De tantos assuntos pouco interessantes que andam por aí, não compreendo como é que ninguém se lembrou ainda de dissertar sobre a rivalidade latente entre os dois auto-proclamados reis da música ligeira (?) nacional: Marco Paulo & Tony Carreira. Na minha opinião, este não é um tema menos fracturante do que as dualidades Coca-Cola vs. Pepsi, McDonald's vs. Burger King, ou Britney Spears vs. Christina Aguilera. Mas, por alguma razão, ninguém fala nisso.
Adianto-me a reconhecer que sou pró-Marco Paulo. Há qualquer coisa de porto de abrigo na imagem daqueles caracóis dos anos 80, como um daqueles aromas a sopa juliana que nos fazem regressar à infância. E depois, o senhor tem realmente alguma voz e não copia as músicas de outras pessoas. Sublinho esta parte do não copiar músicas de outras pessoas. Pois, é que o Tony Carreira bem pode encher Pavilhões e Pavilhões Atlânticos mas diz que tem alguma queda para o plágio. E isso é muito feio, senhor Tony. Além disso, se é para estarmos a comparar penteados, mais valem aqueles caracóis honestos - além do mais, parecidos com os meus - do que aquele risquinho ao meio com um ar muito manhoso. Marco Paulo rules.
03 maio 2009
01 maio 2009
habemus Doutorum
Finalmente, vou realizar um dos sonhos da minha vida que é poder referir-me ao meu marido como "o senhor Doutor", do género, "ó fulaninha, veja lá se tira os vincos das camisas do senhor Doutor". Este tipo de comportamento está ainda mais adequado agora devido ao meu novo visual parvónio.
Ontem lá foi a defesa do doutoramento do meu esposo - como é Doutor, a partir de agora também passa a ser "esposo" - e ele defendeu-se muito bem, como não podia deixar de ser. Acho que estava mais nervosa que ele. Aqui ficam, mais uma vez, os meus parabéns e a expressão do meu grande orgulho pelo trabalho destes 4 anos, que conseguiu fazer enquanto limpou muitas ranhocas e fraldas sujas, passeou o cão, lavou toneladas de louça, estendeu máquinas de roupa, aturou uma esposa-gralha e ainda conseguiu algum tempinho para ir voar de vez em quando.
Já agora, o novo (ou já nem tanto) blogue do artista, para quem ainda não conhece.
Ontem lá foi a defesa do doutoramento do meu esposo - como é Doutor, a partir de agora também passa a ser "esposo" - e ele defendeu-se muito bem, como não podia deixar de ser. Acho que estava mais nervosa que ele. Aqui ficam, mais uma vez, os meus parabéns e a expressão do meu grande orgulho pelo trabalho destes 4 anos, que conseguiu fazer enquanto limpou muitas ranhocas e fraldas sujas, passeou o cão, lavou toneladas de louça, estendeu máquinas de roupa, aturou uma esposa-gralha e ainda conseguiu algum tempinho para ir voar de vez em quando.
Já agora, o novo (ou já nem tanto) blogue do artista, para quem ainda não conhece.
29 abril 2009
o flagelo dos cabeleireiros
Já me tinha esquecido da principal razão para, desde há uns anos para cá, ter passado a cortar o cabelo a mim mesma. E a fazer-lhe todo o tipo de experiências caseiras que, infelizmente, nem sempre correm como esperado. E a razão é a minha fobia aos cabeleireiros. Venham 20 consultas de dentista e 2 de ginecologista, cabeleireiros é que não.
Tudo começou com os belos cortes de cabelo no início dos anos 90, que me deixavam parecida com o Figo. Não preciso de dizer mais nada sobre isto, pois não? Adiante. Depois, todo o ambiente, em que me sinto permanentemente julgada e avaliada por aqueles espelhos terríveis que nos desenham olheiras até ao umbigo. Mas hoje foi a estocada final: na vã esperança de me livrar dos diferentes tons de castanho/acobreado/dourado que tenho coleccionado ao longo dos anos, pedi para me fazerem umas ligeiras nuances. Li-gei-ras. Agora que olho para trás, e penso nos 45 minutos em que os minhas penas estiveram a assar em químicos descolorantes, creio que "ligeiro" em Espanhol (o peluquero era espanhol) deve significar "louro tipo bimba".
Estou loura tipo bimba. Tenho riscas amarelo-caganita-de-pássaro na cabeça. Tenho alguma vergonha de sair à rua. E não estejam agora à espera que eu volte a pôr os pés num destes estabelecimentos do demo.
Tudo começou com os belos cortes de cabelo no início dos anos 90, que me deixavam parecida com o Figo. Não preciso de dizer mais nada sobre isto, pois não? Adiante. Depois, todo o ambiente, em que me sinto permanentemente julgada e avaliada por aqueles espelhos terríveis que nos desenham olheiras até ao umbigo. Mas hoje foi a estocada final: na vã esperança de me livrar dos diferentes tons de castanho/acobreado/dourado que tenho coleccionado ao longo dos anos, pedi para me fazerem umas ligeiras nuances. Li-gei-ras. Agora que olho para trás, e penso nos 45 minutos em que os minhas penas estiveram a assar em químicos descolorantes, creio que "ligeiro" em Espanhol (o peluquero era espanhol) deve significar "louro tipo bimba".
Estou loura tipo bimba. Tenho riscas amarelo-caganita-de-pássaro na cabeça. Tenho alguma vergonha de sair à rua. E não estejam agora à espera que eu volte a pôr os pés num destes estabelecimentos do demo.
28 abril 2009
gralhólogo
gralha: Então, o que é que vais fazer?
gralha: Estou tão dividida, há tantas coisas em jogo...
gralha: Pois é, mas tens de decidir.
gralha: Gostava tanto de finalmente ter um trabalho que realmente importasse para alguém, que fizesse alguma diferença.
gralha: Sim, mas isso implica separar a família.
gralha: Não quero separar a família. Não tenho o direito de fazer isso ao meu filho.
gralha: Mas tu não pediste para ir.
gralha: Mas sempre disse que ia.
gralha: Então vai. Pronto, paciência.
gralha: Nem tenho hipótese, nunca poderia ficar cá sozinha a trabalhar com isenção de horário. Não é essa a mãe que quero ser.
gralha: O teu filho quer que sejas feliz. O teu marido quer que sejas feliz.
gralha: Eu também quero isso para toda a gente. Só é pena que seja impossível ser a melhor mãe do mundo e ter uma verdadeira carreira profissional.
gralha: Pois é, é muito injusto. Mas a vida é assim. E não tens de ser a melhor do mundo.
gralha: Tenho, pois. Já só faltam 4 dias para o Dia da Mãe e eu não estou disposta a perder o título.
gralha: Está bem. Pode ser que surja outra oportunidade assim.
gralha: Outra assim é quase impossível. Mas logo se vê o que a vida ainda tem para me oferecer.
gralha: Estou tão dividida, há tantas coisas em jogo...
gralha: Pois é, mas tens de decidir.
gralha: Gostava tanto de finalmente ter um trabalho que realmente importasse para alguém, que fizesse alguma diferença.
gralha: Sim, mas isso implica separar a família.
gralha: Não quero separar a família. Não tenho o direito de fazer isso ao meu filho.
gralha: Mas tu não pediste para ir.
gralha: Mas sempre disse que ia.
gralha: Então vai. Pronto, paciência.
gralha: Nem tenho hipótese, nunca poderia ficar cá sozinha a trabalhar com isenção de horário. Não é essa a mãe que quero ser.
gralha: O teu filho quer que sejas feliz. O teu marido quer que sejas feliz.
gralha: Eu também quero isso para toda a gente. Só é pena que seja impossível ser a melhor mãe do mundo e ter uma verdadeira carreira profissional.
gralha: Pois é, é muito injusto. Mas a vida é assim. E não tens de ser a melhor do mundo.
gralha: Tenho, pois. Já só faltam 4 dias para o Dia da Mãe e eu não estou disposta a perder o título.
gralha: Está bem. Pode ser que surja outra oportunidade assim.
gralha: Outra assim é quase impossível. Mas logo se vê o que a vida ainda tem para me oferecer.
27 abril 2009
25 abril 2009
estereótipos ou mitos?
Ouço falar de certos tipos de seres que me causam algum espanto mas que parece que toda a gente - menos eu - encontra por aí. Bem sei que só conheço para aí umas 17 pessoas e saí há pouco de uma gruta escura, mas gostava imenso de conhecer estas criaturas mitológicas, sobre as quais ouço tantas fábulas - na blogosfera, nas conversas de café, nas Tardes da Júlia (imagino eu, recuso-me a admitir que alguma vez vi as Tardes da Júlia).
E quem são estes seres? Alguns exemplos: as mulheres que estão com um homem só pelo dinheiro; os taxistas que não são do Benfica; as mulheres que gostam de verdadeiros machos latinos, a la Zezé Camarinha; já agora, as mulheres que gostam de metrossexuais; os homens que apreciam mesmo é louras burras; as mulheres que andam de mãos dadas com as melhores amigas e oferecem sempre peluches aos namorados; os homens que escrevem lindas cartas de amor. Pronto, os homens que escrevem alguma coisa que se assemelhe a uma carta de amor.
Existem mesmo? É que acho que não conheço ninguém assim.
E quem são estes seres? Alguns exemplos: as mulheres que estão com um homem só pelo dinheiro; os taxistas que não são do Benfica; as mulheres que gostam de verdadeiros machos latinos, a la Zezé Camarinha; já agora, as mulheres que gostam de metrossexuais; os homens que apreciam mesmo é louras burras; as mulheres que andam de mãos dadas com as melhores amigas e oferecem sempre peluches aos namorados; os homens que escrevem lindas cartas de amor. Pronto, os homens que escrevem alguma coisa que se assemelhe a uma carta de amor.
Existem mesmo? É que acho que não conheço ninguém assim.
24 abril 2009
23 abril 2009
calma aí
Já sei que tenho de admitir perante mim própria que vou viver para os EUA no Outono. Já disse isso a toda a gente. Já paguei a inscrição na nova creche do Gugas (e páginas e páginas do formulário que tive de preencher). Até já mandei uma candidatura a um emprego. Mas é normal que me sinta ligeiramente incomodada pelo facto de desconhecidos andarem a ver a minha casa, a perguntar quando é que está vaga e a tecer considerações acerca de novas cores para as paredes, não é? Aguentem aí os cavalos que ainda hei de trocar de escova-de-dentes antes de dar o fora.
22 abril 2009
onde acaba o critério e começa a esquisitice
Visto que tudo é relativo e que as opiniões que formamos sobre as outras pessoas são sempre baseadas na nossa própria experiência, é um bocado difícil julgar se somos ou não pessoas esquisitas. Quando digo esquisitas, não estou a falar de usar penteados pouco ortodoxos ou de ouvir qualquer tipo de música que não a comercial (senão isto incluía a Inesa, e a Inesa não é uma pessoa esquisita. Pronto, é só um bocadinho). Estou a falar daquelas pessoas que, confrontadas com algo de novo, com uma escolha, com um pedido de opinião, têm tendência a responder: "Hummm... Talvez, mas... Não sei se gosto muito", ou simplesmente: "Gostos não se discutem mas eu acho isso horrível".
O que é mais engraçado é que a maioria dos esquisitos que conheço não se considera esquisito. Eu não me considero esquisita (mas acho que devo ser). Mas aqueles a quem chamei de pouco criteriosos olham para mim com um ar fatalista como se os tivesse acusado de ter começado a II Guerra Mundial.
Ser esquisito é socialmente pouco simpático. Ser pouco criterioso é ser boa onda mas parece que fica mal. Acho isso um disparate porque, sinceramente, deve ser óptimo gostar de qualquer tipo de comida, de música, de cinema. Deve ser bonito ver o mundo como se fosse Verão todos os dias. Se houvesse um comprimido para ser assim, eu tomava (ah, se calhar é isso que faz o Prozac).
O que é mais engraçado é que a maioria dos esquisitos que conheço não se considera esquisito. Eu não me considero esquisita (mas acho que devo ser). Mas aqueles a quem chamei de pouco criteriosos olham para mim com um ar fatalista como se os tivesse acusado de ter começado a II Guerra Mundial.
Ser esquisito é socialmente pouco simpático. Ser pouco criterioso é ser boa onda mas parece que fica mal. Acho isso um disparate porque, sinceramente, deve ser óptimo gostar de qualquer tipo de comida, de música, de cinema. Deve ser bonito ver o mundo como se fosse Verão todos os dias. Se houvesse um comprimido para ser assim, eu tomava (ah, se calhar é isso que faz o Prozac).
