10 novembro 2010

suicídio involuntário

Quais é que são mesmo as fases do luto? Choque, negação, depressão, culpa, ansiedade, agressividade, reintegração. Vou na agressividade. E a "falecida" é a gralha-feliz-numa-vida-anterior.
De repente compreendi um bocadinho melhor por que é que o estar aqui é um fardo que carrego: é que, ao vir para cá, matei a pessoa que era antes. E era uma pessoa relativamente feliz, foi pena. Por que diabo é que alguém se lembra de deixar uma vida boa, arrumada, e partir para o desconhecido para uma vida menos boa, desarrumada, imprevisível, isolada, exaustiva? Até em termos matemáticos o resultado é negativo. E estúpido. Por isso, sim, gostava de ter um tanque para passar por cima de todos os parvalhões que tenho de aturar diariamente. Sobretudo, recuso-me a aceitar que alguma vez me vou integrar aqui. Recuso-me. Detesto isto com cada celulazinha lusitana que tenho.

E estou tão, tão farta desta peninha de mim própria! Peço desculpa pelo constante queixume mas não tenho mais a quem me queixar.

10 comentários:

Crente disse...

Volta :)
Mas aviso já que aqui não se está muito melhor...

R disse...

Olá M.

Sempre tive curiosidade e até alguma vontade em experimentar ir viver para fora de Portugal. Digo para mim que a vida é demasiado curta para viver toda no mesmo sítio mas a verdade é que o nosso cantinho à beira mar plantado é demasiado bom para sair.

Tenho seguido desde sempre o teu blog e esta tua/vossa aventura por terras estranhas e dá para perceber em praticamente todos os "posts" que não estás bem aí, ainda para mais com 2 crianças pequenas longe dos respectivos avós que dão tanto jeito!

Olha tu és adulta e portanto umas das vantagens disso é fazeres o que queres, portanto só tens de pegar no teu homem e nos teus filhos e rumar a Portugal, é fácil basta atravessares o Atlântico e estás logo cá.

Ah e a Clara manda beijinhos ao Gu.

Um abraço ao Luis.

Ricardo (da Sara e da Clara para o caso de não conseguires identificar o nome)

Melissinha disse...

Ó gralha, um abraço daqui. É horrível não estarmos a viver a vida que queremos, eu sei.

Mas em tudo há qualquer coisa de boa, e na fase seguinte hás-de encontrá-la. Vais ver.

Costinhas disse...

sua assassina tuga! como castigo vais ter de aturar mais uns idiotas por aí, pronto está decidido.

(mas olha que depois de mortos todos ficam muito mais bonzinhos. vê lá se não estás a ser levada ao engano :p)

A mãe que capotou disse...

O meu primeiro ano em Paris foi um sonho. No meu segundo ano acordei, e no meu terceiro ano tive varios pesadelos, podia nessa altura, ter escrito um post como este. Cada mês dizia ao francês (com quem partilhava a vida, as ansiedades, as frustações e agora os meus filhos) "Olha, foi giro, mas acho que vou-me embora para a semana". Porque tinha alguns colegas tarados, porque telefonar e e-mailar às pessoas que contam (e estão em Portugal) não é a mesma coisa que as ter ali à mão de semear, porque fazia-me falta o mar, porque bla, bla, bla. Depois veio o 4°,o 5°, o 6° ano e agora ao 7° ja não sei se poderia voltar definitivamente. Bom, todo este palavreado para te dizer que são fases, que o tempo muda tudo, que é facil dizer que a culpa é dos outros. Que a fuga nem sempre é a solução. Também podia dizer outra verdade que é a grande e rica mudança para uma personalidade, que é viver uma experiência destas. Também podia dizer-te que gosto mais de mim por ter vivido isto em vez de ter ficado sempre no quentinho de Lisboa (a bela, mas também a ... bom, tu conheces todos os defeitos e quem diz aqui bem, também diz todos os dias mal).
As grandes diferenças entre as nossas situações:
- Distância
- So tive filhos mais tarde, quando ja estava mais ou menos integrada
- Nunca disse os franceses isto e os franceses isto, nunca tive preconceitos e sempre mantive a cabeça aberta para o que é bom e mau e esperar tudo de todos. Bolas os americanos, os franceses e os portugueses são humanos, ha de tudo em todo o lado. Conheço tanto portuga selvagem e casos de bulling lusitanos.
E se tentasses mudar a tua ideia geral sobre os americanos. Bolas, viste que até o Gugas consegue fazer amigos, nem todos os miudos são brutos.
Bom, era basicamente isto que queria comentar. A vida pode ser facil e bela, mas às vezes é preciso dar-lhe a volta.

