Entre o canal e as casas, na zona de cheia, os jardineiros construíram colinas simétricas com a relva cortada a prumo. Os miúdos trepavam-nas e desciam a alta velocidade, a caminho da entrada para a nossa floresta, e mal dávamos por aqueles relevos artificiais de que se apropriaram as marmotas. Escavavam tocas muito bem dissimuladas e quase não se deixavam ver, desdenhosas da urbanidade dos veados que roíam a erva daninha do estacionamento das bicicletas.
Ao anoitecer, alguém ligava o coro de rãs, à desgarrada com os pica-paus. E os efeitos de luz em directo na varanda, instalações naturais de pirilampos. Jantávamos descalços e eu engolia com a sandes de atum o fim de mais um dia contrariado. O meu bebé chorava muito e metia à boca uma mãozinha de uvas-passas. Depois os trovões estalavam e a chuva escorria finalmente de alívio do calor espesso de Julho.
Na temporada dos furacões, tenho só um bocadinho de saudades de Princeton.
10 julho 2014
09 julho 2014
a mãe mula
A mochila da praia, com almoço e lanche. O saco com o equipamento de corrida e mudas de roupa. A mala do computador. A lancheira. A mochila da natação. A minha carteira. Antes de sair de casa, recolho cada um destes itens alinhados no corredor, distribuo alguma coisa pelos ombros magricelas das duas criaturas que pastoreio até ao carro, e amontôo o resto no meu lombo. Não pesa muito, o lombo está habituado. A parte mais difícil de ser mãe mula não é a tralha material que anda sempre de arrasto, é tudo aquilo de que temos de lembrar-nos e os detalhes minúsculos associados a cada coisa. O penso rápido que é preciso aplicar sobre a ferida imaginária. Quais as unhas que precisam mesmo de ser cortadas. A fruta em segunda mão que salta de um almoço de ontem para o meu lanche de hoje. Os pesadelos que precisam de ser soprados com muita força. A promessa de um segundo beijinho à noite, quando já estão adormecidos, para selar um dia cheio de areia e golpes de judo. Não precisava de mais mãos mas dava-me cá um jeitaço uma app qualquer que me fosse recordando destas miudezas tão importantes. E são só dois.
08 julho 2014
enquanto dormimos
Não há relógio a fazer tiquetaque. O pó avança sobre os livros. Os cabos dos headphones enlaçam-se traiçoeiramente. Nasce uma nova geração de moscas dos pêssegos empilhados na fruteira da cozinha. Os sapatos estão quietos no armário e a roupa seca no estendal. E eu acordo com o ataque de espirros das duas da manhã. Sempre por volta das duas da manhã. Não tenho explicação para estas alergias com hora marcada senão a apoteose do meu sono mais profundo: dormindo triunfalmente, atinjo o cume do descanso e o corpo pede esta quebra antes de iniciar a descida até à manhã.
07 julho 2014
profissão de fé
À roda de uma mesa comprida, 13 quase desconhecidos encavalitados em cadeiras desirmanadas. Os cotovelos hesitantes sobre as toalhas de papel, olhares como insectos nervosos à procura de um sítio seguro para aterrar, traças acabadas de sair dos casulos, cílios empretecidos a preceito e sobrancelhas vigilantes. Lança-se uma palavra ao ar. A resposta é devolvida no ritmo certo, o guião do diálogo desenhando-se devagar nas idas e vindas de vozes apalpando terreno nos primeiros voos para lá da conversa de circunstância.
E logo o espaço ganha dimensões de cima, baixo e fundo. As cores intensificam-se e os cheiros acendem-se. O vinho branco sabe melhor, mais fresco, mais cósmica a ligação com o pão quente e o hummus. Os sorrisos já não se fabricam, escapam. E 13 quase desconhecidos são quase 13 conhecidos, dando-se, confiando, encostando as costas às costas da cadeira, as mãos falam depressa e escavam as afinidades que espreitavam à superfície da lama seca da cerimónia inicial. Cada um a seu jeito, oferecendo-se e confirmando-se, ouvindo o eco das suas palavras e tirando significados muito profundos de cada frase profetizada. Cada um com a satisfação de passar a ser um nome na consciência do outro, um indivíduo, uma identidade triunfando sobre o frio escuro do anonimato. Regressam a casa um pouco mais cheios de si. Um deles percebe até que, sim, o melhor ainda está para vir. Retirou pouco dos exemplos aleatórios das histórias ouvidas à distância, como se imersas no fundo de uma piscina. Confirmou, na verdade, o sentido do caminho improvisado a cada dia e prometeu ser mais como ele próprio e menos como aqueloutros, perdidos. Chegando a casa, entrou silenciosamente na cama e aproximou-se com mansidão cansada do corpo quente com quem partilha as horas vulneráveis.
