31 dezembro 2008

2008/2009

Nunca liguei à passagem de ano, mas blogue que é blogue tem de fazer o balanço do ano que passou e desejos para o ano que vem. Cá vão.
2008 foi o ano mais cansativo da minha vida, resumindo bastante a coisa. Comecei com 4 cabelos brancos e agora tenho cerca de 20. Isso chateia-me, mas o que me chateia mais é pensar nos 10 meses de constante stress, pressão, muitos sapos engolidos e muito, muito trabalho. O que interessa é que já passou e uma das coisas boas deste ano foi ter arranjado um novo emprego em que me sinto feliz.
É claro que a coisa melhor deste ano foi estar em família, ver-nos crescer como família e cada um dos momentos só nossos. Sempre fui uma pessoa de família e continuarei a sê-lo até ao dia em que estiver a contar estórias aos meus bisnetos, se Deus quiser. É por isso que chego ao fim do ano de coração cheio e a desejar mais desta partilha única que é viver uns para os outros com muito amor, partilha, paciência, incentivo mútuo e sentido de humor.
Não acredito que 2009 venha a ser tão mau como o pintam. Recuso-me a ver as coisas dessa maneira. Há de haver dificudades mas a minha Fé diz-me que estas não serão maiores do que a força que temos para as enfrentar. Venha, pois, 2009, e com ele mudanças grandes - provavelmente de casa, de país, de emprego e, se tudo correr bem, de dimensão do agregado familiar :)
Quanto a compromissos de ano novo, eu sou uma pessoa tão disciplinada que até meto um certo nojo, por isso cumpri os meus para 2008. E os de 2009 são... a continuação dos mesmos, que já são muito exigentes!
A vós, caros leitores do gralha dixit e queridos amigos em geral, desejo-vos um ano cheio de coisas boas, de muita coragem, optimismo, alegria, amor, saúde e dedicação a tudo o que é realmente importante. E boas entradas!

23 dezembro 2008

Feliz Natal

A família gralha deseja a todos os gralheitores o que está reflectido nos nossos olhos:

foto retirada

(amor, alegria, paz e esperança num mundo melhor)

22 dezembro 2008

karma

Eu não acredito no karma.

(uma pausa para comentar que o conceito ocidental de karma é bem diferente do original hindu, mas refiro-me ao que por cá se chama de karma, isto é, "cá se fazem, cá se pagam")

Não acredito que as coisas más acontecem a quem as merece e que se uma criança inocente tem leucemia é porque algum antepassado foi um grande malfeitor - sim, há quem acredite nisto. Eu acredito que há muitas pessoas boas que mereciam muitas coisas boas e que há outras pessoas a quem lhes devia cair cocó de pássaro na cabeça (para dizer o mínimo) todos os dias e isso pura e simplesmente não sucede.
Pois é, apesar de tudo isto, há alturas na vida em que sinto que tenho tantas coisas boas que não mereço. Há momentos em que sinto o coração tão cheio de amor, de alegria, de paz, que parece que vai ter de acontecer uma desgraça muito grande para contrabalançar a fortuna. Agora é um momento assim, por razão nenhuma de especial. Mas não tenho medo. Saboreio só e sinto uma gratidão muito grande :)

19 dezembro 2008

gripe

Coisas de que eu já não me lembrava:

1. Fica-se com uma capacidade infinita para dormir;
2. Treme-se como varas verdes e depois dá-nos uns calores insuportáveis;
3. A comida sabe toda a papel;
4. Consigo estar deitada todo o dia sem que isso me incomode;
5. A RTP1, a SIC e a TVI passam todo o dia a dar lixo. Mas lixo mesmo;
6. Dão-me uns remorsos tremendos por não ir trabalhar (já era assim com a escola);
7. A minha mãe volta a tratar-me como se eu tivesse 5 anos (i.e. quer obrigar-me a comer).

Coisas que eu ainda não sabia:

1. O meu marido é mesmo um cuidador maravilhoso;
2. O meu filhote fica aflito quando me vê quietinha na cama e tenta arrancar-me o edredon para eu sair da mesma e passar o "dói-dói mamã";
3. O meu cão consegue dormir cerca de 18 horas por dia.

Já estou bem melhor. Espero que não chegue a vossas casas como já chegou a tantas outras. Bom fim-de-semana :)

17 dezembro 2008

a primeira grande patifaria

Depois de registar muitas das primeiras gracinhas do Gustavo, parece-me justo vir para aqui fazer queixinhas da primeira vez que ele me deixou lívida e silenciosa de irritação. Senhor Dom Limpinho & Arrumadinho resolveu hoje nem mais nem menos do que meter o meu telemóvel na máquina de lavar. E que asseado que ele ficou, quando o estendi entre as peúgas e as cuecas, ao chegar a casa. Pelo menos não estragou o cartão, vamos ver se a memória de 1 GB cheia de filmes, música e fotos também sobrevive, depois de uma noite junto ao radiador...

Tão lindinho o meu telemóvel. Nem um ano tinha :(

16 dezembro 2008

inveja

Este post não vai ter elevação moral nenhuma, é só para avisar.

Uma gralha anda no ginásio, não é? Até gosta de se esfalfar, de sentir o músculo a tremer com o esforço, coisa e tal. E gosta também de sentir que está a ficar, cada vez mais, um pedaço de mulher (cf. post anterior acerca do problema da imodéstia).
Pois bem, tenho a declarar que fico pessoalmente ofendida quando surgem aquelas serigaitas (como aconteceu hoje) que não só têm pernas esculturais e um rabiosque de rapazinho de 10 anos como umas gigantes mamas que saltitam quando ela faz step. Ou simplesmente quando respira. Eu admito que haja mamalhudas. Eu não sou mamalhuda mas sou elegantezita, vá, tenho as coisas moderadamente no sítio. Agora, é suposto as mamalhudas serem muito gordas. E, já agora, terem um ar brejeiro, de quem não se lava e não é boa pessoa. Mas não. Esta até tinha um ar queridinho, de quem podia ser minha amiga e quiçá ter conversas inteligentes. Parva.

15 dezembro 2008

gugaquático

O que fazer nestes dias gelados e de chuva (hoje mais gelado do que de chuva, caramba que ja nem sinto os dedos)? Ir à piscina, pois está claro. Começámos há duas semanas e o Gustavo fica maluquinho quando vai, está sempre a dizer "maix xina, maix xina!".

foto retirada

Por favor, comentem que o meu marido - sim, o de touca preta ao lado do Guguinha - é muito jeitoso. Para além de ser verdade (mesmo com touca de natação na cabeça), foi a condição que ele impôs para aparecer aqui. Como vêem, a modéstia é o forte da nossa família.

12 dezembro 2008

volta marlene

Não é só pela tua doçura. Nem é pela serenidade do teu olhar. É muito mais do que pela simpatia com que enches a minha casa quando entras, pela tarde. E já nem falo da brandura dos teus gestos, da generosidade da tua entrega,

Marlene,

volta depressa porque estou farta de passar a ferro, aspirar, limpar o pó, esfregar a sanita, limpar as prateleiras, lavar os vidros, levar os sacos da reciclagem, pulir o fogão e aprumar a casa em geral.

11 dezembro 2008

gralha tóxica

Faço mal à saúde do meu homem, só pode. Vem a Segunda-feira, tudo fino. Terça, Quarta e Quinta, na maior. (Friday I'm in love - Vera, esta é para ti!) Sábado a coisa começa a tremer e, pumba, ao Domingo fica sempre esverdeado e agoniado. Só pode ser do contacto comigo, não? Quando me perguntam por ele agora já respondo: "ah, sim, obrigada, já está um bocadinho melhor do Domingo."

09 dezembro 2008

abram alas para a gralha II

Desta vez, não atententei contra a vida de nenhum membro do clero, só entrei no parque de estacionamento do Colombo sem tirar ticket (i.e. colada ao carro da frente). A sério que foi sem querer. A sério que não estava a tentar imitar o McGyver.

04 dezembro 2008

semana para esquecer

(e ainda só é 5ªfeira)
Alguém sabe se há maneira de tirar vomitado de livros?
É que nem me apetece dizer mais nada. Adeuzinho, até melhores dias.

02 dezembro 2008

o meu pequeno vampiro

Será um pássaro? Será um avião? Não, é o Guguinha, o super-vampiro!
Estou a brincar mas a verdade é que estou mesmo triste porque o meu pobre filhote teve um acidente. Ia a andar calmamente pelo passeio, na risota, tropeçou e aterrou de cara no chão. Resultado: partiu os dois incisivos centrais superiores e agora parece mesmo um pequeno vampiro. Meu pobre filhinho... Ele nem se queixa muito mas aquilo deve doer-lhe porque anda com pouco apetite. Já o levámos à dentista e não há reconstrução possível, só aguardar pelos dentes definitivos e medicação para evitar outras complicações... Pobre, pobre Guguinha...

Depois do meu post sobre as crianças super-protegidas isto poderia fazer-me sentir muito culpada - mas a verdade é que o que aconteceu poderia acontecer a qualquer um de nós. É desesperante, mas a verdade é que os pais não conseguem proteger os filhos de todos os perigos.

28 novembro 2008

carta ao pai natal

Querido Pai Natal,

Acho que já não te escrevo há coisa de uns 17 anos. Será que podes juntar a boa vontade toda desse período para tratar dos meus pedidos de agora? Obrigada e cumprimentos aos duendes,

gralha

p.s. Falta a lista de presentes, cá vai:

Uma viagem à Costa Rica
Um apartamento t4 em frente ao rio, aquele com piscina e terraço que eu ando a mirar (se não tiveres a certeza qual é, pode ser outro parecido)
Uma carrinha Peugeot 307 SW prateada
Um cheque Fnac de 1000 euros (a lista de livros e CDs é longa, sempre te poupo trabalho)
Um vale de livre trânsito num ginásio + spa durante 1 ano
Uma prancha + fato de surf
Mais um(a) filhote(a)

27 novembro 2008

abram alas para a gralha

Espero bem que o Papa, o Dalai Lama ou o próprio do Maomé não estejam a pensar vir dar uma volta por Lisboa nos próximos dias porque eu ando a fazer pontaria com o meu Ferrari a tudo o que é personagem religiosa. Hoje consegui não menos que a proeza de começar a manhã a buzinar desenfreadamente a duas freiras (e logo das boazinhas, tinham acabado de dar um saco de pão a uma senhora) e terminar o dia a fazer sinais de luzes ao meu padre preferido. Tenho cá para mim que Deus me anda mesmo a querer dizer que tenho de ser menos impaciente no trânsito.

26 novembro 2008

falar do tempo

Ah, e tal, já não é Verão. Ah, e tal, ainda falta um bocado para o Natal. Isto para nem falar das férias. De modo que, nesta altura, não há muito mais para falar do que acerca do tempo. Está frio, mas não demasiado. Não tem chovido muito. O Verão foi tímido mas o Inverno não se adivinha rigoroso.
Pronto, já chega (ainda alguém está a ler?). Já toda a gente que me lê deve saber que não gosto de frio e menos ainda de chuva. Sou uma gralhatropical. Calcem-me umas havaianas, ponham-me uns óculos de sol e dêem-me um mojito e é ver-me a abanar as penas. Mas agora não dá, paciência. Por isso, tricoto enquanto vejo o Dr.Phil para descobrir que o mundo inteiro parece ser louco (menos eu). Bebo chá de cidreira. Penso que devia era ler/ escrever/ tocar piano ou fazer outra coisa mais produtiva mas qualquer uma dessas opções implica gelar as mãos. Venha o Verão para eu fazer alguma coisa de jeito com o meu tempo. E vocês, como sobrevivem ao Inverno (ainda Outono, ainda por cima)?

24 novembro 2008

quanto dura uma redoma?