A mãe que capotou disse...

O meu primeiro ano em Paris foi um sonho. No meu segundo ano acordei, e no meu terceiro ano tive varios pesadelos, podia nessa altura, ter escrito um post como este. Cada mês dizia ao francês (com quem partilhava a vida, as ansiedades, as frustações e agora os meus filhos) "Olha, foi giro, mas acho que vou-me embora para a semana". Porque tinha alguns colegas tarados, porque telefonar e e-mailar às pessoas que contam (e estão em Portugal) não é a mesma coisa que as ter ali à mão de semear, porque fazia-me falta o mar, porque bla, bla, bla. Depois veio o 4°,o 5°, o 6° ano e agora ao 7° ja não sei se poderia voltar definitivamente. Bom, todo este palavreado para te dizer que são fases, que o tempo muda tudo, que é facil dizer que a culpa é dos outros. Que a fuga nem sempre é a solução. Também podia dizer outra verdade que é a grande e rica mudança para uma personalidade, que é viver uma experiência destas. Também podia dizer-te que gosto mais de mim por ter vivido isto em vez de ter ficado sempre no quentinho de Lisboa (a bela, mas também a ... bom, tu conheces todos os defeitos e quem diz aqui bem, também diz todos os dias mal).
As grandes diferenças entre as nossas situações:
- Distância
- So tive filhos mais tarde, quando ja estava mais ou menos integrada
- Nunca disse os franceses isto e os franceses isto, nunca tive preconceitos e sempre mantive a cabeça aberta para o que é bom e mau e esperar tudo de todos. Bolas os americanos, os franceses e os portugueses são humanos, ha de tudo em todo o lado. Conheço tanto portuga selvagem e casos de bulling lusitanos.
E se tentasses mudar a tua ideia geral sobre os americanos. Bolas, viste que até o Gugas consegue fazer amigos, nem todos os miudos são brutos.
Bom, era basicamente isto que queria comentar. A vida pode ser facil e bela, mas às vezes é preciso dar-lhe a volta.

Anónimo disse...

Estás desculpada.... e espero que me desculpes o palpite e a minha sinceridade...

Bjss
SaraMM

Branco e Negro disse...

Eu também estou nessa, da agressividade. Sé me apetece andar ao estalo a quem me fode a vida.E não emigrei, mas que queria que algumas coisas e pessoas emigrassem de mim, lá isso...

Solidariedade daqui. E queixa-te à vontade. Eu também não me parece que gostasse dessa cena americana.

Um beijo luso

gralha disse...

Obrigada a todos pela solidariedade. Sobretudo aos que se juntaram a mim nos instintos de revolta e insubmissão. É que isto da irritação é como as bebedeiras: sabe sempre melhor quando estamos acompanhados.

cristina disse...

ora bem, fica aki a minha humilde opiniao...
kdo emigrei pela primeira vez, odiei de morte o meu destino (na altura na europa do norte)e sentia k esta era a melhor forma k tinha de me sentir mais proxima da minha patria.
Depois de alguns aninhos (7)e de passar o cabo das tormentas, ja no meu segundo destino (asia)comecei a ver tudo com outros olhos (em bico, lol),tornei-me mais objectiva e consegui ver o meu pais com mais distancia e menos emocao. E senti k nao trai o meu pais, mas foi ele a trair-me, a nao dar oportunidades a mim e aos meus.
Tambem nao me via nos States pk umas ferias chegaram-me para sentir um maior choque cultural do k no oriente...
Apercebi-me k tentar viver paralelamente a vida de cah e lah cansava-me mto, o meu coracao bate agora mais intensamente deste lado desde k aceitei este meu novo destino.