Pequena lista de coisas de que ainda não abdico trazer de Portugal ao fim de quase um ano:
- Cif (o melhor lava-tudo do mundo)
- Esfregões (aqueles quadrados de esponja coloridos)
- Soro fisiológico (não há cá, só sprays xpto. Aliás, não há nada simples e sem aromas/cores)
- Vigantol (mais uma vez, vitaminas só roxas com sabor a uva ou cereja ou outra cena manhosa)
- Peúgas de rapaz (sim, é mesmo verdade, aqui só há em tonalidades de branco)
- Collants (ainda não encontrei tamanho que me sirva cá)
23 setembro 2010
22 setembro 2010
é sempre assim
Pronto, já tenho o bilhete de avião, já comprei o vestido (carérrimo), já me mentalizei para os 16000 km aéreos e 1000 km rodoviários que farei em três dias para ir aos casamentos das minhas primas. Agora já pode aparecer uma proposta de emprego irrecusável para me obrigar a deitar tudo para o caixote.
21 setembro 2010
num mundo perfeito
As pessoas começavam a trabalhar mais e mais honestamente em Portugal.
As pessoas boas não sofriam mais do que a capacidade das suas forças e as menos boas ganhavam consciência.
Todos teriam acesso gratuito à educação, saúde e justiça porque todos os Estados teriam meios para suportar esses custos.
Nenhuma criança adoeceria antes dos 6 anos.
Nenhuma criança perderia a capacidade (e possibilidade) de sonhar.
Eu viveria em Lisboa.
Nós conseguiriamos dormir 8 horas todas as noites. Os miúdos 12, claro.
Eu teria sempre paciência para os meus filhos.
Eu teria um trabalho que tivesse utilidade pública, me realizasse e me reconfortasse a conta bancária.
Eu teria uma baby-sitter, uma empregada doméstica, uma cozinheira e um jardineiro (jeitoso, que andasse sempre em tronco nú) , que também passeasse os meus cães.
Eu leria e viajaria tudo o que me apetecesse.
Eu poderia alimentar-me exclusivamente de sushi, comida italiana e doces.
A coca-cola eliminaria a celulite e o champanhe faria bem à pele e ao cabelo. E seria baratíssimo.
O meu marido seria o primeiro astronauta português.
Ideia re-roubada à Precis Almana.
As pessoas boas não sofriam mais do que a capacidade das suas forças e as menos boas ganhavam consciência.
Todos teriam acesso gratuito à educação, saúde e justiça porque todos os Estados teriam meios para suportar esses custos.
Nenhuma criança adoeceria antes dos 6 anos.
Nenhuma criança perderia a capacidade (e possibilidade) de sonhar.
Eu viveria em Lisboa.
Nós conseguiriamos dormir 8 horas todas as noites. Os miúdos 12, claro.
Eu teria sempre paciência para os meus filhos.
Eu teria um trabalho que tivesse utilidade pública, me realizasse e me reconfortasse a conta bancária.
Eu teria uma baby-sitter, uma empregada doméstica, uma cozinheira e um jardineiro (jeitoso, que andasse sempre em tronco nú) , que também passeasse os meus cães.
Eu leria e viajaria tudo o que me apetecesse.
Eu poderia alimentar-me exclusivamente de sushi, comida italiana e doces.
A coca-cola eliminaria a celulite e o champanhe faria bem à pele e ao cabelo. E seria baratíssimo.
O meu marido seria o primeiro astronauta português.
Ideia re-roubada à Precis Almana.
os bebés até são giros
Voto no candidato (presidencial, ministerial, municipal, futebolístico) que prometer mudar a licença de maternidade para o período dos 6 aos 12 meses do bebé. Agora é a que a coisa tem piada. Antes disso, podem mandar uma enfermeira para casa das pessoas e as mães limitam-se a dar maminha, fazer miminhos e dormir, OK?
20 setembro 2010
eu, eles e os sapatos deles
Parecendo que não, este post é de uma grande profundidade. Traz à superfície o que realmente sou, aquilo que sou neste momento. Sou mãe a tempo inteiro. Não sobra tempo nem cabeça para muito mais do que isso, por muito boa vontade que se arranje. Tenho aquilo que desejei: rapazes. Não gosto de bonecada, não gosto de floreados, sou simples e vou directa aos assuntos. Sou arrumada. Gosto de poucas coisas, mas boas, se possível. Se não for possível, gosto de sonhar, de desejar, de planear. Não gosto de mediocridade. E os meus dois rapazes são a coisa mais perfeitinha que alguma vez fiz. Mesmo nestes dias em que tenho de contar até 1000 para não lhes torcer o pipo.
Já agora, destes todos só há 2 pares a uso actualmente. Adivinhem quais e ganham um fabuloso prémio de 1 euro (depois mandem o NIB).
16 setembro 2010
este blogue não consegue ser trendy-chic mais do que 12 horas seguidas
Diogo com febre. Aguardamos para ver se é só constipação ou se é outra infecção urinária. E pronto, é isto.
Adenda: Não tem infecção, é mesmo só esperar que passe a febre e a muita ranhoca. E sim, Precis, deve ser isso de que falaste. O Diogo vai ter de continuar a tomar profilaxia até lhe passar o problema de refluxo que, se tudo correr bem, será com a idade. Obrigada a todos pela preocupação e pela força.
Adenda: Não tem infecção, é mesmo só esperar que passe a febre e a muita ranhoca. E sim, Precis, deve ser isso de que falaste. O Diogo vai ter de continuar a tomar profilaxia até lhe passar o problema de refluxo que, se tudo correr bem, será com a idade. Obrigada a todos pela preocupação e pela força.
a ver se me distraio, ou qualquer coisa
É claro que a principal razão por que estou à procura de emprego é para poder passar a usar outfits em vez de roupas, pumps em vez de sapatos, clutches em vez de malas-do-sport-billy-que-leva-a-tralha-da-criançada. Isso e passar a escrever acerca de dias absolutamente extenuantes e cheios de acontecimentos sociais, reuniões, intrigas, e lançamentos de novos tons de verniz.
(Tenho pena é de já não ir a tempo de ter um blogue de mulher solteira e muito bem resolvida, giríssima, viajadérrima, etc. Quando era solteira era muito mal resolvida, essa é que é essa. É só inveja, gralha, só inveja...)
(Tenho pena é de já não ir a tempo de ter um blogue de mulher solteira e muito bem resolvida, giríssima, viajadérrima, etc. Quando era solteira era muito mal resolvida, essa é que é essa. É só inveja, gralha, só inveja...)
15 setembro 2010
...
Mães desta blogosfera: custa-vos ver os filhos a levar as vacinas? Agora imaginem vê-los a serem imobilizados para lhes enfiarem, a sangue frio, uma sonda pela uretra...
Assim foi o exame que o meu Dioguinho teve de fazer hoje e, infelizmente, as notícias não são as melhores: há mesmo refluxo de urina para os rins (o que lhe causou a pielonefrite em Julho) e agora vai ter de ser seguido pelo médico da especialidade. Vamos ver o que é preciso fazer para evitar futuros problemas.
:(
Assim foi o exame que o meu Dioguinho teve de fazer hoje e, infelizmente, as notícias não são as melhores: há mesmo refluxo de urina para os rins (o que lhe causou a pielonefrite em Julho) e agora vai ter de ser seguido pelo médico da especialidade. Vamos ver o que é preciso fazer para evitar futuros problemas.
:(
professional job seeker
É pena não pagarem para isto de andar à procura de emprego, porque até é muito engraçado. Uma pessoa levanta-se de manhã, vê as entrevistas que tem nesse dia, carrega ou descarrega na maquilhagem e na formalidade da fatiota consoante o destinatário, e faz-se à estrada. Muito sorriso, muito ar de serena confiança, muito chavão na onda do American Dream, sucesso, sucesso, carreira, performance, dedicação, 24/7 e 24 horas por dia de vontade de rechear a conta bancária, usar a máscara de executiva ou aspirante a isso, uma postura geral de quem sabe que é a pessoa certa para aquela posição. É como fazer teatro mas sem os aplausos. É como ir a diversos blind dates mas sem direito a beijoca nem can I call you later? no fim. Venham mais, que eu tenho toda a paciência do mundo. Vejam lá é se me dão um emprego de jeito um dia destes, já agora.
Chato, chato, chato é ter de preencher os mesmos dados pessoais e profissionais centenas de vezes. Já deito formulários de candidatura pelos ouvidos!
Chato, chato, chato é ter de preencher os mesmos dados pessoais e profissionais centenas de vezes. Já deito formulários de candidatura pelos ouvidos!
14 setembro 2010
dormir é bom, já não me lembrava
Há uma fresta de luz que entra pela cortina, os pássaros cantam, e eu acordo docemente. Olho para o relógio e são 7h26. Já são 7h26. Os meus olhos não pesam, a minha pele está repousada, não sinto um desejo irreprimível de enfiar a cabeça na almofada. É mesmo verdade, dormi a noite inteira. E assim tem sido, (quase) sem interrupções, desde que o Diogo foi dormir para o quarto dos rapazes e passou a beber leite de soja. Só alguém que já passou meses a fio sem dormir decentemente pode compreender o que estou a sentir, a diferença que isso faz à nossa cabeça e ao nosso estado de espírito. Espero que seja sempre assim, daqui em diante.
13 setembro 2010
às vezes lembro-me de que tinha sentido de humor
Como quando um professor, na faculdade, estava a tentar insultar a turma por ninguém estar a ver quem era o autor de quem ele estava a falar (com alguma razão, o pessoal não estudava um boi), e deu a seguinte pista a la escola primária: as iniciais do nome são "MM". E eu respondi: Mickey Mouse!
12 setembro 2010
o machado e a colher-de-pau
Era uma vez uma família. Chegando ao fim o Verão, aproveitavam os últimos dias amenos para ir até à floresta recolher lenha para se aquecerem no Inverno. O pai comprou um machado e o filho mais velho ajudava limpando os galhos mais pequenos, por entre a ocasional birra sem razão. A mãe entretinha o bebé com folhas e canções desafinadas enquanto imaginava o que ia fazer para o jantar. Chegados a casa, era tempo de ir buscar as formas e pensar em receitas de biscoitos. A água fumegava na chaleira e os filhos brincavam juntos às casinhas, enquanto os pais liam, sossegados.
Às vezes é mesmo assim.
Às vezes é mesmo assim.
11 setembro 2010
já me tinha esquecido
Que é possível fazer um bebé rir só com um boneco que chia ou um balão.
(falta-nos tanto isto, aos adultos)
(falta-nos tanto isto, aos adultos)
09 setembro 2010
a angústia do recomeço das aulas
É só viajar pela blogosfera e depressa encontramos diferentes relatos de mães chorosas, de coração apertado com o reinício do ano lectivo. Sou só mais uma lista. Com a agravante de me lembrar de ser deixada no infantário e agarrar-me às pernas da minha mãe a chorar. Por que é que tinham de me deixar ali? Por que é que não podia estar em casa com os meus brinquedos? Por que é que tinha de dormir a sesta (ou fingir) deitada em catres impessoais? Por que é que não era Natal todos os dias?
O problema é que o Natal não é todos os dias. Já vou para o 31º e ainda acho isso uma tremenda injustiça. Só que não há nada a fazer. E as crianças - ou bebés, nos casos em que ambos os pais querem/precisam de trabalhar - têm de ir para a escola. E os pais não têm outro remédio senão pegar num coração em fangalhos, virar-lhes as costas e voltar umas horas mais tarde, rezando para que fiquem bem entregues.
