Juntar em casa dois cães (semi)adultos é uma emoção comparável aos melhores episódios do National Geographic, mas assim com toques de telejornal da TVI (e do canal 18 qualquer dia, quer-me parecer). Cada dia é diferente, a cada dia se nota a evolução das reacções deles e agora, cerca de um mês depois deste 'acasalamento' forçado, a relação chegou ao pico da paixão e da ternuna. Nunca pensei! Volta e meia, começam aos beijinhos e, quando aquilo começa a aquecer, lançam-se em lutas simuladas em que, no meio de um grande rebuliço, o M. (mais pequeno) abocanha as bochechas e as orelhas do pobre R. (3 vezes maior que ele), que enfrenta tudo aquilo estoicamente e ainda responde com um olhar enamorado - verdade seja dita, é o olhar habitual dele - e com mais uma dose de beijinhos.
Haverá quem ache que eles precisavam era de uma cadela (ou 2) mas, cá por mim, eles estão mesmo é a disfrutar desta nova irmandade canina. Os machos são mesmo todos iguais: pegam-se, lutam, mas são sempre os maiores compinchas.
30 agosto 2006
29 agosto 2006
voltei voltei
Cá estou eu de volta das férias, moreninha e retemperada, depois de uns bons mergulhos nas praias algarvias. Ainda sobraram uns diazitos para fazer o percurso emigrante ao contrário: da terra (Lisboa), até França (mas só até ao lado de lá da fronteira), num lindo passeio pelo País Basco. Só foi pena a chuva a ensombrar a paisagem e a impedir mais uns mergulhinhos no Golfo de Biscaia, que mergulhos nunca são demais para uma gralha marinha como eu.
Agora, de volta ao trabalho e à vida doméstica, mas ainda com esperança de passar uns fins-de-semana a arejar para não perder nem um pouco do resto do Verão. Só de imaginar que vem aí o Inverno fico com calafrios...
E deixo-vos também a promessa de voltar com grandes notícias muito em breve, eheheh...
Bom regresso a casa!
Agora, de volta ao trabalho e à vida doméstica, mas ainda com esperança de passar uns fins-de-semana a arejar para não perder nem um pouco do resto do Verão. Só de imaginar que vem aí o Inverno fico com calafrios...
E deixo-vos também a promessa de voltar com grandes notícias muito em breve, eheheh...
Bom regresso a casa!
04 agosto 2006
momentos surreais
No Centro de Saúde Valha-me Deus, enquanto espero há meia hora que a pessoa antes de mim seja atendida, não consigo deixar de ouvir:
- Este nome... a senhora é russa?
- Bielorrussa.
- Da Rússia?
- Bielorrússia.
- ???....
- Podi ser Federassao Russa.
- República Federal Russa? (tic tic tic, escrevendo a dois à hora no teclado, só com um indicador gordinho)
- Federassao Russa.
- Mas a senhora não é russa?
- Bielorussa.
- Mas agora já meti no seu processo 'República Federal Russa'
- .......
Não sei se é de ser Agosto. Não sei se é de andar a passar demasiado tempo em organismos públicos nos últimos tempos. Andam a passar-se coisas muito estranhas à minha volta. Felizmente vou a banhos hoje. Regresso no fim de mês, beijinhos!
- Este nome... a senhora é russa?
- Bielorrussa.
- Da Rússia?
- Bielorrússia.
- ???....
- Podi ser Federassao Russa.
- República Federal Russa? (tic tic tic, escrevendo a dois à hora no teclado, só com um indicador gordinho)
- Federassao Russa.
- Mas a senhora não é russa?
- Bielorussa.
- Mas agora já meti no seu processo 'República Federal Russa'
- .......
Não sei se é de ser Agosto. Não sei se é de andar a passar demasiado tempo em organismos públicos nos últimos tempos. Andam a passar-se coisas muito estranhas à minha volta. Felizmente vou a banhos hoje. Regresso no fim de mês, beijinhos!
01 agosto 2006
note to self: gatinhos
Eis que, após 2 semanas de (des)organização na casa nova, chegam os nossos cães. Um é o M., um Beagle lindo e amoroso (e teimoso, comilão, com a mania das grandezas...), ou outro é o R., um Labrador pacholas e ainda muito miúdo (que só falta devorar-me de cada vez que me vê chegar, tal é a excitação).
