16 janeiro 2012

no bom caminho

Chegam do supermercado com a cesta cheia. Preparam o jantar, limpam a cozinha (vassoura, esfregona, tudo em ordem), comem. A sopa está quente, está sempre demasiado quente. No fim, arrumam a louça e pegam na cota de malha, no escudo, capacete, machado, espadas. São cavaleiro e escudeiro, e esta é a hora de praticar as artes da guerra. Os meus filhos e os derradeiros (e preferidos) presentes de Natal.

14 janeiro 2012

sopeiro-log, versão gralha

Aproveitando a irritação do momento, com a suposta promoção Continente-EDP, não resisto partilhar como passámos a poupar 15€ semanais com o supermercado. Pelo simples facto de ter deixado de consumir Belmiro e ter passado a Jerónimo + frutaria, o nosso orçamento semanal para comida passou de 60€ para 45€, incluindo tudo menos os almoços semanais dos meninos, que são na escola. Obrigadinha, EDP, podem lá ficar com o desconto. Só gostava de ter onde colocar paineis solares para me ver livre da vossa raça.

13 janeiro 2012

a visibilidade da dor

Estava agora a ler a notícia do casal italiano que se suicidou por causa da crise e pareceu-me mesmo sintomática deste momento na nossa história colectiva. (Não ponho a hiperligação porque a qualidade jornalística da notícia está má demais, como a encontrei, e ainda não a vi noutras fontes de informação)
Deus abençoe os italianos e a sua expressividade. Como é bom que haja quem esperneie sonoramente, quem não esteja satisfeito e não se satisfaça com likes em movimentos sociais online, ou com manifestações que são pouco mais que o ajuntamento diurno dos mesmos que estão no Largo do Camões à uma da manhã.
Este casal insatisfeito apelou às mais altas instâncias. E não foi ouvido. E, tristemente, tomou a drástica decisão, para a vida e para a morte, de dizer que assim não dava. É que este sistema não dá mesmo. Não sou de esquerda, não acho que a distribuição dos bens deva ser igualitária mas meritocrática (não falo de oportunidades, atenção!). Mas não faz mesmo sentido que um conjunto de empresas do sector financeiro continue a engordar quando há cada vez mais pessoas a pagar essa engorda à custa de dificuldades que já entram na definição socioeconómica de efectiva pobreza. Não é que um casal de meia idade e o seu acto neo-shakespeariano vão mudar o mundo. Pode ser que aumentem só um bocadinho a visibilidade da dor colectiva, que é demasiado silenciosa, demasiado envergonhada.

10 janeiro 2012

voltar a estar bem

Culpo a crise, culpo o discurso sobre a crise, os media em geral, o mês, as incertezas, a falta de exercício físico, o excesso de carne vermelha, o incompetente que só nos montou meia janela, o fim da segunda visualização de todas as temporadas do Lost; mas o problema está lá, no atirar culpas para tudo. No estar permanentemente zangada, irritada, afrontada. Gostava que me passassem uma receita médica para esta condição, que a receita espiritual que geralmente funciona parece estar suspensa por tempo indeterminado. Em não sendo possível, se me arranjarem uma boa receita de bolo de chocolate branco (era isso, não era, Melissa?), acredito que também possa ajudar.

09 janeiro 2012

penedos, castelos e o Tejo

Fim-de-semana bom, bom, de passeio pela Beira Baixa e Alto Alentejo e muito tempo só para andar, parar, conversar, comer, descansar a dois. Vimos e revimos terras lindas desde Monsanto até Marvão (onde conheci finalmente a Catarina e a sua linda Mercearia), enchemos o coração de orgulho da nossa terra e tivemos só um bocadinho de pena que haja já tão pouca gente em muitos destes sítios. O melhor de tudo foi mesmo rever o lugar onde a nossa história, enquanto casal, começou - uma terra linda onde fazíamos os estágios de remo na adolescência. É maravilhoso voltar onde fomos tão felizes, onde nos ríamos até doer a barriga, e onde tudo era tão simples.