E logo o espaço ganha dimensões de cima, baixo e fundo. As cores intensificam-se e os cheiros acendem-se. O vinho branco sabe melhor, mais fresco, mais cósmica a ligação com o pão quente e o hummus. Os sorrisos já não se fabricam, escapam. E 13 quase desconhecidos são quase 13 conhecidos, dando-se, confiando, encostando as costas às costas da cadeira, as mãos falam depressa e escavam as afinidades que espreitavam à superfície da lama seca da cerimónia inicial. Cada um a seu jeito, oferecendo-se e confirmando-se, ouvindo o eco das suas palavras e tirando significados muito profundos de cada frase profetizada. Cada um com a satisfação de passar a ser um nome na consciência do outro, um indivíduo, uma identidade triunfando sobre o frio escuro do anonimato. Regressam a casa um pouco mais cheios de si. Um deles percebe até que, sim, o melhor ainda está para vir. Retirou pouco dos exemplos aleatórios das histórias ouvidas à distância, como se imersas no fundo de uma piscina. Confirmou, na verdade, o sentido do caminho improvisado a cada dia e prometeu ser mais como ele próprio e menos como aqueloutros, perdidos. Chegando a casa, entrou silenciosamente na cama e aproximou-se com mansidão cansada do corpo quente com quem partilha as horas vulneráveis.
04 julho 2014
o resultado de acordar às 5h30
É já ter tomado 3 pequenos-almoços às dez da manhã. E achar que não vamos deixar o ratinho à solta até à uma da tarde, que isto a vida não é para andar a sofrer à toa.
Também é chegar às sete da tarde a implorar por uma caminha. Mas vale a pena a alvorada prematura, vale tanto a pena.
Também é chegar às sete da tarde a implorar por uma caminha. Mas vale a pena a alvorada prematura, vale tanto a pena.
03 julho 2014
promessas, leva-as o vento. literalmente
Que é isto que vejo ali a espreitar à janela, será o sol? Está a fazer-se difícil esta temporada, o malandreco. Meu amigo, vê se te deixas de hesitações. Não é só porque há que respeitar compromissos, porque há gente a fazer as malas a medo para ir de férias, ou porque a economia nacional precisa do empurrão da indústria cervejeira, é que tenho duas razões de peso para te exigir solidez na demonstração das tuas capacidades plásmicas:
1. Uma com sete anos e uma baliza dentária tão ampla que até um jogador da selecção portuguesa marcaria golo. Falta-lhe vitamina D para desenvolver as chicletes e ir a tempo de roer maçãs no Outono;
2. Outra com quatro anos que anda a arrastar as alergias de Primavera, ao ponto de ter de continuar a tomar a medicação que "é só até ao Verão" (médico dixit) e de nos ter dado uma noite daquelas. Ah, é verdade, tu não sabes o que é a noite, quanto mais daquelas. Hás de dar à luz uma supernova com vias respiratórias delicadas e depois logo conversamos.
1. Uma com sete anos e uma baliza dentária tão ampla que até um jogador da selecção portuguesa marcaria golo. Falta-lhe vitamina D para desenvolver as chicletes e ir a tempo de roer maçãs no Outono;
2. Outra com quatro anos que anda a arrastar as alergias de Primavera, ao ponto de ter de continuar a tomar a medicação que "é só até ao Verão" (médico dixit) e de nos ter dado uma noite daquelas. Ah, é verdade, tu não sabes o que é a noite, quanto mais daquelas. Hás de dar à luz uma supernova com vias respiratórias delicadas e depois logo conversamos.
02 julho 2014
peregrinos
pe•re•gri•na•ção
Substantivo feminino
1. Acto de peregrinar.
2. Viagem em países longínquos.
3. Viagem em romaria a lugares santos e de devoção.
4. Visita feita na intenção de homenagear um lugar onde viveu alguém que se venera.
(cf. Priberam)
Grande parte da História humana tem sido escrita sobre o joelho, desde os tempos em que o nomadismo era a regra até aos nossos dias sedentários, em que arrancamos periodicamente as raízes à terra para procurar o que nos falta. E falta sempre alguma coisa, não é verdade?
As peregrinações configuram a própria fundação do cristianismo e estão ligadas a todas as religiões monoteístas (e não só). O conceito de espiritualidade em movimento atravessa confissões e grupos mais ou menos fechados; desde sempre, sentimo-nos mais próximos de nós e do transcendente quando nos desinstalamos, carregamos só o essencial às costas e fazemo-nos à estrada.*
Anda para aí muita gente zangada com a instituição do dia nacional do peregrino, dado o carácter laico do nosso estado. Acho bonita a homenagem aos muitos peregrinos portugueses e a quem os apoia na sua jornada. No entanto, confesso que preferia que tivessem escolhido outra data, desassociando o conceito das aparições em Fátima e evitando ampliar a cada vez maior distância entre os devotos marianos e os cépticos e críticos deste fenómeno de massas. Já agora, não contem comigo para a discussão deste tema: respeito todas as partes e manifesto a minha profunda ignorância sobre o assunto.
