31 dezembro 2010

balanço de 2010

Quem me conheça já sabe que este ano foi para mim, em geral, uma merda. Desculpem a expressão menos bonita.
Ora bem, felizmente a memória apaga muito do que não queremos lembrar por isso não vou fazer do blogue uma cábula da desgraça, pelo contrário.

2010 foi maravilhoso porque:
Nasceu o meu filho Diogo!
Passei dois belíssimos meses em Portugal.
Fui ao casamento das minhas primas, em Portugal.
Soube que ia ser tia de pelo menos 3 bebés (ainda tenho esperança de mais em breve).
Recomecei a trabalhar e conheci algumas pessoas interessantes.
Temos tido saudinha, graças a Deus (e ao clima seco e ao aquecimento central em todo o lado).
Não tive de aturar nenhuma campanha eleitoral, telenovela da TVI, taxista ou funcionário de repartição pública.

Desejos para 2011:
Continuação da saudinha (nomeadamente a mental).
Mais sobrinhos.
Ir a Portugal a tempo de fazer praia e comer peixe grelhado com sangria branca.
Arranjar um emprego que pague o suficiente para cobrir os custos da creche.
Arranjar amigos aqui.
Que seja depressa 2012 para voltar para Portugal.

Resoluções para 2011:
Não emagrecer mais (só para ser original).
Não me irritar com os meus queridos filhinhos quando o desejo nº1 para 2011 estiver em questão.

29 dezembro 2010

solidariedade parideira

Esta-me a nascer um sobrinho neste momento. Uso a forma reflexiva do verbo porque ja passei pelo mesmo e partilho um bocadinho da excitacao, da angustia, da curiosidade - e do medo, do cansaco, das dores, ai caramba... Estamos todos em suspenso, a espera que apareca um bonequinho muito branquinho e louro. E eu so penso na coragem que a M. precisa de ter neste momento. Forca ai, mulher! Espero que corra tudo o melhor possivel.

28 dezembro 2010

Natal 2010 e neve

Mimos, mimos e mais mimos. Passeio de comboio a vapor, criancas a espera do pai natal e muita comidinha boa. A melhor coisa do mundo, que e ter a minha familia comigo. E hoje de volta ao trabalho, apesar do meio metro de neve. Haja roupa impermeavel e cenouras para narizes de bonecos de neve!

24 dezembro 2010

Natal, segundo a Mãe

Umas dores nos rins desgraçadas. A noite gelada ainda vai a meio e não há onde parar num sítio abrigado. Será que é agora que o Menino vai nascer? Ups, a sela do burro está toda molhada! José, pára aí se faz favor, que a Criança está com vontade de vir ao mundo. E ninguém para ajudar... Dói tanto... Custa tanto... Ahhhhh...
...Tão lindo, o meu Menino! Tão perfeito! Não é por ser Filho de Deus, mas é mesmo o bebé mais bonito que já vi. E agora? Será que vou saber como amamentá-lO?? Parece que Ele sabe sozinho... Que cheirinho tão bom, o cheiro a filho. Meu filho... Mas quem são estas pessoas que chegam e que se ajoelham junto a Ele? Será que sabem como é precioso, como é único, como eu sei? Será que alguém O vai alguma vez amar como eu O amo? Por favor, meu Deus, afasta-O de todo o sofrimento ao longo da vida. Não deixes que adoeça, não deixes que sofra, não deixes que seja alvo de injustiça. É o meu Menino... Sei que vou partilhá-lO com todo o mundo que O queira conhecer mas esta noite deixa que seja só meu. Deixa-me acreditar que este amor, esta serenidade perfeita duram para sempre.

Feliz Natal a todos, já agora!

21 dezembro 2010

a cultura do músculo

Que caia por terra aquela ideia de que as bibliotecárias são meninas tímidas e frágeis, escondendo-se por trás de óculos com lentes de 2 cm de espessura (de tranças, mini-saia e sorriso travesso, para agradar ao imaginário masculino). Não, senhores, as bibliotecárias podem até usar esse disfarce mas são, na verdade, autênticas estrelas do halterofilismo, dotadas de músculos capazes de fazer inveja a certos governadores da Califórnia. É que passar 8 horas seguidas (com meia hora de almoço pelo meio) a levantar livros, arrumar livros, mudar livros de prateleiras é desporto de alta competição. Tenho de começar a comer bifes ao pequeno-almoço!

18 dezembro 2010

estamos prontos para as festas

Hoje fiz as compras para as refeições do Natal e saí do supermercado com um talão tão comprido que dava para dar a volta à minha cintura - caso eu estivesse grávida de 9 meses de gémeos, entenda-se. Demorei meia hora só para arrumar tudo na minha cozinha de 3 metros quadrados, felizmente dotada de um gigante frigorífico. Valha-nos a generosa contribuição dos comensais que chegam de avião no dia 24. Só espero não salgar demasiado o bacalhau nem estorricar o perú, é a minha honra de mãe de família que está em jogo.

17 dezembro 2010

que é para não estar sempre a dizer mal dos americanos

O meu coração empedernido, rochedo inderretível de mistérios insondáveis, derreteu-se hoje quando uma das minhas colegas do trabalho de que me despeço me estendeu um embrulho com toda a simplicidade. Abri: um livro. Um livro dela, que ela leu e, pelo que conheceu de mim nestes breves meses, achou que eu ia gostar. Não me podem oferecer nada melhor do que isto. Saber que toquei alguém, que essa pessoa me conheceu um bocadinho de verdade, e que vai lembrar-se de mim. É capaz de ser extremamente lamechas da minha parte, mas acho que essa é a minha noção de humanidade.

16 dezembro 2010

e sai mais um emprego novo para a gralha

Segunda-feira deixo as lâmpadas de baixo consumo, a climatização e o isolamento térmico. Vou agarrar-me aos cerca de 2,2 milhões de volumes, ao longo de mais de  88km de estantes, da biblioteca da Universidade de Princeton. Aposto que não vou ter tempo para ler nem uma linha de nenhum deles mas só o facto de estar rodeada de livros, no meio do silêncio e da poeira, dá-me uma serenidade que só quem ama os livros pode compreender. Vamos ver como é que este corre...

15 dezembro 2010

querido pai natal

A minha lista de desejos (que é para não dizer o previsível wishlist, eu que até falo americano e tudo) é:

Uma criada.

Pronto, em não havendo, pode ser uma senhora que preste serviços domésticos, que é mais políticamente correcto. Se tal for, de todo, impossível, por favor que o meu marido se converta em Mormon e arranje uma mulher nova para tratar da comida, da roupa e das limpezas em geral. Se for asseada, feiotita e não se meter na minha vida, fecho os olhos a trocas de carinho com a devida contenção. De preferência enquanto eu estiver a tomar um banho de imersão e a ler um livro sossegada, sem ouvir "mamããããã!!!" de 2 em 2 minutos.

14 dezembro 2010

viagem no tempo

Ontem ao jantar (aqui, visualizem o caos do costume) dei por mim a imaginar o que pensariam a gralha & su muchacho se aterrassem naquele cenário vindos directamente do dia em que se conheceram.
Interlúdio explicativo para quem não sabe: conhecemo-nos com 17 e 15 anos, respectivamente, no clube de remo em que ambos treinavamos.
O muchacho devia pensar: "Eh pá, enrolei-me com esta?!? Eh páááá... Enrolei-me com esta!"
A gralha, por seu turno, pensaria: "O quê? Eu casei-me com este pirralho??? Olha, olha, parece que é como o vinho do Porto..."
Depois, reparavamos nos dois rebentos à mesa, um fazendo golpes de karaté para deitar pelo ar as colheres de sopa, o outro choramingando que isto e aquilo e aquilo.
Reacção dele: "$&"$&±@!!! É nisto que eu me vou meter?!? Bem, pelo menos são parecidos comigo..."
A minha reacção: "Ahhhh... Tão queriiiidoooosss... Não acredito que vou ter uns rapazes tão lindos..."
E pronto, sendo assim, provavelmente haveria certos acidentes que aconteceriam na mesma, apesar do aviso prévio.

11 dezembro 2010

a título de advertência

Caso alguém sem filhos ainda desconheça este detalhe importante, saiba que a parte pior (de ter filhos) é sem dúvida quando estão doentes. É assim uma mistura explosiva entre angústia, impotência, e um cansaço comparável ao de um remador de galés. Mas que tem de conseguir cantar o The Wheels on the Bus a compasso com as remadas, enquanto esboça o sorriso possível.

09 dezembro 2010

a grande baralhação

Passo o dia a falar Português, Inglês e Espanhol. Estou a preparar-me para entrevistas em Francês e Alemão. Não é preciso dizer a confusão que vai na minha cabeça, pois não? Ora pronto, in that case je vais hacer etwas wichtiger. Tipo, o jantar.

06 dezembro 2010

let it snow, let it snow, let it snow

É mesmo giro sair do trabalho e ir buscar a filharada debaixo de uma tempestade de neve. Pronto, são só uns flocos miseráveis, mas uma menina pode sonhar, certo? E agora é fazer o jantar, tratar dos banhos e das roupas, responder a e-mails e mandar postais de Natal. Gosto desta rotina que temos agora, apesar do cansaço, por isso o mais provável é a minha vida levar uma volta e ficar de pernas para o ar, não tarda nada. Desde que tenha neve no dia de Natal, a minha família esteja comigo e o perú não fique estorricado, tudo bem.

03 dezembro 2010

10 meses

Meu filho querido, este mês aconteceu uma coisa: perdi-me de amores por ti. Não sei se foi por passar menos tempo contigo, apreciando melhor cada momento que temos juntos; se foi porque agora andas sempre bem-disposto, com um sorriso contagiante; se porque já levantas mesmo o bracinhos e chamas "Mamã". Sei que tenho o coração cheiinho e uma vontade constante de te espremer com mimos. És o meu bebé lindo, estás crescido e és perfeito na tua individualidade.
Quanto ao desenvolvimento, continuas a procurar todos os perigos, descobriste que gostas de comer os sólidos pela tua própria mão e pões-te de pé a tentar chegar a todo o lado. O mano é cada vez mais o teu super-herói e os brinquedos com que ele está a brincar são sempre os mais apetecíveis. Parabéns pelos teus dez meses, Diogo!



01 dezembro 2010

presentes de natal

Sendo eu aquela pessoa que, se pudesse, só oferecia e recebia presentes simbólicos, feitos pelos próprios, com todo o carinho e tempo do mundo, dispensava bem este lado material do Natal. Este ano, em efeito exponencial, visto que o facto de estarmos longe é razão para termos de comprar o que várias outras pessoas nos oferecem. Enfim, o mundo não é perfeito, a imaginação escasseia e o tempo ainda mais. Mas há uma coisa muito boa chamada Internet que permite que se esteja em frente ao portátil e compre tudo de uma assentada, sem filas, sem empurrões, sem bebés chorosos a pedir para ir para casa. Obrigada Amazon! Já que fiz publicidade, bem podiam fazer um desconto.

26 novembro 2010

pequena fadinha do lar

Agora decidiu que quer fazer a própria cama. Meu rico filho, mais um ano e já estás a fazer o jantar! E ainda dizem que as crianças dão trabalho...

25 novembro 2010

olha, querem lá ver que é desta que os tiro da creche?

"Caros Pais,
Recordamos que, segundo as leis da Nova Jérsia, todas as crianças com mais de 6 meses que frequentem estabelecimentos de ensino têm de ser vacinadas contra a gripe."
O c@r@lhinho é que lhes dou essa vacina inútil preservadinha em derivados de mercúrio!