Coisa que sempre me meteu "espéce" foram os pais super-protectores. OK, eu peco por defeito e deve ser por isso que o meu filho caiu uma vez da cama, uma vez do meu colo e anda constantemente a dar cabeçadas em todo lado e a coleccionar nódoas negras - e nem pia. Mas antes que a protecção de menores me venha retirar o desgraçado, deixem-me só dizer que acho que uma criança precisa mesmo de espaço para crescer; precisa de fazer um montão de disparates; não precisa de partir nenhum osso mas é provável que vá fazer arranhões; e é de esperar que, mais tarde, um adolescente faça muitas coisas estúpidas - caramba, já adultos continuamos a fazer coisas estúpidas, por que é que não podemos fazê-las antes?
Isto tudo porque me parece que conheço cada vez mais pessoas que colocam os filhos numa redoma de cristal e tentam protegê-los a todo o custo. Sempre em colégios privados, para onde vão de automóvel com ar condicionado, de onde saem para apartamentos em condomínios fechados. Vão para a universidade e continuam a dar-se com as mesmas pessoas, do mesmo meio. Quase não saem à noite. Nunca apanham uma bebedeira. Nunca tiraram um chocolate num supermercado. Nunca espirraram sem pôr a mão à frente e nunca, por nunca, cuspiram para o chão. O problema é que o mundo real bate à porta mais dia, menos dia e ser um grandessíssimo totó não garante as melhores competências para lidar com isso.

Pronto, agora o mais certo é eu acabar por tornar-me a maior das mães-galinhas, apesar do discurso...

21 novembro 2008

o tempo e o lugar certos

Até há 4 horas e 32 minutos atrás (mais segundo, menos segundo) tinha a ideia romântica de que, se pudesse escolher, deveria ter nascido na Idade Média, possivelmente em Inglaterra ou numa cidade italiana (num castelo, evidentemente - para pelintra já me basta a realidade). Ora bem, mudei de ideias. Obrigada, muito obrigada às Alturas por me terem feito nascer aqui e agora, porque eu não aguentava certas atitudes de antigamente. E para antigamente não é preciso ir ao século XII, basta mesmo falar com pessoas do início do século XX, como me aconteceu hoje.
Em situação de trabalho, tive de lidar com um senhor que, do alto dos seus 82 anos e de um título de engenheiro, se sente no mais natural direito de tratar qualquer fêmea - ainda que (nem ele sonha) tenha mais qualificações e certamente mais educação que ele - abaixo de cão. A sério, nunca me tinham tratado com tanta arrogância, soberba, indiferença perante a pessoa digna de respeito que eu sou, como qualquer outra pessoa. Pronto, devo ter tido sorte até agora. É que palavradonra que fiquei fisicamente mal-disposta.
Besta.

20 novembro 2008

prototecnomãe

Perante a iminente diáspora dos filhos, a minha mãe decidiu-se finalmente a aprender a funcionar com a Internet e afins. Para além de ser giro explicar coisas como "quando o bonequinho está verde significa que a pessoa pode falar contigo", isto quer dizer que tenho de começar a escrever posts mais family-friendly porque não deve tardar muito que eles me entrem pelo blogue adentro. E o pior é que não tenho tempo para ir caçar as asneiras todas que escrevi ao longo destes quase 3 anos.

18 novembro 2008

o meu pequeno beato

A creche do Gustavo é na minha paróquia, pelo que ele se habituou desde pequenino a sinos a tocar (como se não bastasse o que toca à porta de minha casa desde as 8 da matina!) e a passar junto à igreja. No outro dia fui buscá-lo com a minha avó, que quis entrar um bocadinho na igreja. O Gustavo deve ter-se sentido chamado pelo Senhor porque, mal entrou, desatou a correr para o altar e foi difícil tirá-lo de lá. Desde esse dia, passamos à porta e ele diz sempre "maix xexux! maix xexux!". Estás a ver, Vera? Eu bem digo que os nossos filhos vão ser colegas de seminário ;)

O meu rico maridinho é que não vai achar graça nenhuma a este post. Mas é verdade, o que é que eu posso fazer?

14 novembro 2008

outono na cidade

Este post também se podia chamar "notícias nossas". Hoje ficam com fotos (não muito boas, desculpem lá).

foto retirada

A brincar no parque infantil com as bochechas cheias de castanhas assadas.

foto retirada

O nosso jardim tem cães a passear, crianças a brincar, árvores com folhas amarelas e graffiti.


Os primeiros graffiti do Gustavo na casa-de-banho.


O meu homem vai-me trocar pelos cowboys durante uma semana (o que pode ser preocupante, depois de se ter visto o Brokeback Mountain) mas soube deixar saudades :)

Bom fim-de-semana!

12 novembro 2008

diz-me com quem blogas...

Nesta coisa da blogosfera, define-se muito de quem somos (pelo menos bloguisticamente) pelos links que decidimos mostrar na nossa barra lateral. O que dirão de mim as seguintes estatísticas?

Dos 55 blogues que acompanho actualmente, 2 são fóruns (de bebés, claro) e os restantes são pessoais ou colectivos, de diversos temas.
30 são mães. 4 são pais. 4 envolvem grávidas.
1 é um padre católico. 1 é a mulher de um pastor baptista. 4 são agnósticos assumidos.
1 é homossexual. 1 é bissexual. 14 nunca falaram de sexualidade.
4 são assumidamente de esquerda. 4 de direita. A maioria não fala de política.
4 são realmente engraçados. 1 é neurótica. 3 são muito rezingonas.
7 escrevem muito bem. 7 são artistas plásticos. Não faço ideia da profissão de pelo menos 12.
8 estão emigrados. 2 são estrangeiros.
9 são nitidamente felizes. 7 estão um pouco deprimidos.
5 conheço pessoalmente. De 33 deles, nunca lhes vi sequer a cara.
1 pessoa enerva-me porque não posta (sim, tu!). Há 4 cujos posts nunca comentei.
Todos eles têm entre os 20 e tal e os 40 e tal anos. Nem todos eles sabem que eu existo.
Afinal de contas, o que é que esta variedade diz de mim? Não sei. Mas que sempre achei interessante todo o tipo de pessoas, lá isso é verdade.

10 novembro 2008

elefante numa loja de porcelana

Sempre fui especialista em criar situações um pouco embaraçosas em público mas há muito tempo que fazia uma destas: estava ontem o casal gralha a assistir na primeira fila a um concerto na Gulbenkian, tudo muito lindo, muito intelectual e isso. Resolvemos vir-nos embora entre o Tchaikovsky e o Gershwin porque tinhamos de ir buscar o gralhinho.
O problema foi que a gralha deixou a mala no lugar onde estava sentada e que, entretanto, foi ocupado por um simpático casal de meia idade. Pata ante pata, reentrei na penumbra do concerto e perguntei ao casal se não tinha encontrado a minha mala. Disseram que não mas, quando eu já vinha a imaginar que devia ter sido roubada por um dos patos do lago a quem nunca me lembro de levar pão (como fazia quando tinha 5 anos), levantaram-se e, não muito discretamente, disseram: "está aqui!". Pegaram na minha mala com um sorriso triunfante, eis senão quando todo o conteúdo da mesma se espalhou pelo chão, mesmo em frente ao piano e quase fazendo tropeçar a violinista (pronto, esta parte é exagero), que pararam de tocar e me miraram com um olhar fulminante (esta parte já não é tanto exagero). Pata ante pata, lá voltei para ajudar os senhores a recolher telemóvel, três jogos de chaves, quatro lenços ranhosos, agenda, porta-moedas, óculos de sol, rádio do carro, máquina fotográfica, desodorizante, batom hidratante, pen drive e documentos do carro, fiz o meu sorriso número 7, murmurei umas desculpas e raspei-me dali para fora. É por causa de bestas como eu que a cultura nacional está neste estado.

06 novembro 2008

as grandes questões do momento

Será que no próximo Verão vai fazer calor a sério?
A recessão começa já para o ano ou ainda haverá só abrandamento da economia?
Quais os ingredientes da pizza que o meu homem vai fazer amanhã?
Será que ainda vou receber um certo telefonema que gostava de ter recebido na semana passada?

Mas a mais importante, que está a deixar o mundo em suspenso: Será verdade que a Pipoca e o Arrumadinho têm um caso?

Quem precisa de telenovelas quando se tem a vida real e uma coisa parecida com isso (a blogosfera)?

05 novembro 2008

uma razão para sorrir

Quero agradecer do fundo do meu coração aos eleitores americanos. A sério, até me deu vontade de chorar quando soube que o Obama tinha ganho.
É claro que eu não estou à espera de grandes mudanças. Mas tenho esperança que ratifiquem Quioto, que repensem o sistema de protecção social, a política externa e muitas outras coisas. Sobretudo, tenho esperança que esta que é, incontornavelmente, a mais influente potência mundial melhore um pouco da miopia em relação a tudo o que se passa na vida real, no mundo para além da América do Norte.
Obama, fofinho, não nos desiludas muito, está bem? Cá um beijinho à gralha.

Adenda: OK, o homem não podia ser perfeito, arranjou um vice-presidente que é sionista...

04 novembro 2008

desdobramentos do eu

(oh não!, lá vem ela com um post pseudo-filosófico)

Depois de sair do ginásio hoje - depois de 3 anos, um filho e alguma massa gorda extra - atravessei as ruas de cór, sem ver a altura dos passeios nem reparar se as sebes do jardim estavam aparadas ou os carros estacionados na passadeira. Quando regresso a lugares que já foram muito meus, sinto que estou naquele anúncio de um automóvel qualquer (pelos vistos, o anúncio é bom menos na parte de me fazer decorar a marca do carro) em que este se desdobra e vai um para um lado fazer uma coisa enquanto o clone vai para outro lado fazer outra coisa qualquer. Cada um dos nossos eus continua a existir numa realidade paralela mesmo quando mudamos de vida, de casa, de emprego e começamos a fazer coisas completamente diferentes. É, não é?

03 novembro 2008

a renovação da gralha

Terminei as transformações que faltavam para entrar em pleno nesta fase da minha vida: aparei as penas e inscrevi-me no ginásio. Mais alegria esta semana só se for pelo Obama (quase, quase que rimava).

Ah, claro, pagaram-me. Tive de fugir a correr com o cheque, mas pagaram-me.

31 outubro 2008

luxo

Depois de o Outono ter perdido a graça ao fim dos primeiros dias de frio e chuva, estou comendo trufas de chocolate. Hoje li, toquei piano e olhei durante bastante tempo para as paredes do meu quarto, enquanto desenterrava e voltava a enterrar fantasmas do passado. Isto, para mim, senhores, é a definição de luxo. Tenham um excelente fim-de-semana.

29 outubro 2008

a revolta do proletariado

Seja qual for o emprego por onde passo, deixo tão boa impressão, tão boa impressão, que eles nunca me querem deixar vir embora. Só pode ser isso que explica a teima em não me pagarem o que é devido, não é? Ah, não, afinal é mesmo a unhisse de fome típica das empresas portuguesas.

Sim, é verdade, este é o post em que eu venho para aqui lavar roupa suja. E já estão eles com muita sorte que eu não exponha nomes.

Ora então, da última vez, queriam os senhores que eu pagasse, repito, que EU pagasse à saída. Pois, está claro que sim. Ameaçazinha de processo em tribunal do trabalho e lá ficámos com contas feitas. Desta vez, o pessoal é académico, e tal, logo, é mais requintado. É um estilo de trafulhice mais erudito. Não me pagaram (ainda) mas é por razões que derivam consequentemente da questão ocasionada por motivo da situação pendente.
Não estivesse eu na mais absoluta penúria desde o passado mês de Agosto e mandava aquela Academia toda a vários sítios bonitos que não posso designar porque isto é um blogue bem-educado. Assim, são diversas as ideias que me passam pela cabeça, que vão desde o insulto exibicionista em praça pública (incluindo, possivelmente, uma amostra das minhas nádegas no meio da universidade) à subtracção de equipamento pertencente à entidade patronal - infelizmente, não há nada no valor do que me devem, mas a Nespresso e o ar condicionado portátil ficavam bem mimosos na minha cozinha.
Mas não, o meu tipo de banditismo será mais refinado. Na verdade, quase que tenho vontade que não me paguem mesmo, só para poder pôr em marcha o meu novo plano maquiavélico. MUAH-AHA-AH-AH!

28 outubro 2008

e cá vamos andando

Gente, a sério que fiz a Av. da República para trás e para a frente - e olhem que hoje havia bastante trânsito - a pensar no que é que havia de escrever aqui hoje, mas não me lembrei de nada. A vida vai boa. Espero que convosco também. Tenho de arranjar um novo seguro automóvel. A carne assada que fiz ontem ficou daqui (visualizem-me a puxar o lóbulo da orelha direita). Está uma ventania desgraçada mas estou no quentinho. O Weeds está cada vez melhor, com direito a reincarnações do Moisés e um Presidente da Câmara que levaria, certamente, o meu voto. Aliás, acabei de decidir que quem não gosta do Weeds é choné. Pronto, é isto. Tenham uma boa semana.