Partir em peregrinação é mais um dos projectos que vou adiando para quando o tempo não for um bem tão escasso e intermitente (e não o é sempre?). Agora que vou descobrindo o prazer de desacelerar, de parar para contemplar, de duvidar e confiar repetidas vezes, em mim, e nos outros, acende-se cada vez mais o desejo de entregar os meus passos ao caminho. Queira Deus e a vida que tenha a possibilidade de fazê-lo um dia.
* Já agora, para quem não tenha visto, um lindíssimo filme sobre o assunto é o The Way, escrito e realizado por Emilio Estevez, e protagonizado pelo pai deste, Martin Sheen.
Substantivo feminino
1. Acto de peregrinar.
2. Viagem em países longínquos.
3. Viagem em romaria a lugares santos e de devoção.
4. Visita feita na intenção de homenagear um lugar onde viveu alguém que se venera.
(cf. Priberam)
Grande parte da História humana tem sido escrita sobre o joelho, desde os tempos em que o nomadismo era a regra até aos nossos dias sedentários, em que arrancamos periodicamente as raízes à terra para procurar o que nos falta. E falta sempre alguma coisa, não é verdade?
As peregrinações configuram a própria fundação do cristianismo e estão ligadas a todas as religiões monoteístas (e não só). O conceito de espiritualidade em movimento atravessa confissões e grupos mais ou menos fechados; desde sempre, sentimo-nos mais próximos de nós e do transcendente quando nos desinstalamos, carregamos só o essencial às costas e fazemo-nos à estrada.*
Anda para aí muita gente zangada com a instituição do dia nacional do peregrino, dado o carácter laico do nosso estado. Acho bonita a homenagem aos muitos peregrinos portugueses e a quem os apoia na sua jornada. No entanto, confesso que preferia que tivessem escolhido outra data, desassociando o conceito das aparições em Fátima e evitando ampliar a cada vez maior distância entre os devotos marianos e os cépticos e críticos deste fenómeno de massas. Já agora, não contem comigo para a discussão deste tema: respeito todas as partes e manifesto a minha profunda ignorância sobre o assunto.
Partir em peregrinação é mais um dos projectos que vou adiando para quando o tempo não for um bem tão escasso e intermitente (e não o é sempre?). Agora que vou descobrindo o prazer de desacelerar, de parar para contemplar, de duvidar e confiar repetidas vezes, em mim, e nos outros, acende-se cada vez mais o desejo de entregar os meus passos ao caminho. Queira Deus e a vida que tenha a possibilidade de fazê-lo um dia.
* Já agora, para quem não tenha visto, um lindíssimo filme sobre o assunto é o The Way, escrito e realizado por Emilio Estevez, e protagonizado pelo pai deste, Martin Sheen.
01 julho 2014
noção do perigo
Desconfio que a minha capacidade de avaliar os riscos sofre da mesma hipermetropia que me afecta a visão: lá ao longe, compreendo-os e tiro-lhes as medidas com seriedade; cá ao perto, são uma mancha disforme que tendo a desvalorizar. Serei imune ao perigo, super-humana, e acharei que as coisas só acontecem aos outros? Não, nem pensar. Será que cresci apaixonada pela postura descontraída do meu pai, que sempre nos lançou para a vida a solo, com um para-quedas diminuto e um canivete suíço (enquanto a minha mãe bufava e ia amparando as quedas)? Provavelmente. O que é certo é que, perante um desafio, a minha postura natural segue o lema de que ter coragem não é não ter medo; é ter medo e fazer na mesma. Tenho medos instintivos e racionais mas, havendo caminho e pernas, avanço. Tenho passado incólume entre os pingos de chuva e isso se calhar não contribui para uma postura mais sensata e mais humilde. Os cuidados que tenho devem-se sobretudo à minha condição de mãe e de filha, não ao respeito intrínseco pela integridade do meu ser (o que está errado, é verdade).
Será que mesmo assim estou a transpor os limites do razoável quando, por exemplo, vou correr sozinha para Monsanto, de madrugada? Onde outros sussurram sobre a escuridão, o isolamento, ou as más intenções dos homens maus que perseguem as meninas indefesas, eu ouço passarinhos, o vento entre a folhagem, o silêncio dos raios de sol a penetrar a copa das árvores no cimo de uma colina. Não é preciso ler muitos policiais para saber que há azares e malfeitores. Mas isso significa que, por ser fêmea franzina, não posso dar-me ao luxo daqueles momentos de êxtase puro? Ou será que, quando deixamos que o medo nos condicione os caminhos estamos a abdicar do que há de mais precioso, a nossa liberdade?