23 novembro 2010

o meu cão está doente e eu estou longe

O Matias está internado, a soro, depois de uma grande reacção alérgica o ter deixado muito mal.
E eu estou aqui.
Nestas alturas não tenho 31 anos, não sou mulher nem mãe, profissional ou aspirante. Sou só uma menina com muita vontade de ficar em silêncio, abraçada ao meu cão, a rezar para que tudo passe depressa. Mas estou aqui. E ele está sozinho.
Só quem tem cães pode compreender.

pequena perolazinha americana

(não vou dizer mal, é mesmo só caricato)

Os americanos gostam de sentir que não perderam o contacto com a natureza. Vai daí o "apanhe as suas próprias maçãs/abóboras/amoras/etc. e pague por isso". Mas esta é a melhor: como se aproxima o Natal e eles não gostam cá de pinheiros artificiais, surge o negócio de transplantar pequenos pinheirinhos para terrenos suburbanos para os pais de família poderem ir lá com o seu machado e... cortá-los para levar para casa! Portanto, a ver se expliquei bem - uns senhores abrem um buraquinho e enfiam lá o pinheiro. No dia seguinte vai lá alguém e corta o pinheiro. É muito bom.

21 novembro 2010

os vizinhos dinamarqueses

O novo ano lectivo trouxe nova população a Princeton e, entre ela, está a família de Grand Danois que veio mesmo para o nosso lado. Pais louros, rapazinho louro, menina bebé loura-translúcida, quase do tamanho do Diogo apesar de só ter 3 meses. São simpáticos, são descontraídos, são cultos e apreciadores da vida. São europeus do Norte, portanto. E estou contente porque temos alguém com quem trocar biscoitos, miúdos, experiências e batalhas de bolas de neve, nos tempos que se aproximam. É exactamente a família que gostava de ter encontrado quando cá cheguei há um ano, orfã de amigos. Mais vale tarde do que nunca :)

20 novembro 2010

obama vai ao circo (ai, não, afinal é a portugal)

Pergunto-me quantas vezes é que algum diplomata luso, com aparente descontracção e familiaridade, terá perguntado ao Mr. President: "E como tem passado o cãozinho? Já se atirou muitas vezes ao Potomac, esse malandreco?"

Já agora, por que é que o cidadão Obama pode embarcar no vôo Lisboa-Washington D.C. com ovos-moles de Aveiro, pastéis de Belém, garrafas de Porto e Madeira, e eu não posso trazer nem uma chouriça?

19 novembro 2010

pronto, vou dizer qualquer coisita

Isto da ameaça d'o-Pai-Natal-não-vai-deixar-nada-na-nossa-lareira dá um jeitaço. Até que idade é que eles acreditam, mesmo? É que é muito melhor ter fitas de 20 minutos do que de meia hora, todos os dias ao jantar. Pena que, com o outro, a coisa ainda não cole...

14 novembro 2010

volto já

Agora preciso de arrumar as casa e reencontrar o sentido das coisas.

11 novembro 2010

factos que não interessam a ninguém excepto a sociólogos (como tantas outras coisas)

Passo o dia a falar com pessoas de baixos rendimentos do estado da Pensilvânia. Conclusões impressionistas e completamente irreflectidas:
Nenhum português ou luso-descendente está em casa à hora do expediente.
Quase nenhum hispânico está em casa a essa hora.
Os afro-americanos não compreendem a minha pronúncia.
Os imigrantes chineses, indianos e russos têm sempre uma avó surda/que não fala inglês em casa a tomar conta da criançada.
As senhoras idosas passam muito tempo sozinhas e não têm ninguém com quem falar. Quando sou simpática para elas é como se lhes estivessem a oferecer um tesouro.
Quase toda a gente aceita coisas de graça, mesmo que não saiba bem o que é, para que serve, ou o que vai fazer daquilo.

10 novembro 2010

suicídio involuntário

Quais é que são mesmo as fases do luto? Choque, negação, depressão, culpa, ansiedade, agressividade, reintegração. Vou na agressividade. E a "falecida" é a gralha-feliz-numa-vida-anterior.
De repente compreendi um bocadinho melhor por que é que o estar aqui é um fardo que carrego: é que, ao vir para cá, matei a pessoa que era antes. E era uma pessoa relativamente feliz, foi pena. Por que diabo é que alguém se lembra de deixar uma vida boa, arrumada, e partir para o desconhecido para uma vida menos boa, desarrumada, imprevisível, isolada, exaustiva? Até em termos matemáticos o resultado é negativo. E estúpido. Por isso, sim, gostava de ter um tanque para passar por cima de todos os parvalhões que tenho de aturar diariamente. Sobretudo, recuso-me a aceitar que alguma vez me vou integrar aqui. Recuso-me. Detesto isto com cada celulazinha lusitana que tenho.

E estou tão, tão farta desta peninha de mim própria! Peço desculpa pelo constante queixume mas não tenho mais a quem me queixar.

09 novembro 2010

é oficial: sou emigrante

Tragam as chouriças, abram as pipas de vinho novo, exibam os galos-de-barcelos, exponham-me a sagrada família sobre os naperons de croché, onde uma pequena família de gatinhos de porcelana está aninhada, estou convertida. Ontem pensei qualquer coisa tão genial como "na minha landa as coisas são assim e assim". É arrumar as botas, não há condições.

Ninguém se zangue com os estereótipos acima enunciados que eu garanto ter o MAIOR respeito por todo o tipo de e/imigrantes, de qualquer nacionalidade. Pronto, não respeito muito é os pechichés de porcelana, isso não.

08 novembro 2010

ainda da vida social do gugas

Ontem o Gugas teve a primeira festa de anos de colegas da turma e finalmente percebi por que é que ele não se queixa por lhe fazerem a vida negra e continua a gostar da escola. É que a coisa não é generalizada mas apenas reduzida a um certo número de rufias, que também gostam de chatear o resto da turma. Na verdade, fiquei muito feliz por verificar que há outros meninos que gostam de brincar com o meu filhote, que o chamam, que ficam felizes quando o vêem chegar. Sobretudo, as duas meninas mais giras da turma não param de lhe fazer charme e de andar à volta deles. E se isto é a vida que o espera - um punhado de parvos mal-educados que implicam com ele e outro punhado de miúdos simpáticos que o acolhem - acho que posso viver com isso.

07 novembro 2010

menu semanal III

E esta semana comeu-se... 

Sopas:
Rúcula

Pratos principais:
Frisella (um prato italiano à base de pão, tomate e mozzarella)
Bolonhesa
Peixe assado com alcaparras e molho de côco
Esparguete com cogumelos
Francezinhas de frango
Almôndegas de grão

Sobremesas:
A fruta do costume

05 novembro 2010

uma escolha difícil

O que é pior: uma criança sem maneiras à mesa ou uma criança socialmente desintegrada? Por favor, não respondam todos a segunda opção, que eu gosto de crianças (e adultos, já agora) com bons modos.
Toda a gente sabe que os selvagens americanos comem só com um garfo, na mão direita. E agora, corrijo o Gugas quando ele come com o garfo na mão direita (ele é destro, antes que perguntem)? Ou finjo que não reparo, para não alimentar as diferenças e evitar contribuir para o bullying a que é sujeito na escola?

A respeito do bullying, começo a desesperar. Já tive conversas com professoras, com a directora, já houve um menino que veio pedir desculpa, mas o que é certo é que continuam os empurrões, os insultos, a exclusão de brincadeiras. É de cortar o coração... :(

04 novembro 2010

há mesmo uma primeira vez para tudo

Até para sermos vítimas de discriminação racial, por não sermos negros. E olhem que é mesmo verdade.

03 novembro 2010

nono mês

Roedor de cabos eléctricos, gatinhador supersónico, apanhador de todas as porcarias que há no chão para levar à boca, filho lindo da mãe, que já tens 9 meses! Parabéns meu bebezão :) És o perigo em pessoa, procuras tudo o que não deves. Dás luta, provocas, testas e olhas-nos com esse olhar cheio de vida, cheio de tudo, e nós perdemo-nos. Que rica que é a nossa vida contigo, Diogo!


E cansativa, e desesperante às vezes, mas rica!

02 novembro 2010

um novo trabalho, um novo sentido

Chegar às 17h e sair do trabalho com um grande sorriso na cara é bom, é muito bom. E atravessar campos e quintas, num fim de tarde cheio de sol, para chegar até aos meus meninos também é muito bom. Tenho aquilo que pedi: um trabalho com significado. Ajudo pessoas, ajudo a preservar o ambiente e, ainda por cima, estou no meio de uma atmosfera jovem, descontraída, multi-racial, numa empresa fundada por uma mulher, liderada por outra. Não é feminismo, é só sentir um bocadinho de "yes we can". Por isso tenciono sair de lá com um sorriso todos os dias. Mesmo quando já nevar e o meu coração apertar de saudades dos meus rapazes.

30 outubro 2010

menu semanal II

A audiência pede, a gralha concede. Na semana que passou comemos:

Sopas:
Espinafres
Feijão verde
Pratos principais:
Empadão de atum (transitado da semana passada) com salada
Feijoada (má, má, má, a única espécie de enchido era salame...)
Tofu com pimento amarelo e feijão verde em molho de soja
Frango com molho de abóbora e esparregado
Salsichas de perú em couve lombarda
Sobremesas:
Maçãs
Bananas
Uvas

Já agora, a título de curiosidade, coisas que não cozinho:
Fritos (excepto pataniscas e bifes panados), o que incui batatas fritas
Ovas
Animais inteiros (incluindo frango, peixes, patos, etc.) - faz-me confusão!
Caldeiradas
Canja de galinha (nada contra, simplesmente prefiro sopas de legumes)
Qualquer tipo de víscera
E várias outras coisas de que não me lembro agora...

29 outubro 2010

deve ser a crise que me dá para o consumismo

Parece que aí na Lusolândia não se fala de outra coisa. Tenho muita pena de vós, lusolinos, que bem sei como os noticiários da pátria gostam de ser monotemáticos. Já se foi a época dos incêndios, já ninguém se lembra das enxurradas na Madeira nem do terramoto no Haiti, modos que levais todos com os apertos colectivos.
Pois bem, não primo pela originalidade no assunto (sapatos, esse objecto-fétiche da blogosfera) mas sugiro-vos a consulta deste sítio de compras só para alegrar a vista. Just Fabulous.

28 outubro 2010

um de cada vez

Sabe-me tão bem poder dedicar alguns dias a apenas um dos meus filhos! Um vai recambiado para a escola, o outro fica comigo, ou porque tem ranho, ou porque vou com ele a NY (como hoje), ou só porque sim. Todos os filhos deviam ter direito a estes dias de "filho único". E bem vi como o Gugas o gozou hoje, e como eu apreciei ter tempo para redescobrir as suas particularidades, tudo o que faz dele um rapazinho único.
Infelizmente (ou antes, felizmente, aleluia irmãos!) o que era doce acabou-se. Começo a trabalhar a tempo inteiro e definitivamente na próxima segunda-feira, juntando-me assim ao magote de mulheres que tentam conciliar trabalho e família. Sei que vai custar, mas até que enfim que vou voltar a conviver com adultos que não apenas os operadores de caixa de supermercado!

27 outubro 2010

a gralha não faz anos em breve

Mas está a ficar sem livros, de modo que quem se quiser chegar à frente, aqui estão algumas sugestões:

Fall of Giants (Ken Follett)
La Casa Verde (Mario Vargas Llosa)
Terra Sonâmbula (Mia Couto)
The Civilizing Process (Norbert Elias)
Sunset Park (Paul Auster)
Nemesis (Philip Roth)
Tieta do Agreste (Jorge Amado)
Pessoas Como Nós (Margarida Rebelo Pinto...Ah, ah, brincadeirinha!)

26 outubro 2010

parece que não mas são grandes progressos

Estou orgulhosa de mim mesma porque, às vezes, já consigo lidar com o rebuliço da manhã/cansaço acumulado do fim de tarde sem perder a paciência com o Gugas à mínima coisa. Contar até dez e, realmente, não gritar. Responder com relativa calma e não perder consciência de que eu sou adulta e ele criança. Mesmo que ainda não seja assim todos os dias.
E isto faz-me lembrar que um dia tenho de escrever acerca da minha depressão pós-parto. Porque há muita gente, todos os dias, a passar pelo mesmo, sem ver a saída.

25 outubro 2010

matilde, mafalda, francisca...