Meus amigos, a minha vida não ficou mais fácil! Adoro os meus cães e não se pôs sequer a hipótese de ficarem nas respectivas casas (o M. na dos meus pais e o R. na dos pais do L.). Mas tanto pelo, tanta animação, tantas lambidelas, tanta confusão à hora das refeições (o M. tenta sistematicamente assaltar a taça do R.), é um bocado demais só para uma pequena gralha... E quando é para os levar à rua, pela trela? Tenho de usar calçado especial anti-derrapante e andar sempre alerta e a fazer piruetas para desensarilhar trelas, cães, árvores e o que demais nos passa pelo caminho.
Para a próxima a ver se arranjo uns gatinhos. Tão lindos os gatinhos. Ficam quietinhos em casa e só pedem uma latinha de patê por dia e que os deixemos em paz, asseadinhos e independentes. De facto, neste momento não consigo lembrar-me por que é que gosto mais de cães...
Meus amigos, a minha vida não ficou mais fácil! Adoro os meus cães e não se pôs sequer a hipótese de ficarem nas respectivas casas (o M. na dos meus pais e o R. na dos pais do L.). Mas tanto pelo, tanta animação, tantas lambidelas, tanta confusão à hora das refeições (o M. tenta sistematicamente assaltar a taça do R.), é um bocado demais só para uma pequena gralha... E quando é para os levar à rua, pela trela? Tenho de usar calçado especial anti-derrapante e andar sempre alerta e a fazer piruetas para desensarilhar trelas, cães, árvores e o que demais nos passa pelo caminho.
Para a próxima a ver se arranjo uns gatinhos. Tão lindos os gatinhos. Ficam quietinhos em casa e só pedem uma latinha de patê por dia e que os deixemos em paz, asseadinhos e independentes. De facto, neste momento não consigo lembrar-me por que é que gosto mais de cães...
28 julho 2006
os pratos da balança
Adeus TVCabo.
Passar umas boas horas por dia a limpar, arrumar, aprumar.
Saudades do colo dos meus pais.
mas
Poder vir a pé para o trabalho.
Fazer cozinha experimental e tu (por enquanto?) não te queixares.
Acordar durante a noite e a tua respiração deixar-me tranquila.
E as férias, já só falta uma semana!!!
Passar umas boas horas por dia a limpar, arrumar, aprumar.
Saudades do colo dos meus pais.
mas
Poder vir a pé para o trabalho.
Fazer cozinha experimental e tu (por enquanto?) não te queixares.
Acordar durante a noite e a tua respiração deixar-me tranquila.
E as férias, já só falta uma semana!!!
25 julho 2006
em andamento
E quando a vida nos apanha como se fosse um combóio em andamento, ficando uma multidão de rostos queridos a acenar-nos da plataforma, sorrindo e desejando-nos felicidades?
E quando não sabemos onde o combóio vai parar e nos foge um pezinho para a porta, para descer em andamento, porque aquela estação, pelo menos, já conhecemos?
E quando levamos muito mais na bagagem do que o que contávamos, porque é impossível levar só o essencial e há tantos sacos, malinhas e recordações que não podemos deixar para trás?
Isso não é Impulse. É para aí o contrário.
E daqui a umas horitas devo contar com a visita do L. aqui no trabalho. Cada vez que escrevo um post mais fatalista, cá me aparece o rapaz. Deixa estar por esta vez, dê por onde der, o combóio vai na tua direcção.
E quando não sabemos onde o combóio vai parar e nos foge um pezinho para a porta, para descer em andamento, porque aquela estação, pelo menos, já conhecemos?
E quando levamos muito mais na bagagem do que o que contávamos, porque é impossível levar só o essencial e há tantos sacos, malinhas e recordações que não podemos deixar para trás?
Isso não é Impulse. É para aí o contrário.
E daqui a umas horitas devo contar com a visita do L. aqui no trabalho. Cada vez que escrevo um post mais fatalista, cá me aparece o rapaz. Deixa estar por esta vez, dê por onde der, o combóio vai na tua direcção.