Será que mesmo assim estou a transpor os limites do razoável quando, por exemplo, vou correr sozinha para Monsanto, de madrugada? Onde outros sussurram sobre a escuridão, o isolamento, ou as más intenções dos homens maus que perseguem as meninas indefesas, eu ouço passarinhos, o vento entre a folhagem, o silêncio dos raios de sol a penetrar a copa das árvores no cimo de uma colina. Não é preciso ler muitos policiais para saber que há azares e malfeitores. Mas isso significa que, por ser fêmea franzina, não posso dar-me ao luxo daqueles momentos de êxtase puro? Ou será que, quando deixamos que o medo nos condicione os caminhos estamos a abdicar do que há de mais precioso, a nossa liberdade?
30 junho 2014
a fronteira intransponível
É cada vez mais ténue, neste mundo tão mediatizado, a fronteira entre as esferas pública e privada. Contra mim falo quando digo que nos apropriamos com grande à-vontade de pessoas e acontecimentos públicos, como se comentássemos uma paisagem, ou um grupo de animais em cativeiro. Se o acontecimento é do conhecimento geral, está aberta a feira das opiniões, com descontos, saldos, destaques inflacionados, à vontade do freguês. Completamente à revelia dos sentimentos daqueles que estão, de facto, directamente envolvidos na ocorrência.
Só que aquilo que acontece à vista de todos é, antes de mais, uma situação pessoal e íntima, tratando-se de uma celebração ou de uma tragédia. E devíamos ter algum pudor antes de tecer observações à distância, por melhor que seja a nossa intenção. É triste que tenha sido a morte do filho de uma figura pública, mas que era também amigo do meu irmão, que me tenha feito sentir na pele o asco pela mediatização de tudo, a todo o custo. Não é justo forçar a passagem para o que é privado pelo fascínio mórbido de quem arrasta o olhar sobre um acidente na estrada, porque gosta de ser recordado da pequenez da nossa humanidade. Digno do Homem que passa em diante, respeitando, e reservando em silêncio discursos que ninguém encomendou.
Só que aquilo que acontece à vista de todos é, antes de mais, uma situação pessoal e íntima, tratando-se de uma celebração ou de uma tragédia. E devíamos ter algum pudor antes de tecer observações à distância, por melhor que seja a nossa intenção. É triste que tenha sido a morte do filho de uma figura pública, mas que era também amigo do meu irmão, que me tenha feito sentir na pele o asco pela mediatização de tudo, a todo o custo. Não é justo forçar a passagem para o que é privado pelo fascínio mórbido de quem arrasta o olhar sobre um acidente na estrada, porque gosta de ser recordado da pequenez da nossa humanidade. Digno do Homem que passa em diante, respeitando, e reservando em silêncio discursos que ninguém encomendou.
27 junho 2014
fel
Com certeza absoluta, só sei de uma pessoa que me odeia. Se mais alguém houver, disfarça o suficiente para me passar ao lado. O que não é difícil, dada a minha muito estimada inocência. Mas esta pessoa exala fumo tóxico quando passa à minha beira. Nunca percebi porquê e já desisti de tentar encontrar motivos. A cada oportunidade, encosta-me a uma esquina e lança-me o seu veneno com as mesmas presas lustrosas com que sorri cinicamente. Hoje estava muito cansada e a ferroada doeu. Só não custou mais porque tive, logo de seguida, uma boa notícia que me deixou respirar ao fim de vários meses de incerteza profissional.
Dizem que a bondade é contagiosa mas a maldade é muito mais requintada: com um jeitinho insidioso, fica a trabalhar pela calada e apodrece-nos as entranhas. Imagino como seria se coleccionasse ódios como tanta boa gente que para aí anda e mais se expõe. Lá se ia à vida este luxo que é a fé na humanidade.
Dizem que a bondade é contagiosa mas a maldade é muito mais requintada: com um jeitinho insidioso, fica a trabalhar pela calada e apodrece-nos as entranhas. Imagino como seria se coleccionasse ódios como tanta boa gente que para aí anda e mais se expõe. Lá se ia à vida este luxo que é a fé na humanidade.
26 junho 2014
prime donne
É ainda mais difícil do que ser rico e aspirar ao Reino de Deus: antes passará um camelo pelo buraco de uma agulha do que o comum dos mortais aceitará dignamente uma crítica. O ego é como a imagem corporal feminina, ou demasiado inchado, ou desgraçadamente débil, sendo raros os momentos de equilíbrio. Quem consegue ouvir um “não gosto desta tua obra” sem sentir amargura? Quem acolhe sugestões de melhoria com verdadeira humildade, agradecendo intimamente a possibilidade de fazer melhor?
Piores são os que se inclinam com desproporcional modéstia, julgando-se desmerecedores de atenção, quanto mais de elogio. Sem entrega apaixonada, produzem obra segura e evitam o ricochete das balas das reacções alheias. Já o autor amador morde a mão de quem destrata a sua obra, reagindo com violência à incompreensão, com desprezo à desconsideração. Quem ama o que faz, ressente-se se o outro não sente o que lhe foi oferecido de peito aberto. Aquilo que distingue uma prima donna histérica de um censurado elegante é apenas a penosa graciosidade com que este engole uma apreciação negativa.