Às vezes tenho um bocadinho de pena de nunca ir ter uma filha. Nem é tanto pelos vestidinhos, pelas Hello Kitties, pelos mesmos romances que poderíamos ler; é mais por não ir assistir ao crescimento de uma menina, à formação de uma mulher. Gostava de experimentar o orgulho de ver surgir uma nova mulher no mundo: cheia de coragem, força, incertezas, determinação, como só as mulheres sabem ter. Ver a minha própria feminilidade a chegar ao Outono e ver uma outra a despontar na Primavera, com umas mãos como as minhas, uma voz semelhante, quem sabe até alguns dos meus defeitos. Porque, digam o que disserem, ter filhos também é presenciar um bocadinho da nossa continuidade. E eu não vou ver isso no feminino.

Antes de qualquer comentário a esse respeito: a loja está fechada, encerrada, trespassa-se, no way jose)

macho que é macho mesmo

Uma das coisas que me fazem ter orgulho no meu homem, que é muito homem - com pelos no peito e tudo, que eu cá não gosto de depilações masculinas - é ele não ter problemas nenhuns em lidar com a diferença. E isso é mesmo na prática, não é só aquela teoria bonita do "ah, eu não tenho nada contra os homossexuais mas se um maricas se fizer a mim leva uma pêra". É preciso um macho muito macho para conhecer um outro macho, outro conceito de macho, e travar amizade com ele. Falar do que têm em comum. Discutir projectos, pedir opiniões, aceitar dicas. Independentemente da clara orientação sexual do novo amigo. E apesar de ter uma mulher infantilóide (eu) que passou todo um jantar-convívio a fazer gracinhas e mandar boquinhas à distância. Que lindo casal que eles fariam... Mas não, lamento muito, este já está ocupado.

24 outubro 2010

menu semanal (mais cusquisse do que partilha)

Acho que aprendemos imenso acerca de alguém através do que essa pessoa come, ou "diz-me o que comes e dir-te-ei quem te estás a tornar". Pois bem, enquanto movimento tachos, colheres-de-pau e temperos, gosto de fazer duas coisas parvas: 1) imaginar que o Dr. Oz me está a dar pancadinhas nas costas por estar a alimentar a minha família de forma saudável; e 2) imaginar o que os meus amigos (nomeadamente os blogamigos) estão a fazer para o jantar. Não querem satisfazer a minha curiosidade e dar-me um exemplo de um menu semanal? Eu adianto-me e digo o que comemos esta semana. Já agora, eu defino o menu semanal com antecedência e vou às compras em função disso. E, sim, sou uma c@b&@ controladora e faço os meus homens passar fome e comer muitas verdurinhas. Partilhem, partilhem, vá!

Sopas: 
Creme de couve-flor e coentros
Creme de ervilhas
Pratos principais:
Tacos de feijão e queijo com salada
Lombo de porco com ananás e salada
Fettucini de salmão com molho de citronela
Courgettes recheadas de perú e salada
Empadão de atum
Açorda de peixe
Sobremesas:
Maçãs, pêras, uvas e bananas

23 outubro 2010

o princípio das coisas

Costumam dizer que as pessoas do meu signo (Carneiro) são boas a começar novos projectos mas não levam esse entusiasmo até ao fim dos mesmos. Não gosto de culpar os astros, acho que é mesmo uma questão de personalidade, mas é verdade que tenho toda a energia para o que é novo e falta-me a perseverança para continuar a alimentar a chama de coisas mais antigas. Mesmo assim, consegui estudar tudo a que me propus, nunca desisti de um emprego porque estava aborrecida e tenho uma (ainda nova) família para a vida. Quando é para os outros, lá alimento a chama e puxo a carroça.
Quando é para mim, as ideias surgem, a excitação faz-me formigueiro nos dedos, mas já aprendi a nem começar o que sei que não vou acabar. E gostava mesmo, mesmo que não fosse assim. Tenho três enredos apetitosos para dar corpo em forma de livro. São daqueles que me apetecia que alguém os escrevesse para eu os poder ler. E abrir o processador de texto para preencher as primeiras páginas...? Não é falta de disciplina para estabelecer horas, linhas, metas; é horror à mediocridade e respeito à literatura. É sobretudo falta de coragem para chegar a um terceiro capítulo e achar que aquilo está um grande monte de cocó e apagar tudo. É ambientalismo laboral: custa-me deitar fora o que deu tanto trabalho a produzir. É mas é a eterna falta de tomatásia, é o que é.

21 outubro 2010

sim, é mais um post de mãe babada (só lê quem quer)

E o orgulho que tenho no meu filho crescido, que toma banho sozinho, põe os desenhos animados no Youtube, toma conta do irmão com uma ternura indescritível, e já fala inglês com sotaque americano? Não dá para descrever, senhores, não dá.
Também não dá para descrever a coragem dele, que adora ir para a escola apesar de TODOS OS DIAS haver três fedelhos insuportáveis e mimados colegas que lhe fazem a vida negra. Fico doente com a passividade e permissividade que imperam na educação (?) que dão às crianças nesta terra...

20 outubro 2010

das tripas coração

Às vezes temos de engolir o orgulho do já-tenho-31-anos-dois-filhos-mestrado-12-anos-de-experiência-de-trabalho e aceitar ajuda. Para uma pessoa que sempre foi independente, custa como o caraças.

18 outubro 2010

a torrente emigrante

Metade das pessoas que conheço gostava de emigrar. A outra metade, ou já o fez, ou vai fazê-lo em breve. Pronto, esta estatística está aldrabada mas é mesmo uma grande quantidade de gente.
Acho óptimo que as pessoas não se acomodem e tentem encontrar alguma coisa melhor. Aliás, ando a ler a História dos EUA e olho para a situação de Portugal nos nossos dias e penso: "mas por que é que as pessoas ficam quietas e não fazem uma Revolução?" É estúpido desistir da possibilidade de uma vida melhor, sobretudo quando essa possibilidade existe e não nos é vedada por um determinado sistema político, por falta de educação formal ou por quaisquer constrangimentos culturais. Mas também é verdade que a ideia da emigração como El Dorado é um mito.
Emigrar custa. Custa muito dinheiro. Dói no coração. Temos de nos recriar e habituar-nos a viver, pelo menos durante algum tempo, sem laços sociais, possivelmente sem laços familiares. Também há desemprego nos outros países e muitas vezes há alguma má vontade contra os estrangeiros que vão "roubar" os empregos que há. E depois há uma coisa que acho que só quem emigra pode compreender, que é deixarmos de ser nacionais do nosso país e nunca chegarmos a ser nacionais do outro. Passamos a ser uma espécie à parte, que vive num limbo, nem carne nem peixe. Eu nunca serei americana (nem queria, lagarto, lagarto, lagarto!) mas não sei como é que os meus filhos se vão sentir quando voltarmos a Portugal. E o êxodo é tal que nem sei se temos Portugal para onde voltar daqui a dois anos. Será que isso vai estar vazio, ou só cheio de desiludidos? Por isso, força aí pessoal, emigrem. Mas só depois de esgotar as outras opções. E escolham bem o destino.

15 outubro 2010

rir só porque sim

Hoje colei-me à visita de estudo que a turma do Gugas fez a uma quinta e foi estupidamente divertido. Que bom que é voltar a ter 3 anos e achar que o facto de saltar nas lombas num autocarro escolar é a coisa mais engraçada do mundo! E andar no atrelado de um tractor, sentados na palha, a dizer adeus aos espantalhos? Só tive pena de me mandarem embora quando voltámos à escola e eles foram "almoçar" sandes de manteiga de amndoim e doce. Devolvam-me à infância sff.

13 outubro 2010

o diogo disse mamããããã!!!!

Mesmo a sério, depois de eu repetir "Mamã" 451 vezes. E mais umas centenas nos dias que passaram. É tão lindo! Enche-nos o coração de uma maneira tão completa e absoluta e parva que nem sei o que dizer :)

Não tenho aparecido nos blogues nem feicesbuques de ninguém porque ando sem tempo para nada. Vou tentar redimir-me no fim-de-semana.

11 outubro 2010

a gralhisseia

Depois de quadriliões de quilómetros de carro, avião, combóio, metro, a pé, enfrentando ventos e tempestades, consegui voltar a casa.
Agora o meu homem está a dizer: "espero que estejas a dizer bem do teu marido", de modo que começo já por aí - ah, que rico marido que eu tenho, que tomou conta dos dois petizes sozinho durante 80 horas.
Os casamentos foram lindos, as noivas estavam lindas e muito felizes, houve muita choradeira, abraços e sorrisos, correu tudo muito bem e nem fiquei de rastos, nem nada. Pronto, fiquei, mas valeu a pena. Até o imprevisto de ter perdido o vôo de ligação Londres-NY acabou por ter a vantagem de me deixar dar um saltinho ao centro da cidade e descansar os olhos na National Gallery. Agora, é encher os meus rapazes de beijinhos e voltar ao trabalho!

Para quem acha que o título do post se devia escrever com "c" e não com dois "s", concordo. Era só para se perceber melhor a alusão aos clássicos gregos. Mesmo assim não se percebe. Mas também isso não interessa a ninguém.

08 outubro 2010

e lá vou eu para os casórios

Por estas horas, se o nosso Donald Trampa não tiver dado o berro na estrada para Princeton, se o combóio não tiver parado no caminho para o aeroporto de Newark, se o primeiro avião não tiver sido retido no caminho para Londres, se o segundo avião não tiver amarado no Golfo da Biscaia, estou a aterrar em Lisboa. Casório nº 1 daqui a 5 horas em Cascais. Depois, dormir algumas horas e ala que se faz tarde para o Casório nº 2, na fronteira com a Galiza. E voltar depressinha para apanhar o avião na manhã seguinte, de regresso aos meus rapazes.

Ai que angústia que é deixar os meus amores... Eu sei que o pai toma bem conta deles mas mãe é mãe. Dá para ver que gosto mesmo muito das minhas primas casadoiras para embarcar nesta correria, não dá? Pronto, tambem nao desgosto da ramboia.

06 outubro 2010

os dois gumes da faca

Se não trabalho, sou uma porcaria de mãe porque me sinto estúpida, inútil e não tenho paciência.
Se trabalho, deixo os filhos horas escandalosas na creche, sinto-me estúpida, má mãe, e não vejo a hora de fazer os 32km para os ir buscar.
Solução: começar a jogar no Euromilhões. Ou, pelo menos, arranjar um trabalho mais perto e durante menos horas. As coisas nunca, nunca, nunca são perfeitas. Mas eu ainda não atingi aquele estado de sabedoria em que consigo ver essencialmente o lado positivo.

05 outubro 2010

parabéns cão!

Hoje é um dia muito importante. É o dia em que o Matias faz 10 anos. Parabéns, meu querido cão! Infelizmente não posso estar contigo hoje mas vemo-nos em breve, sim? Beijinhos e festas na barriga da tua dona, sua coisa resmungona e mal-comportada, canídeo do meu coração.


Sim, é mesmo a única coisa que comemoro hoje. Lá isso que aconteceu há 100 anos não me convence, continuo a achar que as democracias menos imperfeitas estão nos países com outro tipo de regime.

04 outubro 2010

um ano de iu esse ei

Ouvimos sempre dizer que os seres humanos se habituam a quase tudo. E é verdade. Mas é quase desumano termos de nos habituar ao que contraria a nossa natureza. Pode ser sinal de cedência, de maturidade, de entrega. Mas desvirtua-nos o mais essencial do nosso ser.
Habituei-me depressa a viver aqui. Não é particularmente difícil, apesar das idiossincracias próprias dos meus novos co-habitantes, das diferentes maneiras de estar, das pequenas coisas às quais é preciso fazer ajuste. Faz-se. Tira-se a carta de condução, conduz-se um automóvel automático, tem-se uma cama grande, compra-se muito, mesmo que não se queira. E sobrevive-se.
Mas continuo a não viver aqui por escolha própria. Preferia estar em Portugal, ainda que longe destas lindas paisagens e comodidades. Preferia estar no meu país, na minha cidade, com a minha família alargada, os meus amigos, as gaivotas, o Tejo, o mar, as pedras da calçada. E tudo o que há de mau aí, que a memória ainda não me falha. Por isso hoje, mais do que o primeiro aniversário da nossa chegada a Princeton, é o dia em que digo: um já passou, só faltam dois.