06 janeiro 2012

da vida nova

Anda tudo um bocado de pernas para o ar. Gosto de rotinas e não gosto de passar a vida a ter de alterar rotinas. Mas também gosto muito do meu trabalho novo e, por isso, vale a pena todo o stress e confusão do malabarismo com casa, filhos, e trabalho a tempo inteiro sem flexibilidades. Faz-me muita falta ler e correr, não sei ainda como reencaixar isso nas vinte e quatro sobre sete. Detesto Janeiro, detesto estar com este humor de cão. Mas o céu está azul, os meninos não estão doentes (toc toc toc!) e hoje vamos fim-de-semanar para a aldeia mais portuguesa de Portugal (obrigada amigos que o proporcionaram). Já agora, alguém se oferece para desfazer a minha árvore de Natal?

04 janeiro 2012

luxos domésticos

 Filho grande
Filho pequeno

Pai

Mãe

Mais o frango do campo e a fruta e legumes nacionais da frutaria da esquina para toda a família. O resto é mesmo marca branca. Quando ouço quem diz que tem de poupar e vai, por isso, cortar nos jantares fora, no cinema, nos concertos, nas 'escapadinhas', nas idas à Zara, no cabeleireiro, torna-se claro que o conceito de poupança é muito relativo. Absurdo, às vezes.

03 janeiro 2012

purificação

Estava a precisar de comprar uma daquelas embalagens de seiva de ácer, ou lá o que é, e passar uma semana a enxaguar-me por dentro com aquilo. Lavar as entranhas, limpar sedimentos, levar memórias e avivar outras que se perderam.

(terceira semana num mês com filhos doentes - não dá para mais que isto)

01 janeiro 2012

vivendo de acordo com o IVA

Nova resolução para 2012: não beber mais nada taxado a 23%. Que ressaca mais cadelenta...

30 dezembro 2011

tem mesmo de ser?

Quem está com vontade de começar 2012 ponha o dedo no ar... Ninguém? Pois, bem me parecia que não era só eu, e até tenho tantas coisas boas à minha espera neste início de ano. Parece que estamos todos numa gigante sala de espera do dentista para nos tirarem os sisos sem anestesia.
Enfim, angústias à parte, este ano que passou pareceu-me imenso. Teve direito a um pouco de tudo, não foi um ano particularmente notável na minha vida, mas foi um tempo de crescimento e de afirmação. Trabalhei, mimei, li, viajei, não chorei muito, podia ter sorrido mais, podia ter corrido mais, tudo o que havia a correr bem, correu melhor ainda. E estou em casa. Isso ainda me aquece o coração, parece impossível.
Resoluções para 2012: tomar os meus Ómega 3, aprender a escrever, fazer as pazes com as minhas impossibilidades. Os comprimidos, a inscrição no curso e a boa vontade já cá cantam. Boas entradas!

27 dezembro 2011

pavlov e a tosse

Filho: cof-cof
Mãe (saltando da cama): Será que se destapou?
Filho: cof-cof-cof
Mãe (debruçando-se sobre o berço): aposto que a febre está a subir outra vez...
Filho: cof-cof-cof
Mãe (recuando pé-ante-pé): Será que o devia levar ao hospital???
Filho: cof-cof
Mãe (voltando a deitar-se): Será que é suficiente o que estou a fazer?
Filho: cof-cof-cof-cof-cof!
Mãe: meu amor... quem me dera trocar contigo!
Filho: cof-cof-brlhaaahhhhh
Mãe (saltando da cama, de novo): pronto, lá vão mais uns lençóis para lavar. Pelo menos soltou aquela porcaria toda.
Filho: zzzzzzz...
Mãe: Por que é que tenho tanta responsabilidade sobre estas duas vidas?! Nunca mais procriar, nunca mais procriar, nunca mais procriar!

