16 dezembro 2014

documentangário

Ainda não me passou completamente a irritação com que fiquei depois de ver um suposto documentário. Não vos conto qual porque me caem em cima, que toda a gente sabia que aquilo era treta e eu é que sou totó. Ora bem, esclareço que comecei a vê-lo a meio, com ampla companhia, e ninguém deu pela trapaça até bem perto do fim. Aliás, tivemos de ir pesquisar a coisa para comprovar que não era real.
Então onde é que começou a desconfiança? Na observação da minha prima bióloga de que havia ali falhas na descrição de características daquela superordem? No espanto do meu irmão gestor perante a lentidão da indústria cinematográfica em capitalizar aquela história? No silêncio do meu marido físico, que estava demasiado absorto nas piadolas do 9gag para reparar no nosso aparvoamento? Não, senhores. Foi esta socióloga que bradou o j’accuse quando começou a reparar que os participantes, vulgares cidadãos reunidos pela crueldade cega do acaso, eram todos bonitos, jovens, convenientemente sorridentes e cumprindo na perfeição os estereótipos associados aos respectivos papeis. É que a vida real tem pessoas velhas, feias, desengonçadas e com falta de dentes, senhores produtores da tanga. E por muito que andemos todos de smartphone a apontar para as nossas próprias fuças, a telegenia é uma cena que não toca a todos.

4 comentários:

bloganormalidade disse...

Chateia-me um pouco, generalizando, o facto de haver documentário a mais sobre tristeza, miséria, desgraça e sentimentalismo que rima bem com música dramática de piano (ainda que sejam um pouco do espelho da realidade) e documentário a menos sobre coisas mundanas que têm tanto interesse mas nos escapam à vista por estarem disfarçadas de normalidade.

Se eu quiser ver épicos e dramas, sei bem que no cinema não me faltam soluções.
Mas isto sou eu, que por vezes acho os mockumentaries bem mais interessantes do que certos documentários.

Sérgio Mak

gralha disse...

Por acaso este documentário era sobre uma espécie animal, Sérgio. Ainda chateia mais. Quando uma pessoa já não pode confiar nos David Attenboroughs desta vida, onde é que isto vai parar? Os mockumentaries podem ser deliciosos, mas têm de dar alguma pista que são falsos e não fazer de conta que aquilo é mesmo verdade.

bloganormalidade disse...

https://www.youtube.com/watch?v=e-ia__1d_rM

Só por causa da altura do ano...

Sérgio Mak

gralha disse...

AHAHAHAHAHAH!

Vejam o link que Sérgio Mak pôs aqui em cima, pessoas.