03 outubro 2010

oitavo mês

Mais um mês de crescimento e de descobertas, filhote querido! Começaste a ir à creche, estás a ambientar-te muito bem, e gostas cada vez mais de brincar. Neste mês nasceu o teu primeiro dente - com a mesma idade, ao dia, que ao teu irmão - e passaste a comer e a dormir muito melhor. Os pais agradecem. Continuas a ser grande fã de passeios, de bolacha Maria e, sobretudo, do teu irmão. Estão cada vez mais inseparáveis :) O melhor de tudo é ver como já nos conheces tão bem, como tentas interagir connosco e como ficas feliz quando vos vou buscar à tarde. Estás um bebé cada vez mais delicioso, Dunguinha.



02 outubro 2010

verifico, afinal, que tenho algo de fashionista

(como podem reparar, este assunto anda a preocupar-me - claro sinal de falta do que fazer)

É o meu rabo. Para quem não quer ler acerca do meu rabo, passai ao lado se faz favor.
Se não posso andar bem vestida da cabeça aos pés, que ande o rabo sempre na moda, caramba. Quanto mais não seja porque a cueca é frequentemente a única peça de roupa que se salva do pontual vomitado, do frequente bolsado, da recorrente nódoa que resulta deste meu mister de mãe.
Reconheço que já começo a estar um bocadinho viciada em comprar cuecas. Desde que cá cheguei que já comprei, ou ofereceram-me, 12 pares. Não vamos nem falar em soutiens ou camisas de noite.De notar que tenho uma Victoria's Secret perto de casa - e atenção que eu nem um café, nem uma padaria tenho perto de casa.
Mas porquê tanta cueca? Para quê? Não sei, é uma fixação. Entro naquela loja às riscas cor-de-rosa e vejo tantas cores, tantos lacinhos, tantos folhos, que aquilo parece uma loja de guloseimas, um parque de diversões. Apetece-me trazer quase tudo. Não podendo, vai de adquirir mais uma cueca. E o meu rabo fica mais feliz. Sente-se aconchegado, porque aquilo é confortável. Sente-se bonito, porque aquilo tem formatos que favorecem. Em suma, sente-se bem. E se o nosso rabo se sentir bem isso é meio caminho andado para um bom dia.


Já agora, este é o meu modelo preferido: "sexy little things". Noutros padrões, este só vesti para a fotografia.

01 outubro 2010

o verniz cor-de-burro-quando-foge

Hoje fui comemorar o novo trabalho. Perdi a cabeça e resolvi deixar-me levar num shopping spree. Pronto, afinal fui só ao Wal-Mart comprar porcarias baratas, que o trabalho não paga assim tão bem. Enfim, o que interessa é que andava eu toda lançada na secção da maquilhagem - por falar nisso, comprei umas pestanas portiças. E não é que aquilo tem um ar natural e tudo? E não é que parecem minhas e não me deixam com um olhar de diva dos anos 60? Nem quero é imaginar quem foi a senhora indiana que vendeu o cabelo para as fazer, brrr... - quando me deparei com esse Santo Graal da fashionista: o verniz cor-de-burro-quando-foge (ou CBQF). É claro que não era o original da Chanel, era um sucedâneo de uma marca americana e bem baratinho, como é óbvio. A minha mão aproximou-se tremelicando, entre a incredulidade e a ganância, e agarrou no último exemplar.
Mas depois parei e liguei o cérebro. Umm, gralha, para que é que tu queres o verniz CBQF? Mas... É o verniz CBQF! Não posso perder esta oportunidade. Olha para as tuas patas, gralha. Achas que elas ficavam bem pintadas de CBQF? Não sei... Mas o que sei eu? Eu sou um calhau da moda! Eu também quero ser uma fashionista um dia, podia começar pelo verniz... Gralha, querida, larga! Isso, larga... Pronto, agora vai lá buscar um sortido de chocolates, que te faz melhor.

30 setembro 2010

entretanto, a cena da austeridade

A vida nos EUA deve mesmo estar a fazer-me uma lavagem neo-liberal ao cérebro. É que antes eu compreendia imediatamente a reacção generalizada às medidas de austeridade do Zé mas agora...
Não tenho emprego - tenho trabalho ocasional através de uma agência de recrutamento. A taxa de desemprego neste Estado é de 9,6%, pouco menos que em Portugal;
As pessoas recebem 11 meses e meio por ano de ordenado (se tirarem as 2 semanas de férias, não pagas, a que têm direito) - e claro que as horas de almoço/pausas não são remuneradas;
Não existe licença de maternidade.
O último exame médico que o Diogo fez custou 1076 dólares (aleluia, aleluia, o seguro cobriu quase tudo)
A creche dos rapazes custa à volta de 2500 dólares por mês;
Não há transportes públicos;
Nem quero sonhar o que nos acontece se temos algum problema judicial porque é óbvio que nunca teríamos como pagar a um advogado;
Ou seja, o Estado Social é uma linda miragem, mais distante do que palmeiras, deserto, camelos e odaliscas. E o pessoal aqui acha isto tudo normal!
De modo que concordo que o Zé não está a ser lá muito fixe, não senhor. Sobretudo, acho que todos os governos insistem em cortar, cortar, quando a meta final de tanto corte é o zero. E o zero não é uma coisa boa excepto na tabela das calorias. Mesmo assim, levantem as mãos para o céu e agradeçam o tanto que damos por garantido aí em Portugal e que não existe em muitos outros sítios, inclusive no chamado mundo civilizado.

pegando ao serviço

Estou aqui à espera que me liguem para pegar no carro e ir trabalhar hoje - não sei bem no quê, não sei bem onde, sabe Deus como é que eu vou conseguir descalçar a bota. Que bota? A bota de ter bilhete de avião para Portugal daqui a uma semana e NÃO IR MESMO desmarcar a viagem por um emprego de duas semanas, ainda por cima longe e mal pago. Só aceitei porque é através da mesma empresa que estou à espera que me ponha numa coisa muito melhor que já está prometida há semanas e ainda... nada. Vamos ver.

29 setembro 2010

ele é mais bolas

Desde que era só um perdigoto que sempre adorei desenhar e, durante muito tempo, achei que era isso que ia fazer na vida. De modo que é com grande pesar que reconheço que o meu filho mais crescido não tem propriamente - humm, como dizê-lo? - jeitinho nenhum para a coisa. Já comprei quadros, giz, lápis de cor, lápis de cera, marcadores, plasticina, e não há meio de ele engraçar com as artes plásticas. Pega no material e a única coisa que faz é bolas, bolas, bolas. E isto é uma grande evolução dos riscos, riscos, riscos que fazia antes. Depois chego à escola e vejo exibidas as obras de arte das outras crianças (normalmente meninas), cheias de casas, meninos, cães, sóis, corações, e quase me vem uma pequena lágrima ao olho. Se calhar é ele que não tem veia para o realismo e saltou directo para qualquer coisa mais surrealista. Ou então é mesmo mais bolas. É melhor eu deitar a toalha ao tapete e deixá-lo em paz com os Legos, as máquinas das obras, as motas e os carros.

28 setembro 2010

para quem tem o viciozinho das séries

(E há lá coisa melhor para fazer num serão de chuva? Pronto, para além disso)

Ainda estou a ressacar o fim dos Perdidos e o House só recomeça na próxima segunda-feira. O Weeds continua muito bom e estou a pedir a todos os diabinhos que recomece o Californication. Entretanto, alimentamo-nos de Tudors, The Good Wife, Modern Family - até ver, a melhor do ano - e uma nova que começou na semana passada, o My Generation. A ver se os fornecedores de TV por cabo portugueses a levam para aí. Não consegui ficar agarrada ao The Middle (tragico-cómica, as desgraças da rotina familiar - obrigada, já me chega a minha) e ainda não consegui ver o Lone Star mas é capaz de valer a pena. E pronto, aqui ficam as recomendações da Tia gralha.

Lamento mas não me pronuncio sobre programas que envolvam adolescentes pirosos a cantar no liceu, vampiros, tretas pseudo-científicas muito mal amanhadas, e sobretudo aquela coisa do demo que envolve um hospital e uma meredita irritante até cortar os pulsos com uma faca de filetes, caramba que nunca mais acabam com aquilo!

Adenda: Imperdoável, esqueci-me do meu psicopata-querido-do-coração, Dexter, que começou no Domingo passado, e da quarta temporada do Mad Men, que está melhor que nunca!

27 setembro 2010

dicionário grálhico (excerto)

Teimosia: s.f., insistir em sair para correr apesar de estar a chover a cântaros há meia hora e a coisa não prometer melhorar; atitude parva; estafermismo obtuso.
Persistência: s.f., continuar a correr todo o percurso habitual apesar de estar encharcada até aos ossos, com as peúgas a fazer schlock, schlock dentro dos tenis, ignorando as cascatas de lama que enchem a estrada; penitência pela atitude parva e estafermismo obtuso; vontade de arruinar o iPod de uma vez por todas.

24 setembro 2010

controlando (ou tentanto) a mãe leoa que há em mim

Chegar à creche e ter um a chorar baba e ranho, descalço, gelado, a recusar o lanche. E o outro no recreio a ser perseguido por quatro meninos, que lhe atiravam aparas de madeira (vi 3 minutos disto sem que ninguém interviesse). Segurar-me para não rodar a baiana, ou a alfacinha, e desatar à chinelada àquela gente toda. Felizmente não ia de chinelos.
Tive uma conversinha com as educadoras, ah pois tive. E vou passar a usar e abusar da política de porta aberta. Hão de sentir-se tão observadinhas como por uma agente da Gestapo, a ver se os meus filhos não passam a ser tratados como deve ser. A ver!

neste momento, ou prelúdio do outono

Vou desligar o computador, fazer alongamentos, pegar no iPod e correr junto ao canal. Espero que as folhas caídas não estejam em forma de papa devido ao leve nevoeiro que ainda se faz sentir. A seguir vou-me estrear nas artes das compotas. E vou ler, ler, ler, só eu e uma caneca de chá. Hoje não concorro a mais empregos, eles que me venham buscar a casa.

23 setembro 2010

portuguese do it better

Pequena lista de coisas de que ainda não abdico trazer de Portugal ao fim de quase um ano:
- Cif (o melhor lava-tudo do mundo)
- Esfregões (aqueles quadrados de esponja coloridos)
- Soro fisiológico (não há cá, só sprays xpto. Aliás, não há nada simples e sem aromas/cores)
- Vigantol (mais uma vez, vitaminas só roxas com sabor a uva ou cereja ou outra cena manhosa)
- Peúgas de rapaz (sim, é mesmo verdade, aqui só há em tonalidades de branco)
- Collants (ainda não encontrei tamanho que me sirva cá)

22 setembro 2010

é sempre assim

Pronto, já tenho o bilhete de avião, já comprei o vestido (carérrimo), já me mentalizei para os 16000 km aéreos e 1000 km rodoviários que farei em três dias para ir aos casamentos das minhas primas. Agora já pode aparecer uma proposta de emprego irrecusável para me obrigar a deitar tudo para o caixote.

21 setembro 2010

num mundo perfeito

As pessoas começavam a trabalhar mais e mais honestamente em Portugal.
As pessoas boas não sofriam mais do que a capacidade das suas forças e as menos boas ganhavam consciência.
Todos teriam acesso gratuito à educação, saúde e justiça porque todos os Estados teriam meios para suportar esses custos.
Nenhuma criança adoeceria antes dos 6 anos.
Nenhuma criança perderia a capacidade (e possibilidade) de sonhar.
Eu viveria em Lisboa.
Nós conseguiriamos dormir 8 horas todas as noites. Os miúdos 12, claro.
Eu teria sempre paciência para os meus filhos.
Eu teria um trabalho que tivesse utilidade pública, me realizasse e me reconfortasse a conta bancária.
Eu teria uma baby-sitter, uma empregada doméstica, uma cozinheira e um jardineiro (jeitoso, que andasse sempre em tronco nú) , que também passeasse os meus cães.
Eu leria e viajaria tudo o que me apetecesse.
Eu poderia alimentar-me exclusivamente de sushi, comida italiana e doces.
A coca-cola eliminaria a celulite e o champanhe faria bem à pele e ao cabelo. E seria baratíssimo.
O meu marido seria o primeiro astronauta português.