21 abril 2009
adeus chucha
A chucha do Gustavo "ficou" no avião quando voltámos da Boa Vista. Desde aí, e até ontem, quando se deita, limita-se a perguntar: "a chuchaaa?". Respondemos que ficou no avião, que ele já é grande, e a criatura afunda nos lençóis com um arzinho entre o triste, o desiludido e o compenetrado. E adormece. De causar uma enxurrada de lágrimas de sangue a qualquer mãe, portanto. Ontem disse apenas: "não há chucha, não há chucha. O Benny (o coelho de peluche) não tem chucha". É muito difícil, caramba.
20 abril 2009
primeiras impressões
É pena que a vida não me tenha demonstrado, até aqui, que há mesmo pessoas que nos surpreendem pela positiva. É pena, mas a experiência tem-me mostrado consistentemente que alguém que me deixou de pé atrás na primeira impressão vai acabar por revelar o porquê desse desconforto. No início, é só alguma coisa que não queremos ver, um cabelo da sopa. Mais tarde ou mais cedo, acabamos por ver toda uma realidade bem cabeluda e pouco simpática. É pena. E isto faz-me pensar que é bonito procurar o melhor em todos mas que o instinto não nos engana.
17 abril 2009
skoob
Finalmente encontrei a rede social que me interessa para alguma coisa. Alguma vez tentaram lembrar-se de todos os livros que já leram e de todos os que ainda vos falta ler? (OK, para 90% da população portuguesa, esta questão não exige o uso de mais do que os dedos das mãos. E dos pés, vá)
O Skoob é amigo e ajuda a fazer isso e muito mais. Até dá para encontrar outros coca-bichinhos que também acham que a página pode ser uma das maiores superfícies de gozo. Horas e horas que vou passar no skoobanço.
Já agora, se alguém conhecer alguma versão que não a brasileira, avisem.
O Skoob é amigo e ajuda a fazer isso e muito mais. Até dá para encontrar outros coca-bichinhos que também acham que a página pode ser uma das maiores superfícies de gozo. Horas e horas que vou passar no skoobanço.
Já agora, se alguém conhecer alguma versão que não a brasileira, avisem.
15 abril 2009
boa vista II
14 abril 2009
he's just not that into you
Este filme, ou o livro que lhe deu origem, devia ser obrigatório para todas as meninas com mais de 10 anos e menos de 100. Assim tipo vacina ou óleo de fígado de bacalhau às colheradas. É que não deixa de ser uma xaropadazita, mas diz grandes e duras verdades que precisamos de ouvir.
boa vista I
Quanto mais vou a África, mais africano se torna o meu coração. Infelizmente, de resto, de africana só a bunda.
Mas porquê?, oh por que é que eu tenho de viver acima do Trópico de Câncer?
Mas porquê?, oh por que é que eu tenho de viver acima do Trópico de Câncer?
13 abril 2009
the big three-o
Pronto, não doeu nada. Tive um dia de férias sossegado, que era o que me apetecia. A viagem foi óptima, mas isso conto depois.
04 abril 2009
boa páscoa
Quando esta mensagem for publicada, e se nenhuma gaivota resolver enfiar-se numa turbina do meu avião (lagarto, lagarto, lagarto!), já estarei a sobrevoar o Atlântico. Ah, é verdade, esqueci-me de dizer que vou de férias para Cabo Verde. Vá, podem chamar-me nomes. Adeus, queridinhos, e até ao meu regresso.
vocação V
Além dos episódios naturalistas, também passo por uns quantos episódios humanistas, associados ao sentido religioso do conceito de vocação. Infelizmente - e muito contra aquilo que faz sentido para mim - a minha religião ainda não me permite tomar o sacramento da ordem. É pena, se fosse homem, gostava muito de ser padre. Sendo assim, também teria gostado muitíssimo de ser missionária leiga. Imagino-me a arrastar a família e a filharada toda para onde fizessemos falta, por muito desencantada que esteja com o papel das missões humanitárias nas zonas mais necessitadas. Não deu, pode ser que haja uma outra vida em que isso seja possível.
Mas há outras maneiras de "ensinar a pescar" a quem não tem "peixe". A educação é provavelmente a maior delas. E é por isso, e porque sempre gostei e senti uma grande empatia pelas crianças, que também gostava de ser professora. Pode ser que ainda venha a ser.
Mas há outras maneiras de "ensinar a pescar" a quem não tem "peixe". A educação é provavelmente a maior delas. E é por isso, e porque sempre gostei e senti uma grande empatia pelas crianças, que também gostava de ser professora. Pode ser que ainda venha a ser.
03 abril 2009
vocação IV
No meio de todas estas vocações, e sobretudo quando o Inverno aperta e o meu instinto nómada vem ao de cima, surgem aqueles impulsos que me fazem querer largar tudo e viver na Natureza, à custa do esforço físico diário. Horizontes longínquos, animais selvagens (ou nem tanto), o abandono de tudo o que não seja uma vida simples em contacto com o planeta.
Geralmente, estas ideias passam ao fim de 2 ou 3 dias, são uma espécie de virose national-geographicana. Já me deu para ser agricultora, jardineira, bióloga marinha, professora de yoga, guia turística, ou simplesmente viajante. Faltaram-me sempre os legumes para abraçar uma destas artes. Mas pode ser que ainda termine os meus dias numa quintinha a fazer criação de burros. E cabrinhas.
Geralmente, estas ideias passam ao fim de 2 ou 3 dias, são uma espécie de virose national-geographicana. Já me deu para ser agricultora, jardineira, bióloga marinha, professora de yoga, guia turística, ou simplesmente viajante. Faltaram-me sempre os legumes para abraçar uma destas artes. Mas pode ser que ainda termine os meus dias numa quintinha a fazer criação de burros. E cabrinhas.
02 abril 2009
vocação III
A seguir, veio a altura de escolher um curso superior. Ora, se há bicho que eu acho engraçado é o bicho gente. Vai daí, e na impossibilidade de estudar Antropologia porque, isso sim, era para viver debaixo da ponte (e uma ponte daquelas em risco de colapso, com o musgo dos pilares a fazer de almofada e ratazanas assadas para o pequeno almoço), lá fui para Sociologia. O curso foi interessante, que foi. A ideia de existir uma ciência que pode ajudar as pessoas a compreenderem-se melhor, a trabalharem melhor, a viverem melhor, é bonita, que é. Mas não há sim-senhor que aguente a esquizofrenia da vida académica em Portugal, pelo menos nas ciências sociais.
Na senda da compreensão e promoção do ser humano, também pus a hipótese de ser historiadora, arqueóloga e assistente social. Se calhar, se houvesse condições para isso no nosso país, seria mesmo assistente social.
Na senda da compreensão e promoção do ser humano, também pus a hipótese de ser historiadora, arqueóloga e assistente social. Se calhar, se houvesse condições para isso no nosso país, seria mesmo assistente social.
01 abril 2009
vocação II
A segunda, entre os 15 e os 18 anos, foi ser jornalista. Parecia lógico, uma vez que aquilo que eu gostava de fazer era meter-me na vida dos outros e escrever, escrever, escrever. Esta vocação não foi avante porque, depois de uma noite em que acordei a achar que o que me chamava era a investigação e não a mera cusquisse, resolvi rasgar a candidatura ao curso de Ciências da Comunicação e fazer uma nova para Sociologia. Mas dessa bela escolha logo falarei noutro post.
De inspiração semelhante ao jornalismo, também já quis abraçar as seguintes profissões: escritora, copywriter, editora, revisora, bibliotecária e tradutora/ intérprete.
De inspiração semelhante ao jornalismo, também já quis abraçar as seguintes profissões: escritora, copywriter, editora, revisora, bibliotecária e tradutora/ intérprete.
31 março 2009
vocação I
A primeira for ser estilista, que é como se dizia designer de moda nos anos 80. Durou até aos 15 anos. E por que é que queria ser estilista? Não, não era porque gostava de roupa e de moda (nunca gostei), era só porque passava os dias e as aulas a desenhar modelos com variados estilos de vestuário. Senhores, ainda bem que não segui esta vocação, que não tenho paciência nenhuma para a palhaçada toda que envolve o mundo da moda (com o devido respeito). Mas tenho saudades de desenhar. Já não desenho há tanto tempo...
Relacionadas com as artes plásticas estiveram também outras vocações como: ilustradora de livros infantis, publicitária, ceramista, desenhadora de jóias e desenhadora de banda desenhada.
Relacionadas com as artes plásticas estiveram também outras vocações como: ilustradora de livros infantis, publicitária, ceramista, desenhadora de jóias e desenhadora de banda desenhada.
vocação
(provavelmente já escrevi sobre este tema mas, depois de 3 anos e tal de blogue, com a esclerose assolapada nas sinapses dos neurónios que me morrem a cada dia, não tenho a certeza. A quem já leu aqui sobre o assunto, as minhas desculpas)
Não compreendo as pessoas que têm dupla personalidade. É que eu tenho pelo menos umas 37 e é nos dias em que não consumo nenhuma substância estupefaciente. Isso implica que, se pudesse, gostava de viver muitas vidas diferentes (e quem não gostaria?). E se consigo alguma estabilidade ao nível relacional, ao nível profissional já é mais complicado. É que eu gostava de fazer tantas coisas! Todos os dias me lembro de uma nova. Adorava ser como aqueles que, desde pequenos, têm muita certeza que querem ser astronautas, ou arquitectos, ou professores. Eu já quis ser isso tudo e muito mais. Por isso, vou iniciar uma ronda de algumas profissões que já pensei abraçar, com as suas vantagens e desvantagens, e vamos lá a ver onde é que isto vai dar.
Não compreendo as pessoas que têm dupla personalidade. É que eu tenho pelo menos umas 37 e é nos dias em que não consumo nenhuma substância estupefaciente. Isso implica que, se pudesse, gostava de viver muitas vidas diferentes (e quem não gostaria?). E se consigo alguma estabilidade ao nível relacional, ao nível profissional já é mais complicado. É que eu gostava de fazer tantas coisas! Todos os dias me lembro de uma nova. Adorava ser como aqueles que, desde pequenos, têm muita certeza que querem ser astronautas, ou arquitectos, ou professores. Eu já quis ser isso tudo e muito mais. Por isso, vou iniciar uma ronda de algumas profissões que já pensei abraçar, com as suas vantagens e desvantagens, e vamos lá a ver onde é que isto vai dar.
30 março 2009
27 março 2009
eu não sou viciada em sapatos, a sério
Alguém faça o favor de entrar com uma ceifeira-debulhadora pela porta adentro da Seaside que fica a 200 passos de minha casa. E deite aquilo tudo abaixo de modo a que eles tenham de reabrir a loja num sítio mais distante. É que eu não sou pessoa de andar a comprar sapatos todos os meses mas, de cada vez que tenho de ir ao multibanco, aos correios, à farmácia, ao banco, lá está aquele anúncio azulão com a malandreca da Diana Chaves de rabiosque empinado a chamar-me para comprar mais um par. Não é por nada, é só que não tenho mais espaço debaixo da cama.
25 março 2009
como não tenho nada interessante para dizer
Hoje só vos conto que a minha manhã começou com o meu cão a tentar comer o conteúdo do bacio do meu filho. Muito biscoitinho de lavar os dentes vai ele ganhar à custa disto!
Pronto, ou era isto, ou voltava às crises existenciais para as quais já nem eu tenho paciência.
Pronto, ou era isto, ou voltava às crises existenciais para as quais já nem eu tenho paciência.
23 março 2009
vade retro
À pessoinha que arranjou uma boneca de trapos, chamou-lhe gralha, e agora tem vindo a entreter-se a espetando-lhe agulhas - primeiro uma no pé, depois na cabeça, depois na garganta, depois no ouvido: ouça lá, se tem algum problema comigo, dê-me logo umas chapadas ou um murro no estômago. Agora, estas maleitazinhas da treta dão logo para ver que me anda a fazer vudu da loja dos 300. Gente mais brega.
20 março 2009
auto flagelo
Se há coisa que me irrita são as gralhas (nos textos).
Não tenho mais nada para dizer hoje, olhem, desculpem lá. Bom fim-de-semana.
Não tenho mais nada para dizer hoje, olhem, desculpem lá. Bom fim-de-semana.
19 março 2009
pai
Apesar de achar que o meu marido é o melhor pai do mundo, também acho que o meu pai é o melhor pai do mundo. E espero que haja por aí muitos outros melhores pais do mundo. Mas hoje, enquanto estava sentada na varanda da casa dos meus pais, que acolhem mais uma vez a família gralha temporariamente desmembrada, olhava para as novas flores que o meu pai andou a plantar e percebi. Percebi por que é que o meu pai é o melhor pai do mundo: porque a dedicação que coloca naquelas plantas (e em tantas outras coisas) nasce da mesma fonte de onde vêm os maiores tesouros que me deu ao longo da vida - a segurança, o amor e a alegria.
