20 março 2026

Cartas postais

Repito a publicação desta fotografia, que surgiu neste blogue pela primeira vez a 11 de maio de 2006, porque não sei onde meti o postal que mandei a mim própria, durante as férias em Cuba. Lembro-me que continha uma mensagem encriptada com o nome do rapaz cubano que me deixou a suspirar, mas só a suspirar, que eu era uma rapariga comprometida. Como disse em portunhol na altura, "venir aquí es mejor si no tienes novio". Enfim. Cuba era, já na altura, muito mais do que calor e gente bonita. Mais até do que as horas de dança descalça no palco de madeira do resort de cinco estrelas. Muito, muito mais do que os Cadillacs preservados na perfeição, ou Habana Vieja com o nível de decadência em ponto de rebuçado para o turista. Era miúda e muito privilegiada, mas até eu percebi que Cuba era, acima de tudo, livre e digna.
Vê-la agora sem eletricidade, gente aflita neste preciso momento em que escrevo. Ameaçados de forma muito real por alguém que não tem quem o trave. Caramba... Como é que vamos olhar para este tempo e para estes lugares daqui a vinte anos? O que diríamos a nós próprios se pudessemos mandar cartas postais para o passado, alertando para o que iríamos testemunhar agora? "Saudações de Cayo Largo! Aprecia essa cuba livre porque o mundo vai estar de pernas para o ar não tarda nada!" Uma dúvida genuína: perante o absurdo, faz sentido manter a sobriedade?

Cartas postais do Largo:

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