Para grande pena minha, hoje não vou poder estar lá mas
agradeço que façam chegar a minha mensagem ao Aníbal:
“Sr. Presidente, quero acreditar que o senhor não é burro
(como é o PM). Quero acreditar que, apesar da sua perturbação no espectro do
autismo, o senhor consegue ver as imagens e ouvir as vozes das pessoas que
estão aí à sua porta. Essas pessoas não se estão a manifestar porque são
preguiçosas nem porque gostavam de poder almoçar na praia a 50 euros a cabeça,
como vejo regularmente o senhor fazer – e permita-me desde já congratulá-lo por
essa ginástica orçamental, dada a sua parca reforma. Não, senhor Presidente,
essas pessoas estão é em sérias dificuldades para sobreviver a cada dia, ou
conhecem várias pessoas que assim estão. E desagrada-lhes que, ao mesmo tempo,
haja uma minoria que não faz nada de produtivo, que não tem qualificações, e que
recebe ordenados que lhes permitem todos os almoços na praia que quiserem. E
essas pessoas também estão maçadas porque tudo indica que este esforço todo
será em vão. Por isso, peço-lhe que considere seriamente tomar as medidas que
só a si lhe competem – ou usa da sua doçura para persuadir o senhor PM que tem
de mudar drasticamente a orientação que leva, ou diz-lhe simplesmente que está
na hora de, também ele, ir estudar para Paris. Melhores cumprimentos, gralha.”





