18 janeiro 2012

pelas magras

As minhas amigas de todos os tipos de corpo e IMC que me perdoem, mas isto não passa de hoje: estou um bocadinho cansada de ouvir e ler dizer mal da magreza. Ninguém pode andar por aí a dizer mal da gordura, que é logo trucidado, mas as pessoas magras acabam todas enfiadas no mesmo saco de doença e irrealismo, sem apelo nem agravo, e está tudo muito bem.
Hoje comi uma gigante fatia de bolo de banana e canela com doce de ovos ao pequeno-almoço e não tenho de pedir desculpa a ninguém por isso. Clinicamente, tenho um peso um pouco abaixo do normal para a minha altura. Não faço dietas. Não sou obcecada com a imagem. Sou assim e tenho direito a isso, como qualquer outra pessoa. Por isso, se não gostam de ver actrizes magras, paciência. Eu também não gosto de ver pessoas morenas com o cabelo pintado de loiro platinado, mas não ando para aí a dizer que alguém "devia dizer-lhes" que aquilo lhes fica mal, nem que os homens que gostam daquilo devem estar todos desorientados. AR I ESS PI I CI TI.

11 comentários:

Melissinha disse...

Não é das magras que falam (falamos) mal, Gralha, é das emagrecidas.

Se tu começasses a fazer dieta com o peso que tens agora, por exemplo, era assunto teu, sim, mas eu ia falar mal de ti. É disso que andam a falar - de mulheres que são modelos para outras mulheres, que já são naturalmente lindas e magras e, por motivos que ultrapassam toda a gente, continuam a fazer-se emagrecer mais, mudando os paradigmas de beleza (porque continuam a ser modelos para outras mulheres).

Não é invejinha de gorda. Invejinha de gorda tenho do teu pequeno-almoço!

gralha disse...

Mas quem diz que elas estão a emagrecer ainda mais de propósito, Melissa? Eu emagreço quando ando em stress. E se elas quiserem ser esqueletos, não podem?

Melissinha disse...

Poder, podem, tanto que o fazem. Mas acho muito bem que sejam criticadas por isso.

Isto não tem nada que ver com magreza natural, tem que ver com sucumbirem a um ideal impossível. Tem que ver com não estarem nunca bem dentro da própria pele e passarem fome para se sentirem aceites pela Indústria.

E mandarem cá para fora a mensagem de que isto é que está certo, afinal, porra, são casadas com o Brad Pitt, o que pode haver de errado?

Não tomes isso como uma cruzada contra as magras, porque está longíssimo, longíssimo de ser. Tu és magra e emagreces com facilidade, mas acredita que tornar-se magra é algo extremamente penoso para a maioria das mulheres. E não falo de mulheres obesas, falo de mulheres normais que este paradigma de magreza excessiva tornam gordas.

É triste. Haver um paradigma, que seja, já é triste.

Melissinha disse...

É disto que se trata:

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=PTlmho_RovY

gralha disse...

Eu não ando aqui em cruzada pelo paradigma da magreza. Não estou à espera é que ninguém tenha de emagrecer nem de não emagrecer à custa das opiniões alheias. Todo o tipo de corpo pode ser lindo mas o que importa é que nos aceitemos como somos, sem cumprir regras de suposta normalidade. Eu também gostava de ser alta e mamalhuda e não implico com as pessoas que fazem operação para esticar as pernas ou para insuflar o peitoral. Sede lá todos como quiserdes!

Cláudia disse...

Às vezes também penso que se comesse só o que as modelos comem e tivesse a vida que elas têm - as horas de ginásio, as massagens e a desnecessidade profossional de passar horas sentada - seria um autêntico esqueleto, mas quem sabe se todo o stress que essas obrigações provocam não me iria causar um qualquer distúrbio alimentar e fazer de mim uma infeliz a suspirar por comida em vez de ser feliz com o corpo que tenho aos 45 anos, que não exige mais do que tentativas de uma alimentação saudável, tentativas de uns 20 minutinhos de exercícios leves pela manhã e tentativas de uma auto massagem rápida a seguir ao banho - como não passam de tentativas tudo o resto é permitido, em doses moderadas claro! - o que não impede de me rir para dentro quando me elogiam a boa forma e eu penso em tudo aquilo que não é visível ao comum dos mortais (vamos, excepto na praia) mas que também não me aborrece por aí além! A verdade é mesmo que toda a gente pode ser bonita e atraente independentemente dos estereótipos (idade, peso, altura, cor da pele ou do cabelo, essas coisas!) e que a maior parte das vezes "o peso está na cabeça" (não, por favor não me interpretem mal!)

margarida disse...

Raios gralha, ando há uma eternidade para fazer um post do género deste! Há pessoas que são magras porque são, as mães eram, os filhos provavelmente também serão. E ser magra é feio, fora de moda e doença. Quando a Margarida Rebelo Pinto escreveu um texto com um certo mau gosto a falar das gordinhas houve um tumulto de mulheres revoltadas, que na sua fúria escreveram textos, igualmente de mau gosto, sobre as magras, essa escória.
Beijinhos

Caixa de Sonhos disse...