23 outubro 2008

dezanove meses e uns dias

Olhas para mim com o teu ar inquisitivo, num silêncio penetrante, mas sou eu quem parece que te compreende cada vez menos, filho. Ainda não me habituei a ti já tão pouco bebé, desculpa lá. Às vezes sinto-me tonta por te repetir que és lindo-lindo-lindo-amor-do-meu-coração. Já pedes mais, não é? Pedes que te diga como me orgulho da pessoa já tão crescida que és agora. Desculpa se não abdiquei ainda de te abraçar de manhã como se fosses um bebé pequenino, como quando mamavas. Mas é que acho que tenho direito a um bocadinho mais de bebé. Por isso, gosto de ti assim crescido, rapagão, testando-me. Correndo pelo corredor com um capacete e uma mota imaginários. Inventando palavras que demoro a compreender. Mas tambem gosto de ficar a ouvir-te respirar docemente enquanto dormes, quando volto a casa.

22 outubro 2008

trabalho e emprego

Passo então a esclarecer os visitantes do gralha dixit:
O meu novo emprego é de administrativa, ou uma categoria semelhante, sei lá. É uma posição que consiste em atender telefones, sorrir ao público, receber pagamentos e preencher elementos numa base de dados.
O meu novo trabalho é escrever. Leio, leio, leio até encher a maré. E depois escrevo, escrevo, escrevo até ela vazar.
Tenho uma vida dupla, portanto. A certas horas do dia (e da noite), sou um ser social que comunica com as outras pessoas, ganha um ordenado e tenta fazer funcionar a infraestrutura de uma família. A outras horas, fecho-me com o computador e desapareço para o mundo. Escrever é o segundo acto mais solitário que conheço (o mais solitário, adivinhem). Faz-me perder a noção do tempo. Faz-me desconstruir a realidade para voltar a construí-la. Faz-me ver tudo de novo como se tivesse acabado de nascer. Faz-me mal, porque custa. Faz-me bem, porque é isso que preciso de fazer agora. É respirar com as pontas dos dedos.

É claro que isto significa que os meus posts se vão tornar mais labirínticos, intimistas e imprevisíveis. Olhem, é a vida. Pelo menos é a minha. Mas prometo ir dando notícias do Guguinha às "tias" que só sabem dele por este meio.

21 outubro 2008

vermelho

sangue. vida. verão. vaidade. ímpeto. coragem. ousadia. extravagância. alerta. urgência. ganância. fome. sede. sexo. cheio. tudo. mais. e mais ainda.

Estava demasiado vermelho. Agora atira-se para o ocre. Não há meio de encontrar o tom de vermelho da minha alma e do meu template mas vou continuar à procura.

20 outubro 2008

gralha - new season

Não é só porque sabe bem deixar de usar o despertador. Nem é pela suavidade dos pequenos-almoços na cama, de sumo-tostas-e-café com livro. Nem sequer é só por ter tempo para brincar com o Gustavo de manhã, antes de o levar à escola (ainda por cima, com este tempo lindo). A minha vida nova que começa hoje é boa boa boa porque passei a ter tempo e espaço para mim. Posso arejar ideias. Posso observar as coisas à minha volta. Posso pensar, sonhar, especular, intuir. Ou, simplesmente, não fazer nada, e ficar apenas a admirar as folhas amarelas que se acumulam no jardim. A minha vida agora devolveu-me o que já não tinha há muito tempo: a mim. Sejam benvindos a este novo episódio.

A quem já está com vontade de me chamar parasita social: continuo a trabalhar, homessa! Tenho é um horário e um emprego diferentes.

14 outubro 2008

ah pois é

E ao terceiro dia de trabalho, o meu substituto no meu antigo (mas ainda actual) emprego desabafou: "ah, já estou a perceber por que é que se vai embora". E eu que achava que era mariquice minha ...Not!

Quero desde já pedir desculpa a toda a gente a quem nunca mais disse nada, deixei de comentar posts, responder a sms e e-mails, mas - será que ainda querem ouvir isto? - ando mesmo desgraçada de tempo. Para a semana fico plenamente dondoca, aí logo apareço.

10 outubro 2008

obrigada trinny e susannah

Hoje podia estar para aqui a queixar-me desta semana mas até a minha capacidade de choraminguice está cansada. De modo que vou esquecer toda a correria, todo o stress, todo o desespero e vou concentrar-me apenas na coisa mais positiva que me aconteceu esta semana, e que passo a relatar: fui às compras (de roupa) e não saí do centro comercial com vontade de chorar. Atenção, isto é um passo de gigante na minha vida.
Duvido que haja alguém que deteste mais fazer compras do que eu, o que leva a que o meu guarda-roupa seja constantemente escasso, fora de moda e em estado de decomposição. Mas isso é coisa do passado, minhas amigas (presumo que qualquer leitor do sexo masculino já tenha desertado a esta hora). Depois de duas semanas a ver a Trinny e a Susannah enquanto almoço, que agora é às extremamente infantis 11h45 da manhã, resolvi que o meu armário tinha de levar uma volta. E assim foi. Estou muito orgulhosa por, no espaço de uma semana, ter comprado:
um par de sapatos
um vestido
uns collants
uma blusa
dois pares de calças
Adivinhem lá qual foi o segredo para tanta eficiência?
hipótese a) estou cheia de dinheiro e não sei que destino dar-lhe
hipótese b) fui de olhos vendados
hipótese c) comecei a gostar de me ver ao espelho
hipótese d) fiz implantes de silicone e retirei 500gr a cada nádega
hipótese e) resolvi não experimentar nada e demorei uma média de 3 minutos entre a entrada e a saída de cada loja, comprando comprando que nem uma maníaca

Aviso já quem não acertar que nunca mais sou vossa amiga.

E depois do post mais gloriosamente fútil de 2008, só volto quando tiver uma vida normal de novo. Beijinho beijinho.

06 outubro 2008

afinal ainda faltava eu ficar coxa

Desculpem lá, leitores, mas isto a minha vida agora anda (coxeia) pelas ruas da amargura por isso não consigo escrever nada melhor. Qualquer dia volto com posts super animados, que vos fazem querer sair da cama de manhã só para abrir o gralha dixit; que fazem o sol brilhar com mais intensidade; que dão um novo significado ao conceito de blogue; que contribuem para uma verdadeira revolução literária internacional.

(pronto, pelo menos o meu ego continua lá pela ionosfera)

02 outubro 2008

acerca do casamento entre homossexuais

Mas por que é que dois adultos responsáveis e sem compromissos não hão de poder assinar um papel a dizer que querem viver juntos para o resto da vida (ou até se divorciarem) e que, quando morrerem, os bens que deixarem ficam para o outro? É que parece tão simples que não consigo mesmo compreender a dúvida.

29 setembro 2008

não está fácil

O que é que estava a faltar numa semana em que o marido entrega a tese de doutoramento daqui a 5 dias, a nossa empregada vai-se embora, e eu acumulo o emprego antigo com o novo?
Isso mesmo, acertaram, uma virose para toda a família - a começar no piolho, a passar ao de leve pela mãe e a saltitar alegremente pelo pai, tio, avó e mais quem se quiser juntar à festa. Ai...

adenda: e pela outra avó, pela bisavó...

26 setembro 2008

agridoce

A hora da partida tem um sabor outonal: é tempo de recomeço mas também de despedida de muitas coisas boas que ficam para trás.
Eu não tenho jeito para despedidas. Apresso-me, faço-me de indiferente e irradio optimismo enquanto revivo cada manhã, cada esforço conjunto, cada ataque de preguiça, cada luta de gelatina, cada abraço e cada sorriso com um nó na garganta e uma represa de lágrimas nos olhos.

23 setembro 2008

pequeno-almoço

Desde o início do Verão que acordo mais cedo. Sem sono. Já converti a ideia de insónia em falta de necessidade de dormir mais. É bom. Tenho meia hora de dia só para mim e para o Matias, que não é de grandes conversas e deixa-me estar sentada ao balcão da cozinha, a passar manteiga nas torradas e a beber a minha chávena de café. Esta semana também bebo sumo de laranja e isso faz toda a diferença.
Tudo isto a propósito deste blogue, roubado deste outro. Pronto, hoje é só isto que tenho para dizer.

22 setembro 2008

mudança de emprego

É bom saber que vou deixar em breve este trabalho que nunca teve nada a ver comigo. Aquilo que vou fazer não é ainda o que desejo, mas permite-me ter um horário bem mais agradável e procurar calmamente alguma coisa que me realize, de facto. Entretanto, pode ser que consiga passar da terceira página do livro que estou a tentar escrever...
Vai custar-me muito deixar as pessoas com quem convivo diariamente há 3 anos e meio, que se tornaram verdadeiros amigos. E vou sentir uma certa nostalgia por deixar a universidade para onde entrei há 11 anos. Mas já chega. É tempo de mudança. Sinto paz e entusiasmo com esta nova fase. O resto, só o futuro dirá.

Boa semana :)

19 setembro 2008

finalmente

Como poderia dizer um pacote de açúcar da Nicola:
Um dia despeço-me deste emprego que me stressa e faz infeliz.
Ontem foi o dia.

:)))))))))))

(Adeus contabilidade, adeus mapas de tesouraria. Espero não voltar a ver-vos NUNCA)

16 setembro 2008

coitadinhos dos mauzões

Depois do Paulo Pedroso, o Estado foi agora condenado a pagar uma indemnização ao Pinto da Costa. Acho que o Capitão Gancho, o Bafo de Onça e a Bruxa Má estão com boas hipóteses de meter dinheiro ao bolso.

(e eu sou do FCP!)

regresso às aulas

Por que é que chega a esta altura do ano e tenho sempre de reorganizar (apagar...) a minha lista de links?
Por que é que, não conduzindo os alunos menores de 18 anos (a maioria deles, pelo menos), o trânsito fica uma grande desgraça?
Por que é que um cabaz de livros escolares para o 8º ano pode custar 300 euros?
Por que é que o meu local de trabalho tem de voltar a estar empestado de licenciandos (irritantezinhos, de pele luzidia e com aquelas calças de gancho pelo joelho)?
Por que é que a Internet não funciona decentemente há já uns bons dias?
Um gigante puáááá para esta altura do ano, é o que é.

15 setembro 2008

este fim-de-semana

Porque a vida da gralha não é feita só de acontecimentos extraordinários e eu sei que vocês adoram ouvir-me gralhar acerca de banalidades, eis o nosso fim-de-semana:

Passeios
Sestas trocadas
Dentes que-nascem-não-nascem-mas-moem
Um casamento muito original num sótão
Um grande susto com um balão a rebentar
Lanches-jantares feitos de tostas com queijo, sumo e queques de cenoura
Uma cerveja que me salvou de um ataque de alergia
Mais passeios
Um almoço surreal (mas este dá para um post por si só)
Filmes de Domingo à tarde
Mais lanches com amigos
Fim-de-tarde na Feira, com pão-com-chouriço e coelhos e chinchilas (nem tudo isto foi comido, descansem)
Filmes de Domingo à noite, que terminam sempre com uma mancha de baba (minha) no ombro (dele).
Gosto disto assim.

12 setembro 2008

18 meses

Filhote querido, já tens um ano e meio! Continuas lindo e matulão, agora um pouco menos bolachudo - mas isso confirmará a pediatra na próxima semana. Ainda estou a ver se me habituo a lidar com o que, de repente, é um rapaz com muita vontade própria (eufemismo para birras a toda a hora, por tudo e por nada), mas de alguma forma, isso também me enternece porque significa que estás a crescer e a aprender quem és. Sei que te conheço melhor do que me conheço a mim. Por isso, cada conquista, cada gritaria, cada nova palavra, cada disparate, cada mimo abrutalhado que me fazes é mais um marco na tua História. Continua a ser assim, está bem meu amor?

foto retirada

09 setembro 2008

dá-se cão

Raça Beagle, tricolor, amigo das crianças, quase 8 anos de idade, em bom estado.