21 julho 2006
prós e contras
Isto de viver junto não é coisa fácil, principalmente para duas pessoas tão diferentes como o L. e eu. Ontem dizia ele que lhe parecia que a relação dele com os pais tinha melhorado desde que tinha saído. Respondi que devia ser porque aproveitavam o tempo que estão juntos para se darem valor e não a discutir sobre coisinhas pequenas. E acrescentei: "as coisinhas pequenas discutes agora comigo."
Esta troca está-me a parecer, até agora, um pouco injusta... Deve ser por isto que há tanta gente que arrasta relações estáveis vivendo em separado. Era tão mais fácil quando o que fazíamos juntos era jantar fora, ir à praia, viajar - em vez de estender a roupa, preparar as refeições e o diabo a quatro.
Esta troca está-me a parecer, até agora, um pouco injusta... Deve ser por isto que há tanta gente que arrasta relações estáveis vivendo em separado. Era tão mais fácil quando o que fazíamos juntos era jantar fora, ir à praia, viajar - em vez de estender a roupa, preparar as refeições e o diabo a quatro.
18 julho 2006
14 julho 2006
12 julho 2006
profissionais da bicha
Ao contrário do que possa parecer à primeira vista, este post não tem nada a ver com a homossexualidade. Aliás, só os rapazes pouco confiantes da sua sexualidade é que costumam ter problemas em dizer 'bicha' e preferem a alternativa tão burocrática e cinzentona que é a 'fila'.
Mas voltemos à bicha. Há pessoas que - à força da necessidade de sobreviver nos meandros das instituições públicas nacionais, é certo - são autenticas profissionais da bicha. Penso que devem calcular no dia anterior a hora certa para chegar. No local, examinam a concorrência, avançam e ferram os pés marcando bem a sua posição, com os olhinhos saltitantes entre o jornal diário gratuito que trouxeram do metro e os possíveis penetras (qualquer pessoa que se atreva a passar a menos de 3 metros da dita bicha). E as reacções quando alguém tenta passar à frente? Só lhes falta dar cabeçadas à la Zidane. Os meus preferidos são, claro, aqueles que trazem crianças de 5 anos ao colo ou Nenucos (isto é verídico) para garantir a prioridade.
Posto isto, tenho de reconhecer, não sem embaraço, que estou a ficar profissional da bicha. Depois de me levantar às 6h da manhã, lá estava eu antes das 7h a tirar a minha senha, a ler o meu livro e a observar os passantes. Triunfante, consegui marcar a consulta pretendida. E arrastei-me até aqui para um dia de trabalho em que mal consigo manter os olhos abertos.
Tenho saudades dos meus posts inocentes e optimistas. Por que é que agora não me sai mais nada do que o sarcasmo?
Mas voltemos à bicha. Há pessoas que - à força da necessidade de sobreviver nos meandros das instituições públicas nacionais, é certo - são autenticas profissionais da bicha. Penso que devem calcular no dia anterior a hora certa para chegar. No local, examinam a concorrência, avançam e ferram os pés marcando bem a sua posição, com os olhinhos saltitantes entre o jornal diário gratuito que trouxeram do metro e os possíveis penetras (qualquer pessoa que se atreva a passar a menos de 3 metros da dita bicha). E as reacções quando alguém tenta passar à frente? Só lhes falta dar cabeçadas à la Zidane. Os meus preferidos são, claro, aqueles que trazem crianças de 5 anos ao colo ou Nenucos (isto é verídico) para garantir a prioridade.
Posto isto, tenho de reconhecer, não sem embaraço, que estou a ficar profissional da bicha. Depois de me levantar às 6h da manhã, lá estava eu antes das 7h a tirar a minha senha, a ler o meu livro e a observar os passantes. Triunfante, consegui marcar a consulta pretendida. E arrastei-me até aqui para um dia de trabalho em que mal consigo manter os olhos abertos.
Tenho saudades dos meus posts inocentes e optimistas. Por que é que agora não me sai mais nada do que o sarcasmo?
