21 novembro 2014

um novo desgosto de amor

Passada que está a fase da negação, é hora de encarar a realidade: não pode haver nada entre nós.
Há já algumas semanas que me davas a entender que precisávamos de dar um tempo. Cega pelo fogo da paixão, não quis saber de nada, pelo contrário, abraçava-me com mais intensidade, mais urgência, como se adivinhasse que o fim estava próximo. Agora acabou, mais uma vez.
Adeus planos de viagem ao Gerês. Adeus sonhos de atravessarmos a Lousã, a Madeira, quem sabe até o Monte Branco, um dia. Tu não queres compromissos dessa envergadura e eu já não me contento com breves encontros, com os mesmos percursos previsíveis. Tu segues o teu caminho, eu fico parada, envolvida num abraço de gelo azul.
Sei que a única maneira de lidar com isto é cortar todos os laços. Arrumei o equipamento. Afastei-me dos amigos que temos em comum. Desligo o rádio quando passa uma das nossas músicas e ponho os óculos escuros, engolindo as lágrimas, quando passo em Monsanto. Vai ser um resto de Outono muito escuro, sei que o frio me vai entrar até aos ossos. Que entre também nos tendões do joelho, já que não há como consertar o meu coração quebrado.

13 comentários:

Ana. disse...

Ohhh, não acredito!

Eu não corro, não é a minha onda, mas entendo muito bem o que sentes, porque quando os meus pulsos deram o berro e tive de parar de fazer as minhas aulas favoritas por me exigirem demasiado apoio de pulsos, fiquei também de coração partidinho...
Estas coisas são a prova irrefutável de que o corpo não segue os ritmos do espírito, mas enquanto houver vontade e paixão, todos os "desgostos de amor" são ultrapassáveis!
Força na recuperação, e que desta vez seja a 100%.

(Agora a quem é que vou levar chocolate quente ao Gerês, heim?!)

Inesa disse...

Outra lesão?

gralha disse...

Nem me fales do teu chocolate quente, Ana :'(

A mesma cabra do ano passado, Inesa.

D.S. disse...

Oh gralha, que frustração! :(
Muita paciência e preserverança. Sei bem o que custa esperar a recuperação. Um abraço forte e as melhoras para o joelho e para o coração partido, também.

gralha disse...

Obrigada, D.S. Não queres ficar com o meu dorsal? Não se arranja um voo baratinho de Sheffield ao Porto, para a semana? (alguém que me fique com o dorsal, por favor, senão não respondo pela minha inconsciência)

Melissinha disse...

Oh, Gralhinha, vou acender uma vela ao meu anão para que sares mais depressa. Beijo, beijo. Não chores, já passa.

Quando me encontrares disse...

Oh, gralhita... :(
Sei o que custa. Vivi a minha adolescência toda a lutar com as dores nos joelhos (agora ainda as tenho, mas aprendi a aceitar as minhas limitações) e sei bem o que custa.
Há uns 15 anos tb tive uma tendinite dessas. Fiz uma rotura de ligamentos, a jogar voleibol e, como não repousei (continuei a coxear por todo o lado), desenvolvi o raio da tendinite. Cheguei ao ponto da inflamação se estender por toda a coxa e de o tecido das calças ser o suficiente para chorar com dores. A fisioterapia "convencional" já não foi suficiente. Acabei por ter de levar umas picadelas...
Enfim. Serve esta história toda para te recomendar: repousa MESMO! (Andar a coxear por aí não conta como repouso...)

gralha disse...

Obrigada, Melissa. Já está a passar.

Quando me encontrares, sei que escrevi lá em cima que já passou a fase da negação mas estou em negação em relação a isso: parar custa mesmo muito, não é? Mas vou tentar ser uma linda menina.

Amigo Imaginário disse...

Raios parta, pá! Quando o corpo não segue a nossa vontade é uma merda mesmo! Eu sei que custa, mas saber dar um passo atrás é essencial, Gralha. As melhoras!!!

mm disse...

Que chatice!
Durante a recuperação, dedica-te ao ioga - nunca ouvi os "ioguis" (?) queixarem-se de lesões.

gralha disse...

Obrigada, Amigo Imaginário :)

mm, por acaso já uma vez magoei o joelho no yoga mas, se a coisa for feita com jeitinho, é sem dúvida uma boa opção.

bloganormalidade disse...

Custa bastante, eu sei mas, com paciência, vais ver que mais fale uma paragem longa e uma recuperação certinha do que um calvário de intermitências.

Em corrida tenho-me safo de grandes dissabores mas, a jogar basket, já desloquei um ombro e durante dois/três meses chorei literalmente o adeus à minha carreira (qual carreira? também seria uma boa pergunta)

Mas fui com calma, segui os passos todos de recuperação e lá consegui retomar a carreira até hoje (mas qual carreira? continua a ser uma boa pergunta).

E, obviamente, isto agora é capaz de não servir de consolo nenhum por agora.

Sérgio Mak

gralha disse...

Obrigada, Sérgio. O consolo está em haver compreensão da parte de outras pessoas com a carreira desportiva comprometida mas que deram a volta por cima.