Piores são os que se inclinam com desproporcional modéstia, julgando-se desmerecedores de atenção, quanto mais de elogio. Sem entrega apaixonada, produzem obra segura e evitam o ricochete das balas das reacções alheias. Já o autor amador morde a mão de quem destrata a sua obra, reagindo com violência à incompreensão, com desprezo à desconsideração. Quem ama o que faz, ressente-se se o outro não sente o que lhe foi oferecido de peito aberto. Aquilo que distingue uma prima donna histérica de um censurado elegante é apenas a penosa graciosidade com que este engole uma apreciação negativa.
25 junho 2014
a extensão das pequenas asas
Não me envolvi na barafunda que vai ali para os lados do Pais de Quatro mas confesso a minha surpresa perante as reacções de alguns leitores. É certo que o João Miguel Tavares é um grande provocador mas não estava à espera que a brigada das crash-test-mummies se erguesse com tamanha fúria. E o "crash-test-mummies" aqui é muito literal, para quem não tem passado por lá: trata-se das extremosas progenitoras que não descuram a segurança dos seus rebentos nem por um milissegundo.
Eu chumbaria vergonhosamente num teste desse género. Certo, a segurança dos meus filhos é responsabilidade minha e não é para relativizar; mas confesso que deixo o sentido prático levar a melhor muitas vezes e facilito com certas exigências. Não é por ter pretensões hippie nem para afirmar qualquer tipo de ideologia retro - uma tentação para muitas mães criadas aos atropelos em triciclos de alumínio e napa dos anos 80; é porque acho mesmo que o contacto com a insegurança faz parte de crescer. Lidar com o desconhecido e superar o medo também são ferramentas fundamentais para a vida.
Foi de coração apertado que mandei ontem, pela primeira vez, o mais velho à mercearia. Levava duas moedas na mão, passos hesitantes e regras bem aprendidas. Dobrou a esquina e deixei de vê-lo durante quatro minutos, durante os quais sustive a respiração e duvidei: estará já na altura certa? Quando regressou, tive no imenso sorriso e na excitação incontida do meu filho a confirmação de que foi um presente que lhe dei, mais este bocadinho de liberdade. O mundo está cheio de perigos - pelo menos que estejam os meus filhos conscientes disso, voando cada vez mais alto para longe do ninho, à medida da envergadura das suas asas.
Eu chumbaria vergonhosamente num teste desse género. Certo, a segurança dos meus filhos é responsabilidade minha e não é para relativizar; mas confesso que deixo o sentido prático levar a melhor muitas vezes e facilito com certas exigências. Não é por ter pretensões hippie nem para afirmar qualquer tipo de ideologia retro - uma tentação para muitas mães criadas aos atropelos em triciclos de alumínio e napa dos anos 80; é porque acho mesmo que o contacto com a insegurança faz parte de crescer. Lidar com o desconhecido e superar o medo também são ferramentas fundamentais para a vida.
Foi de coração apertado que mandei ontem, pela primeira vez, o mais velho à mercearia. Levava duas moedas na mão, passos hesitantes e regras bem aprendidas. Dobrou a esquina e deixei de vê-lo durante quatro minutos, durante os quais sustive a respiração e duvidei: estará já na altura certa? Quando regressou, tive no imenso sorriso e na excitação incontida do meu filho a confirmação de que foi um presente que lhe dei, mais este bocadinho de liberdade. O mundo está cheio de perigos - pelo menos que estejam os meus filhos conscientes disso, voando cada vez mais alto para longe do ninho, à medida da envergadura das suas asas.
24 junho 2014
capuchinho vermelho e os lobos maus
Sou incontornavelmente introvertida (ia dizer irremediavelmente, fintei a tempo o deslize). Já aqui confessei que evito o colectivo quando é possível e, não o sendo, ajusto a armadura para o combate que travo contra a vontade de isolar-me. Estou crescida e até disfarço medianamente: faço conversa de circunstância, não abdico do que gosto mesmo que isso implique conhecer pessoas novas, e sigo guiões de convivência cordial estabilizados ao longo de décadas de tentativa e erro.
Mas continua a custar-me a admissão numa nova tribo. E tratando-se de um grupo relativamente homogéneo e diferente de mim, custa ainda mais. Se é composto essencialmente de homens, mais velhos, batidos naquilo que me fez aproximar deles, é preciso lutar muito contra a minha natureza e pedir licença para entrar, de cabeça baixa. Vou entrando, ouvindo, desaparecendo para dentro da minha sombra. E com o passar do tempo orgulho-me mais de ir vencendo este obstáculo do que de todos os montes que consigo trepar, todas as rampas que corro com o peito a explodir, todas as horas que peço ao corpo que dê tudo. É que é muito mais fácil coagir pernas, braços e coração do que debelar temores antigos.
