma, Londres, Dublin, Boston, São Francisco, Buenos Aires. Não sei porquê, estou mais apostada em qualquer coisa como Oslo, Estocolmo, Helsínquia, Otava, Wellington ou Cidade do Cabo. Mas é que umas são muito frias e outras são tão fora de mão...

15 novembro 2007

parecia eu que adivinhava

Andei feita defensora dos deficientes e tenho agora um marido todo escangalhado! Ontem, só de pegar no Gustavo ao colo, deu um jeito às costas e ficou imobilizado (será que agora já acredita que ele está um pouco gordito demais?). Agora tenho um latagão de 80 kg para deitar, levantar, vestir, calçar e animar, para além do lataguinho de 10 kg que já me dá alguma mão-de-obra. E do cão.
Eu sou só uma pequena gralha, cada vez mais escanzelada, e não tenho mãos a medir para tanta empreitada! Help!

(Ele já está medicado e de cama, com menos dores. Esperemos que fique melhor depressa)

14 novembro 2007

arrumações

Ontem à tarde/noite, sem saber bem como aquilo começou, dei por mim a fazer terapia arrumacional: dei a volta ao meu armário, cómoda, sacos de roupa acumulados, mesa de cabeceira, troquei as peças de Verão pelas de Inverno, uma roda viva. Depois de muitos espirros e de voltar a pôr no sítio, bem dobradinha, cada camisola e cada t-shirt, eu - em tempos, perfeccionista, quando tinha tempo para isso - fiquei logo a sentir-me muito melhor. É pena que não seja tão fácil fazer o mesmo com as desarrumações que nos vão pela cabeça...

13 novembro 2007

civismo

Ontem mandei um e-mail para toda a comunidade da universidade onde trabalho a chamar a atenção para o que é frequente por aqui: vulgares condutores, que se devem sentir um pouco especiais, a estacionar no lugar reservado aos portadores de deficiência. E a carrinha de transporte de deficientes a ter de parar em segunda fila. Estou farta, farta, fartinha de ver esta situação por isso quero ver se agora ainda têm coragem de continuar a fazer o mesmo. Desta vez, omiti a matrícula porque o meu objectivo é pedagógico mas, se continuar, vou começar a fotografar todos estes "especiais". E não há de me falhar um porque o lugar está mesmo aqui à minha frente e eu ando sempre armada (de máquina fotográfica). Broncos!



12 novembro 2007

8 meses

Filho querido, estes meses passam cada vez mais depressa e vejo-te cada vez menos como um bebé e mais como um rapazinho. Até já gostas de brincar com carros, de perseguir o cão e, se eu deixasse (e ele!) de lhe puxar o rabo. Acho que não houve um único dia deste mês que não tivesses tosse e não sei quem está mais farto do soro, se tu, se nós... Mas é assim mesmo a vida e, felizmente, não perdes a boa disposição nem o apetite. Por falar em apetite, estás um verdadeiro crava e não podes ver-nos a comer qualquer coisita sem que te ponhas a pedir. Guloso!
Começaste finalmente a estranhar um pouco os desconhecidos mas, desde que não apareçam de surpresa a pegar-te ao colo, continuas a distribuir sorrisos generosamente. Estás a ficar cada vez mais irrequieto e já é mesmo muito difícil mudar-te a fralda e despir-te, começa a parecer uma luta greco-romana! Também estás perigosamente destemido, uma espécie de baby-Indiana Jones, pelo que temos que andar sempre atrás de ti a evitar que te metas em sarilhos...
A parte melhor é que andas mesmo apaixonado pela mãe (mas também andas maluco pela casa toda até encontrar o pai):D Estendes-me os braços a pedir colo e até já me disseste adeus algumas vezes quando te deixei na creche de manhã (mas depois vais logo brincar todo contente). E brincar é mesmo coisa que adoras, agora até ficas de joelhos a virar e revirar os brinquedos (de pé ainda te custa ficar... serão os mais de 10 quilinhos a pesar nas pernas???). Quando não te deixamos fazer qualquer coisa - nomeadamente o teu passatempo preferido: mexer nas tomadas - já ensaias as primeiras birrinhas, mas também é a oportunidade certa para aprenderes o significado do "não" e, às vezes, até nos dás ouvidos. O mais tragico-cómico é que estás a ficar um bebé urbano: isso dos passarinhos e das árvores é muito giro mas o que gostas mesmo é de fazer uma grande barulheira quando algum carro buzina perto de nós (e não é por eu fazer o mesmo, porque agora até me controlo no trânsito para não dar maus exemplos). Urbano ou rural, estás cada vez mais lindo (não sou nada modesta, bem sei)! A tua pediatra diz que a cor dos olhos se define até aos 8 meses por isso agora acho que é oficial: passaste do impossível azul à nascença para o cinzento e agora o verde, o mesmo verde do meu pai. É lindo olhar para ti e ver os olhos do meu pai :) Mas não há qualquer dúvida que continuas a ser a carinha chapada do teu!