Ideia re-roubada à Precis Almana.

os bebés até são giros

Voto no candidato (presidencial, ministerial, municipal, futebolístico) que prometer mudar a licença de maternidade para o período dos 6 aos 12 meses do bebé. Agora é a que a coisa tem piada. Antes disso, podem mandar uma enfermeira para casa das pessoas e as mães limitam-se a dar maminha, fazer miminhos e dormir, OK?

20 setembro 2010

eu, eles e os sapatos deles


Parecendo que não, este post é de uma grande profundidade. Traz à superfície o que realmente sou, aquilo que sou neste momento. Sou mãe a tempo inteiro. Não sobra tempo nem cabeça para muito mais do que isso, por muito boa vontade que se arranje. Tenho aquilo que desejei: rapazes. Não gosto de bonecada, não gosto de floreados, sou simples e vou directa aos assuntos. Sou arrumada. Gosto de poucas coisas, mas boas, se possível. Se não for possível, gosto de sonhar, de desejar, de planear. Não gosto de mediocridade. E os meus dois rapazes são a coisa mais perfeitinha que alguma vez fiz. Mesmo nestes dias em que tenho de contar até 1000 para não lhes torcer o pipo.

Já agora, destes todos só há 2 pares a uso actualmente. Adivinhem quais e ganham um fabuloso prémio de 1 euro (depois mandem o NIB).

16 setembro 2010

este blogue não consegue ser trendy-chic mais do que 12 horas seguidas

Diogo com febre. Aguardamos para ver se é só constipação ou se é outra infecção urinária. E pronto, é isto.

Adenda: Não tem infecção, é mesmo só esperar que passe a febre e a muita ranhoca. E sim, Precis, deve ser isso de que falaste. O Diogo vai ter de continuar a tomar profilaxia até lhe passar o problema de refluxo que, se tudo correr bem, será com a idade. Obrigada a todos pela preocupação e pela força.

a ver se me distraio, ou qualquer coisa

É claro que a principal razão por que estou à procura de emprego é para poder passar a usar outfits em vez de roupas, pumps em vez de sapatos, clutches em vez de malas-do-sport-billy-que-leva-a-tralha-da-criançada. Isso e passar a escrever acerca de dias absolutamente extenuantes e cheios de acontecimentos sociais, reuniões, intrigas, e lançamentos de novos tons de verniz.
(Tenho pena é de já não ir a tempo de ter um blogue de mulher solteira e muito bem resolvida, giríssima, viajadérrima, etc. Quando era solteira era muito mal resolvida, essa é que é essa. É só inveja, gralha, só inveja...)

15 setembro 2010

...

Mães desta blogosfera: custa-vos ver os filhos a levar as vacinas? Agora imaginem vê-los a serem imobilizados para lhes enfiarem, a sangue frio, uma sonda pela uretra...
Assim foi o exame que o meu Dioguinho teve de fazer hoje e, infelizmente, as notícias não são as melhores: há mesmo refluxo de urina para os rins (o que lhe causou a pielonefrite em Julho) e agora vai ter de ser seguido pelo médico da especialidade. Vamos ver o que é preciso fazer para evitar futuros problemas.
:(

professional job seeker

É pena não pagarem para isto de andar à procura de emprego, porque até é muito engraçado. Uma pessoa levanta-se de manhã, vê as entrevistas que tem nesse dia, carrega ou descarrega na maquilhagem e na formalidade da fatiota consoante o destinatário, e faz-se à estrada. Muito sorriso, muito ar de serena confiança, muito chavão na onda do American Dream, sucesso, sucesso, carreira, performance, dedicação, 24/7 e 24 horas por dia de vontade de rechear a conta bancária, usar a máscara de executiva ou aspirante a isso, uma postura geral de quem sabe que é a pessoa certa para aquela posição. É como fazer teatro mas sem os aplausos. É como ir a diversos blind dates mas sem direito a beijoca nem can I call you later? no fim. Venham mais, que eu tenho toda a paciência do mundo. Vejam lá é se me dão um emprego de jeito um dia destes, já agora.

Chato, chato, chato é ter de preencher os mesmos dados pessoais e profissionais centenas de vezes. Já deito formulários de candidatura pelos ouvidos!

14 setembro 2010

dormir é bom, já não me lembrava

Há uma fresta de luz que entra pela cortina, os pássaros cantam, e eu acordo docemente. Olho para o relógio e são 7h26. Já são 7h26. Os meus olhos não pesam, a minha pele está repousada, não sinto um desejo irreprimível de enfiar a cabeça na almofada. É mesmo verdade, dormi a noite inteira. E assim tem sido, (quase) sem interrupções, desde que o Diogo foi dormir para o quarto dos rapazes e passou a beber leite de soja. Só alguém que já passou meses a fio sem dormir decentemente pode compreender o que estou a sentir, a diferença que isso faz à nossa cabeça e ao nosso estado de espírito. Espero que seja sempre assim, daqui em diante.

13 setembro 2010

às vezes lembro-me de que tinha sentido de humor

Como quando um professor, na faculdade, estava a tentar insultar a turma por ninguém estar a ver quem era o autor de quem ele estava a falar (com alguma razão, o pessoal não estudava um boi), e deu a seguinte pista a la escola primária: as iniciais do nome são "MM". E eu respondi: Mickey Mouse!

12 setembro 2010

o machado e a colher-de-pau

Era uma vez uma família. Chegando ao fim o Verão, aproveitavam os últimos dias amenos para ir até à floresta recolher lenha para se aquecerem no Inverno. O pai comprou um machado e o filho mais velho ajudava limpando os galhos mais pequenos, por entre a ocasional birra sem razão. A mãe entretinha o bebé com folhas e canções desafinadas enquanto imaginava o que ia fazer para o jantar. Chegados a casa, era tempo de ir buscar as formas e pensar em receitas de biscoitos. A água fumegava na chaleira e os filhos brincavam juntos às casinhas, enquanto os pais liam, sossegados.
Às vezes é mesmo assim.

11 setembro 2010

já me tinha esquecido

Que é possível fazer um bebé rir só com um boneco que chia ou um balão.
(falta-nos tanto isto, aos adultos)

09 setembro 2010

a angústia do recomeço das aulas

É só viajar pela blogosfera e depressa encontramos diferentes relatos de mães chorosas, de coração apertado com o reinício do ano lectivo. Sou só mais uma lista. Com a agravante de me lembrar de ser deixada no infantário e agarrar-me às pernas da minha mãe a chorar. Por que é que tinham de me deixar ali? Por que é que não podia estar em casa com os meus brinquedos? Por que é que tinha de dormir a sesta (ou fingir) deitada em catres impessoais? Por que é que não era Natal todos os dias?
O problema é que o Natal não é todos os dias. Já vou para o 31º e ainda acho isso uma tremenda injustiça. Só que não há nada a fazer. E as crianças - ou bebés, nos casos em que ambos os pais querem/precisam de trabalhar - têm de ir para a escola. E os pais não têm outro remédio senão pegar num coração em fangalhos, virar-lhes as costas e voltar umas horas mais tarde, rezando para que fiquem bem entregues.
E os meus? O Diogo fica sem saber bem o que lhe está a acontecer. Corta-me o coração chegar lá e estar ranhosito, com olheiras e a roupa cheia de nódoas. Não pressinto o cuidado e a atenção que davam ao Gugas, na mesma idade, em Lisboa. O Gustavo faz-se de forte e corre para os brinquedos. Como será passar o dia com alguém que pouco o compreende? Mas chega a casa e não revela ansiedade nem tristeza com esta nova rotina. Sei que tinha muita vontade de voltar a estar com meninos da idade dele.
É assim a vida de mãe: escolhas, escolhas, prioridades, receios e saltos de fé.

08 setembro 2010

a cena do pacotinho de açúcar

Um dia vou ter de arranjar coragem para sair da cama e fazer o que tenho a fazer com uma espécie de sorriso na cara, mesmo que aquilo em que a minha vida se tornou não faça muito sentido. Hoje é o dia.

07 setembro 2010

tentativa (fraquinha) de elevar a auto-estima

Continuo desempregada. Ando sempre com cara de pum. Não há maquilhagem que me disfarce as olheiras. Não tenho energia para me mexer. Tenho de ir lavar o frigorífico, tarefa supremamente aborrecida. Não posso ir a Nova Iorque nos próximos tempos. Ainda faltam eternidades para voltar a Portugal.

Mas tenho o rabo mais giro (menos balofo, vá) de todo o condomínio, quiçá do Estado da Nova Jérsia. Caramba, que esta gente come muita gordura monoinsaturada.

06 setembro 2010

a culpa é sempre dos pais

Conta a Dona Batata Frita que há um psic(palhaç)ólogo qualquer que diz que o facto de os filhos não dormirem é sempre culpa dos pais. Estás a ouvir, Mãe? Afinal não é do Diogo que me faz olheiras, és tu, apesar dos 6000 km de distância.
Agora a sério: concordo em absoluto que temos de ensinar os miúdos a adormecer. Eu fiz isso com os dois e não foi difícil, nem envolveu as choradeiras que o acima referido Dr. prescreve. Agora é preciso achar que as crianças são robots 100% programáveis se se acredita que é possível manter uma criança a dormir o tempo que nos apetecer, sem que nisso pesem factores como a necessidade individual de sono de cada um, as doenças, a agitação variável do dia-a-dia, entre outros. Ou então sou eu que sou estúpida e me levanto para lhe dar alguma coisa para beber porque tem sede, para o tapar porque tem frio, para pegar nele porque simplesmente não quer dormir depois das 7h (apesar de o ter deitado às 21h, como o senhor "manda", e de lhe ter dado leite, a dormir, às 23h30). Se calhar era melhor deixá-lo chorar, enfiar tampões nos ouvidos, e esperar que a Protecção de Menores me batesse à porta.
A propósito, hoje o Diogo vai dormir para o quarto dos rapazes. Ou seja, se o Gugas também deixar de dormir, a culpa é mesmo dos pais, que lhe pespegaram com o irmão mais novo.

04 setembro 2010

as diferenças culturais na escola

Faz-me confusão que os bebés tenham de dormir sob luzes fluorescentes constantemente acesas e com música bastante alta para o meu gosto.
Faz-me confusão que deitem as crianças com um lençol e um cobertor (segundo lençol para quê?).
Faz-me confusão que tenham a sala dos bebés com ar condicionado a 21ºC (e com os 38ºC cá fora, claro que o Diogo já se constipou).
Faz-me confusão, sobretudo, que não dêem sopa às crianças. O conceito de sopa não existe. No máximo, dão uns boiões de puré de vegetais de supermercado, fast food logo desde o berço.
Ah, mas o Gugas arranhou ligeiramente um joelho no parque infantil e tive direito a telefonema na hora e uma página de relatório do "evento" que tive de assinar à saída.
Faz-me confusão isto tudo, pronto, tenho saudades da creche do Gugas em Portugal.

03 setembro 2010

sétimo mês

Dunguinha querido, filho desconfiado e impaciente, já lá vão sete meses desde que escolheste uma noite de neve para sair da minha barriga, com muita pressa de aprender tudo. Ficas frustrado quando não consegues fazer o que tentas, franzes o sobrolho quando não compreendes o que se passa, mas derretes-te numa risota até aos soluços quando o mano fala contigo. Lá vais comendo, uns dias melhor que outros, e dormes sempre numa grande agitação. Já ficas sentado e estás a dar os primeiros passinhos a gatinhar - mas ainda acabas sempre de cara no chão. Já começaste a escola e ainda não estás a estranhar, vamos ver como será daqui em diante. Tenho tanta vontade de te ver crescido, a andar e a falar mas, ao mesmo tempo, começo o sentir que o meu bebé, o meu último bebé, não tarda muito a ser um menino crescido. És lindo, difícil, único, não te trocava por nada deste mundo.