17 março 2009
o meu pé esquerdo
Está todo desgraçado. Mais concretamente, o tornozelo. Ia eu ontem a entrar para o carro e, de repente, o espaço entre o passeio e a estrada traíu a minha esbelta pata de ave.
A parte mais chata é que conduzir obriga-me a um esgar pouco simpático cada vez que tenho de meter uma mudança (acho que vou andar sempre em primeira nos próximos tempos). A parte mais gira é que consegui superar-me no que diz respeito a figuras tristes no caminho para o trabalho: até aqui, ia sempre literalmente a correr (é o que dá morar mesmo ao lado do emprego); agora, vou ao pé coxinho. E, sim, é muito engraçado ver alguém muito descansadamente a andar ao pé coxinho nas movimentadas ruas de Lisboa. Esse alguém sou eu.
Não, Inesa, não me preocupo com a figura ridícula que faço. É que, a mim, também me dá vontade de rir.
A parte mais chata é que conduzir obriga-me a um esgar pouco simpático cada vez que tenho de meter uma mudança (acho que vou andar sempre em primeira nos próximos tempos). A parte mais gira é que consegui superar-me no que diz respeito a figuras tristes no caminho para o trabalho: até aqui, ia sempre literalmente a correr (é o que dá morar mesmo ao lado do emprego); agora, vou ao pé coxinho. E, sim, é muito engraçado ver alguém muito descansadamente a andar ao pé coxinho nas movimentadas ruas de Lisboa. Esse alguém sou eu.
Não, Inesa, não me preocupo com a figura ridícula que faço. É que, a mim, também me dá vontade de rir.
16 março 2009
breves da festa
Afinal, cabem mesmo 30 pessoas em minha casa.
Preciso de ter mais um filho urgentemente para que a partilha se torne uma coisa mais natural para o Gustavo.
As multidões têm o mesmo efeito na minha cabeça que o alcoól (mas sem a parte de me dar vontade de dançar).
No próximo ano, arrisco mesmo uma festa ao ar livre (já é o terceiro ano consecutivo em que está bom tempo nesta altura).
O Matias comeu não só as migalhas como o que restou do bolo de chocolate.
O Gugas gosta de sumos com picos. E sem picos. Continua por descobrir a substância comestível de que ele não gosta.
O aniversariante ficou caladinho e envergonhado, de olhos brilhantes, sempre que se cantou os parabéns. É mesmo um Peixinho, o meu filho: alegre, sociável, mas envergonhado quando percebe que estão todos a olhar para ele.
Preciso de ter mais um filho urgentemente para que a partilha se torne uma coisa mais natural para o Gustavo.
As multidões têm o mesmo efeito na minha cabeça que o alcoól (mas sem a parte de me dar vontade de dançar).
No próximo ano, arrisco mesmo uma festa ao ar livre (já é o terceiro ano consecutivo em que está bom tempo nesta altura).
O Matias comeu não só as migalhas como o que restou do bolo de chocolate.
O Gugas gosta de sumos com picos. E sem picos. Continua por descobrir a substância comestível de que ele não gosta.
O aniversariante ficou caladinho e envergonhado, de olhos brilhantes, sempre que se cantou os parabéns. É mesmo um Peixinho, o meu filho: alegre, sociável, mas envergonhado quando percebe que estão todos a olhar para ele.
12 março 2009
2 anos
Tantas coisas que eu podia dizer hoje - porque dois anos já é muito tempo - mas aquilo que me vem, de repente, à cabeça é que há paixões que duram mesmo para para sempre, pelo menos as que sentimos pelos nossos filhos.
Gugas, meu filho querido, não podia sentir mais orgulho do que o que sinto por ti. Sinto-me humilde perante a grandeza das tuas conquistas diárias e a pessoa maravilhosa em que te vais transformando. És um rapazinho muito bom, alegre, curioso, inteligente, simpático, cheio de imaginação. E sei que és feliz. Estes dois anos foram um tesouro incomparável. Muitos parabéns meu amor.
Gugas, meu filho querido, não podia sentir mais orgulho do que o que sinto por ti. Sinto-me humilde perante a grandeza das tuas conquistas diárias e a pessoa maravilhosa em que te vais transformando. És um rapazinho muito bom, alegre, curioso, inteligente, simpático, cheio de imaginação. E sei que és feliz. Estes dois anos foram um tesouro incomparável. Muitos parabéns meu amor.
11 março 2009
downshifting
Gosto mesmo muito de ir deixar o filhote à creche e depois ir ler e apanhar sol para o jardim da Gulbenkian até ao meio dia. E gosto de o ir buscar à tarde e ter tempo de ir ao parque infantil antes de passarmos pela mercearia para preparar o jantar. E andar devagarinho de mão dada, enquanto lhe explico os semáforos, o dinheiro para pagar as compras, o gosto que o Matias tem por chouriço.
(porque é importante lembrar-me destas coisas quando o saldo da conta raramente passa os 3 algarismos)
(porque é importante lembrar-me destas coisas quando o saldo da conta raramente passa os 3 algarismos)
09 março 2009
duas questões cibernáuticas
Se eu não aderir ao Twitter (simplesmente porque não me apetece e porque toda a gente agora tem de o fazer) torno-me um fóssil das redes sociais?
Se o meu blogue não tiver o nome de um acessório/peça de vestuário/alimento divertido (i.e. "mini-saia", "sapatos de agulha", "goma de framboesa fosforescente", end sóion end sóion) isso significa que não sou uma mulher jovem, fresca, não feminista porém consciente, a eterna romântica e ainda assim desligada?
Aposto que este post vai ser comentado. O anterior, dos velhinhos, não. Ninguém liga aos velhinhos. Este fala de parvoeira, pumba, vai logo levar montes (sei lá, 2) de comentários.
Se o meu blogue não tiver o nome de um acessório/peça de vestuário/alimento divertido (i.e. "mini-saia", "sapatos de agulha", "goma de framboesa fosforescente", end sóion end sóion) isso significa que não sou uma mulher jovem, fresca, não feminista porém consciente, a eterna romântica e ainda assim desligada?
Aposto que este post vai ser comentado. O anterior, dos velhinhos, não. Ninguém liga aos velhinhos. Este fala de parvoeira, pumba, vai logo levar montes (sei lá, 2) de comentários.
06 março 2009
velhos embirrentos
Acabo de ter uma revelação que só prova que caminho mesmo a passos largos para a terceira idade: percebi por que é que há tantos velhotes que implicam com as crianças. Antes pensava que era porque já não se lembravam do que é ser criança mas agora já sei que nunca deixamos de nos sentir crianças.
(podia jurar que tenho 10 anos...)
Não, a verdade é que sentem vontade de estar próximos dessas crianças, de se deixarem contagiar pela sua juventude, e não conhecem outro modo menos trapalhão de interagir com elas senão embirrando, corrigindo, dando conselhos não solicitados.
Eu não vou ser uma velhota assim, não senhor. Eu vou encher a alma das risadas estridentes e de sorrisos muito frescos. E vou ficar sentadinha à espera que um deles me peça para contar uma história.
(podia jurar que tenho 10 anos...)
Não, a verdade é que sentem vontade de estar próximos dessas crianças, de se deixarem contagiar pela sua juventude, e não conhecem outro modo menos trapalhão de interagir com elas senão embirrando, corrigindo, dando conselhos não solicitados.
Eu não vou ser uma velhota assim, não senhor. Eu vou encher a alma das risadas estridentes e de sorrisos muito frescos. E vou ficar sentadinha à espera que um deles me peça para contar uma história.
04 março 2009
lata
O meu irmão é a pessoa com mais lata no mundo. Eu orgulho-me de ter uma latózia desgraçada e de lhe ter ensinado muitos truques, mas tenho de reconhecer que ele já me bate aos pontos. E parece que as minhas tias também são assim. Não percebo por que é que isto me dá um orgulho genealógico tão grande, como se fossemos grandes cientistas ou escritores de renome, mas dá. E é muito útil em algumas ocasiões, também tenho de reconhecer.
(exemplo da garganisse: acaba de mandar uma foto dele com o Giorgio Armani, depois de ter arranjado maneira de ser convidado para uma festa privada da semana da moda de Milão.)
(exemplo da garganisse: acaba de mandar uma foto dele com o Giorgio Armani, depois de ter arranjado maneira de ser convidado para uma festa privada da semana da moda de Milão.)
03 março 2009
living on the edge
Para além da nostalgia dos anos 90 que esta música evoca, sou só eu que me sinto tentada a viver sempre nos limites?
02 março 2009
carnaval
(não, não é para vos confundir, é mesmo um post já muito atrasado)
foto retirada
Este ano o Gustavo lá conseguiu que a mãezinha se convencesse a mascará-lo e assim foi, de pintor. O pior foi convencê-lo a tirar a boina ao fim do dia. Pronto, etapa superada, venham agora os preparativos para o aniversário.
Boa semana a todos :)
foto retirada
Este ano o Gustavo lá conseguiu que a mãezinha se convencesse a mascará-lo e assim foi, de pintor. O pior foi convencê-lo a tirar a boina ao fim do dia. Pronto, etapa superada, venham agora os preparativos para o aniversário.
Boa semana a todos :)
27 fevereiro 2009
cinzas (a sequela)
Ontem recebi-as, de cabeça baixa e coração já um pouco mais tranquilo. Porque as cinzas lavam. E fertilizam. E recordam-nos que vimos do pó e ao pó voltamos. Agora já sei o que há a fazer, resta fazê-lo.
25 fevereiro 2009
cinzas
Hoje começa o tempo de renúncia, jejum, abandono, altruismo que antecede a Páscoa. O problema é que não deixo de sentir que ainda não gozei todo o Carnaval a que tinha direito. Antes achava que sim. Queria conseguir serenar de novo e reencontrar o sentido que antes fazia tanto sentido. Pode ser que a Quaresma ajude...
23 fevereiro 2009
primeiro dia de praia
Nem tenho palavras para descrever o bem que me soube passar hoje o dia sozinha na praia, a apanhar muito sol, ler, descansar, comer coizinhas boas e nao pensar em mais nada. Estava tao bom que ate tomei dois banhos no mar. Quais spas, quais massagens relaxantes, quais retiros, as vezes e so de um dia assim que precisamos.
E quem diria que e possivel apanhar um escaldao em Fevereiro?
E quem diria que e possivel apanhar um escaldao em Fevereiro?
19 fevereiro 2009
sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo
Já toda a gente aqui sabe que sou católica praticante.
Que toda a gente aqui fique a saber que sou absolutamente a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo. E ando chateada que nem um perú por, mais uma vez, ter de arranjar explicações para muita gente (incluindo eu própria) para justificar o continuar a considerar-me católica, quando discordo disto, como de muitas outras coisas. Adianto-me: Já fui ler de fio a pavio os quatro evangelhos e em nenhum deles Jesus condena a homossexualidade (aliás, Jesus não andava por aí a condenar muita coisa). E pronto, não me apetece mais falar sobre isto.
(Para os conhecedores do assunto: sim, S. Paulo condena. Mas S. Paulo é S. Paulo, não é Jesus. E é para nem ir ao Antigo Testamento...)
Que toda a gente aqui fique a saber que sou absolutamente a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo. E ando chateada que nem um perú por, mais uma vez, ter de arranjar explicações para muita gente (incluindo eu própria) para justificar o continuar a considerar-me católica, quando discordo disto, como de muitas outras coisas. Adianto-me: Já fui ler de fio a pavio os quatro evangelhos e em nenhum deles Jesus condena a homossexualidade (aliás, Jesus não andava por aí a condenar muita coisa). E pronto, não me apetece mais falar sobre isto.
(Para os conhecedores do assunto: sim, S. Paulo condena. Mas S. Paulo é S. Paulo, não é Jesus. E é para nem ir ao Antigo Testamento...)
17 fevereiro 2009
saldos de fim de época
Hoje apanhei uma multa (de estacionamento: nem conto, tenho vergonha). O senhor agente perguntou-me se eu gostava de ir aos saldos. Miei que sim. Em vez de 60 euros, o papelinho custou-me só 30. Oba, se o enrolar à volta da cintura, acho que dá para fazer uma micro-saia.
16 fevereiro 2009
da minha ausência
Ando zangada com o mundo em geral e comigo em particular. Alguém me tire de dentro do meu próprio umbigo.