Mas continua a custar-me a admissão numa nova tribo. E tratando-se de um grupo relativamente homogéneo e diferente de mim, custa ainda mais. Se é composto essencialmente de homens, mais velhos, batidos naquilo que me fez aproximar deles, é preciso lutar muito contra a minha natureza e pedir licença para entrar, de cabeça baixa. Vou entrando, ouvindo, desaparecendo para dentro da minha sombra. E com o passar do tempo orgulho-me mais de ir vencendo este obstáculo do que de todos os montes que consigo trepar, todas as rampas que corro com o peito a explodir, todas as horas que peço ao corpo que dê tudo. É que é muito mais fácil coagir pernas, braços e coração do que debelar temores antigos.
23 junho 2014
recta final
Ainda falta mais de um mês para ir de férias mas já fazem muita falta. Tenho acumulado muita coisa. Não é glorificação da ocupação, é dizer que sim a isto e àquilo, sucessivamente. Não só trabalho mas também lazer, que se multiplica e me sai do corpinho. Não é queixa, isto, é um reparo. Tenho de desacelerar (até no ritmo de corrida) e encaixar tempos de paragem no meio da agitação. Dar lugar a nada, de vez em quando. E dar tempo a Quem espera pacientemente por um intervalo para entrar no momento oportuno.
20 junho 2014
os príncipes encantados que se cuidem
Aviso: este post pode conter *spoilers*. Mais para quem achar que os filmes de animação são uma questão estritamente de narrativa e não sobretudo de estética, mas pronto.
Fui ao cinema ver o Como Treinar o Seu Dragão 2. A grande “surpresa”: uma mãe heroína, mas de uma heroicidade pouco ortodoxa – quantas vezes temos figuras maternais que são anti-heróis, caídas em desgraça e resgatadas do fundo do poço? Esse costuma ser o papel reservado a agentes do FBI, espiões britânicos e, na loucura, vulgares pais ausentes. Mas aqui encontramos uma mãe que abandonou (!) a família em virtude das suas convicções e que, no entanto, é resgatada no coração da sua gente e do público em geral.
À primeira vista, isto contribui para convencer-me que as princesas de hoje já não são as indefesas donzelas de antigamente. Tal como aconteceu no Frozen (e até no Cars, para citar alguns dos preferidos dos meus filhos), personagens femininas agarram no seu destino pelas rédeas e os seus companheiros masculinos que se esforcem por acompanhar tanta pedalada. Mas logo retraio a impulsiva exclamação: “vês, filho? esta princesa é forte e corajosa como a mãe”. Abate-se sobre mim um cinismo primordial, aquele que vê neste exemplo mais uma revelação do actual reinado do politicamente correcto nos mass media de entretenimento.
Sim, senhor(a), há cada vez mais mulheres a fazer papel de gente e não de anémona, mas será que isso não corresponde à moda de dar sobredimensionado destaque às "coitadinhas" das minorias? Afinal, quando foi a última vez que vimos uma princesa Disney caucasiana (tirando a Elsa e a Merida, já sei), depois de um desfile de adoráveis meninas árabes, nativas-americanas, chinesas e afro-americanas? E por que é que agora todas as séries norte-americanas têm de picar o ponto nas personagens latino-americanas, afro-americanas, sino-americanas, não heterossexuais, e mais todos os outros nichos de eleitorado e mercado (que agora me escapam porque felizmente já não não tenho de gramar a horrenda publicidade made by Tio Sam há quase três anos)? Minha boa gente, não me entendam mal: é óbvio que eu acho que a ficção deve reflectir a diversidade da vida real, o que me chateia é que se use a colagem muitas vezes forçada dessa diversidade em prol de uma agenda comercial. Não quero ver princesas destemidas, com vontade própria, só porque isso vende mais tiaras de diamantes; quero vê-las porque só assim conseguem a identificação de novas gerações de meninas libertas da ditadura cor-de-rosa. E quero continuar a ver príncipes valentes a par dos seus sucedâneos inseguros e trapalhões, já agora. As neo-princesas também gostam deles assim e há emprego para todos no mundo encantado da animação.
Fui ao cinema ver o Como Treinar o Seu Dragão 2. A grande “surpresa”: uma mãe heroína, mas de uma heroicidade pouco ortodoxa – quantas vezes temos figuras maternais que são anti-heróis, caídas em desgraça e resgatadas do fundo do poço? Esse costuma ser o papel reservado a agentes do FBI, espiões britânicos e, na loucura, vulgares pais ausentes. Mas aqui encontramos uma mãe que abandonou (!) a família em virtude das suas convicções e que, no entanto, é resgatada no coração da sua gente e do público em geral.
