O Dunga anda há 2 meses e tal a tomar um medicamento para o refluxo. No início, era só passar pela farmácia do supermercado e trazê-lo. Recentemente, a companhia de seguros avisou-nos que tinhamos de pedi-lo directamente a eles, pelo que seria necessário uma nova receita. Lá se arranjou a nova receita, que mandei pelo correio para os senhores chupistas, perdão, para a companhia de seguros. Medicamento é que nem vê-lo. E o Diogo agora não quer o leite e não sossega deitado, pelo que as nossas noites têm sido assaz agradáveis.
Isto não aconteceria em Portugal.
10 junho 2010
08 junho 2010
os tugas vistos de fora
(Diálogo imaginário na piscina. Ou então não. Você decide)
Vizinha 1: "Look, here they come."
Vizinha 2: "Oh, that kid is so cute."
V1: "Check out her bikini. Oh God, it's the tiniest thing I've ever seen. Why won't she wear a regular bathing suit like any other Mom?"
V2: "I think that's what they wear in Europe. And they go topless, too."
V1: "That's sure not gonna happen here."
V2: "And why would anyone bring an infant to a swimming pool?"
V1: "Oh my God, what's that they're eating? Pancakes?"
V2: "I think it's some sort of fish tortilla..."
Gugas! Do you want some more pataniscas?
No, thanks Mummy.
Vizinha 1: "Look, here they come."
Vizinha 2: "Oh, that kid is so cute."
V1: "Check out her bikini. Oh God, it's the tiniest thing I've ever seen. Why won't she wear a regular bathing suit like any other Mom?"
V2: "I think that's what they wear in Europe. And they go topless, too."
V1: "That's sure not gonna happen here."
V2: "And why would anyone bring an infant to a swimming pool?"
V1: "Oh my God, what's that they're eating? Pancakes?"
V2: "I think it's some sort of fish tortilla..."
Gugas! Do you want some more pataniscas?
No, thanks Mummy.
07 junho 2010
deve ser sarna, ou o catano
Não consigo parar de me coçar. NÃO CONSIGO PARAR DE ME COÇAR! Estou com alergia ao sol (não, não é da colecção de cremes que ando a usar, é mesmo de apanhar sol), pelo que parece que vou ter de passar o resto do Verão com uma burqa para poder ir à praia e à piscina com os catraios. Aposto que é tudo maldição da avó do menino mau.
06 junho 2010
ao que uma pessoa chega
Diz que há gente que, de aplicar tantos cremes para isto e para aquilo, da ponta do pé às alturas da testa, fica besuntada ao ponto de não se poder vestir e sentar durante uma hora. E depois resta-lhe vir blogar de pé, no balcão da cozinha. Não arranjes uma vida, não.
Ainda se resultassem...
Ainda se resultassem...
03 junho 2010
hoje perdi uma das minhas estrelas guia
Grande, grande sacerdote. Um homem ímpar. O meu confissor e mentor na catequese. Professor do meu marido agnóstico. Estou muito triste...
"Não estejas triste mamã, ele foi ter com o Jesus." Pois foi, filho.
"Não estejas triste mamã, ele foi ter com o Jesus." Pois foi, filho.
quarto mês
Meu pacholas lindão, estás uma bola linda de se encher essas bochechas de um exagero de beijinhos. Entras agora na fase tão gira de bebezão bom, que já rebola, enfia as mãos na boca quase até ao vómito, tenta arrancar-me o nariz, tira a própria chucha, brinca a valer com os brinquedos, faz uma chinfrineira de novos sons e dá gargalhadas capazes de alumiar a face escura da lua. Coisa meiguinha da mãe, só não nos deixas é dormir grande coisa mas, pelo menos, já vais bebendo o teu leitinho com mais afinco. Ris-te mais com as palhaçadas do pai do que com as minhas mas eu não levo a mal, tu lá sabes. Já falta tão pouco para te apresentar a todos os que te aguardam em Portugal! Muitos parabéns pelos teus quatro meses, meu amor pequenino.


ai que vergonha (mãe galinha ao mais alto/baixo nível)
Hoje quer-me cá parecer que ganhei uma bela fama aqui nas redondezas. Tudo porque assustei um menino quase ao ponto do xixi pelas pernas abaixo. Passo a descrever:
Piscina. Um miúdo dos seus 4 anos, muito chato e muito mal aducado que não parava de disparar com a pistola de água contra a cara do Gugas. O Gugas só a dizer "no no no! stop it!", que a ele não lhe dá para as violências, e eu ainda fiz um aviso civilizado que aquilo tinha de parar, que não era justo porque o Gugas não tinha nenhuma pistola. Entretanto, a mãezinha (ou avó ou o raio que a parta) placidamente a ignorar tudo, a cozer ao sol sob um sari até à ponta das pernas peludas. O puto a aparvalhar e a mandar calar o Gugas e, pumba!, sobe-me a mostarda ao nariz, foge-me a chinela para o pé e, de Diogo ao colo, entro pela piscina das crianças adentro e digo, com um tom de voz demasiado enfático para os padrões norte-americanos de convivência: "Ai julgas que és muito mau? Eu sou pior. Não pares com isso, não, que bem te vais arrepender."
Os meus filhos vão sofrer tanto na adolescência por terem uma mãe assim, coitadinhos. Eu juro que gostava de não ser tão reactiva mas está-me no sangue...
Piscina. Um miúdo dos seus 4 anos, muito chato e muito mal aducado que não parava de disparar com a pistola de água contra a cara do Gugas. O Gugas só a dizer "no no no! stop it!", que a ele não lhe dá para as violências, e eu ainda fiz um aviso civilizado que aquilo tinha de parar, que não era justo porque o Gugas não tinha nenhuma pistola. Entretanto, a mãezinha (ou avó ou o raio que a parta) placidamente a ignorar tudo, a cozer ao sol sob um sari até à ponta das pernas peludas. O puto a aparvalhar e a mandar calar o Gugas e, pumba!, sobe-me a mostarda ao nariz, foge-me a chinela para o pé e, de Diogo ao colo, entro pela piscina das crianças adentro e digo, com um tom de voz demasiado enfático para os padrões norte-americanos de convivência: "Ai julgas que és muito mau? Eu sou pior. Não pares com isso, não, que bem te vais arrepender."
Os meus filhos vão sofrer tanto na adolescência por terem uma mãe assim, coitadinhos. Eu juro que gostava de não ser tão reactiva mas está-me no sangue...
01 junho 2010
dia da criança
Quando nascemos, somos a coisa mais querida e linda deste mundo e do outro. Se tudo correr bem, a nossa mãe (e mais um batalhão de voluntários) dá-nos muito mimo e cerca de 437 beijinhos por dia. Depois, vamos crescendo e levamos, pelo menos, um beijinho de "bom dia filha" e "boa noite filha". Mais um pouco e queremos antes beijinhos daquele colega da escola, que até tem dentolas de coelho e é mais pequenote que nós, mas faz-nos palpitar o coração. Com sorte, na adolescência trocamos uns beijos lambusados e, na juventude, uns daqueles que nos fazem tonturas, fugir o chão de entre os pés e pensar que tudo na vida valeu a pena por aquele momento. Depois casamo-nos e há beijinhos de cumplicidade e cansaço, de preferência ainda há alguns dos outros, e passamos nós a dar beijinhos aos nossos filhos. Eles crescem, e com eles vão os beijinhos que, se a coisa correr de feição, voltam com os netos. E o melhor a que podemos aspirar, num dia longínquo, em que fechemos os olhos, é que haja alguém que, nessa altura, nos pouse os lábios na testa uma última vez, com todo o carinho e já muita saudade.
Por que é que este post se chama "dia da criança"? Porque ser criança dá (ou devia dar) direito ao melhor do mundo, que são os beijinhos de coração. Dá-me ideia que depois se tornam uma miragem. E não há presente melhor que este para lhes oferecer neste dia.
Por que é que este post se chama "dia da criança"? Porque ser criança dá (ou devia dar) direito ao melhor do mundo, que são os beijinhos de coração. Dá-me ideia que depois se tornam uma miragem. E não há presente melhor que este para lhes oferecer neste dia.
30 maio 2010
domingo muito bom (e ainda vai a meio)
Finalmente o Sr. Dom Dunga brindou-nos com uma noite de sono entre as 00:00 e as 7:00 (seguida de 200 ml de leite, tal era a larica). Depois foi pegar numas sandes e ir para a piscina, de onde saímos agora para as sestas - mas voltamos mais tarde! E à noite espera-nos um jantar romântico na varanda, com bruschette, granizado de champanhe e morangos e gelado de Jamoca Almond Fudge. Ai que bom...
29 maio 2010
dormir como uma pedra, ou só como uma pessoa muito cansada
Este post da Ana C. fez-me recordar que até há coisas em mim que nasceram direitinhas, sim senhor. Falo, neste caso, da minha capacidade de dormir. Eu posso não conseguir mexer as orelhas, posso não conseguir estalar os dedos da mão direita, posso ter muitos outros defeitos de fabrico mas, caramba, quando durmo, durmo com muita convicção. De babar a almofada. De começar a sonhar antes de adormecer. De dormir sestas de 10 minutos e ficar retemperada. E graças a Deus por esta capacidade senão, com um bebé a fazer-me levantar toda a santa noite, já andava aí a virar o boneco.
Nada que se compare a esta senhora, no entanto, que consegue dormir quando estão a aspirar o chão junto à cama dela.
Nada que se compare a esta senhora, no entanto, que consegue dormir quando estão a aspirar o chão junto à cama dela.
28 maio 2010
e se fossem antes apanhar no tutu?
É aborrecido receber sms promocionais, não é? Imaginem lá então num país onde se paga as chamadas/mensagens recebidas... Nomesfeios nomesfeios nomesfeios! Como se não me bastasse ter "herdado" (não sei como) o número de um Pashminder qualquer e passar a vida a receber chamadas de paquistaneses que nunca vi em lado nenhum... É tanta a vontade de lançar o telemóvel à sanita que nem dá para descrever.
