Poucas são as vezes em que me aventuro até abaixo dos joelhos. Mesmo no fim do Inverno, lembro-me que são belos os pés, de peito alto. Vejo-os quando o sol permite mas não costumo chegar lá. Como aquelas terras onde só há uma estrada de acesso, tipo Campo Maior, ou Barrancos. São bonitas mas é preciso um pretexto para ir lá de propósito. A viagem faz-se, alías, de Norte para Sul. O caminho começa na curva occipital, contorna uma orelha, desce a pique no pescoço, forte e suave, depois logo se vê onde me apetece ir, na encruzilhada do peito ou das costas. Um braço, o outro. Nervos, músculos longos, tuda a superfície é impressão digital única. Ninguém como eu conhece de memória o toque deste corpo. Outras por lá passaram mas não foram tão aplicadas no estudo desta geografia. Todos os dias, todas as noites, quase há uma década. A erosão do tempo mexeu muito mais com o subsolo do que com aquela terra que a minha pele visita. Não posso descurar o estudo, no entanto. Uma aluna exemplar não deixa que a familiaridade a torne preguiçosa. Revejo a matéria, atualizo os mapas e agora isto resvalava tão facilmente para um final brejeiro mas sou uma senhora, era o que faltava.
O Largo é chamado ao quadro:
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