29 fevereiro 2012

leva-as o vento

Era bom que idade fosse sinónimo de sabedoria mas começo a suspeitar que isso nem sempre é verdade. Se há coisa que gostava de ver a aparecer em mim, em vez das rugas e dos cabelos brancos, era a capacidade de medir as palavras. Não é que eu fale muito, sai-me é tudo em catadupa, sem medidas de contenção nem gestões emociorçamentais que me valham. Não posso continuar a desculpar-me com o signo, com o género, nem com a nacionalidade, e envergonho a minha Mãe se disser que foi da criação (não foi, que ela é a rainha do auto-controlo). A verdade é que sou uma desbocada sem remédio. E já era altura de não ser assim, caramba.
As palavras, esses pequenos seres volúveis e imprevisíveis, não costumam ir com o vento sem antes entrarem em ouvidos e marcarem corações. Por isso, tive de ir aprimorando pedidos de desculpa, acho que já podia escrever um manual. Mas isso é de pouco consolo. Resta-me acreditar que, lá pelos quarenta, vou mesmo conseguir ficar calada. E que, entretanto, também abro a boca para dizer coisas bonitas, que amaciam almas e enchem egos. Os mais sensíveis que me vão perdoando.

4 comentários:

Melissinha disse...

eu adoraria que, pelo menos uma vez na vida, me saísse tudo em catadupa - mas é preciso muito, muito mesmo. E é preciso ser em resposta.

Mãe da Tiz disse...

Como te entendo! Este post podia bem ter sido escrito por mim...

Beijos

Vera Dias António disse...

Eu sou mais ao contrário, adorava que, com a idade, deixasse de engolir tanto sapo, tão contida, a menina. É que, se por um lado ganhamos, por outro perdemos. Percebeste? Pensamento do dia, de tão profundo! Ahahahah!

Rita disse...

Eu sou mais Mel e Vera!

Cansadinha de engolir sapos, mas com a idade estou a melhorar!