stress pós-natal

As festas foram pacíficas e houve tudo a que temos direito (menos as rabanadas da minha avó). O stress é a quantidade de brinquedos que tomou o quarto dos meus filhos. A sério que fico com palpitações quando vejo tanta coisa espalhada pelo chão, pelas estantes, pelo beliche. Nós, pais, esforçamo-nos para que seja tudo contido, simbólico, na medida do necessário; mas há um exército de avós, tios e primos que não resiste a assaltar as lojas de brinquedos. Ai a minha vidinha... E agora vou ali dar o antipirético ao mais pequeno, que resolveu adoecer só para eu não dar sumiço a tanta tralha, aposto.

24 dezembro 2011

23 dezembro 2011

tão, tão pequeninos

Se alguém lesse blogues entre 23 de Dezembro e 2 de Janeiro, ainda poderia haver quem me acusasse de paternalismo devido ao que vou escrever. Tendo em conta a data de publicação, não há problema, isto é só uma pequena recordação de Natal para mim.

"NEW JERSEYANS CAPTURE 50 YEARS OF OPEN SPACE
         PROTECTION AND PARK DEVELOPMENT IN GREEN ACRES PHOTO CONTEST

"A couple enjoying a beautiful afternoon at Mercer County Park. Fog lifting at Morris County's Black River Wildlife Management Area. A white-tailed deer flicking its tongue at the South Branch Reservation in Hunterdon County.

These are just some of the scenes of New Jersey's natural beauty honored with awards in the DEP's Green Acres Program's 50th anniversary photo contest. The contest, which drew hundreds of participants, capped a year-long DEP celebration of the first Green Acres bond act, the landmark law that set New Jersey on the path to becoming a national leader in the preservation of open space.

"The Christie Administration is committed to the continued preservation of parks and natural landscapes such as those showcased in these photographs," DEP Commissioner Bob Martin said today in announcing the awards. "Through their photographs, these artists are showing all of us why land preservation is such an important part of the DEP's mission."

The winning photos were displayed last week at the State Museum in Trenton during the Governor's Environmental Excellence Awards ceremony. They are now on display at the lobby of the DEP headquarters in Trenton."

Isto é a vida na Nova Jérsia. Familiar. Desligada do mundo. Encantada com os seus Altos Representantes. Imersa na bruma da floresta apalachiana. Bambis saltitantes, tarte de maçã e centros comerciais. Portugal precisava tanto de um pouco desta inocência.

22 dezembro 2011

esquilifiquei (ou ursifiquei, conforme preferirem)

Ando numa fase de encher o bandulho. Mas não é um encher o bandulho por fome, por carência ou por fastio. É quase uma missão, não sei explicar (também não é gravidez!). Trazem-me chocolates, como os chocolates todos. Trazem-me empadas, empado-me. Visitam-me com um saco de croissants, lá vêm eles deslizar-me pela faringe abaixo. Acho que preciso. É o Inverno que começa. Já que não posso realmente parar, dormir, hibernar, pelo menos estofo o esqueleto.

21 dezembro 2011

as tais outras mudanças

A partir de Janeiro, vou começar um novo trabalho. A consciência pesa-me graniticamente - porque devo muito a quem me emprega agora, que permitiu que regressasse a Portugal - mas às vezes temos de ser crescidinhos e tomar decisões racionais e, por que não admiti-lo?, um pouco egoístas. Digo adeus às relações laborais, ao horário flexível e ao trabalho a partir de casa; digo olá a um ambiente de que gosto muito, de onde saí em 2008, a um trabalho que realmente me interessa, e a um ordenado de acordo com as minhas qualificações. Estou feliz. 2012 começa com incertezas, com dificuldades a toda a minha volta, com muitas dúvidas acerca de como será a vida de nós todos daqui a 365 dias. Mas começa também com uma oportunidade de fazer alguma coisa que me dá prazer. Desejo o mesmo a todos que me são queridos.

