03 julho 2012
fases
Houve o tempo em que todos os amigos se casavam, em que nos queixávamos da quantidade de vestidos, e penteados, e fins-de-semana de Verão dedicados a bodas com muito marisco e mesas de bolos até de madrugada. Depois (muito depois de nós), veio a época do filhos. Barrigas, ecografias, fraldas bordadas, nomes, coisinhas pequeninas iguais aos nossos amigos (ou amigas), sobrinhos herdados, primos emprestados. E agora chega a temporada das separações e dos divórcios. É triste. E faz-nos pensar que, de alguma forma, já devemos ter passado o pico da montanha.
02 julho 2012
sinto-me na obrigação de alertar para isto
(e ainda: colega de outro centro de investigação que trabalha num gabinete perto do meu)
Minhas senhoras, existe uma coisa muito útil que, certamente, usavam na escola primária:
Post muito patetinha, no seguimento de outros posts muito patetinhas, que ainda hei de descobrir formas menos infantilóides de lidar com a preocupação. Mas ainda não descobri.
27 junho 2012
ser humano
Um dia, olharam-me nos olhos e disseram: não tenha medo. E eu saí do confessionário e chorei durante algum tempo. Depois não tive mais medo. Porque é bem verdade que, muitas vezes, o que mais nos pesa não é o que pode ser, o que pode acontecer, mas a sombra que tudo isso lança sobre as nossas possibilidades. É muito difícil não ter medo (mas acredito que a música certa ajuda). Perder o medo não é negar nem tornar-nos inconscientes. Eu só sei perder o medo sossegando-o no seio de alguma coisa maior, cujo sentido não consigo definir completamente, O medo é escuro e perde-se no meio da luz encandeante do amor sem limites; O medo é frio e alimenta-se da solidão, dissolve-se no meio do calor de um abraço. Nem que seja só um bocadinho. Que o meu abraço chegue a quem precisa de um, por estes dias.
já dizia a simone de beauvoir
A emancipação da mulher nunca será uma realidade enquanto não conseguirmos fazer chichi de pé sem sujar as pernas, as cuecas, a sanita e o chão, obrigando-nos ao ritual levemente aviltante de tentar salvar a coisa com o papel higiénico de folha simples das casas de banho públicas.
26 junho 2012
a simplificação heurística do ego-ave
O valor de um blogger para a gralha define-se em termos binários: se gosta de si a valer, tem paciência para mudar de utilizador no gmail para comentar no seu blogue; se não gosta de si a valer, não tem paciência para mudar de utilizador no gmail para comentar no seu blogue.
25 junho 2012
fiz as pazes com o aeroporto
Esteve-se muito bem em Londres. Mais do que transpor quilómetros, dobrámos a barreira do tempo, provando que este se estica até quase ao infinito quando não andamos com filhos atrelados. A sério, filhos, sem ofensa, mas vocês têm o dom de fazer tudo demorar o dobro e, ao mesmo tempo, parecer durar metade. Foi muito bom namorar, passear por todo o lado, andar sem relógios, comer o que apetecia, apanhar chuva só para rir do creacionista e da nacionalista que baliam no speakers' corner, perder todo o tempo do mundo a olhar para livros em segunda mão e a saltitar de bancada em bancada em Portobello Road. E digam lá se esta medalha não estava mesmo à minha espera :)
22 junho 2012
não dando ponto sem nó, em duas frases apenas
Alguém conhece sítios giros para comer na zona de Covent Garden? Prometo fotos com a devida referência a quem der as melhores dicas.
Sugerindo um ar simultaneamente blasé, cosmopolita e que convoca a participação do visitante, aumento as visitas ao site e, logo, a possibilidade de conseguir pulseiras à pala.
Sugerindo um ar simultaneamente blasé, cosmopolita e que convoca a participação do visitante, aumento as visitas ao site e, logo, a possibilidade de conseguir pulseiras à pala.
21 junho 2012
flausina SS2012
Eis que chega o Verão e, contrariando o estado de tempo, adopto cegamente o figurino da época. Todos os anos gosto de estrear uma
nova pulseira. Como já levo alguns Verões em cima, a tentação de andar
empluseirada até ao cotovelo é grande. A juntar a estas, está-me a
apetecer uma amarela fluorescente. Se alguém quiser oferecer-me uma, das dezenas que são constantemente doadas às bloggers profissionais, fique
sabendo que o gralhadixit já teve quase 100 vizualizações hoje (pronto, foram só 74) - mesmo
antes deste original e intelectualmente estimulante post. Ah, também
ando a precisar de repor o stock de verniz das unhas (um qualquer, todos
me lascam ao fim de um dia de uso). Estraguem-me com mimos à vontade,
que eu agradeço.
20 junho 2012
para mim, aos nove anos
Querida eu, pequenina e franzina, que brincas no recreio e mentes, dizendo a essas duas colegas que também nunca repetes a mesma roupa dois dias seguidos,
Em primeiro lugar, não percas tempo com elas. Serão sempre parvas e, daqui a uns anos, criarão blogues patetas com fotos sem cabeça (e demorarás algum tempo até deixares de os visitar uma vez por outra).
Em segundo lugar, sim, vais usar lentes de contacto. E as tuas maminhas vão crescer, mas pouco. Em compensação, terás sempre uma barriga elegante e pernas fortes para correr.
Em terceiro lugar - e vamos agora ao que interessa -, sim, vais casar-te e ter filhos, não te preocupes. E, sim, ele vai chamar-se L., mas não vai ser o teu namorado de agora, burrinho e de buço, cobiçado por todas porque é mais velho (daí os atributos atrás mencionados). E terás dois rapazes, como desejas. Um será o menino mais doce do mundo. Tem cuidado para não o ferires com a tua brusquidão - aprende a desenvolver a empatia. O outro será o ser mais imprevisível e indomável que conhecerás. Aprende a aceitar perder o controlo e a amar o desconhecido.
A tua sempre,
Eu adulta
p.s. Podes ir já começando com a Jane Austen e as irmãs Brontë.
Em primeiro lugar, não percas tempo com elas. Serão sempre parvas e, daqui a uns anos, criarão blogues patetas com fotos sem cabeça (e demorarás algum tempo até deixares de os visitar uma vez por outra).
Em segundo lugar, sim, vais usar lentes de contacto. E as tuas maminhas vão crescer, mas pouco. Em compensação, terás sempre uma barriga elegante e pernas fortes para correr.
Em terceiro lugar - e vamos agora ao que interessa -, sim, vais casar-te e ter filhos, não te preocupes. E, sim, ele vai chamar-se L., mas não vai ser o teu namorado de agora, burrinho e de buço, cobiçado por todas porque é mais velho (daí os atributos atrás mencionados). E terás dois rapazes, como desejas. Um será o menino mais doce do mundo. Tem cuidado para não o ferires com a tua brusquidão - aprende a desenvolver a empatia. O outro será o ser mais imprevisível e indomável que conhecerás. Aprende a aceitar perder o controlo e a amar o desconhecido.
A tua sempre,
Eu adulta
p.s. Podes ir já começando com a Jane Austen e as irmãs Brontë.
19 junho 2012
dando uma de melissa
Olha que coisa tão óbvia e só agora é que a percebi: leio, viajo, danço, corro, bebo, mergulho, em suma, faço o que me dá mais prazer pelo mesmo único objectivo - perder-me. Também deve ser por isso que passo tanto tempo a pensar no passado ou a tentar adivinhar o que ainda não aconteceu. Tenho absoluta incapacidade de presente. Tudo me sabe melhor em retrospectiva ou antecipação. Todas as coisas ganham cor e novas dimensões vistas de fora, de pernas para o ar, nos antípodas da realidade previsível. A sério que alguém consegue mesmo contrariar isto? E para quê, na verdade?
18 junho 2012
de volta das férias
A praia, a piscina, o sol, os barcos, as alcagóitas, os mimos, até a água do mar gélida: tudo estava uma maravilha. E agora só não custa tanto voltar ao trabalho porque o espírito de férias se mantém nos filhos - tão crescidos que estão! - que reajustam rotinas à época do ano e correm, bem dispostos e tostadinhos, por todo o lado. Um largou a chucha de vez. E o outro vai para a praia com a escola. Uma pessoa pisca os olhos e a vida acontece assim de uma vez só. Principalmente no Verão.
12 junho 2012
o contrário do vinho do porto
Não sei se há mesmo pessoas que vão melhorando com a idade ou se é tudo uma treta para nos consolar, mas eu vou piorando a olhos vistos. No caso da minha faceta de mãe, então, a coisa é inegável. A sério que há quem tenha mais paciência com o passar dos anos? É mesmo possível ser uma mãe mais sensata e equilibrada com o segundo, o terceiro, e por aí fora? Então por que é que eu me vou tornando mais cansada, permissiva e trapalhona? Nos meus vintes, com um bebé fresquinho, havia tempo para a maternidade saída de um anúncio de fraldas. Só faltava o meu sorriso cheirar a pó de talco. Agora, não. Agora é tudo descabelado, improvisado, com nódoas, faz-se o que se pode. Exemplo: De manhã entrego-lhes automaticamente as escovas de dentes trocadas - porque eles fazem uma mini-fita se não têm a oportunidade de dar a escova ao irmão - e já nem reparo na ligeira insanidade deste gesto. Mas não me fico pelos aparvoamentos ritualizados, também sofro terrivelmente por não poder estragá-los e mimá-los à vontade, quando antes isso me parecia uma fraqueza de mãe nova-rica. E o medo de que lhes aconteça alguma coisa? Quem é que me enganou ao assegurar-me que a coisa ia amaciando com a experiência? Vantagens da idade, uma ova.
11 junho 2012
girls
Não é a melhor série televisiva de todos os tempos. Não arrebatou o primeiro lugar do meu coração ao Mad Men (nem o segundo ao Lost). Mas é um produto de entretenimento muito bom, actual, honesto, inteligente, que nos faz pensar. Acima de tudo, foi preciso uma autora/realizadora/actriz como a
Lena Dunham para que a ficção americana desse pela primeira vez protagonismo a uma mulher com maminhas pequeninas e pernas rechonchudas. Obrigada, Lena.
Lena Dunham para que a ficção americana desse pela primeira vez protagonismo a uma mulher com maminhas pequeninas e pernas rechonchudas. Obrigada, Lena.
08 junho 2012
como é que nunca tinha reparado?
Ontem I had the time of my life quando conheci as fabulosas babies Ana C., Melissa e Silvina num jantar na baía de Cascais, com um pôr-do-sol, uma naturalidade e presenças tão boas, daquelas que nos fazem achar que a vida vale mais a pena por conhecermos momentos assim.
E não é que fui ver e até sou um bocadinho parecida com ela? E como eu gostava que o Patrick Swayze me tivesse levantado assim no ar...
E não é que fui ver e até sou um bocadinho parecida com ela? E como eu gostava que o Patrick Swayze me tivesse levantado assim no ar...
06 junho 2012
espartana
Ele é a crise, os princípios cristãos, a educação que nos deu a mãezinha, a tão portuguesa inclinação para a humildade, os programas sobre acumulação compulsiva, as campanhas sobre a obesidade - tanta coisa a puxar-nos para o 'menos é mais', um contraste refrescante com o que vivi na bela e consumista Nova Jérsia. Sabem que mais? Dou por mim e a única coisa material que ainda me move são os livros e as viagens. Temo estar a tornar-me uma chata do pior. Acaba por haver um snobismo mal-disfarçado debaixo de tanto despojamento.
01 junho 2012
para além dos jacarandás em flor
Ah, a Primavera... Aquela altura do ano em que regressa em força o flagelo da publicidade entalada nos limpa-pára-brisas.
31 maio 2012
as palavras que não te direi
A minha Mãe e eu temos
uma postura em relação ao meu blogue semelhante à que as minhas primas e a Mãe
delas tinham (têm?) com o tabaco: não sei de nada, não vi nada, não comento.
Por isso vou aproveitar este espaço para lhe dizer coisas de que não podemos
falar, porque é assim que funcionamos há 33 anos e, olha, a coisa lá vai
funcionando.