10 julho 2006
vida simples, vida brega
Sim, é verdade, fui uma dos milhares de lisboetas que ontem se lembraram de ir para a Costa da Caparica. Eu tinha plena consciência que ia apanhar um trânsito infernal, neste que foi o primeiro fim-de-semana de bom tempo deste Verão. Mesmo assim, fomos porque os meus ossos reclamavam por aquela água gélida da costa e por um bocadinho de sol que desse alguma côr às minhas já muito pálidas bochechas. Que má ideia, que má ideia! O trânsito estava de tal ordem que mal chegámos à (cidade da) Costa da Caparica e vimos um lugar, estacionámos. Ou seja, fomos para uma daquelas praias entre molhes, com 3 metros de areia até à água, sem bandeira azul, e com cerca de 5 pessoas por metro quadrado. E, MESMO ASSIM, o pessoal conseguia estar a jogar à bola, a relaxar o belo corpanzil bezuntado de óleo Johnson (!), a gritar com a filharada e a comer bolas de Berlim.
Não sei se estou preparada para ser pobre. Como sou pouco agarrada às coisas materiais, apesar de (ou, se calhar, por isso mesmo) nunca me ter faltado nada, achava que esta nova fase da vida seria encarada com tranquilidade. Não tenho dinheiro para decorar a casa, ok, temos mobília simples, prática e despretenciosa. Não tenho dinheiro para jantar fora, ok, faço o meu mundialmente famoso caril de banana, acompanhado de um vinhito simpático. Não tenho dinheiro para viajar, ok, leio livros sobre terras longínquas numa esplanada de Lisboa. O problema é que muitas vezes não há a opção simples para algumas coisas, há apenas a opção ranhosa, como uma praia sobrelotada.
Chamem-me menina dos papás. É verdade.
Mas não é isto que compõe o enredo da novela venezuelana. É alguma coisa sobre a qual ainda não estou preparada para falar.
Não sei se estou preparada para ser pobre. Como sou pouco agarrada às coisas materiais, apesar de (ou, se calhar, por isso mesmo) nunca me ter faltado nada, achava que esta nova fase da vida seria encarada com tranquilidade. Não tenho dinheiro para decorar a casa, ok, temos mobília simples, prática e despretenciosa. Não tenho dinheiro para jantar fora, ok, faço o meu mundialmente famoso caril de banana, acompanhado de um vinhito simpático. Não tenho dinheiro para viajar, ok, leio livros sobre terras longínquas numa esplanada de Lisboa. O problema é que muitas vezes não há a opção simples para algumas coisas, há apenas a opção ranhosa, como uma praia sobrelotada.
Chamem-me menina dos papás. É verdade.
Mas não é isto que compõe o enredo da novela venezuelana. É alguma coisa sobre a qual ainda não estou preparada para falar.
07 julho 2006
06 julho 2006
teoria da relatividade
Em outras circunstâncias, a derrota de Portugal de ontem ter-me-ia causado uma grande frustração e tristeza. Visto que, de repente, tudo está virado ao contrário cá para os meus lados, vivi o jogo com a frieza do Mourinho e o final - estranhamente! - com alegria e muito orgulho na nossa selecção. Sou só eu que acho que eles até jogaram bem, que deram o litro, que acreditaram até ao fim? É que quase todos à minha volta não tardaram a baixar os braços e a dizer o costume: "é sempre a mesma coisa..."
04 julho 2006
coisas que não existem
O Ricardo defender três penaltis.
Estar a chover em Lisboa em Julho.
As cerejas incrivelmente doces que o meu pai comprou no mercado.
(só falta passarmos na inspecção da Lisboagás à primeira)
Isto desde que eles foram à lua o mundo nunca mais se endireitou.
As coisas andam muito estranhas mesmo, incluindo as minhas insónias entre as 4h00 e as 5h00, certinhas, como se tivesse que alguma coisa importantíssima para fazer àquela hora. Vá-se lá compreender...
Estar a chover em Lisboa em Julho.
As cerejas incrivelmente doces que o meu pai comprou no mercado.
(só falta passarmos na inspecção da Lisboagás à primeira)
Isto desde que eles foram à lua o mundo nunca mais se endireitou.
As coisas andam muito estranhas mesmo, incluindo as minhas insónias entre as 4h00 e as 5h00, certinhas, como se tivesse que alguma coisa importantíssima para fazer àquela hora. Vá-se lá compreender...