E os meus? O Diogo fica sem saber bem o que lhe está a acontecer. Corta-me o coração chegar lá e estar ranhosito, com olheiras e a roupa cheia de nódoas. Não pressinto o cuidado e a atenção que davam ao Gugas, na mesma idade, em Lisboa. O Gustavo faz-se de forte e corre para os brinquedos. Como será passar o dia com alguém que pouco o compreende? Mas chega a casa e não revela ansiedade nem tristeza com esta nova rotina. Sei que tinha muita vontade de voltar a estar com meninos da idade dele.
É assim a vida de mãe: escolhas, escolhas, prioridades, receios e saltos de fé.
O problema é que o Natal não é todos os dias. Já vou para o 31º e ainda acho isso uma tremenda injustiça. Só que não há nada a fazer. E as crianças - ou bebés, nos casos em que ambos os pais querem/precisam de trabalhar - têm de ir para a escola. E os pais não têm outro remédio senão pegar num coração em fangalhos, virar-lhes as costas e voltar umas horas mais tarde, rezando para que fiquem bem entregues.
E os meus? O Diogo fica sem saber bem o que lhe está a acontecer. Corta-me o coração chegar lá e estar ranhosito, com olheiras e a roupa cheia de nódoas. Não pressinto o cuidado e a atenção que davam ao Gugas, na mesma idade, em Lisboa. O Gustavo faz-se de forte e corre para os brinquedos. Como será passar o dia com alguém que pouco o compreende? Mas chega a casa e não revela ansiedade nem tristeza com esta nova rotina. Sei que tinha muita vontade de voltar a estar com meninos da idade dele.
É assim a vida de mãe: escolhas, escolhas, prioridades, receios e saltos de fé.
08 setembro 2010
a cena do pacotinho de açúcar
Um dia vou ter de arranjar coragem para sair da cama e fazer o que tenho a fazer com uma espécie de sorriso na cara, mesmo que aquilo em que a minha vida se tornou não faça muito sentido. Hoje é o dia.
07 setembro 2010
tentativa (fraquinha) de elevar a auto-estima
Continuo desempregada. Ando sempre com cara de pum. Não há maquilhagem que me disfarce as olheiras. Não tenho energia para me mexer. Tenho de ir lavar o frigorífico, tarefa supremamente aborrecida. Não posso ir a Nova Iorque nos próximos tempos. Ainda faltam eternidades para voltar a Portugal.
Mas tenho o rabo mais giro (menos balofo, vá) de todo o condomínio, quiçá do Estado da Nova Jérsia. Caramba, que esta gente come muita gordura monoinsaturada.
Mas tenho o rabo mais giro (menos balofo, vá) de todo o condomínio, quiçá do Estado da Nova Jérsia. Caramba, que esta gente come muita gordura monoinsaturada.
06 setembro 2010
a culpa é sempre dos pais
Conta a Dona Batata Frita que há um psic(palhaç)ólogo qualquer que diz que o facto de os filhos não dormirem é sempre culpa dos pais. Estás a ouvir, Mãe? Afinal não é do Diogo que me faz olheiras, és tu, apesar dos 6000 km de distância.
Agora a sério: concordo em absoluto que temos de ensinar os miúdos a adormecer. Eu fiz isso com os dois e não foi difícil, nem envolveu as choradeiras que o acima referido Dr. prescreve. Agora é preciso achar que as crianças são robots 100% programáveis se se acredita que é possível manter uma criança a dormir o tempo que nos apetecer, sem que nisso pesem factores como a necessidade individual de sono de cada um, as doenças, a agitação variável do dia-a-dia, entre outros. Ou então sou eu que sou estúpida e me levanto para lhe dar alguma coisa para beber porque tem sede, para o tapar porque tem frio, para pegar nele porque simplesmente não quer dormir depois das 7h (apesar de o ter deitado às 21h, como o senhor "manda", e de lhe ter dado leite, a dormir, às 23h30). Se calhar era melhor deixá-lo chorar, enfiar tampões nos ouvidos, e esperar que a Protecção de Menores me batesse à porta.
A propósito, hoje o Diogo vai dormir para o quarto dos rapazes. Ou seja, se o Gugas também deixar de dormir, a culpa é mesmo dos pais, que lhe pespegaram com o irmão mais novo.
Agora a sério: concordo em absoluto que temos de ensinar os miúdos a adormecer. Eu fiz isso com os dois e não foi difícil, nem envolveu as choradeiras que o acima referido Dr. prescreve. Agora é preciso achar que as crianças são robots 100% programáveis se se acredita que é possível manter uma criança a dormir o tempo que nos apetecer, sem que nisso pesem factores como a necessidade individual de sono de cada um, as doenças, a agitação variável do dia-a-dia, entre outros. Ou então sou eu que sou estúpida e me levanto para lhe dar alguma coisa para beber porque tem sede, para o tapar porque tem frio, para pegar nele porque simplesmente não quer dormir depois das 7h (apesar de o ter deitado às 21h, como o senhor "manda", e de lhe ter dado leite, a dormir, às 23h30). Se calhar era melhor deixá-lo chorar, enfiar tampões nos ouvidos, e esperar que a Protecção de Menores me batesse à porta.
A propósito, hoje o Diogo vai dormir para o quarto dos rapazes. Ou seja, se o Gugas também deixar de dormir, a culpa é mesmo dos pais, que lhe pespegaram com o irmão mais novo.
04 setembro 2010
as diferenças culturais na escola
Faz-me confusão que os bebés tenham de dormir sob luzes fluorescentes constantemente acesas e com música bastante alta para o meu gosto.
Faz-me confusão que deitem as crianças com um lençol e um cobertor (segundo lençol para quê?).
Faz-me confusão que tenham a sala dos bebés com ar condicionado a 21ºC (e com os 38ºC cá fora, claro que o Diogo já se constipou).
Faz-me confusão, sobretudo, que não dêem sopa às crianças. O conceito de sopa não existe. No máximo, dão uns boiões de puré de vegetais de supermercado, fast food logo desde o berço.
Ah, mas o Gugas arranhou ligeiramente um joelho no parque infantil e tive direito a telefonema na hora e uma página de relatório do "evento" que tive de assinar à saída.
Faz-me confusão isto tudo, pronto, tenho saudades da creche do Gugas em Portugal.
Faz-me confusão que deitem as crianças com um lençol e um cobertor (segundo lençol para quê?).
Faz-me confusão que tenham a sala dos bebés com ar condicionado a 21ºC (e com os 38ºC cá fora, claro que o Diogo já se constipou).
Faz-me confusão, sobretudo, que não dêem sopa às crianças. O conceito de sopa não existe. No máximo, dão uns boiões de puré de vegetais de supermercado, fast food logo desde o berço.
Ah, mas o Gugas arranhou ligeiramente um joelho no parque infantil e tive direito a telefonema na hora e uma página de relatório do "evento" que tive de assinar à saída.
Faz-me confusão isto tudo, pronto, tenho saudades da creche do Gugas em Portugal.
03 setembro 2010
sétimo mês
Dunguinha querido, filho desconfiado e impaciente, já lá vão sete meses desde que escolheste uma noite de neve para sair da minha barriga, com muita pressa de aprender tudo. Ficas frustrado quando não consegues fazer o que tentas, franzes o sobrolho quando não compreendes o que se passa, mas derretes-te numa risota até aos soluços quando o mano fala contigo. Lá vais comendo, uns dias melhor que outros, e dormes sempre numa grande agitação. Já ficas sentado e estás a dar os primeiros passinhos a gatinhar - mas ainda acabas sempre de cara no chão. Já começaste a escola e ainda não estás a estranhar, vamos ver como será daqui em diante. Tenho tanta vontade de te ver crescido, a andar e a falar mas, ao mesmo tempo, começo o sentir que o meu bebé, o meu último bebé, não tarda muito a ser um menino crescido. És lindo, difícil, único, não te trocava por nada deste mundo.


02 setembro 2010
não, ainda não acabou o choradinho
pronto, que remédio, voltei
Está calor, mas um calor de fazer o Verão de Portugal parecer uma Primaverinha tímida. O crianço pequeno acorda a meio da noite com o jet lag e eu já estive mais longe de procurar "colégios internos para bebés" no google. O crianço maior ainda não sabe bem o que lhe aconteceu e por que é que não está rodeado de família em Portugal mas sim de criancinhas asiáticas na escola, que não lhe respondem só porque ele fala português. Eu ainda não sei bem o que ando a fazer da minha vida e por que é que insisto em mais um ano de lágrimas, gritos e vontade de mandar tudo às urtigas. Entretanto, respondo a anúncios de todo o tipo de empregos e desejo fechar os olhos e só os abrir em 2012. Tanta asneira que eu escrevia aqui agora, senhores, mas a minha Mãe também já lê este blogue, de modo que tenho de parecer educada e com as neuroses sob controlo.
29 agosto 2010
a fome que dá em fartura
9 meses 9 de reclusão no lar, sem vagar para coqueterias, poucos meios para gastar em mariquices de gaja - excepção seja feita a uma ida a Nova Iorque - e chego a Portugal pronta a adquirir metade do stock das Zaras e H&Ms todas que encontro pela frente. Já houve spa, febre de sapatos, cremes, maquilhagem, vários vestidos, uma enjoadeira de montras. E anteontem sujeitei-me à tortura anual da ida ao cabeleireiro. Resultado: estou muito gira (se um Yorkshire Terrier puder ser considerado giro). Volto para a América, pois sim, mas enchi a barriga de perder tempo com futilidades.
28 agosto 2010
a (falta de) vontade de regresso*
Desde que entramos para a escola, todos aprendemos o sabor agridoce do fim das férias. É chato largar o descanso, mesmo quando este foi só teórico. É difícil voltar à rotina, mesmo que as rotinas só tenham mudado de endereço. É duro voltar a casa, mesmo quando a casa de férias sabe mais a casa. Isto tudo é pior quando temos a sensação que aquele avião que nos leva de regresso ao destino emigrante é como uma camioneta de porcos a caminho do matadouro.
Gostava mesmo de não voltar a tocar este disco do ó-que-me-levam-da-minha-terra, a sério. Detesto chorinhos e repetições. Acontece que não me apetece voltar, o que é que eu hei de fazer? Tenho de torcer o meu próprio braço, suster as lágrimas e mostrar-me contente, mas não estarei. E custa-me cada vez mais despedir-me das pessoas de quem gosto porque agora sei mesmo o que é estar longe, o que significa não estar cá para as coisas grandes e as coisas pequenas. Por isso, se quiserem dizer-me alguma coisa à laia de consolo, por favor não me digam que vai ser óptimo, que passa num instante, que desta vez é mais fácil. Digam só que sabem como é difícil para mim e que me desejam o melhor. E entoem silenciosamente o meu mantra poliglota de muitas asneiras para ajudar a suportar a dor.
* direitos de autor da Ana C.
Gostava mesmo de não voltar a tocar este disco do ó-que-me-levam-da-minha-terra, a sério. Detesto chorinhos e repetições. Acontece que não me apetece voltar, o que é que eu hei de fazer? Tenho de torcer o meu próprio braço, suster as lágrimas e mostrar-me contente, mas não estarei. E custa-me cada vez mais despedir-me das pessoas de quem gosto porque agora sei mesmo o que é estar longe, o que significa não estar cá para as coisas grandes e as coisas pequenas. Por isso, se quiserem dizer-me alguma coisa à laia de consolo, por favor não me digam que vai ser óptimo, que passa num instante, que desta vez é mais fácil. Digam só que sabem como é difícil para mim e que me desejam o melhor. E entoem silenciosamente o meu mantra poliglota de muitas asneiras para ajudar a suportar a dor.
* direitos de autor da Ana C.