Mamã, ainda bem que nasceste neste dia. De certeza que a tua
Mãe ficou muito feliz por te receber. Sei que os teus irmãos ficaram muito felizes
por te receber. E sei que a infância que recordas foi feita de luto, de
silêncios, de ausências, provavelmente de crianças demasiado pequeninas
tentando não incomodar. Não sei, infelizmente, quais os cenários em que
cresceste, aquilo a que brincavas, quem eram os teus amigos, como eram os teus
dias na escola, como eram as tuas tardes de Verão. Tenho muita pena de não
saber nada desse pedacinho daquela que é, também, a minha História, mas já fiz
as pazes com esse desconhecimento. Sei a Mãe que sempre foste, a irmã, a
mulher, a Avó, a pessoa única e imprescindível (pelo menos para mim) que és
ainda hoje. Consigo imaginar a forma e a textura das tuas mãos de memória e
penso em tudo o que fizeram por mim. Faz-me pensar naquilo que as minhas mãos
significarão um dia para os meus filhos. Tenho muita, muita sorte em ter-te e,
especialmente, em poder estar contigo hoje. Sei que somos diferentes como a
água e o azeite mas sei agora que não há ninguém no mundo que aceite e ame as
minhas fraquezas como tu. Sabe que também te tenho no coração dessa forma –
adoptei-te um bocadinho como minha filha, espero que não te importes. Muitos
parabéns, B.
29 maio 2012
a bola
Como estou em casa dos meus pais esta semana, faço coisas que já não fazia há muito tempo, como ver o noticiário à hora do jantar. Para além de constatar que aquilo continua a ser perfeitamente dispensável (como é que as pessoas ainda vêem notícias empacotadas na televisão, ao longo de mais de uma hora??), percebi que vem aí o campeonato europeu de futebol e todo o arraial que isso implica. Nunca gostei muito de futebol. O meu clube ganha sempre. Os tremoços também vão muito bem com um filme ao Domingo à noite. E quando chegamos ao ponto de dar tempo de antena a balneários, a treinadores de bancada, aos mexericos sobre a família deste ou daquele jogador (acho que já só reconheço uns três), percebo que o meu problema nos EUA com o basebol e com o futebol americano alastrou aqui a tudo o que envolva bolas. A minha única dúvida agora é: quando todos os meus colegas se estiverem a baldar ao trabalho para ver os jogos, será que posso aproveitar esse tempo para fazer outra coisa qualquer? Arranjo um cachecol verde e vermelho e lá uma daquelas cornetas, não seja por isso.
24 maio 2012
o que acontece quando, em vez da barbosa du bocage, metemos pela elias garcia?
Demoramos mais 40 minutos para estacionar. O que dá tempo para tentar explicar a infertilidade, a adopção, os conflitos e a pobreza em África, ao perguntador mais velho, enquanto o mais novo aponta para a 'mota zul!', 'mota peta!', 'mota zenta!, 'dois motas!'. É muita responsabilidade, isto de dar as primeiras noções sobre matérias complicadas. Então fazer isso, à medida que finalmente estacionamos num lugar minúsculo, é uma proeza admirável.
também tenho de falar do kevin
Porque me tocou muito fundo. Porque achei belíssima a realização da Lynne Ramsay e os desempenhos da Tilda Swinton, do John C. Reilly e do Ezra Miller (que vai passar a visitar-me nos pesadelos, ai pois vai). E porque tocou em muitos nervos estratégicos da minha vivência da maternidade. Porque eu fui muitas vezes para o armário tapar os ouvidos quando o bebé chorava horas a fio. Porque me senti desamada quando me rejeitaram a mama e o colo. Porque sei o que é pensar (ainda que erradamente) que só nós vemos o que se está a passar debaixo do nosso nariz enquanto os demais insistem nas evidências da normalidade. E nem vou voltar à questão da culpa, essa sombra siamesa de todas as mães. Todos os psicopatas deste mundo foram bebés um dia.
23 maio 2012
afectos desarrumados
Durante a adolescência alinhavada a paixões platónicas e
relações impossíveis, foram várias as vezes em que o som do chuveiro me cobriu
o lamento repetido: “Está bem, isto não resulta. E o que é que eu faço deste
amor todo que sinto?” O tempo passou, o dramatismo anda mais disfarçado, mas
vejo agora que isto não acontece só com o amor, esta espécie de tiro ao alvo falhado,
uma pontaria emocional coxa, a roçar o patético. Dou por mim a não encontrar
equilíbrio nem bom senso nisto das relações em geral. Mas também, se calhar,
não é suposto estas coisas funcionarem segundo regras certas de contabilidade.
Gostamos, e pronto. Se não sabemos como direccionar nem demonstrar devidamente
esse afecto, se ele se perde no ar, se fica muitas vezes suspenso, se bate numa
parede, não vem daí mal ao mundo. De certeza que há vários aforismos orientais
que explicam como tudo retorna à origem, não me está é a ocorrer agora nenhum.
21 maio 2012
16 maio 2012
questão insignificante mas que me tem feito meditar
Por que é que a imagem que temos dos homens franceses é de criaturas de meia idade, franzindo o sobrolho? Suponho que a meia idade é para condizer com a gastronomia nacional; já a parte da ruga entre as sobrancelhas inquieta-me bastante.
14 maio 2012
chá e torradinhas: não, obrigada
Existem três tipos de pessoas: as que gostam de frio, as que gostam de calor e as que tanto faz. A nós, não tanto faz. E também passamos bem sem as temporadas sombrias debaixo de mantas, por muito bons que sejam os bolos da mãe ou os abraços febris dos filhos constantemente adoentados. Nós, lá por casa, gostamos de muito calor. Gostamos de sair, de brincar na relva, de perseguir lagartixas, de ir para a praia, de fazer piqueniques, de comer saladas frescas e de beber cerveja com tremoços (os miúdos limitam-se a assobiar nas garrafas vazias, mas o princípio é o mesmo). Nós somos Verão e precisamos de Verão. Pelo que este fim-de-semana foi maravilhoso.
11 maio 2012
baixa pressão
Cada um viaja para seu lado quando o tempo muda. Eu vou para o outro lado do mar, para a época dos furacões e as sextas-feiras com deep-fried donuts, duas camadas de cobertura de açúcar e geleia, e uma bebida na varanda antes do jantar, para cumprir os nossos cinco minutos de fim-de-semana. Os grilos já devem estar a fazer uma barulheira, por lá. Depois regresso a este lado, à minha madrugada junto ao rio, o sol presumindo-se que a nascer e eu a tentar evitar que o cacilheiro me ultrapassasse, junto à Estação de Belém. É óbvio que há coisas maravilhosas e únicas dos dois lados, basta estar atenta. Acontece que aqui tenho mesmo mais condições para parar e atentar nessas pequenas coisas.
10 maio 2012
torcer-lhes o pipo e depois espremê-los contra o peito
Não sei se é só comigo que isto da maternidade tem muito de bipolar (se calhar já tenho inclinação natural). As minhas crias não me dão azo a um amor sereninho, mar de tranquilidade. Não, a coisa é sempre intempestiva e imprevisível. Num minuto há uma rabujice sem fim nem motivo, seguida do maior gesto de ternura e de grandes provas de maturidade. No segundo depois de ligar a máquina de roupa (ou geralmente por volta das 18h37, quando estou de roda dos tachos) há uma mega-cocozada nas cuecas, que se espalha pela roupa, pernas, a casa toda (enfim...), para depois haver festinhas muito meiguinhas e um 'pulpa Mamã...' que derretem as últimas neves do Kilimanjaro. É uma misturada de ralhetes e abraços, isto. É uma coisa muito pouco aconselhável a cardíacos.
09 maio 2012
gritar, espernear, dizer asneiras, ficar em silêncio
Devia vir na declaração dos Direitos Humanos que toda a gente tem direito a um quotidiano normal, que todos podemos acreditar que as coisas boas podem sempre acontecer. Toda a gente, especialmente as pessoas verdadeiras, inteligentes, corajosas e que já levaram pontapés da vida que cheguem, como a Silvina.
esta semana, de corrida
Vi dois filmes muito bons (pode ser que poste sobre isso noutra altura);
Tenho o mais crescido em casa há 3 dias (já não há 'assistência à família' que aguente o último mês);
Estou praticamente zarolha, de conjuntivite;
Estou a comer uma francezinha supremamente deliciosa, que me está a sujar os dedos, mas não faz mal porque estou a escrever no teclado do trabalho.
Tenho o mais crescido em casa há 3 dias (já não há 'assistência à família' que aguente o último mês);
Estou praticamente zarolha, de conjuntivite;
Estou a comer uma francezinha supremamente deliciosa, que me está a sujar os dedos, mas não faz mal porque estou a escrever no teclado do trabalho.
03 maio 2012
o meu coração tem quatro cores
Azul, vermelho e branco. Rio baixinho da habitual procrastinação e desorganização portuguesas, que deixam tudo para o último minuto.
Verde e vermelho. Sorrio e aplaudo a nossa criatividade e capacidade de encontrar alternativas improváveis e contactos informais para resolver os problemas.
As candidaturas de projectos à FCT fecham hoje e o website está em baixo desde ontem à noite. Ontem houve tornado em Sesimbra, hoje há aviso de furacão por aqui.
Verde e vermelho. Sorrio e aplaudo a nossa criatividade e capacidade de encontrar alternativas improváveis e contactos informais para resolver os problemas.
As candidaturas de projectos à FCT fecham hoje e o website está em baixo desde ontem à noite. Ontem houve tornado em Sesimbra, hoje há aviso de furacão por aqui.
02 maio 2012
etnografia do consumo
Para determinar o seu estatuto socioeconómico, por favor escolha a hipótese mais adequada:
a) O meu Pingo Doce estava um inferno, vi gente a lamber gelados das arcas frigoríficas e a polícia tinha medo de entrar;
b) O meu Pingo Doce tinha filas intermináveis mas consegui apanhar alguma coisa e fugir a sete pés (espero que repitam a promoção);
c) Ontem fui ao Pingo Doce e havia mais velhinhas do que é costume na caixa prioritária;
d) Ontem fui ao Supercór e trouxe um Pêra Manca 2003 que é uma maravilha.
Perdi uma belíssima oportunidade de fazer observação participante, ontem, com o caso do Pingo Doce. É por estas e por outras que a minha carreira académica nunca foi a lado nenhum.
a) O meu Pingo Doce estava um inferno, vi gente a lamber gelados das arcas frigoríficas e a polícia tinha medo de entrar;
b) O meu Pingo Doce tinha filas intermináveis mas consegui apanhar alguma coisa e fugir a sete pés (espero que repitam a promoção);
c) Ontem fui ao Pingo Doce e havia mais velhinhas do que é costume na caixa prioritária;
d) Ontem fui ao Supercór e trouxe um Pêra Manca 2003 que é uma maravilha.
Perdi uma belíssima oportunidade de fazer observação participante, ontem, com o caso do Pingo Doce. É por estas e por outras que a minha carreira académica nunca foi a lado nenhum.
01 maio 2012
carne
Arranco-te
lascas mornas e elas cedem a intervalos. Fumegas e deitas um cheiro
insuportável: gordura, sangue, membros com cartilagens soltas. Puxo-te nervos,
escalpo-te peles, escorro-te o tutano que se desfaz dentro dos ossos. Fico com
as mãos sebosas e perco qualquer sugestão de apetite. De animal, transformo-te
em jantar e arrependo-me ao longo de cada um daqueles minutos de carnificina post mortem. Abutro-te e atiro-te para o
tacho, borrego que me foste oferecido. As minhas crias têm fome.
Por muito que goste de desempenhar o papel
da dona-de-casa vintage, não consigo
lidar com isto de mexer em animais inteiros. Nunca amanhei um peixe. Murmuro o
hino nacional para rechear um peru. Não volto a desfazer um bicho que já correu
pelos prados - ou mesmo só por entre os 2 metros quadrados de um redil de
produção em série. Sou uma fraude, as minhas inclinações vegetarianas não são
de origem moral, são só uma maneira de fugir à repulsa primordial de consumir
outro ser.