30 junho 2006
Julho
Vai começar o meu mês preferido. Aquele em que o Verão é mesmo Verão, em que se ouvem cantar alto as cigarras, em que as noites começam de dia e os jantares são de salada e fruta comida com apetite.
Adorava Julho durante a adolescência. Férias que nunca mais acabavam, ir para a praia até ficar torrada, escrever as saudades da paixão desse momento no meu diário e adormecer de janela aberta, com as estrelas gravadas nos olhos, para acordar cheia de vontade de passar mais um dia a fazer todas aquelas coisas para as quais nunca tinha tempo.
Já não me lembro da última vez que pintei um quadro.
Que apanhei o combóio para ir para a praia com os amigos.
Que fiquei a ler até de manhã alguma coisa inelargável que tinha comprado na última Feira do Livro.
Que contei os dias para rever um qualquer rapaz da escola.
Eu própria já reconheço que ando excessivamente nostálgica. Acho que não paro de reviver o passado enquanto não viver o futuro que desejei naquela altura. Alguém sabe, de facto, viver o presente?
Adorava Julho durante a adolescência. Férias que nunca mais acabavam, ir para a praia até ficar torrada, escrever as saudades da paixão desse momento no meu diário e adormecer de janela aberta, com as estrelas gravadas nos olhos, para acordar cheia de vontade de passar mais um dia a fazer todas aquelas coisas para as quais nunca tinha tempo.
Já não me lembro da última vez que pintei um quadro.
Que apanhei o combóio para ir para a praia com os amigos.
Que fiquei a ler até de manhã alguma coisa inelargável que tinha comprado na última Feira do Livro.
Que contei os dias para rever um qualquer rapaz da escola.
Eu própria já reconheço que ando excessivamente nostálgica. Acho que não paro de reviver o passado enquanto não viver o futuro que desejei naquela altura. Alguém sabe, de facto, viver o presente?
27 junho 2006
batalha interior
Acho que o meu corpo está a travar uma batalha interior e não sei contra o quê. Tenho uma febre baixinha mas insidiosa, que me faz arfar, acelera o coração e dá-me arrepios, mas não é suficiente para ficar em casa a ver a Fox todo o dia sem sentimentos de culpa.
Terei comido qualquer coisa que não devia? Haverá qualquer coisa a comer-me por dentro? Estarei apaixonada? Seja como fôr, hoje arrasto-me pelo trabalho, não vendo a hora de chegar a casa, fazer de conta que é Novembro, e enrolar-me nos cobertores com o meu chá de cidreira e a Oprah.
Terei comido qualquer coisa que não devia? Haverá qualquer coisa a comer-me por dentro? Estarei apaixonada? Seja como fôr, hoje arrasto-me pelo trabalho, não vendo a hora de chegar a casa, fazer de conta que é Novembro, e enrolar-me nos cobertores com o meu chá de cidreira e a Oprah.
26 junho 2006
penúria
É ir passear para Belém e levar de casa uma caixinha de pastéis de nata oferecidos no dia anterior (e uma embalagem de canela).
Mas passeou-se. E descansou-se. E namorou-se. E os pastéis estavam óptimos!
Mas passeou-se. E descansou-se. E namorou-se. E os pastéis estavam óptimos!
23 junho 2006
baby sitting fora do tempo
Os meus pais andam de férias a passear de carro pela Europa, os grandes malucos, e eu fiquei a tomar conta dos 'miúdos'. Está certo que o meu relógio biológico até já está a ficar sem pilhas de tanto tocar, mas levar logo com dois matulões, que deixam a roupa espalhada, a louça suja por todos os lados, como se tudo se arrumasse e limpasse milagrosamente, e nem sequer se lembram de levar o cão à rua também é um bocado demais!
Sendo assim, peço a minha demissão. Acho que vou abandoná-los à sua sorte e zarpo para a minha casa, mesmo que isso signifique tomar banho de água fria e encomendar pizza todos os dias.
Sendo assim, peço a minha demissão. Acho que vou abandoná-los à sua sorte e zarpo para a minha casa, mesmo que isso signifique tomar banho de água fria e encomendar pizza todos os dias.