27 agosto 2010
futurologia filial
Uma das coisas muito giras de ter um blogue de meia idade (tendo em conta a esperança média de vida destas coisas) é poder ir ler o que andei a escrever há 3 anos atrás, mais concretamente como vivi os primeiros meses do Gugas. É curioso verificar que a descrição dos primeiros indícios da personalidade do meu mais velho corresponde muito fielmente ao que agora se revela com contornos mais definidos. Por isso me aventuro a imaginar a pessoa que o Diogo será: enérgico, intempestivo, assertivo, curioso. Não vai ter feitio dócil, não senhor, mas acho que vai ser inteligente e persuasivo. Mandão, vá. Desculpem lá a baba em antecipação, mas uma mãe tem direitos.
E que Deus Nosso Senhor lhe dê muita saudinha e felicidade, que seja uma criança normal é o que mais desejo, já agora.
E que Deus Nosso Senhor lhe dê muita saudinha e felicidade, que seja uma criança normal é o que mais desejo, já agora.
26 agosto 2010
o copo meio cheio (e o meio vazio)
Temos um filho que come qualquer coisa que lhe demos e outro que dorme em qualquer lado. Temos um que só dorme na cama e outro que não gosta de comer nada.
Estou há 2 meses em Portugal e estas férias, sobretudo em Lisboa, estão a saber-me pela vida. Volto aos EUA para a semana e só regressarei a Portugal, em princípio, daqui a um ano. Este regresso não custa menos do que a primeira ida.
Em breve volto à vida de dondoca, sem stress, sem passar horas no trânsito, com todo o tempo do mundo para dedicar aos meus filhotes e até para continuar a ler. Continuo desempregada...
Estou há 2 meses em Portugal e estas férias, sobretudo em Lisboa, estão a saber-me pela vida. Volto aos EUA para a semana e só regressarei a Portugal, em princípio, daqui a um ano. Este regresso não custa menos do que a primeira ida.
Em breve volto à vida de dondoca, sem stress, sem passar horas no trânsito, com todo o tempo do mundo para dedicar aos meus filhotes e até para continuar a ler. Continuo desempregada...
19 agosto 2010
e agora, a cidade
Até podia estar para aqui com desculpas para não escrever com mais frequência mas a verdade é apenas uma: preguicite. Depois de 5 semanas de Algarve sabe muito bem estar na minha linda cidade, fazer de conta que sou turista e andar por todo o lado a olhar para cima e para baixo com cara de totó. E não, Ana C., não é para fugir aos cocós de cão, é mesmo porque a calçada portuguesa desgraça os saltos de agulha mas é bonita. E agora vou ali comer um pastel de Belém e evitar começar a fazer contagem decrescente para o regresso. A vantagem é que o amuo que isso me vai causar me dará logo corda aos dedos.
11 agosto 2010
as férias no meio do resto
Apesar dos apesares também há coisas boas. Há praia com água quente e brincadeiras nas piscinas dos olhos de água. Há piscina com muita criançada. Há amigos que vêm de todos os lados para estar connosco neste interregno americano. Há churrascos, cubas livres, gelados e ameijoas. Há muitos, muitos livros. E há momentos em que vejo que tenho uma família linda e que os meus filhos são a luz dos meus olhos :)
Ah, e amanhã vou passar o dia neste spa. A mamã merece, oh se merece!
Ah, e amanhã vou passar o dia neste spa. A mamã merece, oh se merece!
06 agosto 2010
o professor karamba nos acuda
Nestas férias já passou tanto vírus e bactéria pelas diversas concavidades da minha família nuclear que eu até já tenho medo de escrever sobre isto aqui, catano, não venha daí um ataque de lombrigas, furúnculos, ou mais uma bichose qualquer capaz de criar ranho, febre, dores e queixas. Eu bem previ que uma embalagem de creme protector seria sufiente mas o mais triste é ainda só ter comido uma (seca, dura, miserável) bola de berlim.
03 agosto 2010
sexto mês
O meu bebé já tem seis picos! O meu bebé curioso, expressivo, atento, exigente. Mete tudo à boca mas o melhor que há é roer os dedões dos pés. O ponto alto do dia agora é ir passear o Matias de manhã, ver os galos, as árvores e ouvir a rolas. Do alto do marsúpio não se cansa de perscrutar tudo com o seu olhar inquisitivo. Agarra, puxa e belisca tudo o que apanha com muita força. Continua adepto da gritaria e está muito, muito mal habituado a colo. Só bebe o leite (e mal) se for eu a dar-lho. Ataca-me, de vez em quando, com raivinhas e é capaz de estar tempos infinitos a rir das palhaçadas do mano. Tão apetitoso e já tem meio ano, caramba!


28 julho 2010
as férias a valer vão começar
No que toca à maternidade, sou mesmo do piorio. Nem confesso aqui metade para não me cair em cima a brigada da amamentaçãoobrigatória-anticreche-cosleeping-e-não-bato-nos-meus-filhos. Mas revelo isto: estou tão contentinha porque as minhas férias vão começar! Chega o meu homem e eu boto os phones nos ouvidos. Bebés a chorar, nem ouvi-los. Sopas, nem toco em tachos. Fraldas, elas que se lavem a si próprias. Não quero saber, não estou cá, me no speak beibi-talk. O papá que trate deles que eu vou dedicar-me ao bronze das bochechas do rabo. (à vontade um dia inteiro, ou mesmo dois)
26 julho 2010
tarzan
O Dunga decidiu que estava na hora de o mundo reparar nele. Assim com muita força. E vai de gritar, gritar, gritar. Quando lhe apetece, grita. Quando não o pomos de pé nas suas pernitas cheias de força, grita. E belisca, e puxa e senta-se todo para a frente na espreguiçadeira. Tanta vontade de crescer numa pessoinha só, caramba! E lindo que ele está :)
24 julho 2010
lua cheia
Coisa boa da minha juventude, aproveitar a lua cheia para tomar banho à meia-noite no mar. Fizesse calor ou um pouco de frio. Só estrelas e um mar muito negro a chamar por mim. Hoje não vou ao mar, que tenho de dar antibiótico ao Dunga daqui a pouco. Mas a piscina espera por mim :)
20 julho 2010
pielonefrite
Eis que uma aparente virose afinal é infecção urinária, só que afinal é pielonefrite. Depois de 6 dias de febres bastante altas, impossíveis de baixar durante a noite (e oh que belas noites!), o antibiótico fez efeito e o Dunga já está bem. Ninguém gosta de ouvir palavras como "internamento" e "sequelas" mas fazem parte do dicionário das mães. E também uma resistência saída não sei de onde para continuar a mimar, dar medicamentos intragáveis, ir e voltar de Faro repetidas vezes, acreditar que a temperatura não vai voltar a subir. As férias continuam agora num blogue perto de si. Esperamos.
17 julho 2010
quando não podemos fazer mais nada
Já todos sabem que ter filhos é lindo e cansa e dói e enche o coração e mais uma série de coisas. O pior, e que só os pais sabem, é quando eles estão doentes. E continuam. E vamos ao médico, damos a medicação, viramo-nos para um lado e para o outro e a febre volta, sobe, persiste. Nestas alturas lembro-me sempre de todos os que tiveram (e têm) de lidar com isto sem quaisquer meios de assistência, sem antipiréticos, sem análises. E depois penso que, no fundo, não tenho mais poder nenhum do que eles. A saúde e a doença são tão, tão pouco controláveis. A maior parte das vezes só nos resta dar colo e esperar, esperar, de coração apertado.
15 julho 2010
breves notícias da praia
A praia deve continuar bonita mas não encho o bikini de areia da rebentação há dois dias, que tenho um infante em estreia de viroses. Tostai todos vós que estais a trabalhar em Lisboa, eu fico aqui a baixar temperaturas à força de toalhas em água tépida. E é só isto por hoje.
09 julho 2010
areia entre os dedos e noites estreladas
A dureza da vida (qualquer dia cai-me um raio dos céus por estar sempre a chorar-me) mitiga-me as ambições estivais. Em 6 semanas de Algarve hei de fazer tão pouca praia que me bastará uma embalagem de protector solar. Mas, Dunga permitindo, vou ler tanto, tanto, tanto que ganho mais umas duas dioptrias em cada olho. E sangria branca ao almoço, com peixe fresco grelhado. E jantares na varanda, jantares em restaurantes, jantares não cozinhados por mim, que agora me sabem sempre a duas estrelas Michelin. Venham as noites mornas e o cheiro dos pinheiros sobre a falésia. Cantem as cigarras e os abelharucos nas tardes quietas de sestas e descanso. Vou para o Sul e vou aparecer pouco por aqui. Fiquem bem, boas férias e até qualquer dia :)
06 julho 2010
revelações em movimento
Há qualquer coisa nos meios de transporte que me puxa a epifania. Sento-me numa estação de metro e lá vem poesia para escrever no intervalo de três dias de agenda, que não há espaço para moleskins nos meus alforges de matriarca. Conduzia o meu primeiro automóvel à saída da faculdade e surgiu a revelação: já não sou adolescente. Conduzo agora o jipe que uma alma caridosa me emprestou e baixa em mim: já não sou mesmo adolescente. Não faz mal, no espelho retrovisor vejo o banco de trás, onde há quatro olhinhos castanhos e redondos, doces e pestanudos, confiantes em mim. São meus estes meninos. São meus para cuidar e amar e mostrar o mundo. Às vezes ainda parece impossível que sejam tão meus assim.
05 julho 2010
finalmente dormimos
Não escrevi o post do costume a assinalar o quinto mesiversário do Dunga porque não tenho o cabo para passar as fotografias e gosto sempre de ilustrar a coisa. De qualquer forma, temos bebé grande e bom, a portar-se um bocadinho melhor com a alimentação desde que passou a comer também sopa. E hoje dormiu das 00:00 às 8:00! Hip hip hurra! Agora vai ser assim todas as noites, vai, vai.
02 julho 2010
a pedagogia que custa mesmo um bocado
(ao telefone)
Gugas: "Mamã, vem buscar-me, não gosto de estar aqui."
Eu: "Oh filho, claro que gostas. Podes brincar com o X, o Y e o Z."
G: "Não gosto, não. Quero a Mamã e o Diogo. Vem buscar-me."
E: "Oh querido, amanhã a Mamã já vai ter contigo. Tens brincado muito?"
G: "Sim... (vozinha triste)."
E logo eu que tinha prometido a mim mesma que nunca iria proferir as palavras "claro que gostas". Humpf.
Gugas: "Mamã, vem buscar-me, não gosto de estar aqui."
Eu: "Oh filho, claro que gostas. Podes brincar com o X, o Y e o Z."
G: "Não gosto, não. Quero a Mamã e o Diogo. Vem buscar-me."
E: "Oh querido, amanhã a Mamã já vai ter contigo. Tens brincado muito?"
G: "Sim... (vozinha triste)."
E logo eu que tinha prometido a mim mesma que nunca iria proferir as palavras "claro que gostas". Humpf.
01 julho 2010
as minhas férias
Muita, muita, muita preguiça. O meu dia-a-dia não mudou quase nada, para além da roda-viva de visitas e de ter o meu cão colado às pernas o dia todo. Mas há uma preguiça mole e peganhenta que me faz quase acreditar que estou de férias.
