09 maio 2006
crónicas
Que bom, que bom, que bom! Eu posso não poder passar a vida a viajar - infelizmente, ainda não tive propostas para a minha oferta de trabalho - mas posso agora subir o continente africano, semanalmente, "às costas" do Gonçalo Cadilhe, que retomou o seu périplo terrestre/marítimo e a sua crónica na Única (Expresso).
08 maio 2006
não sou (mesmo) flausina
Conversa numa casa-de-banho da minha universidade:
"- Aaaahrh! Vou matar os meus pais!!!"
"- Então?"
"- O meu cabelo!"
"- O que é que tem?!?"
"- Uns fios. Fora do sítio."
"- Aaaahrh! Vou matar os meus pais!!!"
"- Então?"
"- O meu cabelo!"
"- O que é que tem?!?"
"- Uns fios. Fora do sítio."
05 maio 2006
festas surpresa
Hoje vou a uma festa surpresa e dei por mim a temer que algum dia me façam alguma. Logo para começar, nunca gostei de festas de aniversário: ou eram de outros miúdos com quem eu até nem ia muito à bola, mas tinha de ir na mesma porque assim ditavam as nossas mãezinhas; ou era a minha, e tinha de conviver com aquela misturada inconciliável de primos, vizinhos e colegas da escola, havendo apenas 2 ou 3 pessoas com quem me apetecia, de facto, brincar. Ainda hoje, recuso-me a fazer festas de aniversário (mas não tenho muito sucesso porque faço anos 3 dias antes do L., que me obriga a fazer festa conjunta) e dispensava bem a maioria daquelas a que tenho de ir. Sim, é verdade, sou um bocado bicho do mato.
Agora, festas surpresa?? Vá lá, o/a pobre aniversariante nem sequer tem a possibilidade de se preparar psicologicamente para a tortura. Ainda por cima, em Portugal, como chega tudo atrasado, o aniversariante acaba por aparecer mais cedo que muitos dos supostos surpreendedores.
Lá vou eu outra vez dar os parabéns à pobre vítima de hoje, com o sorriso reservado para as ocãsiões "desculpa lá esta maçada toda, espero que o resto do dia tenha sido bastante melhor".
Agora, festas surpresa?? Vá lá, o/a pobre aniversariante nem sequer tem a possibilidade de se preparar psicologicamente para a tortura. Ainda por cima, em Portugal, como chega tudo atrasado, o aniversariante acaba por aparecer mais cedo que muitos dos supostos surpreendedores.
Lá vou eu outra vez dar os parabéns à pobre vítima de hoje, com o sorriso reservado para as ocãsiões "desculpa lá esta maçada toda, espero que o resto do dia tenha sido bastante melhor".
04 maio 2006
não sou (lá muito) flausina
Nunca andei no ballet nem na ginástica rítmica.
Nunca tive cuecas com bonequinhos (esta marcou-me, confesso).
Não gosto da maioria das flores (ok, gosto de algumas mas não das mais «previsíveis»).
Não uso roupa côr-de-rosa (excepto a que me oferecem, mas é pouquinha).
Não uso anéis nem pulseiras.
Não bebo vodkas-sabores.
Não tenho nenhum artigo da Hello Kitty.
Não uso maquilhagem no dia-a-dia.
Sobretudo, não gosto de ver montras e muito menos de fazer compras de roupa.
mas gosto de usar saltos altos, vestidos, brincos e colares, com muitas cores, de preferência.
Nunca tive cuecas com bonequinhos (esta marcou-me, confesso).
Não gosto da maioria das flores (ok, gosto de algumas mas não das mais «previsíveis»).
Não uso roupa côr-de-rosa (excepto a que me oferecem, mas é pouquinha).
Não uso anéis nem pulseiras.
Não bebo vodkas-sabores.
Não tenho nenhum artigo da Hello Kitty.
Não uso maquilhagem no dia-a-dia.
Sobretudo, não gosto de ver montras e muito menos de fazer compras de roupa.
mas gosto de usar saltos altos, vestidos, brincos e colares, com muitas cores, de preferência.
03 maio 2006
gosto de gestos
pequenos, quase imperceptíveis, como quando nos apertam o braço levemente para dizer qualquer coisinha.
02 maio 2006
a menina dança?
Notei recentemente (pelos vistos sou muito distraída) que, num dos sítios onde gosto de ir dançar, decorrem transacções mais ou menos duvidosas, entre jovens rapazes e senhoras bastante mais velhas. Eles vêem pegá-las para dançar e parece-me que depois lhes dão outro tipo de voltas. Não comento a licitude destas movimentações - cada um que faça o que quiser da sua vida desde que não prejudique terceiros - mas interrogo-me se, chegando aos "entas" e solteira, me lembraria (lembrarei?) de recorrer a este tipo de soluções. Quando é que o aconchego passa a ser tão imperativo que estamos dispostos a pagar? Qual o valor de uma dança ao fim de uma semana numa cama vazia?
I wonder.
I wonder.