02 setembro 2010

não, ainda não acabou o choradinho

Ainda há uma semana, tomei disto com caipirinha. E os miúdos a portarem-se bem e tudo. É por isso que o problema não são os americanos, o aborrecimento, a falta de horas de sono, a solidão e o desterro. O problema é muita falta disto.

pronto, que remédio, voltei

Está calor, mas um calor de fazer o Verão de Portugal parecer uma Primaverinha tímida. O crianço pequeno acorda a meio da noite com o jet lag e eu já estive mais longe de procurar "colégios internos para bebés" no google. O crianço maior ainda não sabe bem o que lhe aconteceu e por que é que não está rodeado de família em Portugal mas sim de criancinhas asiáticas na escola, que não lhe respondem só porque ele fala português. Eu ainda não sei bem o que ando a fazer da minha vida e por que é que insisto em mais um ano de lágrimas, gritos e vontade de mandar tudo às urtigas. Entretanto, respondo a anúncios de todo o tipo de empregos e desejo fechar os olhos e só os abrir em 2012. Tanta asneira que eu escrevia aqui agora, senhores, mas a minha Mãe também já lê este blogue, de modo que tenho de parecer educada e com as neuroses sob controlo.

29 agosto 2010

a fome que dá em fartura

9 meses 9 de reclusão no lar, sem vagar para coqueterias, poucos meios para gastar em mariquices de gaja - excepção seja feita a uma ida a Nova Iorque - e chego a Portugal pronta a adquirir metade do stock das Zaras e H&Ms todas que encontro pela frente. Já houve spa, febre de sapatos, cremes, maquilhagem, vários vestidos, uma enjoadeira de montras. E anteontem sujeitei-me à tortura anual da ida ao cabeleireiro. Resultado: estou muito gira (se um Yorkshire Terrier puder ser considerado giro). Volto para a América, pois sim, mas enchi a barriga de perder tempo com futilidades.

28 agosto 2010

a (falta de) vontade de regresso*

Desde que entramos para a escola, todos aprendemos o sabor agridoce do fim das férias. É chato largar o descanso, mesmo quando este foi só teórico. É difícil voltar à rotina, mesmo que as rotinas só tenham mudado de endereço. É duro voltar a casa, mesmo quando a casa de férias sabe mais a casa. Isto tudo é pior quando temos a sensação que aquele avião que nos leva de regresso ao destino emigrante é como uma camioneta de porcos a caminho do matadouro.
Gostava mesmo de não voltar a tocar este disco do ó-que-me-levam-da-minha-terra, a sério. Detesto chorinhos e repetições. Acontece que não me apetece voltar, o que é que eu hei de fazer? Tenho de torcer o meu próprio braço, suster as lágrimas e mostrar-me contente, mas não estarei. E custa-me cada vez mais despedir-me das pessoas de quem gosto porque agora sei mesmo o que é estar longe, o que significa não estar cá para as coisas grandes e as coisas pequenas. Por isso, se quiserem dizer-me alguma coisa à laia de consolo, por favor não me digam que vai ser óptimo, que passa num instante, que desta vez é mais fácil. Digam só que sabem como é difícil para mim e que me desejam o melhor. E entoem silenciosamente o meu mantra poliglota de muitas asneiras para ajudar a suportar a dor.

* direitos de autor da Ana C.

27 agosto 2010

futurologia filial

Uma das coisas muito giras de ter um blogue de meia idade (tendo em conta a esperança média de vida destas coisas) é poder ir ler o que andei a escrever há 3 anos atrás, mais concretamente como vivi os primeiros meses do Gugas. É curioso verificar que a descrição dos primeiros indícios da personalidade do meu mais velho corresponde muito fielmente ao que agora se revela com contornos mais definidos. Por isso me aventuro a imaginar a pessoa que o Diogo será: enérgico, intempestivo, assertivo, curioso. Não vai ter feitio dócil, não senhor, mas acho que vai ser inteligente e persuasivo. Mandão, vá. Desculpem lá a baba em antecipação, mas uma mãe tem direitos.
E que Deus Nosso Senhor lhe dê muita saudinha e felicidade, que seja uma criança normal é o que mais desejo, já agora.

26 agosto 2010

o copo meio cheio (e o meio vazio)

Temos um filho que come qualquer coisa que lhe demos e outro que dorme em qualquer lado. Temos um que só dorme na cama e outro que não gosta de comer nada.
Estou há 2 meses em Portugal e estas férias, sobretudo em Lisboa, estão a saber-me pela vida. Volto aos EUA para a semana e só regressarei a Portugal, em princípio, daqui a um ano. Este regresso não custa menos do que a primeira ida.
Em breve volto à vida de dondoca, sem stress, sem passar horas no trânsito, com todo o tempo do mundo para dedicar aos meus filhotes e até para continuar a ler. Continuo desempregada...

19 agosto 2010

e agora, a cidade

Até podia estar para aqui com desculpas para não escrever com mais frequência mas a verdade é apenas uma: preguicite. Depois de 5 semanas de Algarve sabe muito bem estar na minha linda cidade, fazer de conta que sou turista e andar por todo o lado a olhar para cima e para baixo com cara de totó. E não, Ana C., não é para fugir aos cocós de cão, é mesmo porque a calçada portuguesa desgraça os saltos de agulha mas é bonita. E agora vou ali comer um pastel de Belém e evitar começar a fazer contagem decrescente para o regresso. A vantagem é que o amuo que isso me vai causar me dará logo corda aos dedos.

11 agosto 2010

as férias no meio do resto

Apesar dos apesares também há coisas boas. Há praia com água quente e brincadeiras nas piscinas dos olhos de água. Há piscina com muita criançada. Há amigos que vêm de todos os lados para estar connosco neste interregno americano. Há churrascos, cubas livres, gelados e ameijoas. Há muitos, muitos livros. E há momentos em que vejo que tenho uma família linda e que os meus filhos são a luz dos meus olhos :)

Ah, e amanhã vou passar o dia neste spa. A mamã merece, oh se merece!

06 agosto 2010

o professor karamba nos acuda

Nestas férias já passou tanto vírus e bactéria pelas diversas concavidades da minha família nuclear que eu até já tenho medo de escrever sobre isto aqui, catano, não venha daí um ataque de lombrigas, furúnculos, ou mais uma bichose qualquer capaz de criar ranho, febre, dores e queixas. Eu bem previ que uma embalagem de creme protector seria sufiente mas o mais triste é ainda só ter comido uma (seca, dura, miserável) bola de berlim.

03 agosto 2010

sexto mês

O meu bebé já tem seis picos! O meu bebé curioso, expressivo, atento, exigente. Mete tudo à boca mas o melhor que há é roer os dedões dos pés. O ponto alto do dia agora é ir passear o Matias de manhã, ver os galos, as árvores e ouvir a rolas. Do alto do marsúpio não se cansa de perscrutar tudo com o seu olhar inquisitivo. Agarra, puxa e belisca tudo o que apanha com muita força. Continua adepto da gritaria e está muito, muito mal habituado a colo. Só bebe o leite (e mal) se for eu a dar-lho. Ataca-me, de vez em quando, com raivinhas e é capaz de estar tempos infinitos a rir das palhaçadas do mano. Tão apetitoso e já tem meio ano, caramba!


28 julho 2010

as férias a valer vão começar

No que toca à maternidade, sou mesmo do piorio. Nem confesso aqui metade para não me cair em cima a brigada da amamentaçãoobrigatória-anticreche-cosleeping-e-não-bato-nos-meus-filhos. Mas revelo isto: estou tão contentinha porque as minhas férias vão começar! Chega o meu homem e eu boto os phones nos ouvidos. Bebés a chorar, nem ouvi-los. Sopas, nem toco em tachos. Fraldas, elas que se lavem a si próprias. Não quero saber, não estou cá, me no speak beibi-talk. O papá que trate deles que eu vou dedicar-me ao bronze das bochechas do rabo. (à vontade um dia inteiro, ou mesmo dois)

26 julho 2010

tarzan

O Dunga decidiu que estava na hora de o mundo reparar nele. Assim com muita força. E vai de gritar, gritar, gritar. Quando lhe apetece, grita. Quando não o pomos de pé nas suas pernitas cheias de força, grita. E belisca, e puxa e senta-se todo para a frente na espreguiçadeira. Tanta vontade de crescer numa pessoinha só, caramba! E lindo que ele está :)

24 julho 2010

lua cheia

Coisa boa da minha juventude, aproveitar a lua cheia para tomar banho à meia-noite no mar. Fizesse calor ou um pouco de frio. Só estrelas e um mar muito negro a chamar por mim. Hoje não vou ao mar, que tenho de dar antibiótico ao Dunga daqui a pouco. Mas a piscina espera por mim :)

20 julho 2010

pielonefrite

Eis que uma aparente virose afinal é infecção urinária, só que afinal é pielonefrite. Depois de 6 dias de febres bastante altas, impossíveis de baixar durante a noite (e oh que belas noites!), o antibiótico fez efeito e o Dunga já está bem. Ninguém gosta de ouvir palavras como "internamento" e "sequelas" mas fazem parte do dicionário das mães. E também uma resistência saída não sei de onde para continuar a mimar, dar medicamentos intragáveis, ir e voltar de Faro repetidas vezes, acreditar que a temperatura não vai voltar a subir. As férias continuam agora num blogue perto de si. Esperamos.

17 julho 2010

quando não podemos fazer mais nada

Já todos sabem que ter filhos é lindo e cansa e dói e enche o coração e mais uma série de coisas. O pior, e que só os pais sabem, é quando eles estão doentes. E continuam. E vamos ao médico, damos a medicação, viramo-nos para um lado e para o outro e a febre volta, sobe, persiste. Nestas alturas lembro-me sempre de todos os que tiveram (e têm) de lidar com isto sem quaisquer meios de assistência, sem antipiréticos, sem análises. E depois penso que, no fundo, não tenho mais poder nenhum do que eles. A saúde e a doença são tão, tão pouco controláveis. A maior parte das vezes só nos resta dar colo e esperar, esperar, de coração apertado.

15 julho 2010

breves notícias da praia

A praia deve continuar bonita mas não encho o bikini de areia da rebentação há dois dias, que tenho um infante em estreia de viroses. Tostai todos vós que estais a trabalhar em Lisboa, eu fico aqui a baixar temperaturas à força de toalhas em água tépida. E é só isto por hoje.

09 julho 2010

areia entre os dedos e noites estreladas

A dureza da vida (qualquer dia cai-me um raio dos céus por estar sempre a chorar-me) mitiga-me as ambições estivais. Em 6 semanas de Algarve hei de fazer tão pouca praia que me bastará uma embalagem de protector solar. Mas, Dunga permitindo, vou ler tanto, tanto, tanto que ganho mais umas duas dioptrias em cada olho. E sangria branca ao almoço, com peixe fresco grelhado. E jantares na varanda, jantares em restaurantes, jantares não cozinhados por mim, que agora me sabem sempre a duas estrelas Michelin. Venham as noites mornas e o cheiro dos pinheiros sobre a falésia. Cantem as cigarras e os abelharucos nas tardes quietas de sestas e descanso. Vou para o Sul e vou aparecer pouco por aqui. Fiquem bem, boas férias e até qualquer dia :)

06 julho 2010

revelações em movimento

Há qualquer coisa nos meios de transporte que me puxa a epifania. Sento-me numa estação de metro e lá vem poesia para escrever no intervalo de três dias de agenda, que não há espaço para moleskins nos meus alforges de matriarca. Conduzia o meu primeiro automóvel à saída da faculdade e surgiu a revelação: já não sou adolescente. Conduzo agora o jipe que uma alma caridosa me emprestou e baixa em mim: já não sou mesmo adolescente. Não faz mal, no espelho retrovisor vejo o banco de trás, onde há quatro olhinhos castanhos e redondos, doces e pestanudos, confiantes em mim. São meus estes meninos. São meus para cuidar e amar e mostrar o mundo. Às vezes ainda parece impossível que sejam tão meus assim.