(...e ainda: gordo, teimoso, apetite voraz, desobediente, deficiência no maxilar, tendência de fuga, morde - mas só aos donos -, fiteiro, aldrabão, não especialmente inteligente, problemas cardíacos, larga bastante pêlo, tem medo de guarda-chuvas e de sacos de plastico, propenso a otites, de vez em quando lá dá ao rabo quando chegamos a casa)

Pronto, não estou a falar a sério. Acho que quando se tem um cão, é para o melhor e para o pior, não há cá divórcios. Além disso, o Gustavo adora-o.

(mas quando chego a casa e há um xixi-de-raiva no cesto da roupa suja, ai que começo a fantasiar pôr um anúncio no jornal Ocasião, começo)

só um pouquinho de política

Pelos vistos, não sou só eu que sinto que este senhor se acha o novo senhor do universo que, do alto do seu palmo e meio, abraçado a uma Josefina toda jeitosa, anda por todo o lado num patati patata, com a mania que vai resolver os problemas dos mundo.
Ei, Sarky, aposto que isso tudo começou desde que perdeste as eleições para delegado de turma no 7º ano, não? Meu caro, a mim também ninguém escolhia para as equipas de educação física e não foi por isso que fiquei com a mania das grandezas.

05 setembro 2008

coisas bonitas

É ao encontrar blogues como o da Ana Ventura que eu fico com muita vontade de dar cabeçadas na parede por não ter tido a coragem de seguir um percurso profissional mais criativo. O eterno problema do meu medo da mediocridade...

04 setembro 2008

hoje não sei o que escrever no título

Isto o facto de ter bebido chá ontem à noite e de estar a ouvir Corinne Bailey Rae logo pela manhã só pode querer dizer que até estou a aceitar bem o facto de o Verão estar a acabar, não é?

Não. Baza chuva.

p.s. Alguém sabe onde posso comprar babygrows 2-3 anos?

01 setembro 2008

bocadinhos das férias

fotos retiradas

Volto com um rapazolas vidrado em motas, cada vez mais activo, cada vez mais curioso, cada vez mais meiguinho. Finalmente, e de súbito, aprende a dizer palavra atrás de palavra e já percebe tudo. Vai custar-me deixá-lo amanhã na creche depois de um mês quase marsupial. Mas sei que vai correr tudo bem.
Sai uma salva de palmas para o creme protector 50+, que conseguiu manter o meu branquelas quase da cor do papel apesar das duas semanas de sol. Um grande obrigada aos meus pais, que tomaram conta não só do neto mas também da filha, para que esta pudesse descansar - e não voltar igualmente da cor do papel. Um beijinho muito grande para o meu rico maridinho que não foi de férias porque esta a esmifrar os miolos para acabar o doutoramento em breve. E boas vindas a todos os que estão de regresso como eu. Não custa nada, pois não? :P

cá estou

Chovem e-mails. Depois já conto das férias mas adianto que foram boas e descansei, que é o que se quer. Até já.

14 agosto 2008

uma questão de instinto

Se toda a gente sente necessidade de comer
De beber
De dormir
Por que é que nem toda a gente sente a urgência de ter filhos?

É que o sexo pelo sexo está para a reprodução como a pastilha elástica para um bom jantar.

E com esta vos deixo, rumando para Sul durante duas semanas. Vá, podem começar a atirar tomates e ovos podres às minhas ideias tão reaccionárias.

10 agosto 2008

...e mais disto

foto retirada

Passeios, passeios, passeios. Jardins, tejo, museus, parques. Ainda nem saímos de Lisboa. O descanso está a saber bem e, para já, é só disso que preciso.

Outra coisa: sou só eu que fico com a lagriminha a escapar quando aparecem os nossos atletas nos Jogos Olímpicos? É que nem precisam de ganhar nada, só o equipamento vermelhiverde já me dá vontade de lhes dar beijinhos.

04 agosto 2008

nós andamos a fazer disto

foto retirada

Vou passando por cá sempre que conseguir levantar um dedo preguiçoso para escrever qualquer coisa. Boas férias a todos os que estão de férias e... coragem aos que não estão.

(Obrigada T. pelas fotos)

01 agosto 2008

nem tenho palavras

Para expressar o que significa entrar de férias hoje. É mais que alívio, alegria, sobrevivência, incredulidade... é respirar de novo.

(cerebrozinho querido: será que agora podes parar de acordar-me de madrugada a rever cálculos e a recordar bonitas folhas de Excel? Obrigada e vai lá de férias também)

31 julho 2008

quem meu filho beija...

Neste ano lectivo, houve duas vezes em que saí da creche do Gustavo com a lagriminha no canto do olho: no primeiro e no último dia. Acho que é muito bom sinal.

(ele, em compensação, não chorou uma única vez quando o deixei)

À C. e à S., o meu muito obrigada do fundo do coração por cuidarem, promoverem e acarinharem o meu filho como se fosse vosso.

29 julho 2008

creche "o despertar": maus tratos a bebés

Há um ano atrás estava na dúvida se havia de pôr o Gustavo na creche onde está agora ou na "O Despertar". Ao ler esta notícia hoje, e ainda em choque, dou muitas, muitas, muitas graças a Deus pela decisão que tomámos.

Mamãs, espalhem a notícia.

dormir

Acho que se nota pelos meus últimos posts que ando com necessidade de me mimar. Hoje mimei-me com dez horas de sono, senhores, dez! E o bem que me soube. Dormi tanto, tanto, tanto e tão profundamente que sonhei (para além dos habituais problemas do trabalho) que me tinham convidado para cantar numa banda. E que tinha encontrado a casa dos meus sonhos: em Lisboa - mas, de alguma forma, na Serra da Arrábida, só que também junto a uma lagoa com mangais. A casa, toda branquinha, tinha gigantes paredes de vidro e decoração minimalista. No jardim, para além da óbvia piscina com vista para o mar, havia uma estufa, um jardim tropical e um tanque com golfinhos. Pronto, e era só disto que eu precisava para enfrentar o resto da semana.

28 julho 2008

fora do tempo

Pergunto-me se ainda vou a tempo para começar a aprender ballet. E se teria mesmo de usar um toutou (ou lá como é que se escreve).

vocabulário crescente

O meu filho tarda em falar mas há uma palavrinha que já lhe sai da boca com uma fluência provocadora: pila, pila, pila. E eu, por causa das Maddies e das Casas Pias, digo-lhe logo: pois é filho, e só mexe aí quem tu deixares.

abusadores

Nesta semana sinto-me quase ofendida por estarem à espera que trabalhe alguma coisa de jeito. Nesta e na primeira depois das férias. Não devem querer que a adaptação a um novo ritmo seja feita durante o meu período de descanso, pois não?

morangos

Neste fim-de-semana comprei uns sapatos fuchsia de princesa que me vão fazer torcer um pé não tarda nada. E colhi morangos, pela primeira vez na vida.

só para avisar

Nesta semana vêm aí uma série de posts sem nexo e absolutamente espontâneos.

última semana

Já só falta uma semana para as férias já só falta uma semana para as férias já só falta uma semana para as férias já só falta uma semana para as férias!

25 julho 2008

Às vezes a vida é injusta. Coisas más acontecem a pessoas boas (estou sempre a levar com este facto quando me perguntam como posso acreditar em Deus, mas é verdade, acontecem). Sonhos muito grandes não se realizam não por serem impossíveis mas só porque... não acontece. E a vida continua.
Na minha perseverança e ingenuidade de Carneiro, acho que vale sempre a pena sonhar, independentemente dos resultados. Na minha serenidade e alegria de cristã, acho que vale sempre a pena ter esperança. E, por isso, hoje (e enquanto for preciso) sou mais que mulher, mãe, amiga e companheira, sou o porto de abrigo onde podes recolher o teu barco até voltares ao mar, com novos sonhos e novas esperanças. Sei que não vai demorar muito.

24 julho 2008

meninas

Vivo tão imersa num mundo de machos que até me esqueço das graças das meninas. Ser menina também é giro. As meninas são queridas.
Ontem, quando ia buscar o Gustavo à creche, passei pelo grupo de colónia de férias de lá, os miúdos chegados da praia. Estava um semicírculo de meninas dos seus oito anos, silenciosas e atentas ao rapaz de catorze que tocava guitarra. Vi-lhes os risinhos escondidos, os trejeitos femininos, os suspiros mal contidos em adoração daquele quase-nem-adolescente, sem barba sequer. Mas tocava guitarra, tinha um colete de cabedal e, sobretudo, catorze anos.
Depois lembrei-me que os rapazes de catorze anos nunca tiveram sorte comigo (bom, eu também não tive sorte nenhuma com rapazes de catorze anos). Quando tinha oito, gostava de rapazes com oito mas, quando cheguei aos catorze, já ia bem avançada no gosto pelos "vintões". Basicamente, a mudança de voz e o ar desajeitado nunca foram atributos do meu agrado. Que injustiça. Só que as meninas são mesmo assim: indomáveis e implacáveis nos seus enamoramentos. As meninas são tão queridas.

(mas os rapazes são tão mais simples!)

22 julho 2008

cascatas de baba

(Pronto, reconheço que a imagem não é muito bonita mas eu sou mesmo assim exagerada)

Boletim de avaliação da creche do Gustavo:

"O Gustavo é uma criança meiga, alegre, sensível e activa. Está muito bem integrado no seu grupo de pares e interage lindamente com os adultos da sala. É uma criança muito activa, que requer que o adulto esteja atento para que, na sua curiosidade constante, não "atropele" os colegas [sim, o meu filho é um bulldozer]. A nível cognitivo tem um desenvolvimento adequado; de referir que a aquisição da marcha foi feita muito cedo. Gosta de fazer a higiene, como sem dificuldade e dorme pouco [felizmente, em casa dorme mais!]"

Esqueceram-se só de referir como ele é lindo, giraço e um borracho, mas pronto, também não quero que os outros pais fiquem com inveja :D

21 julho 2008

foi preciso chegar aos vinte-e-nove

...para começar a gostar de ir sair para o Bairro Alto. Pronto, mas foi só porque estava uma noite tórrida de lua cheia, ninguém me tentou vender estupefacientes, e diz que estava metade da gente do costume. Até os graffiti me pareceram bonitos no contexto.

(faz-me bem voltar a sair à noite)

18 julho 2008

o calor

Gosto de torrar ao sol quando vou a pé para casa à hora de almoço.
Gosto de usar vestidos e sentir-me maravilhosa.
Gosto de, à noite, besuntar-me de creme e dormir com os lençóis desarrumados.
Gosto de beber água fria (mas só nestes dias com mais de 30º)
Gosto que me derreta de tal forma o cérebro que não consigo fazer um raciocínio de jeito. O problema é ter de trabalhar.
Gosto que já só faltem duas semanas para as férias.
Gosto do calor, não me farto do calor. O calor faz-me florescer e, ao mesmo tempo, desacelerar. Às vezes preciso de desacelerar um bocadinho.

Bom fim-de-semana!

17 julho 2008

silly season

Pior do que as notícias televisivas que não lembram ao mais tolinho, pior do que o fim do Weeds e do Californication, pior do que isso tudo, meus amigos, é vocês não escreverem nada (ou quase) nos vossos blogues. Olha, assim também não escrevo.

15 julho 2008

podia eu ser rica

Eu bem digo que os meus talentos não estão a ser aproveitados no trabalho que faço, que tenho vocação para muito mais, que não estou a ser financeiramente reconhecida (numa ordem de grandeza de mais dois zeros...)



(façam o teste aqui, roubado daqui)

14 julho 2008

união de facto

Não fora eu já casada e estaria a comemorar hoje a oficialização da nossa união de facto, visto que faz dois anos que vivemos juntos. Assim, comemoro na mesma dois anos de vivência em comum, homessa, que o que é preciso é ter sempre razões para comemorar.
A ti, meu "unido", meu amigo e meu marido, obrigada por estes dois anos. Obrigada por já te lembrares de pôr a tampa da sanita para baixo, de limpar o lavatório depois de fazer a barba, de não deixar a cozinha de pantanas depois de fazeres o jantar, e de comprar flores para mim fora de alguma ocasião especial.