À primeira vista, isto contribui para convencer-me que as princesas de hoje já não são as indefesas donzelas de antigamente. Tal como aconteceu no Frozen (e até no Cars, para citar alguns dos preferidos dos meus filhos), personagens femininas agarram no seu destino pelas rédeas e os seus companheiros masculinos que se esforcem por acompanhar tanta pedalada. Mas logo retraio a impulsiva exclamação: “vês, filho? esta princesa é forte e corajosa como a mãe”. Abate-se sobre mim um cinismo primordial, aquele que vê neste exemplo mais uma revelação do actual reinado do politicamente correcto nos mass media de entretenimento.
Sim, senhor(a), há cada vez mais mulheres a fazer papel de gente e não de anémona, mas será que isso não corresponde à moda de dar sobredimensionado destaque às "coitadinhas" das minorias? Afinal, quando foi a última vez que vimos uma princesa Disney caucasiana (tirando a Elsa e a Merida, já sei), depois de um desfile de adoráveis meninas árabes, nativas-americanas, chinesas e afro-americanas? E por que é que agora todas as séries norte-americanas têm de picar o ponto nas personagens latino-americanas, afro-americanas, sino-americanas, não heterossexuais, e mais todos os outros nichos de eleitorado e mercado (que agora me escapam porque felizmente já não não tenho de gramar a horrenda publicidade made by Tio Sam há quase três anos)? Minha boa gente, não me entendam mal: é óbvio que eu acho que a ficção deve reflectir a diversidade da vida real, o que me chateia é que se use a colagem muitas vezes forçada dessa diversidade em prol de uma agenda comercial. Não quero ver princesas destemidas, com vontade própria, só porque isso vende mais tiaras de diamantes; quero vê-las porque só assim conseguem a identificação de novas gerações de meninas libertas da ditadura cor-de-rosa. E quero continuar a ver príncipes valentes a par dos seus sucedâneos inseguros e trapalhões, já agora. As neo-princesas também gostam deles assim e há emprego para todos no mundo encantado da animação.
19 junho 2014
post it
Quando tiveres trabalho para fazer, gralha, ninguém estiver a controlar o ritmo de feitura do mesmo, e não conseguires obrigar os dedos a pressionar as teclas do computador no sentido do cumprimento do teu dever,
Coisas que (infelizmente já) NÃO resultam:
1. Apelar ao teu sentido de ética (que foi de férias para parte incerta);
2. Estabelecer horários (começas mesmo, mesmo a trabalhar às X horas);
3. Prometer recompensas (o quê?);
4. Apelar à culpa (tanta gente sem trabalho e tu no baldanço);
5. Ver vídeos deprimentes no YouTube (tentando trabalhar para esquecer as misérias alheias);
6. Ver vídeos engraçados no YouTube (para animar e dar energia - esta nunca resultou, quem é que eu estou a enganar?)
7. Visualizar-te em pânico no fim do prazo e com tudo para fazer.
Coisas que AINDA resultam.
1. Beber um café (a vesícula que se aguente);
2. Mudar as agulhas do que se está a fazer (em vez de rever, traduz; em vez de traduzir, edita; em vez de preencher bases de dados, pesquisa imagens).
E agora vai lá trabalhar, que vir para aqui escrever em hora de expediente não constitui o terceiro ponto da lista acima incluída.
Coisas que (infelizmente já) NÃO resultam:
1. Apelar ao teu sentido de ética (que foi de férias para parte incerta);
2. Estabelecer horários (começas mesmo, mesmo a trabalhar às X horas);
3. Prometer recompensas (o quê?);
4. Apelar à culpa (tanta gente sem trabalho e tu no baldanço);
5. Ver vídeos deprimentes no YouTube (tentando trabalhar para esquecer as misérias alheias);
6. Ver vídeos engraçados no YouTube (para animar e dar energia - esta nunca resultou, quem é que eu estou a enganar?)
7. Visualizar-te em pânico no fim do prazo e com tudo para fazer.
Coisas que AINDA resultam.
1. Beber um café (a vesícula que se aguente);
2. Mudar as agulhas do que se está a fazer (em vez de rever, traduz; em vez de traduzir, edita; em vez de preencher bases de dados, pesquisa imagens).
E agora vai lá trabalhar, que vir para aqui escrever em hora de expediente não constitui o terceiro ponto da lista acima incluída.
18 junho 2014
ordene as seguintes prioridades
Semanas de praia com a escola. Terceiro dia, terceira seca de quarenta e cinco minutos em relação à hora prevista de saída. O que devemos privilegiar de amanhã em diante?
1) pontualidade - continuar portanto a dar a alvorada a horas ramelosas, independentemente do que temos de esperar, dando o exemplo;
2) saúde mental - acordar toda a gente muito mais tarde, ignorar os horários estipulados e evitar birras de sono antes do jantar;
3) descontracção - acordar cedo mas desligar o barómetro interno, deixar a coisa fluir, se os dentes forem mal lavados, paciência, se o autocarro esperar por nós, azarecos.
Evidentemente que escolheria a terceira via se pudesse, meus amigos. Mas isto de terceiras vias, tal como na política, só funciona no plano ideal. Ou se eu me encharcasse de ansiolíticos logo pela fresquinha.