27 maio 2010
mi-mi-mi, que é tudo um grande cocó
Lá chegou o dia em que eu começo a dizer mal de algumas portugalidades. Eu não queria, a sério. O meu patriotismo é tão fervoroso que só não tatuo uma bandeira nacional no braço porque não gosto de tatuagens (em mim) e porque não quero correr o risco de passar por skin head - coisa nada improvável se continuar a queda-de-cabelo-pós-parto ao ritmo actual. Mas voltando ao que interessa, gosto muito de Portugal mas há coisas que, a sério, não há pachorra! Por que é que estamos sempre tão insatisfeitinhos com tudo? Por que é que há sempre defeitos a apontar? Há sempre uma porcaria duma unha do pé encravada em cada lusitano de gema, caramba!
(que o final do Lost não prestou, que os Globos de Ouro isto, que a Selecção Nacional aquilo, que o Sócrates aqueloutro. Nhónhós!)
(que o final do Lost não prestou, que os Globos de Ouro isto, que a Selecção Nacional aquilo, que o Sócrates aqueloutro. Nhónhós!)
26 maio 2010
onde está o livro amarelo?
Venho por este meio protestar contra o facto de o meu filho mais novo, quase com quatro meses, ainda acordar 2 vezes durante a noite para beber o biberon. Quer se deite às 19h, às 21h ou às 23h. Isto para não falar das outras 17 vezes em que nos levantamos para o tapar/ destapar/ pôr-lhe a chucha/ fazer shhhhh/ ameaçá-lo de o pôr a dormir no armário. É que já não é só estar cansada, é mesmo farta. Fartinha.
arf arf arf
Qual jogging, qual aeróbica, qual desporto-que-esteja-na-moda-este-ano-do-estilo-aero-pump-latino-hip-hop. Se uma pessoa quiser fazer exercício, não há nada como tentar ensinar o Gugas a andar de bicicleta com o Diogo no marsúpio. Eu, não o Gugas. Que cansêra desgraçada...
23 maio 2010
roí a grande maçã até ao caroço
Avenidas acima, avenidas abaixo. O Met, com uma exposição muito interessante sobre a História da mulher americana. Um passeio de corrida pelo West Village e muitas, muitas lojas (a desgraça foi controlada, para mim só comprei uma saia e uma blusa linda), muita gente e a alegria pacificante da invisibilidade. Pus a minha melhor cara de nova-iorquina (i.e., trombas e óculos de sol) e lá fui eu, sem hora marcada. E passei mesmo por local, até uns japoneses me vieram pedir direcções - que eu dei, voluntariosa. E erradamente, como me apercebi depois. É incrível como, leve de crianças, uma pessoa caminha 8 horas, menos 5 minutos para engolir uma sandes em Central Park, e sai de lá levinha.
O problema de Nova Iorque é que, cada vez que lá vou, gosto um bocadinho mais. A cidade torna-se um bocadinho mais minha e menos agreste, os arranha-céus mais aconchegantes e menos esmagadores, o barulho mais burburinho do pulsar da humanidade e menos ambulâncias e taxis a apitar sem motivo. Eu não queria gostar de Nova Iorque porque toda a gente tem de gostar de Nova Iorque - e de sapatos e de cupcakes e mais essas tretas todas; queria gostar por ser conquistada. E agora fui, definitivamente.
O problema de Nova Iorque é que, cada vez que lá vou, gosto um bocadinho mais. A cidade torna-se um bocadinho mais minha e menos agreste, os arranha-céus mais aconchegantes e menos esmagadores, o barulho mais burburinho do pulsar da humanidade e menos ambulâncias e taxis a apitar sem motivo. Eu não queria gostar de Nova Iorque porque toda a gente tem de gostar de Nova Iorque - e de sapatos e de cupcakes e mais essas tretas todas; queria gostar por ser conquistada. E agora fui, definitivamente.
21 maio 2010
fraldas reutilizáveis (update)
OK, 2 meses de uso da coisa e já me sinto habilitada a fazer balanços. O melhor: não andar a encher aterros com materiais que nunca mais na vida se vão degradar. O pior: ter de ensaboar e esfregar com escova as fraldas "com presente" antes de as meter na máquina (isto depois de ter deitado os excessos de caca para a sanita e as ter posto de molho em bicarbonato de sódio, actividade não rara às 3 da matina). Quando ele andava a maminha e só fazia 2 obséquios por semana, vivia bem com isso; agora, com 2 ao dia, já me começo a maçar um pouco. Mas paciência!
Em geral, posso dizer que a absorção é semelhante às descartáveis e ainda não houve rabitos assados (mas também não havia com as descartáveis). Só faço máquinas de roupa de 3 em 3 dias (pouco mais do que fazia antes), visto que a minha máquina é grandalhona à americana. A degradação parece não ser significativa, por isso acredito que durem. Não sei é se este tamanho aguenta até ele ter 1 ano, como elas apregoam, mas logo se vê. Em síntese: vale MUITO a pena o pequeno esforço de mudar para esta opção das fraldas reutilizáveis. E dá um jeitaço o dinheiro que poupamos porque, em compensação, o leite em pó deve ser feito de desperdício de diamante, tendo em conta que gasto à volta de 38 euros por semana para atestar os biberons do piqueno.
Em geral, posso dizer que a absorção é semelhante às descartáveis e ainda não houve rabitos assados (mas também não havia com as descartáveis). Só faço máquinas de roupa de 3 em 3 dias (pouco mais do que fazia antes), visto que a minha máquina é grandalhona à americana. A degradação parece não ser significativa, por isso acredito que durem. Não sei é se este tamanho aguenta até ele ter 1 ano, como elas apregoam, mas logo se vê. Em síntese: vale MUITO a pena o pequeno esforço de mudar para esta opção das fraldas reutilizáveis. E dá um jeitaço o dinheiro que poupamos porque, em compensação, o leite em pó deve ser feito de desperdício de diamante, tendo em conta que gasto à volta de 38 euros por semana para atestar os biberons do piqueno.
20 maio 2010
ainda da ida a nova iorque
Objectivos simples:
Ver coisas bonitas.
Comprar o mínimo. Mas qualquer coisa, que eu mereço.
Beber um mojito (mas só um, que beber sozinha é uma seca e tenho de encontrar o caminho para casa).
Sentir-me livre. E válida como ser humano adulto. E gira e maravilhosa. Basicamente, o que me tem faltado.
Ver coisas bonitas.
Comprar o mínimo. Mas qualquer coisa, que eu mereço.
Beber um mojito (mas só um, que beber sozinha é uma seca e tenho de encontrar o caminho para casa).
Sentir-me livre. E válida como ser humano adulto. E gira e maravilhosa. Basicamente, o que me tem faltado.
18 maio 2010
é melhor deixar o cartão de crédito em casa
No Sábado vou sozinha, so-zi-nhi-nha da silva para Nova Iorque. É tal a excitação que nem sei para onde me hei de virar nem o que hei de ir ver. Só sei que tenho de me manter ao largo das lojas, que ando numa das minhas febres de compras - felizmente, só me dão umas duas vezes por ano. Alguém tem sugestões de eventos/restaurantes/museus/espectáculos mesmo giros e alternativos (as coisas mais conhecidas já as papei quase todas)? E alguém quer vir fazer-me companhia? :)
16 maio 2010
deixem-me agarrar só este bocadinho
Sentada à minha nova mesa na varanda, com cheirinho a mangericão, ao fim de uma tarde quente, com um a dormir, outro a ler e outro a ver o Noddy (não é difícil adivinhar as identidades, pois não?). Hoje até vesti um dos vestidos novos e andei de sandálias. Almoçámos no meio da floresta tropical e vamos - os crescidos - jantar só um copo de vinho, em copos de vinho mesmo a sério, e o que houver para petiscar. Agora, só por um momento, fecho os olhos e não tenho urgência de estar noutro sítio qualquer.
14 maio 2010
13 maio 2010
o meu novo medo de estimação
(e peço desde já desculpa a quem isto pode parecer ofensivo)
Engravidar outra vez.
Eu adoro bebés. Imaginei muitas vezes (na adolescência) uma casa com 4 crianças. O meu coração tem sempre amor para mais um, e outro, e outro. Mas não temos mesmo condições materiais - nem eu tenho condições psicológicas neste momento - e, sinceramente, não sei o que iamos fazer à nossa rica vidinha. Por que é que tenho tanto medo? Sim, nós tomamos as devidas precauções. Mas isso já falhou antes...
Engravidar outra vez.
Eu adoro bebés. Imaginei muitas vezes (na adolescência) uma casa com 4 crianças. O meu coração tem sempre amor para mais um, e outro, e outro. Mas não temos mesmo condições materiais - nem eu tenho condições psicológicas neste momento - e, sinceramente, não sei o que iamos fazer à nossa rica vidinha. Por que é que tenho tanto medo? Sim, nós tomamos as devidas precauções. Mas isso já falhou antes...
11 maio 2010
já só faltam 45 dias
Coisas para fazer em Portugal, sem ordem de prioridade (lista em permanente actualização):
Cafezar, almoçar, jantar com tanta gente!
Brunch na Gulbenkian
Jantar no Bairro Alto
Correr na marginal do Parque nas Nações
Almoçar no Meco (sapateira com pãozinho torrado, salmonetes grelhados e o Melhor Bolo de Chocolate do Mundo)
Ir à missa na minha Paróquia
Visitar a escola do Gugas
Visitar antigo emprego nº 1
Visitar antigo emprego nº 2
Ir ao dermatologista
Tomar o pequeno-almoço enquanto leio o Sol, o Expresso, o I, o DN, o Público, o Sábado e a Visão
Tomar banho na minha praia
Cafezar, almoçar, jantar com tanta gente!
Brunch na Gulbenkian
Jantar no Bairro Alto
Correr na marginal do Parque nas Nações
Almoçar no Meco (sapateira com pãozinho torrado, salmonetes grelhados e o Melhor Bolo de Chocolate do Mundo)
Ir à missa na minha Paróquia
Visitar a escola do Gugas
Visitar antigo emprego nº 1
Visitar antigo emprego nº 2
Ir ao dermatologista
Tomar o pequeno-almoço enquanto leio o Sol, o Expresso, o I, o DN, o Público, o Sábado e a Visão
Tomar banho na minha praia
10 maio 2010
béu béu
Cortei o cabelo (a mim própria). Pareço um Poodle. Vou só ali comprar lacinhos e uma coleira de diamantes e já volto.