09 fevereiro 2009
a caminho dos 30 III
Quando tinha 15 anos, queria mesmo ter 30. Ter 15 anos era parvo. Ter 20 e tal era uma coisa indefinida. Ter 30 parecia que era o início da verdadeira vida, do que valia a pena fazer enquanto ser humano.
O que é que mudou? Será que não estupidifiquei o suficiente? Será que é como a música, em que ando sempre 10 anos atrás de todas as outras pessoas? Será que preciso de passar este ano a questionar (quase) tudo para conseguir abraçar esta nova fase da minha vida? Será que consigo escrever frases que não terminem com um ponto de interrogação?
O que é que mudou? Será que não estupidifiquei o suficiente? Será que é como a música, em que ando sempre 10 anos atrás de todas as outras pessoas? Será que preciso de passar este ano a questionar (quase) tudo para conseguir abraçar esta nova fase da minha vida? Será que consigo escrever frases que não terminem com um ponto de interrogação?
05 fevereiro 2009
a caminho dos 30 II
Não é que eu tenha alguma coisa contra os 30. Deve ser giro isso de ser adulto, responsável, auto-consciente, sereno e tal. O problema é que ainda me apetece bastante mais os 20, com todas as coisas boas e más que têm.
03 fevereiro 2009
a caminho dos 30*
Recuso-me, recuso-me, recuso-me, recuso-me.
(vivendo em negação, como é habitual)
* Desculpa lá o plágio, Catarina, só horas depois do post publicado reparei...
(vivendo em negação, como é habitual)
* Desculpa lá o plágio, Catarina, só horas depois do post publicado reparei...
o pequeno casanova
O meu filho ainda é pouco mais do que um perdigoto de gente mas já demonstra grandes dotes no que toca à conquista feminina. E não, não estou a falar das coleguinhas da creche, estou a falar de mim. Como é que uma pessoa resiste quando, ao jantar, nos tratam por "mãeziiiina", nos agarram no braço com determinação e fazem festinhas muito meiguinhas? Não é possível, este vai acabar por dar-me a volta.
02 fevereiro 2009
em modo de aculturação
Depois de vários episódios do Dr. House*, hoje instituí a "sande" com manteiga de amendoim e doce de frutos silvestres ao lanche. Que isto uma pessoa não consegue ganhar 30 kg de um dia para o outro.
Para breve, a compra de muita peuguinha branca e daqueles fatos-de-treino de stay-at-home-and-watch-Oprah-all-day-mum.

* para quem não sabe, a série passa-se supostamente em Princeton
Para breve, a compra de muita peuguinha branca e daqueles fatos-de-treino de stay-at-home-and-watch-Oprah-all-day-mum.

* para quem não sabe, a série passa-se supostamente em Princeton
30 janeiro 2009
questões realmente estruturantes III
Já não tenho a certeza se sou eu que me deixo influenciar demasiado pelo estado do tempo ou se é o estado do tempo que tenta andar a par com o meu estado de espírito.
28 janeiro 2009
questões realmente estruturantes II
Por que é que, a meio da noite, é sempre "mamããããã" e nunca "papáááá"?
questões realmente estruturantes I
Ou não tenho tempo para estar sozinha ou passo demasiado tempo sozinha.
26 janeiro 2009
as minhas amigas
Sempre fui trapalhona com as amizades. Nem sei bem porquê, mas digamos que para uma pessoa ser mesmo minha amiga tem de ter muita paciência para a minha (frequente) distância, para a minha intempestividade e, sobretudo, para a quase total ausência de telefonemas da minha parte. Quem me conhece, já sabe que o problema está com o telefone e não com o destinatário do telefonema. É por isso que as minhas amigas são campeãs de resistência a todos estes (e outros) obstáculos que coloco à nossa amizade. Gosto muito delas por isso e gosto muito delas por serem tantas vezes a voz da minha alma. Obrigada por dizerem aquilo que eu preciso de ouvir - e às vezes custa-vos dizer e custa-me ouvir - e por me conhecerem tão bem (às vezes, melhor do que eu).
21 janeiro 2009
emigrar
Gosto muito do meu país. Quando vivi na Alemanha, tive muitas saudades das pessoas, do céu azul, das pedras da calçada, de tudo. Chorei no regresso, quando estava a aterrar, passando sobre a Ponte 25 de Abril. Portanto, não vale a pena imaginar que não me vai custar ir viver para os E.U.A. (apesar de passar a ter um Chefe de Estado muito mais sexy, inteligente e promissor, como a Vera tão bem notou)
Vamos para Princeton porque o Grande-Cientista-Meu-Marido, também conhecido agora como Nucleão, conseguiu lá uma bolsa de pós-doutoramento durante 3 anos. E é isto que as famílias fazem, não é? Apoiam-se, ficam juntas, procuram o melhor para todos. E Portugal, neste momento, não nos garante nenhum futuro, essa é a triste verdade.
Mas vai custar-me muito. Eu sei que vai.
Vamos para Princeton porque o Grande-Cientista-Meu-Marido, também conhecido agora como Nucleão, conseguiu lá uma bolsa de pós-doutoramento durante 3 anos. E é isto que as famílias fazem, não é? Apoiam-se, ficam juntas, procuram o melhor para todos. E Portugal, neste momento, não nos garante nenhum futuro, essa é a triste verdade.
Mas vai custar-me muito. Eu sei que vai.
princeton
16 janeiro 2009
3 anos de gralha dixit
E, de repente, não me apetece mais. Pode ser que volte a apetecer. Entretanto, têm o e-mail se tiverem muitas saudades. Obrigada por terem aparecido e comentado.
(estamos todos bem)
Beijinhos e até um dia
(estamos todos bem)
Beijinhos e até um dia
13 janeiro 2009
a primeira "ite"
Chama-se otite, entrou pela piscina juntamente com febre, tosse e muita ranhoca e afiambrou-se a um bebé que está quase sem dormir desde as 2h30 da manhã. Mas continua a dançar agarrado ao pianinho-dos-demónios-que-não-tem-botão-de-desligar. E conseguiu pôr-nos a rir (de sono) com DVDs da Miffy às 6 da manhã.
09 janeiro 2009
eu ainda não
Anda tudo para aí numa excitação com o post do "eu já não-sei-quê". Olhem, eu já várias coisas mas agora apetece-me fazer antes o post do que ainda não fiz. E nem sei se me apetece fazer.
Eu ainda não fiz um doutoramento.
Eu ainda não publiquei um livro.
Eu ainda não tive uma filha.
Eu ainda não tive um gato.
Eu ainda não trabalhei no estrangeiro.
Eu ainda não tive um contrato efectivo.
Eu ainda não consigo tocar nenhuma peça de Mozart ao piano.
Eu ainda não fui à Costa Rica.
(nem ao Chile, nem à India, nem à Austrália, nem à Tanzânia)
Eu ainda não fui tia.
Eu ainda não fui abandonada por um homem.
Eu ainda não beijei uma mulher.
Eu ainda não casei pela igreja.
Eu ainda não fui à esteticista.
Eu ainda não tive cáries.
Eu ainda não fui operada.
Eu ainda não tenho medo da velhice.
Eu ainda não acabei de trabalhar hoje.
Eu ainda não recebi o meu novo cartão de débito.
Eu ainda não comecei a aprender Espanhol.
Eu ainda não sei como vou ter coragem de ir apanhar o metro daqui a pouco.
Eu ainda não fiz um doutoramento.
Eu ainda não publiquei um livro.
Eu ainda não tive uma filha.
Eu ainda não tive um gato.
Eu ainda não trabalhei no estrangeiro.
Eu ainda não tive um contrato efectivo.
Eu ainda não consigo tocar nenhuma peça de Mozart ao piano.
Eu ainda não fui à Costa Rica.
(nem ao Chile, nem à India, nem à Austrália, nem à Tanzânia)
Eu ainda não fui tia.
Eu ainda não fui abandonada por um homem.
Eu ainda não beijei uma mulher.
Eu ainda não casei pela igreja.
Eu ainda não fui à esteticista.
Eu ainda não tive cáries.
Eu ainda não fui operada.
Eu ainda não tenho medo da velhice.
Eu ainda não acabei de trabalhar hoje.
Eu ainda não recebi o meu novo cartão de débito.
Eu ainda não comecei a aprender Espanhol.
Eu ainda não sei como vou ter coragem de ir apanhar o metro daqui a pouco.
ainda sobre o frio
"Senegal (French: le Sénégal), officially the Republic of Senegal, is a country south of the Sénégal River in western Africa. Senegal is bounded by the Atlantic Ocean to the west, Mauritania to the north, Mali to the east, and Guinea and Guinea-Bissau to the south. Its size is almost 197,000 km² with an estimated population of nearly 11,700,000. (...) Currently Senegal has a democratic political culture, being one of the more successful post-colonial democratic transitions in Africa. Local administrators are appointed by, and responsible to, the president. (...) The Senegalese landscape consists mainly of the rolling sandy plains of the western Sahel which rise to foothills in the southeast. (...) The local climate is tropical with well-defined dry and humid seasons that result from northeast winter winds and southwest summer winds. Dakar's annual rainfall of about 600 mm (24 in) occurs between June and October when maximum temperatures average 27 °C (81 °F); December to February minimum temperatures are about 17 °C (63°F)."
In Wikipedia
Tão feliz que eu seria no Senegal. Ainda por cima com Cabo Verde mesmo ali ao lado. É que hoje, pela primeira vez na vida, tinha gelo no para-brisas do meu Ferrari. Há limites, senhores. Há limites.
In Wikipedia
Tão feliz que eu seria no Senegal. Ainda por cima com Cabo Verde mesmo ali ao lado. É que hoje, pela primeira vez na vida, tinha gelo no para-brisas do meu Ferrari. Há limites, senhores. Há limites.
08 janeiro 2009
este não é o meu habitat
"A gralha azul (Cyanocorax caeruleus) é uma ave passeriforme da família dos corvídeos (...). Embora se diga que seu habitat é a floresta de araucárias do sul do Brasil, (...) ela não tem dependência estrita destas florestas e sua área de distribuição abrange desde o sul do Estado do Rio de Janeiro para o sul, até o Estado do Rio Grande do Sul, sendo frequente na Mata atlântica da Serra do Mar."
In Wikipedia
Ora bem, não faço questão que seja a Mata atlântica, embora me encantem essas praias cujas ondas cheiram a floresta virgem e a fruta. Na verdade, até me dou melhor com climas um pouco mais secos, como o do Norte de África. Agora, desculpem lá mas não há como pôr o bico de fora do edredon com este gelo desgraçado. Piu.
In Wikipedia
Ora bem, não faço questão que seja a Mata atlântica, embora me encantem essas praias cujas ondas cheiram a floresta virgem e a fruta. Na verdade, até me dou melhor com climas um pouco mais secos, como o do Norte de África. Agora, desculpem lá mas não há como pôr o bico de fora do edredon com este gelo desgraçado. Piu.
07 janeiro 2009
qué isso?
O Gustavo está numa fase muito engraçada, ainda que um pouco... capaz de pôr à prova a nossa paciência. Para além de responder "não" a todas as perguntas, está sempre a perguntar: "qué isso?". Pois bem, meu filho, eu sou a mãe terna, que te abraça e conforta quando estás doente; que prepara sopas, comida e o biberon da manhã com pãozinho de leite com fiambre; sou eu quem costuma levar-te e trazer-te da escola, quem conta histórias, quem joga às escondidas e quem (tenta) fazer teatros de fantoches. Mas isso agora de perguntares o que é isto e o que é aquilo para aqui e para acolá, desculpa mas vai lá chamar o pai porque ele é que é cientista e, de qualquer modo, ele próprio nunca ultrapassou a idade do "qué isso".
06 janeiro 2009
ah ah ah ah ah
Tenho andado a pensar acerca do sentido de humor. Para além de ser uma realidade sociologicamente interessante, porque depende muito do contexto, o sentido de humor diz imenso acerca de uma pessoa. Logo para começar, uma pessoa sem sentido de humor é um boi. Uma pessoa com sentido de humor pouco selectivo é uma galinha. Estando eu, gralha, mais próxima geneticamente do galinácio do que do bovídio, penso, ainda assim, que me aproximo mais deste último no que toca à facilidade em me arrancarem uma gargalhada. Compreendamo-nos: eu gosto imenso de rir. Simplesmente, acho que a maioria do que se faz supostamente para a laracha não tem piadola nenhuma. Rio-me muito de mim, do meu marido, do meu filho. Rio-me por dentro de outras pessoas. Mas rio-me pouco do que fazem profissionalmente para uma pessoa se rir.
Isto tudo para dizer que gosto muito mais d'Os Contemporâneos do que dos já muito espremidos Gato Fedorento.
