22 novembro 2006

do trabalho e do descanso

Estou bastante satisfeita com o trabalho que faço. O ambiente, sobretudo, é óptimo e tenho oportunidade de fazer muitas coisas diferentes. Sei que não tenho absolutamente nenhumas perspectivas de carreira aqui - como muita gente da minha idade, estou "a prazo" - mas isso não me incomoda, pelo menos para já. Sei que, se tiver de ir trabalhar para uma caixa de supermercado para pagar as contas e alimentar o gralhinho, lá vou eu. E aí é que está a questão: quase sinto vergonha de dizer isto nos dias de hoje mas nunca, nunquinha, sonhei em ter uma "carreira". No 11º ano tivemos de escrever uma composição sobre o que gostaríamos de fazer quando fossemos grandes (sim, leram bem, no 11ºano. Aquela professora tinha muito sentido de humor) e eu gralhei e gralhei acerca de como gostaria de ser dona de casa - o que também foi uma provocaçãozinha, já que era boa aluna.
Mas qual é o mal de uma pessoa querer profissionalizar-se como cuidadora da família? Irrita-me esta hipocrisia da sociedade de agora que obriga qualquer um a querer ser doutor/ engenheiro/ advogado - acrescentando às mulheres as exigências de serem giras, bem vestidas, terem o cabelo arranjado, irem ao ginásio e terem 1 ou 2 filhos, mas só depois dos 30!
Aqui manifesto o meu direito à maternidade plena, a ver crescer os meus filhos, os meus animais, as minhas plantas. E ainda a ler os livros todos que me apetecer, pelo menos os essenciais, a dedicar-me a projectos de voluntariado de corpo e alma, a dormir a sesta todos os dias, a escrever, a visitar museus, a tocar guitarra até os vizinhos me mandarem calar (sim, e a fazer as tarefas domésticas, mas isso já eu faço).
É por isto que eu não jogo no Euromilhões: se ganhasse, ajudava muita gente mas depois tinha de confessar que ia mesmo deixar o emprego, em prol de quem precisasse mesmo dele e o desejasse. E isso é uma coisa que ninguém pode admitir nos dias que correm.

3 comentários:

Maçanica disse...

Subscrevo! Daí o meu sonho: trabalhar(mos) de casa, num espaço só nosso! Ver crescer os nossos (futuros) 3 filhos, dedicar um espaço ao trabalho mas estar sempre lá!
Sim, acho que é possível!

joaninha disse...

Eu e muita gente que conheço deixariam de trabalhar se nos saísse o euromilhões.

Anónimo disse...

Minha linda, eu tirei um curso que de nada serve...e acredita que para mim a melhor profissão seria mesmo ser mãe e dedicar-me à minha família.

Quem me dera que pagassem alguma coisa por isso, acredita que era mto mais feliz e realizada!