25 agosto 2011

o desafio que se segue

Aos poucos, começa a definir-se o cenário do que será a nossa vida de agora em diante, no regresso a Portugal. Eu regresso (ao que tudo indica) à vida académica, os rapazes vão para a escola onde o Gugas andou antes, e o meu marido começa um novo emprego, numa nova área, que o vai obrigar a passar as semanas em Coimbra, pelo menos durante os primeiros 3 meses. Isto significa que regressamos à nossa casa, ao nosso bairro, mas como família depenada de pai excepto aos fins-de-semana.
Se estou com cagunfa? Evidentemente que sim. Passo a listar algumas miaúfas relevantes (por ordem semi-aleatória):
1º Tomar conta de dois filhos sozinha;
2º Morrer de frio nos Invernos gélidos e húmidos de Lisboa, muito piores do que as temperaturas negativas daqui;
3º Lidar com toda uma sociedade em depressão colectiva (e que pensa que a solução é zarpar daí);
4º Ter de ouvir falar de futebol e telenovelas todos os dias;
5º Dirigir-me a repartições públicas;
6º Voltar a tratar as pessoas por Sr. Dr. e Sr. Professor;
7º Ficar desempregada e não conseguir arranjar emprego durante muuuuuito tempo;
8º Sentir que já não pertenço bem aí;
9º Sentir que os meus amigos got over me (evito os estrangeirismos mas, neste caso, o termo em Português não exprime exactamente o que quero dizer)
10º Beber cafés minúsculos outra vez.
Reparem que já tenho um cão, donde a inutilidade do conhecido adágio de "quem tem medo...". O medo assiste-me, ah pois assiste, mas é preciso andar com a vida para a frente. Com a ajuda da família alargada, lá sobreviveremos a esta nova modalidade familiar. Com todos os aquecimentos ligados, lá conseguirei limitar a torrente de ranho que habitualmente me corre do nariz entre Novembro e Abril. Com muitos mimos dos amigos, lá acreditarei que fiz alguma falta. Não estou é a ver panaceia para a sensação de já não pertencer aqui, nem lá, nem em lado nenhum. Pode ser que passe com o tempo, os pés de molho no Atlântico e a cabeça a sonhar com mundos ilimitados daqui em diante.

7 comentários:

Marta disse...

Querida Gralha,
Já cá estou há 1 mês e ainda não sinto que pertença aqui, nem aí nem a lado nenhum...Tal como tu, espero que isto passe!
Beijinhos,
Marta

Naná disse...

E são miúfas perfeitamente fundadas... a mais complicada será mesmo a de pertença. Mas o "bicho homem" a tudo se habitua...

Melissinha disse...

Passei por isso tudo, Gralha, e volta tudo ao sítio com o tempo, menos a rinite.

Força aí. Pelo menos com mais uma amiga de braços abertos para te receber por cá, voltas :)

Joanissima disse...

Vai correr tudo bem. Não há nada que não consigas ultrapassar... : )
E, nas viagems a Coimbra do teu marido, podes sempre acompanhá-lo um dia ou outro e, enquanto ele trabalha, eu mostro-te a cidade e levo-te a comer pois que um Leitão à bairrada, um gelado caseiro ou qualquer ourta coisa que te apeteça... : ))

margarida disse...

Gralha, tens o medo partilhado até com os que não voltam.
Não sei se vai chegar o dia em que vais pertencer só a Portugal outra vez, e nada aí, mas isso é muito melhor que pior: podem tirar-te da América mas nunca tirarão a América de ti e essa é a gralha que tu és (e nós gostamos).

Sara MM disse...

E eel vai deixar o pos-doc a meio!?!?

gralha disse...

Sara, a meio não, a dois terços. Mas foi pacífico.