(E agora vocês pensam: que homenagem tão fraquinha, isto são só coisas banais. E eu respondo, não, estas eram as coisas que faltavam há dois anos, o resto já estava tudo de acordo com a minha noção de príncipe encantado. Pronto, ainda há o problema do benfiquismo, mas até esse é muito moderado)

11 julho 2008

o meu ferrari

Estimados funcionários da EMEL,

Como sabem (ou poderiam saber pelo dístico colado no meu pára-brisas), vivo no centro de Lisboa, numa zona cujo estacionamento ao fim do dia, durante a semana, é particularmente complicado. Também podem facilmente deduzir, pela cadeirinha azul que trago no banco de trás, que tenho um bebé pequeno, mas que, por acaso, já está pesadote. Venho assim solicitar que, quando sou forçada a estacionar na curva porque o meu ferrari não me cabe no bolso, não me deixem folhetos promocionais ou lá o que é (nem os chego a ler). Já me basta, diariamente, os que me deixam os compradores de automóveis usados, imobiliárias, ginásios, supermercados, herbalifes e mais uns quantos senhores simpáticos que me querem oferecer emprego (qualquer dia, aceito). Já os cartõezinhos dos astrólogos e curandeiros, agradeço e recolho, porque faço colecção.

09 julho 2008

pequenos prazeres estivais

(que é para aguentar as 3 semanas e meia que ainda faltam)

Andar descalça pela casa.
Brincar com o Gustavo no corredor.
Pôr creme na cara e sentir a pele sedenta a absorve-lo.
Beber vinho branco em copos de pé alto, num jantar em família.
Acordar às 7h30 sem sono e andar sempre cheia de energia (cada vez mais acho que devo ter alguma espécie de bipolaridade sazonal).
Passear descontraidamente e chegar à minha casa fresquinha.
Fazer saladas com muitos óregãos.
Olhar pela janela do gabinete e ver azul, verde e mais azul (e descobrir que o dia passou num ápice).
Ir a festivais de Verão (quem vai amanhã ao SBSR?), porque a música soa muito melhor nesta época.
Ter meia dúzia de livros gordos e saborosos à minha espera na estante e saber que vou ter tempo para lê-los antes que comecem a cair as folhas.
Descobrir coisas fundamentais que estavam há muito adormecidas. E ficar em paz.

07 julho 2008

neste início de semana...

...só me ocorre dizer: já só faltam quatro para as férias.

04 julho 2008

liberdade individual

Esta notícia choca-me e enche-me a cabeça de dúvidas. Se há coisa que prezo como um dos direitos mais fundamentais do ser humano é a liberdade e, concretamente, a liberdade de escolha quanto ao seu próprio destino. É por isso que abomino qualquer tipo de regime ditatorial. No entanto, o que notícias como esta me gritam na cabeça é que o mundo ocidental está cada vez mais de costas voltadas para os "não produtivos". Velhos, crianças (estas nem tanto, porque são uma espécie de troféu para alguns pais), desempregados, sociólogos, deficientes e toda uma mancha de humanidade que está à sombra da exclusão social não contribuem para o funcionar da máquina, para o PIB, para os números da OCDE, logo, não servem de muito. Eu não quero chegar aos 80 anos e achar que não sirvo de muito...

02 julho 2008

o futuro está nas estrelas


Daqui a um ano, estarei a viver num destes sítios. Aceita-se apostas, opiniões, dicas e sugestões.

(cliquem no mapa se não conseguirem ver bem as estrelas)

01 julho 2008

a promoção

Pois que a partir de hoje sou uma gralha super importante, com direito a gabinete e telefone próprio, e até a uma gigante cadeira rotativa onde eu desapareço dadas as minhas reduzidas dimensões. Penso utilizar estes meus novos poderes para realizar algumas das minhas fantasias tirânicas, a saber:
- Toda a gente que se dirigir a mim terá de o fazer em rima ou a cantar;
- Vou pôr um biombo à porta do gabinete e acolho os visitantes com um teatro de fantoches (ou sombras chinesas, consoante a inspiração do momento);
- Quando estiver a sentir-me especialmente importante, viro-me de costas para a porta, fumo um charuto e afago um gato persa.
Enfim, inúmeras são as vantagens de chegar a esta posição.

(Na verdade, verdadinha, vou ter é de fingir ainda melhor que percebo alguma coisa do que estou a fazer... Ai que dor de barriga...)

30 junho 2008

tanta coisa boa

Este fim-de-semana foi o verdadeiro fim-de-semana de Verão. Tivemos direito a sol, calor, passeata, saída à noite (como já não fazia há uns 5 anos), mais passeata, ficar sem gasolina numa semi-via-rápida na faixa do meio (é o que dá viver à custa de talões de desconto!), feira laica, praia em óptima companhia e ainda o meu jantar preferido desta época estival: tremoços + amendoins + jola. Não, não vimos o futebol, vimos um óptimo filme (Zwartboek). Vimos, isto é, eu vi umas partes, porque a emoção toda destes dois dias deixou-me K.O. Mas com o coração cheio para uma nova semana :)

26 junho 2008

notícias do gustavo

Sei que há quem goste de ir sabendo novidades do meu filhote, por isso aqui ficam algumas, muito rapidamente:
As duas maiores aquisições recentes (pelo menos as mais úteis) são o saber assoar-se e o avisar quando vai fazer cocó (lá começaremos o potty training nas férias).
Ontem, pela primeira vez, deu-me um beijinho na cara. Só me faltou lançar foguetes de tanta alegria :D
Tem os pré-molares a nascer e, consequentemente, está em casa com febre (pelo menos, graças a Deus, desde Janeiro que esta é a única razão para ficar em casa).
Continua muito alegre e bem-disposto, sociável, brincalhão (faz disparates e depois faz esta cara que está na foto), curioso e comunicativo - se se pode chamar comunicativo a um bebé que ainda não diz mais de uma dúzia de palavras. Adora o Matias, adora estar na escola, adora passear, adora comer, adora água (menos para beber!), adora o papá e adora basicamente tudo e mais alguma coisa. Tenho tanta sorte com este meu filho querido :)

25 junho 2008

adivinha

O que é que têm em comum os seguintes elementos?

O Incrível Hulk
O Primeiro-Ministro (qualquer um)
As viroses
A Igreja
O campeão olímpico de natação (qualquer um)
Os preços dos combustíveis
O treinador do Benfica (qualquer um)
A gralha

23 junho 2008

arte contemporânea

(vá, não fujam já todos deste post só por causa do título)

Ontem fomos ver uma exposição em que participa um vizinho nosso

(que parece Jesus regressado à Terra, mas isso dava pano para mangas e hoje não vou por aí)

É uma exposição composta por diversas instalações, cada uma mais... surpreendente? estrambólica? inesperada? do que a outra. Nestas coisas, podemos adoptar dois tipos de atitudes:

1) Estes tipos estão mas é malucos e deve haver uma câmara escondida para filmar as nossas reacções;
2) Ooooh! Aaaah! O que é isto? Para que serve? É fumo a descer por uma caninha/ são bolinhas de cuspo coladas no tecto/ é uma parede de tijolos feita de sabão Clarim/ é uma folha de papel equilibrada sobre um marcador. Seja o que for, faz-me cócegas na imaginação e resgata a criança que há em mim.
Optámos pela segunda hipótese. E gostámos muito. Boa semana :)

20 junho 2008

manual para lidar com a crise

Agora que lá se foi o futebol por água abaixo, os protestos contra os preços da gasolina vão passar a chamar-se "crise gasolineira", os custos elevados da comida vão passar a chamar-se "crise alimentar", e os custos elevados de tudo e mais alguma coisa, a juntar aos salários anorécticos, vão passar a chamar-se crise, ponto final.
Como podemos lidar com a crise, amiguinhos? A gralha tem algumas respostas que podem dar uma ajuda.
Primeiro, despeçam-se do vosso emprego (se não ganham grande coisa) e vão antes fazer um doutoramento. Acabam-se os 13º e 14º mês mas também deixam de pagar IRS e a Segurança Social é reembolsada. Ah, e o chefe, a FCT, não chateia e paga sempre a horas. Depois, vendam a vossa casa e arrendem uma que preencha os padrões da candidatura ao subsídio de rendas (sim, é possível entrar pela Porta 65). Ah, mas o mais importante é ter vários filhos, porque o abono já está a ficar uma pipa de massa. Depois é só preciso ter uma sorte desgraçada e conseguir pô-los numa creche subsidiada pela Segurança Social (essa mesma que vos é reembolsada) para terem tempo de fazer o dito doutoramento, porque as bolsas de pós-doc, então, é que já dão para uma vida de loucura.
Por outro lado, vale a pena começar a coleccionar cartões, sobretudo daqueles em que o supermercado paga a gasolina e a gasolina paga o supermercado e o McDonalds, e o supermercado paga outra vez a gasolina, and soión, and soión. Se isto tudo não chegar, recolham sacos nos supermercados que os dão de graça e vão para a porta dos que os vendem, para fazer concorrência (i.e., vendê-los a 2 cêntimos). Também de graça se consegue preservativos e outros meios de contracepção nos Centros de Saúde, podem pensar em vendê-los à porta das discotecas, por exemplo.
E pronto, como vêem, com a ajuda do nosso querido Estado Social e das diversas promoções das empresas tão amigas que nos dão tantos descontinhos, é possível sobreviver à crise e ainda juntar um bom pé-de-meia para a velhice. Depois não digam que eu não dou bons conselhos (e de graça!).

19 junho 2008

o verão

Composição de 4ª classe (só que escrita por mim hoje, com os erros que dava na 4ª classe):

Eu gosto do Verão. O Verão tem calor e fás-me ter energia para faser tudo e mais alguma coisa. No Verão tenho cede e ando com roupas frescas, até me sinto logo mais bonita. No Verão não me apetece trabalhar (no Inverno tambeim não) e só sonho com esplanadas e praias e sandálias e biquinis. Felismente já tenho 29 anos e por isso já poço uzar biquini. A minha mãe só me deichou uzar biquini aos 16 anos. Isso, a juntar aos óculos gigantescos que tinha de usar, não me dava grande imagem junto dos rapases. Agora já uzo biquini e lentes de contacto mas os rapases já não me ligam porque ando com um carrinho de bebé. Eu tambeim já não lhes ligo porque sou cazada e além disso descobri que os rapazes são palermas desde os 14 até aos 54 anos (pelo menos). Pronto, vou trabalhar um bocado.

18 junho 2008

instinto

(este post não interessa nada a quem não liga a bebés - nesse caso, voltem amanhã, por favor)

Estou a passar uma daquelas fases - deve ser do sol ou das flores - em que só penso em engravidar outra vez. Vejo o Gustavo e dá-me uma saudade louca de quando era tão pequenino que ficava só num braço e não conseguia escapar-se aos meus mimos. Dá-me uma vontade insana de comprar vestidinhos com maçãs e morangos e flores e fitinhas, mas também podem ser mais jardineiras e baby-grows azuis, que continuo a achar mais graça aos rapazinhos. Dá-me um desejo incontrolável de voltar a sentir uma coisa pequenina a dançar dentro da minha barriga, de vê-la nascer e reconhecer-me, de ficar aninhada numa intimidade de mãe e cria que já não é a mesma com um rapagão de 15 meses. E, mais que tudo, tenho tanta vontade de ver este rapagão a brincar com um(a) irmã(o)!
É injusto, injusto, injusto ter de esperar.
Pronto, tenho de parar de ler babyblogs.

16 junho 2008

nepal, o cavalo zen

Não sei que espécie de sina é a minha, que só me calham animais um pouco estranhos na rifa. Eu sou tão amiga dos animais, desde os bons velhos tempos da Arca de Noé (lembram-se? um programa apresentado por aquele senhor que era meu vizinho na altura e que até tem uma filha que se atirou ao lago num filme por causa do Colin Firth, enfim, já vou longe da história), mas bicho que se aproxime de mim tem com certeza um parafuso a menos.
Neste Sábado, lá fui eu toda contente gozar o meu presente de aniversário, um passeio a cavalo pela zona da Malveira. Tudo era perfeito: o cenário idílico, o tempo maravilhoso, um fim de tarde ameno e convidativo. Eis senão quando conheci o Nepal. O Nepal é um bom cavalo. O único problema do Nepal é que é mesmo muito zen e não queria andar. Queria só ficar a curtir a vista e a mastigar umas ervas pelo caminho. "Pronto, Nepal, na boa", pensei. Só que não. Ele lá decidiu lançar-se a galope (no sentido oposto ao resto do grupo), mas foi só quando viu uns ameaçadores surfistas com umas muito assustadoras pranchas debaixo do braço. Lá se foi a tranquilidade do Nepal mas, felizmente, eu não caí do Nepal abaixo. Foi um óptimo passeio :)

p.s. Obrigada Matvey pelo contributo para os meus conhecimentos de Botânica!
p.p.s. Margarida Atheling, quase de certeza que não deves ler isto mas este episódio lembrou-me logo que a tua égua deve estar cheia de saudades de passear contigo. Mas é por uma boa causa.

