17 setembro 2014

desigualdade de género

Esqueçam os tiques, os maneirismos, os hemisférios cerebrais, as aptidões para as actividades físicas, as apetências para os desarranjos emocionais, as piadas, as teorias e os manifestos: aquilo que distingue os homens das mulheres é que estas invejam a relação que os homens têm entre si enquanto os homens se estão marimbando lá para essa coisa insondável que são as amizades femininas.

11 comentários:

Quando me encontrares disse...

Hmmm... Mais uma vez não encaixo nesta "diferença entre homens e mulheres", porque a maioria dos meus amigos são homens.

gralha disse...

Mas isso é outro assunto completamente diferente, Quando me encontrares. Amizades entre mulheres e homens. Um dia talvez dê o meu bitaite sobre isso.

Quando me encontrares disse...

:)
Sim, é verdade.
Mas, no meu caso, pensando seriamente sobre isso, a minha amizade com eles é um bocadinho parecida com a amizade entre gajos.
Não nos ligamos frequentemente, quando estamos juntos podemos estar tranquilamente em silêncio a ler jornais, nunca falamos muito sobre "muitos sentimentos que as pessoas sentem", falamos de futebol, dizemos palhaçadas e rimos muito. É mesmo de gajos, não?
Ah! Mas numa coisa eu não sou "gajo": eles tentam evitar os palavrões quando eu estou presente, porque sabem que não gosto. (Mas esquecem-se muitas vezes...)

gralha disse...

Lá está: por muito que aspiremos a ser "one of the guys", nunca nunca nunca conseguiremos alcançar esse estatuto.

E agora podia vir uma breve dissertação acerca da nossa vontade de ser "one of the guys" mas convido a D.S. a falar sobre isso quando tiver desfeito as malas e arrumado os tarecos na casa nova ;)

Amigo Imaginário disse...

Acho que a coisa mais perto que há de "amizades de gajo" são amizades entre irmãs. Pelo menos, são as únicas pessoas que me chamam "puta" sem que me sinta ofendida! ;)

Mãe Sabichona disse...

Engraçado porque não tenho essa aspiração. Acho as amizades femininas, quando funcionam, muito mais gratificantes. O que não significa que não nos dêem mais dores de cabeça... e vários homens já me disseram que nos meio de tanta camaradagem, às vezes sentem falta de poder falar com alguém sobre certos assuntos.

gralha disse...

Pois é, Amigo Imaginário, não tenho irmãs. Deve ser uma relação especial, de facto.

Mãe Sabichona, eu gosto muito das amizades femininas mas acho que esses vários homens te aldrabaram. Vá lá, eles querem lá saber de amizades para falar de certos assuntos.

Mãe Sabichona disse...

Muitos procuram-me em contexto profissional precisamente por não terem ninguém mais próximo para poderem desabafar certas coisas. E acredita que uma das coisas que me dizem com frequência é a de que entre amigos certas intimidades são logo consideradas uma coisa "abixanada" e que portanto nem consideram a possibilidade de o fazer. Acho que de uma maneira geral a necessidade de um homem o fazer é muito menor em comparação com uma mulher, mas também existe e por ser menos frequente está mais camuflada.

gralha disse...

Ainda bem que esses homens encontram uma profissional como tu, nesse caso, Mãe Sabichona :)

D.S. disse...

Cheguei tarde mas foi mais pela reflexão que este assunto merece do que pelo caos da mudança :)

Lembro-me de ter lido algures uma autora feminista, não sei se a Beauvoir, dizer que a relação entre mulheres tem a intriga e o amor-ódio característicos precisamente pela inferioridade da mulher na sociedade. Lembro-me muito vagamente da argumentação desenvolvida mas era qualquer coisa do género as mulheres não se respeitarem umas às outras porque vêem na outra, inconscientemente, um membro da classe inferior, logo indigno de valorização e respeito, perpétua competidora pela atenção do homem, o membro da classe que vale realmente a pena.

Isto está a modos que abstrato e rabuscaso por isso prometo ir ler a passagem com a atenção merecida e depois debitar a minha opinião sobre a coisa.

gralha disse...

Faz bastante sentido, D.S.