21 dezembro 2011

suave censura

Vendo o primeiro episódio da Pan Am

(pequeno aparte: não vejam a série a menos que estejam dispostos a fazer uma maratona de cirurgias plásticas, de que necessitarão depois de descobrirem todas as imperfeições em vós que aquelas grandes nojentas lindíssimas vos evocarão para todo o sempre)

fiquei a interrogar-me por que é que há tantas mulheres que levam a vida a sentir-se julgadas pelas mães, como se fossem eternas meninas de 8 anos. Nem acho que o problema esteja nas mães - essas, há-as de todos os feitios, das indiferentes às tirânicas; mas por que é que crescemos, fazemo-nos adultas, e não deixamos de ouvir aquela voz familiar a dizer "bem te disse para baixares o lume" quando o arroz fica colado ao tacho? Não há crueldade nesse julgamento que recriamos uma vez após outra. Há só a sensação de que não nos esforçámos o suficiente, de que não alcançámos a meta e que, por muito penteadas e bem vestidas que estejamos, por mais limpa, arrumada, organizada que esteja a nossa casa (a nossa vida!), falta sempre um pequeno nada. Nunca seremos perfeitas como as nossas mães. E, de alguma forma, sinto uma pequenina alegria ao saber que nunca vou causar essa reacção a uma filha.
Já as grandes galdérias das minhas futuras noras estão feitas ao bife.

7 comentários:

Melissinha disse...

Mãe é uma cena tramada.

Inesa disse...

A minha mãe é tão "especial" e os termos de comparação são tão poucos que nunca me senti julgada. Pelo menos, não nas coisas ditas "normais". Já os "julgamentos" do meu pai...

Jo Ann • Jotä disse...

Hahahahahaha, adorei a conclusão!
Eu já sei que a minha mãe nunca vai estar feliz com o que eu faço, então, tenho mais é que fazer o que me apetece! Tido por ter, tido por não ter...

Naná disse...

Eu pagaria para ter a minha mãe cá para me apontar defeitos. Só que a minha mãe nunca o fez enquanto viveu, não tinha feitio para isso!
Mas ensinou-me a lidar com as consequências das minhas decisões!
Por estes dias, sei que ela teria orgulho em mim!
Quanto às noras, palpita-me que seremos parecidas...

Ni! disse...

:)))))

Caixa de Sonhos disse...

Julgamentos por aqui sempre foram mais os do pai, que eu sempre vi como medos, de que erremos, de que nos demos mal, enfim, da mãe nem por isso, o R. até acha que ela me devia ter repreendido mais, LOLLLL. É uma companheira.
Em relação a mim, vou ser uma jóia de uma Sogra!!!! Juro, vou ser tão querida, ai se vou, LOLLLLL!

gralha disse...

Atenção que eu frisei que o problema não está na mãe, está na filha que tem macaquinhos na cabeça.
Inesa, obrigada, convosco era o teu pai a fazer o arroz!