09 maio 2010
a família sueca
A família sueca é o cúmulo da descontracção. A família sueca é aquela que anda a correr mundo com a filharada toda atrás e, se possível, um rafeiro simpático. A família sueca é superior aos conceitos de esterilização, aprumo picuinhas e escova de cabelo. Ainda assim, os filhos da família sueca não conhecem viroses e andam sempre com um ar feliz, as bochechas coradas e quase nenhuma nódoa na roupa. Para sermos a família sueca, falta-nos pouco mais do que os cabelos louros e 20 cm de altura de diferença, mas também somos uma família bastante fixe. Ele é ver-nos a dar biberons sentados no chão da Penn Station, ele é mudar fraldas nos bancos de plástico de um ferry, ele é calcorrear toda a baixa de NY no meio de uma ventania desgraçada que não me deixava abrir os olhos. Somos tão, tão bons, tão, tão relax, que se estava mesmo a ver que iamos ficar parados no combóio no meio de nenhures, sem leite, sem comida, quase sem água, a apanhar um gelo desgraçado. Passaram-me logo as manias e desceu em mim a mãe portuguesa, aflita com os filhos esfomeados e a adivinhar febres e ranhos sem fim.
P.S. Os meus filhos são, oficialmente, as criaturas mais mansas da terra. O Gugas não pregou olho todo o dia, o Dunga pouco mais do que isso, passaram uma bela seca e uma boa dose de fome, mas nem baliram. Coisas boas da mãe!
P.P.S. Ah, e para que não me denunciem à Protecção de Menores, era suposto termos chegado a casa 3 horas e meia antes, mas eliminaram um combóio e o seguinte, quase uma hora depois, esteve 2 horas parado.
P.S. Os meus filhos são, oficialmente, as criaturas mais mansas da terra. O Gugas não pregou olho todo o dia, o Dunga pouco mais do que isso, passaram uma bela seca e uma boa dose de fome, mas nem baliram. Coisas boas da mãe!
P.P.S. Ah, e para que não me denunciem à Protecção de Menores, era suposto termos chegado a casa 3 horas e meia antes, mas eliminaram um combóio e o seguinte, quase uma hora depois, esteve 2 horas parado.
07 maio 2010
sai um xanax aqui para o bico da gralha
Noite inteirinha seguidinha a dormir - o pai sacrificou-se e tratou de leites, fraldas, xixis do mais velho e eu migrei secretamente para a cama de cima do beliche do Gugas. Muito bom! Ainda era melhor se tivessem sido mais umas 5 horas, para ficar mesmo composta. A coisa só descambou quando resolvi beber uma bela caneca de café acabado de fazer. Já passaram 4 horas e ainda me tremem as mãos! Nestas condições, o que é que eu NÃO posso fazer? Pegar em nós e ir para as compras. Não vou contar a dimensão da desgraça na Victoria's Secret, mas digamos que tenho cuequinhas giras para mim e para o resto de uma equipa feminina de volley. Lamento muito, marido, mas a equipa de volley não está está convidada para vir fazer um desfile cá em casa.
please do not rebentate with us
Senhores terroristas,
No próximo Sábado, a família gralha vai passear para Nova Iorque e venho pedir-vos que não se ponham a explodir coisas por lá nessa altura. O Gugas vai no carrinho e o Diogo no marsúpio, não dá jeito nenhum para dar à sola se a coisa ficar negra. De facto, não compreendo essa insistência com uma cidade tão bonita, quando há tanta terra americana mais feiotita como LA, Dallas, Houston, Reno, Trenton, para citar apenas algumas. E também não é muito justo andarem sempre a fustigar os americanos em geral, quando a maioria dos americanos não é, na realidade, americana, mas apenas gente que vem dos quatro cantos do mundo para dar uma vida melhor aos filhos e cuja maior ambição é comprar um GMC platinado onde possam encher a bagageira com a junk food que trazem do Walmart. Deixem-nos, pois, sossegados. Eu sei que Alá é Grande mas os meus filhos são pequeninos.
gralha
No próximo Sábado, a família gralha vai passear para Nova Iorque e venho pedir-vos que não se ponham a explodir coisas por lá nessa altura. O Gugas vai no carrinho e o Diogo no marsúpio, não dá jeito nenhum para dar à sola se a coisa ficar negra. De facto, não compreendo essa insistência com uma cidade tão bonita, quando há tanta terra americana mais feiotita como LA, Dallas, Houston, Reno, Trenton, para citar apenas algumas. E também não é muito justo andarem sempre a fustigar os americanos em geral, quando a maioria dos americanos não é, na realidade, americana, mas apenas gente que vem dos quatro cantos do mundo para dar uma vida melhor aos filhos e cuja maior ambição é comprar um GMC platinado onde possam encher a bagageira com a junk food que trazem do Walmart. Deixem-nos, pois, sossegados. Eu sei que Alá é Grande mas os meus filhos são pequeninos.
gralha
06 maio 2010
CÉUS! I
RAVIOLI FRESCO DE ESPINAFRES COM SALMÃO
(4 pessoas)
2 postas grandes de salmão
2 embalagens de ravioli fresco de queijo e espinafres
cebolinho q.b.
margarina q.b.
sal e pimenta q.b.
sumo de limão
Pôr o salmão a marinar no sumo de limão umas horas. Ligar o forno a 180º. Ferver água e cozer o ravioli de acordo com as instruções da embalagem, enquanto o salmão vai grelhar no forno (cerca de meia hora), temperado com sal e pimenta, sobre papel vegetal (menos um recipiente para lavar). Deitar o ravioli para uma travessa, adicionar a margarina, o cebolinho picado de fresco e o salmão desfeito em pedaços. Envolver tudo. Comer.
(4 pessoas)
2 postas grandes de salmão
2 embalagens de ravioli fresco de queijo e espinafres
cebolinho q.b.
margarina q.b.
sal e pimenta q.b.
sumo de limão
Pôr o salmão a marinar no sumo de limão umas horas. Ligar o forno a 180º. Ferver água e cozer o ravioli de acordo com as instruções da embalagem, enquanto o salmão vai grelhar no forno (cerca de meia hora), temperado com sal e pimenta, sobre papel vegetal (menos um recipiente para lavar). Deitar o ravioli para uma travessa, adicionar a margarina, o cebolinho picado de fresco e o salmão desfeito em pedaços. Envolver tudo. Comer.
nova rubrica da gralha: CÉUS!
Cozinhar É Uma Seca! É uma seca porque é por obrigação diária, porque há várias bocas para alimentar cá em casa, porque não o faço apenas quando, de repente, passo pelo mercado e vejo alguma coisa fresca que me ilumina e inspira a criar uma obra de arte culinária. Não, aqui cozinho para comer mas, ainda assim, tento que as coisas sejam tão bonitas, saborosas e nutritivas quanto possível. A regra de ouro é ser fácil e rápido. Como sei que há outras mães atarefadas que me lêem, pode ser que as receitas que aqui deixar sejam uma ajuda para alguém :) Bom proveito!
05 maio 2010
fecha a boca
Terminada a amamentação*, posso começar a dieta que porá o meu corpinho como é devido, isto é, o melhor que a Mãe Natureza permite à tendente curvatura dos meus quadris. Felizmente, são só dois quilinhos. Ainda assim, quis partilhar o meu método convosco, porque é a dieta mais económica e infalível que já experimentei. Ora bem, então é assim: apetece-te um chocolate, gralha? Fecha a boca. Agora ia mesmo um bocadinho de gelado? Fecha a boca. E se fosses fazer um bolinho de banana? Fecha o armário das formas e fecha a boca. Pronto, já está.
* Nem vos conto a vergonha que foi a primeira incursão nos copos de champanhe...
* Nem vos conto a vergonha que foi a primeira incursão nos copos de champanhe...
04 maio 2010
a maior economia do mundo
(ou, por que é que o pessoal imigra para a Gringolândia)
Compre, compre, venda, venda, saldos, saldos, aproveite agora, leve 4 e pague 3, só hoje, alcatife a casa toda e ganhe uma casa de banho em imitação de pedra, linda que só vendo, mais, mais, veja aqui, última oportunidade, seja um dos primeiros 10000 clientes do dia que faz bicha desde as 2h da manhã e leve para casa mais uma inutilidade que lhe pode dar imenso jeito um dia, não se sabe bem para quê, mas está em promoção! Ufaaaa...
Vivo dentro da TVShop. Ainda não vi o Mike nem o Melga, mas os vendedores de cá (pobrezitos, a tentar ganhar a vida), podem melgar-nos bastante e temos de literalmente fugir dos balconistas nos centros comerciais. Mas nem era sobre isto que queria falar hoje, era sobre como estou parva com a oferta de emprego que há neste país gigantesco e com a diferença dos salários. Para um trabalho administrativo simples, vejo coisas que dão mais de 2000 dolares por mês. Catano, isso é um ordenado bastante simpático em Portugal. Já estou a ficar com uma tendinite de preencher tantas candidaturas, vamos lá ver qual é o senhor empregador simpático que me quer pagar assim bem para eu comprar logo o Mercedes dórado. Vá, um automóvel qualquer em segunda mão, que o meu já era, depois de o meu irmão o ter espatifado.
Compre, compre, venda, venda, saldos, saldos, aproveite agora, leve 4 e pague 3, só hoje, alcatife a casa toda e ganhe uma casa de banho em imitação de pedra, linda que só vendo, mais, mais, veja aqui, última oportunidade, seja um dos primeiros 10000 clientes do dia que faz bicha desde as 2h da manhã e leve para casa mais uma inutilidade que lhe pode dar imenso jeito um dia, não se sabe bem para quê, mas está em promoção! Ufaaaa...