12 junho 2008

caçando com gato

Posso não ter um quintal mas tenho estes três vazinhos de flores no parapeito da janela da minha sala. Alguém me sabe dizer o nome da espécie?


E posso não ir à festa do Santo António logo à noite (é que não há nem uma alminha que me fique com o gaiato, snif...) mas sempre posso espetar umas quadras nas ditas plantinhas, que até passam por manjericos, e apregoar sardinha assada a quem passa. Pronto, sardinha não tenho. Tenho salame de chocolate e ainda sobraram alguns tremoços.

10 junho 2008

portugalidades

Eu, que até tinha tanta estima pelo meu país, ando cada vez mais cansada das pequenezes do costume. Mas hoje impunha-se uma trégua. Peguei no moço pequeno e fomos até Belém ver as camionetas de pelo menos metade das freguesias do país, cheirar o rio nas correntes de ar do CCB e apanhar este sol tão merecido. Ainda sonhei chegar junto ao Presidente ou ao Primeiro - quem me conhece já sabe desta minha fixação pelo cumprimento às figuras públicas (o ponto alto até agora foi quando a Lili Caneças me acenou no Santo António de há 2 anos) - mas fomos embora antes que chegassem as sumidades. Vou ter de os apanhar na praia, em Agosto, isto se conseguir ser mais ladina que os guarda-costas.
Enfim, tréguas por tréguas, reconheço que continuo a não morrer de amores por bacalhau, mas se vier com grelos, muito azeite e alhinho, até não deixo nada no prato. Também não tenho muita paciência para futebol (é o mal de ser de um clube que ganha sempre), mas dá para puxar dos tremoços e da cerveja fresquinha. O pior era mesmo o fado. O fado é que não tinha sorte nenhuma comigo. Ou eu é que não tinha sorte nenhuma com o fado. Mas agora encontrei os Deolinda e estou para aqui desgraçada a ouvir isto em repeat. Tomem lá o que achei no youtube, infelizmente não a minha preferida.

09 junho 2008

flying solo

Semaninha inteira sozinha com bebé e cão. Estar sozinha com o bebé dá trabalho mas é fácil. Estar sozinha com o cão dá trabalho mas é fácil. Estar sozinha com os dois dá um bocado mais de trabalho e é um bocado menos fácil. Mas com o bebé bem disposto, o tempo assim mimoso e o cão a portar-se bem, lá se vai levando a coisa. Ontem até nos aventurámos a ir à praia e tudo - a única coisa que não correu bem foi a bicha para lá chegar. (note to self: não voltar à Costa da Caparica antes de Outubro)
Sempre que passo assim um tempo só com o meu filhote fico tão babada e com tanta vontade de poder estar em casa com ele... (suspiro)

Boa semana!

05 junho 2008

doze pratadas

Meninos e meninas, o que é que acontece quando se junta uma gralha sushiólica e um all-you-can-eat de sushi, sashimi e muitas outras coisinhas boas da terra do sol nascente? Doze pratadas, é isso que acontece - e depois, várias voltas à praça de touros do Campo Pequeno para voltar a conseguir respirar.

03 junho 2008

eu queria ter um quintal

Já nem é por causa do Matias, que bem apreciava o espaço para correr ao ar livre.
Já nem é pelo sonho-tipo de ter uma piscina (já tive, e usava-a pouco).
Já nem é pelo deck com mesa e cadeiras para receber os amigos em jantares estivais, nem pelas espreguiçadeiras onde leria o resto dos clássicos - e quantos contemporâneos pudesse - acompanhada de mojitos cheios de menta acabada de colher.
É mesmo pelo meu filhote que, a avaliar pelo fim-de-semana passado, adora andar a correr pela relva, fazer festas às alfaces, roer morangueiros verdes, provar o sabor da terra húmida e arrancar as ervas daninhas (e as outras). Eu queria ter um quintal, e depois de ver as traseiras da nova casa de um amigo que acabou de se mudar para a Suécia (espero que não te importes que eu ponha a foto!), fico a interrogar-me: mas por que é que eu não tenho um quintal?

Sim, é um veado.

02 junho 2008

are we there yet?

Hoje faz 80 anos a minha querida Avó F. e, tal lhe disse, mais do que dar-lhe parabéns, quero agradecer-lhe por tudo o que estes anos significaram, pela descendência directa que já conta com 14 pessoas, pelo exemplo de coragem, de elegância, de Fé a toda a prova e, ainda mais, pelo coração puro e sempre cheio de amor para todos. Por estas e por muitas outras razões, lá viajámos nós 800 km em dois dias para fazer-lhe a surpresa de juntar a família toda. Foi muito bom, ela ficou muito feliz, que era o que desejávamos. E eu adorei estar com primos e tios que já não via há muito, adorei passar Mondego, Vouga, Douro, Cávado e Lima - todos lindos e cheios, de margens verdejantes - e chegar àquela terra que também é minha, em que o sotaque é mais doce e os sorrisos são mais rasgados.
Mas, caramba, que foi cansativo! Já não sabíamos o que fazer ao pobre Gustavo ao fim de umas horas de estrada, em que ele não adormecia e já nem a Vanessa da Mata o animava. Enfim, valeu a pena - e venha mais uma semana de trabalho, com muita animação à mistura.

29 maio 2008

a juventude está perdida

Pensava que as únicas coisas que o Gustavo tinha em comum com o Marco Paulo (nos seus tempos áureos) eram os caracóis e o gosto musical duvidoso. Mas não, ele também tem dois amores.
Já sabia que a Clara andava a arrastar a asa - as Claras têm todas um fraquinho pelo Gustavo, não é Sara? ;) -, que isto de dar empurrões toda a gente sabe que é uma manifestação de interesse, mas parece que a paixão da Sila não é menos assolapada. Pelo menos hoje, mal chegámos à creche, ela veio a correr pelo corredor, toda espavorida, abraçou-o e beijou-o em cada centímetro de bochecha que apanhou a jeito (e há muita bochecha no meu filho, senhores). O Gustavo estava meio em choque, meio a curtir aquilo tudo. Isto é que é uma pouca vergonha!

(Mas eu achei tão lindo!!! Afinal acho que não vou ser uma sogra assim tão má)

28 maio 2008

o que nos alimenta a fornalha

Sempre fui pessoa de desejos simples e ambições moderadas. No fim de um ano lectivo, comemorava com um banho de imersão e uma coca-cola. E que prazer que isso me dava!

(não vamos pegar por aí, pelas férias de Verão, que ainda vamos parar à falta de férias e à falta de Verão, e hoje ainda não vou refilar por isso)

Junho trazia a Feira do Livro e uma noitada seguida, de janela aberta para as cigarras encaloradas (mais uma vez, não vamos por aí), a devorar um ou dois volumes do que tivesse comprado.
Julho trazia as férias na praia, o melhor bálsamo que sempre me puderam dar.
Agosto trazia as férias em Lisboa, deserta, a fazer só e apenas o que me apetecia.
Setembro trazia os livros escolares novos e as encomendas para o Outono do catálogo da La Redoute.
E pronto, isto era o meu Verão, a minha época de ouro. Aquilo que me motivava para o resto do ano, de chuva e frio, que sempre tive dificuldade em suportar.

Agora parece que (me) roubaram isso. O que é que me alimenta a fornalha? Uns miminhos bons pela manhã. E a esperança de que o fim-de-semana dê para passear.

(mas em Junho logo voltamos a falar do estado do tempo, porque isto é um assunto que levo muito a peito)

27 maio 2008

o dom da palavra

Como qualquer blogomamã que se preze, também eu gosto de vir para aqui apregoar os dons do meu filho. Neste caso, as muitas palavras que ele já domina (acrescento a tradução para os menos fluentes nesta língua):

Mamã = Mamã
Mã-mã-mã = Peguem-me ao colo para eu chegar às facas sobre a bancada.
Mamããã = Tenho sono.
Mamã = Passem-me aí mais dessa broa de milho, sff.
Mamã = Warning! A fralda está cheia (ups, tinha prometido não falar mais disto).
Mamã = Larguem-me, não gosto de colo.
Mamã = Quem és tu e por que é que estás a fazer essa cara palerma à espera que me ria?
Mamã = Faz-me miminhos, mamã.
Mamã = Parem lá de falar uns com os outros, não vêem que eu também quero participar?
Mamã-ão-ão = Onde está o Matias?
Mamã = Quero brincar com o telemóvel.

p.s. Pronto, ele até já sabe outras palavras, mas estas servem para quase tudo...

23 maio 2008

temos homem!

O meu filho (atentem no orgulho com com uso esta expressão, "o meu filho") come arroz com feijão e tabasco - e gosta. O resultado é facilmente imaginável.

(Isto para acabar uma semana que tem sido um hino à escatologia. Ah, já agora, muito bom: cocó na fralda. Obrigada Inesa. Pronto, eu prometo que se acabam por aqui os cocós)

22 maio 2008

ora, como e que eu hei de dizer isto?

Que cocó de tempo! (tenho que me desabituar de dizer asneiras, maternidade oblige)

Pelo menos, vai haver menos incêndios este ano.
Pelo menos, não vai haver seca.
Pelo menos, adia-se um pouco a desertificação do país.
Pelo menos, diminuem os acidentes de automóvel graves.
Pelo menos, não sobe o preço das hortaliças.
Pelo menos, não cheira tão mal nos transportes públicos.
Pelo menos, os estudantes não têm desculpa para não estudar para os exames.
Pelo menos, não tenho de lavar o carro.
Pelo menos, consome-se menos gelados e bebidas alcoólicas, que engordam horrores.
Pelo menos, não evapora a água das piscinas.
Pelo menos, não apetece comer bolas de Berlim na praia (que a ASAE já proibiu, de qualquer forma).

Que bom... É só vantagens.
(Cocó, cocó, cocó!)

21 maio 2008

ah, então é por isso

Está explicado por que é que eu tenho um "angel baby" (cf. Tracy Hogg). Segundo esta notícia, usar telemóveis na gravidez gera criancinhas irrequietas. Eu, por mim, quanto menos puder usar um telemóvel, melhor.

(o mesmo já não se aplica ao tal angel baby, que tenta, por todos os meios, surripiar-me essa ferramenta do demónio)

17 maio 2008

gostar de cães

Gostar de cães é uma armadilha. Eu até gosto de gostar de cães, mas dá tanto trabalho...
Aqui há uns milhões de anos, uma alcateia de lobos juntou-se e decidiu: vamos ser giros e queridos para sermos adoptados pelas pessoas e não termos de nos cansar para comer qualquer coisa. Meu dito, meu feito, pelo que vem de longe esta mania humana de ver um cachorro e levá-lo logo para casa. De certeza que eu descendo em linha directa do primeiro Homem que se deixou encantar pelos canídeos, a avaliar pela minha ascendência e, agora, descendência.

Senão, vede:

(mais 9 anitos e começas a levá-lo tu à rua 4 vezes por dia, meu filho, não seja por isso)

13 maio 2008

ai agora querem que eu perceba de cálculo financeiro?

Estou a tornar-me especialista em fingir muito bem que estou a perceber tudo o que me estão a explicar e que vou aplicá-lo, afincadamente, daí em diante. É simples: vou alternando entre o anuir com a cabeça, o segurar o queixo e fazer "hum, hum..." e um olhar interessado, curioso, sedento de mais sabedoria. Alguém me sabe dizer se esta minha nova competência serve para alguma coisa para além da política e do trabalho com doentes mentais?