05 julho 2010

finalmente dormimos

Não escrevi o post do costume a assinalar o quinto mesiversário do Dunga porque não tenho o cabo para passar as fotografias e gosto sempre de ilustrar a coisa. De qualquer forma, temos bebé grande e bom, a portar-se um bocadinho melhor com a alimentação desde que passou a comer também sopa. E hoje dormiu das 00:00 às 8:00! Hip hip hurra! Agora vai ser assim todas as noites, vai, vai.

02 julho 2010

a pedagogia que custa mesmo um bocado

(ao telefone)

Gugas: "Mamã, vem buscar-me, não gosto de estar aqui."
Eu: "Oh filho, claro que gostas. Podes brincar com o X, o Y e o Z."
G: "Não gosto, não. Quero a Mamã e o Diogo. Vem buscar-me."
E: "Oh querido, amanhã a Mamã já vai ter contigo. Tens brincado muito?"
G: "Sim... (vozinha triste)."

E logo eu que tinha prometido a mim mesma que nunca iria proferir as palavras "claro que gostas". Humpf.

01 julho 2010

as minhas férias

Muita, muita, muita preguiça. O meu dia-a-dia não mudou quase nada, para além da roda-viva de visitas e de ter o meu cão colado às pernas o dia todo. Mas há uma preguiça mole e peganhenta que me faz quase acreditar que estou de férias.

30 junho 2010

diogo

Não tenho escrito muito sobre o meu filho pequeno. É tão injusto como agora não há tempo para o amor apalermado do primeiro filho, de ficar horas em adoração a contabilizar cada nova façanha. Este meu filho pequeno não é um bebé fácil. E para quem não gosta de fazer comparações: batatas! O meu primeiro foi muito fácil. Este não é. O que não quer dizer que eu não sinta o coração a explodir de amor por ele. Luta para beber o leite, não dorme sossegado, agora deu-lhe para a gritaria. Tem um sensor que dispara sempre que me sento para comer, o que é óptimo para emagrecer. Mas aninha-se e devora-me o ombro com urgência. Olha-me com o amor apalermado de primeira mãe porque, afinal, eu sou a única. Agarra-se com muita força como se soubesse que eu estou sempre a fugir e a dizer "deixa-me só fazer isto e já pego em ti". E estou, e é injusto. Este meu filho pequeno é mais parecido comigo em muitas coisas, o que é estranho. E especial. Olho nuns olhos que mostram uma alma tão próxima da minha e peço-lhe que seja só um bocadinho mais fácil, porque os meus dias estão tão difíceis. Mas mesmo hoje, em que acabei por ir dormir para o chão do hall dos quartos porque era a única forma de dormir alguma coisa, mesmo quando não passam mais de 30 ml de leite por aquela boquinha que sorri à descarada, amo-o infinitamente e sem retorno.

29 junho 2010

antes que me esqueça

Nunca mais fazer viagens de 7 horas durante a noite com um filho de 3 anos e outro de 4 meses e meio, criaturas que só dormem em suas reais caminhas. É que eu nunca fiz directas para estudar, nunca fiz directas para sair à noite, nunca fiz directas para ver o nascer do sol de mãozinha dada (e suada) com um namorado da adolescência. Fazer directa, depois destes meses em que tenho dormido tão miseravelmente, para entreter esta maltinha ao longo da travessia atlântica, por mais que sejam os meus anjinhos adorados, tirou-me uns 3 anos de vida. O pai que os traga de volta, que eu vou de navio.

28 junho 2010

olha a cronicazinha catita

Meninos e meninas, quereis saber como conciliar a parentalidade com a ecologia? Não quereis? Pois devíeis. Lede a crónica da Princeton Green Parenting Examiner e ficai a saber tudo sobre como não desgraçar o Planeta só porque não se dorme há meses, a roupa para passar é uma montanha intransponível e a paciência para separar as embalagens, os vidros e os papéis é coisa que não abunda. E, no caminho, ajudem-me a ganhar o pão. As migalhas, vá.

26 junho 2010

o clube do livro

A Oprah tem um, aqui a gralha também quer. Há catriliões de livros que sei que gostava de ler, mais os tentilhiões que são publicados todos os anos, que nem tenho tempo de lhes ler a contracapa. Como isto de filtrar o que vale a pena é trabalho hercúleo, que tal entreajudarmo-nos? Quem gosta de ler? Quem quer ser meu amigo e ajudar-me a criar um fórum onde falamos do que lemos e tentamos recomendar a outros o que eles poderão gostar, baseados no nosso entreconhecimento crescente?

Claro que isto exclui coisas do Paulo Coelho, Margarida Rebelo Pinto, Nicholas Sparks e afins e essas chachadas, desculpem lá. Ah, e vampiros também não. Vá, vá, participem. O Verão é a melhor altura do ano para ler (a par com o Inverno, a Primavera e o Outono).

25 junho 2010

home is where the heart is

Constou-me que não houve Primavera e que é bem capaz de não haver Verão. Que o Governo ainda não caíu mas, se o Sócrates e o Cavaco quiserem, já podem casar-se. Parece que o Benfica ganhou o campeonato. E o Julgamento Casa Pia ainda não acabou. Há enxames de vuvuzelas, a Manuela Moura Guedes ainda não se calou e os sindicatos dos professores continuam insatisfeitos com as políticas do Ministério. A Este, nada de (muito) novo. Meus amigos, não quero saber: vou para casa!

24 junho 2010

um bocadinho de materiali$mo também não fazia mal nenhum

E arranjar explicação que não pareça totó para recusar um emprego que me iria pagar 4 a 8 vezes mais o que eu recebia em Portugal? Não é fácil, não senhor. Mas não me está a apetecer transformar-me nisso, com o carro e as roupas e os dentes mais brancos do que o Paulo Portas, e vender a minha alma.

23 junho 2010

á coisas que me melindram á brava

Á é uma palavra que não á. Pode ser "há", de haver, substituível (pelo menos em sentido) por existe. Se é funcionário de um dos 12491 snack-bares portugueses e o seu trabalho é escrever os menus em toalhas de papel, já fica a saber: Á caracóis, á pipis, á gambas alá guilho: tudo isso é com "há".
E depois á o á que é contracação de uma preposição e de um artigo. É pá, isso é mesmo uma coisa complicada! Vai ser um caso grave lembrar-me disso. Grave é exactamente o tipo de acento a usar, para escrever "à". Ena, que grande ginástica de dedos que é carregar no shift do teclado e, simultaneamente, na tecla do acento. Mandar pessoas a um certo sítio, por exemplo, é com este á.
Á! Depois ainda á a interjeição á, que é "ah". Este é fácil de lembrar: se for um adepto do tuning, este á vem onde está normalmente um f0d@-$€, como em "Ah (f0d@-$€), que lindos olhos tu tens", ou "Ah (f0d@-$€), já compreendi esta cena dos ás".
E por hoje já chega, embora houvessem muitos outros erros que eu gosta-se de ajudar a clarificar. Espero não ir causar muitas tendinites com a nova utilização dessas teclas que estavam a sentir-se ao abandono.

22 junho 2010

tão patuscos, estes americanos

Depois de preencher as 32 páginas da inscrição dos meus filhos na creche - e vá lá que me deixaram fazer "dois em um" para vários tópicos - solto um suspiro, tento descontrair os ombros, e reparo como já nem me choco muito com esta necessidade de especificar tu-do tim-tim por tim-tim por causa das coisas e mais não sei o quê. Já estou habituada a que me sejam pedidos os dados aparentemente mais irrelevantes nas situações mais corriqueiras. Só lhes falta pedirem-me o número do soutien quando encomendo uma pizza.
Mas esta é mesmo uma circunstância especial. Por isso, não é de estranhar que haja um formulário destinado a explicar a Filosofia da Criança que Morde; ou um outro com o plano de contingência em caso de ataque terrorista; ou ainda um que estabelece cada um dos 18 tipos de alimentos que é proibido trazer para a escola, determinando que a comida servida pela mesma obedece ao padrão de pedaços de 0,25 polegadas (no caso dos bebés) e 0,5 polegadas (no caso das crianças com mais de 12 meses). Caramba, um dia que convide os amigos dos meus pirolitos para vir cá a casa tenho de cozinhar munida de régua e esquadro. E o melhor é servir só água e folhas de alface.

21 junho 2010

da areia e do camião

Quando uma pessoa pensa que é desta que vai ter um esgotamento é porque ainda não vai ter, não é? É que se ainda conseguimos articular esse pensamento e depois ligar o computador e vir escrevê-lo, possivelmente sem dar erros de ortografia ao desabrigo do novo acordo hortográfico, é sinal que as sinapses ainda conseguem levar as ideias ao sítio certo, não é? Não, a sério, não é preciso dormir, não é preciso comer, não é preciso parar, não é preciso ajuda de ninguém, que eu consigo tomar conta dos dois filhos mais do marido que está meio entravadinho e ainda me sobra tempo para regar as plantas e fazer as malas.

a gralha é amiga dos coreanos

Não! Não! Não marquem mais golos, por favor. O guarda-redes já deve estar condenado à morte, por favor não façam com que as famílias dos restantes jogadores fiquem sem as senhas de racionamento durante um ano.

18 junho 2010

férias, essa bela miragem

Houve alguém que me fez agora lembrar da minha santa vidinha, por esta altura do ano, quando corria o início dos anos 2000. Trabalhos da faculdade há muito entregues, estante cheia de lombadas frescas da Feira do Livro, e noites de Verão a sério, daquelas em que abria a janela e ouvia os grilos. E depois fechava a janela para não entrarem mais melgas.
Que Verões tão bons, caramba! Nada para fazer durante quatro meses inteirinhos. Todo o tempo do mundo para o que me desse na real gana. E agora, meus meninos, agora era só três dias no Parque de Campismo da Costa da Caparica, sem fraldas nem biberons nem choros, e era ver-me uma mulher repousada. Pronto, não peço tanto: só 2 horas de bicha para chegar à praia, sem ar condicionado no carro e a ouvir MixFM já eram uma variação bastante apelativa aos meus dias de hoje. Que eu nem sou pessoa de me queixar (pronto, sou) mas já não me lembro da sensação da horizontalidade prolongada.

16 junho 2010

lá essa espécie de cornetas

Eu até gosto de futebol, como a maioria das mulheres portuguesas (i.e. quando joga a selecção ou quando se está com alguém do nosso clube que tem a vantagem de saber o nome dos jogadores, mesmo os que não são giros), mas não me peçam para aturar chinfrineiras durante 90 minutos. Ouvi dizer que chinfrineiras (frase ao estilo António Lobo Antunes, que até sou bué de culta e tudo), porque ainda não pus os ouvidos em cima dessas coisas cor-de-laranja. E, meus amigos, com os jogos a dar às 7h e às 10h da manhã de cá, sem dar para puxar do tremoço e da imperial, tenham paciência, mas vai ter de ficar para a próxima.

porque só penso no futuro (ou no passado)

Apetece-me o Outono amarelo-castanho-vermelho com esquilos e já ter um filho com 3 anos e meio e o outro a gatinhar. Apetece-me a excitação da primeira neve e um Dia de Acção de Graças com amigos cá em casa a ajudar a comer o exagero de pratos da época. Apetece-me ter de comprar um despertador e pôr a maltinha toda a mexer para chegar ao emprego lá para às 8h30 (espero que não seja mais cedo!). Apetece-me ir buscá-los e ainda ter tempo de ir à bibioteca ou ao parque infantil. Apetece-me arranjar finalmente uma babysitter e ir conhecer os restaurantes da cidade - e fingir que ainda somos estudantes e que podemos estar fora a noite toda. Apetece-me voltar a Nova Iorque, a Filadélfia, a Washington e ainda ter tempo para um fim-de-semana prolongado mais a Sul. Apetece-me noites de séries com pipocas e passeios pela costa mais feia do Atlântico Norte, em dias frios de sol. Apetece-me isto e muito mais, mas agora apetece-me sobretudo que seja dia 26 de Junho e que eu esteja a aterrar na minha linda Lisboa, o Tejo lá em baixo, aquela imensidão de branco, sair do avião com o sol a nascer e sentir o cheiro da cidade. Chegar a casa.