30 junho 2010
diogo
Não tenho escrito muito sobre o meu filho pequeno. É tão injusto como agora não há tempo para o amor apalermado do primeiro filho, de ficar horas em adoração a contabilizar cada nova façanha. Este meu filho pequeno não é um bebé fácil. E para quem não gosta de fazer comparações: batatas! O meu primeiro foi muito fácil. Este não é. O que não quer dizer que eu não sinta o coração a explodir de amor por ele. Luta para beber o leite, não dorme sossegado, agora deu-lhe para a gritaria. Tem um sensor que dispara sempre que me sento para comer, o que é óptimo para emagrecer. Mas aninha-se e devora-me o ombro com urgência. Olha-me com o amor apalermado de primeira mãe porque, afinal, eu sou a única. Agarra-se com muita força como se soubesse que eu estou sempre a fugir e a dizer "deixa-me só fazer isto e já pego em ti". E estou, e é injusto. Este meu filho pequeno é mais parecido comigo em muitas coisas, o que é estranho. E especial. Olho nuns olhos que mostram uma alma tão próxima da minha e peço-lhe que seja só um bocadinho mais fácil, porque os meus dias estão tão difíceis. Mas mesmo hoje, em que acabei por ir dormir para o chão do hall dos quartos porque era a única forma de dormir alguma coisa, mesmo quando não passam mais de 30 ml de leite por aquela boquinha que sorri à descarada, amo-o infinitamente e sem retorno.
29 junho 2010
antes que me esqueça
Nunca mais fazer viagens de 7 horas durante a noite com um filho de 3 anos e outro de 4 meses e meio, criaturas que só dormem em suas reais caminhas. É que eu nunca fiz directas para estudar, nunca fiz directas para sair à noite, nunca fiz directas para ver o nascer do sol de mãozinha dada (e suada) com um namorado da adolescência. Fazer directa, depois destes meses em que tenho dormido tão miseravelmente, para entreter esta maltinha ao longo da travessia atlântica, por mais que sejam os meus anjinhos adorados, tirou-me uns 3 anos de vida. O pai que os traga de volta, que eu vou de navio.
28 junho 2010
olha a cronicazinha catita
Meninos e meninas, quereis saber como conciliar a parentalidade com a ecologia? Não quereis? Pois devíeis. Lede a crónica da Princeton Green Parenting Examiner e ficai a saber tudo sobre como não desgraçar o Planeta só porque não se dorme há meses, a roupa para passar é uma montanha intransponível e a paciência para separar as embalagens, os vidros e os papéis é coisa que não abunda. E, no caminho, ajudem-me a ganhar o pão. As migalhas, vá.
26 junho 2010
o clube do livro
A Oprah tem um, aqui a gralha também quer. Há catriliões de livros que sei que gostava de ler, mais os tentilhiões que são publicados todos os anos, que nem tenho tempo de lhes ler a contracapa. Como isto de filtrar o que vale a pena é trabalho hercúleo, que tal entreajudarmo-nos? Quem gosta de ler? Quem quer ser meu amigo e ajudar-me a criar um fórum onde falamos do que lemos e tentamos recomendar a outros o que eles poderão gostar, baseados no nosso entreconhecimento crescente?
Claro que isto exclui coisas do Paulo Coelho, Margarida Rebelo Pinto, Nicholas Sparks e afins e essas chachadas, desculpem lá. Ah, e vampiros também não. Vá, vá, participem. O Verão é a melhor altura do ano para ler (a par com o Inverno, a Primavera e o Outono).
Claro que isto exclui coisas do Paulo Coelho, Margarida Rebelo Pinto, Nicholas Sparks e afins e essas chachadas, desculpem lá. Ah, e vampiros também não. Vá, vá, participem. O Verão é a melhor altura do ano para ler (a par com o Inverno, a Primavera e o Outono).
25 junho 2010
home is where the heart is
Constou-me que não houve Primavera e que é bem capaz de não haver Verão. Que o Governo ainda não caíu mas, se o Sócrates e o Cavaco quiserem, já podem casar-se. Parece que o Benfica ganhou o campeonato. E o Julgamento Casa Pia ainda não acabou. Há enxames de vuvuzelas, a Manuela Moura Guedes ainda não se calou e os sindicatos dos professores continuam insatisfeitos com as políticas do Ministério. A Este, nada de (muito) novo. Meus amigos, não quero saber: vou para casa!
24 junho 2010
um bocadinho de materiali$mo também não fazia mal nenhum
E arranjar explicação que não pareça totó para recusar um emprego que me iria pagar 4 a 8 vezes mais o que eu recebia em Portugal? Não é fácil, não senhor. Mas não me está a apetecer transformar-me nisso, com o carro e as roupas e os dentes mais brancos do que o Paulo Portas, e vender a minha alma.
23 junho 2010
á coisas que me melindram á brava
Á é uma palavra que não á. Pode ser "há", de haver, substituível (pelo menos em sentido) por existe. Se é funcionário de um dos 12491 snack-bares portugueses e o seu trabalho é escrever os menus em toalhas de papel, já fica a saber: Á caracóis, á pipis, á gambas alá guilho: tudo isso é com "há".
E depois á o á que é contracação de uma preposição e de um artigo. É pá, isso é mesmo uma coisa complicada! Vai ser um caso grave lembrar-me disso. Grave é exactamente o tipo de acento a usar, para escrever "à". Ena, que grande ginástica de dedos que é carregar no shift do teclado e, simultaneamente, na tecla do acento. Mandar pessoas a um certo sítio, por exemplo, é com este á.
Á! Depois ainda á a interjeição á, que é "ah". Este é fácil de lembrar: se for um adepto do tuning, este á vem onde está normalmente um f0d@-$€, como em "Ah (f0d@-$€), que lindos olhos tu tens", ou "Ah (f0d@-$€), já compreendi esta cena dos ás".
E por hoje já chega, embora houvessem muitos outros erros que eu gosta-se de ajudar a clarificar. Espero não ir causar muitas tendinites com a nova utilização dessas teclas que estavam a sentir-se ao abandono.
E depois á o á que é contracação de uma preposição e de um artigo. É pá, isso é mesmo uma coisa complicada! Vai ser um caso grave lembrar-me disso. Grave é exactamente o tipo de acento a usar, para escrever "à". Ena, que grande ginástica de dedos que é carregar no shift do teclado e, simultaneamente, na tecla do acento. Mandar pessoas a um certo sítio, por exemplo, é com este á.
Á! Depois ainda á a interjeição á, que é "ah". Este é fácil de lembrar: se for um adepto do tuning, este á vem onde está normalmente um f0d@-$€, como em "Ah (f0d@-$€), que lindos olhos tu tens", ou "Ah (f0d@-$€), já compreendi esta cena dos ás".
E por hoje já chega, embora houvessem muitos outros erros que eu gosta-se de ajudar a clarificar. Espero não ir causar muitas tendinites com a nova utilização dessas teclas que estavam a sentir-se ao abandono.
22 junho 2010
tão patuscos, estes americanos
Depois de preencher as 32 páginas da inscrição dos meus filhos na creche - e vá lá que me deixaram fazer "dois em um" para vários tópicos - solto um suspiro, tento descontrair os ombros, e reparo como já nem me choco muito com esta necessidade de especificar tu-do tim-tim por tim-tim por causa das coisas e mais não sei o quê. Já estou habituada a que me sejam pedidos os dados aparentemente mais irrelevantes nas situações mais corriqueiras. Só lhes falta pedirem-me o número do soutien quando encomendo uma pizza.
Mas esta é mesmo uma circunstância especial. Por isso, não é de estranhar que haja um formulário destinado a explicar a Filosofia da Criança que Morde; ou um outro com o plano de contingência em caso de ataque terrorista; ou ainda um que estabelece cada um dos 18 tipos de alimentos que é proibido trazer para a escola, determinando que a comida servida pela mesma obedece ao padrão de pedaços de 0,25 polegadas (no caso dos bebés) e 0,5 polegadas (no caso das crianças com mais de 12 meses). Caramba, um dia que convide os amigos dos meus pirolitos para vir cá a casa tenho de cozinhar munida de régua e esquadro. E o melhor é servir só água e folhas de alface.
Mas esta é mesmo uma circunstância especial. Por isso, não é de estranhar que haja um formulário destinado a explicar a Filosofia da Criança que Morde; ou um outro com o plano de contingência em caso de ataque terrorista; ou ainda um que estabelece cada um dos 18 tipos de alimentos que é proibido trazer para a escola, determinando que a comida servida pela mesma obedece ao padrão de pedaços de 0,25 polegadas (no caso dos bebés) e 0,5 polegadas (no caso das crianças com mais de 12 meses). Caramba, um dia que convide os amigos dos meus pirolitos para vir cá a casa tenho de cozinhar munida de régua e esquadro. E o melhor é servir só água e folhas de alface.
21 junho 2010
da areia e do camião
Quando uma pessoa pensa que é desta que vai ter um esgotamento é porque ainda não vai ter, não é? É que se ainda conseguimos articular esse pensamento e depois ligar o computador e vir escrevê-lo, possivelmente sem dar erros de ortografia ao desabrigo do novo acordo hortográfico, é sinal que as sinapses ainda conseguem levar as ideias ao sítio certo, não é? Não, a sério, não é preciso dormir, não é preciso comer, não é preciso parar, não é preciso ajuda de ninguém, que eu consigo tomar conta dos dois filhos mais do marido que está meio entravadinho e ainda me sobra tempo para regar as plantas e fazer as malas.
a gralha é amiga dos coreanos
Não! Não! Não marquem mais golos, por favor. O guarda-redes já deve estar condenado à morte, por favor não façam com que as famílias dos restantes jogadores fiquem sem as senhas de racionamento durante um ano.
18 junho 2010
férias, essa bela miragem
Houve alguém que me fez agora lembrar da minha santa vidinha, por esta altura do ano, quando corria o início dos anos 2000. Trabalhos da faculdade há muito entregues, estante cheia de lombadas frescas da Feira do Livro, e noites de Verão a sério, daquelas em que abria a janela e ouvia os grilos. E depois fechava a janela para não entrarem mais melgas.
Que Verões tão bons, caramba! Nada para fazer durante quatro meses inteirinhos. Todo o tempo do mundo para o que me desse na real gana. E agora, meus meninos, agora era só três dias no Parque de Campismo da Costa da Caparica, sem fraldas nem biberons nem choros, e era ver-me uma mulher repousada. Pronto, não peço tanto: só 2 horas de bicha para chegar à praia, sem ar condicionado no carro e a ouvir MixFM já eram uma variação bastante apelativa aos meus dias de hoje. Que eu nem sou pessoa de me queixar (pronto, sou) mas já não me lembro da sensação da horizontalidade prolongada.
Que Verões tão bons, caramba! Nada para fazer durante quatro meses inteirinhos. Todo o tempo do mundo para o que me desse na real gana. E agora, meus meninos, agora era só três dias no Parque de Campismo da Costa da Caparica, sem fraldas nem biberons nem choros, e era ver-me uma mulher repousada. Pronto, não peço tanto: só 2 horas de bicha para chegar à praia, sem ar condicionado no carro e a ouvir MixFM já eram uma variação bastante apelativa aos meus dias de hoje. Que eu nem sou pessoa de me queixar (pronto, sou) mas já não me lembro da sensação da horizontalidade prolongada.