Isto tudo para dizer que gosto muito mais d'Os Contemporâneos do que dos já muito espremidos Gato Fedorento.
05 janeiro 2009
bodas de pastilha elástica ou lá o que é
Estar casada há dois anos já é mais ou menos uma vitória contra as estatísticas nacionais, não? Seja como for, o que interessa é que vale cada vez mais a pena L. Mas sobre isso logo conversamos logo à noite, durante o jantar surpresa que te estou a preparar ;)
Viva nós! Viva nós!
Viva nós! Viva nós!
31 dezembro 2008
2008/2009
Nunca liguei à passagem de ano, mas blogue que é blogue tem de fazer o balanço do ano que passou e desejos para o ano que vem. Cá vão.
2008 foi o ano mais cansativo da minha vida, resumindo bastante a coisa. Comecei com 4 cabelos brancos e agora tenho cerca de 20. Isso chateia-me, mas o que me chateia mais é pensar nos 10 meses de constante stress, pressão, muitos sapos engolidos e muito, muito trabalho. O que interessa é que já passou e uma das coisas boas deste ano foi ter arranjado um novo emprego em que me sinto feliz.
É claro que a coisa melhor deste ano foi estar em família, ver-nos crescer como família e cada um dos momentos só nossos. Sempre fui uma pessoa de família e continuarei a sê-lo até ao dia em que estiver a contar estórias aos meus bisnetos, se Deus quiser. É por isso que chego ao fim do ano de coração cheio e a desejar mais desta partilha única que é viver uns para os outros com muito amor, partilha, paciência, incentivo mútuo e sentido de humor.
Não acredito que 2009 venha a ser tão mau como o pintam. Recuso-me a ver as coisas dessa maneira. Há de haver dificudades mas a minha Fé diz-me que estas não serão maiores do que a força que temos para as enfrentar. Venha, pois, 2009, e com ele mudanças grandes - provavelmente de casa, de país, de emprego e, se tudo correr bem, de dimensão do agregado familiar :)
Quanto a compromissos de ano novo, eu sou uma pessoa tão disciplinada que até meto um certo nojo, por isso cumpri os meus para 2008. E os de 2009 são... a continuação dos mesmos, que já são muito exigentes!
A vós, caros leitores do gralha dixit e queridos amigos em geral, desejo-vos um ano cheio de coisas boas, de muita coragem, optimismo, alegria, amor, saúde e dedicação a tudo o que é realmente importante. E boas entradas!
2008 foi o ano mais cansativo da minha vida, resumindo bastante a coisa. Comecei com 4 cabelos brancos e agora tenho cerca de 20. Isso chateia-me, mas o que me chateia mais é pensar nos 10 meses de constante stress, pressão, muitos sapos engolidos e muito, muito trabalho. O que interessa é que já passou e uma das coisas boas deste ano foi ter arranjado um novo emprego em que me sinto feliz.
É claro que a coisa melhor deste ano foi estar em família, ver-nos crescer como família e cada um dos momentos só nossos. Sempre fui uma pessoa de família e continuarei a sê-lo até ao dia em que estiver a contar estórias aos meus bisnetos, se Deus quiser. É por isso que chego ao fim do ano de coração cheio e a desejar mais desta partilha única que é viver uns para os outros com muito amor, partilha, paciência, incentivo mútuo e sentido de humor.
Não acredito que 2009 venha a ser tão mau como o pintam. Recuso-me a ver as coisas dessa maneira. Há de haver dificudades mas a minha Fé diz-me que estas não serão maiores do que a força que temos para as enfrentar. Venha, pois, 2009, e com ele mudanças grandes - provavelmente de casa, de país, de emprego e, se tudo correr bem, de dimensão do agregado familiar :)
Quanto a compromissos de ano novo, eu sou uma pessoa tão disciplinada que até meto um certo nojo, por isso cumpri os meus para 2008. E os de 2009 são... a continuação dos mesmos, que já são muito exigentes!
A vós, caros leitores do gralha dixit e queridos amigos em geral, desejo-vos um ano cheio de coisas boas, de muita coragem, optimismo, alegria, amor, saúde e dedicação a tudo o que é realmente importante. E boas entradas!
23 dezembro 2008
Feliz Natal
A família gralha deseja a todos os gralheitores o que está reflectido nos nossos olhos:
foto retirada
(amor, alegria, paz e esperança num mundo melhor)
foto retirada
(amor, alegria, paz e esperança num mundo melhor)
22 dezembro 2008
karma
Eu não acredito no karma.
(uma pausa para comentar que o conceito ocidental de karma é bem diferente do original hindu, mas refiro-me ao que por cá se chama de karma, isto é, "cá se fazem, cá se pagam")
Não acredito que as coisas más acontecem a quem as merece e que se uma criança inocente tem leucemia é porque algum antepassado foi um grande malfeitor - sim, há quem acredite nisto. Eu acredito que há muitas pessoas boas que mereciam muitas coisas boas e que há outras pessoas a quem lhes devia cair cocó de pássaro na cabeça (para dizer o mínimo) todos os dias e isso pura e simplesmente não sucede.
Pois é, apesar de tudo isto, há alturas na vida em que sinto que tenho tantas coisas boas que não mereço. Há momentos em que sinto o coração tão cheio de amor, de alegria, de paz, que parece que vai ter de acontecer uma desgraça muito grande para contrabalançar a fortuna. Agora é um momento assim, por razão nenhuma de especial. Mas não tenho medo. Saboreio só e sinto uma gratidão muito grande :)
(uma pausa para comentar que o conceito ocidental de karma é bem diferente do original hindu, mas refiro-me ao que por cá se chama de karma, isto é, "cá se fazem, cá se pagam")
Não acredito que as coisas más acontecem a quem as merece e que se uma criança inocente tem leucemia é porque algum antepassado foi um grande malfeitor - sim, há quem acredite nisto. Eu acredito que há muitas pessoas boas que mereciam muitas coisas boas e que há outras pessoas a quem lhes devia cair cocó de pássaro na cabeça (para dizer o mínimo) todos os dias e isso pura e simplesmente não sucede.
Pois é, apesar de tudo isto, há alturas na vida em que sinto que tenho tantas coisas boas que não mereço. Há momentos em que sinto o coração tão cheio de amor, de alegria, de paz, que parece que vai ter de acontecer uma desgraça muito grande para contrabalançar a fortuna. Agora é um momento assim, por razão nenhuma de especial. Mas não tenho medo. Saboreio só e sinto uma gratidão muito grande :)
19 dezembro 2008
gripe
Coisas de que eu já não me lembrava:
1. Fica-se com uma capacidade infinita para dormir;
2. Treme-se como varas verdes e depois dá-nos uns calores insuportáveis;
3. A comida sabe toda a papel;
4. Consigo estar deitada todo o dia sem que isso me incomode;
5. A RTP1, a SIC e a TVI passam todo o dia a dar lixo. Mas lixo mesmo;
6. Dão-me uns remorsos tremendos por não ir trabalhar (já era assim com a escola);
7. A minha mãe volta a tratar-me como se eu tivesse 5 anos (i.e. quer obrigar-me a comer).
Coisas que eu ainda não sabia:
1. O meu marido é mesmo um cuidador maravilhoso;
2. O meu filhote fica aflito quando me vê quietinha na cama e tenta arrancar-me o edredon para eu sair da mesma e passar o "dói-dói mamã";
3. O meu cão consegue dormir cerca de 18 horas por dia.
Já estou bem melhor. Espero que não chegue a vossas casas como já chegou a tantas outras. Bom fim-de-semana :)
1. Fica-se com uma capacidade infinita para dormir;
2. Treme-se como varas verdes e depois dá-nos uns calores insuportáveis;
3. A comida sabe toda a papel;
4. Consigo estar deitada todo o dia sem que isso me incomode;
5. A RTP1, a SIC e a TVI passam todo o dia a dar lixo. Mas lixo mesmo;
6. Dão-me uns remorsos tremendos por não ir trabalhar (já era assim com a escola);
7. A minha mãe volta a tratar-me como se eu tivesse 5 anos (i.e. quer obrigar-me a comer).
Coisas que eu ainda não sabia:
1. O meu marido é mesmo um cuidador maravilhoso;
2. O meu filhote fica aflito quando me vê quietinha na cama e tenta arrancar-me o edredon para eu sair da mesma e passar o "dói-dói mamã";
3. O meu cão consegue dormir cerca de 18 horas por dia.
Já estou bem melhor. Espero que não chegue a vossas casas como já chegou a tantas outras. Bom fim-de-semana :)
17 dezembro 2008
a primeira grande patifaria
Depois de registar muitas das primeiras gracinhas do Gustavo, parece-me justo vir para aqui fazer queixinhas da primeira vez que ele me deixou lívida e silenciosa de irritação. Senhor Dom Limpinho & Arrumadinho resolveu hoje nem mais nem menos do que meter o meu telemóvel na máquina de lavar. E que asseado que ele ficou, quando o estendi entre as peúgas e as cuecas, ao chegar a casa. Pelo menos não estragou o cartão, vamos ver se a memória de 1 GB cheia de filmes, música e fotos também sobrevive, depois de uma noite junto ao radiador...
Tão lindinho o meu telemóvel. Nem um ano tinha :(
Tão lindinho o meu telemóvel. Nem um ano tinha :(
16 dezembro 2008
inveja
Este post não vai ter elevação moral nenhuma, é só para avisar.
Uma gralha anda no ginásio, não é? Até gosta de se esfalfar, de sentir o músculo a tremer com o esforço, coisa e tal. E gosta também de sentir que está a ficar, cada vez mais, um pedaço de mulher (cf. post anterior acerca do problema da imodéstia).
Pois bem, tenho a declarar que fico pessoalmente ofendida quando surgem aquelas serigaitas (como aconteceu hoje) que não só têm pernas esculturais e um rabiosque de rapazinho de 10 anos como umas gigantes mamas que saltitam quando ela faz step. Ou simplesmente quando respira. Eu admito que haja mamalhudas. Eu não sou mamalhuda mas sou elegantezita, vá, tenho as coisas moderadamente no sítio. Agora, é suposto as mamalhudas serem muito gordas. E, já agora, terem um ar brejeiro, de quem não se lava e não é boa pessoa. Mas não. Esta até tinha um ar queridinho, de quem podia ser minha amiga e quiçá ter conversas inteligentes. Parva.
Uma gralha anda no ginásio, não é? Até gosta de se esfalfar, de sentir o músculo a tremer com o esforço, coisa e tal. E gosta também de sentir que está a ficar, cada vez mais, um pedaço de mulher (cf. post anterior acerca do problema da imodéstia).
Pois bem, tenho a declarar que fico pessoalmente ofendida quando surgem aquelas serigaitas (como aconteceu hoje) que não só têm pernas esculturais e um rabiosque de rapazinho de 10 anos como umas gigantes mamas que saltitam quando ela faz step. Ou simplesmente quando respira. Eu admito que haja mamalhudas. Eu não sou mamalhuda mas sou elegantezita, vá, tenho as coisas moderadamente no sítio. Agora, é suposto as mamalhudas serem muito gordas. E, já agora, terem um ar brejeiro, de quem não se lava e não é boa pessoa. Mas não. Esta até tinha um ar queridinho, de quem podia ser minha amiga e quiçá ter conversas inteligentes. Parva.
15 dezembro 2008
gugaquático
O que fazer nestes dias gelados e de chuva (hoje mais gelado do que de chuva, caramba que ja nem sinto os dedos)? Ir à piscina, pois está claro. Começámos há duas semanas e o Gustavo fica maluquinho quando vai, está sempre a dizer "maix xina, maix xina!".
foto retirada
Por favor, comentem que o meu marido - sim, o de touca preta ao lado do Guguinha - é muito jeitoso. Para além de ser verdade (mesmo com touca de natação na cabeça), foi a condição que ele impôs para aparecer aqui. Como vêem, a modéstia é o forte da nossa família.
foto retirada
Por favor, comentem que o meu marido - sim, o de touca preta ao lado do Guguinha - é muito jeitoso. Para além de ser verdade (mesmo com touca de natação na cabeça), foi a condição que ele impôs para aparecer aqui. Como vêem, a modéstia é o forte da nossa família.
12 dezembro 2008
volta marlene
Não é só pela tua doçura. Nem é pela serenidade do teu olhar. É muito mais do que pela simpatia com que enches a minha casa quando entras, pela tarde. E já nem falo da brandura dos teus gestos, da generosidade da tua entrega,
Marlene,
volta depressa porque estou farta de passar a ferro, aspirar, limpar o pó, esfregar a sanita, limpar as prateleiras, lavar os vidros, levar os sacos da reciclagem, pulir o fogão e aprumar a casa em geral.
