Ainda vou encontrando pessoas que não via desde a temporada
nos EUA. Sucedem-se as mesmas perguntas, a mesma incredulidade quanto à
intenção do retorno, o mesmo silêncio perante as minhas respostas breves e
serenas. Depois destas conversas, volto a interrogar-me acerca do sentido do regresso
e, uma vez mais, vejo que tudo está onde devia estar: Eu, agora, aqui. Eu,
naqueles dois anos, a passar por tudo aquilo.
Enquanto conduzia sob a chuva fininha desta manhã, regressei ao trajecto da Route 31 para chegar a Flemington. O nosso Taurus a guinchar permanentemente e os estofos a cheirar a tabaco. Aquela estrada que subia devagarinho a montanha e onde apareciam ursos pretos no fim do Verão. A Magic 98.3 a passar Ace of Base (ou qualquer outra coisa intragável do género), o copo de papel com o café do 7/11 a escaldar esperando na consola central, e eu mais sozinha que nunca. O bom e o mau de estar assim no meio do nada. A convicção profunda de que, por muita necessidade que tenhamos de espaço e de tempo só para nós, o longe pode mesmo ser longe demais. Os anos passam e vamo-nos tornando cada vez mais nós próprios. E parte disso é não sentir necessidade de justificar aos outros aquilo que, para nós, é evidente e fundamental
Enquanto conduzia sob a chuva fininha desta manhã, regressei ao trajecto da Route 31 para chegar a Flemington. O nosso Taurus a guinchar permanentemente e os estofos a cheirar a tabaco. Aquela estrada que subia devagarinho a montanha e onde apareciam ursos pretos no fim do Verão. A Magic 98.3 a passar Ace of Base (ou qualquer outra coisa intragável do género), o copo de papel com o café do 7/11 a escaldar esperando na consola central, e eu mais sozinha que nunca. O bom e o mau de estar assim no meio do nada. A convicção profunda de que, por muita necessidade que tenhamos de espaço e de tempo só para nós, o longe pode mesmo ser longe demais. Os anos passam e vamo-nos tornando cada vez mais nós próprios. E parte disso é não sentir necessidade de justificar aos outros aquilo que, para nós, é evidente e fundamental
*On the road, do Jack Kerouac. Mais um que ainda preciso de ler - que isto do sonho americano à distância de um postal ilustrado tem outro encanto.