30 abril 2012
uma menina muito caseirinha
Até descobrir que gostava de me mexer (17 anos, portanto), era difícil arrancar-me de casa e dos meus livros. Mas depois aprendi que nem sempre é Inverno e pode saber muito bem andar a levar com o céu na cabeça e o cheiro da relva, do mar, do que quer que venha com o vento. De modo que arrumei um tempo para a casa e outro para sair, que agora me faz muita falta.
Isto para me queixar (claro) que já não posso ver as minhas paredes de 3 metros de altura, que tanto trabalho nos deram a pintar. O meu bebé tem estado doente nos últimos 3 fins-de-semana, o tempo tem estado esta miséria, e não tenho sequer com quem sair para festejar o bicampeonato. Já fiz todos os bolos, experimentei todas as receitas, actualizei todos os textos, vi todas as séries, montei todos os Legos, pintei todas as unhas e cosi todas as joelheiras para esta estação. Agora estava mais numa de ir a Sintra, a Cascais, ao Meco, à Costa, caramba, ao jardim da Gulbenkian, que já estou em Portugal há 7 meses e meio e não há meio de sair do mesmo raio de 5 km. OK? OK.
Isto para me queixar (claro) que já não posso ver as minhas paredes de 3 metros de altura, que tanto trabalho nos deram a pintar. O meu bebé tem estado doente nos últimos 3 fins-de-semana, o tempo tem estado esta miséria, e não tenho sequer com quem sair para festejar o bicampeonato. Já fiz todos os bolos, experimentei todas as receitas, actualizei todos os textos, vi todas as séries, montei todos os Legos, pintei todas as unhas e cosi todas as joelheiras para esta estação. Agora estava mais numa de ir a Sintra, a Cascais, ao Meco, à Costa, caramba, ao jardim da Gulbenkian, que já estou em Portugal há 7 meses e meio e não há meio de sair do mesmo raio de 5 km. OK? OK.
29 abril 2012
mas alguém acha que isto é normal?
Eu bem sabia, lá nas profundezas do meu subconsciente, que havia uma razão para eu nunca ter feito parte das groupies da Maria (e do gato) que ia para Bruges e depois afinal foi para Timor. Apetecia-me chamar uns nomes mas ando a tentar conter-me na maledicência, leiam vocês isto, se quiserem.
o melhor iogurte do mundo
Ora então, a receita do meu iogurte grego. Ainda vou tentar variações com leite de soja e com fruta, mas este é bastante bom.
Ingredientes:
1 litro de leite do dia meio-gordo
meio pacote de natas
meia embalagem de leite condensado
3 colheres de sopa de iogurte grego
Na Bimby, misturar todos os ingredientes a 50º C durante 5 minutos, à velocidade 4. Deitar nos boiões previamente lavados e esterilizados e pôr na iogurteira durante 12 horas. Refrigerar, pelo menos, 2 horas. De seguida, verter o conteúdo para um passador coberto por um pano bem limpo (uso um resto dos meus lençóis ex-King Size, que cortei), deixando o passador a repousar numa taça alta, indo tudo ao frigorífico. Sinceramente não sei quanto demora todo o processo de filtragem porque entretanto vou dormir. O que fica retido no pano é, então, novamente colocado à colher nos boiões et voilá! Ou seja, isto ainda demora e dá um certo trabalho, mas são realmente saborosos e estimo que fiquem a cerca de metade do preço dos de supermercado. O soro que sobra também dá para aproveitar - eu usei como um belíssimo tónico facial e fiquei com pele de bebé. Como o iogurte mesmo sem a filtragem é bom (só a consistência é diferente), não sei se volto a ter paciência para a greguificação tão cedo :)
Ingredientes:
1 litro de leite do dia meio-gordo
meio pacote de natas
meia embalagem de leite condensado
3 colheres de sopa de iogurte grego
Na Bimby, misturar todos os ingredientes a 50º C durante 5 minutos, à velocidade 4. Deitar nos boiões previamente lavados e esterilizados e pôr na iogurteira durante 12 horas. Refrigerar, pelo menos, 2 horas. De seguida, verter o conteúdo para um passador coberto por um pano bem limpo (uso um resto dos meus lençóis ex-King Size, que cortei), deixando o passador a repousar numa taça alta, indo tudo ao frigorífico. Sinceramente não sei quanto demora todo o processo de filtragem porque entretanto vou dormir. O que fica retido no pano é, então, novamente colocado à colher nos boiões et voilá! Ou seja, isto ainda demora e dá um certo trabalho, mas são realmente saborosos e estimo que fiquem a cerca de metade do preço dos de supermercado. O soro que sobra também dá para aproveitar - eu usei como um belíssimo tónico facial e fiquei com pele de bebé. Como o iogurte mesmo sem a filtragem é bom (só a consistência é diferente), não sei se volto a ter paciência para a greguificação tão cedo :)
27 abril 2012
só um bocadinho de sol
Este ano prometeu ser difícil e acho que, pior que isso, está a ser sombrio. Sempre houve desilusões, perdas, insuficiências, falhas. Sempre houve desemprego, injustiça, doença e morte. No entanto, de certa forma - e acho que a ubiquidade da vida em rede contribui para isso -, estamos permanentemente a ouvir (e sentir) novas dores e desgostos. Pesa. É duro. Uns reagem com rabugice (como eu) e outros limitam-se a fechar-se completamente. Neste momento, acho de uma grande crueldade da parte do tempo que o céu esteja cinzento há semanas. Não se faz. Bem sei que precisamos da chuva mas precisávamos todos muito mais de um dia de sol. Depois logo podia voltar o sistema frontal e a ventania húmida. Só um dia de sol para fazermos todos de conta que estamos na Jamaica e que podemos simplesmente estar, de olhos fechados, a sentir o calor na pele. Mais nada.
26 abril 2012
toma lá que é para não te armares em fascizóide
Uma pessoa escreve um post fastidioso das comemorações do 25 de Abril e, zumba!, é logo adicionada a uma qualquer lista de endereços de divulgação de temas de extrema-direita. Não está certo, não senhor. Mais valem aqueles emails que insistentemente me perguntam se quero aumentar o meu pénis. Não tenho um mas nunca se sabe, um dia.
a minha rede social
Diz-me com quem te dás virtualmente, dir-te-ei quem és actualmente. Será? É claro que nem todos os nossos verdadeiros amigos estão no facebook. Além disso, não sabemos coisas básicas acerca de alguns dos que lá estão. E, pelo menos no meu caso, apesar das limpezas ocasionais, ainda há para lá gente de quem não sei nada há muito tempo. Já para não falar dos 8% que adicionei sem nunca lhes ter posto a vista em cima. Mesmo assim, dá para ter uma ideia engraçada daqueles que me rodeiam.
Dos meus amigos facebookianos, há dois terços de mulheres para um terço de homens. Metade são sensivelmente da minha faixa etária, 14,5% são mais novos e 35,5% mais velhos. Há gente com toda a espécie de profissões, com maior representação de sociólogos, técnicos, engenheiros, juristas/advogados e gestores - mas quem havia de dizer que 2% são marinheiros? Quase dois terços são profissionais qualificados e há mesmo 12,5% de empresários ou quadros superiores de empresas (e eu a pensar que só me dava com pelintras). Contudo, que eu saiba, há 3,3% de desempregados. No que toca às origens, 84% são portugueses (dos estrangeiros mais representados, 5,3% são americanos e 3,3% são italianos) mas apenas 73% vivem em Portugal. Pelo menos 38,2% são católicos, 15,1% assumem-se como agnósticos/ateus e 1,3% são protestantes. E nota-se que é tudo um bocado coca-bichinhos: dois terços são licenciados, 18,4% mestres e 10,5% são cromos com doutoramento. Os solteiros são o dobro dos que vivem em união de facto (12%) mas os casados são os mais representados (37,5%). Mesmo assim, já há quase 5% de divorciados e 0,7% de viúvos. E há mais freiras do que recasados. Finalmente, um apontamento lúgubre: destes todos, se eu batesse a bota agora, não mais do que um quarto deles iriam ao meu funeral. Mas isso das fantasias funeralescas dava todo um outro post.
Dos meus amigos facebookianos, há dois terços de mulheres para um terço de homens. Metade são sensivelmente da minha faixa etária, 14,5% são mais novos e 35,5% mais velhos. Há gente com toda a espécie de profissões, com maior representação de sociólogos, técnicos, engenheiros, juristas/advogados e gestores - mas quem havia de dizer que 2% são marinheiros? Quase dois terços são profissionais qualificados e há mesmo 12,5% de empresários ou quadros superiores de empresas (e eu a pensar que só me dava com pelintras). Contudo, que eu saiba, há 3,3% de desempregados. No que toca às origens, 84% são portugueses (dos estrangeiros mais representados, 5,3% são americanos e 3,3% são italianos) mas apenas 73% vivem em Portugal. Pelo menos 38,2% são católicos, 15,1% assumem-se como agnósticos/ateus e 1,3% são protestantes. E nota-se que é tudo um bocado coca-bichinhos: dois terços são licenciados, 18,4% mestres e 10,5% são cromos com doutoramento. Os solteiros são o dobro dos que vivem em união de facto (12%) mas os casados são os mais representados (37,5%). Mesmo assim, já há quase 5% de divorciados e 0,7% de viúvos. E há mais freiras do que recasados. Finalmente, um apontamento lúgubre: destes todos, se eu batesse a bota agora, não mais do que um quarto deles iriam ao meu funeral. Mas isso das fantasias funeralescas dava todo um outro post.
25 abril 2012
o vinte cinco d'abril às criancinhas
Filho: Mamã, por que é que hoje é feriado?
Mãe: Porque há muito tempo atrás, neste dia, as pessoas vieram todas para a rua para mudar as coisas, para impedir que mandassem nelas sem que elas pudessem decidir nada, nem dizer nada. Mas, para dizer a verdade, não sei por que é que ainda comemoramos isso todos os anos.
Filho: Porquê?
Mãe: É um bocadinho como se estivessemos sempre, sempre, sempre a descarregar o autoclismo depois de fazermos um grande cocó, a seguir a uma temporada de prisão de ventre.
Filho: Mas isso não se faz, gasta muita água.
Mãe: Pois, aí é que está: cada um é livre de gastar a água que quiser.
(conversa hipotética)
Mãe: Porque há muito tempo atrás, neste dia, as pessoas vieram todas para a rua para mudar as coisas, para impedir que mandassem nelas sem que elas pudessem decidir nada, nem dizer nada. Mas, para dizer a verdade, não sei por que é que ainda comemoramos isso todos os anos.
Filho: Porquê?
Mãe: É um bocadinho como se estivessemos sempre, sempre, sempre a descarregar o autoclismo depois de fazermos um grande cocó, a seguir a uma temporada de prisão de ventre.
Filho: Mas isso não se faz, gasta muita água.
Mãe: Pois, aí é que está: cada um é livre de gastar a água que quiser.
(conversa hipotética)
24 abril 2012
antevisão
As rosáceas a florir no rosto, as mãos secas e venosas, foram o primeiro indício de que aquela era a minha imagem daqui a uns anos. A senhora à minha frente, na caixa do LIDL, ostentando as raízes brancas que cresciam da tinta acajou, empurrava timidamente as compras e disfarçava um ligeiro tremor das mãos. Duas garrafas de vinho branco, duas paletes de cerveja, uma espécie de licor, croissants, legumes para sopa, oito patêzinhos para gato - nisto das listas de compras sou de uma precisão cirúrgica - encavalitados no tapete rolante à espera de passar o código de barras. Senti vontade de abraçá-la, de resgatá-la do que serei e ela já foi (já é). Fiz um esforço muito grande para não transparecer a pena que sentia daquele estereótipo tornado realidade. Saiu-me um sorriso torto quando agradeci (e declinei) a oferta de passar à frente. Eu só levava rúcula, leite, iogurte e, provavelmente, o ar de quem a vida ainda corre sobre os carris. Lá chegarei: à solidão de um exagero de animais domésticos, da bebida, da desistência da juventude. Os quarenta podem ser lixados para quem não desiste de exigir demasiado.