Vivo dentro da TVShop. Ainda não vi o Mike nem o Melga, mas os vendedores de cá (pobrezitos, a tentar ganhar a vida), podem melgar-nos bastante e temos de literalmente fugir dos balconistas nos centros comerciais. Mas nem era sobre isto que queria falar hoje, era sobre como estou parva com a oferta de emprego que há neste país gigantesco e com a diferença dos salários. Para um trabalho administrativo simples, vejo coisas que dão mais de 2000 dolares por mês. Catano, isso é um ordenado bastante simpático em Portugal. Já estou a ficar com uma tendinite de preencher tantas candidaturas, vamos lá ver qual é o senhor empregador simpático que me quer pagar assim bem para eu comprar logo o Mercedes dórado. Vá, um automóvel qualquer em segunda mão, que o meu já era, depois de o meu irmão o ter espatifado.
03 maio 2010
terceiro mês
E ao terceiro mês, és português :) Estás um bebé bom, dou-te beijinhos a mais e passas a vida ao colo porque, ao contrário do teu irmão, adoras. Palras, dás gritinhos só porque sim, fazes bolhinhas porque já percebeste que me derreto. Gostas de dormir (quando sou eu a deitar-te) mas não há dúvida que o leite e tu não são grandes amigos. Acabámos agora com a maminha - não queres, não queres! - e estou desejosa que comeces com as papas que, de certeza, vais adorar (not!). Todas as manhas que achei que só os pais preguiçosos criavam, estás a arranjá-las. O que é que hei de fazer? És o meu filho bocadinho de gente, tenho o coração cheio de amor por ti, e estás a crescer rápido demais, claro!
30 abril 2010
isto pode parecer básico
Mas como é que vocês, mães adeptas do biberon, fazem para o aquecer quando andam na passeata? Entram num café e pedem para aquecer no microondas? Levam num termos? Aquecem no motor do automóvel (esta eram os meus pais, mas tenho dúvidas acerca da salubridade desta opção)? Caramba, agora é que vejo como as maminhas são práticas.
29 abril 2010
estou a precisar é de um par de estalos
OK, são 14h, acabei de deitar os dois e chego à conclusão que não tenho NADA para fazer. Olho para o lava-louças, tudo lavado. Não há roupa para passar. Não está na hora de tirar leite. Não há anúncios de empregos para responder. Já arrumei as roupas antigas do Diogo. Até o pó limpei ontem. Isto assim começa a fazer-me nervoso miudinho, porque já não sei o que é ficar parada. Podia sempre ir limpar o frigorífico... Ou então vou perder a cabeça e, sei lá, RELAXAR durante uns breves minutos antes de o Diogo acordar outra vez.
28 abril 2010
os sentidos do silêncio
Cá por casa, o silêncio - raríssimo! - pode ter muitos sentidos. Num dia, significa que o Gugas deu uma de Leonardo da Vinci e resolveu pintar paredes, armários, mobília, brinquedos e ele próprio com os marcadores (saiu tudo com alcoól, paciência, não volta a acontecer); no dia seguinte, é porque o artista se resolveu deitar ao lado do irmão no tapete de actividades e fazer-lhe festinhas na cara com uma ternura indescritível, sem saber que o estou a ver, sem razão nenhuma de especial. Às vezes a vontade de chorar também se deve a estas surpresas que nos enchem o coração.
25 abril 2010
as nuvens escuras
Não tenho escrito muito porque ninguém tem paciência para posts lamurientos. Mas são esses que tendem a sair-me dos dedos nos últimos tempos. Isto anda difícil. Sinto-me muito cansada psicologicamente e assoberbada com tudo o que há a fazer. E, sim, continuo a viver bastante isolada e sem grandes oportunidades de sair e apanhar ar, porque isso implica sobrecarregar um marido que tem de trabalhar e já faz muito para me ajudar. Para dizer a verdade, há uma grande parte de mim que só tem vontade de ter 21 anos e sair daqui a correr sem ter quem dependa de mim. E sinto-me horrivelmente por pensar nessas coisas. Mas tenho de acreditar que as coisas hão de melhorar e, sobretudo, tenho de me endireitar para poder voltar a reconhecer a dádiva absolutamente preciosa que são os meus filhotes.
23 abril 2010
olá lisbooooaaaaa!
Uma gralha está bem longe de ser um rouxinol mas a verdade é que o meu pinto mais miúdo adora ouvir-me cantar. Aproximo-me a passos largos da realização do meu sonho mais impossível, que é cantar num palco gigante, num daqueles mega-concertos, e ter o público todo a vibrar com o grande show que estou a dar (claro que também danço como a Beyoncé neste sonho, mas com umas coxas mais delgadinhas). Não tenho milhares de pessoas a assistir mas já é muito bom um bebé sorridente, que palra em coro e acaba por adormecer se escolher os temas certos. Principalmente nesta fase da vida, em que adormecê-lo é uma das maiores realizações diárias.
19 abril 2010
fui desgraçar-me nos saldos
(post dedicado à Ana C. Não tive tempo de tirar as fotos sem cabeça mas isto e quase tão bom)
E o que é que faz uma pessoa que não tem mais nada que fazer num dia frescote mas está que nem pode para tirar o choro de filhos dos ouvidos? Compras. Não é dificil quando se vive na Nação dos Armazéns, com imensa variedade e sempre em saldos brutais. Ainda por cima, cá consigo os tamanhos "petite", que evitam que ande a fazer bainhas e a dobrar as mangas das camisolas. Pronto, já tenho uns modelitos para quando voltar a ser uma mulher adulta-com-um-emprego-e-tudo. Só falta o emprego.
18 abril 2010
all you need is (to) laugh
Ontem fomos ao cinema e vimos um filme que se calhar é só uma parvoeira fraquinha mas, para quem já não ia ao cinema há não faço ideia quanto tempo, soube muito bem. Ri-me do princípio ao fim, principalmente porque me estava a rir de mim (é a história de um casal com dois filhos que vive na Nova Jérsia). Já me tinha esquecido de como faz bem rir e de como ver a cena sob outra perspectiva acaba por minimizar certas coisas. Ah, chama-se Date Night e não sei se já chegou aí.
17 abril 2010
deve ser por ser Abril (logo eu, tão reaccionária)
Hoje disse o que pensava. A várias pessoas que estavam a precisar de o saber. Se calhar, magoei. Mas já ando calada, pisada, apagada há demasiado tempo e não há nada que me roube tanto o que sou como isso. Só a perda da liberdade. Uma gralha é isso: uma voz que não se cala e umas asas sempre prontas a levantar vôo. Não posso voltar a esquecer-me disso.
p.s. E percebo agora por que é que eu sou tão bruta por natureza (pronto, também é porque nasci com esse jeitinho especial): é que, mesmo assim, houve quem não tivesse percebido nada do que queria dizer.
p.s. E percebo agora por que é que eu sou tão bruta por natureza (pronto, também é porque nasci com esse jeitinho especial): é que, mesmo assim, houve quem não tivesse percebido nada do que queria dizer.
16 abril 2010
uma questão de individualidade
Estou mesmo a ver que hoje toda a gente vai discordar de mim, mas esta é mesmo a minha opinião. Falo do hábito de, quando há vários filhos, ao oferecer-se uma coisa a um, ter de se oferecer também ao outro. De preferência, do mesmo valor. Sou contra.
Se é o aniversário de alguém, por que é que o outro também há de receber alguma coisa? Também tem o seu aniversário noutro dia. Mais ainda, se passar numa loja e vir alguma coisa adequada para um dos meus filhos, não vou necessariamente à procura de algo para o outro para equilibrar a coisa, como se eles fossem os pratos de uma balança. Acho que isso faz parte da noção de indivíduo e também acho que é importante aprendermos a ver outros a ter e nós não. Se tivermos auto-confiança, sabemos que não é por falha nossa ou porque gostam menos de nós, é só porque não aconteceu assim. Foi sempre isso que senti em relação ao meu irmão. É que este hábito das partilhas obrigatoriamente igualitárias e simultâneas, do bom ou do mau, faz-me achar que os filhos não são seres únicos mas fatias de um mesmo bolo.
É como aqueles casais que, quando a mãe acorda para amamentar, o marido tem de estar acordado por solidariedade, mesmo que não esteja a fazer nada. Não consigo compreender como é que se sentem os dois melhor por isso. Eu prefiro ver o meu marido a dormir descansado e saber que, quando eu precisar, ele vai acordar e eu posso enfiar-me debaixo dos lençóis e fingir que estou noutro planeta.
Se é o aniversário de alguém, por que é que o outro também há de receber alguma coisa? Também tem o seu aniversário noutro dia. Mais ainda, se passar numa loja e vir alguma coisa adequada para um dos meus filhos, não vou necessariamente à procura de algo para o outro para equilibrar a coisa, como se eles fossem os pratos de uma balança. Acho que isso faz parte da noção de indivíduo e também acho que é importante aprendermos a ver outros a ter e nós não. Se tivermos auto-confiança, sabemos que não é por falha nossa ou porque gostam menos de nós, é só porque não aconteceu assim. Foi sempre isso que senti em relação ao meu irmão. É que este hábito das partilhas obrigatoriamente igualitárias e simultâneas, do bom ou do mau, faz-me achar que os filhos não são seres únicos mas fatias de um mesmo bolo.
É como aqueles casais que, quando a mãe acorda para amamentar, o marido tem de estar acordado por solidariedade, mesmo que não esteja a fazer nada. Não consigo compreender como é que se sentem os dois melhor por isso. Eu prefiro ver o meu marido a dormir descansado e saber que, quando eu precisar, ele vai acordar e eu posso enfiar-me debaixo dos lençóis e fingir que estou noutro planeta.
15 abril 2010
apetece-me ganir
E pronto, é só isto hoje. E mesmo assim já vai dar molho. Lamento imenso, mas é o que acontece quando estamos isolados e um blogue é a única maneira de desabafar.
12 abril 2010
brincando aos filhos únicos
10 abril 2010
american life
Vivo nos EUA há mais de 6 meses. Ainda não é muito mas, de certa forma, parece uma eternidade. De qualquer forma "o gralhar está ao alcance de todos", pelo que já me sinto capacitada a dizer o que acho da vida aqui e dos seus habitantes.
