03 novembro 2011

fantasmas

Hoje foi à porta da igreja: lá estava ela, a Miss J., educadora americana do Diogo. Ontem foi a minha ex-colega da biblioteca de Princeton, no centro comercial do Campo Pequeno. Aparecem-me, agora. Aparecem-me enquanto durmo e também acordada. Antes só via onde não devia ver os que já morreram. Depois, os amores desfeitos, as ilusões desiludidas. Cheguei ao tempo em que já muitos fantasmas povoam os meus dias, pessoas que não pertencem ali e que me parece encontrar nos lugares impossíveis. Eu, que não percebo nada de psicologia e menos ainda de psicanálise, digo que são as memórias que tento apagar depressa demais. Há memórias que derretem mais devagar do que a neve de Janeiro. Não sei o que fazer delas.

7 comentários:

Melissinha disse...

diz-lhes olá :)

(a sério).

Mãe da Tiz disse...

Eu sei bem o q é isso... Vivo há 9 anos longe de casa e passo a vida a "ver" pessoas que são de um lugar no outro... A massa cinzenta não pára ;)
Acho q tem a ver com saudade/habituação...

Beijinhos*

Vera Dias António disse...

O meu querido e amigo Padre Sousa, que conheceste e que me morreu 13 dias depois de nascer o Amadeu aparece-me constantemente... e o 1.º impulso é sempre o sorrir-lhe e o ir falar-lhe. Minto, a 1.ª sensação é sempre a surpresa agradável por ele ainda estar ali, afinal está ali... mas não está.
impressionante as vezes que me aperece.
Em relação aos vivos também já me aconteceu, após mudar de sítio e enquanto me habituo a mudar de pessoas, deve ser a tal habituação, depois passa, com os vivos passa!

margarida disse...

Engraçado, eu mal entro num aeroporto penso que vejo gente conhecida em todo o lado. Acho que é a pressa de os ver, mas também compreendo que no teu caso seja a falta de os ter.
Ainda assim, apesar do sobressalto no peito, antes fantasmas de vivos que de mortos. Eu não acredito nessas coisas, mas respeito.

gralha disse...

Eu também não acredito em fantasmas, Margarida. São só os meus olhos que me enganam, sobretudo quando ando sem as lentes de contacto.
Vera, por falar em padres, como sabes, também sinto muito a falta do meu. Mas agora tenho um novo de quem estou a gostar muito - e até tem um blogue e tudo (se quiseres, mando-te o link).

Vera disse...

Falando em padres, ontem morreu-me outro, levou-o um cancro e o que ele correu para não se deixar levar. Mas morreu ontem e agora é que desisto de casar pela Igreja... Este era o Padre dos Convivios fraternos e dos Campo de férias em que fui monitora. Que raio, pá.
O que está agora aqui é mais novo - o R. chama-o "saltarico", lol.
Por falar em blogs(sim, manda-me), está agora aqui um Padre novo - numa paróquia do concelho, não a minha, e não sendo novo em idade tem um blog cujo título é algo como "eleesta-nomeiodenos", LOLLLL
Beijinhos e bom fim-de-semana, po cá há festa de anos x 4 e vai ser complicado, LOLLLL

Rita disse...

Deixa-as estar sossegadinhas e aprecia-as de forma tranquila :)