09 novembro 2007

hoje à noite

O Guguinha fica com o pai em casa e a mãe vai abanar as penas, oh yeaaah! (pronto, é só um jantarzinho com amigos, mas já é qualquer coisa)

08 novembro 2007

desculpas astrológicas

Diz que tenho a lua em escorpião. Estão a ver? Não tenho a culpa de ter mau feitio.

07 novembro 2007

todas as mulheres

Não sou feminista mas, desculpem lá, hoje tenho mesmo de escrever isto (um dia faço a mesma reflexão em relação aos homens).

Todas as mulheres são heroínas.
As mulheres que se levantam às 4h para ir trabalhar nas limpezas de uma multinacional.
As mulheres que se levantam às 7h para terem tempo para secar o cabelo e pôr maquilhagem antes de irem pôr os filhos à escola e irem trabalhar (numa multinacional).
As mulheres que estão na cozinha entre as 18h30 e as 21h30.
As mulheres que, depois de estarem na cozinha várias horas, ainda pegam na máquina de costura para fazer o fato de Carnaval dos filhos.
As mulheres que, mesmo com uma gripe valente em cima, vão sair à noite com a melhor amiga, que acabou com o namorado.
As mulheres que já não vão sair à noite há muito tempo porque...
As mulheres que andam com os filhos às costas e um bidon de 20 litros à cabeça para ir buscar água à fonte mais próxima.
As mulheres que andam com os filhos no marsúpio e com 8 sacos de supermercado nas mãos, até ficar sem circulação nos dedos.
As mulheres que nunca estudaram porque ficaram a cuidar dos 7 irmãos mais novos.
As mulheres que estudaram e que não podem dar-se ao luxo de ter filhos porque arruinariam a carreira.
As mulheres que gostariam de não fazer carreira mas têm de trabalhar para poder pagar as despesas básicas dos filhos.
As mulheres que passam noites em branco quando os filhos estão doentes.
As mulheres que passam os fins-de-semana em casa a brincar com os filhos enquanto os maridos vão para a pesca/futebol/tasca.
As mulheres que sonham fazer tanta coisa mas que põem os outros sempre em primeiro lugar.
E as mulheres que têm a coragem de tomar as rédeas da sua vida e conseguem equilibrar os seus desejos com as muitas exigências externas.
Não somos mártires. Tenho de acreditar que muitas de nós fazemos tudo isto por escolha e não por imposição (nem todas, é certo...). Mas que somos corajosas, lá isso somos.

06 novembro 2007

alentejanámos





Descansámos e cansámo-nos, que é o que se faz nestas coisas. E comemos castanhas assadas na lareira.
O Alentejo continua a ser a região mais bonita de Portugal.

04 novembro 2007

brutalidades

Um bebé nasce, filho de uma grande amiga: uma alegria imensa!
Outro bebé não vai chegar a nascer, filho de uma nova amiga.
A vida é mesmo brutal, já me devia ter habituado a isto. Sobretudo eu, que chego mais dificilmente aos sentimentos sublimes do que às sensações avassaladoras. Tenta-se palavras. Tenta-se qualquer coisa. Mas a brutalidade do que é inevitável é maior, e as palavras não conseguem dizer nada nestes momentos.

01 novembro 2007

vamos alentejanar

E já voltamos. Até já!