Já reconheci que há muitas coisas boas aqui. Este é o país de eleição para quem viveu uma infância de penúria a olhar para as lojas de doces (e brinquedos, e carros, e electrodomésticos...) e nunca pôde entrar. Aqui, qualquer um se pode sentir rei. Mas eu, felizmente, não cresci na penúria e a componente material nunca foi muito atractiva. O que acho dos americanos? Primeiro, são muitos e muito diferentes. Mas o ideal americano é, sem dúvida, individualista, consumista e fixado no conceito de sucesso, um sucesso medido pelo rendimento anual. Esses são os traços que mais me desagradam nesta cultura. Em contrapartida, agradam-me muito outras coisas. Adoro a falta de formalismos excessivos e deverências desnecessárias. Adoro que todos se tratem pelo primeiro nome. É muito bom também o sentido prático e a eficiência que imperam em todo o lado. E sabe bem viver no meio de gente que não anda sempre de trombas, como a maioria dos portugueses. Pode ser muitas vezes uma alegria ingénua ou até fabricada, mas sabe bem ver sorrisos e bom humor. E eu, estou mais americana e menos portuguesa? Gosto de acreditar que estou um bocadinho mais simpática, mas o bicho europeu, velho, desconfiado, dado a dramatismos, nunca vai deixar de fazer parte de mim.
Já reconheci que há muitas coisas boas aqui. Este é o país de eleição para quem viveu uma infância de penúria a olhar para as lojas de doces (e brinquedos, e carros, e electrodomésticos...) e nunca pôde entrar. Aqui, qualquer um se pode sentir rei. Mas eu, felizmente, não cresci na penúria e a componente material nunca foi muito atractiva. O que acho dos americanos? Primeiro, são muitos e muito diferentes. Mas o ideal americano é, sem dúvida, individualista, consumista e fixado no conceito de sucesso, um sucesso medido pelo rendimento anual. Esses são os traços que mais me desagradam nesta cultura. Em contrapartida, agradam-me muito outras coisas. Adoro a falta de formalismos excessivos e deverências desnecessárias. Adoro que todos se tratem pelo primeiro nome. É muito bom também o sentido prático e a eficiência que imperam em todo o lado. E sabe bem viver no meio de gente que não anda sempre de trombas, como a maioria dos portugueses. Pode ser muitas vezes uma alegria ingénua ou até fabricada, mas sabe bem ver sorrisos e bom humor. E eu, estou mais americana e menos portuguesa? Gosto de acreditar que estou um bocadinho mais simpática, mas o bicho europeu, velho, desconfiado, dado a dramatismos, nunca vai deixar de fazer parte de mim.
09 abril 2010
adorava escrever qualquer coisa sobre qualquer coisa que não filhos
Mas agora a minha vida é mesmo só isto. Eu amo de paixão os meus ricos rebentinhos, mas diz que havia uma pessoa antes com características próprias, sentido de humor, ideias, sei lá. Bom fim-de-semana para vocês. Esta foi boa agora, fim-de-semana. Já não me lembro do que é "fim-de-semana". E férias, então? Xinapá, isso é que era bom. Pronto, agora vou parar de escrever porque já se deve estar a notar o desequilíbrio mental.
07 abril 2010
bebés e ambientalismo
Os bebés são, ao mesmo tempo, uma chamada de atenção para a necessidade de preservar o Planeta e uma grande desculpa para a preguiça no cuidado com a protecção do ambiente. Verdade seja dita: uma mãe mal dormida há não sei quanto tempo tem pouca paciência para usar menos a máquina de louça, para encher a máquina de roupa, para recusar todas as facilidades prontas-a-usar-e-deitar-fora. Ainda assim, lá resolvi quase abolir as toalhitas, mudar para as almofadas de amamentação reutilizáveis - que não recomendo, é ver o leite a pingar para tudo quanto é roupa, mas lá faço o sacrifício - e para as fraldas reutilizáveis. Estas, que chegaram no Sábado (como eu adoro as compras online!) e custaram cerca de 160 euros (20 unidades). Vamos lá ver, depois logo dou o meu veredicto.
06 abril 2010
o limite (ou ainda a saga da maminha)
Descobri agora que tenho um limite na minha capacidade de me preocupar. Apesar de ser uma violência primordial para uma mãe ouvir um filho chorar com fome e não poder acudir. Apesar de me custar respirar, pensar noutra coisa, tratar do filho que come. Chega uma altura em que temos de parar um pouco e pensar que já estamos a dar o nosso melhor, que ele vai crescer, que a coisa há de melhorar. A racionalidade custa muito nestas alturas e só dura até à próxima hora em que tentamos de novo. Mas é o meu filhinho muito pequenininho, que precisa de mim com a cabeça no sítio e a sorrir para ele, sempre, mesmo quando engulo as lágrimas de frustração.
01 abril 2010
segundo mês
Filhote pequenino, que mês atribulado foi este! Já vais fazendo intervalos de 4 a 5 horas de noite mas o difícil é fazer-te mamar, uns dias melhores do que outros. Tens de estar para aí virado, muito sossegadinho, e que nada te perturbe. Quando a coisa corre de feição, brindas-me com uns grandes sorrisos (ainda um exclusivo da mamã) e com gritinhos muito determinados, como se tivesses já vontade de conversar comigo. Continuas a adorar tomar banho, com a água muito quente - como também gostas do leite - e já começas a tentar alcançar os brinquedos, mas falhas redondamente. És um bebé calminho e és a coisa mais linda do mundo quando ficas sonolento e afocinhas na curva do meu braço. Conhecer-te um pouco mais a cada dia faz-me apreciar-te a amar-te cada vez mais.


31 março 2010
o desespero
Nem maminha, nem biberon, nem mãe, nem pai, nem leite materno, nem leite artificial, o Diogo não quer comer. Hoje lá marchou qualquer coisita mas esta noite foi para esquecer... Espero que melhore porque é mesmo uma aflição ter um filho que não se deixa alimentar. Tenho de ter mais paciência do que alguma vez sonhei que pudesse ter... E pensar que o meu pai - e eu, já agora - também eramos assim e não morremos de inanição. Já estou mesmo a ver a cena à mesa, daqui a uns anos, com o Diogo a passar comida ao Gugas às escondidas.
30 março 2010
29 março 2010
estava mesmo a precisar
Ontem calcei os ténis, iPod nos ouvidos, e saí de casa para correr um bocadinho. Depois de tantos meses, faltava-me o fôlego nas subidas e fiquei vermelha como um tomate, mas soube tão bem! Nada me descansa a cabeça como o exercício físico. Boa semana!
26 março 2010
não é bonito mas é verdade
Não imaginava que me ia ressentir do mais velho por não me deixar gozar o meu novo bebé à vontade. Por vir tocar harmónica para o pé de mim quando estou a amamentar e me lixar o esquema todo. Por se pôr a martelar quando acabei de passar uma hora a adormecer o outro - e acordá-lo.
Não imaginava que me ia ressentir do mais novo por obrigar o mais velho a transformar-se, de repente, num menino crescido. Por me roubar quase todo o tempo que tinha para brincar com ele. Por me deixar tão cansada e rabugenta que me zango com o mais velho à mínima coisa. Por começar a chorar quando, finalmente, me tinha sentado a fazer puzzles com o outro, como tinha prometido.
Mas depois deito os meus dois rapazinhos, lado a lado, e a imagem é tão perfeita que me inunda o coração de amor. E tudo se encaixa no seu lugar.
Não imaginava que me ia ressentir do mais novo por obrigar o mais velho a transformar-se, de repente, num menino crescido. Por me roubar quase todo o tempo que tinha para brincar com ele. Por me deixar tão cansada e rabugenta que me zango com o mais velho à mínima coisa. Por começar a chorar quando, finalmente, me tinha sentado a fazer puzzles com o outro, como tinha prometido.
Mas depois deito os meus dois rapazinhos, lado a lado, e a imagem é tão perfeita que me inunda o coração de amor. E tudo se encaixa no seu lugar.
25 março 2010
estou mesmo triste
Em 3 anos, habituei-me a um Gustavo que mamava com sofreguidão, que se lambia quando via chegar a papa, que chora quando não há sopa, que me pede as batatas e o alho que estou a descascar, que abre o frígorífico e diz, como quem não quer a coisa, "olha, está ali um bocadinho de queijinho...".
O Diogo é uma história bem diferente. Durante o primeiro mês a coisa correu bem. Era sacar da maminha e, pumba, trigo limpo farinha amparo. Desde há umas semanas para cá, começou a mamar cada vez menos. Agora, mama uns 5 minutos e depois fica a olhar para mim em adoração, como quem diz: "obrigado Mamã, já estou satisfeito". Já tentei tudo, já perdi e recuperei a paciência muitas vezes, mas é claro que acabo por ter de lhe dar biberon (que lhe pinga na goela quer ele queira, quer não). E como não tenho vida para andar a fazer isso e a dar à bomba 8 vezes por dia, o meu leite está-se a acabar. Daí a minha tristeza. Eu sei que cada constipação que ele apanhar e cada erro que der no ditado não vão ser devidos ao leite articificial, mas também sei que, irracionalmente, me vou sentir culpada. E, pior de tudo, fico mesmo, mesmo, mesmo triste por perder esta forma de intimidade sem par. É uma dura realidade mas, não, não é a mesma coisa dar biberon, por muito enroscadinhos que estejamos. Por isso vou só ali chorar mais um bocadinho e rezar que ele não comece a achar que o biberon também não lhe agrada.
O Diogo é uma história bem diferente. Durante o primeiro mês a coisa correu bem. Era sacar da maminha e, pumba, trigo limpo farinha amparo. Desde há umas semanas para cá, começou a mamar cada vez menos. Agora, mama uns 5 minutos e depois fica a olhar para mim em adoração, como quem diz: "obrigado Mamã, já estou satisfeito". Já tentei tudo, já perdi e recuperei a paciência muitas vezes, mas é claro que acabo por ter de lhe dar biberon (que lhe pinga na goela quer ele queira, quer não). E como não tenho vida para andar a fazer isso e a dar à bomba 8 vezes por dia, o meu leite está-se a acabar. Daí a minha tristeza. Eu sei que cada constipação que ele apanhar e cada erro que der no ditado não vão ser devidos ao leite articificial, mas também sei que, irracionalmente, me vou sentir culpada. E, pior de tudo, fico mesmo, mesmo, mesmo triste por perder esta forma de intimidade sem par. É uma dura realidade mas, não, não é a mesma coisa dar biberon, por muito enroscadinhos que estejamos. Por isso vou só ali chorar mais um bocadinho e rezar que ele não comece a achar que o biberon também não lhe agrada.