08 maio 2008

ser senhora de mim (e não só)

Estou de volta ao meu espaço de trabalho, depois de um exílio forçado de demasiado tempo. Até me deu vontade de chorar quando me vi de frente para a minha linda vista para a Cidade Universitária, na minha querida secretária, com a flor de papel que recebi do Gustavo pelo dia da Mãe. Estou no meu espaço. Meu. E não me arredam daqui nos próximos tempos. E não tenho ninguém a chatear-me de 5 em 5 minutos e a fazer grandes dramas acerca de pequenos nadas. Uffffff...
E para comemorar a nova liberdade, ontem resolvi esquecer as rotinas e, chegando a casa, ala comigo e com o filhote para a banheira. Deitámos metade da água cá para fora. (Re)descobrimos as texturas um do outro. Ele apaixonou-se pelo meu umbigo. E rimos, muito. Foi tão bom! :)

06 maio 2008

mulher menina mulher

Para todas as que acordam de manhã e nem sempre reconhecem aquelas pernas e braços compridos.
Para as que gostavam de subir às árvores mas também se escapuliam, volta e meia, com os sapatos de salto alto da mãe.
Para as que guardaram muitas cartas de amor palermas, que nunca chegaram a ser enviadas.
Para as que passaram noites de Verão a olhar para as estrelas e a imaginar que alguém estaria também, naquele momento, a olhar para elas.
Para as que queriam ser bailarinas. E fadas. E sereias. E princesas.
Para as que escreviam diários, trocavam bilhetes com as amigas nas aulas, e desenhavam o nome na areia molhada da praia.
Para as que ainda têm tanta vontade de fazer estas coisas - não somos todas?

Para quem tiver paciência: The Lucky One (au revoir simone)

04 maio 2008

dia da mãe

Aproprio-me deste dia, a cada ano um pouco mais. Quero lá saber se me julgam extemporânea ou limitada, mas aquilo que me faz sentir mais realizada na vida é ser mãe. Adoro ser mãe. Adoro os abracinhos abrutalhados, os grandes sorrisos de chinoca, o mantra mã-mã-mã-mã-mã que entoa quando está ensonado. Adoro e sinto-me a explodir de orgulho com cada nova conquista do meu filho. E quem não sabe dar valor à preciosidade que é ser mãe é um totó. Obrigada ao meu marido, que me deu esta oportunidade e que é, ainda por cima, o melhor pai do mundo.

p.s. E esta noite sonhei que estava grávida do próximo. Já sabia o sexo e o nome do bebé. Vejam só a minha ânsia... e o meu desespero por ter de continuar a adiar...

p.p.s. E um beijinho também para a minha mãe, de quem eu gosto muito, apesar de me ter feito arroz de grelos para o jantar de ontem.

01 maio 2008

a primeira manif

De pequenino se mobiliza um gralhinho, de modo que, ontem à noite, o Gustavo lá foi à sua primeira manifestação (contra as touradas). Foi a segunda do Matias. Mais uns aninhos e já andam os dois a distribuir panfletos e a organizar abaixo-assinados, os meus lindos. Estou tão orgulhosa.


p.s. Escusam de comprar o jornal porque acabei por não assassinar ninguém. Ainda, pelo menos.

30 abril 2008

há algo de estranho no país dos póneis

Quando as minhas referências estéticas regressam à infância, isso só pode significar uma coisa: é desta que eu estou a dar em doida.

É claro que, hoje em dia, toda a gente trabalha demais. E é claro que as mães que trabalham ainda trabalham mais um bocadinho demais. Pois sim, não sou a única. Mas, andava eu no 9º ano e tive de decidir: quero ser rica ou quero ter uma vida descansada? Eu escolhi ter uma vida descansada. E eis que me vejo nada rica e nada descansada. Estou a defraudar-me a mim mesma. Estou a matar-me a trabalhar. Estou com vontade de cometer crimes contra a integridade física de certas entidades laborais. Estou com vontade de mandar isto tudo à m&rd@. E nem eu, nem o meu marido, nem o meu filho merecemos isto. Por isso, isto vai ter de acabar.

(leiam o jornal "O Crime" de amanhã se quiserem ver a continuação desta história)

28 abril 2008

olhe, podia ser mais um destes, faz favor

O fim-de-semana foi bom, bom, bom. É incrível como o bom tempo faz toda a diferença, pelo menos para mim. Fartámo-nos de pastar, quase conheci uma Manhã de Inverno e um Pinguim (foi pena, espero que haja mesmo uma próxima!), o Gustavo comeu muita areia da praia e já passeia o Matias pela trela. É tão bom sair de casa de manga curta, só com a chave e o telemóvel, e andar a aproveitar a minha Lisboa vazia :)

25 abril 2008

olha o convitinho grátis para a festa do Indie

Meninos, tenho montes de convites para a festa do Indie hoje, no Lux. Quem quer, quem quer? (eu não vou, pois está claro)

(e-mail para gralhadixitarrobagmail.com)

Bom 25 de Abril! Viva a Liberdade! Sai uma grande beijoca para o Salgueiro Maia e amiguinhos. Mas acabem lá com a cena dos cravos, que são pirosérrimos. Não podem passar a ser gerberas?

23 abril 2008

a falta de tempo

A falta de tempo é grave quando não tenho tempo de ler os meus blogues de estimação.
É gravíssima quando não tenho tempo de cortar as unhas.
É perigosa quando não tenho tempo de comer.
É contornável quando tenho de programar telefonemas para a caminhada até casa à hora de almoço (sim, tenho tempo para ir almoçar a casa)
É triste quando não chega para fazer festas ao Matias (e agora também tenho lá em casa o outro carente perpétuo, o Roger).
É irritante quando não consigo ler mais do que um parágrafo de um livro por dia.
É aceitável enquanto houver tempo para brincar com o Gustavo uma hora depois do jantar, deixá-lo tocar tambor na minha barriga, esfrangalhar vários livros, conversar na língua dos ETs e dar-lhe banho em paz e sossego, com a banheira cheia de bonecada.

22 abril 2008

a foice em seara alheia

Provavelmente não tenho nada a ver com isto e devia era olhar para o lado e assobiar. Provavelmente sou uma grande moralista, idealista e mais uns quantos "istas" completamente fora do tempo. Provavelmente devia era estar mas é caladinha. Mas fico tão enervada quando vejo um amigo, que é um bom amigo

(e um rapaz simpático, giro, etc., com um bando de raparigas sempre à perna),

que tem namorada

(uma rapariga simpática, gira e que gosta mesmo dele),

em aberto flirt com outra rapariga

(que é uma rapariga simpática, gira e que não esconde as suas intenções apesar de saber que ele tem namorada).

Ora são os flirts que dão graça à vida, pois são. E podem ser inocentes e inconsequentes, pois podem. Mas eu bem vejo que esta moçoila está mais determinada do que uma patinadora que treina para chegar aos Jogos Olímpicos! Ela definiu o alvo e não se desvia nem um milímetro do mesmo. E está-se mesmo a ver onde isto vai parar.

Eu sei que as pessoas não têm de ficar todas juntas e felizes para sempre. A minha única pergunta é: por que é que quase ninguém tem coragem de ser verdadeiro ao ponto de só se meter numa quando já saiu da outra? Por que é que há tantos salta-pocinhas? (pronto, afinal havia duas perguntas)

21 abril 2008

atchim!

a....aaaaa....atchim!

(santinha para mim)

Xô, alergia, xô!

16 abril 2008

o duende do lar

Para provar que as tarefas domésticas não são uma questão de género mas sim de exemplo, a maior amiga do meu filho é, actualmente, a esfregona.(E para provar que o género também tem o seu peso, a parte melhor da esfregona é servir para andar à paulada...)

foto retirada

Mas nem só de limpezas é feita a vida de um perdigoto de 13 meses. Também há tempo para trepar escadas, dançar o twist e inspeccionar sanitas!

E vejam só quem já está pronto para a praia:

14 abril 2008

cá estou eu de novo

As férias foram óptimas, muito obrigada. Apanhei todo o sol de que estava a precisar e comi mais fruta do que em todo o Inverno que passou (não estou a exagerar). Por falar nisso, ouvi dizer que o Inverno ainda não passou mas estou em negação. O meu bronzeado fica bem com o meu blusão quentinho, por isso ainda não me vou zangar.
Agora, chegar cá e saber que o meu cão tem problemas cardíacos é triste.
E nem consigo descrever-vos a sensação horrível de o meu filho não me reconhecer nos primeiros 5 minutos... Fazer uma cara muito séria como quem sabe que aquela pessoa é familiar mas não está bem a ver de onde é que a conhece... E depois passou o dia todo a fazer grandes fitas por tudo e por nada, como quem precisava de expressar toda a angústia acumulada por não saber o que lhe tinha acontecido naquela semana. Nas sestas, recusava-se a adormecer porque devia ter medo que nos fôssemos de novo embora. Sei que ele esteve bem mas agora acho que ele ainda era demasiado pequeno para o deixar tanto tempo :( Não volta a acontecer nos próximos tempos! E como ele mudou tanto, física e comportamentalmente, numa semana...
Enfim, ao trabalho! Há muuuuito para fazer. Só que agora posso fechar os olhos e lembrar-me do nascer do sol na praia.

Boa semana :)

09 abril 2008

telegrama do brasil

tá fazendo calor stop
passando por aqui porque o sol tá quente djimaiz stop
vou pegar uma água de coco stop
e fazer uma sesta para dar aquela descançada geral stop
ja ganhei uns dois kilos de comida boa mas ainda não dancei stop
volto não demasiado em breve stop
beijinhos a todos stop

03 abril 2008

sambando e viajando para umas férias de sonho

Sábado vou de férias
(Sábado vou deixar o meu filho durante uma semana)
Vou andar de avião
(Ele vai andar a voar de avó em avó)
Vou comer porcarias e beber caipirinhas
(Não sei o que ele vai comer mas isso também não me preocupa)
Vou apanhar sol
(Não vou fazer castelos na areia nem brincar nas pocinhas)
Vou nadar o tempo que me apetecer
(Nada se compara ao tempo que passo com ele)
Vou namorar muito
(O primeiro namoro só a dois desde... há quase dois anos!)
Vou dançar, dançar, dançar!!!
(E quando voltar, danço mais um pouco com ele ao colo)
Vou ter muitas saudades mas ele vai ficar bem e vai ser um bom tempo para todos. Ai vai, vai.




(Mas vai custar deixá-lo. Ai vai, vai)

p.s. E volto no meu aniversário (13). Vá lá, quero ser muito parabenizada para não ficar deprimida com o fim das férias.

02 abril 2008

olá primavera! (agora é que é)

Pronto, lá ando eu ranhosa a manhã inteira (nunca mais vou tratar desta alergia), mas tudo vale a pena quando, finalmente, já cheira a calor, o céu azul cega-nos os olhos desabituados de cor e a noite chega a uma hora decente. Ontem (ou hoje), à meia-noite, o jardim emanava uma promessa de erva seca e eu sorri, apesar das muitas horas de trabalho que ficaram para trás.
E agora adeuzinho, que tenho de começar a fazer as malas :)

31 março 2008

o que muda (para pior)

Pois é, hoje é segunda-feira, aquele dia em que eu costumo chegar aqui com lindas mensagens para levantar a moral ao pessoal. Mas desta vez não vai dar, lamento imenso. É que hoje vejo o lado negro da maternidade - e não o lado solar, o meu filho. E o lado negro não é só a falta de tempo para mim, o meu ar simultaneamente escanzelado e mole, a minha barriga que não voltou a ser a mesma, as pequenas rugas à volta dos olhos (mas essas são de tanto sorrir). O lado negro é sobretudo o da imbecilidade. Quem daqui sente que ficou mais estúpida depois de ter um bebé? Eeeeeu.

27 março 2008

sem notícias

É como eu ando, basicamente. Eu sei que vocês choram baba e ranho quando chegam aqui ao burgo e não há novos posts mas não tenho tido grandes novidades e continuo com muito trabalho. O Guguinha está óptimo, se bem que cada vez mais fiteiro. Agora gosta de apagar a luz do quarto e fugir a correr até se estatelar no chão e chorar, muito ofendido. Pronto, é com este tipo de sujeitos desregulados que eu convivo no dia-a-dia. Com este e com outros, infelizmente desregulados mesmo a sério, com quem trabalho...

Até breve e beijinhos para todos (vou tentando visitar-vos e comentar-vos sempre que possível).

