05 julho 2012

para a semana é que é

Diz-me a wikipédia que o Sr. Gulbenkian quis deixar coisas bonitas ao nosso bom povo, não sei se só por devoção cristã, se também porque antevia com uma espécie de moralidade visionária a herança pesada de ter ajudado a estabelecer algumas das futuras grandes petrolíferas. O que é certo é que tenho à porta de casa uma entrada secreta para o País das Maravilhas. Passamos o portão e mergulhamos no silêncio das árvores, dos arbustos, das famílias de patos, dos auditórios onde ecoam os concertos da noite anterior, e das obras de arte que nos miram, se passarmos distraídos. Gosto muito deste meu jardim das traseiras. Gosto de ler na relva. Gosto de pastar as crianças. Gosto de ir bem cedinho e correr, tentando evitar a rega automática implacável, e prestando atenção para não pisar nenhum cágado nem torcer um pé nos degraus de cimento. Serena-me pensar que aquela possibilidade de tantas coisas boas está mesmo ali ao lado. E mesmo que ainda não tenha ido a um único concerto ao ar livre desde que lá vivemos, ainda que esteja sempre a adiar planos de piqueniques espontâneos ao fim da tarde, é bom saber que é só sair porta fora.

4 comentários:

Melissinha disse...

Também estou sempre a adiar piqueniques espontâneos.

Vera disse...

As minhas idas ao jardim da Gulbenkian foram sempre contigo, de tão romântcas que somos. É fantástico que seja hoje o teu jardim, é parvo que não o desfrutes!

Naná disse...

Mas porque é que é sempre assim? Temos tudo ali tão perto, sabemos que está lá, mas não usufruímos?

Rita disse...

é também o meu "jardim secreto" e já escrevi muito sobre ele (o último post foi mesmo na semana passada!). será que o mesmo pato já terá partilhado as nossas côdeas de pão?