23 abril 2012
gralha dixit candidatando-se miseravelmente a blogue de laifestaile
Ignorem tudo na fotografia menos o boião de iogurte, o primeiro que fiz. Macacos me mordam se não é o melhor iogurte grego da História! Boa semana :)
20 abril 2012
o terceiro
Quando o Gustavo tinha a idade que o Diogo tem agora, decidimos fazer mais um bebé. E lá veio a confirmação certeirinha numa linda pousada do centro do país, num fim-de-semana bucólico em que descansávamos de uma vida que parecia relativamente fácil. Era muito fácil (e bom) ter um rapazinho by-the-book, o trabalho não nos pesava, e até chegávamos a ir ao cinema e coisas assim.
Claro que o pendor para a nostalgia me faz pensar, agora, no "então como é? isto agora é que era, que já não vais para nova", mas é uma ideia que passa rápido e de forma (praticamente) indolor. Sobretudo em dias como hoje, em que o meu ainda bebé está doente.
Tenho perfeita consciência que não tenho cabeça para três. Porque não sou descontraída, porque preciso muito de espaço e de tempo - chamem-lhe egoísmo-, se calhar porque tenho demasiadas expectativas acerca do que é ser boa mãe; ou então, não, sou apenas honesta comigo própria e sei que seria areia demais para o meu camião.
Então e se tivéssemos meios para suportar três mensalidades de creche, uma empregada para a casa, uma baby-sitter sempre ao dispor, dois automóveis, férias com babá e ainda algumas pontuais escapadinhas a dois que blogues e revistas de viagens nos vendem como obrigatórios e 'saudáveis até para os próprios filhos'? Não sei. Não há nada que se compare ao amor de e por um filho. É claro que a loucura de ter três rapazes (óbvio que nunca sairia menina) tem qualquer coisa de aliciante. Mas gosto tanto deles, dois, e de nós, quatro. Sempre me agradaram as simetrias, essa é que essa.
Adenda 1: Chateia-me um bocado pensar que podia haver mais seres humanos espectaculares como os meus filhos, isso chateia.
Adenda 2: Também me chateia fechar este capítulo da minha vida, o capítulo parideiro. Não gosto de fechar capítulos em geral.
Claro que o pendor para a nostalgia me faz pensar, agora, no "então como é? isto agora é que era, que já não vais para nova", mas é uma ideia que passa rápido e de forma (praticamente) indolor. Sobretudo em dias como hoje, em que o meu ainda bebé está doente.
Tenho perfeita consciência que não tenho cabeça para três. Porque não sou descontraída, porque preciso muito de espaço e de tempo - chamem-lhe egoísmo-, se calhar porque tenho demasiadas expectativas acerca do que é ser boa mãe; ou então, não, sou apenas honesta comigo própria e sei que seria areia demais para o meu camião.
Então e se tivéssemos meios para suportar três mensalidades de creche, uma empregada para a casa, uma baby-sitter sempre ao dispor, dois automóveis, férias com babá e ainda algumas pontuais escapadinhas a dois que blogues e revistas de viagens nos vendem como obrigatórios e 'saudáveis até para os próprios filhos'? Não sei. Não há nada que se compare ao amor de e por um filho. É claro que a loucura de ter três rapazes (óbvio que nunca sairia menina) tem qualquer coisa de aliciante. Mas gosto tanto deles, dois, e de nós, quatro. Sempre me agradaram as simetrias, essa é que essa.
Adenda 1: Chateia-me um bocado pensar que podia haver mais seres humanos espectaculares como os meus filhos, isso chateia.
Adenda 2: Também me chateia fechar este capítulo da minha vida, o capítulo parideiro. Não gosto de fechar capítulos em geral.
19 abril 2012
há muito tempo que não entrava num provador
Continua a valer mais a pena comprar coisas sem experimentar. Está provado cientificamente que os espelhos dos provoadores não só fabricam carnes, buracos, olheiras e cabelos despenteados como verdadeiras auto-estradas para a quebra na auto-estima. Mas nem era sobre isso que queria falar: ontem fui pela primeira vez na vida à Primark e o meu coração exulta de alegria por encontrar alguma coisa mais barata do que as lojas dos chineses. E aquilo até tem coisas engraçadas.
Tentando ignorar as vozes na minha cabeça que me dizem que só podem ter sido vietnamitas da idade dos meus filhos a produzir aquilo.
Tentando ignorar as vozes na minha cabeça que me dizem que só podem ter sido vietnamitas da idade dos meus filhos a produzir aquilo.
18 abril 2012
salivando
O aniversário trouxe uma fugaz, porém relevante, engorda da carteira. Este ano, quero lá saber: vou desgraçar-me no the book depository. Livro de biblioteca é bom mas eu gosto de lhes poder pousar a caneca do café em cima à vontade.
17 abril 2012
do desfralde (porque sei que é um tema que interessa a todos)
Tem corrido às mil maravilhas. Não há um único chichi que não seja feito no bacio.
Já os cocós, são todos nas cuecas. E tantos que têm sido, senhores.
Já os cocós, são todos nas cuecas. E tantos que têm sido, senhores.
16 abril 2012
este estilo de maternidade
Sofro do complexo dos perfeccionistas: acho que tudo aquilo em que toco poderia ter ficado um bocadinho melhor. Mas estou em sossego com a minha forma de encarar a maternidade, pelo menos na fase em que me encontro, de mãe-de-dois-rapazes-pequenos.
Gosto de trabalhar e de ir buscá-los ao fim da tarde. Gosto de perguntar-lhes se brincaram muito e com quem. Gosto de lhes ver as calças curtas, as joelheiras a descolar e o cabelo despenteado. Gosto de responder a questões existencialistas, a um, enquanto sugiro chichis no bacio, ao outro, de 5 em 5 minutos. Gosto que sejam amigos e que partilhem brinquedos, guloseimas e amassos. Gosto que comam sempre a sopa de legumes mas que também haja dias em que o jantar são cachorros e não há drama nenhum. Gosto que se deitem cedo para que nós, adultos, também tenhamos existência própria, mas que haja sempre tempo para estórias antes de adormecer. Gosto que uma das primeiras palavras do mais novo tenha sido 'estória' e que o mais velho aprenda muitas palavras todos os dias. Gosto que desenhem na mesa azul e no quadro de ardósia. Gosto que adormeçam sem sobressaltos e que acordem bem-dispostos. Os meus filhos rabujam, estragam, disparatam e atrapalham-se como qualquer criança; eu irrito-me, suspiro, bufo e, às vezes, berro como qualquer mãe, mas gosto mesmo de nós assim.
Gosto de trabalhar e de ir buscá-los ao fim da tarde. Gosto de perguntar-lhes se brincaram muito e com quem. Gosto de lhes ver as calças curtas, as joelheiras a descolar e o cabelo despenteado. Gosto de responder a questões existencialistas, a um, enquanto sugiro chichis no bacio, ao outro, de 5 em 5 minutos. Gosto que sejam amigos e que partilhem brinquedos, guloseimas e amassos. Gosto que comam sempre a sopa de legumes mas que também haja dias em que o jantar são cachorros e não há drama nenhum. Gosto que se deitem cedo para que nós, adultos, também tenhamos existência própria, mas que haja sempre tempo para estórias antes de adormecer. Gosto que uma das primeiras palavras do mais novo tenha sido 'estória' e que o mais velho aprenda muitas palavras todos os dias. Gosto que desenhem na mesa azul e no quadro de ardósia. Gosto que adormeçam sem sobressaltos e que acordem bem-dispostos. Os meus filhos rabujam, estragam, disparatam e atrapalham-se como qualquer criança; eu irrito-me, suspiro, bufo e, às vezes, berro como qualquer mãe, mas gosto mesmo de nós assim.
13 abril 2012
o meu presente de aniversário
Jardineiro: Vossa Alteza que mais ordena? A pomba desapareceu.
Príncipe: Era tão bonita... Arma-lhe um laço de fita a ver se a conseguimos agarrar.
Jardineiro: O meu trabalho é humilde, mas é bela a minha obra: obra de transformação. Lido com a terra. Mas faço mudar a alma. Faço mudar os sentimentos, abrandando o coração. Também ajudo a descobrir o palpitar que há nas coisas: pedras, plantas, bichos, homens (...).
Arma um laço de fita, como o príncipe mandou. Surge a pomba.
Y. K. Centeno, As três cidras do Amor
O meu primo, o meu primeiro melhor amigo, que não vejo há pelo menos 25 anos, quer estar comigo. Cativei-o muito devagarinho e ele deixou-se cativar. Falta só todo o tempo que temos pela frente e muitos abraços que não sabemos bem como dar.
Príncipe: Era tão bonita... Arma-lhe um laço de fita a ver se a conseguimos agarrar.
Jardineiro: O meu trabalho é humilde, mas é bela a minha obra: obra de transformação. Lido com a terra. Mas faço mudar a alma. Faço mudar os sentimentos, abrandando o coração. Também ajudo a descobrir o palpitar que há nas coisas: pedras, plantas, bichos, homens (...).
Arma um laço de fita, como o príncipe mandou. Surge a pomba.
Y. K. Centeno, As três cidras do Amor
O meu primo, o meu primeiro melhor amigo, que não vejo há pelo menos 25 anos, quer estar comigo. Cativei-o muito devagarinho e ele deixou-se cativar. Falta só todo o tempo que temos pela frente e muitos abraços que não sabemos bem como dar.
11 abril 2012
no caminho inverso
Enquanto tanta gente de valor, esforçada e a quem desejo continuação de bom caminho, reeduca alimentações e estilos de vida, perde peso e ganha bons hábitos de actividade física, eu forço o ponteiro no sentido oposto. Vou compreendendo, chocolate a chocolate, aqueles que preenchem vazios emocionais com calorias. É burrice, bem sei; se não resulta para os outros, também não há de resultar para mim. Entretanto, devoro bonbons e colheradas de leite condensado. Sempre são socialmente mais aceitáveis do que as drogas e o álcool e permitem-me adiar mais uns tempos a urgência de endireitar as ideias sobre a minha vida. Imagino-me no Verão, na praia, a esconder o rabo em pareos e a enfardar Magnuns de amêndoas. Não faz mal, é isso que se espera, no fundo, de uma trintona mãe-de-filhos.
09 abril 2012
ressurreição
Foi a primeira Páscoa, em 13 anos, sem comungar. Mas valeu a pena por ter, de alguma forma, percebido algo que nunca tinha percebido antes. E isso implica que ainda há esperança, até para mim. Entretanto, e apesar de só ter iniciado o consumo de chocolates e amêndoas às 0:45 de Domingo, as calças quase já não me servem. Vou assobiar para o lado e culpar a altura do mês.
05 abril 2012
ao cuidado das farmacêuticas
(não, não vos vou rogar pragas - por agora)
E que tal desenvolverem uma droga porreirinha para uma pessoa se tornar 'positivista'? É que o meu problema não é falta de optimismo, nem problemas de ansiedade ou de depressão; não, o que eu estava a precisar era mesmo de me transformar numa daquelas alminhas que conseguem sempre, sempre ver o lado bom das coisas (ou inventar um, à falta de melhor), que enchem os blogues e as casas de verde-água, de flores, de citações e de musiquinhas de cantautor de pé descalço. O que eu queria mesmo era acreditar que a minha vida se resolve com vocações, metas, listas, objectivos e conquistas, e não de passar o tempo a magicar em coisas tão démodé e tabu como os vulgares problemas de dinheiro e de trabalho. Era isso. É que já não me aturo.