Marlene,
volta depressa porque estou farta de passar a ferro, aspirar, limpar o pó, esfregar a sanita, limpar as prateleiras, lavar os vidros, levar os sacos da reciclagem, pulir o fogão e aprumar a casa em geral.
11 dezembro 2008
gralha tóxica
Faço mal à saúde do meu homem, só pode. Vem a Segunda-feira, tudo fino. Terça, Quarta e Quinta, na maior. (Friday I'm in love - Vera, esta é para ti!) Sábado a coisa começa a tremer e, pumba, ao Domingo fica sempre esverdeado e agoniado. Só pode ser do contacto comigo, não? Quando me perguntam por ele agora já respondo: "ah, sim, obrigada, já está um bocadinho melhor do Domingo."
09 dezembro 2008
abram alas para a gralha II
Desta vez, não atententei contra a vida de nenhum membro do clero, só entrei no parque de estacionamento do Colombo sem tirar ticket (i.e. colada ao carro da frente). A sério que foi sem querer. A sério que não estava a tentar imitar o McGyver.
04 dezembro 2008
semana para esquecer
(e ainda só é 5ªfeira)
Alguém sabe se há maneira de tirar vomitado de livros?
É que nem me apetece dizer mais nada. Adeuzinho, até melhores dias.
Alguém sabe se há maneira de tirar vomitado de livros?
É que nem me apetece dizer mais nada. Adeuzinho, até melhores dias.
02 dezembro 2008
o meu pequeno vampiro
Será um pássaro? Será um avião? Não, é o Guguinha, o super-vampiro!
Estou a brincar mas a verdade é que estou mesmo triste porque o meu pobre filhote teve um acidente. Ia a andar calmamente pelo passeio, na risota, tropeçou e aterrou de cara no chão. Resultado: partiu os dois incisivos centrais superiores e agora parece mesmo um pequeno vampiro. Meu pobre filhinho... Ele nem se queixa muito mas aquilo deve doer-lhe porque anda com pouco apetite. Já o levámos à dentista e não há reconstrução possível, só aguardar pelos dentes definitivos e medicação para evitar outras complicações... Pobre, pobre Guguinha...
Depois do meu post sobre as crianças super-protegidas isto poderia fazer-me sentir muito culpada - mas a verdade é que o que aconteceu poderia acontecer a qualquer um de nós. É desesperante, mas a verdade é que os pais não conseguem proteger os filhos de todos os perigos.
Estou a brincar mas a verdade é que estou mesmo triste porque o meu pobre filhote teve um acidente. Ia a andar calmamente pelo passeio, na risota, tropeçou e aterrou de cara no chão. Resultado: partiu os dois incisivos centrais superiores e agora parece mesmo um pequeno vampiro. Meu pobre filhinho... Ele nem se queixa muito mas aquilo deve doer-lhe porque anda com pouco apetite. Já o levámos à dentista e não há reconstrução possível, só aguardar pelos dentes definitivos e medicação para evitar outras complicações... Pobre, pobre Guguinha...
Depois do meu post sobre as crianças super-protegidas isto poderia fazer-me sentir muito culpada - mas a verdade é que o que aconteceu poderia acontecer a qualquer um de nós. É desesperante, mas a verdade é que os pais não conseguem proteger os filhos de todos os perigos.
28 novembro 2008
carta ao pai natal
Querido Pai Natal,
Acho que já não te escrevo há coisa de uns 17 anos. Será que podes juntar a boa vontade toda desse período para tratar dos meus pedidos de agora? Obrigada e cumprimentos aos duendes,
gralha
p.s. Falta a lista de presentes, cá vai:
Uma viagem à Costa Rica
Um apartamento t4 em frente ao rio, aquele com piscina e terraço que eu ando a mirar (se não tiveres a certeza qual é, pode ser outro parecido)
Uma carrinha Peugeot 307 SW prateada
Um cheque Fnac de 1000 euros (a lista de livros e CDs é longa, sempre te poupo trabalho)
Um vale de livre trânsito num ginásio + spa durante 1 ano
Uma prancha + fato de surf
Mais um(a) filhote(a)
Acho que já não te escrevo há coisa de uns 17 anos. Será que podes juntar a boa vontade toda desse período para tratar dos meus pedidos de agora? Obrigada e cumprimentos aos duendes,
gralha
p.s. Falta a lista de presentes, cá vai:
Uma viagem à Costa Rica
Um apartamento t4 em frente ao rio, aquele com piscina e terraço que eu ando a mirar (se não tiveres a certeza qual é, pode ser outro parecido)
Uma carrinha Peugeot 307 SW prateada
Um cheque Fnac de 1000 euros (a lista de livros e CDs é longa, sempre te poupo trabalho)
Um vale de livre trânsito num ginásio + spa durante 1 ano
Uma prancha + fato de surf
Mais um(a) filhote(a)
27 novembro 2008
abram alas para a gralha
Espero bem que o Papa, o Dalai Lama ou o próprio do Maomé não estejam a pensar vir dar uma volta por Lisboa nos próximos dias porque eu ando a fazer pontaria com o meu Ferrari a tudo o que é personagem religiosa. Hoje consegui não menos que a proeza de começar a manhã a buzinar desenfreadamente a duas freiras (e logo das boazinhas, tinham acabado de dar um saco de pão a uma senhora) e terminar o dia a fazer sinais de luzes ao meu padre preferido. Tenho cá para mim que Deus me anda mesmo a querer dizer que tenho de ser menos impaciente no trânsito.
26 novembro 2008
falar do tempo
Ah, e tal, já não é Verão. Ah, e tal, ainda falta um bocado para o Natal. Isto para nem falar das férias. De modo que, nesta altura, não há muito mais para falar do que acerca do tempo. Está frio, mas não demasiado. Não tem chovido muito. O Verão foi tímido mas o Inverno não se adivinha rigoroso.
Pronto, já chega (ainda alguém está a ler?). Já toda a gente que me lê deve saber que não gosto de frio e menos ainda de chuva. Sou uma gralhatropical. Calcem-me umas havaianas, ponham-me uns óculos de sol e dêem-me um mojito e é ver-me a abanar as penas. Mas agora não dá, paciência. Por isso, tricoto enquanto vejo o Dr.Phil para descobrir que o mundo inteiro parece ser louco (menos eu). Bebo chá de cidreira. Penso que devia era ler/ escrever/ tocar piano ou fazer outra coisa mais produtiva mas qualquer uma dessas opções implica gelar as mãos. Venha o Verão para eu fazer alguma coisa de jeito com o meu tempo. E vocês, como sobrevivem ao Inverno (ainda Outono, ainda por cima)?
Pronto, já chega (ainda alguém está a ler?). Já toda a gente que me lê deve saber que não gosto de frio e menos ainda de chuva. Sou uma gralhatropical. Calcem-me umas havaianas, ponham-me uns óculos de sol e dêem-me um mojito e é ver-me a abanar as penas. Mas agora não dá, paciência. Por isso, tricoto enquanto vejo o Dr.Phil para descobrir que o mundo inteiro parece ser louco (menos eu). Bebo chá de cidreira. Penso que devia era ler/ escrever/ tocar piano ou fazer outra coisa mais produtiva mas qualquer uma dessas opções implica gelar as mãos. Venha o Verão para eu fazer alguma coisa de jeito com o meu tempo. E vocês, como sobrevivem ao Inverno (ainda Outono, ainda por cima)?
24 novembro 2008
quanto dura uma redoma?
Coisa que sempre me meteu "espéce" foram os pais super-protectores. OK, eu peco por defeito e deve ser por isso que o meu filho caiu uma vez da cama, uma vez do meu colo e anda constantemente a dar cabeçadas em todo lado e a coleccionar nódoas negras - e nem pia. Mas antes que a protecção de menores me venha retirar o desgraçado, deixem-me só dizer que acho que uma criança precisa mesmo de espaço para crescer; precisa de fazer um montão de disparates; não precisa de partir nenhum osso mas é provável que vá fazer arranhões; e é de esperar que, mais tarde, um adolescente faça muitas coisas estúpidas - caramba, já adultos continuamos a fazer coisas estúpidas, por que é que não podemos fazê-las antes?
Isto tudo porque me parece que conheço cada vez mais pessoas que colocam os filhos numa redoma de cristal e tentam protegê-los a todo o custo. Sempre em colégios privados, para onde vão de automóvel com ar condicionado, de onde saem para apartamentos em condomínios fechados. Vão para a universidade e continuam a dar-se com as mesmas pessoas, do mesmo meio. Quase não saem à noite. Nunca apanham uma bebedeira. Nunca tiraram um chocolate num supermercado. Nunca espirraram sem pôr a mão à frente e nunca, por nunca, cuspiram para o chão. O problema é que o mundo real bate à porta mais dia, menos dia e ser um grandessíssimo totó não garante as melhores competências para lidar com isso.
Pronto, agora o mais certo é eu acabar por tornar-me a maior das mães-galinhas, apesar do discurso...
Isto tudo porque me parece que conheço cada vez mais pessoas que colocam os filhos numa redoma de cristal e tentam protegê-los a todo o custo. Sempre em colégios privados, para onde vão de automóvel com ar condicionado, de onde saem para apartamentos em condomínios fechados. Vão para a universidade e continuam a dar-se com as mesmas pessoas, do mesmo meio. Quase não saem à noite. Nunca apanham uma bebedeira. Nunca tiraram um chocolate num supermercado. Nunca espirraram sem pôr a mão à frente e nunca, por nunca, cuspiram para o chão. O problema é que o mundo real bate à porta mais dia, menos dia e ser um grandessíssimo totó não garante as melhores competências para lidar com isso.
Pronto, agora o mais certo é eu acabar por tornar-me a maior das mães-galinhas, apesar do discurso...
21 novembro 2008
o tempo e o lugar certos
Até há 4 horas e 32 minutos atrás (mais segundo, menos segundo) tinha a ideia romântica de que, se pudesse escolher, deveria ter nascido na Idade Média, possivelmente em Inglaterra ou numa cidade italiana (num castelo, evidentemente - para pelintra já me basta a realidade). Ora bem, mudei de ideias. Obrigada, muito obrigada às Alturas por me terem feito nascer aqui e agora, porque eu não aguentava certas atitudes de antigamente. E para antigamente não é preciso ir ao século XII, basta mesmo falar com pessoas do início do século XX, como me aconteceu hoje.
Em situação de trabalho, tive de lidar com um senhor que, do alto dos seus 82 anos e de um título de engenheiro, se sente no mais natural direito de tratar qualquer fêmea - ainda que (nem ele sonha) tenha mais qualificações e certamente mais educação que ele - abaixo de cão. A sério, nunca me tinham tratado com tanta arrogância, soberba, indiferença perante a pessoa digna de respeito que eu sou, como qualquer outra pessoa. Pronto, devo ter tido sorte até agora. É que palavradonra que fiquei fisicamente mal-disposta.
Besta.
Em situação de trabalho, tive de lidar com um senhor que, do alto dos seus 82 anos e de um título de engenheiro, se sente no mais natural direito de tratar qualquer fêmea - ainda que (nem ele sonha) tenha mais qualificações e certamente mais educação que ele - abaixo de cão. A sério, nunca me tinham tratado com tanta arrogância, soberba, indiferença perante a pessoa digna de respeito que eu sou, como qualquer outra pessoa. Pronto, devo ter tido sorte até agora. É que palavradonra que fiquei fisicamente mal-disposta.
Besta.
20 novembro 2008
prototecnomãe
Perante a iminente diáspora dos filhos, a minha mãe decidiu-se finalmente a aprender a funcionar com a Internet e afins. Para além de ser giro explicar coisas como "quando o bonequinho está verde significa que a pessoa pode falar contigo", isto quer dizer que tenho de começar a escrever posts mais family-friendly porque não deve tardar muito que eles me entrem pelo blogue adentro. E o pior é que não tenho tempo para ir caçar as asneiras todas que escrevi ao longo destes quase 3 anos.
18 novembro 2008
o meu pequeno beato
A creche do Gustavo é na minha paróquia, pelo que ele se habituou desde pequenino a sinos a tocar (como se não bastasse o que toca à porta de minha casa desde as 8 da matina!) e a passar junto à igreja. No outro dia fui buscá-lo com a minha avó, que quis entrar um bocadinho na igreja. O Gustavo deve ter-se sentido chamado pelo Senhor porque, mal entrou, desatou a correr para o altar e foi difícil tirá-lo de lá. Desde esse dia, passamos à porta e ele diz sempre "maix xexux! maix xexux!". Estás a ver, Vera? Eu bem digo que os nossos filhos vão ser colegas de seminário ;)
O meu rico maridinho é que não vai achar graça nenhuma a este post. Mas é verdade, o que é que eu posso fazer?
