06 fevereiro 2012

a minha cozinha

Nas fantasias milionárias de cada um de nós vestem-se marcas impronunciáveis, calçam-se sapatos de sola vermelha, circulam automóveis topo de gama e constroem-se moradias pós-modernas, decoradas a branco absoluto. Eu sonho apenas com uma coisa: uma cozinha nova.
Esta cozinha teria todos os equipamentos de última geração. Estaria permanentemente abastecida dos melhores produtos. Revestida a travertino, com iluminação inteligente sob os armários, sistema de limpeza automática e sistema integrado multimédia de origem nórdica. E nem uma migalha perturbaria a lisura da bancada.
Estou a mentir descaradamente. Desculpem lá mas estou-me a cagar para como seria a tal cozinha. O meu sonho era nunca mais pôr os pés numa cozinha. Nunca mais mexer em louça suja. Nunca mais abrir uma tábua de engomar. Nunca mais limpar o congelador. Nunca mais descascar uma cebola e, oh sim, nunca mais tirar a nhanha que sempre acaba por ir parar ao fundo do caixote do lixo. O meu sonho de rica é politicamente incorrecto. É uma criada. Muda, de preferência.

7 comentários:

Ana C. disse...

Eu ficava com a parte: "Permanentemente abastecida dos melhores produtos", só que não seria eu a abastecê-la. Apareceriam arrumados, organizados e, acima de tudo, comprados por outrém :)

Naná disse...

Eu não me importava de fazer essas coisas, desde que houvesse rendimento permanente que me permitisse não ter que ir trabalhar para me sustentar...
Mas vistas bem as coisas... acho que também queria uma empregada doméstica sim!

Vera Dias António disse...

eu sou o cumulo da engonhisse(?) mas faz-me impressão ter pessoas em casa, no meio da nossa intimidade, a trabalhar nas nossas coisas por nós.
não tenho ninguém a fazer limpezas, a limpar as migalhas dos meus filhos do sofá, nem tenho alguém para passar os 950 kg de roupa semanal, faz-me impressão ter alguém a dobrar as nossas cuecas, a passar as calças do meu gajo, enfim, devo ser mesmo pobre até ao tutano, está entranhado em mim, sou uma saloia do piorio, e também não tenho dinheiro para isso, ahahah. se tivesse se calhar passava-me o romantismo que atribuo a passar a roupa das minhas pessoas.
sim, é de ser saloia, desculpem lá! ahahahahah
ok, a cena dos caixotes do lixo... isso dava jeito, vinha cá alguém 30 minutos 2 vezes por semana lavar caixotes e casas de banho, isso pode ser, fáxavor!

gralha disse...

Não é empregada doméstica que eu desejo, é criada. Daquelas que podemos mandar fazer tudo e mais alguma coisa sem peso na consciência porque são seres humanos. Não digo "escrava" porque não tencionaria chicotear nem impedir de ir embora, se quiser.

gralha disse...

E, Vera, para de passar a roupa a ferro, mulher! Há uma vida para lá do tecido sem vincos!

Té F. disse...

eheheheh muito bom o teu sonho!
Gosto de cozinhas não gosto é da parte em que a tampa do iogurte atirada para o saco do lixo cai virada para baixo e em cheio fica colada no balde gggrrr :)

triss disse...

O que me dava jeito ter uma. E já agora a cozinha nova também, que eu gosto de dar asas à Nigella dentro de mim.
Quanto aos vincos, os meus lençóis são uma vergonha, saiem da maq secar parecem papel amarrotado, mas estão lavados. No verão é que é, estende-se tudo muito esticadinho... e já está passado:-)