23 outubro 2014

estou cheia de avessos

Dia de ser o pai a tratar deles. Mesmo antes de ir para a escola, ouço o mais novo queixar-se de não conseguir dobrar o pijama, que está todo cheio de avesso. Pouso a caneca de chá, dobro o canto da página e fecho o livro, com um sorriso. Aparentemente, isto dos filhos, do livro e do chá fazem de mim uma impossibilidade ontológica, mas sobre isso já alguém disse aqui o que eu penso sobre o assunto. Sem o saber, o meu filho acabara de descrever o meu estado de alma nos últimos tempos. Nunca escapo às minhas próprias armadilhas. Era previsível o falhanço de alguém que se sustenta na aparente solidez de determinadas premissas obviamente perecíveis. De entranhas reviradas, sem voz, arrasto os pés pelos dias fora. Nem força há para resmungar decentemente. Mais do que nunca, as orações são lançadas como garrafas de náufrago. Sempre com esperança de salvação, sempre com medo de apanhar com a garrafa de volta no toutiço. Antes de saírem, os meus rapazes passam por mim e beijam-me em sítios inauditos, com medo do contágio. Tenho um cotovelo, uma nuca e um umbigo cheios de sorte. Posso estar de pernas para o ar, mas estou em boa companhia.

Andei esta semana a escrever num .doc o que antes fazia aqui. Este exercício diário pode não servir um fim maior do que o meio, mas faz-me falta. Quem quiser ler, que leia. E agora vou ali comprar um apito.

7 comentários:

Melissinha disse...

:) Tive saudades tuas.

disse...

Agora olhei ali para o lado dto e vi-te...
E volta um bocadinho sempre que quiseres ;)

Umbigo!? :)

Mãe Sabichona disse...

Quem tem boa companhia, tem tudo :)

gralha disse...

Também tenho saudades tuas, Melissa.

Té, achas que o umbigo é foco de contágio??

É verdade, Mãe Sabichona :)

disse...

ahahah
umbigo -» barriguinha -» feijãozinho -» beijinho......
Imaginação fértil! o que é que queres :)))

Boa corrida.

gralha disse...

Ui, Té. Até me para a digestão! Afasta de mim essa cegonha.

Amigo Imaginário disse...

"todo cheio de avesso"... esse rapaz é um poeta! :)