1) pontualidade - continuar portanto a dar a alvorada a horas ramelosas, independentemente do que temos de esperar, dando o exemplo;
2) saúde mental - acordar toda a gente muito mais tarde, ignorar os horários estipulados e evitar birras de sono antes do jantar;
3) descontracção - acordar cedo mas desligar o barómetro interno, deixar a coisa fluir, se os dentes forem mal lavados, paciência, se o autocarro esperar por nós, azarecos.
Evidentemente que escolheria a terceira via se pudesse, meus amigos. Mas isto de terceiras vias, tal como na política, só funciona no plano ideal. Ou se eu me encharcasse de ansiolíticos logo pela fresquinha.
17 junho 2014
se pudesse escolher-vos
Se a partir de agora pudesse seleccionar as pessoas que ainda me falta conhecer, aquelas com quem vale a pena criar novas relações, o casting seria breve e descomplicado. Isto de levarmos a vida a acontecerem-nos pessoas ao calhas e a eliminarmos – a custo – ligações pela negativa pode ser muito cansativo e traumatizante. Se escolhemos curso, casa, carreira (?) por aquilo que nos agrada, como seria bom poder filtrar toda a gente com quem lidamos por semelhantes critérios, em vez de passarmos tanto tempo a listar o que há de negativo nas personagens que involuntariamente preenchem boa parte do enredo da nossa biografia.
Entrem os candidatos: são inteligentes e criativos sem se levarem demasiado a sério? Fiquem para jantar. Donos da vossa individualidade mas imunes ao cântico de sereia da misantropia? Aceitem mais um copo de vinho com a sobremesa. Já tiveram mais certezas, mas aquelas que mantêm são estimadas e defendidas com firmeza? Como tomam o café? Têm paciência e sentido de humor para tratar com cortesia as nossas diferenças? Pois, voltem sempre.
Entrem os candidatos: são inteligentes e criativos sem se levarem demasiado a sério? Fiquem para jantar. Donos da vossa individualidade mas imunes ao cântico de sereia da misantropia? Aceitem mais um copo de vinho com a sobremesa. Já tiveram mais certezas, mas aquelas que mantêm são estimadas e defendidas com firmeza? Como tomam o café? Têm paciência e sentido de humor para tratar com cortesia as nossas diferenças? Pois, voltem sempre.
16 junho 2014
os consensuais
O consensual é um ser que se esforça constantemente por agradar a todos. O que é diferente de agradar constantemente a todos, feito impossível, pelo que o consensual serpenteia entre indivíduos e grupos agradabilizáveis, numa gestão cuidada de expectativas. O consensual é incansável no rebatimento de pequenas discordâncias que possam surgir. Domina o golpe de rins nas posições tomadas, sempre moderadas, e estica-se para chegar a todo o lado. O consensual não tem uma opinião; tem tantas quantas sejam necessárias para não desiludir ninguém. O consensual é galanteador, suave nas palavras, delicado nos gestos. O consensual tem por ambição fazer carreira política, e lá chegará se conhecer as pessoas certas (e conseguir convencê-las que, no meio de tanto consenso, tem um fraquinho secreto por elas). O consensual tem o sonho de ter um blogue que consiga para cima de imensas visualizações. O problema do consensual é que ainda não percebeu que o público precisa de sentir que é especial e cansa-se depressa de ouvir as mesmas banalidades mornas. O público quer distrair-se mas também procura quem o desafie, choque, provoque, confronte com autenticidade, ainda que isso arrisque perda de simpatia e audiência. É por isso que o consensual nunca será excepcional, por muito que se ponha em bicos de pés e acompanhe à hora certa cada tema quente da actualidade mediática.
12 junho 2014
elogio à professora
Findo o ano lectivo, o reconhecimento devido: gosto muito da professora do meu filho. Gosto que seja exigente mas não promova o espírito competitivo a todo o custo. Gosto que conheça cada um dos seus meninos. Gosto que faça deles seus meninos. Gosto que insista na abordagem pela positiva. Gosto que seja gira e confiante. Gosto que seja educada e que insista na importância da boa educação. Gosto que seja carinhosa com o meu filho e que puxe por ele, incutindo-lhe responsabilidade, deixando-me na confortável posição de acompanhar-lhe os estudos a boa distância, (para o ano logo falamos, já sei). Gosto que seja apaixonada viajante e tenha apoiado com entusiasmo o baldanço de um aluno a meio do ano, porque há valores mais altos que se levantam. Gosto que só marque trabalhos de casa ao fim de semana e que os esfalfe durante as aulas. Gosto que esteja no ensino público e que o defenda, com qualidade. Gosto que se preocupe, que invista, que invente, que dê o litro e que admita que agora precisa de férias, como todos nós. Graças a Deus por ter colocado esta pessoa no caminho do meu filho durante estes anos tão importantes para a sua formação académica e pessoal.
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