24 março 2010
a minha futura nora
Gugas: "Por que é que o Papá te dá beijinhos na boca?"
gralha: "Porque é o meu namorado."
G: "Quando for grande também vou ter."
g: "E queres uma namorada ou um namorado?"
G: "Uma namorada."
g: "E queres que seja grande ou pequenina?"
G: "Grande."
g: "E queres que seja loura ou morena?"
G: "Loura."
g: "E gorda ou magrinha?"
G: "Magrinha."
g: "Americana ou portuguesa?"
G: "Americana."
E pronto, é assim que, apesar da educação socialmente aberta e sem preconceitos que tento dar, o meu filho já definiu o parceiro amoroso ideal. Aparentemente, é uma bimba texana qualquer...
gralha: "Porque é o meu namorado."
G: "Quando for grande também vou ter."
g: "E queres uma namorada ou um namorado?"
G: "Uma namorada."
g: "E queres que seja grande ou pequenina?"
G: "Grande."
g: "E queres que seja loura ou morena?"
G: "Loura."
g: "E gorda ou magrinha?"
G: "Magrinha."
g: "Americana ou portuguesa?"
G: "Americana."
E pronto, é assim que, apesar da educação socialmente aberta e sem preconceitos que tento dar, o meu filho já definiu o parceiro amoroso ideal. Aparentemente, é uma bimba texana qualquer...
23 março 2010
olha, ainda me lembro do que é o futebol
Adoro ser do FCP quando o meu clube - lindo, lindo, azul e branco e lindo - perde. Ajuda-me a criar empatia com os simpatizantes dos restantes clubes, mais habituados aos empates e às derrotas.
22 março 2010
as injustiças da vida parental
Comentando a viagem do pai-gralha, esta semana:
mãe-gralha: "Que sorte, vais a Washington..."
pai-gralha: "Pois é. E vou passar uma noite no Marriot."
mãe-gralha (sozinha com os dois pintos): "Eu vou passar uma noite de Merdiot..."
mãe-gralha: "Que sorte, vais a Washington..."
pai-gralha: "Pois é. E vou passar uma noite no Marriot."
mãe-gralha (sozinha com os dois pintos): "Eu vou passar uma noite de Merdiot..."
20 março 2010
eu mereço
Não posso dormir mais de 2 horas de seguida, não posso dormir de barriga para baixo, não posso beber alcoól nem café, não posso ir correr - felizmente já há outras coisas que posso - não posso comer uma série de alimentos, não posso fazer um sem fim de coisas. Posso comprar sapatos. Pelo menos estes, pelos quais paguei cerca de 33 euros. Ai que saudades da Seaside à porta de casa... Chamem-me pirosa, vá, a ver se eu me importo.
19 março 2010
quando for grande



Quero ter o estilo desta personagem (Ellen, do Damages), desempenhada pela Rose Byrne. Até temos tanto em comum: somos mulheres, morenas, vivemos perto de Nova Iorque. Só me faltou a sorte grande da genética. E o estilo, claro.
17 março 2010
começo a gostar disto
Saímos de casa, Diogo no marsúpio, Gugas a tentar aprender a andar de bicicleta. Às tantas, largámos a bicicleta e fomos andar pelo jardim para ver se já dava para chegar ao canal. Ouviam-se os passarinhos - tantos! picapaus, pintarroxos, estorninhos (nesta altura é que eu gostava de ser bióloga) -, os gansos e as rãs. O ar tinha um cheiro doce e foi difícil arranjar razão para voltar para casa. Andamos a planear piqueniques no meio da floresta. E, se calhar, ainda me habituo a esta vida e não sei como será voltar ao barulho e ao lixo do centro da cidade.
15 março 2010
a gralha e a desordem
Não há como as mudanças na vida para nos ficarmos a conhecer melhor. Eu já sabia que era arrumada. Já sabia que era um pouco perfeccionista. Não sabia era que não sei lidar muito bem com a absoluta desordem - e se há coisa de que não me safo agora é de uma boa dose de desordem. Os Legos já invadiram quase todas as divisões da casa. A cozinha nunca está realmente limpa. Há sempre roupa para lavar. Algumas pessoas podem olhar para a minha casa e ver um lar, que cheira a bolos e tem brinquedos por todo o lado. A mim, faz falta ver as coisas nos sítios. Fico mesmo desorientada. Só que acho que vou ter de me habituar, que remédio.
12 março 2010
3 anos
Era uma vez um desejo que se tornou numa surpresa, que se tornou num bebé e agora é um rapazinho. O meu Guguinha já tem 3 anos. Tantos sorrisos, tanta doçura, tantos disparates, tantas brincadeiras, tanto tempo que passámos juntos, um privilégio incomparável poder acompanhar de perto o teu crescimento. Tens mudado muito neste tempo em que temos estado fora de casa. Continuas bem-disposto e sociável mas agora conheço-te uma faceta mais sensível e respondona. Mesmo nos dias em que só me contrarias, mesmo quando estou mais cansada, consegues fazer-me sorrir. Conheço-te como a ninguém e o mais engraçado é que também começas a conhecer-me muito bem. Acho que vou sempre achar-te o menino mais lindo do mundo. Adoro-te imensamente.
10 março 2010
ai julgavas que tinhas a escola toda?
Este filho está a ser uma lição de humildade. O que se aplicava tão direitinho com o Gugas agora tem de ser revisto, repensado, virado de pernas para o ar. Os bebés são todos diferentes e a única coisa que podemos fazer é tentar conhecê-los e fazer o melhor que conseguimos. Uma coisa se mantém é a importância de confiar no instinto. Aquela pessoa pequenina precisa que cuidemos dela e a verdade é que ninguém como nós pode saber do que precisa.
08 março 2010
personalidades
Que fique bem claro, para quem ainda tem dúvidas, que os gostos de cada um já vêm muito de nascença. Ah, e tal, que a socialização e a educação e mais não sei o quê. Sim senhor, isso tem o seu peso. Mas como explicar que, dos meus dois filhos, um é comilão desde a nascença (como o pai) e outro começa a revelar-se pisco (como a mãe)? Eu mereço, eu sei que mereço, que a minha mãe bem sofreu toda a vida para me convencer a comer.
07 março 2010
ela está aí a chegar
A Primavera. A sério que não é para vos fazer inveja, moradores de Portugal, mas a Primavera está mesmo a chegar aqui ao outro lado do Atlântico. Apesar da neve que ainda não derreteu em frente ao meu alpendre, apesar de as árvores ainda estarem despidas, os passarinhos cantam lá fora e o ar já tem outro cheiro. Estamos todos a precisar de Primavera e esta estação do ano tem outro sentido quando temos bebés - parece que está tudo no seu devido lugar :)
06 março 2010
04 março 2010
é oficial
Estou mesmo cansada. Hoje sonhei que já tinha dado maminha às 4h30 da matina - podia jurar! - e dormi regalada enquanto o meu filhote balia de fome. Culpa, culpa, culpa! Respondo torto ao Gugas, não tenho paciência para nada, e nunca como agora precisava de a ter. Troco as palavras, não sei a quantas ando. É muito. O tema "superwoman" da Alicia Keys toca em repeat na minha cabeça mas ando mesmo a virar o boneco.
03 março 2010
primeiro mês
É estranha esta sensação de que não és o único. E, ainda assim, és único. Passei a ter dois corações a bater a compasso e confesso que ainda não me habituei a isso. És de uma seriedade imperturbável. Mamas e dormes bem, as cólicas com hora marcada ainda não nos bateram à porta. Procuras-me quando não me sentes perto e segues a voz do teu irmão, que te enche de beijinhos com migalhas de bolacha. És o meu muito pequenino, já tens um mês e és formalmente um cidadão americano. Já sei que não vou ver o tempo passar contigo e tenho de aproveitar cada momento. Parabéns fihote :)


01 março 2010
W factory
Este é o momento em que o gralhar ultrapassa as fronteiras da blogosfera e se aventura no mundo empresarial. A W factory - fábrica de palavras - pretende servir as pessoas e empresas com desafios ao nível da escrita criativa, da tradução e da edição técnica. Os meus parceiros e eu trabalhamos em vários domínios e várias línguas. Visitem o sítio http://thewfactory.com para ficarem a conhecer melhor este projecto e não deixem de o sugerir aos vossos amigos. Obrigada!
28 fevereiro 2010
as catástrofes
Este ano promete tornar-se inesquecível por más razões, tal é a quantidade de catástrofes que têm assolado o mundo um pouco por toda a parte. Sentimo-nos pequeninos e angustiados, pensamos nas nossas famílias e naqueles de quem mais gostamos, perguntamo-nos o que faríamos se fosse connosco. E eu sonho quase todas as noites com um incêndio, um furacão, uma desgraça de onde tenho de salvar sozinha os meus dois passarinhos. É nestas alturas que sentimos que uma para dois pode ser mais do que aquilo com que conseguimos lidar. Acho que foi em parte por isto que, inconscientemente, sempre me esforcei para que o Gugas se tornasse o mais independente possível, apesar de ainda ser pequenino. O meu coração está com todas as vítimas e com todos os que partilham os meus receios.
26 fevereiro 2010
fico
Já estou habituada ao tamanho XXL de tudo. A neve chateia menos do que a chuva e a humidade constante que ameaçam tornar-se típicas do nosso país. Este é um lugar tranquilo e lindo, como o devem ser os lugares da infância, da infância dos meus filhos. Quero que estejamos juntos e se, por agora, tem de ser aqui, é aqui que fico.
