26 outubro 2011

a vida que continua todos os dias

Durante a semana deixei de ser mulher, sou só mãe e filha. É tão estranho saltitar entre esses dois papéis, conforme a divisão da casa e a hora do dia. Levanto-me e passo pela cozinha, evito tropeçar no meu irmão grande demais, de fato (àquela hora não o distingo do meu pai); a minha mãe pergunta-me se dormi bem e se comi e eu sinto que aquelas são as minhas palavras - mãe sou eu! - desarrumadas noutra linha espaço-temporal. E depois clic! no interruptor das crias e ando a correr atrás de um e do outro, distribuindo canecas de leite, iogurtes líquidos com palhinha, pilhas de roupa, escovas de dentes. A cria grande está refilona e contestatária. Está um aranhiço com pernas e braços por todos os lados. A cria pequena continua destruidora e pede para ir ao bacio. Está uma (quase) bolinha espertalhona. Lindos e tão crescidos. Deixo-os na escola e tenho de parar uns segundos para me lembrar de qual é o papel que tenho de representar a seguir.

3 comentários:

Vera Dias António disse...

Essa é uma parte da minha vida que ficou para trás mas que durou alguns anos embora o dia-a-dia continue um mosaico de nós, eles, os avós e todos juntos e depois só nós e há uma redefinição permanente de papeis.
E tem dias que é giro. Outros mais complicado mas sim, às vezes é preciso para e pensar "agora sou quem?", LOLLLL
Sempre achei que eras melhor socióloga do que muitos de nós - tipo eu - por teres essa capacidade fantástica de analisar estas coisas que são, aparentemente, só coisas do dia-a-dia. O Rui também é assim, se pudesse transferia-lhe o diploma, LOLLLL.

Mãe da Tiz disse...

Gosto tanto de te ler!!! Às vezes parece que estás dentro da minha cabeça....

Beijinhos*

gralha disse...

Vera, só tu para me encontrares tais talentos sociológicos.
Mãe da Tiz: obrigada (acho eu, que isso de estar dentro da cabeça das pessoas e um bocado estranho)