02 outubro 2013

do fundo de uma chávena de chá

Sou altamente apologista de quem procura retirar lições de vida a partir de pequenas circunstâncias que podiam parecer, à primeira vista, inocentes e aleatórias. Mesmo que as previsões meteorológicas falhem, que as estrelas não se alinhem, que as borras de café prometam e não cumpram, alguém que entrevê premonições (acha que) sabe a quantas anda e para onde vai. A determinação é o biocombustível do sucesso.
Infelizmente não acredito no destino. Faço o possível e também tento descobrir padrões, tendências, o código por que se rege o esquema do universo. Daí ver-me obrigada a concluir que, se volta a estar na moda a saia que dei no ano passado, se agora preciso de um recibo que atirei para a reciclagem anteontem, se vou ter de recuperar os dados que já tinha compilado e que apaguei, sem possibilidade de Ctrl+z,

Será que ando a desistir prematuramente das coisas?

Será que a febre do minimalismo e do não-deu-paciencismo se apoderaram de mim sem clemência? Quanto terei já desperdiçado porque ando sempre a mil, sem dar segundas oportunidades a objectos, pessoas, planos? Por outro lado, não podemos viver sempre na mesma poça de lama, repetindo erros e acreditando em hipóteses improváveis. Isso do optimismo ocupa imenso espaço e dá uma trabalheira, por muito que nos poupe em anti-rugas (além de que não se vende em comprimidos). Ah, se ao menos vivesse há uns séculos atrás e tivesse os homens para decidirem o meu rumo e arcarem com as culpas.

5 comentários:

Naná disse...

Já eu sou uma guardadora, não-vá-o-diabo-tecê-las... e tem-me valido de bastante, em situações bem caricatas!

Melissinha disse...

O medo de voltar a perder às vezes transforma as pessoas nuns bichos desapegados. Conheço uma gaja assim.

dona da mota disse...

Olha que eu cada vez mais acredito no destino... e depois ando a ler um livro que ajuda muito...
Quando entrevisto pessoas de mais idade essa é uma das certezas que têm... cada um tem o seu. No fundo, penso que a fórmula é não forçar nada - o que não é igual a não fazer nada, entenda-se.
Mas tudo tem uma razão de ser, sim.
Penso também que quando fazemos algo que depois vemos que não devíamos ter feito é porque nos contrariámos, se pensarmos bem havia algo dentro de nós a alertar-nos.
Ando numa caminhada em que entram conceitos como destino, coincidências e energias, mas ainda estou só a começar. Não, não entrei numa seita, mas qualquer dia crio uma, ahahahahahaha!
Beijo, gaja, bola p'rá frente que atrás vem gente (isto diz-se na minha terra!)

gralha disse...

Naná, tens de ensinar-me a viver com coisas que pode ser que um dia dêem jeito.

Melissa, caraças, pá. Será? É bem capaz de ser.

dona da mota, tu sempre acreditaste no destino! Pode ser que me convertas um dia.

dona da mota disse...

Sim, quando formar a tal seita (este nome é tão feinho...) será a primeira convidada! :)