20 junho 2006
rebuçados diamante
Agora que ando a brincar às pessoas crescidas foi com um misto de alegria e saudade que ontem andei a percorrer a zona da minha adolescência. É engraçado como só as velhinhas parecem as mesmas porque as lojas mudaram todas e os miúdos que passam para o liceu são bem diferentes dos meus amigos e colegas (têm piercings e usam mochilas pingonas, ao passo que nós usávamos calças de ganga justas e andávamos com os dossiers forrados na mão), à excepção dos ténis All Stars. Quando vi, exactamente na mesma esquina, o senhor que, no Inverno, vende castanhas e, no Verão, vende gelados, não contive o sorriso e fiquei com vontade de lhe dizer
ainda bem que aqui está
o mundo dá voltas mas há coisas que ficam
espero que ainda venha aqui comprar castanhas com os meus filhos, quando andar às compras para o Natal, sob as árvores com a iluminação mais bonita de toda a Lisboa
Mas continuei a andar e fui até a uma pastelaria daquelas que também continuam fiéis ao que eram há 15 anos. Os empregados são os mesmos, com as suas camisas de manga curta abotoadas até cima. As vitrines revelam bolos de aniversário, miniaturas (no Natal, bolo-rei) e sortido de bombons. As prateleiras de vidro nas paredes têm, de baixo para cima, como numa hierarquia de idades, ovos Kinder, pastilhas elásticas, chocolates, cigarrilhas e garrafas de whisky. Nos balcões, para além dos folhados, bolos e fatias de salame de chocolate, há taças com rebuçados de fruta, caramelos, flocos-de-neve e rebuçados diamante.
Já não me lembrava dos rebuçados diamante, aqueles lindos, coloridos e translúcidos, que se espalhavam pelas mesas de aniversário e eu colhia sorrateiramente (só os vermelhos, os meus preferidos). Devia ter comprado uns ontem, para espalhar todos os dias sobe a mesa da sala da minha nova casa. Ou então não, porque os cães ainda os apanhavam e chamavam-lhes logo um figo.
ainda bem que aqui está
o mundo dá voltas mas há coisas que ficam
espero que ainda venha aqui comprar castanhas com os meus filhos, quando andar às compras para o Natal, sob as árvores com a iluminação mais bonita de toda a Lisboa
Mas continuei a andar e fui até a uma pastelaria daquelas que também continuam fiéis ao que eram há 15 anos. Os empregados são os mesmos, com as suas camisas de manga curta abotoadas até cima. As vitrines revelam bolos de aniversário, miniaturas (no Natal, bolo-rei) e sortido de bombons. As prateleiras de vidro nas paredes têm, de baixo para cima, como numa hierarquia de idades, ovos Kinder, pastilhas elásticas, chocolates, cigarrilhas e garrafas de whisky. Nos balcões, para além dos folhados, bolos e fatias de salame de chocolate, há taças com rebuçados de fruta, caramelos, flocos-de-neve e rebuçados diamante.
Já não me lembrava dos rebuçados diamante, aqueles lindos, coloridos e translúcidos, que se espalhavam pelas mesas de aniversário e eu colhia sorrateiramente (só os vermelhos, os meus preferidos). Devia ter comprado uns ontem, para espalhar todos os dias sobe a mesa da sala da minha nova casa. Ou então não, porque os cães ainda os apanhavam e chamavam-lhes logo um figo.
16 junho 2006
coerência sazonal
Fico fascinada com a quantidade de pessoas que, nos últimos dias, têm saído à rua com guarda-chuva. Está certo que tem chovido. É verdade que, na quarta-feira, estive 15 minutos na saída do Metro, à espera que desligassem as torneiras do céu, e acabei por apanhar uma bela molha. Mas será que mais ninguém sente que há algo de muito estranho em carregar um guarda-chuva em Junho, em Portugal? Se ficassem 13 graus também iam voltar a usar blusões de Inverno?
Não é teimosia, a minha cabeça precisa de ordem. Diz que agora é quase Verão. Se chover, molho-me (nem sequer está frio, de qualquer forma)!