E que tal desenvolverem uma droga porreirinha para uma pessoa se tornar 'positivista'? É que o meu problema não é falta de optimismo, nem problemas de ansiedade ou de depressão; não, o que eu estava a precisar era mesmo de me transformar numa daquelas alminhas que conseguem sempre, sempre ver o lado bom das coisas (ou inventar um, à falta de melhor), que enchem os blogues e as casas de verde-água, de flores, de citações e de musiquinhas de cantautor de pé descalço. O que eu queria mesmo era acreditar que a minha vida se resolve com vocações, metas, listas, objectivos e conquistas, e não de passar o tempo a magicar em coisas tão démodé e tabu como os vulgares problemas de dinheiro e de trabalho. Era isso. É que já não me aturo.
04 abril 2012
acesso comuna
Filhos da mãe dos porcos capitalistas das companhias de seguros que gostam de nos vender a cena para nos sentirmos todos muito evoluídos e Estado-independentes e depois não nos reembolsam a cintigrafia do miúdo. Espero que as unhas dos pés lhes nasçam para dentro e que os turbos dos Audis lhes falhem na auto-estrada semanalmente.
03 abril 2012
truces
Alegria da semana: o meu bebé orgulhoso das suas novas "quecas, quecas, quecas!". Enquanto não se despir para as mostrar a toda a gente, por mim, maravilha.
28 março 2012
não deixem vir as andorinhas
Ou melhor, mandem-nas todas lá para os vossos quintais, que no meu não fazem ninho. Não tenho ânimo para Primavera em 2012, mais vale que venha logo o Verão e me torre a pele e os miolos, que me seque o coração e impeça, ao menos, de escrever piroseiras previsíveis deste género.
26 março 2012
yin yangs e outras tangas
Quem se lembrou de vir dizer que os opostos se atraem foi com certeza um homem com muita lábia e ainda mais necessidade de dar uso ao material. "Ah, e tal, que eu gosto de matrecos e de cerveja e tu gostas de ler Proust e de massagens com envolvimento em mel silvestre, mas isso até é bom porque constitui um desafio e nunca vamos cair na monotonia." O tanas. As diferenças não unem, desunem. As persperctivas divergentes podem alimentar um diálogo interessante mas, ao fim e ao cabo, todos precisamos de sossego e de compreensão. De comunhão. Enquanto falamos de clubes de futebol e de programas de televisão, a coisa ainda pode ser relativizada (e, e... que conheço um benfiquista ferrenho que jura a pés juntos que nunca teria nada com uma não benfiquista); agora, quando entramos em questões que mexem com os nossos valores fundamentais, com as nossas prioridades e com a nossa atitude geral perante a vida, a coisa torna-se mais complicada.
Estou mesmo cansada de viver em clivagem religiosa lá em casa. Falo disso aqui porque já discuti o assunto antes com o interessado e porque é algo que está, realmente, a consumir-me. A tolerância tem sido uma rede que nos tem sustentado ao longo destes anos mas, sinceramente, estou cansada de consertá-la e os buracos parecem cada vez maiores. Com a idade, os relativismos e as coisas mal resolvidas vão-nos roendo os calcanhares e nem sempre é fácil encontrar respostas que sirvam a todos. Na maior parte das vezes, o consenso é uma má solução para todos os envolvidos. E o que fazer a partir daí?
Estou mesmo cansada de viver em clivagem religiosa lá em casa. Falo disso aqui porque já discuti o assunto antes com o interessado e porque é algo que está, realmente, a consumir-me. A tolerância tem sido uma rede que nos tem sustentado ao longo destes anos mas, sinceramente, estou cansada de consertá-la e os buracos parecem cada vez maiores. Com a idade, os relativismos e as coisas mal resolvidas vão-nos roendo os calcanhares e nem sempre é fácil encontrar respostas que sirvam a todos. Na maior parte das vezes, o consenso é uma má solução para todos os envolvidos. E o que fazer a partir daí?
21 março 2012
porém, outros defeitos me acometem
Um orgulho do caracinhas, logo para começar. A noção de crítica construtiva é um conceito que não compreendo completamente. Como é possível que nem tudo o que eu faça seja considerado perfeito? Todo o meu esboço nasce para obra-prima. Sou primogénita, é suposto isto ter saído tudo bem à primeira.
Ou de como as aulas de escrita criativa não servem apenas para me fazerem elogios mas também para me obrigarem arregaçar as mangas e navegar outras águas. Vamos a isso, então.
Ou de como as aulas de escrita criativa não servem apenas para me fazerem elogios mas também para me obrigarem arregaçar as mangas e navegar outras águas. Vamos a isso, então.
20 março 2012
in veja
Não compreendo isto do bicho que nos rói quando alguém tem/ é/ consegue alguma coisa e nós não. Acho que nunca senti verdadeiramente uma trinca desse género, porém testemunho o fenómeno. A minha sociopatia impede-me de dar grande importância às opiniões dos outros mas, estranhamente, alegro-me com as conquistas daqueles de quem gosto. Quanto aos restantes, tanto me faz. Que irracional esta amargura que nos faz remoer no por que é que ele assim e eu não? Que desperdício de energia. Que infrutífera actividade a de argumentar acerca da justiça da distribuição divina de sortes e azares; e, contudo, a inveja move tanta gente e paralisa tanta mais. Às vezes parece que a inveja é a última forma de relação com o outro num mundo virado para o seu próprio umbigo. O egocêntrico, em vez de ver, in veja.
19 março 2012
constatação pós fim-de-semana
É oficial: afinal já sou muito mais mãe-cota do que miúda-na-descontra. Onze crianças a correr pelo corredor durante três horas é muito mais agradável do que o mesmo período de tempo de pé, de saltos de oito centímetros, num concerto à pinha. Está visto que a solução para todos os problemas que tenho agora passa por render-me àqueles sapatos de farmácia.
17 março 2012
a vida kitsch
Cheira a roupa lavada e, algures lá dentro, o mais pequeno toca harmónica. Já fiz as compras semanais, abasteci-me na fruta e legumes, e fui buscar o bolo de aniversário à pastelaria. As manhãs de fim-de-semana têm este ritmo que me transporta no tempo e faz pensar que fizemos (os portugueses da minha geração) um looping espectacular e voltámos basicamente ao mesmo.
Nasci em 1979 e os anos 80 são mais do que uma referência de moda ou colectânea musical; são uma memória bem viva. O sabão Clarim com que esfrego as manchas teimosas (adeus tira-nódoas!) é o mesmo que usava a minha mãe. A festa de hoje terá porcarias intemporais: batatas-fritas, pães-de-leite com queijo e fiambre, gelatina, salame de chocolate (adeus bolos de pasta americana, e nem vislumbres de câpequeiques ou outras alucinações doces passageiras). Pela primeira vez na vida, vou fazer rissóis (sushi, onde andas tu?). O antiquíssimo carro que conduzimos, para além de antigo é velho, avaria, vai para a oficina e espera-se horas nas filas de autocarro. Ir para o Algarve é o sonho de férias que nos alimenta a fornalha dos dias sobrecarregados, cuja intensidade, ainda assim, é atípica de há décadas atrás. No dia em que tivermos de pagar para ver as séries a que ainda conseguimos aceder nos canais americanos, desconfio bem que terei de dar uma nova oportunidade às telenovelas. Ou então começo a jogar no Totobola. Não compreendo, portanto, como é que alguém do meu tempo, pode render-se ao novo acordo ortográfico.
Nasci em 1979 e os anos 80 são mais do que uma referência de moda ou colectânea musical; são uma memória bem viva. O sabão Clarim com que esfrego as manchas teimosas (adeus tira-nódoas!) é o mesmo que usava a minha mãe. A festa de hoje terá porcarias intemporais: batatas-fritas, pães-de-leite com queijo e fiambre, gelatina, salame de chocolate (adeus bolos de pasta americana, e nem vislumbres de câpequeiques ou outras alucinações doces passageiras). Pela primeira vez na vida, vou fazer rissóis (sushi, onde andas tu?). O antiquíssimo carro que conduzimos, para além de antigo é velho, avaria, vai para a oficina e espera-se horas nas filas de autocarro. Ir para o Algarve é o sonho de férias que nos alimenta a fornalha dos dias sobrecarregados, cuja intensidade, ainda assim, é atípica de há décadas atrás. No dia em que tivermos de pagar para ver as séries a que ainda conseguimos aceder nos canais americanos, desconfio bem que terei de dar uma nova oportunidade às telenovelas. Ou então começo a jogar no Totobola. Não compreendo, portanto, como é que alguém do meu tempo, pode render-se ao novo acordo ortográfico.
16 março 2012
para desanuviar
"Diogo, anda para este lado (do lavatório) para eu te lavar os dentes."
"Não, não."
"Ai não? Está bem, olha, então vai pentear macacos!"
"Não pentei' 'cacos, não."
"Não, não."
"Ai não? Está bem, olha, então vai pentear macacos!"
"Não pentei' 'cacos, não."
14 março 2012
ai achas que és a super-mulher?
Até agora, o ponto alto do meu dia foi quando o guincho me puxou a falecida viatura para cima do reboque. Literal e figurativamente. O ponto baixo foi quando saltei do dito reboque e me subiu o vestido até às vergonhas. O rebocador virou-se de costas e depois pediu desculpa, que estava só a ser educado com "a senhora".
13 março 2012
com licença, não se importa que sorria?
Cai muito mal uma risada num funeral (a especialidade de uma pessoa que eu cá sei). Não se pode gostar de segundas-feiras. Se nos contam estórias tristes, há uma espécie de protocolo oficioso que dita que devemos franzir o sobrolho e contar uma ainda pior, para relativizar a coisa. O caracinhas. Sol há só um* mas nuvens há-as por todos os lados (menos em Portugal nos últimos meses, claro). Nada desponta a minha gratidão como aquele que me faz sorrir ou aquela que me arranca uma gargalhada inesperada. No dia em que eu tiver 97 anos (ou depois de amanhã, sei lá) e as artroses me tolherem os dedos e as cataratas me velarem os olhos, no fim de tarde de Verão em que eu sentir que não verei o próximo dia e pedir mais um Mojito com muita menta, agradeço que me façam uma visita para dizer que compreendem o meu sentimento, sim, mas gostavam de confirmar só se já conheço aquela piada muito parva. Depois podem abraçar-me levemente.
* e não me estraguem a metáfora com o argumento de haver outras estrelas, se faz favor.
* e não me estraguem a metáfora com o argumento de haver outras estrelas, se faz favor.
12 março 2012
5 anos
Acordámos todos com sol, passarinhos a cantar, muitos mimos, cócegas, risota e o peito a transbordar de amor. Hoje faz anos o menino mais lindo, mais querido, e com o maior coração do mundo. Reservo-me o direito de me babar profusamente e dizer todo o género de piroseiras todos os dozes de março do resto da nossa vida.
09 março 2012
conservadorismo capilar
Quando é que acaba mesmo a moda do cabelo cortado rente à nuca atrás e com rabichos compridos à frente? E a moda dos homens com cabelo comprido só de um lado? E a moda dos bigodes? Já agora, e a moda da depilação completa? Pergunto-me se voltaremos a ver pessoas com cortes de cabelo simétricos, pilosidades faciais devidamente eliminadas e pilosidades corporais nos sítios onde sempre existiram.
08 março 2012
o empoderamento do pipi
Acordar antes do despertador, com a dor de cabeça própria da altura do mês, preparar, arranjar, trabalhar, render-se ao croissant com chocolate, trabalhar mais um pouco, chorar-se (disso tudo e mais um pouco) às outras fêmeas do bando, respirar fundo para a segunda jornada com filhos, tachos, banhos, e o sonho de um duche quente a descer pelas costas. Não quero florzinhas, quero que me deixem enrolar numa bola e dormir.