16 junho 2010
lá essa espécie de cornetas
Eu até gosto de futebol, como a maioria das mulheres portuguesas (i.e. quando joga a selecção ou quando se está com alguém do nosso clube que tem a vantagem de saber o nome dos jogadores, mesmo os que não são giros), mas não me peçam para aturar chinfrineiras durante 90 minutos. Ouvi dizer que chinfrineiras (frase ao estilo António Lobo Antunes, que até sou bué de culta e tudo), porque ainda não pus os ouvidos em cima dessas coisas cor-de-laranja. E, meus amigos, com os jogos a dar às 7h e às 10h da manhã de cá, sem dar para puxar do tremoço e da imperial, tenham paciência, mas vai ter de ficar para a próxima.
porque só penso no futuro (ou no passado)
Apetece-me o Outono amarelo-castanho-vermelho com esquilos e já ter um filho com 3 anos e meio e o outro a gatinhar. Apetece-me a excitação da primeira neve e um Dia de Acção de Graças com amigos cá em casa a ajudar a comer o exagero de pratos da época. Apetece-me ter de comprar um despertador e pôr a maltinha toda a mexer para chegar ao emprego lá para às 8h30 (espero que não seja mais cedo!). Apetece-me ir buscá-los e ainda ter tempo de ir à bibioteca ou ao parque infantil. Apetece-me arranjar finalmente uma babysitter e ir conhecer os restaurantes da cidade - e fingir que ainda somos estudantes e que podemos estar fora a noite toda. Apetece-me voltar a Nova Iorque, a Filadélfia, a Washington e ainda ter tempo para um fim-de-semana prolongado mais a Sul. Apetece-me noites de séries com pipocas e passeios pela costa mais feia do Atlântico Norte, em dias frios de sol. Apetece-me isto e muito mais, mas agora apetece-me sobretudo que seja dia 26 de Junho e que eu esteja a aterrar na minha linda Lisboa, o Tejo lá em baixo, aquela imensidão de branco, sair do avião com o sol a nascer e sentir o cheiro da cidade. Chegar a casa.
15 junho 2010
agora que já ninguém fala do casamento entre pessoas do mesmo sexo
Por que é que ainda não se gerou um movimento a favor do casamento com contrato a termo? Estou a falar completamente a sério, atenção! Sou só eu que acho que faz todo o sentido esta modalidade estar prevista por lei? O pessoal que quisesse casava-se a 1 ano, com possibilidade de renovar mais 2 vezes, e depois decidia se ficava efectivo ou se se dissolvia a coisa. Assim, garantia-se esforço constante para agradar ao cônjuge e, se provadas as incompatibilidades, cada um ia à sua vida e ala que se faz tarde. Óbvio que, em caso de haver filhos, esta opção não podia ser considerada. Nem toda a instabilidade tem de ser má e há muito casamento aí a ganhar bicho à custa da ilusão da estabilidade.
E antes que o meu marido me venha cilindrar com os seus (lindos) olhos de fera: nós já passámos o prazo das renovações. Mesmo assim podemos fazer de conta que qualquer um pode cancelar a coisa a qualquer hora, com aviso prévio de um mês. Acho que vale a pena a ulcerazita que isso nos pode provocar.
E antes que o meu marido me venha cilindrar com os seus (lindos) olhos de fera: nós já passámos o prazo das renovações. Mesmo assim podemos fazer de conta que qualquer um pode cancelar a coisa a qualquer hora, com aviso prévio de um mês. Acho que vale a pena a ulcerazita que isso nos pode provocar.
13 junho 2010
interpretação dos sonhos
O que é que pode querer dizer o facto de eu andar a sonhar, à vez, que ando a assassinar várias pessoas ou que ando a ser esfaqueada, cortada até ao osso, desgraçada de todo? Só pode ser que, apesar de o meu filho mais novo não me deixar dormir mais de uma hora de seguida, o meu subconsciente ainda tem tempo para muita palhaçada.
12 junho 2010
citação completamente explícita, reveladora de admiração genuína pela autora da mesma
Por que é que não há novas escritoras. Aqui.
11 junho 2010
da minha inexistência
Eu não existo, tanto no plano físico como no metafísico. No físico, não existo porque vivo num país onde todas as mulheres e 33% dos homens têm maminhas maiores do que as minhas. Isto na nação onde a existência feminina se define pelo tamanho do soutien, ao passo que a masculina é mais pela copa DD da conta bancária. No plano metafísico, não existo porque, por mais blogues, feicesbuques, aifaives e outras identidades internáuticas que crie, ninguém se deu ainda ao trabalho de me vir atacar. Sou o pãozinho sem sal da blogosfera. Mais valia quando era a caixa-de-óculos do ciclo preparatório.
(a propósito dos plágios, insultos e invejas que pululam por aí)
(a propósito dos plágios, insultos e invejas que pululam por aí)
10 junho 2010
dia de portugal (visão bastante egocêntrica)
O Dunga anda há 2 meses e tal a tomar um medicamento para o refluxo. No início, era só passar pela farmácia do supermercado e trazê-lo. Recentemente, a companhia de seguros avisou-nos que tinhamos de pedi-lo directamente a eles, pelo que seria necessário uma nova receita. Lá se arranjou a nova receita, que mandei pelo correio para os senhores chupistas, perdão, para a companhia de seguros. Medicamento é que nem vê-lo. E o Diogo agora não quer o leite e não sossega deitado, pelo que as nossas noites têm sido assaz agradáveis.
Isto não aconteceria em Portugal.
Isto não aconteceria em Portugal.
08 junho 2010
os tugas vistos de fora
(Diálogo imaginário na piscina. Ou então não. Você decide)
Vizinha 1: "Look, here they come."
Vizinha 2: "Oh, that kid is so cute."
V1: "Check out her bikini. Oh God, it's the tiniest thing I've ever seen. Why won't she wear a regular bathing suit like any other Mom?"
V2: "I think that's what they wear in Europe. And they go topless, too."
V1: "That's sure not gonna happen here."
V2: "And why would anyone bring an infant to a swimming pool?"
V1: "Oh my God, what's that they're eating? Pancakes?"
V2: "I think it's some sort of fish tortilla..."
Gugas! Do you want some more pataniscas?
No, thanks Mummy.
Vizinha 1: "Look, here they come."
Vizinha 2: "Oh, that kid is so cute."
V1: "Check out her bikini. Oh God, it's the tiniest thing I've ever seen. Why won't she wear a regular bathing suit like any other Mom?"
V2: "I think that's what they wear in Europe. And they go topless, too."
V1: "That's sure not gonna happen here."
V2: "And why would anyone bring an infant to a swimming pool?"
V1: "Oh my God, what's that they're eating? Pancakes?"
V2: "I think it's some sort of fish tortilla..."
Gugas! Do you want some more pataniscas?
No, thanks Mummy.
07 junho 2010
deve ser sarna, ou o catano
Não consigo parar de me coçar. NÃO CONSIGO PARAR DE ME COÇAR! Estou com alergia ao sol (não, não é da colecção de cremes que ando a usar, é mesmo de apanhar sol), pelo que parece que vou ter de passar o resto do Verão com uma burqa para poder ir à praia e à piscina com os catraios. Aposto que é tudo maldição da avó do menino mau.
06 junho 2010
ao que uma pessoa chega
Diz que há gente que, de aplicar tantos cremes para isto e para aquilo, da ponta do pé às alturas da testa, fica besuntada ao ponto de não se poder vestir e sentar durante uma hora. E depois resta-lhe vir blogar de pé, no balcão da cozinha. Não arranjes uma vida, não.
Ainda se resultassem...
Ainda se resultassem...
03 junho 2010
hoje perdi uma das minhas estrelas guia
Grande, grande sacerdote. Um homem ímpar. O meu confissor e mentor na catequese. Professor do meu marido agnóstico. Estou muito triste...
"Não estejas triste mamã, ele foi ter com o Jesus." Pois foi, filho.
"Não estejas triste mamã, ele foi ter com o Jesus." Pois foi, filho.
quarto mês
Meu pacholas lindão, estás uma bola linda de se encher essas bochechas de um exagero de beijinhos. Entras agora na fase tão gira de bebezão bom, que já rebola, enfia as mãos na boca quase até ao vómito, tenta arrancar-me o nariz, tira a própria chucha, brinca a valer com os brinquedos, faz uma chinfrineira de novos sons e dá gargalhadas capazes de alumiar a face escura da lua. Coisa meiguinha da mãe, só não nos deixas é dormir grande coisa mas, pelo menos, já vais bebendo o teu leitinho com mais afinco. Ris-te mais com as palhaçadas do pai do que com as minhas mas eu não levo a mal, tu lá sabes. Já falta tão pouco para te apresentar a todos os que te aguardam em Portugal! Muitos parabéns pelos teus quatro meses, meu amor pequenino.


ai que vergonha (mãe galinha ao mais alto/baixo nível)
Hoje quer-me cá parecer que ganhei uma bela fama aqui nas redondezas. Tudo porque assustei um menino quase ao ponto do xixi pelas pernas abaixo. Passo a descrever:
Piscina. Um miúdo dos seus 4 anos, muito chato e muito mal aducado que não parava de disparar com a pistola de água contra a cara do Gugas. O Gugas só a dizer "no no no! stop it!", que a ele não lhe dá para as violências, e eu ainda fiz um aviso civilizado que aquilo tinha de parar, que não era justo porque o Gugas não tinha nenhuma pistola. Entretanto, a mãezinha (ou avó ou o raio que a parta) placidamente a ignorar tudo, a cozer ao sol sob um sari até à ponta das pernas peludas. O puto a aparvalhar e a mandar calar o Gugas e, pumba!, sobe-me a mostarda ao nariz, foge-me a chinela para o pé e, de Diogo ao colo, entro pela piscina das crianças adentro e digo, com um tom de voz demasiado enfático para os padrões norte-americanos de convivência: "Ai julgas que és muito mau? Eu sou pior. Não pares com isso, não, que bem te vais arrepender."
Os meus filhos vão sofrer tanto na adolescência por terem uma mãe assim, coitadinhos. Eu juro que gostava de não ser tão reactiva mas está-me no sangue...
Piscina. Um miúdo dos seus 4 anos, muito chato e muito mal aducado que não parava de disparar com a pistola de água contra a cara do Gugas. O Gugas só a dizer "no no no! stop it!", que a ele não lhe dá para as violências, e eu ainda fiz um aviso civilizado que aquilo tinha de parar, que não era justo porque o Gugas não tinha nenhuma pistola. Entretanto, a mãezinha (ou avó ou o raio que a parta) placidamente a ignorar tudo, a cozer ao sol sob um sari até à ponta das pernas peludas. O puto a aparvalhar e a mandar calar o Gugas e, pumba!, sobe-me a mostarda ao nariz, foge-me a chinela para o pé e, de Diogo ao colo, entro pela piscina das crianças adentro e digo, com um tom de voz demasiado enfático para os padrões norte-americanos de convivência: "Ai julgas que és muito mau? Eu sou pior. Não pares com isso, não, que bem te vais arrepender."
Os meus filhos vão sofrer tanto na adolescência por terem uma mãe assim, coitadinhos. Eu juro que gostava de não ser tão reactiva mas está-me no sangue...
01 junho 2010
dia da criança
Quando nascemos, somos a coisa mais querida e linda deste mundo e do outro. Se tudo correr bem, a nossa mãe (e mais um batalhão de voluntários) dá-nos muito mimo e cerca de 437 beijinhos por dia. Depois, vamos crescendo e levamos, pelo menos, um beijinho de "bom dia filha" e "boa noite filha". Mais um pouco e queremos antes beijinhos daquele colega da escola, que até tem dentolas de coelho e é mais pequenote que nós, mas faz-nos palpitar o coração. Com sorte, na adolescência trocamos uns beijos lambusados e, na juventude, uns daqueles que nos fazem tonturas, fugir o chão de entre os pés e pensar que tudo na vida valeu a pena por aquele momento. Depois casamo-nos e há beijinhos de cumplicidade e cansaço, de preferência ainda há alguns dos outros, e passamos nós a dar beijinhos aos nossos filhos. Eles crescem, e com eles vão os beijinhos que, se a coisa correr de feição, voltam com os netos. E o melhor a que podemos aspirar, num dia longínquo, em que fechemos os olhos, é que haja alguém que, nessa altura, nos pouse os lábios na testa uma última vez, com todo o carinho e já muita saudade.
Por que é que este post se chama "dia da criança"? Porque ser criança dá (ou devia dar) direito ao melhor do mundo, que são os beijinhos de coração. Dá-me ideia que depois se tornam uma miragem. E não há presente melhor que este para lhes oferecer neste dia.