25 fevereiro 2010
ser mãe de dois II
Andar a fazer tudo e mais alguma coisa com o pequenino pendurado na maminha. Dava um jeitaço que fossemos chimpanzés para ele se agarrar sozinho mas, mesmo assim, só com uma mão, consegue-se fazer maravilhas.
23 fevereiro 2010
palpites, a sequela
Posso gritar um bocadinho, posso? AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH. Uma pessoa pensa, na inocência dos seus quase 31 anos, que, ao segundo filho, as pessoas se inibem de dar palpites a torto e a direito. Errado. E eu, com a minha mansidão de rinoceronte, tenho de contar até 10, até 100, até 1000 em todas as línguas que conheço.
22 fevereiro 2010
shhh, não digam a ninguém
Sabe-me tão, tão bem hoje ficar sozinha com o pirolito mais pequeno enquanto mandei o maior para Nova Iorque com os Avós. Acho que sabe bem a todos. Finalmente, posso dar maminha em sossego. E até existe a ténue possibilidade de conseguir ver um filme e adormecer no sofá!
19 fevereiro 2010
daddy's little girl
Amanhã chega o meu Papá. Já não o abraço há 4 meses e 14 dias. Vamos ver se sobra algum mimo para mim, agora que tem dois netos :)
17 fevereiro 2010
não pode ser assim tão cor-de-rosa, pois não?
Acho que isto de ter mais um filho e etc. e tal ainda não bateu a sério. Sinto-me bem, esqueço-me que estive grávida, ando com um sorriso. Não me custa assim tanto levantar de noite (só custam as cólicas dele!) e ando com uma paciência de semi-santa para as mudanças de humor do filho único promovido a mais velho. Ontem mandaram-me para a sucata o carro que deixei estacionadinho na garagem em Lisboa e só penso no bom que é ninguém se ter magoado. Será que me andam a pôr Prozac no sumo de laranja? É que não é suposto isto ser assim e eu não ter vertido ainda nem uma lágrima. Estou à espera do momento em que vejo uma cena qualquer mais comovente na televisão e desato num pranto. Denial is a river in Africa...
16 fevereiro 2010
o método de tortura mais antigo do mundo
O quêêê? Já passaram três horas...? Anda cá filhote pequenino. Au! Não me mordas a maminha. Pronto, pronto. Ei, não pares, estás a deixar sair tudo por fora! Isso mesmo... Não, não te engasgues! Oh não, outra vez soluços... Vá lá, só um arroto pequenino. Vá lá... Senão vais ficar cheio de cólicas... Ups, que é isto? Vamos lá mudar a fralda. Pronto, mama lá mais um bocadinho. Só mais um bocadinho, senão ficas com fome daqui a nada. Meu borrachinho, pareces uma bolinha de neve com este babygrow... Não, não, não bolsa para cima do cabelo da mamã! Pronto, vamos lá dormir como um lindo menino. Deito-te bem embrulhadinho, és a serenidade personificada. Shhhhhhhh... Vamos dormir. Já estou deitadinha, finalmente. Que macia é a minha caminha... Zzzz... Uéééééééé!!!!
15 fevereiro 2010
dia dos namorados
Ontem fui jantar fora com o meu namorado. Vesti o vestido, calcei os saltos altos e passeámos de mão dada. Bebi um batido de morango com uma cereja no topo. Só não digo onde fomos e quantos minutos demorámos para não estragar o cenário idílico.
12 fevereiro 2010
dunguinha
Meu querido pequenino, as coisas são tão diferentes contigo... Fazes-me lembrar aquela canção dos Deolinda, que diz "o nosso amor é clandestino". Não posso ficar a namorar-te horas a fio, não posso atender imediatamente a cada suspiro. Mas tu és um menino bom e tens sabido partilhar o tempo e o espaço com o teu mano. A tua vida vai ser sempre uma partilha, mas isso é acima de tudo bom. Tens um irmão que já gosta muito de ti, que te faz as festinhas mais cuidadosas e põe 3 caixinhas de música a tocar em simultâneo para "te adormecer". Ainda és uma migalhinha mas já inundas o meu coração como a maré cheia. És meu, muito meu. E espero conseguir sempre fazer-te sentir único.
11 fevereiro 2010
a piadinha óbvia
Então parece que, por esses lados, estão a tentar tapar o Sol com a peneira? Por que é que se perde tanto tempo com estas palhaçadas no nosso país?
10 fevereiro 2010
heidi klum power
Se eu acreditar muito muito muito que sou uma top model alemã vou ficar com o corpinho igual ao que era antes em 15 dias, não vou? Vou. As calças já servem. Se eu não respirar.
08 fevereiro 2010
ser mãe de dois I
É aproveitar a sesta do segundo, que fica com a Avó, e ir brincar para a neve com o primeiro. Oh para mim a andar de tobogã cinco dias depois do parto - o que é revelador de como este foi mais fácil -, oh para mim de rabo para o ar a fazer casinhas. Porque o primeiro precisa muito de brincar com a mãe e tem todo o direito.
p.s. Muito obrigada por todos os vossos comentários e e-mails parabenizantes :) É muito bom sentir que a nossa alegria se espalha um bocadinho por tanta gente.
p.s. Muito obrigada por todos os vossos comentários e e-mails parabenizantes :) É muito bom sentir que a nossa alegria se espalha um bocadinho por tanta gente.
04 fevereiro 2010
eu tenho dois amores, tararã!

Como a Vera já anunciou, o nosso querido Dioguinho nasceu ontem, às 14h30, com 39 semanas, 3,350 kg e 52 cm. Correu tudo bem (cf. plano de parto para detalhes, porque foi basicamente isso), e agora estamos a mimar-nos e a reconhecer-nos do lado de fora. É impressionante a coincidência mas este segundo filho também é o bebé mais lindo do mundo :)
03 fevereiro 2010
tenho sono
E contracções de 7 em 7 minutos. Pelo menos ainda vi os dois primeiros episódios da última série do Lost.
isto vai entrar em modo tweeter
Ainda não são 3 da manhã. Está a nevar. A intensidade e dôr das minhas contracções fazem-me pesar se tenho mesmo de acordar o Gugas agora...
02 fevereiro 2010
39 semanas
Acho que esta é uma altura tão boa como qualquer outra para fazer o balanço final desta gravidez. Já aqui disse que a segunda custou um bocadinho mais do que a primeira mas, mesmo assim, não seria justo queixar-me muito. Foi chato andar enjoada durante tanto tempo - só muito recentemente deixei de ter o vómito ocasional. Mas não tive tanto sono - umm, será que o facto de dormir 10 horas todas as noites ajuda? Fez-me muita falta a actividade profissional e física, para me sentir mais activa e andar entretida mas, por outro lado, tenho agora um filho mais velho com quem me entreter. Não dá sequer para comparar a ansiedade, as dúvidas, a impaciência - da outra vez, cada semana durava um mês e a cada ida ao médico tinha uma lista de perguntas. Mais uma vez, não soube o que são dores nas costas nem inchaços - mas desta vez passo a noite a levantar-me para fazer xixis de passarinho. Espero que signifique que a cabeça está encaixadinha. Desta vez, também tive desde muito cedo várias contracções de Braxton-Hicks, mas agora já quase nem ligo, elas acabam por passar. E pronto, foi assim. Se me perguntarem se sinto nostalgia por esta ser, provavelmente, a minha última gravidez, a resposta é fácil: não. Adoro ter filhos, adoro ser mãe mas nunca gostei muito de estar grávida. Gostava muito que a vida me desse as condições para adoptar mais uma criança mas não sinto necessidade de gerar mais nenhuma pessoinha, estou realizada :) Venha agora o parto!



9 meses de Gustavo
9 meses de Diogo
31 janeiro 2010
já tenho mais um sobrinho!
Já nasceu o Lourenço, o filho da minha amiga Vera :) Não sei detalhes, mas parece que estão bem. Fico muito feliz por acordar com uma notícia tão feliz neste dia de sol! Quem vem a seguir, será a Ana C.? Será a Morgy? Eu é que não devo ser de certeza, que o Diogo está à espera da avó que chega no próximo Sábado, como um lindo menino.
30 janeiro 2010
que feiinha que é a inveja
De cada vez que vou às consultas de saúde materna apanho uma enfermeira diferente. Quanto mais elas pesam, mais peso me atribuem naquelas fabulosas balanças de merceeiro com que nos avaliam (e o inverso também se aplica). A sério, porquê? Acham que uma pessoa já não sofre o suficiente quando, ao comprar o bilhete para este país, o peso passa automaticamente para os 3 dígitos?
29 janeiro 2010
com 13 dias de atraso
Isto fez 4 anos. Isto é o gralha dixit. A minha vida mudou muito ao longo deste período de tempo, os temas mudaram q.b. e eu também mudei um bocadinho. Mas só um bocadinho, e acho que ainda escrevo de uma forma semelhante. Será que ainda há algum leitor que me acompanhe desde o início? De qualquer forma, obrigada aos antigos e novos visitantes que por cá passam. Para mim, ainda vale a pena abrir o blogger e dizer meia dúzia de coisas de vez em quando - sempre foi esse o objectivo.
28 janeiro 2010
eu até gostava de ser sempre a mãe extremosa
e dizer que nada mais me passa pela cabeça agora do que o meu filho mais velho, quase a tornar-se irmão mais velho, e o meu filho mais novo, quase a tornar-se cidadão americano (cruzcredo!). Mas não, também me passa muito pela cabeça o Guincho. A minha praia do Algarve. O Bairro Alto (e mojitos que lá bebi). Agorinha mesmo, fecho os olhos e estou no recolhimento da minha igreja. E nada me apetecia mais do que caminhar até lá, desligar o telemóvel, desligar-me de tudo lá fora, e ficar em silêncio a rezar um bocadinho.
27 janeiro 2010
um post útil
Amigas grávidas, aceitemos a realidade: nesta recta final, ninguém nos pode valer senão nós próprias. E agora só há um momento do dia em que não ando "ai, ui!", sem saber para onde me virar. Esse momento é quando faço o meu Yoga. Não deixem de experimentar, senão Yoga, alguma forma de alongamentos e respiração controlada. Vejam na net, perguntem à vizinha, comprem um livro sobre isso, qualquer coisa. Vale a pena.