15 junho 2010

agora que já ninguém fala do casamento entre pessoas do mesmo sexo

Por que é que ainda não se gerou um movimento a favor do casamento com contrato a termo? Estou a falar completamente a sério, atenção! Sou só eu que acho que faz todo o sentido esta modalidade estar prevista por lei? O pessoal que quisesse casava-se a 1 ano, com possibilidade de renovar mais 2 vezes, e depois decidia se ficava efectivo ou se se dissolvia a coisa. Assim, garantia-se esforço constante para agradar ao cônjuge e, se provadas as incompatibilidades, cada um ia à sua vida e ala que se faz tarde. Óbvio que, em caso de haver filhos, esta opção não podia ser considerada. Nem toda a instabilidade tem de ser má e há muito casamento aí a ganhar bicho à custa da ilusão da estabilidade.

E antes que o meu marido me venha cilindrar com os seus (lindos) olhos de fera: nós já passámos o prazo das renovações. Mesmo assim podemos fazer de conta que qualquer um pode cancelar a coisa a qualquer hora, com aviso prévio de um mês. Acho que vale a pena a ulcerazita que isso nos pode provocar.

13 junho 2010

interpretação dos sonhos

O que é que pode querer dizer o facto de eu andar a sonhar, à vez, que ando a assassinar várias pessoas ou que ando a ser esfaqueada, cortada até ao osso, desgraçada de todo? Só pode ser que, apesar de o meu filho mais novo não me deixar dormir mais de uma hora de seguida, o meu subconsciente ainda tem tempo para muita palhaçada.

11 junho 2010

da minha inexistência

Eu não existo, tanto no plano físico como no metafísico. No físico, não existo porque vivo num país onde todas as mulheres e 33% dos homens têm maminhas maiores do que as minhas. Isto na nação onde a existência feminina se define pelo tamanho do soutien, ao passo que a masculina é mais pela copa DD da conta bancária. No plano metafísico, não existo porque, por mais blogues, feicesbuques, aifaives e outras identidades internáuticas que crie, ninguém se deu ainda ao trabalho de me vir atacar. Sou o pãozinho sem sal da blogosfera. Mais valia quando era a caixa-de-óculos do ciclo preparatório.

(a propósito dos plágios, insultos e invejas que pululam por aí)

10 junho 2010

dia de portugal (visão bastante egocêntrica)

O Dunga anda há 2 meses e tal a tomar um medicamento para o refluxo. No início, era só passar pela farmácia do supermercado e trazê-lo. Recentemente, a companhia de seguros avisou-nos que tinhamos de pedi-lo directamente a eles, pelo que seria necessário uma nova receita. Lá se arranjou a nova receita, que mandei pelo correio para os senhores chupistas, perdão, para a companhia de seguros. Medicamento é que nem vê-lo. E o Diogo agora não quer o leite e não sossega deitado, pelo que as nossas noites têm sido assaz agradáveis.

Isto não aconteceria em Portugal.

08 junho 2010

os tugas vistos de fora

(Diálogo imaginário na piscina. Ou então não. Você decide)

Vizinha 1: "Look, here they come."
Vizinha 2: "Oh, that kid is so cute."
V1: "Check out her bikini. Oh God, it's the tiniest thing I've ever seen. Why won't she wear a regular bathing suit like any other Mom?"
V2: "I think that's what they wear in Europe. And they go topless, too."
V1: "That's sure not gonna happen here."
V2: "And why would anyone bring an infant to a swimming pool?"
V1: "Oh my God, what's that they're eating? Pancakes?"
V2: "I think it's some sort of fish tortilla..."

Gugas! Do you want some more pataniscas?
No, thanks Mummy.

07 junho 2010

deve ser sarna, ou o catano

Não consigo parar de me coçar. NÃO CONSIGO PARAR DE ME COÇAR! Estou com alergia ao sol (não, não é da colecção de cremes que ando a usar, é mesmo de apanhar sol), pelo que parece que vou ter de passar o resto do Verão com uma burqa para poder ir à praia e à piscina com os catraios. Aposto que é tudo maldição da avó do menino mau.

06 junho 2010

ao que uma pessoa chega

Diz que há gente que, de aplicar tantos cremes para isto e para aquilo, da ponta do pé às alturas da testa, fica besuntada ao ponto de não se poder vestir e sentar durante uma hora. E depois resta-lhe vir blogar de pé, no balcão da cozinha. Não arranjes uma vida, não.

Ainda se resultassem...

03 junho 2010

hoje perdi uma das minhas estrelas guia

Grande, grande sacerdote. Um homem ímpar. O meu confissor e mentor na catequese. Professor do meu marido agnóstico. Estou muito triste...

"Não estejas triste mamã, ele foi ter com o Jesus." Pois foi, filho.

quarto mês

Meu pacholas lindão, estás uma bola linda de se encher essas bochechas de um exagero de beijinhos. Entras agora na fase tão gira de bebezão bom, que já rebola, enfia as mãos na boca quase até ao vómito, tenta arrancar-me o nariz, tira a própria chucha, brinca a valer com os brinquedos, faz uma chinfrineira de novos sons e dá gargalhadas capazes de alumiar a face escura da lua. Coisa meiguinha da mãe, só não nos deixas é dormir grande coisa mas, pelo menos, já vais bebendo o teu leitinho com mais afinco. Ris-te mais com as palhaçadas do pai do que com as minhas mas eu não levo a mal, tu lá sabes. Já falta tão pouco para te apresentar a todos os que te aguardam em Portugal! Muitos parabéns pelos teus quatro meses, meu amor pequenino.



ai que vergonha (mãe galinha ao mais alto/baixo nível)

Hoje quer-me cá parecer que ganhei uma bela fama aqui nas redondezas. Tudo porque assustei um menino quase ao ponto do xixi pelas pernas abaixo. Passo a descrever:
Piscina. Um miúdo dos seus 4 anos, muito chato e muito mal aducado que não parava de disparar com a pistola de água contra a cara do Gugas. O Gugas só a dizer "no no no! stop it!", que a ele não lhe dá para as violências, e eu ainda fiz um aviso civilizado que aquilo tinha de parar, que não era justo porque o Gugas não tinha nenhuma pistola. Entretanto, a mãezinha (ou avó ou o raio que a parta) placidamente a ignorar tudo, a cozer ao sol sob um sari até à ponta das pernas peludas. O puto a aparvalhar e a mandar calar o Gugas e, pumba!, sobe-me a mostarda ao nariz, foge-me a chinela para o pé e, de Diogo ao colo, entro pela piscina das crianças adentro e digo, com um tom de voz demasiado enfático para os padrões norte-americanos de convivência: "Ai julgas que és muito mau? Eu sou pior. Não pares com isso, não, que bem te vais arrepender."
Os meus filhos vão sofrer tanto na adolescência por terem uma mãe assim, coitadinhos. Eu juro que gostava de não ser tão reactiva mas está-me no sangue...

01 junho 2010

dia da criança

Quando nascemos, somos a coisa mais querida e linda deste mundo e do outro. Se tudo correr bem, a nossa mãe (e mais um batalhão de voluntários) dá-nos muito mimo e cerca de 437 beijinhos por dia. Depois, vamos crescendo e levamos, pelo menos, um beijinho de "bom dia filha" e "boa noite filha". Mais um pouco e queremos antes beijinhos daquele colega da escola, que até tem dentolas de coelho e é mais pequenote que nós, mas faz-nos palpitar o coração. Com sorte, na adolescência trocamos uns beijos lambusados e, na juventude, uns daqueles que nos fazem tonturas, fugir o chão de entre os pés e pensar que tudo na vida valeu a pena por aquele momento. Depois casamo-nos e há beijinhos de cumplicidade e cansaço, de preferência ainda há alguns dos outros, e passamos nós a dar beijinhos aos nossos filhos. Eles crescem, e com eles vão os beijinhos que, se a coisa correr de feição, voltam com os netos. E o melhor a que podemos aspirar, num dia longínquo, em que fechemos os olhos, é que haja alguém que, nessa altura, nos pouse os lábios na testa uma última vez, com todo o carinho e já muita saudade.
Por que é que este post se chama "dia da criança"? Porque ser criança dá (ou devia dar) direito ao melhor do mundo, que são os beijinhos de coração. Dá-me ideia que depois se tornam uma miragem. E não há presente melhor que este para lhes oferecer neste dia.

30 maio 2010

domingo muito bom (e ainda vai a meio)

Finalmente o Sr. Dom Dunga brindou-nos com uma noite de sono entre as 00:00 e as 7:00 (seguida de 200 ml de leite, tal era a larica). Depois foi pegar numas sandes e ir para a piscina, de onde saímos agora para as sestas - mas voltamos mais tarde! E à noite espera-nos um jantar romântico na varanda, com bruschette, granizado de champanhe e morangos e gelado de Jamoca Almond Fudge. Ai que bom...

29 maio 2010

dormir como uma pedra, ou só como uma pessoa muito cansada

Este post da Ana C. fez-me recordar que até há coisas em mim que nasceram direitinhas, sim senhor. Falo, neste caso, da minha capacidade de dormir. Eu posso não conseguir mexer as orelhas, posso não conseguir estalar os dedos da mão direita, posso ter muitos outros defeitos de fabrico mas, caramba, quando durmo, durmo com muita convicção. De babar a almofada. De começar a sonhar antes de adormecer. De dormir sestas de 10 minutos e ficar retemperada. E graças a Deus por esta capacidade senão, com um bebé a fazer-me levantar toda a santa noite, já andava aí a virar o boneco.

Nada que se compare a esta senhora, no entanto, que consegue dormir quando estão a aspirar o chão junto à cama dela.

28 maio 2010

e se fossem antes apanhar no tutu?

É aborrecido receber sms promocionais, não é? Imaginem lá então num país onde se paga as chamadas/mensagens recebidas... Nomesfeios nomesfeios nomesfeios! Como se não me bastasse ter "herdado" (não sei como) o número de um Pashminder qualquer e passar a vida a receber chamadas de paquistaneses que nunca vi em lado nenhum... É tanta a vontade de lançar o telemóvel à sanita que nem dá para descrever.

27 maio 2010

mi-mi-mi, que é tudo um grande cocó

Lá chegou o dia em que eu começo a dizer mal de algumas portugalidades. Eu não queria, a sério. O meu patriotismo é tão fervoroso que só não tatuo uma bandeira nacional no braço porque não gosto de tatuagens (em mim) e porque não quero correr o risco de passar por skin head - coisa nada improvável se continuar a queda-de-cabelo-pós-parto ao ritmo actual. Mas voltando ao que interessa, gosto muito de Portugal mas há coisas que, a sério, não há pachorra! Por que é que estamos sempre tão insatisfeitinhos com tudo? Por que é que há sempre defeitos a apontar? Há sempre uma porcaria duma unha do pé encravada em cada lusitano de gema, caramba!

(que o final do Lost não prestou, que os Globos de Ouro isto, que a Selecção Nacional aquilo, que o Sócrates aqueloutro. Nhónhós!)

26 maio 2010

onde está o livro amarelo?

Venho por este meio protestar contra o facto de o meu filho mais novo, quase com quatro meses, ainda acordar 2 vezes durante a noite para beber o biberon. Quer se deite às 19h, às 21h ou às 23h. Isto para não falar das outras 17 vezes em que nos levantamos para o tapar/ destapar/ pôr-lhe a chucha/ fazer shhhhh/ ameaçá-lo de o pôr a dormir no armário. É que já não é só estar cansada, é mesmo farta. Fartinha.