(e que este dia deixe de ser assinalado por desactualização, quando todas as mulheres no mundo inteiro forem tratadas com a dignidade que qualquer ser humano merece)
(e que este dia deixe de ser assinalado por desactualização, quando todas as mulheres no mundo inteiro forem tratadas com a dignidade que qualquer ser humano merece)
07 março 2012
compromisso
A abnegação com que estou a fazer por terminar o último volume dos Millennium faz-me lembrar aquela vez em que esperei pelo fim de Junho para acabar com um namorado do liceu. Ele já tinha reprovado antes e eu não queria que o desgosto lhe desconcentrasse a já provável má prestação nas Provas Globais. Assim que Geografia (ou Filosofia? ou Alemão?) ficou arrumada, fui passar umas semanas a Inglaterra, livre como um passarinho, sem mais obrigações de beijar aqueles lábios de peixe, ou de andar de mãos dadas com muita vontade de estar noutro lado qualquer. Não quero desrespeitar o falecido Stieg Larsson, Deus o tenha em descanso. Mas estou desertinha por retomar prosas mais tesudas.
Saí da aula, ontem, gralha feita pavão. Se aquilo não fizer mais nada, pelo menos alimenta-me o ego. Para quem quer saber onde é, por favor enviem-me um email, que eu darei todos os detalhes.
Saí da aula, ontem, gralha feita pavão. Se aquilo não fizer mais nada, pelo menos alimenta-me o ego. Para quem quer saber onde é, por favor enviem-me um email, que eu darei todos os detalhes.
06 março 2012
ainda a propósito das palavras
Não é por me escaparem, atrevidas e insurrectas, que não as valorizo. Quando paro um pouco e consigo guardá-las cá dentro lembro-me de como gosto de apreciar as artes visuais e de tudo o que fala sem língua nem letras. De seguida, dá-me de novo vontade de ter uma máquina fotográfica de jeito. Não sendo isso possível, venho para aqui escrever mais inutilidades.
Hoje começo o curso de escrita criativa. Estou cheia de vergonha. Detesto primeiros dias de aulas. Detesto apresentações. Se me perguntarem por que estou ali, fujo pela porta fora. Tenho de praticar o meu ar introspectivo ao espelho antes de sair de casa. E desenhar umas olheiras a kohl, pelo sim, pelo não. Será que devia começar a fumar?
Hoje começo o curso de escrita criativa. Estou cheia de vergonha. Detesto primeiros dias de aulas. Detesto apresentações. Se me perguntarem por que estou ali, fujo pela porta fora. Tenho de praticar o meu ar introspectivo ao espelho antes de sair de casa. E desenhar umas olheiras a kohl, pelo sim, pelo não. Será que devia começar a fumar?
05 março 2012
perder a autoridade
Tinha aqui mais um post em banho-maria sobre estas questões da maturidade e coiso. E depois reparei que trazia dentro de uma das pernas das minhas skinnies (olha a referência fashionista!) as cuecas que usei ontem. Atrás do joelho. Há 4 horas, desde que enfiei à pressa a mesma roupa de ontem, exceptuando os interiores. Assim percebo as minhas dores de crescimento e incapacidade de aceitar a condição de adulta. Há uma constante parvoeira dentro de mim a querer sair, que não se coaduna com reflexões existencialistas, com aprendizagens profundas, com amizades daquelas em que somos ombros e consciências uns dos outros - em vez de alvo de chacota mútua ou ouvido para a piadola palerma. Enquanto fizer destas coisas, e isso me der um gostinho bom de vergonha e infantilidade, nunca serei uma pessoa crescida. Nem conseguirei conviver decentemente com pessoas chatas como a potassa crescidas.
E o medo de que alguém me roube a mala de esticão e me leve a cueca enroladinha debaixo do porta-moedas?
E o medo de que alguém me roube a mala de esticão e me leve a cueca enroladinha debaixo do porta-moedas?
29 fevereiro 2012
leva-as o vento
Era bom que idade fosse sinónimo de sabedoria mas começo a suspeitar que isso nem sempre é verdade. Se há coisa que gostava de ver a aparecer em mim, em vez das rugas e dos cabelos brancos, era a capacidade de medir as palavras. Não é que eu fale muito, sai-me é tudo em catadupa, sem medidas de contenção nem gestões emociorçamentais que me valham. Não posso continuar a desculpar-me com o signo, com o género, nem com a nacionalidade, e envergonho a minha Mãe se disser que foi da criação (não foi, que ela é a rainha do auto-controlo). A verdade é que sou uma desbocada sem remédio. E já era altura de não ser assim, caramba.
As palavras, esses pequenos seres volúveis e imprevisíveis, não costumam ir com o vento sem antes entrarem em ouvidos e marcarem corações. Por isso, tive de ir aprimorando pedidos de desculpa, acho que já podia escrever um manual. Mas isso é de pouco consolo. Resta-me acreditar que, lá pelos quarenta, vou mesmo conseguir ficar calada. E que, entretanto, também abro a boca para dizer coisas bonitas, que amaciam almas e enchem egos. Os mais sensíveis que me vão perdoando.
As palavras, esses pequenos seres volúveis e imprevisíveis, não costumam ir com o vento sem antes entrarem em ouvidos e marcarem corações. Por isso, tive de ir aprimorando pedidos de desculpa, acho que já podia escrever um manual. Mas isso é de pouco consolo. Resta-me acreditar que, lá pelos quarenta, vou mesmo conseguir ficar calada. E que, entretanto, também abro a boca para dizer coisas bonitas, que amaciam almas e enchem egos. Os mais sensíveis que me vão perdoando.
28 fevereiro 2012
ainda recuperando das gravidezes
Vejo por aí o pessoal a queixar-se de como é duro recuperar o corpo depois de ter filhos.
Eu queria era recuperar o cérebro. Ca burra que me sinto às vezes, senhores! Isto antes não era assim.
Eu queria era recuperar o cérebro. Ca burra que me sinto às vezes, senhores! Isto antes não era assim.
27 fevereiro 2012
ommmm
Não voltarás a negligenciar o teu corpo porque quando te mexeres vais sentir-te uma múmia estropiada.
Não voltarás a negligenciar o teu corpo porque quando te mexeres vais sentir-te uma múmia estropiada.
Não voltarás a negligenciar o teu corpo porque quando te mexeres vais sentir-te uma múmia estropiada.
Não voltarás a negligenciar o teu corpo porque quando te mexeres vais sentir-te uma múmia estropiada.
Não voltarás a negligenciar o teu corpo porque quando te mexeres vais sentir-te uma múmia estropiada.
Não voltarás a negligenciar o teu corpo porque quando te mexeres vais sentir-te uma múmia estropiada.
Não voltarás a negligenciar o teu corpo porque quando te mexeres vais sentir-te uma múmia estropiada.
Não voltarás a negligenciar o teu corpo porque quando te mexeres vais sentir-te uma múmia estropiada.
Não voltarás a negligenciar o teu corpo porque quando te mexeres vais sentir-te uma múmia estropiada.
Não voltarás a negligenciar o teu corpo porque quando te mexeres vais sentir-te uma múmia estropiada.
Não voltarás a negligenciar o teu corpo porque quando te mexeres vais sentir-te uma múmia estropiada.
Não voltarás a negligenciar o teu corpo porque quando te mexeres vais sentir-te uma múmia estropiada.
Não voltarás a negligenciar o teu corpo porque quando te mexeres vais sentir-te uma múmia estropiada.
Não voltarás a negligenciar o teu corpo porque quando te mexeres vais sentir-te uma múmia estropiada.
Não voltarás a negligenciar o teu corpo porque quando te mexeres vais sentir-te uma múmia estropiada.
Não voltarás a negligenciar o teu corpo porque quando te mexeres vais sentir-te uma múmia estropiada.
Não voltarás a negligenciar o teu corpo porque quando te mexeres vais sentir-te uma múmia estropiada.
Não voltarás a negligenciar o teu corpo porque quando te mexeres vais sentir-te uma múmia estropiada.
Não voltarás a negligenciar o teu corpo porque quando te mexeres vais sentir-te uma múmia estropiada.
22 fevereiro 2012
ciências exactas vs. ciências sociais
Gugas: Por que é que os copos são transparentes?
Em uníssono:
Pai: Porque são feitos de vidro.
Mãe: Para vermos o que está la dentro.
E tanto, tanto que estas respostas dizem sobre cada um de nós. Em abono da verdade, diga-se que a minha resposta não foi apropriada, eu respondi a "para que é que os copos são transparentes?". O que também revela que eu quero cá saber de como são objectivamente as coisas, só me interessa o que está por detrás do imediato.
Em uníssono:
Pai: Porque são feitos de vidro.
Mãe: Para vermos o que está la dentro.
E tanto, tanto que estas respostas dizem sobre cada um de nós. Em abono da verdade, diga-se que a minha resposta não foi apropriada, eu respondi a "para que é que os copos são transparentes?". O que também revela que eu quero cá saber de como são objectivamente as coisas, só me interessa o que está por detrás do imediato.
20 fevereiro 2012
gestão dos recursos humanos
O tempo passa, eles crescem, e parece que aumenta a desproporção entre adultos e crianças lá em casa. Não é que esteja a dar a mão à palmatória para reconhecer que os miúdos crescidos dão mais trabalho que os bebés, mas dão um trabalho mais elaborado. Aqueles seres mais ou menos inertes, anémonas sociais, passam a ser cada vez mais pessoas. E nós, crescidos, temos de nos habituar às novas nuances, dançar ao ritmo de diferentes sensibilidades, susceptibilidades e maneiras de estar.
Em suma: o pequeno toureia-nos. Tão depressa é um doce irresistível como um tiraninho implacável, um napoleãozeco que precisa muito que lhe assentem os pés no chão; já o grande vê a sombra do outro a aumentar depressa, se calhar mais do que nós. Anda murcho e a precisar de mimo. Com quase 5 anos, numas coisas é tão maduro, e noutras tão bebé. Tento cultivar-lhe a inocência temperada com a assertividade necessária. Olha, pode ser que aprendam um com o outro, que nós, adultos, também andamos um bocado aos papéis.
Em suma: o pequeno toureia-nos. Tão depressa é um doce irresistível como um tiraninho implacável, um napoleãozeco que precisa muito que lhe assentem os pés no chão; já o grande vê a sombra do outro a aumentar depressa, se calhar mais do que nós. Anda murcho e a precisar de mimo. Com quase 5 anos, numas coisas é tão maduro, e noutras tão bebé. Tento cultivar-lhe a inocência temperada com a assertividade necessária. Olha, pode ser que aprendam um com o outro, que nós, adultos, também andamos um bocado aos papéis.
19 fevereiro 2012
coisas que me têm feito bem
Os dias maiores. Atirar bolinhas saltitonas à parede da minha colega de trabalho. O meu bebé estar crescido e engraçado como tudo. Apanhar bocadinhos de sol. Fazer festas ao Roger (que está acampado cá em casa). Comer peixe grelhado. Conhecer pessoas verdadeiras. Retomar o Yoga (bom, esta é só na próxima semana). Rir um bocadinho mais.
Em compensação, ler a Trilogia Millennium tem-me feito mal. Uma heroína antissocial e ligeiramente psicótica é tudo menos o exemplo que preciso de seguir.
Em compensação, ler a Trilogia Millennium tem-me feito mal. Uma heroína antissocial e ligeiramente psicótica é tudo menos o exemplo que preciso de seguir.
14 fevereiro 2012
vinte e seis anos e não sei quantos mil quilómetros de estilo
Como descrever a alegria de conduzir de novo o nosso primeiro automóvel? Imaginem uma gralha empoleirada num pequeno jipe verde, agarrando-se com unhas e dentes a um volante enorme sem direcção assistida, e com um sorriso rasgado que já não via a luz do dia desde a última vez que andou a tocar à porta dos vizinhos e a fugir muito depressa.
O meu jipe voltou. Aquele que a minha mãe empurrou, à chuva, connosco lá dentro, quando afogou o motor pela enésima vez (coitadinha). O transportador de mais de uma vintena de miúdos a caminho das festas de aniversário. O veículo onde aprendi a conduzir aos 10 anos, aquele em que atravessei pela primeira vez a Ponte Vasco da Gama, o minúsculo tanque de guerra que me fez sentir poderosa, adulta!, quando saía das aulas da universidade e tudo era ainda possível. É nosso de novo, com todas as suas quatro velocidades, atingindo a loucura dos 110 quilómetros/hora (em descida), uma buzina de camião TIR e muito, muito charme. Os meus filhos ainda hão de conduzir aquele jipe, queira o bicho da ferrugem poupá-lo só um pouco mais. E assim se vê que poucas coisas me fazem tão bem como viajar no tempo.