Ora bem,
(Adoro este tema, juro).
Eu sempre fui gorda, sempre pesei, desde que me lembro, entre 75 a 85kg. Tenho 1,60.
Nunca gostei de ser gorda, nunca me esforcei grande coisa para deixar de o ser. Basicamente nunca pensei muito no assunto, coitadinha de mim e tal, mais a genética e o raio.
Tudo mudou depois de ser mãe. Tudo.
Na 1.ª gravidez engordei 8 kg, recuperei para os 75-78 num instante. Na 2.ª gravidez engordei 16 kg. Fiquei com 85 kg muitos meses após ter dado à luz. Um dia acordei para a vida e comei a reeducar-me e, quando já roçava os 70 engravidei pela 3.ª vez. Achei que ia ganhar pouco peso, andava muito bem comigo e com a gula controlada. A gravidez era gemelar e aos 3 meses perdi um dos gémeos. Fiquei em casa a tentar concluir a gravidez - e consegui!
Nesta 3.ª gravidez, muito stressante, acabei por engordar mais de 40 kg o que, feitas as contas, me levou aos cerca de 110-115 kg (na ultima semana já nem me pesei, quando atingi os 110 kg.)
Quando sai dos hospital pesava 95 e na consulta dos 3 meses pós-parto pesava 85kg. Achei que era hora de cuidar de mim, estava fartinha de ser gorda, A Gorda.
Quando disse em cima que tudo mudou depois da maternidade, de facto, o que mudou foi o meu amor-próprio.
Recomecei a minha reeducação, a ter cuidados, a fazer caminhadas e, em 3 meses tinha chegado aos 65 kg(que já não me lembrava de ter desde aí os 10 anos, sem exagerar). Desde que perdi peso sou, de facto, muito mais feliz, acho que a minha capacidade de agarrar a vida, inventar projectos, amar o mundo e as pessoas cresce à medida que o meu corpo diminui.
É preciso ter apoio nesta caminhada. O meu marido e familia próxima deram-me forças. Não sei se devia escrever isto mas há 2 coisas em que pensava muito:
1.ª) O meu marido é magro e eu não gostava da ideia de o ver na rua de mão dada com uma gorda - eu, por sinal. Porque eu sei o que penso quando vejo um casal "desproporcional", todas sabemos. Eu fazia essa avaliação quando eu própria era gorda, não olhava para mim, portanto.
2.ª) Eu não queria ser uma mãe gorda que is buscar os filhos à escola, queria ser gira e cheia de energia.
Foram basicamente estes os dois pensamentos que muito me motivaram.
Sinceramente não me levem a mal no ponto 1, mas é a realidade.
Até mesmo no local de trabalho sinto essa diferença, juro.
Em relação ao tema do posto, do que dizem os outros, bem.... já me perguntaram se tenho alguma doença; já me aconselharam a não perder mais peso pois fico esquisita; já me perguntaram se quero ficar anorética; já me exigiram marcas de comprimidos milagrosos... juro, já aconteceu de tudo.
Eu acho que faz impressão às pessoas quando uma mulher se dá valor, gosta de si, trata de si. Uma vez li no blog da Cocó que o filho se tinha magoado porque ela só ligava a ela, a emagrecer a cuidar dela e o papel da mãe é cuidar dos filhos... tanta maldade...
Conhecendo a minha família veriam que a genética não me favorece mas é possível, tão possível, e quando começamos a emagrecer parece tão fácil, ao ver resultados só pensamos "mas por que é que não tive juizo antes?".
E depois tenho amigas que dizem que estou uma bomba(gralhadixit, LOL) e sabe bem, muito bem!

Gralha, desculpa mais um comentário maior do que o post. Eu emagreci mas não parei de ser faladora, LOL

Ana C. disse...

gralha, eu acho que uma coisa é ser-se magra, outra é ser-se magra e achar-se que tem que se emagrecer ainda mais, porque os esterótipos de beleza assim o "ditam". Vai daí come uma ervilha por dia, ou deixa de comer de todo. A isso chama-se doença/anorexia/loucura e quando vejo mulheres com os ossos a furarem a pele, só consigo lembrar-me dos judeus nos campos de concentração.
Eu pessoalmente faz-me impressão malta muito gorda e malta muito magra. E sublinho o muito, pois acho que os muitos do que quer que seja, nunca estão bem consigo próprios.

gralha disse...

Caixa de Sonhos, ai mulher, esses macaquinhos na cabeça é que me deixam furibunda e a pensar que chega de julgar gordas, magras, loiras, morenas, seja lá o que for. Casal desequilibrado?!? Até hiperventilo... O que importa é que estás feliz como estás.
Ana C., compreendo a tua perspectiva. O meu argumento é só que, sim, há gente esquelética (nem é o meu caso) que é assim e ponto, não é por tentar obedecer a editoriais de moda.

Claudia Borralho disse...

OH GOD, tu sabes que essas malvadezas têm que ser ditas pro ppl se sentir bem com as suas gordurinhas :)