É o gesto de acordar de manhã e pensar: "Umm... Será que devo levar o guarda-chuva?" que me fascina. Ou vivo num universo pararelo ou não quero mesmo saber se fico com o cabelo numa desgraça e as sandálias ensopadas.
Não é teimosia, a minha cabeça precisa de ordem. Diz que agora é quase Verão. Se chover, molho-me (nem sequer está frio, de qualquer forma)!
É o gesto de acordar de manhã e pensar: "Umm... Será que devo levar o guarda-chuva?" que me fascina. Ou vivo num universo pararelo ou não quero mesmo saber se fico com o cabelo numa desgraça e as sandálias ensopadas.
14 junho 2006
santo antónio
Depois de tanto trabalho, estava a ver que não aguentava o que é, desde há uns anos, um marco obrigatório na minha vida: a festa do Santo António. Mas não, lá botei as mãos à cintura, abanei a anca para trás e para a frente, e desci do Marquês de Pombal até Alfama. Este ano, estou indecisa se o ponto alto foi: 1) quando consegui que a Lili Caneças me acenasse; 2) quando falei pessoalmente com um assistente do Grande Mestre Professor Mamadu, que me assegurou que este era um Mestre com Muita Força, que podia resolver todos os meus problemas (será que faz macumbas para passarmos na inspecção do gás?); 3) ou quando passei pela maior concentração de urinadores em público de que há memória (junto ao castelo, alinhados qual pelotão de fusilamento, indiferentes às centenas de pessoas que passavam).
Enfim, como sempre, a animação foi grande, com farturas, bifanas, sardinhas assadas, sangria (sobretudo entornada sobre mim), bailarico e, como não pode faltar, o meu momento de homenagem ao Santo António, cada vez mais complicado devido à quantidade de miúdos quase à bulha para apanhar as moedas que as pessoas atiram. Para o ano há mais!
Fica ainda para a história a primeira noite que passámos na nossa nova casinha :)
Enfim, como sempre, a animação foi grande, com farturas, bifanas, sardinhas assadas, sangria (sobretudo entornada sobre mim), bailarico e, como não pode faltar, o meu momento de homenagem ao Santo António, cada vez mais complicado devido à quantidade de miúdos quase à bulha para apanhar as moedas que as pessoas atiram. Para o ano há mais!
Fica ainda para a história a primeira noite que passámos na nossa nova casinha :)
09 junho 2006
dias assim
em que a equação é = (trabalho X stress) elevado a preocupações, só há uma saída:
programas de televisão sobre a natureza, de preferência sobre um qualquer mamífero marinho residente nas regiões polares, com muitas imagens de branco, azul e silêncio.
programas de televisão sobre a natureza, de preferência sobre um qualquer mamífero marinho residente nas regiões polares, com muitas imagens de branco, azul e silêncio.
07 junho 2006
estrangeiros
Toda esta confusão à volta da reportagem sobre a extrema-direita em Portugal tem gerado muitas conversas pelo meu gabinete e algumas surpresas. Quase todos os meus colegas têm origens miscegenadas - inglesas, judaicas, brasileiras, angolanas, japonesas, chinesas, you name it - o que não só enriquece as nossas conversas como nos leva a ver as coisas de perspectivas bem diferentes.
Hoje revelaram-me que se sentem estranjeiros em qualquer lado. Fiquei de boca aberta (será que é muita ingenuidade minha?). Eu sentia-me estranjeira quando vivia na Alemanha mas, aterrando no Aeroporto da Portela, estava na minha terra.
Como é que pessoas que nasceram e viveram em Portugal, sem estarem fechados em nenhum tipo de gueto, que torcem pela Selecção Nacional e se riem das mesmas piadas, se podem sentir estrangeiras? Como é que podem mesmo sentir receio que os movimentos de extrema-direira ganhem tanta força que isso possa ter implicações directas na vida deles?
Às vezes acho que o facto de haver tantos filmes sobre o racismo, a intolerância, o Holocausto tem o mesmo efeito das reportagens diárias sobre a guerra no Médio Oriente: transforma a realidade em espectáculo e dessensibiliza-nos.
Hoje revelaram-me que se sentem estranjeiros em qualquer lado. Fiquei de boca aberta (será que é muita ingenuidade minha?). Eu sentia-me estranjeira quando vivia na Alemanha mas, aterrando no Aeroporto da Portela, estava na minha terra.
