05 novembro 2010

uma escolha difícil

O que é pior: uma criança sem maneiras à mesa ou uma criança socialmente desintegrada? Por favor, não respondam todos a segunda opção, que eu gosto de crianças (e adultos, já agora) com bons modos.
Toda a gente sabe que os selvagens americanos comem só com um garfo, na mão direita. E agora, corrijo o Gugas quando ele come com o garfo na mão direita (ele é destro, antes que perguntem)? Ou finjo que não reparo, para não alimentar as diferenças e evitar contribuir para o bullying a que é sujeito na escola?

A respeito do bullying, começo a desesperar. Já tive conversas com professoras, com a directora, já houve um menino que veio pedir desculpa, mas o que é certo é que continuam os empurrões, os insultos, a exclusão de brincadeiras. É de cortar o coração... :(

7 comentários:

Crente disse...

A situação na escola ainda anda assim? E amigos grandes, não se arranja por lá?

Vera Dias António disse...

Olha eu também ando um bocado em baixo com o Ruquinha... Ontem cheguei a casa depois de os ir levar de manhã e até chorei.
O Ruca só fez agora os 3 anos mas é do tamanho dos de 5 (agora as salas têm todas as idades) e ele não se consegue integrar com os outros miudos... no início do ano ele chegou a envolver-se em brigas porque queria tanto integrar-se que lhes batia para chamar a atenção. Conversas em casa mais a especial atenção da educadora e ele parou com as lutas mas agora o Amadeu tem dito que são os outros que lhe batem...
Ontem fui fazer uma actividade na sala para tentar promover a integração dele. Foi bom e percebi algumas dinâmicas, quem são os "mens" da sala e tal... o que vale é que para o ano os que o aborrecem já vão para a primária... o estranho é que eu acho que eles gozam om ele e ele nem percebe bem, não sei... porque há um menino da idade dele mas ele quer é brincar com os grandes...
É uma selva, é o que é... está a custar-me muito vê-los começar a enfrentar a sociedade, a realidade, a parvoalidade...
Percebo perfeitamente o teu coração apertado, é mesmo horrível...

Marta disse...

Oh Gralha é mesmo de cortar o coração! Que pequenos selvagens!!!
Em relação às maneiras à mesa nós estamos muito contentes com a escola que escolhemos para o Francisco, já que todos os meninos têm que levar na lancheira faca, garfo, colher, guardanapo de pano e são ensinados a comer assim (inclusivamente colocam o guardanapo no colo). Não sei se é por ser uma uma escola Montessori ou se é pelo facto de a directora ser mexicana e a professora da sala paquistanesa educada no Reino Unido! Só sei que ficámos felicíssimos e, segundo a professora, há sempre resistência de alguns pais em mandar o set completo já que não entendem o porquê de mandar faca se os filhos vão comer uma sanduíche ou algo semelhante!!!
Geralmente as escolas Montessori distanciam-se, nestes e noutros aspectos, do comum das escolas americanas. Há um grande enfoque na diversidade e no respeito pela diferença do outro! Experimenta ver se haverá alguma na tua área, visita e, quem sabe, te agrade e ainda os possas mudar!!!
Beijinhos grandes,
Marta

Mafalda disse...

E tentar falar com os pais dos meninos em questão? Assim como não quer a coisa "a vossa criançinha é uma selvagem e ai dela que volte a maltratar a minha"? Curiosamente eu achava que os americanos eram bastante cuidadosos em relação às situações de bullying...

Ana C. disse...

Fiquei com o coração encolhido em modo-ervilha, depois de ler isto.
As educadoras não têm controlo nenhum sobre a situação?!!!
Que merda, os putos sabem ser diabólicamente maus.
Que tal ameaçares os putos em questão com um enxerto de porrada?

Melissinha disse...

Gralha, e seria totalmente descabido fazer uma festinha para os meninos da escola? Não sei, como uma operação de charme, para mostrar-lhes que o teu puto é fixe.

Sei que soa a desespero, mas talvez resulte.

Costinhas disse...

eu não corrigia. a questão do bullying é algo com que tens de apertar os responsáveis da escola, mas ao mesmo tempo é ele que se tem de integrar no meio desses miúdos (porque dificilmente eles vão adaptar-se a ele).

não sei mais que te diga. fica um beijinho e o apoio para não baixares os braços