Por que é que este post se chama "dia da criança"? Porque ser criança dá (ou devia dar) direito ao melhor do mundo, que são os beijinhos de coração. Dá-me ideia que depois se tornam uma miragem. E não há presente melhor que este para lhes oferecer neste dia.
30 maio 2010
domingo muito bom (e ainda vai a meio)
Finalmente o Sr. Dom Dunga brindou-nos com uma noite de sono entre as 00:00 e as 7:00 (seguida de 200 ml de leite, tal era a larica). Depois foi pegar numas sandes e ir para a piscina, de onde saímos agora para as sestas - mas voltamos mais tarde! E à noite espera-nos um jantar romântico na varanda, com bruschette, granizado de champanhe e morangos e gelado de Jamoca Almond Fudge. Ai que bom...
29 maio 2010
dormir como uma pedra, ou só como uma pessoa muito cansada
Este post da Ana C. fez-me recordar que até há coisas em mim que nasceram direitinhas, sim senhor. Falo, neste caso, da minha capacidade de dormir. Eu posso não conseguir mexer as orelhas, posso não conseguir estalar os dedos da mão direita, posso ter muitos outros defeitos de fabrico mas, caramba, quando durmo, durmo com muita convicção. De babar a almofada. De começar a sonhar antes de adormecer. De dormir sestas de 10 minutos e ficar retemperada. E graças a Deus por esta capacidade senão, com um bebé a fazer-me levantar toda a santa noite, já andava aí a virar o boneco.
Nada que se compare a esta senhora, no entanto, que consegue dormir quando estão a aspirar o chão junto à cama dela.
Nada que se compare a esta senhora, no entanto, que consegue dormir quando estão a aspirar o chão junto à cama dela.
28 maio 2010
e se fossem antes apanhar no tutu?
É aborrecido receber sms promocionais, não é? Imaginem lá então num país onde se paga as chamadas/mensagens recebidas... Nomesfeios nomesfeios nomesfeios! Como se não me bastasse ter "herdado" (não sei como) o número de um Pashminder qualquer e passar a vida a receber chamadas de paquistaneses que nunca vi em lado nenhum... É tanta a vontade de lançar o telemóvel à sanita que nem dá para descrever.
27 maio 2010
mi-mi-mi, que é tudo um grande cocó
Lá chegou o dia em que eu começo a dizer mal de algumas portugalidades. Eu não queria, a sério. O meu patriotismo é tão fervoroso que só não tatuo uma bandeira nacional no braço porque não gosto de tatuagens (em mim) e porque não quero correr o risco de passar por skin head - coisa nada improvável se continuar a queda-de-cabelo-pós-parto ao ritmo actual. Mas voltando ao que interessa, gosto muito de Portugal mas há coisas que, a sério, não há pachorra! Por que é que estamos sempre tão insatisfeitinhos com tudo? Por que é que há sempre defeitos a apontar? Há sempre uma porcaria duma unha do pé encravada em cada lusitano de gema, caramba!
(que o final do Lost não prestou, que os Globos de Ouro isto, que a Selecção Nacional aquilo, que o Sócrates aqueloutro. Nhónhós!)
(que o final do Lost não prestou, que os Globos de Ouro isto, que a Selecção Nacional aquilo, que o Sócrates aqueloutro. Nhónhós!)
26 maio 2010
onde está o livro amarelo?
Venho por este meio protestar contra o facto de o meu filho mais novo, quase com quatro meses, ainda acordar 2 vezes durante a noite para beber o biberon. Quer se deite às 19h, às 21h ou às 23h. Isto para não falar das outras 17 vezes em que nos levantamos para o tapar/ destapar/ pôr-lhe a chucha/ fazer shhhhh/ ameaçá-lo de o pôr a dormir no armário. É que já não é só estar cansada, é mesmo farta. Fartinha.
arf arf arf
Qual jogging, qual aeróbica, qual desporto-que-esteja-na-moda-este-ano-do-estilo-aero-pump-latino-hip-hop. Se uma pessoa quiser fazer exercício, não há nada como tentar ensinar o Gugas a andar de bicicleta com o Diogo no marsúpio. Eu, não o Gugas. Que cansêra desgraçada...
23 maio 2010
roí a grande maçã até ao caroço
Avenidas acima, avenidas abaixo. O Met, com uma exposição muito interessante sobre a História da mulher americana. Um passeio de corrida pelo West Village e muitas, muitas lojas (a desgraça foi controlada, para mim só comprei uma saia e uma blusa linda), muita gente e a alegria pacificante da invisibilidade. Pus a minha melhor cara de nova-iorquina (i.e., trombas e óculos de sol) e lá fui eu, sem hora marcada. E passei mesmo por local, até uns japoneses me vieram pedir direcções - que eu dei, voluntariosa. E erradamente, como me apercebi depois. É incrível como, leve de crianças, uma pessoa caminha 8 horas, menos 5 minutos para engolir uma sandes em Central Park, e sai de lá levinha.
O problema de Nova Iorque é que, cada vez que lá vou, gosto um bocadinho mais. A cidade torna-se um bocadinho mais minha e menos agreste, os arranha-céus mais aconchegantes e menos esmagadores, o barulho mais burburinho do pulsar da humanidade e menos ambulâncias e taxis a apitar sem motivo. Eu não queria gostar de Nova Iorque porque toda a gente tem de gostar de Nova Iorque - e de sapatos e de cupcakes e mais essas tretas todas; queria gostar por ser conquistada. E agora fui, definitivamente.
O problema de Nova Iorque é que, cada vez que lá vou, gosto um bocadinho mais. A cidade torna-se um bocadinho mais minha e menos agreste, os arranha-céus mais aconchegantes e menos esmagadores, o barulho mais burburinho do pulsar da humanidade e menos ambulâncias e taxis a apitar sem motivo. Eu não queria gostar de Nova Iorque porque toda a gente tem de gostar de Nova Iorque - e de sapatos e de cupcakes e mais essas tretas todas; queria gostar por ser conquistada. E agora fui, definitivamente.
21 maio 2010
fraldas reutilizáveis (update)
OK, 2 meses de uso da coisa e já me sinto habilitada a fazer balanços. O melhor: não andar a encher aterros com materiais que nunca mais na vida se vão degradar. O pior: ter de ensaboar e esfregar com escova as fraldas "com presente" antes de as meter na máquina (isto depois de ter deitado os excessos de caca para a sanita e as ter posto de molho em bicarbonato de sódio, actividade não rara às 3 da matina). Quando ele andava a maminha e só fazia 2 obséquios por semana, vivia bem com isso; agora, com 2 ao dia, já me começo a maçar um pouco. Mas paciência!
Em geral, posso dizer que a absorção é semelhante às descartáveis e ainda não houve rabitos assados (mas também não havia com as descartáveis). Só faço máquinas de roupa de 3 em 3 dias (pouco mais do que fazia antes), visto que a minha máquina é grandalhona à americana. A degradação parece não ser significativa, por isso acredito que durem. Não sei é se este tamanho aguenta até ele ter 1 ano, como elas apregoam, mas logo se vê. Em síntese: vale MUITO a pena o pequeno esforço de mudar para esta opção das fraldas reutilizáveis. E dá um jeitaço o dinheiro que poupamos porque, em compensação, o leite em pó deve ser feito de desperdício de diamante, tendo em conta que gasto à volta de 38 euros por semana para atestar os biberons do piqueno.
Em geral, posso dizer que a absorção é semelhante às descartáveis e ainda não houve rabitos assados (mas também não havia com as descartáveis). Só faço máquinas de roupa de 3 em 3 dias (pouco mais do que fazia antes), visto que a minha máquina é grandalhona à americana. A degradação parece não ser significativa, por isso acredito que durem. Não sei é se este tamanho aguenta até ele ter 1 ano, como elas apregoam, mas logo se vê. Em síntese: vale MUITO a pena o pequeno esforço de mudar para esta opção das fraldas reutilizáveis. E dá um jeitaço o dinheiro que poupamos porque, em compensação, o leite em pó deve ser feito de desperdício de diamante, tendo em conta que gasto à volta de 38 euros por semana para atestar os biberons do piqueno.
20 maio 2010
ainda da ida a nova iorque
Objectivos simples:
Ver coisas bonitas.
Comprar o mínimo. Mas qualquer coisa, que eu mereço.
Beber um mojito (mas só um, que beber sozinha é uma seca e tenho de encontrar o caminho para casa).
Sentir-me livre. E válida como ser humano adulto. E gira e maravilhosa. Basicamente, o que me tem faltado.
Ver coisas bonitas.
Comprar o mínimo. Mas qualquer coisa, que eu mereço.
Beber um mojito (mas só um, que beber sozinha é uma seca e tenho de encontrar o caminho para casa).
Sentir-me livre. E válida como ser humano adulto. E gira e maravilhosa. Basicamente, o que me tem faltado.
18 maio 2010
é melhor deixar o cartão de crédito em casa
No Sábado vou sozinha, so-zi-nhi-nha da silva para Nova Iorque. É tal a excitação que nem sei para onde me hei de virar nem o que hei de ir ver. Só sei que tenho de me manter ao largo das lojas, que ando numa das minhas febres de compras - felizmente, só me dão umas duas vezes por ano. Alguém tem sugestões de eventos/restaurantes/museus/espectáculos mesmo giros e alternativos (as coisas mais conhecidas já as papei quase todas)? E alguém quer vir fazer-me companhia? :)
16 maio 2010
deixem-me agarrar só este bocadinho
Sentada à minha nova mesa na varanda, com cheirinho a mangericão, ao fim de uma tarde quente, com um a dormir, outro a ler e outro a ver o Noddy (não é difícil adivinhar as identidades, pois não?). Hoje até vesti um dos vestidos novos e andei de sandálias. Almoçámos no meio da floresta tropical e vamos - os crescidos - jantar só um copo de vinho, em copos de vinho mesmo a sério, e o que houver para petiscar. Agora, só por um momento, fecho os olhos e não tenho urgência de estar noutro sítio qualquer.
14 maio 2010
13 maio 2010
o meu novo medo de estimação
(e peço desde já desculpa a quem isto pode parecer ofensivo)
Engravidar outra vez.
Eu adoro bebés. Imaginei muitas vezes (na adolescência) uma casa com 4 crianças. O meu coração tem sempre amor para mais um, e outro, e outro. Mas não temos mesmo condições materiais - nem eu tenho condições psicológicas neste momento - e, sinceramente, não sei o que iamos fazer à nossa rica vidinha. Por que é que tenho tanto medo? Sim, nós tomamos as devidas precauções. Mas isso já falhou antes...
Engravidar outra vez.
Eu adoro bebés. Imaginei muitas vezes (na adolescência) uma casa com 4 crianças. O meu coração tem sempre amor para mais um, e outro, e outro. Mas não temos mesmo condições materiais - nem eu tenho condições psicológicas neste momento - e, sinceramente, não sei o que iamos fazer à nossa rica vidinha. Por que é que tenho tanto medo? Sim, nós tomamos as devidas precauções. Mas isso já falhou antes...
11 maio 2010
já só faltam 45 dias
Coisas para fazer em Portugal, sem ordem de prioridade (lista em permanente actualização):
Cafezar, almoçar, jantar com tanta gente!
Brunch na Gulbenkian
Jantar no Bairro Alto
Correr na marginal do Parque nas Nações
Almoçar no Meco (sapateira com pãozinho torrado, salmonetes grelhados e o Melhor Bolo de Chocolate do Mundo)
Ir à missa na minha Paróquia
Visitar a escola do Gugas
Visitar antigo emprego nº 1
Visitar antigo emprego nº 2
Ir ao dermatologista
Tomar o pequeno-almoço enquanto leio o Sol, o Expresso, o I, o DN, o Público, o Sábado e a Visão
Tomar banho na minha praia
Cafezar, almoçar, jantar com tanta gente!