suave censura

Vendo o primeiro episódio da Pan Am

(pequeno aparte: não vejam a série a menos que estejam dispostos a fazer uma maratona de cirurgias plásticas, de que necessitarão depois de descobrirem todas as imperfeições em vós que aquelas grandes nojentas lindíssimas vos evocarão para todo o sempre)

fiquei a interrogar-me por que é que há tantas mulheres que levam a vida a sentir-se julgadas pelas mães, como se fossem eternas meninas de 8 anos. Nem acho que o problema esteja nas mães - essas, há-as de todos os feitios, das indiferentes às tirânicas; mas por que é que crescemos, fazemo-nos adultas, e não deixamos de ouvir aquela voz familiar a dizer "bem te disse para baixares o lume" quando o arroz fica colado ao tacho? Não há crueldade nesse julgamento que recriamos uma vez após outra. Há só a sensação de que não nos esforçámos o suficiente, de que não alcançámos a meta e que, por muito penteadas e bem vestidas que estejamos, por mais limpa, arrumada, organizada que esteja a nossa casa (a nossa vida!), falta sempre um pequeno nada. Nunca seremos perfeitas como as nossas mães. E, de alguma forma, sinto uma pequenina alegria ao saber que nunca vou causar essa reacção a uma filha.
Já as grandes galdérias das minhas futuras noras estão feitas ao bife.

20 dezembro 2011

desemigração total

A propósito deste post da Melissinha, e passados três meses de regresso, tenho a dizer que me sinto totalmente desemigrada. Nem um bocadinho imigrada, desintegrada ou baralhada. Note-se que só estive dois anos a viver lá fora mas, ainda assim, acho que é mais casmurrice patriótica do que outra coisa que pesa para esta condição. Estou mesmo (bem) em casa. E não é por isso que acho que isto é o Paraíso. As coisas que me doíam em Portugal, continuam a doer: o complexo de inferioridade, a condução bélica, a falta de capacidade de trabalho. São os defeitos de um país, que conheço e com os quais convivo como se de um progenitor se tratasse. E também não é por isso que deixei de comer torradas com manteiga de amendoim e doce, ou que voltei a gostar de futebol e telenovelas. Na verdade, Margarida, acho que mudamos mas não temos de nos sentir para sempre expatriados. Boa viagem de regresso e não te esqueças do doce!

19 dezembro 2011

ainda antes do ano novo

A minha vida muda um pouco e ainda pode mudar mais. Veremos. Para já, o meu "pescador" passa a ficar em terra a maior parte do tempo. Coimbra fica só para as visitas ocasionais. (e esta noite bem sorri de todas as vezes que não me levantei para pôr chuchas e consolar sonos inquietos)

16 dezembro 2011

fashionismo autista

É verdade, cá vai mais um post sarcástico. Temos pena mas o filtro que normalmente controla a minha inclinação natural para a maledicência deve estar perdido no meio da pilha de roupa que tenho para passar.
Ora bem, uma pessoa está no Inverno e em Portugal, certo? Obviamente, precisa de vestuário de lã, pelo menos para as crianças. Ou não? Ou sou só eu que não compreendo como é que as Zaras deste mundo só vendem camisolas de algodão, na melhor das hipóteses com misturas de viscose e spandex? Nem vou entrar na questão dos vestidos e blusas de manga curta para senhoras. A sério, pessoas, acham mesmo que podemos usar o mesmo vestuário que nos restantes países ocidentais, onde todos os ambientes fechados têm aquecimento central a 23ºC? Não, não podemos. Temos de nos agasalhar. Sob pena de andarmos sempre fungosos. E depois culpamos as alergias e o Governo. Então é assim, retalhistas: os portugueses não precisam de sweat-shirts fininhas, os portugueses precisam de camisolas feitas de pelo de ovelha. E de meias. E de calças grossas. Aqui faz um frio húmido desgraçado, isso dos Invernos temperados é uma mentira descarada que se vende aos turistas.