O meu rico maridinho é que não vai achar graça nenhuma a este post. Mas é verdade, o que é que eu posso fazer?
14 novembro 2008
outono na cidade
Este post também se podia chamar "notícias nossas". Hoje ficam com fotos (não muito boas, desculpem lá).
foto retirada
A brincar no parque infantil com as bochechas cheias de castanhas assadas.
foto retirada
O nosso jardim tem cães a passear, crianças a brincar, árvores com folhas amarelas e graffiti.

Os primeiros graffiti do Gustavo na casa-de-banho.

O meu homem vai-me trocar pelos cowboys durante uma semana (o que pode ser preocupante, depois de se ter visto o Brokeback Mountain) mas soube deixar saudades :)
Bom fim-de-semana!
foto retirada
A brincar no parque infantil com as bochechas cheias de castanhas assadas.
foto retirada
O nosso jardim tem cães a passear, crianças a brincar, árvores com folhas amarelas e graffiti.
Os primeiros graffiti do Gustavo na casa-de-banho.
O meu homem vai-me trocar pelos cowboys durante uma semana (o que pode ser preocupante, depois de se ter visto o Brokeback Mountain) mas soube deixar saudades :)
Bom fim-de-semana!
12 novembro 2008
diz-me com quem blogas...
Nesta coisa da blogosfera, define-se muito de quem somos (pelo menos bloguisticamente) pelos links que decidimos mostrar na nossa barra lateral. O que dirão de mim as seguintes estatísticas?
Dos 55 blogues que acompanho actualmente, 2 são fóruns (de bebés, claro) e os restantes são pessoais ou colectivos, de diversos temas.
30 são mães. 4 são pais. 4 envolvem grávidas.
1 é um padre católico. 1 é a mulher de um pastor baptista. 4 são agnósticos assumidos.
1 é homossexual. 1 é bissexual. 14 nunca falaram de sexualidade.
4 são assumidamente de esquerda. 4 de direita. A maioria não fala de política.
4 são realmente engraçados. 1 é neurótica. 3 são muito rezingonas.
7 escrevem muito bem. 7 são artistas plásticos. Não faço ideia da profissão de pelo menos 12.
8 estão emigrados. 2 são estrangeiros.
9 são nitidamente felizes. 7 estão um pouco deprimidos.
5 conheço pessoalmente. De 33 deles, nunca lhes vi sequer a cara.
1 pessoa enerva-me porque não posta (sim, tu!). Há 4 cujos posts nunca comentei.
Todos eles têm entre os 20 e tal e os 40 e tal anos. Nem todos eles sabem que eu existo.
Afinal de contas, o que é que esta variedade diz de mim? Não sei. Mas que sempre achei interessante todo o tipo de pessoas, lá isso é verdade.
Dos 55 blogues que acompanho actualmente, 2 são fóruns (de bebés, claro) e os restantes são pessoais ou colectivos, de diversos temas.
30 são mães. 4 são pais. 4 envolvem grávidas.
1 é um padre católico. 1 é a mulher de um pastor baptista. 4 são agnósticos assumidos.
1 é homossexual. 1 é bissexual. 14 nunca falaram de sexualidade.
4 são assumidamente de esquerda. 4 de direita. A maioria não fala de política.
4 são realmente engraçados. 1 é neurótica. 3 são muito rezingonas.
7 escrevem muito bem. 7 são artistas plásticos. Não faço ideia da profissão de pelo menos 12.
8 estão emigrados. 2 são estrangeiros.
9 são nitidamente felizes. 7 estão um pouco deprimidos.
5 conheço pessoalmente. De 33 deles, nunca lhes vi sequer a cara.
1 pessoa enerva-me porque não posta (sim, tu!). Há 4 cujos posts nunca comentei.
Todos eles têm entre os 20 e tal e os 40 e tal anos. Nem todos eles sabem que eu existo.
Afinal de contas, o que é que esta variedade diz de mim? Não sei. Mas que sempre achei interessante todo o tipo de pessoas, lá isso é verdade.
10 novembro 2008
elefante numa loja de porcelana
Sempre fui especialista em criar situações um pouco embaraçosas em público mas há muito tempo que fazia uma destas: estava ontem o casal gralha a assistir na primeira fila a um concerto na Gulbenkian, tudo muito lindo, muito intelectual e isso. Resolvemos vir-nos embora entre o Tchaikovsky e o Gershwin porque tinhamos de ir buscar o gralhinho.
O problema foi que a gralha deixou a mala no lugar onde estava sentada e que, entretanto, foi ocupado por um simpático casal de meia idade. Pata ante pata, reentrei na penumbra do concerto e perguntei ao casal se não tinha encontrado a minha mala. Disseram que não mas, quando eu já vinha a imaginar que devia ter sido roubada por um dos patos do lago a quem nunca me lembro de levar pão (como fazia quando tinha 5 anos), levantaram-se e, não muito discretamente, disseram: "está aqui!". Pegaram na minha mala com um sorriso triunfante, eis senão quando todo o conteúdo da mesma se espalhou pelo chão, mesmo em frente ao piano e quase fazendo tropeçar a violinista (pronto, esta parte é exagero), que pararam de tocar e me miraram com um olhar fulminante (esta parte já não é tanto exagero). Pata ante pata, lá voltei para ajudar os senhores a recolher telemóvel, três jogos de chaves, quatro lenços ranhosos, agenda, porta-moedas, óculos de sol, rádio do carro, máquina fotográfica, desodorizante, batom hidratante, pen drive e documentos do carro, fiz o meu sorriso número 7, murmurei umas desculpas e raspei-me dali para fora. É por causa de bestas como eu que a cultura nacional está neste estado.
O problema foi que a gralha deixou a mala no lugar onde estava sentada e que, entretanto, foi ocupado por um simpático casal de meia idade. Pata ante pata, reentrei na penumbra do concerto e perguntei ao casal se não tinha encontrado a minha mala. Disseram que não mas, quando eu já vinha a imaginar que devia ter sido roubada por um dos patos do lago a quem nunca me lembro de levar pão (como fazia quando tinha 5 anos), levantaram-se e, não muito discretamente, disseram: "está aqui!". Pegaram na minha mala com um sorriso triunfante, eis senão quando todo o conteúdo da mesma se espalhou pelo chão, mesmo em frente ao piano e quase fazendo tropeçar a violinista (pronto, esta parte é exagero), que pararam de tocar e me miraram com um olhar fulminante (esta parte já não é tanto exagero). Pata ante pata, lá voltei para ajudar os senhores a recolher telemóvel, três jogos de chaves, quatro lenços ranhosos, agenda, porta-moedas, óculos de sol, rádio do carro, máquina fotográfica, desodorizante, batom hidratante, pen drive e documentos do carro, fiz o meu sorriso número 7, murmurei umas desculpas e raspei-me dali para fora. É por causa de bestas como eu que a cultura nacional está neste estado.
06 novembro 2008
as grandes questões do momento
Será que no próximo Verão vai fazer calor a sério?
A recessão começa já para o ano ou ainda haverá só abrandamento da economia?
Quais os ingredientes da pizza que o meu homem vai fazer amanhã?
Será que ainda vou receber um certo telefonema que gostava de ter recebido na semana passada?
Mas a mais importante, que está a deixar o mundo em suspenso: Será verdade que a Pipoca e o Arrumadinho têm um caso?
Quem precisa de telenovelas quando se tem a vida real e uma coisa parecida com isso (a blogosfera)?
A recessão começa já para o ano ou ainda haverá só abrandamento da economia?
Quais os ingredientes da pizza que o meu homem vai fazer amanhã?
Será que ainda vou receber um certo telefonema que gostava de ter recebido na semana passada?
Mas a mais importante, que está a deixar o mundo em suspenso: Será verdade que a Pipoca e o Arrumadinho têm um caso?
Quem precisa de telenovelas quando se tem a vida real e uma coisa parecida com isso (a blogosfera)?
05 novembro 2008
uma razão para sorrir
Quero agradecer do fundo do meu coração aos eleitores americanos. A sério, até me deu vontade de chorar quando soube que o Obama tinha ganho.
É claro que eu não estou à espera de grandes mudanças. Mas tenho esperança que ratifiquem Quioto, que repensem o sistema de protecção social, a política externa e muitas outras coisas. Sobretudo, tenho esperança que esta que é, incontornavelmente, a mais influente potência mundial melhore um pouco da miopia em relação a tudo o que se passa na vida real, no mundo para além da América do Norte.
Obama, fofinho, não nos desiludas muito, está bem? Cá um beijinho à gralha.
Adenda: OK, o homem não podia ser perfeito, arranjou um vice-presidente que é sionista...
É claro que eu não estou à espera de grandes mudanças. Mas tenho esperança que ratifiquem Quioto, que repensem o sistema de protecção social, a política externa e muitas outras coisas. Sobretudo, tenho esperança que esta que é, incontornavelmente, a mais influente potência mundial melhore um pouco da miopia em relação a tudo o que se passa na vida real, no mundo para além da América do Norte.
Obama, fofinho, não nos desiludas muito, está bem? Cá um beijinho à gralha.
Adenda: OK, o homem não podia ser perfeito, arranjou um vice-presidente que é sionista...
04 novembro 2008
desdobramentos do eu
(oh não!, lá vem ela com um post pseudo-filosófico)
Depois de sair do ginásio hoje - depois de 3 anos, um filho e alguma massa gorda extra - atravessei as ruas de cór, sem ver a altura dos passeios nem reparar se as sebes do jardim estavam aparadas ou os carros estacionados na passadeira. Quando regresso a lugares que já foram muito meus, sinto que estou naquele anúncio de um automóvel qualquer (pelos vistos, o anúncio é bom menos na parte de me fazer decorar a marca do carro) em que este se desdobra e vai um para um lado fazer uma coisa enquanto o clone vai para outro lado fazer outra coisa qualquer. Cada um dos nossos eus continua a existir numa realidade paralela mesmo quando mudamos de vida, de casa, de emprego e começamos a fazer coisas completamente diferentes. É, não é?
Depois de sair do ginásio hoje - depois de 3 anos, um filho e alguma massa gorda extra - atravessei as ruas de cór, sem ver a altura dos passeios nem reparar se as sebes do jardim estavam aparadas ou os carros estacionados na passadeira. Quando regresso a lugares que já foram muito meus, sinto que estou naquele anúncio de um automóvel qualquer (pelos vistos, o anúncio é bom menos na parte de me fazer decorar a marca do carro) em que este se desdobra e vai um para um lado fazer uma coisa enquanto o clone vai para outro lado fazer outra coisa qualquer. Cada um dos nossos eus continua a existir numa realidade paralela mesmo quando mudamos de vida, de casa, de emprego e começamos a fazer coisas completamente diferentes. É, não é?
03 novembro 2008
a renovação da gralha
Terminei as transformações que faltavam para entrar em pleno nesta fase da minha vida: aparei as penas e inscrevi-me no ginásio. Mais alegria esta semana só se for pelo Obama (quase, quase que rimava).
Ah, claro, pagaram-me. Tive de fugir a correr com o cheque, mas pagaram-me.
Ah, claro, pagaram-me. Tive de fugir a correr com o cheque, mas pagaram-me.
31 outubro 2008
luxo
Depois de o Outono ter perdido a graça ao fim dos primeiros dias de frio e chuva, estou comendo trufas de chocolate. Hoje li, toquei piano e olhei durante bastante tempo para as paredes do meu quarto, enquanto desenterrava e voltava a enterrar fantasmas do passado. Isto, para mim, senhores, é a definição de luxo. Tenham um excelente fim-de-semana.
29 outubro 2008
a revolta do proletariado
Seja qual for o emprego por onde passo, deixo tão boa impressão, tão boa impressão, que eles nunca me querem deixar vir embora. Só pode ser isso que explica a teima em não me pagarem o que é devido, não é? Ah, não, afinal é mesmo a unhisse de fome típica das empresas portuguesas.
Sim, é verdade, este é o post em que eu venho para aqui lavar roupa suja. E já estão eles com muita sorte que eu não exponha nomes.
Ora então, da última vez, queriam os senhores que eu pagasse, repito, que EU pagasse à saída. Pois, está claro que sim. Ameaçazinha de processo em tribunal do trabalho e lá ficámos com contas feitas. Desta vez, o pessoal é académico, e tal, logo, é mais requintado. É um estilo de trafulhice mais erudito. Não me pagaram (ainda) mas é por razões que derivam consequentemente da questão ocasionada por motivo da situação pendente.