Brunch na Gulbenkian
Jantar no Bairro Alto
Correr na marginal do Parque nas Nações
Almoçar no Meco (sapateira com pãozinho torrado, salmonetes grelhados e o Melhor Bolo de Chocolate do Mundo)
Ir à missa na minha Paróquia
Visitar a escola do Gugas
Visitar antigo emprego nº 1
Visitar antigo emprego nº 2
Ir ao dermatologista
Tomar o pequeno-almoço enquanto leio o Sol, o Expresso, o I, o DN, o Público, o Sábado e a Visão
Tomar banho na minha praia
10 maio 2010
béu béu
Cortei o cabelo (a mim própria). Pareço um Poodle. Vou só ali comprar lacinhos e uma coleira de diamantes e já volto.
09 maio 2010
a família sueca
A família sueca é o cúmulo da descontracção. A família sueca é aquela que anda a correr mundo com a filharada toda atrás e, se possível, um rafeiro simpático. A família sueca é superior aos conceitos de esterilização, aprumo picuinhas e escova de cabelo. Ainda assim, os filhos da família sueca não conhecem viroses e andam sempre com um ar feliz, as bochechas coradas e quase nenhuma nódoa na roupa. Para sermos a família sueca, falta-nos pouco mais do que os cabelos louros e 20 cm de altura de diferença, mas também somos uma família bastante fixe. Ele é ver-nos a dar biberons sentados no chão da Penn Station, ele é mudar fraldas nos bancos de plástico de um ferry, ele é calcorrear toda a baixa de NY no meio de uma ventania desgraçada que não me deixava abrir os olhos. Somos tão, tão bons, tão, tão relax, que se estava mesmo a ver que iamos ficar parados no combóio no meio de nenhures, sem leite, sem comida, quase sem água, a apanhar um gelo desgraçado. Passaram-me logo as manias e desceu em mim a mãe portuguesa, aflita com os filhos esfomeados e a adivinhar febres e ranhos sem fim.
P.S. Os meus filhos são, oficialmente, as criaturas mais mansas da terra. O Gugas não pregou olho todo o dia, o Dunga pouco mais do que isso, passaram uma bela seca e uma boa dose de fome, mas nem baliram. Coisas boas da mãe!
P.P.S. Ah, e para que não me denunciem à Protecção de Menores, era suposto termos chegado a casa 3 horas e meia antes, mas eliminaram um combóio e o seguinte, quase uma hora depois, esteve 2 horas parado.
P.S. Os meus filhos são, oficialmente, as criaturas mais mansas da terra. O Gugas não pregou olho todo o dia, o Dunga pouco mais do que isso, passaram uma bela seca e uma boa dose de fome, mas nem baliram. Coisas boas da mãe!
P.P.S. Ah, e para que não me denunciem à Protecção de Menores, era suposto termos chegado a casa 3 horas e meia antes, mas eliminaram um combóio e o seguinte, quase uma hora depois, esteve 2 horas parado.
07 maio 2010
sai um xanax aqui para o bico da gralha
Noite inteirinha seguidinha a dormir - o pai sacrificou-se e tratou de leites, fraldas, xixis do mais velho e eu migrei secretamente para a cama de cima do beliche do Gugas. Muito bom! Ainda era melhor se tivessem sido mais umas 5 horas, para ficar mesmo composta. A coisa só descambou quando resolvi beber uma bela caneca de café acabado de fazer. Já passaram 4 horas e ainda me tremem as mãos! Nestas condições, o que é que eu NÃO posso fazer? Pegar em nós e ir para as compras. Não vou contar a dimensão da desgraça na Victoria's Secret, mas digamos que tenho cuequinhas giras para mim e para o resto de uma equipa feminina de volley. Lamento muito, marido, mas a equipa de volley não está está convidada para vir fazer um desfile cá em casa.
please do not rebentate with us
Senhores terroristas,
No próximo Sábado, a família gralha vai passear para Nova Iorque e venho pedir-vos que não se ponham a explodir coisas por lá nessa altura. O Gugas vai no carrinho e o Diogo no marsúpio, não dá jeito nenhum para dar à sola se a coisa ficar negra. De facto, não compreendo essa insistência com uma cidade tão bonita, quando há tanta terra americana mais feiotita como LA, Dallas, Houston, Reno, Trenton, para citar apenas algumas. E também não é muito justo andarem sempre a fustigar os americanos em geral, quando a maioria dos americanos não é, na realidade, americana, mas apenas gente que vem dos quatro cantos do mundo para dar uma vida melhor aos filhos e cuja maior ambição é comprar um GMC platinado onde possam encher a bagageira com a junk food que trazem do Walmart. Deixem-nos, pois, sossegados. Eu sei que Alá é Grande mas os meus filhos são pequeninos.
gralha
No próximo Sábado, a família gralha vai passear para Nova Iorque e venho pedir-vos que não se ponham a explodir coisas por lá nessa altura. O Gugas vai no carrinho e o Diogo no marsúpio, não dá jeito nenhum para dar à sola se a coisa ficar negra. De facto, não compreendo essa insistência com uma cidade tão bonita, quando há tanta terra americana mais feiotita como LA, Dallas, Houston, Reno, Trenton, para citar apenas algumas. E também não é muito justo andarem sempre a fustigar os americanos em geral, quando a maioria dos americanos não é, na realidade, americana, mas apenas gente que vem dos quatro cantos do mundo para dar uma vida melhor aos filhos e cuja maior ambição é comprar um GMC platinado onde possam encher a bagageira com a junk food que trazem do Walmart. Deixem-nos, pois, sossegados. Eu sei que Alá é Grande mas os meus filhos são pequeninos.
gralha
06 maio 2010
CÉUS! I
RAVIOLI FRESCO DE ESPINAFRES COM SALMÃO
(4 pessoas)
2 postas grandes de salmão
2 embalagens de ravioli fresco de queijo e espinafres
cebolinho q.b.
margarina q.b.
sal e pimenta q.b.
sumo de limão
Pôr o salmão a marinar no sumo de limão umas horas. Ligar o forno a 180º. Ferver água e cozer o ravioli de acordo com as instruções da embalagem, enquanto o salmão vai grelhar no forno (cerca de meia hora), temperado com sal e pimenta, sobre papel vegetal (menos um recipiente para lavar). Deitar o ravioli para uma travessa, adicionar a margarina, o cebolinho picado de fresco e o salmão desfeito em pedaços. Envolver tudo. Comer.
(4 pessoas)
2 postas grandes de salmão
2 embalagens de ravioli fresco de queijo e espinafres
cebolinho q.b.
margarina q.b.
sal e pimenta q.b.
sumo de limão
Pôr o salmão a marinar no sumo de limão umas horas. Ligar o forno a 180º. Ferver água e cozer o ravioli de acordo com as instruções da embalagem, enquanto o salmão vai grelhar no forno (cerca de meia hora), temperado com sal e pimenta, sobre papel vegetal (menos um recipiente para lavar). Deitar o ravioli para uma travessa, adicionar a margarina, o cebolinho picado de fresco e o salmão desfeito em pedaços. Envolver tudo. Comer.
nova rubrica da gralha: CÉUS!
Cozinhar É Uma Seca! É uma seca porque é por obrigação diária, porque há várias bocas para alimentar cá em casa, porque não o faço apenas quando, de repente, passo pelo mercado e vejo alguma coisa fresca que me ilumina e inspira a criar uma obra de arte culinária. Não, aqui cozinho para comer mas, ainda assim, tento que as coisas sejam tão bonitas, saborosas e nutritivas quanto possível. A regra de ouro é ser fácil e rápido. Como sei que há outras mães atarefadas que me lêem, pode ser que as receitas que aqui deixar sejam uma ajuda para alguém :) Bom proveito!
05 maio 2010
fecha a boca
Terminada a amamentação*, posso começar a dieta que porá o meu corpinho como é devido, isto é, o melhor que a Mãe Natureza permite à tendente curvatura dos meus quadris. Felizmente, são só dois quilinhos. Ainda assim, quis partilhar o meu método convosco, porque é a dieta mais económica e infalível que já experimentei. Ora bem, então é assim: apetece-te um chocolate, gralha? Fecha a boca. Agora ia mesmo um bocadinho de gelado? Fecha a boca. E se fosses fazer um bolinho de banana? Fecha o armário das formas e fecha a boca. Pronto, já está.
* Nem vos conto a vergonha que foi a primeira incursão nos copos de champanhe...
* Nem vos conto a vergonha que foi a primeira incursão nos copos de champanhe...
04 maio 2010
a maior economia do mundo
(ou, por que é que o pessoal imigra para a Gringolândia)
Compre, compre, venda, venda, saldos, saldos, aproveite agora, leve 4 e pague 3, só hoje, alcatife a casa toda e ganhe uma casa de banho em imitação de pedra, linda que só vendo, mais, mais, veja aqui, última oportunidade, seja um dos primeiros 10000 clientes do dia que faz bicha desde as 2h da manhã e leve para casa mais uma inutilidade que lhe pode dar imenso jeito um dia, não se sabe bem para quê, mas está em promoção! Ufaaaa...
Vivo dentro da TVShop. Ainda não vi o Mike nem o Melga, mas os vendedores de cá (pobrezitos, a tentar ganhar a vida), podem melgar-nos bastante e temos de literalmente fugir dos balconistas nos centros comerciais. Mas nem era sobre isto que queria falar hoje, era sobre como estou parva com a oferta de emprego que há neste país gigantesco e com a diferença dos salários. Para um trabalho administrativo simples, vejo coisas que dão mais de 2000 dolares por mês. Catano, isso é um ordenado bastante simpático em Portugal. Já estou a ficar com uma tendinite de preencher tantas candidaturas, vamos lá ver qual é o senhor empregador simpático que me quer pagar assim bem para eu comprar logo o Mercedes dórado. Vá, um automóvel qualquer em segunda mão, que o meu já era, depois de o meu irmão o ter espatifado.
Compre, compre, venda, venda, saldos, saldos, aproveite agora, leve 4 e pague 3, só hoje, alcatife a casa toda e ganhe uma casa de banho em imitação de pedra, linda que só vendo, mais, mais, veja aqui, última oportunidade, seja um dos primeiros 10000 clientes do dia que faz bicha desde as 2h da manhã e leve para casa mais uma inutilidade que lhe pode dar imenso jeito um dia, não se sabe bem para quê, mas está em promoção! Ufaaaa...
Vivo dentro da TVShop. Ainda não vi o Mike nem o Melga, mas os vendedores de cá (pobrezitos, a tentar ganhar a vida), podem melgar-nos bastante e temos de literalmente fugir dos balconistas nos centros comerciais. Mas nem era sobre isto que queria falar hoje, era sobre como estou parva com a oferta de emprego que há neste país gigantesco e com a diferença dos salários. Para um trabalho administrativo simples, vejo coisas que dão mais de 2000 dolares por mês. Catano, isso é um ordenado bastante simpático em Portugal. Já estou a ficar com uma tendinite de preencher tantas candidaturas, vamos lá ver qual é o senhor empregador simpático que me quer pagar assim bem para eu comprar logo o Mercedes dórado. Vá, um automóvel qualquer em segunda mão, que o meu já era, depois de o meu irmão o ter espatifado.