26 janeiro 2010
pequena inquietação cor-de-rosa
Por que é que, de todos os milhões de cabelos que tenho, os únicos que se recusam a agarrar a tinta "light golden brown" que lhes aplico são os dois brancos que tenho no sítio onde faço a risca ao lado? Será que devo experimentar tinta da china?
25 janeiro 2010
angústias (sub)urbanas intemporais
A maioria dos blogues de autoras femininas que falam sobretudo de sapatos e de relações presentes, passadas e futuras (que é para não lhes chamar "blogues de gajas", que elas costumam ofender-se com o conceito) têm como grandes referências do imaginário ficional as personagens do Sexo e a Cidade ou do Lipstick Jungle. Neste momento da minha vida, o programa cujo enredo me faz sentir mais identificada é mesmo o Mad Men. Para além da série ser mesmo muito boa, bem escrita, e com uma cenografia espectacular, consegue deixar-me caladinha a pensar sobre como o papel das mulheres tem mudado tanto (ou tão pouco) na sociedade ocidental. E de como eu podia ser quase qualquer uma daquelas personagens.
24 janeiro 2010
faz de conta que é dia de são valentim
Se há coisa que admiro no meu homem é que, nos 13 anos em que o conheço, nunca sequer pestanejou perante um desafio que lhe coloquei. E eu gosto de desafiar (acho que ele gosta de ser desafiado). Se calhar isto é imaturo mas, para mim, não há nada pior que um homem caguinchas. Bom, talvez um homem caguinchas e preguiçoso.
22 janeiro 2010
o que se passa com os pipis?
Apercebo-me agora que, das várias co-grávidas de termo que conheço por aí, sou a única que não tem programada uma cesariana. Tudo muito bem que as cesarianas servem para evitar problemas sérios e eu não sou nenhuma defensora do sofrimento nem advogada do parto natural a todo o custo. Mas o que se passa com o(s) nosso(s) sistema(s) de saúde para tanta gente ter de ir à faca? De repente, os pipis andam a ficar incompetentes? Eu própria já receio que, se não chegar ao hospital com metade do bebé a espreitar, eles resolvam sacar do facalhão. Com isto tudo, tenho uma pontinha de inveja porque sou a única que continua na santa ignorância de quando se dará o grande acontecimento. E eu nunca gostei de surpresas.
21 janeiro 2010
tão linda, a inocência das crianças
Uma grande vantagem de estar num sítio onde ninguém nos compreende, enquanto o nosso filho esta na idade na inocência, é que não passamos certas vergonhas. Ou melhor, não passávamos, até ao dia em que o antigo chefe do pai gralho - português - veio jantar cá a casa. E o Gugas declarou, entre o prato principal e a sobremesa, que estava com um certo problema de rigidez numa certa parte do corpo.
18 janeiro 2010
martin luther king, jr.
"Hoje as lojas estão fechadas porque é feriado, Gugas. É o dia do Sr. Martin Luther King, Jr. Foi um senhor muito corajoso porque veio dizer que não há pessoas mais importantes do que outras. E que não podemos maltratar ninguém. Percebes?"
"Hum, hum."
(ainda bem que para ele é assim tão simples e tão óbvio.)
"Hum, hum."
(ainda bem que para ele é assim tão simples e tão óbvio.)
14 janeiro 2010
plano de parto 2.0
(tradução um bocado livre)
Caro Dr. House - ou lá quem vai assistir,
Agradeço que, na medida do possível, e sempre que a minha saúde e a do meu bebé estejam asseguradas, sejam atendidos os meus pedidos aqui brevemente enunciados:
Por favor, não me atem à cama com o CTG nem me enfiem cenas estranhas por via intravenosa sem me avisarem antes.
Deixem-me estar sossegadinha, na posição que me apetecer, ou passear. Prometo que não roubo material nem provoco nenhum motim entre as outras parturientes.
Expliquem-me todas as intervenções necessárias e não façam de conta que eu não estou ali ou que não entendo o que se passa só porque estou a resmungar em estrangeiro.
Não quero turminhas de alunos a estudar a minha passaroca. Ela deseja ser observada só o estritamente necessário e, de preferência, por senhoras muito velhinhas e experientes.
Não digam "good job!" quando eu estiver a deitar o moço cá para fora como se eu fosse uma criança de 2 anos a construir uma torre de blocos.
Quando o meu bebé nascer, e se estiver tudo bem, devolvam-mo. É meu.
Tanquiu verimatche, gralha
(a parte melhor de todas vai ser que, desta vez, posso dizer todas as asneiras que me apetecer, que ninguém me compreende. Acho que isso ajuda tanto que vou dispensar a epidural)
Caro Dr. House - ou lá quem vai assistir,
Agradeço que, na medida do possível, e sempre que a minha saúde e a do meu bebé estejam asseguradas, sejam atendidos os meus pedidos aqui brevemente enunciados:
Por favor, não me atem à cama com o CTG nem me enfiem cenas estranhas por via intravenosa sem me avisarem antes.
Deixem-me estar sossegadinha, na posição que me apetecer, ou passear. Prometo que não roubo material nem provoco nenhum motim entre as outras parturientes.
Expliquem-me todas as intervenções necessárias e não façam de conta que eu não estou ali ou que não entendo o que se passa só porque estou a resmungar em estrangeiro.
Não quero turminhas de alunos a estudar a minha passaroca. Ela deseja ser observada só o estritamente necessário e, de preferência, por senhoras muito velhinhas e experientes.
Não digam "good job!" quando eu estiver a deitar o moço cá para fora como se eu fosse uma criança de 2 anos a construir uma torre de blocos.
Quando o meu bebé nascer, e se estiver tudo bem, devolvam-mo. É meu.
Tanquiu verimatche, gralha
(a parte melhor de todas vai ser que, desta vez, posso dizer todas as asneiras que me apetecer, que ninguém me compreende. Acho que isso ajuda tanto que vou dispensar a epidural)
12 janeiro 2010
36 semanas
A segunda gravidez custa mais do que a primeira. Não sei se é da minha provecta idade, se este bebé é (ainda) maior do que o outro, se sou eu que não tenho uma vida tão activa. Mas agora custa-me respirar e custa-me dormir. Não sei se me sente, se me vire, se me deite de barriga para o ar. Fico mesmo cansada só de estar uma hora a passar a ferro. E tenho o Guguita com febre, coisa que não acontecia há 9 meses. Já não me lembrava deste estado de alerta permanente, que não nos deixa pensar em mais nada. Nunca mais é Fevereiro...
10 janeiro 2010
ganhando coragem para a ecologia
O diabo da pegada ecológica esmaga-me de culpa quando sinto que a estou a aumentar. É o caso provável aqui nos EUA, onde, por exemplo, a sofisticadíssima cidade de Nova Iorque só permite a reciclagem de embalagens de medicamentos (felizmente, em Princeton só ainda não descobri destino para o vidro, o óleo e as pilhas). E nem vamos falar do consumo de tudo e mais alguma coisa. De modo que ando em pesquisas para ver se consigo dar o passo de gigante que é trocar as fraldas descartáveis pelas reutilizáveis. Se fôr muito mais caro, está fora de questão. E a trabalheira, senhores? Já assim passo a vida na lavandaria (uma das divisões da casa, não um estabelecimento comercial). E será que aguentam o mesmo que as descartáveis? E ficam mesmo bem lavadinhas? Ummm... Vou continuar a pesquisar e depois logo se vê.
Actualização: No primeiro mês vamos usar descartáveis. A partir daí, vamos experimentar umas reutilizáveis que há cá à venda no Wal-Mart (tipo Lidl) por 50 dólares/embalagem de 5. Se forem boas, compramos umas 25 e logo se vê... As que vi referidas nos blogues e sites portugueses são muito mais caras, o que, a juntar ao custo da água e electricidade, duvido que acabe por compensar. Depois logo vos dou o nosso veredicto.
Actualização: No primeiro mês vamos usar descartáveis. A partir daí, vamos experimentar umas reutilizáveis que há cá à venda no Wal-Mart (tipo Lidl) por 50 dólares/embalagem de 5. Se forem boas, compramos umas 25 e logo se vê... As que vi referidas nos blogues e sites portugueses são muito mais caras, o que, a juntar ao custo da água e electricidade, duvido que acabe por compensar. Depois logo vos dou o nosso veredicto.
09 janeiro 2010
jerusalém
É com humilde sentido de dever que vos recomendo que leiam o último livro de Mia Couto, Jesusalém. Muito, muito bom. Dava a perninha direita para escrever assim.
N.B. O livro chama-se Jesusalém. Deixo o erro no título do post porque fui naba o suficiente para não reparar antes. Obrigada Ana!
N.B. O livro chama-se Jesusalém. Deixo o erro no título do post porque fui naba o suficiente para não reparar antes. Obrigada Ana!
06 janeiro 2010
só mais um pouco
Tentando enganar-me que ainda tenho controlo sobre alguma coisa, a partir das 35 semanas está marcado o início da recta final. Como no remo, em que, por volta dos 1500 m, começamos a aumentar a cadência da remada e já só temos cabeça para respirar e tentar fazer bem o movimento da entrada-saída das pás na água. Ou na meia-maratona, em que por volta dos 18 km já só pensamos "meta, meta, meta, eu consigo". Isto das gravidezes tem muito de competição desportiva.
Agora, fazer a mala. Preparar-me para a amamentação. Fazer alongamentos para não martirizar demasiado as articulações e a musculatura na hora P. Escrever o plano de parto (será que alguém o vai ler?). Agarrar-me à almofada a dormir com muita força, porque dormir vai ser uma miragem daqui a nada. Ora bolas, lá vou eu ficar estúpida que nem uma porta outra vez. Espero que passe.
Agora, fazer a mala. Preparar-me para a amamentação. Fazer alongamentos para não martirizar demasiado as articulações e a musculatura na hora P. Escrever o plano de parto (será que alguém o vai ler?). Agarrar-me à almofada a dormir com muita força, porque dormir vai ser uma miragem daqui a nada. Ora bolas, lá vou eu ficar estúpida que nem uma porta outra vez. Espero que passe.
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