22 março 2008

páscoa

Hoje vou dar uma grande (e mórbida) volta até chegar ao título do post. Só para avisar.

Para alguém como eu que, felizmente, não tem vivido a perda de muitas pessoas queridas, a morte ainda não é uma certeza. Isto é ridículo, mas ainda não acredito muito na minha própria finitude. Contudo, vou acreditando cada vez mais quando reconheço que já não sou jovem. E isso percebe-se quando os jogadores de futebol e as top-models são todos mais novos que eu. Quando as figuras públicas começam a ser da minha idade. Quando toda a gente me trata por "senhora" apesar de me vestir de forma bastante informal. Quando penso que me visto de forma "jovem" e depois reconheço que já vou a léguas da moda. Quando ouço músicas dos "meus" anos 80 e sinto tantas saudades dos intervalos das aulas do liceu, das pastilhas elásticas, dos disparates, dos sonhos da adolescência.

Mas tudo isto é uma nostalgia doce e não me importo de já ser "crescida" e de ir começando a envelhecer. Porque sou imortal. Tenho um filho que, se Deus quiser, irá levar um pouco de mim ao mundo quando eu já cá não estiver. Mas, acima de tudo - e agora, sim, chegámos à Páscoa - acredito que a morte não será o meu fim porque há Alguém que me ama tanto que se entregou por mim, e por todos, para que eu viva para sempre.

Boa Páscoa para todos :)

21 março 2008

olá primavera!

foto retirada

É bom ficar em casa quando o sol brilha, Lisboa está deserta e podemos passear muito!

19 março 2008

previsões para os próximos dias

Se o tempo estiver bom a valer: Algarve.

Se o tempo não estiver bom a valer: Casa (+ Lost, + comida japonesa).

A avaliar pelo dia de hoje, já sinto o saborzinho do wasabi na boca...

17 março 2008

regresso à normalidade

É tão bom voltar a levantar-me de manhã e ir acordar o filhote com miminhos e um biberão de 270 ml de leite morninho. Depois, estar ali aqueles minutos com ele bem enroscadinho em mim, a acordar ao seu ritmo. E arranjá-lo nas calmas, levá-lo para a escola e vê-lo a olhar para tudo com a curiosidade que só um bebé de um ano tem. Isto, a seguir a um fim-de-semana em que passeámos e brincámos muito, faz com que seja mesmo indiferente se é ou não segunda-feira.

Uma óptima semana (santa) para todos :)

12 março 2008

1 ano

"Tu és o meu Filho muito amado; em ti pus o meu encanto." (Lc 3, 22)

foto retirada

Faz hoje um ano que tive aquele que foi não o dia mais feliz - porque esses foram todos desde então - mas o mais importante da minha vida.
Hoje é o teu primeiro aniversário, meu querido filho, e gostava de apagar todo o ruído à nossa volta para ficar só a amar-te. Ter-te meu. Ficar em silêncio a beber do teu riso cristalino, a acompanhar os teus pezinhos apressados (que são os do teu pai), a afagar os teus cabelos (que são os meus) e a reconhecer nesta pequena criança o recém-nascido das 17h43 do dia 12 de Março de 2007, agora 8,5 kg mais pesado e 25 cm mais crescido. Reconhecer o indivíduo que já é muito mais do que a herança da mãe e do pai, é um ser único por si próprio, uma pessoa novinha em folha no mundo. E o mundo está muito mais bonito desde que tu chegaste, filhote.
Para mim serás sempre perfeito. Para mim serás sempre lindo e encantador. Não estou a exagerar quando digo que toda a minha vida terá valido a pena só por te ter tido comigo. Espero que assim possa ser por muito tempo. E não há muito mais que possa dizer porque todo o meu ser grita o amor eterno e incondicional que sinto por ti.

11 março 2008

12 meses

(umas horas antes)

Filho, este mês passou num ápice, na antecipação do teu aniversário e no remoinho da minha vida profissional de pernas para o ar. Espero poder gozar-te mais daqui em diante.
Agora que dominas a marcha, ganhaste muita capacidade de concentração, o que se traduz na aprendizagem de mais gracinhas e no empenho em descobrir pequenos mistérios como o que está por trás das portinhas dos teus livros. És capaz de te dedicar por longos tempos a cada brinquedo e já compreendes mesmo os conceitos de forma e dimensão dos objectos. Também gostas de parar para explorar o teu corpo (fazes festinhas nas tuas pernas, na barriga, viras as mãos) e o dos pais - já descobriste que somos mais do que caras e mãos, também temos peito, pescoço, pernas, costas e uma série interminável de coisas para beliscar, puxar e morder.
Continuas a palrar decidida e continuamente mas acho que vais demorar a falar mesmo a sério. Este mês, ouvi-te a pedir pão por três vezes e o papá diz que disseste cão (mas normalmente só ladras). Gostas de observar a nossa reacção a tudo e fazes malandrices com o nítido intuito de nos testar. Por outro lado, já consegues dar-nos as coisas quando tas pedimos, mas claro que ficas ofendidíssimo quando te tiramos algo de que não queres prescindir. É mesmo próprio da idade, não é Guguinha? E nós lá vamos fazendo um esforço muito grande para não nos rirmos e para mantermos a cara séria quando começa um esboço de birrinha.




É também aqui que terminam estes relatos mensais. Tiveram o seu sentido no seu devido tempo, como tive oportunidade de justificar, mas já está na hora de devolver plenamente este blogue ao seu objectivo inicial, o de permitir-me partilhar opiniões acerca de tudo e de nada. Evidentemente que o meu filho terá sempre espaço aqui mas o tempo do gralha dixit como beibiblogue está definitivamente encerrado. Espero que achem que vale a pena continuar a lê-lo.

03 março 2008

post para mim

É bom recordar-me, mesmo que seja por maus motivos, que não me arrependo do rumo académico e profissional que dei à minha vida. Isto porque (sempre e para sempre)

ODEIO NÚMEROS

E (sempre e para sempre)

ADORO PALAVRAS

E espero que as palavras voltem a ter mais peso em breve, porque eu não nasci mesmo para o vazio de sentido da contabilidade. Mesmo que continue pobrezinha até ao fim dos meus dias. Mesmo que nunca mais possa viajar o que me apetecer. Mesmo que não possa comprar livros cada vez que entro numa livraria. Mesmo que não possa ter quatro filhos como me apetecia.

27 fevereiro 2008

voltamos já

Meus senhores e minhas senhoras, voltamos em breve, quando houver notícias de relevo.
(pronto, agora começa o boato de que estou grávida - não, lamento, vou só começar uma formação em simultâneo com trabalho extra pelo que não há tempo nem para meia dúzia de caracteres bloguísticos)

Fiquem bem e até já :)

26 fevereiro 2008

junk mail: uma breve análise sociológica

Já quase toda a gente postou sobre este assunto mas acho que está na altura de dar o meu contributo profissional. Para quem nunca percebeu para que serve um sociólogo, é isto: para fazer assim umas afirmações sobre quase qualquer coisa, de preferência apoiado em estatísticas, entrevistas, inquéritos ou outro tipo de documentos (normalmente não nos arriscamos pelos campos da física quântica - excepto eu, que casei com um físico e portanto também percebo do assunto por osmose).

Vejamos uns exemplares acabadinhos de sair do forno (ou seja, da minha caixa de correio de hoje):

"Don't be the guy the girls laugh about in the bathroom because you have a small one." (Este chegou em duas mensagens diferentes. O destinatário do junk mail é nitidamente o cidadão do sexo masculino que se sente alvo de chacota do mulherio.)

"Don't let her sleep with other men because she's not satisfied with your performance." (Também veio em duplicado. Pior do que ela andar a contar às amigas que o pirilau do legítimo é modesto é andar enrolada com outros, obviamente!)

"Don't just make her moan, make her moan so load that she wakes the neighbours up." (A reprodução social do preconceito que as mulheres fingem satisfação. Ou então é mesmo uma nova ferramenta para incomodar os vizinhos - a nós, isto dava-nos jeito)

"My neighbours have been complaining Sharon moans too loud when we make love every night now." (Atentem no indisfarçável orgulho deste homem. Incomodar os vizinhos é pouco, eles têm de vir queixar-se!)

"After taking this and putting on 3 inches, your girlfriend will not be able to take her hands off you." (Acabaram-se os rodeios: o problema está mesmo no tamanho. Quais performances, quais meiguices, ela precisa é de mais 3 polegadas para os vizinhos se virem queixar)

"Voted the most effective male enlargement supplement product by MYSPACE users." (É pá! Também querem apelar ao sentido democrático do cidadão. Este produto não só é bom como foi sujeito ao escrutínio do povo e a maioria deu-lhe o aval - por esta hora, já há muitos vizinhos a fazer queixa à polícia)

E fico-me por aqui porque os outros já eram demasiado ordinários para constar num blogue tão pacato. Mas agora a sério: os senhores do pseudo-marketing que produzem esta lixeira traçam um interessante perfil do internauta, o de um infeliz com a sua vida sexual que acredita que a solução dos seus problemas está no aumento do dito cujo. A resposta ao porquê deste perfil é que dava para uma tese de doutoramento.

25 fevereiro 2008

nostalgia II

Acordar a cada manhã, fazer-te uma festa através da barriga - ainda estavas a dormir quando eu acordava - e tentar adivinhar se seria naquele dia que ias nascer. Imaginar-te calmo, sorridente, feliz. Era assim, há um ano. Só que tinha calor e subia as escadas devagarinho.

22 fevereiro 2008

rufia

Nunca pensei dizer isto - sobretudo numa fase tão precoce do campeonato - mas o meu filho está a tornar-se um rufia. Note-se bem que não digo isto com nenhuma satisfação ou orgulho mas sim com surpresa e um grande "e agora?" plantado na testa. Digamos que a forte interacção do Gustavo com os colegas da creche passou a ser uma interacção... à força! Já não bastava roubar-lhes as chuchas, agora rouba-lhes comida, puxa-lhes os cabelos, empurra-os... Nunca pensei que um bebé de 11 meses já começasse a fazer destas coisas! E o que é que eu posso fazer? Se fosse em casa tentava evitar estas situações e, quando acontecessem, fazia-lhe cara séria e dizia com firmeza que isso não se faz (que é a única coisa que se pode fazer a bebés tão pequeninos, que ainda não compreendem o que estão a fazer). Perguntei às educadoras o que elas faziam mas não fiquei muito tranquila com as respostas ("é normal", "sim, nós dizemos para não fazer", "se não fosse ele era outro")... Não quero que o meu filho comece já a aproveitar-se da sua dimensão para passar por cima dos outros e nem quero imaginar receber um telefonema a dizer que outro menino se magoou por causa do Gustavo :(
C'os diachos, do que ele se foi lembrar agora!

(mas já vão 4 semanas sem faltar à creche por doença! Obaaaa!)

Adenda: isto faz-me sentir especialmente mal porque eu própria era um bocadinho rufia em pequena (e não só) e fico a achar que é culpa dos meus genes. Pois.

20 fevereiro 2008

férias

É fácil de perceber que estou mais que precisada de férias. A questão nem é tanto o descanso, é mesmo a praia e o sol - o sol! o que eu preciso de sol! - e tudo aquilo a que tenho direito: caipirinhas, cheiro a creme protector, banho ao fim da tarde, um pezinho de dança. Tenho direito a essas coisas, olaré se tenho. E vou ter, por alturas do meu aniversário. Então, por que é que não estou mais entusiasmada? Porque o Gustavo não vai connosco.
É verdade que o sítio para onde vamos não garante todas as condições de segurança para um bebé de pouco mais de um ano. É verdade que andaríamos em volta das rotinas dele, que não poderíamos fazer tanta praia, que teríamos de nos deitar sempre a horas de bebé. É verdade que todos os casais precisam de tempo a dois - e nós até na Lua-de-mel levámos o Gustavo (embutido de 7 meses). É verdade. Mas custa-me muito não o levar (ainda que ele fique bem entregue aos cuidados de 2 pares de avós). Vou ter muitas saudades. Vou pensar nele quase o tempo todo. Vou estar na praia a matutar se estará outra vez com tosse ou se não o estarão a estragar sempre ao colo, a amparar-lhe as birrinhas. A vantagem é que contar os dias para o regresso não será um exercício deprimente, como era costume. Vá, mães galinhas, digam que me compreendem.