O meu jipe voltou. Aquele que a minha mãe empurrou, à chuva, connosco lá dentro, quando afogou o motor pela enésima vez (coitadinha). O transportador de mais de uma vintena de miúdos a caminho das festas de aniversário. O veículo onde aprendi a conduzir aos 10 anos, aquele em que atravessei pela primeira vez a Ponte Vasco da Gama, o minúsculo tanque de guerra que me fez sentir poderosa, adulta!, quando saía das aulas da universidade e tudo era ainda possível. É nosso de novo, com todas as suas quatro velocidades, atingindo a loucura dos 110 quilómetros/hora (em descida), uma buzina de camião TIR e muito, muito charme. Os meus filhos ainda hão de conduzir aquele jipe, queira o bicho da ferrugem poupá-lo só um pouco mais. E assim se vê que poucas coisas me fazem tão bem como viajar no tempo.
13 fevereiro 2012
seguro social faz-de-conta-que voluntário
O frio lá de fora vai-se tornando mais apetecedor à medida que as horas avançam e o ambiente, cá dentro, aquece e embacia as minhas lentes de contacto. Já li quase 300 páginas e começa a ser difícil abstrair-me do que me rodeia: a Carolina; a Avó da Carolina, que guincha a chamar a neta de minuto a minuto; a senhora do meu lado esquerdo, com um impossível mau hálito mesmo de boca fechada; o senhor do lado direito, cujo cabelo não vê champô desde o ano passado; a desempregada que chora; o velhote adormecido; muita, muita gente à conversa, ao telemóvel, a ver a Praça da Alegria, a espreitar o meu livro - mais ninguém a ler, como é possível? -, a folhear a Maria, a limpar as unhas. Alguém comenta a "guerra civil lá na Grécia" e sugere que falta o mesmo por cá. Alguém que, como eu, está a passar a manhã numa cadeira de plástico para pedir um papel. Para se encostar mais um pouco a um sistema de protecção social que parece ser direito incontestável de nascença. Vou lá fora comer duas queijadas e beber uma bica queimada. Volto e alegro-me porque já vai na senha 61. Só estive lá 3 horas e resolvi o problema à primeira. A nossa eficiência burocrática aproxima-se incontestavelmente dos níveis da Europa-de-cabelos-louros. Há esperança de continuarmos todos a ter repartições, subsídios, bodes expiatórios durante mais uns bons tempos. Mesmo que tenhamos de ouvir dizer que somos piegas.
10 fevereiro 2012
sim, é possível
Uma das consequências de gostar mesmo do trabalho que fazemos é a diminuição do apelo da blogosfera. Facebook, então, nem vê-lo. Gosto das mesmas pessoas mas perco-me menos à procura de outras coisas quando há tantos textos lindos para editar, tantos erros absurdos para corrigir (e autores para insultar), tanto htmlzinho cheio de bugs para exterminar. A alegria no trabalho é uma coisa bonita. E até me esqueço que nunca hei de chegar a rica, por este caminho. Quero lá saber.
09 fevereiro 2012
olha o livetan 500 mg ali a sorrir para mim
Afinal, a coisa que mais me arrelia na vida não são os taxistas nem os pivots da TVI; não, o que me descontrola mesmo os nervos é a lentidão impossível com que o Diogo leva à boca uma colher de iogurte. Um episódio da Casa do Mickey dá para umas 4 colheradas. Graças a Deus que as embalagens aqui são metade das americanas.
07 fevereiro 2012
amizades
Sempre tive poucos amigos. Há um grupo de amigas que conservo há mais de dez anos e que nunca me falha. A mais nova tem mais de 60 anos, a mais velha aproxima-se disfarçadamente dos 90 - e ainda é a mulher que conheço que conduz melhor. Estiveram sempre comigo, mesmo quando estive longe. Houve um postal, houve uma carta, houve um email quando precisei e há sempre, sempre um abraço quando nos encontramos. Não passam o tempo todo a falar de doenças mas gostam de me contar as façanhas dos netos e as gracinhas dos bisnetos. Têm todas um coração de ouro. Vou vendo estas minhas amigas na minha Paróquia. E agora são também amigas dos meus filhos. Ontem passámos por uma delas (que estava com outra pessoa) e o Gugas parou e quis voltar atrás para ir dar-lhe um beijinho. São estas coisas que me fazem pensar que, no meio de um mundo com tanto sofrimento e tantas injustiças, ainda há muita Luz.
06 fevereiro 2012
a minha cozinha
Nas fantasias milionárias de cada um de nós vestem-se marcas impronunciáveis, calçam-se sapatos de sola vermelha, circulam automóveis topo de gama e constroem-se moradias pós-modernas, decoradas a branco absoluto. Eu sonho apenas com uma coisa: uma cozinha nova.
Esta cozinha teria todos os equipamentos de última geração. Estaria permanentemente abastecida dos melhores produtos. Revestida a travertino, com iluminação inteligente sob os armários, sistema de limpeza automática e sistema integrado multimédia de origem nórdica. E nem uma migalha perturbaria a lisura da bancada.
Estou a mentir descaradamente. Desculpem lá mas estou-me a cagar para como seria a tal cozinha. O meu sonho era nunca mais pôr os pés numa cozinha. Nunca mais mexer em louça suja. Nunca mais abrir uma tábua de engomar. Nunca mais limpar o congelador. Nunca mais descascar uma cebola e, oh sim, nunca mais tirar a nhanha que sempre acaba por ir parar ao fundo do caixote do lixo. O meu sonho de rica é politicamente incorrecto. É uma criada. Muda, de preferência.
Esta cozinha teria todos os equipamentos de última geração. Estaria permanentemente abastecida dos melhores produtos. Revestida a travertino, com iluminação inteligente sob os armários, sistema de limpeza automática e sistema integrado multimédia de origem nórdica. E nem uma migalha perturbaria a lisura da bancada.
Estou a mentir descaradamente. Desculpem lá mas estou-me a cagar para como seria a tal cozinha. O meu sonho era nunca mais pôr os pés numa cozinha. Nunca mais mexer em louça suja. Nunca mais abrir uma tábua de engomar. Nunca mais limpar o congelador. Nunca mais descascar uma cebola e, oh sim, nunca mais tirar a nhanha que sempre acaba por ir parar ao fundo do caixote do lixo. O meu sonho de rica é politicamente incorrecto. É uma criada. Muda, de preferência.
03 fevereiro 2012
o meu bebé faz dois anos
O dia em que nasceste foi só nosso. Enquanto o teu pai e o teu irmão ouviam estórias na biblioteca, eu dancei em sossego até quereres vir cá para fora. E depois dormi contigo no meu peito. Foi tudo perfeito.Tenho saudades de te ter na maminha enquanto a neve caía lá fora. De resto, desculpa mas não tenho saudades de mais nada de quando eras pequenino. É muito melhor agora que és um bebé crescido, engraçado, surpreendente, pantomineiro e muito, muito espertalhão. É sem sombra de modéstia que afirmo que o mundo ficou um lugar melhor porque te gerámos. Mas o mérito de seres exactamente como és, esse é cada mais teu. Parabéns filhote bom.
Não sei o que aconteceu à primeira versão deste post... Puff, evaporou-se na blogosfera.
Não sei o que aconteceu à primeira versão deste post... Puff, evaporou-se na blogosfera.
01 fevereiro 2012
na senda dos passarinhos
O frio não vai durar para sempre. E mesmo que a chuva só chegue em Março (e se prolongue até Agosto...), haverá dias em que o tempo permitirá estar fora de casa e sentir o cheiro da Primavera a chegar. Haverá até dias em que não teremos doenças nem contas com que nos preocupar - ou então aprendemos a ignorá-las com muita força - e vamos acordar de manhã, antes do despertador, e tomar o pequeno-almoço com calma. É capaz de haver até um ou outro fim de tarde em que aterraremos numa esplanada na praia, o vento estará manso e a sangria muito, muito fresca. Com ameijoas. E salada de polvo. E ainda que as coisas não façam sentido, os pés enterrados na areia vão fazer-nos sentir que as coisas não precisam realmente de fazer sentido.
30 janeiro 2012
as vivências da dor
Depois de tudo na semana passada ou, melhor, durante tudo na semana passada, tive tempo para pensar que isto do sofrer também é uma coisa que nos distingue muito, pessoa a pessoa. Quando o nosso clube de futebol perde, há os que batem na mulher e há os que querem lá saber. Quando uma coisa daquelas mesmo más, mesmo omnipresentes, mesmo incontornáveis nos arrastam para o fundo do poço, também agimos todos de maneira muito diferente.
Eu percebi que tenho tendência para a dor exibicionista (que surpresa...). No dia em que me acontecer uma grande desgraça, não vou ser daquelas que se fecham num casulo; também não vou fazer de conta que nada se passa. Não, eu vou chatear toda a gente à minha volta, vou chorar toda a água e cloreto de sódio que tiver em mim, vou deitar cá para fora todas as palavras do dicionário e mais uns quantos neologismos, vou purgar aquela dor toda até perceber que, mesmo assim, ela não passa. Que não há grande dor que passe por método nenhum. O tempo lá a há-de transformar, mas não eliminar.
E o que é que ganhei com esta aprendizagem? Nada. Auto-conhecimento, vá. Mas o auto-conhecimento é uma característca claramente sobrevalorizada. Um subproduto da literatura de auto-ajuda. Ao contrário do sarcasmo, que também não serve para nada mas sempre nasce connosco.
Ah pois é, posts optimistas e com passarinhos só lá para Março. Fevereiro, se continuar sem chover e a EDP decidir que se enganou num zero da nossa última factura.
Eu percebi que tenho tendência para a dor exibicionista (que surpresa...). No dia em que me acontecer uma grande desgraça, não vou ser daquelas que se fecham num casulo; também não vou fazer de conta que nada se passa. Não, eu vou chatear toda a gente à minha volta, vou chorar toda a água e cloreto de sódio que tiver em mim, vou deitar cá para fora todas as palavras do dicionário e mais uns quantos neologismos, vou purgar aquela dor toda até perceber que, mesmo assim, ela não passa. Que não há grande dor que passe por método nenhum. O tempo lá a há-de transformar, mas não eliminar.
E o que é que ganhei com esta aprendizagem? Nada. Auto-conhecimento, vá. Mas o auto-conhecimento é uma característca claramente sobrevalorizada. Um subproduto da literatura de auto-ajuda. Ao contrário do sarcasmo, que também não serve para nada mas sempre nasce connosco.
Ah pois é, posts optimistas e com passarinhos só lá para Março. Fevereiro, se continuar sem chover e a EDP decidir que se enganou num zero da nossa última factura.
28 janeiro 2012
já passou
Em primeiro lugar, muito obrigada a todos pelas vossas palavras de preocupação e de apoio durante esta nossa semana tão difícil. Felizmente, parece que o pior já passou.
O Diogo teve uma infecção urinária, que até foi detectada relativamente cedo - até porque coincidiu com o que parecia ser, inicialmente, só uma virose. O pior foi que reagiu mal ao primeiro antibiótico e esteve quatro dias inteiros sem comer e quase sem aguentar líquidos. Por duas vezes esteve próximo de ser internado mas, com muita paciência e dedicação, com a tolerância possível ao sofrimento dele, e com o apoio dos avós, lá fomos conseguindo, mililitro a mililitro, que ele não desidratasse. Perdeu muito peso e ficou absolutamente de rastos, mas agora já voltou a comer e está bem disposto.
Eu tive muito medo. O tempo passava, eu via-o a não melhorar e só pensava em coisas piores. Consegui apenas vislumbrar como uma doença grave de um filho é uma chaga permanentemente acesa na alma de um pai. E agora tiro uma alegria absolutamente brutal de cada pequeno gesto que nos revela que estamos de volta ao quotidiano. Cada sorriso naquela carinha que é só dentes e olhos pestanudos enche-me o coração de uma maneira indescritível. Espero que tempos mais pacíficos se avizinhem.