03 maio 2010
terceiro mês
E ao terceiro mês, és português :) Estás um bebé bom, dou-te beijinhos a mais e passas a vida ao colo porque, ao contrário do teu irmão, adoras. Palras, dás gritinhos só porque sim, fazes bolhinhas porque já percebeste que me derreto. Gostas de dormir (quando sou eu a deitar-te) mas não há dúvida que o leite e tu não são grandes amigos. Acabámos agora com a maminha - não queres, não queres! - e estou desejosa que comeces com as papas que, de certeza, vais adorar (not!). Todas as manhas que achei que só os pais preguiçosos criavam, estás a arranjá-las. O que é que hei de fazer? És o meu filho bocadinho de gente, tenho o coração cheio de amor por ti, e estás a crescer rápido demais, claro!
30 abril 2010
isto pode parecer básico
Mas como é que vocês, mães adeptas do biberon, fazem para o aquecer quando andam na passeata? Entram num café e pedem para aquecer no microondas? Levam num termos? Aquecem no motor do automóvel (esta eram os meus pais, mas tenho dúvidas acerca da salubridade desta opção)? Caramba, agora é que vejo como as maminhas são práticas.
29 abril 2010
estou a precisar é de um par de estalos
OK, são 14h, acabei de deitar os dois e chego à conclusão que não tenho NADA para fazer. Olho para o lava-louças, tudo lavado. Não há roupa para passar. Não está na hora de tirar leite. Não há anúncios de empregos para responder. Já arrumei as roupas antigas do Diogo. Até o pó limpei ontem. Isto assim começa a fazer-me nervoso miudinho, porque já não sei o que é ficar parada. Podia sempre ir limpar o frigorífico... Ou então vou perder a cabeça e, sei lá, RELAXAR durante uns breves minutos antes de o Diogo acordar outra vez.
28 abril 2010
os sentidos do silêncio
Cá por casa, o silêncio - raríssimo! - pode ter muitos sentidos. Num dia, significa que o Gugas deu uma de Leonardo da Vinci e resolveu pintar paredes, armários, mobília, brinquedos e ele próprio com os marcadores (saiu tudo com alcoól, paciência, não volta a acontecer); no dia seguinte, é porque o artista se resolveu deitar ao lado do irmão no tapete de actividades e fazer-lhe festinhas na cara com uma ternura indescritível, sem saber que o estou a ver, sem razão nenhuma de especial. Às vezes a vontade de chorar também se deve a estas surpresas que nos enchem o coração.
25 abril 2010
as nuvens escuras
Não tenho escrito muito porque ninguém tem paciência para posts lamurientos. Mas são esses que tendem a sair-me dos dedos nos últimos tempos. Isto anda difícil. Sinto-me muito cansada psicologicamente e assoberbada com tudo o que há a fazer. E, sim, continuo a viver bastante isolada e sem grandes oportunidades de sair e apanhar ar, porque isso implica sobrecarregar um marido que tem de trabalhar e já faz muito para me ajudar. Para dizer a verdade, há uma grande parte de mim que só tem vontade de ter 21 anos e sair daqui a correr sem ter quem dependa de mim. E sinto-me horrivelmente por pensar nessas coisas. Mas tenho de acreditar que as coisas hão de melhorar e, sobretudo, tenho de me endireitar para poder voltar a reconhecer a dádiva absolutamente preciosa que são os meus filhotes.
23 abril 2010
olá lisbooooaaaaa!
Uma gralha está bem longe de ser um rouxinol mas a verdade é que o meu pinto mais miúdo adora ouvir-me cantar. Aproximo-me a passos largos da realização do meu sonho mais impossível, que é cantar num palco gigante, num daqueles mega-concertos, e ter o público todo a vibrar com o grande show que estou a dar (claro que também danço como a Beyoncé neste sonho, mas com umas coxas mais delgadinhas). Não tenho milhares de pessoas a assistir mas já é muito bom um bebé sorridente, que palra em coro e acaba por adormecer se escolher os temas certos. Principalmente nesta fase da vida, em que adormecê-lo é uma das maiores realizações diárias.
19 abril 2010
fui desgraçar-me nos saldos
(post dedicado à Ana C. Não tive tempo de tirar as fotos sem cabeça mas isto e quase tão bom)
E o que é que faz uma pessoa que não tem mais nada que fazer num dia frescote mas está que nem pode para tirar o choro de filhos dos ouvidos? Compras. Não é dificil quando se vive na Nação dos Armazéns, com imensa variedade e sempre em saldos brutais. Ainda por cima, cá consigo os tamanhos "petite", que evitam que ande a fazer bainhas e a dobrar as mangas das camisolas. Pronto, já tenho uns modelitos para quando voltar a ser uma mulher adulta-com-um-emprego-e-tudo. Só falta o emprego.
18 abril 2010
all you need is (to) laugh
Ontem fomos ao cinema e vimos um filme que se calhar é só uma parvoeira fraquinha mas, para quem já não ia ao cinema há não faço ideia quanto tempo, soube muito bem. Ri-me do princípio ao fim, principalmente porque me estava a rir de mim (é a história de um casal com dois filhos que vive na Nova Jérsia). Já me tinha esquecido de como faz bem rir e de como ver a cena sob outra perspectiva acaba por minimizar certas coisas. Ah, chama-se Date Night e não sei se já chegou aí.
17 abril 2010
deve ser por ser Abril (logo eu, tão reaccionária)
Hoje disse o que pensava. A várias pessoas que estavam a precisar de o saber. Se calhar, magoei. Mas já ando calada, pisada, apagada há demasiado tempo e não há nada que me roube tanto o que sou como isso. Só a perda da liberdade. Uma gralha é isso: uma voz que não se cala e umas asas sempre prontas a levantar vôo. Não posso voltar a esquecer-me disso.
p.s. E percebo agora por que é que eu sou tão bruta por natureza (pronto, também é porque nasci com esse jeitinho especial): é que, mesmo assim, houve quem não tivesse percebido nada do que queria dizer.
p.s. E percebo agora por que é que eu sou tão bruta por natureza (pronto, também é porque nasci com esse jeitinho especial): é que, mesmo assim, houve quem não tivesse percebido nada do que queria dizer.
16 abril 2010
uma questão de individualidade
Estou mesmo a ver que hoje toda a gente vai discordar de mim, mas esta é mesmo a minha opinião. Falo do hábito de, quando há vários filhos, ao oferecer-se uma coisa a um, ter de se oferecer também ao outro. De preferência, do mesmo valor. Sou contra.
Se é o aniversário de alguém, por que é que o outro também há de receber alguma coisa? Também tem o seu aniversário noutro dia. Mais ainda, se passar numa loja e vir alguma coisa adequada para um dos meus filhos, não vou necessariamente à procura de algo para o outro para equilibrar a coisa, como se eles fossem os pratos de uma balança. Acho que isso faz parte da noção de indivíduo e também acho que é importante aprendermos a ver outros a ter e nós não. Se tivermos auto-confiança, sabemos que não é por falha nossa ou porque gostam menos de nós, é só porque não aconteceu assim. Foi sempre isso que senti em relação ao meu irmão. É que este hábito das partilhas obrigatoriamente igualitárias e simultâneas, do bom ou do mau, faz-me achar que os filhos não são seres únicos mas fatias de um mesmo bolo.
É como aqueles casais que, quando a mãe acorda para amamentar, o marido tem de estar acordado por solidariedade, mesmo que não esteja a fazer nada. Não consigo compreender como é que se sentem os dois melhor por isso. Eu prefiro ver o meu marido a dormir descansado e saber que, quando eu precisar, ele vai acordar e eu posso enfiar-me debaixo dos lençóis e fingir que estou noutro planeta.
Se é o aniversário de alguém, por que é que o outro também há de receber alguma coisa? Também tem o seu aniversário noutro dia. Mais ainda, se passar numa loja e vir alguma coisa adequada para um dos meus filhos, não vou necessariamente à procura de algo para o outro para equilibrar a coisa, como se eles fossem os pratos de uma balança. Acho que isso faz parte da noção de indivíduo e também acho que é importante aprendermos a ver outros a ter e nós não. Se tivermos auto-confiança, sabemos que não é por falha nossa ou porque gostam menos de nós, é só porque não aconteceu assim. Foi sempre isso que senti em relação ao meu irmão. É que este hábito das partilhas obrigatoriamente igualitárias e simultâneas, do bom ou do mau, faz-me achar que os filhos não são seres únicos mas fatias de um mesmo bolo.
É como aqueles casais que, quando a mãe acorda para amamentar, o marido tem de estar acordado por solidariedade, mesmo que não esteja a fazer nada. Não consigo compreender como é que se sentem os dois melhor por isso. Eu prefiro ver o meu marido a dormir descansado e saber que, quando eu precisar, ele vai acordar e eu posso enfiar-me debaixo dos lençóis e fingir que estou noutro planeta.
15 abril 2010
apetece-me ganir
E pronto, é só isto hoje. E mesmo assim já vai dar molho. Lamento imenso, mas é o que acontece quando estamos isolados e um blogue é a única maneira de desabafar.
12 abril 2010
brincando aos filhos únicos
10 abril 2010
american life
Vivo nos EUA há mais de 6 meses. Ainda não é muito mas, de certa forma, parece uma eternidade. De qualquer forma "o gralhar está ao alcance de todos", pelo que já me sinto capacitada a dizer o que acho da vida aqui e dos seus habitantes.
Já reconheci que há muitas coisas boas aqui. Este é o país de eleição para quem viveu uma infância de penúria a olhar para as lojas de doces (e brinquedos, e carros, e electrodomésticos...) e nunca pôde entrar. Aqui, qualquer um se pode sentir rei. Mas eu, felizmente, não cresci na penúria e a componente material nunca foi muito atractiva. O que acho dos americanos? Primeiro, são muitos e muito diferentes. Mas o ideal americano é, sem dúvida, individualista, consumista e fixado no conceito de sucesso, um sucesso medido pelo rendimento anual. Esses são os traços que mais me desagradam nesta cultura. Em contrapartida, agradam-me muito outras coisas. Adoro a falta de formalismos excessivos e deverências desnecessárias. Adoro que todos se tratem pelo primeiro nome. É muito bom também o sentido prático e a eficiência que imperam em todo o lado. E sabe bem viver no meio de gente que não anda sempre de trombas, como a maioria dos portugueses. Pode ser muitas vezes uma alegria ingénua ou até fabricada, mas sabe bem ver sorrisos e bom humor. E eu, estou mais americana e menos portuguesa? Gosto de acreditar que estou um bocadinho mais simpática, mas o bicho europeu, velho, desconfiado, dado a dramatismos, nunca vai deixar de fazer parte de mim.
Já reconheci que há muitas coisas boas aqui. Este é o país de eleição para quem viveu uma infância de penúria a olhar para as lojas de doces (e brinquedos, e carros, e electrodomésticos...) e nunca pôde entrar. Aqui, qualquer um se pode sentir rei. Mas eu, felizmente, não cresci na penúria e a componente material nunca foi muito atractiva. O que acho dos americanos? Primeiro, são muitos e muito diferentes. Mas o ideal americano é, sem dúvida, individualista, consumista e fixado no conceito de sucesso, um sucesso medido pelo rendimento anual. Esses são os traços que mais me desagradam nesta cultura. Em contrapartida, agradam-me muito outras coisas. Adoro a falta de formalismos excessivos e deverências desnecessárias. Adoro que todos se tratem pelo primeiro nome. É muito bom também o sentido prático e a eficiência que imperam em todo o lado. E sabe bem viver no meio de gente que não anda sempre de trombas, como a maioria dos portugueses. Pode ser muitas vezes uma alegria ingénua ou até fabricada, mas sabe bem ver sorrisos e bom humor. E eu, estou mais americana e menos portuguesa? Gosto de acreditar que estou um bocadinho mais simpática, mas o bicho europeu, velho, desconfiado, dado a dramatismos, nunca vai deixar de fazer parte de mim.
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