28 abril 2006
posso começar já por aqui
No seguimento da minha rota mais recente, pelos países lindíssimos vamos-fazer-de-conta-que-somos-uma-democracia, gostava muito de conhecer a Venezuela. Alguém já lá esteve e pode dar-me umas dicas?
27 abril 2006
oferece-se
Pequena gralha para cargo de viajante profissional. Alguma experiência, ansiosa por aumentá-la. Trabalho por objectivos (carimbos no passaporte e novos amigos no coração). Não preciso de ordenado, desde que paguem os custos das viagens. Aceito deslocações no país e ao estrangeiro, à excepção (actual) do Iraque, Irão, Afeganistão, Serra Leoa e Libéria. Ofereço garantias*
*Não sei do quê, mas parece-me bem oferecer. Pelo menos da minha satisfação.
*Não sei do quê, mas parece-me bem oferecer. Pelo menos da minha satisfação.
26 abril 2006
deficit cultural
Não ando a alimentar-me convenientemente no que diz respeito às artes. Espero que isto não pareça snob (se parecer, paciência), mas preciso de ir lendo umas coisinhas boas, de ir ouvindo uma musiquinha nova, de ir sendo confrontada com novas encenações de qualquer coisa já bem antiga ou, simplesmente, de ficar a olhar para um quadro, roída de inveja por não ter sido eu a pintá-lo.
Posto isto, por que é que não vou à Festa da Música, ao Indie, ou ao concerto de um dos meus novos colegas?
Preguiça, meus amigos. O pior inimigo do cérebro humano.
Posto isto, por que é que não vou à Festa da Música, ao Indie, ou ao concerto de um dos meus novos colegas?
Preguiça, meus amigos. O pior inimigo do cérebro humano.
24 abril 2006
de volta
O tempo e um belíssimo fim-de-semana por terras minhotas ajudaram a amaciar as minhas inquietações. Ou será que é só parte da maquilhagem de que falava, que já começa a substituir o bronzeado que se desvanece? Seja como fôr, preciso de descansar um pouco na segurança da rotina diária.
Fica a imagem da minha prima de terras caribenhas.
Fica a imagem da minha prima de terras caribenhas.
20 abril 2006
desorientada
Até há pouco, a coisa que mais desejava na vida era ter o meu primeiro filho. Passava tempo demais nos babyblogs, sonhava com todos os miminhos, toda a emoção da gravidez, do parto, dos primeiros meses.
Agora - não sei se foi das férias, dos Mojitos, da alguma saturação num trabalho poucas vezes estimulante - estou virada do avesso. Sinto-me tão angustiada e nem sei bem porquê... Largava tudo e ia para longe dar outra utilidade à minha vida, ao serviço de quem mais precisa. Estou farta do Ocidente, das nossas certezas e fechamento intelectual. Tenho ânsia do essencial e parece que isso, por cá, está demasiado coberto por camadas e camadas de maquilhagem. Quero sentir os pés na terra quente e dançar com gente que cheira a sal e a sabão.
Continuo a querer ser Mãe mas tenho de arrumar as minhas ideias e o meu coração.
Agora - não sei se foi das férias, dos Mojitos, da alguma saturação num trabalho poucas vezes estimulante - estou virada do avesso. Sinto-me tão angustiada e nem sei bem porquê... Largava tudo e ia para longe dar outra utilidade à minha vida, ao serviço de quem mais precisa. Estou farta do Ocidente, das nossas certezas e fechamento intelectual. Tenho ânsia do essencial e parece que isso, por cá, está demasiado coberto por camadas e camadas de maquilhagem. Quero sentir os pés na terra quente e dançar com gente que cheira a sal e a sabão.
Continuo a querer ser Mãe mas tenho de arrumar as minhas ideias e o meu coração.
19 abril 2006
18 abril 2006
cubanizada
Tenho o coração apertadinho, apertadinho com saudades de Cuba e de todas as pessoas maravilhosas que conheci por lá... Aquilo é tão bonito, as férias foram tão boas... Recuso-me a aceitar que já acabou. Entrei em negação: ando de manga curta e sapatinhos de Verão. Que venha a dôr de garganta. É favor devolverem-me a Cayo Largo e já agora deixem-me dormir, que estou com os horários todos trocados.
07 abril 2006
Boa Páscoa!
it's a kind of magic
Às vezes, há momentos inesperados que nos aquecem o coração e fazem regressar àquele deslusbramento da infância. E isso faz toda a diferença num dia em que tudo o mais saíu torto.
Anteontem fui comprar o presente de aniversário do L., a um centro comercial que tem o nome de um navegador português (daquele mesmo português, não do alegadamente português/ genovês/ espanhol). Logo para começar, havia um trio de violoncelo a tocar ao vivo. Que ideia fantástica! O ambiente passa logo, do frenesi das compras de início do mês, para alguma coisa que nos convida a desacelerar e ficar a ouvir um bocadinho.