O Diogo teve uma infecção urinária, que até foi detectada relativamente cedo - até porque coincidiu com o que parecia ser, inicialmente, só uma virose. O pior foi que reagiu mal ao primeiro antibiótico e esteve quatro dias inteiros sem comer e quase sem aguentar líquidos. Por duas vezes esteve próximo de ser internado mas, com muita paciência e dedicação, com a tolerância possível ao sofrimento dele, e com o apoio dos avós, lá fomos conseguindo, mililitro a mililitro, que ele não desidratasse. Perdeu muito peso e ficou absolutamente de rastos, mas agora já voltou a comer e está bem disposto.
Eu tive muito medo. O tempo passava, eu via-o a não melhorar e só pensava em coisas piores. Consegui apenas vislumbrar como uma doença grave de um filho é uma chaga permanentemente acesa na alma de um pai. E agora tiro uma alegria absolutamente brutal de cada pequeno gesto que nos revela que estamos de volta ao quotidiano. Cada sorriso naquela carinha que é só dentes e olhos pestanudos enche-me o coração de uma maneira indescritível. Espero que tempos mais pacíficos se avizinhem.
26 janeiro 2012
psicologicamente de rastos
Fazia agora 3 maratonas para ter o Diogo bom de novo. Ele sofre e nós sofremos. Ele, prostrado. Nós, impotentes. Pessoas que ainda não têm filhos: não tenham filhos. Não saber, não poder ajudar, não ver a saída, não conseguir curar, duvidar, esperar, desesperar, não conseguir dar resposta aos olhos que nos miram e esperam que os façamos sentir melhor. É demais.
20 janeiro 2012
amanhã é que é
Ele não acredita em Deus. Ele não acredita (realmente) no Benfica. Ele desconfia da homeopatia, da meditação e das ciências sociais em geral. Mas ele acredita em si próprio, com uma fé inabalável. Todas as noites, antes de se deitar, o meu homem prepara a roupa do dia seguinte e pendura-a na casa-de-banho para não me acordar. Acredita que no próximo dia é que vai mesmo acordar antes de mim e, para não perturbar o meu descanso, vestir-se-á onde não o ouço. Tão querido.
Eu acredito em tudo e mais alguma coisa mas desconfio muito das minhas boas intenções.
Eu acredito em tudo e mais alguma coisa mas desconfio muito das minhas boas intenções.
18 janeiro 2012
tanto tempo depois
Deixar uma vida para trás é fácil quando imaginamos o que fica cristalizado, intocado. As coisas e as pessoas daquele tempo e daquele lugar continuam a mover-se dentro das suas rotinas e isso é fácil de gerir, o previsível não faz tanta falta. É só quando algo se desequilibra, quando há dor e angústia lá muito longe, onde não podemos chegar, que percebemos a distância e a dimensão da ausência. Quando há pessoas do nosso antigo dia-a-dia que não estão bem, e nós não estamos lá. Então, o nosso coração atravessa oceanos e faz-se próximo. Conseguimos cheirar o ar daquele lado, sentir o frio seco na pele, redimensionar-nos pequenos, num mundo demasiado grande. Hoje, pela primeira vez desde o regresso, quis estar em Princeton para dar um grande abraço a quem está a precisar.
pelas magras
As minhas amigas de todos os tipos de corpo e IMC que me perdoem, mas isto não passa de hoje: estou um bocadinho cansada de ouvir e ler dizer mal da magreza. Ninguém pode andar por aí a dizer mal da gordura, que é logo trucidado, mas as pessoas magras acabam todas enfiadas no mesmo saco de doença e irrealismo, sem apelo nem agravo, e está tudo muito bem.
Hoje comi uma gigante fatia de bolo de banana e canela com doce de ovos ao pequeno-almoço e não tenho de pedir desculpa a ninguém por isso. Clinicamente, tenho um peso um pouco abaixo do normal para a minha altura. Não faço dietas. Não sou obcecada com a imagem. Sou assim e tenho direito a isso, como qualquer outra pessoa. Por isso, se não gostam de ver actrizes magras, paciência. Eu também não gosto de ver pessoas morenas com o cabelo pintado de loiro platinado, mas não ando para aí a dizer que alguém "devia dizer-lhes" que aquilo lhes fica mal, nem que os homens que gostam daquilo devem estar todos desorientados. AR I ESS PI I CI TI.
Hoje comi uma gigante fatia de bolo de banana e canela com doce de ovos ao pequeno-almoço e não tenho de pedir desculpa a ninguém por isso. Clinicamente, tenho um peso um pouco abaixo do normal para a minha altura. Não faço dietas. Não sou obcecada com a imagem. Sou assim e tenho direito a isso, como qualquer outra pessoa. Por isso, se não gostam de ver actrizes magras, paciência. Eu também não gosto de ver pessoas morenas com o cabelo pintado de loiro platinado, mas não ando para aí a dizer que alguém "devia dizer-lhes" que aquilo lhes fica mal, nem que os homens que gostam daquilo devem estar todos desorientados. AR I ESS PI I CI TI.
16 janeiro 2012
no bom caminho
Chegam do supermercado com a cesta cheia. Preparam o jantar, limpam a cozinha (vassoura, esfregona, tudo em ordem), comem. A sopa está quente, está sempre demasiado quente. No fim, arrumam a louça e pegam na cota de malha, no escudo, capacete, machado, espadas. São cavaleiro e escudeiro, e esta é a hora de praticar as artes da guerra. Os meus filhos e os derradeiros (e preferidos) presentes de Natal.
14 janeiro 2012
sopeiro-log, versão gralha
Aproveitando a irritação do momento, com a suposta promoção Continente-EDP, não resisto partilhar como passámos a poupar 15€ semanais com o supermercado. Pelo simples facto de ter deixado de consumir Belmiro e ter passado a Jerónimo + frutaria, o nosso orçamento semanal para comida passou de 60€ para 45€, incluindo tudo menos os almoços semanais dos meninos, que são na escola. Obrigadinha, EDP, podem lá ficar com o desconto. Só gostava de ter onde colocar paineis solares para me ver livre da vossa raça.
13 janeiro 2012
a visibilidade da dor
Estava agora a ler a notícia do casal italiano que se suicidou por causa da crise e pareceu-me mesmo sintomática deste momento na nossa história colectiva. (Não ponho a hiperligação porque a qualidade jornalística da notícia está má demais, como a encontrei, e ainda não a vi noutras fontes de informação)
Deus abençoe os italianos e a sua expressividade. Como é bom que haja quem esperneie sonoramente, quem não esteja satisfeito e não se satisfaça com likes em movimentos sociais online, ou com manifestações que são pouco mais que o ajuntamento diurno dos mesmos que estão no Largo do Camões à uma da manhã.
Este casal insatisfeito apelou às mais altas instâncias. E não foi ouvido. E, tristemente, tomou a drástica decisão, para a vida e para a morte, de dizer que assim não dava. É que este sistema não dá mesmo. Não sou de esquerda, não acho que a distribuição dos bens deva ser igualitária mas meritocrática (não falo de oportunidades, atenção!). Mas não faz mesmo sentido que um conjunto de empresas do sector financeiro continue a engordar quando há cada vez mais pessoas a pagar essa engorda à custa de dificuldades que já entram na definição socioeconómica de efectiva pobreza. Não é que um casal de meia idade e o seu acto neo-shakespeariano vão mudar o mundo. Pode ser que aumentem só um bocadinho a visibilidade da dor colectiva, que é demasiado silenciosa, demasiado envergonhada.
Deus abençoe os italianos e a sua expressividade. Como é bom que haja quem esperneie sonoramente, quem não esteja satisfeito e não se satisfaça com likes em movimentos sociais online, ou com manifestações que são pouco mais que o ajuntamento diurno dos mesmos que estão no Largo do Camões à uma da manhã.
Este casal insatisfeito apelou às mais altas instâncias. E não foi ouvido. E, tristemente, tomou a drástica decisão, para a vida e para a morte, de dizer que assim não dava. É que este sistema não dá mesmo. Não sou de esquerda, não acho que a distribuição dos bens deva ser igualitária mas meritocrática (não falo de oportunidades, atenção!). Mas não faz mesmo sentido que um conjunto de empresas do sector financeiro continue a engordar quando há cada vez mais pessoas a pagar essa engorda à custa de dificuldades que já entram na definição socioeconómica de efectiva pobreza. Não é que um casal de meia idade e o seu acto neo-shakespeariano vão mudar o mundo. Pode ser que aumentem só um bocadinho a visibilidade da dor colectiva, que é demasiado silenciosa, demasiado envergonhada.
10 janeiro 2012
voltar a estar bem
Culpo a crise, culpo o discurso sobre a crise, os media em geral, o mês, as incertezas, a falta de exercício físico, o excesso de carne vermelha, o incompetente que só nos montou meia janela, o fim da segunda visualização de todas as temporadas do Lost; mas o problema está lá, no atirar culpas para tudo. No estar permanentemente zangada, irritada, afrontada. Gostava que me passassem uma receita médica para esta condição, que a receita espiritual que geralmente funciona parece estar suspensa por tempo indeterminado. Em não sendo possível, se me arranjarem uma boa receita de bolo de chocolate branco (era isso, não era, Melissa?), acredito que também possa ajudar.
09 janeiro 2012
penedos, castelos e o Tejo
Fim-de-semana bom, bom, de passeio pela Beira Baixa e Alto Alentejo e muito tempo só para andar, parar, conversar, comer, descansar a dois. Vimos e revimos terras lindas desde Monsanto até Marvão (onde conheci finalmente a Catarina e a sua linda Mercearia), enchemos o coração de orgulho da nossa terra e tivemos só um bocadinho de pena que haja já tão pouca gente em muitos destes sítios. O melhor de tudo foi mesmo rever o lugar onde a nossa história, enquanto casal, começou - uma terra linda onde fazíamos os estágios de remo na adolescência. É maravilhoso voltar onde fomos tão felizes, onde nos ríamos até doer a barriga, e onde tudo era tão simples.
06 janeiro 2012
da vida nova
Anda tudo um bocado de pernas para o ar. Gosto de rotinas e não gosto de passar a vida a ter de alterar rotinas. Mas também gosto muito do meu trabalho novo e, por isso, vale a pena todo o stress e confusão do malabarismo com casa, filhos, e trabalho a tempo inteiro sem flexibilidades. Faz-me muita falta ler e correr, não sei ainda como reencaixar isso nas vinte e quatro sobre sete. Detesto Janeiro, detesto estar com este humor de cão. Mas o céu está azul, os meninos não estão doentes (toc toc toc!) e hoje vamos fim-de-semanar para a aldeia mais portuguesa de Portugal (obrigada amigos que o proporcionaram). Já agora, alguém se oferece para desfazer a minha árvore de Natal?
04 janeiro 2012
luxos domésticos
Filho grande
Filho pequeno
Pai
Mãe
Mais o frango do campo e a fruta e legumes nacionais da frutaria da esquina para toda a família. O resto é mesmo marca branca. Quando ouço quem diz que tem de poupar e vai, por isso, cortar nos jantares fora, no cinema, nos concertos, nas 'escapadinhas', nas idas à Zara, no cabeleireiro, torna-se claro que o conceito de poupança é muito relativo. Absurdo, às vezes.
03 janeiro 2012
purificação
Estava a precisar de comprar uma daquelas embalagens de seiva de ácer, ou lá o que é, e passar uma semana a enxaguar-me por dentro com aquilo. Lavar as entranhas, limpar sedimentos, levar memórias e avivar outras que se perderam.
(terceira semana num mês com filhos doentes - não dá para mais que isto)
(terceira semana num mês com filhos doentes - não dá para mais que isto)
01 janeiro 2012
vivendo de acordo com o IVA
Nova resolução para 2012: não beber mais nada taxado a 23%. Que ressaca mais cadelenta...
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