07 novembro 2013

lista de métodos que não resultam

Nesta labuta diária de educar rapazes, há os gestos que fazemos de cor e há todos os outros que vamos ensaiando, falhando e procurando alternativas. A recém-mãe insone desespera porque, quando o bebé já aprendeu a não arrancar a própria chucha, descobre que consegue rebolar da cama até ao chão. A mãe de crianças pequenas, por seu turno, já conhece de gingeira esta capacidade que os adoráveis seres têm de crescer num piscar de olhos e baralhar as poucas certezas adquiridas. Basta que achemos que já dominámos a fera da birra, o papão dos pesadelos, a manha da sopa, e logo vem outra crise que nos faz regressar à humilde posição de eterna aprendiz. E então voltamos a experimentar.
Só que a imaginação pedagógica tem limites. Quando um filho faz fita por tudo e por nada (com ênfase no nada), vamos ao armário e, consoante os dias, sacamos dos adereços de várias personagens: a cara serena, de quem aguarda que aquilo passe por si; a cara zangada, de quem se sente abusada por um pequeno tirano; a cara assertiva, porém compreensiva, de quem sabe que todos temos dias difíceis; a cara de palhaço, de quem já está por tudo, desde que ele se distraia; a cara de vítima, de quem anseia por empatia e compreensão; a cara de desespero, de quem já não sabe para onde se virar e está a contar os minutos para o deitar. Hoje fui desencantar a cara de ternura e paciência infinitas, com uns retoques epicuristas. Parámos no meio do jardim, assoei-lhe o nariz e dei-lhe um abraço prolongado. Convidei-o a olhar para cima, a descobrirmos juntos o céu por entre as folhas amarelas das árvores. Foi um momento muito bonito. E suspendeu as lágrimas até chegarmos à escola e surgir outro pequeno drama.

7 comentários:

disse...

Há várias alternativas de contornar os obstáculos nem sempre escolhemos a melhor...
Às vezes é tão simples!

gralha disse...

Conta tudo, Té. Aliás, o objectivo deste post era ver se alguém me sugeria um método simples - e que resulte!

Melissinha disse...

Eu sou fã do abraço. Desconserto-o sempre.

gralha disse...

Temo que a cotação do abraço ande a baixar lá por casa, Melissinha. Os economistas explicam isto com a lei da utilidade marginal: quanto mais abraços dou, menos efeito fazem. Hoje apelei à graça da natureza; amanhã farei malabarismo.

(onde se prova que não aprendi nada com o post do começardenovismo)

disse...

Estava a referir exactamente a forma como fizeste, tão simples, e que resulta quase sempre: o abraço!

Naná disse...

Gralha, bolas... desde o primeiro ano da faculdade e da introdução à economia que não ouvia falar da lei da utilidade marginal... mas era exemplificada com gelados...

Gelados! às tantas pode ser uma solução... oferece-lhe um gelado quando se acabarem os abraços!

Comigo a cara que costuma funcionar melhor ainda é a de "vou ali à cozinha e já volto" enquanto rezo para que lhe passe enquanto vou e volto...

triss disse...

Tenho tantas máscaras no meu armário, e por vezes nem uma resulta. E aí tento o "no show", não há público.
Enfim vai-se tentando.