Não estivesse eu na mais absoluta penúria desde o passado mês de Agosto e mandava aquela Academia toda a vários sítios bonitos que não posso designar porque isto é um blogue bem-educado. Assim, são diversas as ideias que me passam pela cabeça, que vão desde o insulto exibicionista em praça pública (incluindo, possivelmente, uma amostra das minhas nádegas no meio da universidade) à subtracção de equipamento pertencente à entidade patronal - infelizmente, não há nada no valor do que me devem, mas a Nespresso e o ar condicionado portátil ficavam bem mimosos na minha cozinha.
Mas não, o meu tipo de banditismo será mais refinado. Na verdade, quase que tenho vontade que não me paguem mesmo, só para poder pôr em marcha o meu novo plano maquiavélico. MUAH-AHA-AH-AH!
Sim, é verdade, este é o post em que eu venho para aqui lavar roupa suja. E já estão eles com muita sorte que eu não exponha nomes.
Ora então, da última vez, queriam os senhores que eu pagasse, repito, que EU pagasse à saída. Pois, está claro que sim. Ameaçazinha de processo em tribunal do trabalho e lá ficámos com contas feitas. Desta vez, o pessoal é académico, e tal, logo, é mais requintado. É um estilo de trafulhice mais erudito. Não me pagaram (ainda) mas é por razões que derivam consequentemente da questão ocasionada por motivo da situação pendente.
Não estivesse eu na mais absoluta penúria desde o passado mês de Agosto e mandava aquela Academia toda a vários sítios bonitos que não posso designar porque isto é um blogue bem-educado. Assim, são diversas as ideias que me passam pela cabeça, que vão desde o insulto exibicionista em praça pública (incluindo, possivelmente, uma amostra das minhas nádegas no meio da universidade) à subtracção de equipamento pertencente à entidade patronal - infelizmente, não há nada no valor do que me devem, mas a Nespresso e o ar condicionado portátil ficavam bem mimosos na minha cozinha.
Mas não, o meu tipo de banditismo será mais refinado. Na verdade, quase que tenho vontade que não me paguem mesmo, só para poder pôr em marcha o meu novo plano maquiavélico. MUAH-AHA-AH-AH!
28 outubro 2008
e cá vamos andando
Gente, a sério que fiz a Av. da República para trás e para a frente - e olhem que hoje havia bastante trânsito - a pensar no que é que havia de escrever aqui hoje, mas não me lembrei de nada. A vida vai boa. Espero que convosco também. Tenho de arranjar um novo seguro automóvel. A carne assada que fiz ontem ficou daqui (visualizem-me a puxar o lóbulo da orelha direita). Está uma ventania desgraçada mas estou no quentinho. O Weeds está cada vez melhor, com direito a reincarnações do Moisés e um Presidente da Câmara que levaria, certamente, o meu voto. Aliás, acabei de decidir que quem não gosta do Weeds é choné. Pronto, é isto. Tenham uma boa semana.
23 outubro 2008
dezanove meses e uns dias
Olhas para mim com o teu ar inquisitivo, num silêncio penetrante, mas sou eu quem parece que te compreende cada vez menos, filho. Ainda não me habituei a ti já tão pouco bebé, desculpa lá. Às vezes sinto-me tonta por te repetir que és lindo-lindo-lindo-amor-do-meu-coração. Já pedes mais, não é? Pedes que te diga como me orgulho da pessoa já tão crescida que és agora. Desculpa se não abdiquei ainda de te abraçar de manhã como se fosses um bebé pequenino, como quando mamavas. Mas é que acho que tenho direito a um bocadinho mais de bebé. Por isso, gosto de ti assim crescido, rapagão, testando-me. Correndo pelo corredor com um capacete e uma mota imaginários. Inventando palavras que demoro a compreender. Mas tambem gosto de ficar a ouvir-te respirar docemente enquanto dormes, quando volto a casa.
22 outubro 2008
trabalho e emprego
Passo então a esclarecer os visitantes do gralha dixit:
O meu novo emprego é de administrativa, ou uma categoria semelhante, sei lá. É uma posição que consiste em atender telefones, sorrir ao público, receber pagamentos e preencher elementos numa base de dados.
O meu novo trabalho é escrever. Leio, leio, leio até encher a maré. E depois escrevo, escrevo, escrevo até ela vazar.
Tenho uma vida dupla, portanto. A certas horas do dia (e da noite), sou um ser social que comunica com as outras pessoas, ganha um ordenado e tenta fazer funcionar a infraestrutura de uma família. A outras horas, fecho-me com o computador e desapareço para o mundo. Escrever é o segundo acto mais solitário que conheço (o mais solitário, adivinhem). Faz-me perder a noção do tempo. Faz-me desconstruir a realidade para voltar a construí-la. Faz-me ver tudo de novo como se tivesse acabado de nascer. Faz-me mal, porque custa. Faz-me bem, porque é isso que preciso de fazer agora. É respirar com as pontas dos dedos.
É claro que isto significa que os meus posts se vão tornar mais labirínticos, intimistas e imprevisíveis. Olhem, é a vida. Pelo menos é a minha. Mas prometo ir dando notícias do Guguinha às "tias" que só sabem dele por este meio.
O meu novo emprego é de administrativa, ou uma categoria semelhante, sei lá. É uma posição que consiste em atender telefones, sorrir ao público, receber pagamentos e preencher elementos numa base de dados.
O meu novo trabalho é escrever. Leio, leio, leio até encher a maré. E depois escrevo, escrevo, escrevo até ela vazar.
Tenho uma vida dupla, portanto. A certas horas do dia (e da noite), sou um ser social que comunica com as outras pessoas, ganha um ordenado e tenta fazer funcionar a infraestrutura de uma família. A outras horas, fecho-me com o computador e desapareço para o mundo. Escrever é o segundo acto mais solitário que conheço (o mais solitário, adivinhem). Faz-me perder a noção do tempo. Faz-me desconstruir a realidade para voltar a construí-la. Faz-me ver tudo de novo como se tivesse acabado de nascer. Faz-me mal, porque custa. Faz-me bem, porque é isso que preciso de fazer agora. É respirar com as pontas dos dedos.
É claro que isto significa que os meus posts se vão tornar mais labirínticos, intimistas e imprevisíveis. Olhem, é a vida. Pelo menos é a minha. Mas prometo ir dando notícias do Guguinha às "tias" que só sabem dele por este meio.
21 outubro 2008
vermelho
sangue. vida. verão. vaidade. ímpeto. coragem. ousadia. extravagância. alerta. urgência. ganância. fome. sede. sexo. cheio. tudo. mais. e mais ainda.
Estava demasiado vermelho. Agora atira-se para o ocre. Não há meio de encontrar o tom de vermelho da minha alma e do meu template mas vou continuar à procura.
Estava demasiado vermelho. Agora atira-se para o ocre. Não há meio de encontrar o tom de vermelho da minha alma e do meu template mas vou continuar à procura.
20 outubro 2008
gralha - new season
Não é só porque sabe bem deixar de usar o despertador. Nem é pela suavidade dos pequenos-almoços na cama, de sumo-tostas-e-café com livro. Nem sequer é só por ter tempo para brincar com o Gustavo de manhã, antes de o levar à escola (ainda por cima, com este tempo lindo). A minha vida nova que começa hoje é boa boa boa porque passei a ter tempo e espaço para mim. Posso arejar ideias. Posso observar as coisas à minha volta. Posso pensar, sonhar, especular, intuir. Ou, simplesmente, não fazer nada, e ficar apenas a admirar as folhas amarelas que se acumulam no jardim. A minha vida agora devolveu-me o que já não tinha há muito tempo: a mim. Sejam benvindos a este novo episódio.
A quem já está com vontade de me chamar parasita social: continuo a trabalhar, homessa! Tenho é um horário e um emprego diferentes.
A quem já está com vontade de me chamar parasita social: continuo a trabalhar, homessa! Tenho é um horário e um emprego diferentes.
14 outubro 2008
ah pois é
E ao terceiro dia de trabalho, o meu substituto no meu antigo (mas ainda actual) emprego desabafou: "ah, já estou a perceber por que é que se vai embora". E eu que achava que era mariquice minha ...Not!
Quero desde já pedir desculpa a toda a gente a quem nunca mais disse nada, deixei de comentar posts, responder a sms e e-mails, mas - será que ainda querem ouvir isto? - ando mesmo desgraçada de tempo. Para a semana fico plenamente dondoca, aí logo apareço.
Quero desde já pedir desculpa a toda a gente a quem nunca mais disse nada, deixei de comentar posts, responder a sms e e-mails, mas - será que ainda querem ouvir isto? - ando mesmo desgraçada de tempo. Para a semana fico plenamente dondoca, aí logo apareço.
10 outubro 2008
obrigada trinny e susannah
Hoje podia estar para aqui a queixar-me desta semana mas até a minha capacidade de choraminguice está cansada. De modo que vou esquecer toda a correria, todo o stress, todo o desespero e vou concentrar-me apenas na coisa mais positiva que me aconteceu esta semana, e que passo a relatar: fui às compras (de roupa) e não saí do centro comercial com vontade de chorar. Atenção, isto é um passo de gigante na minha vida.
Duvido que haja alguém que deteste mais fazer compras do que eu, o que leva a que o meu guarda-roupa seja constantemente escasso, fora de moda e em estado de decomposição. Mas isso é coisa do passado, minhas amigas (presumo que qualquer leitor do sexo masculino já tenha desertado a esta hora). Depois de duas semanas a ver a Trinny e a Susannah enquanto almoço, que agora é às extremamente infantis 11h45 da manhã, resolvi que o meu armário tinha de levar uma volta. E assim foi. Estou muito orgulhosa por, no espaço de uma semana, ter comprado:
um par de sapatos
um vestido
uns collants
uma blusa
dois pares de calças
Adivinhem lá qual foi o segredo para tanta eficiência?
hipótese a) estou cheia de dinheiro e não sei que destino dar-lhe
hipótese b) fui de olhos vendados
hipótese c) comecei a gostar de me ver ao espelho
hipótese d) fiz implantes de silicone e retirei 500gr a cada nádega
hipótese e) resolvi não experimentar nada e demorei uma média de 3 minutos entre a entrada e a saída de cada loja, comprando comprando que nem uma maníaca
Aviso já quem não acertar que nunca mais sou vossa amiga.
E depois do post mais gloriosamente fútil de 2008, só volto quando tiver uma vida normal de novo. Beijinho beijinho.
Duvido que haja alguém que deteste mais fazer compras do que eu, o que leva a que o meu guarda-roupa seja constantemente escasso, fora de moda e em estado de decomposição. Mas isso é coisa do passado, minhas amigas (presumo que qualquer leitor do sexo masculino já tenha desertado a esta hora). Depois de duas semanas a ver a Trinny e a Susannah enquanto almoço, que agora é às extremamente infantis 11h45 da manhã, resolvi que o meu armário tinha de levar uma volta. E assim foi. Estou muito orgulhosa por, no espaço de uma semana, ter comprado:
um par de sapatos
um vestido
uns collants
uma blusa
dois pares de calças
Adivinhem lá qual foi o segredo para tanta eficiência?
hipótese a) estou cheia de dinheiro e não sei que destino dar-lhe
hipótese b) fui de olhos vendados
hipótese c) comecei a gostar de me ver ao espelho
hipótese d) fiz implantes de silicone e retirei 500gr a cada nádega
hipótese e) resolvi não experimentar nada e demorei uma média de 3 minutos entre a entrada e a saída de cada loja, comprando comprando que nem uma maníaca
Aviso já quem não acertar que nunca mais sou vossa amiga.
E depois do post mais gloriosamente fútil de 2008, só volto quando tiver uma vida normal de novo. Beijinho beijinho.
06 outubro 2008
afinal ainda faltava eu ficar coxa
Desculpem lá, leitores, mas isto a minha vida agora anda (coxeia) pelas ruas da amargura por isso não consigo escrever nada melhor. Qualquer dia volto com posts super animados, que vos fazem querer sair da cama de manhã só para abrir o gralha dixit; que fazem o sol brilhar com mais intensidade; que dão um novo significado ao conceito de blogue; que contribuem para uma verdadeira revolução literária internacional.
(pronto, pelo menos o meu ego continua lá pela ionosfera)
(pronto, pelo menos o meu ego continua lá pela ionosfera)
02 outubro 2008
acerca do casamento entre homossexuais
Mas por que é que dois adultos responsáveis e sem compromissos não hão de poder assinar um papel a dizer que querem viver juntos para o resto da vida (ou até se divorciarem) e que, quando morrerem, os bens que deixarem ficam para o outro? É que parece tão simples que não consigo mesmo compreender a dúvida.
Subscrever:
Mensagens (Atom)