O momento inesperado, esse, foi quando entrei na loja para comprar o dito presente - uma caixa com truques de magia - e, indecisa, pedi ajuda ao funcionário. Parecia ele que estava à espera que alguém lhe pedisse aquilo há meses! Não fez mais nada: abriu várias caixas e deu início a um verdadeiro espectáculo de magia, com direito a truques de cartas, copinhos de onde saltam bolas impossíveis, dedos luminosos mais rápidos do que o meu olhar acompanhava, uma parafernália de ilusões! Confesso que até nem costumo ser grande entusiasta destas coisas, mas aquela encenação surpreendente, que o senhor fez pelo simples prazer de ver o meu ar acriançado a tentar descobrir os truques, conseguiu deixar-me um sorriso para o resto do dia.
Anteontem fui comprar o presente de aniversário do L., a um centro comercial que tem o nome de um navegador português (daquele mesmo português, não do alegadamente português/ genovês/ espanhol). Logo para começar, havia um trio de violoncelo a tocar ao vivo. Que ideia fantástica! O ambiente passa logo, do frenesi das compras de início do mês, para alguma coisa que nos convida a desacelerar e ficar a ouvir um bocadinho.
O momento inesperado, esse, foi quando entrei na loja para comprar o dito presente - uma caixa com truques de magia - e, indecisa, pedi ajuda ao funcionário. Parecia ele que estava à espera que alguém lhe pedisse aquilo há meses! Não fez mais nada: abriu várias caixas e deu início a um verdadeiro espectáculo de magia, com direito a truques de cartas, copinhos de onde saltam bolas impossíveis, dedos luminosos mais rápidos do que o meu olhar acompanhava, uma parafernália de ilusões! Confesso que até nem costumo ser grande entusiasta destas coisas, mas aquela encenação surpreendente, que o senhor fez pelo simples prazer de ver o meu ar acriançado a tentar descobrir os truques, conseguiu deixar-me um sorriso para o resto do dia.
06 abril 2006
05 abril 2006
efeito bronze
Há por aí agora uma loção corporal - acho que não preciso de fazer publicidade, é aquela que põe moçoilas com carnes nos anúncios - que promete oferecer-nos um bronzeado enquanto nos hidrata a pele ressequida. Ora eu já sou, por natureza, um bocado céptica em relação a alguma coisa que promete dar-nos um aspecto de quem esteve 2 semanas de férias sem nunca termos saído da frente do computador, mas alguém me explique como é que isto pode não ser uma fraude. É suposto passarmos o creme só no corpo, ficando com a carinha laroca bem branquinha, como se tivessemos uma couve-flor a nascer dos ombros? Ou é preferível distribuirmos a dita loção também pelas faces, correndo o risco de ficar com um acesso de acne tardia passados uns dias de aplicação? Na verdade, isto inquieta-me porque pertenço a uma sub-espécie grálhica que fica terrivelmente pálida no Inverno, dificilmente bronzeia no Verão, e se recusa a pôr os pezinhos num solário. Oh, sim, que problemas tão graves que me atormentam...
04 abril 2006
03 abril 2006
surfin' grackle
Este fim-de-semana foi bom, bom, como já estava a precisar há uns tempos. Nada de medidas, estuques, electrodomésticos e confusões! Só um belo solzão, praia, amigos, esplanada e descanso (e umas sabrinas prateadas novas! estou apaixonada!).
No Sábado de manhã, fomos para Carcavelos porque tinha oferecido ao L. uma aula de surf, coisa que ele nunca tinha experimentado. As ondas não estavam grande coisa e o mar estava a puxar um pouco mas é claro que aqui a gralha quis logo mostrar as suas habilidades para impressionar o namorado. "Olha para mim, tão gira neste fato justinho (yeah, right)". "Olha agora, a apanhar esta vaga monumental (50 cm de espuma)". "Olha esta, eu a dar uma cambalhota e a apanhar com a prancha na nuca...". "Olha, tantas estrelas!"
E, antes que eu perdesse a consciência enquanto era arrastada para fora por uma corrente, o meu principe veio salvar-me e tirar-me dali para fora. Ou seja, o meu objectivo de passar por donzela-em-apuros foi cumprido e, a seguir, pudemos ir almoçar com amigos para ele se gabar do seu grande feito. O que uma gralha não faz por amor.
No Sábado de manhã, fomos para Carcavelos porque tinha oferecido ao L. uma aula de surf, coisa que ele nunca tinha experimentado. As ondas não estavam grande coisa e o mar estava a puxar um pouco mas é claro que aqui a gralha quis logo mostrar as suas habilidades para impressionar o namorado. "Olha para mim, tão gira neste fato justinho (yeah, right)". "Olha agora, a apanhar esta vaga monumental (50 cm de espuma)". "Olha esta, eu a dar uma cambalhota e a apanhar com a prancha na nuca...". "Olha, tantas estrelas!"
E, antes que eu perdesse a consciência enquanto era arrastada para fora por uma corrente, o meu principe veio salvar-me e tirar-me dali para fora. Ou seja, o meu objectivo de passar por donzela-em-apuros foi cumprido e, a seguir, pudemos ir almoçar com amigos para ele se gabar do seu grande feito. O que uma gralha não faz por amor.
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