Como é que pessoas que nasceram e viveram em Portugal, sem estarem fechados em nenhum tipo de gueto, que torcem pela Selecção Nacional e se riem das mesmas piadas, se podem sentir estrangeiras? Como é que podem mesmo sentir receio que os movimentos de extrema-direira ganhem tanta força que isso possa ter implicações directas na vida deles?
Às vezes acho que o facto de haver tantos filmes sobre o racismo, a intolerância, o Holocausto tem o mesmo efeito das reportagens diárias sobre a guerra no Médio Oriente: transforma a realidade em espectáculo e dessensibiliza-nos.
06 junho 2006
girls just wanna have fun
No auge da minha entrolhização, resultado de dias a fio de transporte de tábuas, pinturas e montagens, que me deixaram as pernas cheias de nódoas negras, os braços arranhados, as unhas pretas e o cabelo com tinta branca que teima em sair, surgiu a M., para me salvar. A M. é a minha prima de Barcelos, 5 anos mais nova que eu, que veio viver para minha casa durante os 3 meses que dura o estágio que veio fazer para Lisboa.
Como estava a precisar de uma companhia feminina, com quem trocar futilidades sobre cortes de cabelo e ver as maravilhosas séries da Fox, horas a fio! Para quem, como eu, nunca teve uma irmãzinha a quem pintar as unhas com canetas de feltro e trocar roupas, isto é uma maravilha. E a salvação do que me restava de feminilidade. Abençoada sejas M.!
Como estava a precisar de uma companhia feminina, com quem trocar futilidades sobre cortes de cabelo e ver as maravilhosas séries da Fox, horas a fio! Para quem, como eu, nunca teve uma irmãzinha a quem pintar as unhas com canetas de feltro e trocar roupas, isto é uma maravilha. E a salvação do que me restava de feminilidade. Abençoada sejas M.!
05 junho 2006
já chega
Se monto mais um móvel trönga trönga, mais uma prateleira grölit, mais um parafuso que seja, dou em louca! Já sonho com dobradiças, acordo a pensar em fitas-métricas! Algum homem giro, inteligente, rico mas sobretudo com uma casa maravilhosa e já completamente pronta por aí?
01 junho 2006
dia da criança
Não, não vou dizer mal do dia da criança. Mas este sempre foi um dia negro para mim porque nunca recebi 1
nem 1 só
presente no dia da criança.
Os meus pais discordavam do sentido comercial da coisa, que o "dia da criança é todos os dias", e mainada!
Isto, a juntar ao facto de nunca ter podido usar cuecas com bonequinhos para mostrar às amigas quando íamos à casa-de-banho no infantário, à repressão extrema que exerceram sobre as minhas barbies, ao facto de ter tido o cabelo curto ao longo de grande parte da infância e, pior, não ter tido autorização para ver os Simpsons quando começaram a dar cá (andava eu no saudoso 1º ano do ciclo preparatório), explica todas as minhas psicoses de incapacidade de identificação com a espécie feminina humana, restando-me, por alongado contacto com os animais, identificar-me com as gralhas. Depois admiram-se.
nem 1 só
presente no dia da criança.
Os meus pais discordavam do sentido comercial da coisa, que o "dia da criança é todos os dias", e mainada!
Isto, a juntar ao facto de nunca ter podido usar cuecas com bonequinhos para mostrar às amigas quando íamos à casa-de-banho no infantário, à repressão extrema que exerceram sobre as minhas barbies, ao facto de ter tido o cabelo curto ao longo de grande parte da infância e, pior, não ter tido autorização para ver os Simpsons quando começaram a dar cá (andava eu no saudoso 1º ano do ciclo preparatório), explica todas as minhas psicoses de incapacidade de identificação com a espécie feminina humana, restando-me, por alongado contacto com os animais, identificar-me com as gralhas. Depois admiram-se.
31 maio 2006
compras online
Sou das pessoas menos consumistas que conheço. Ninguém me apanhará deliciada às compras num centro comercial, à procura de mais um par de sapatos ou daquela mala perfeita. Compro sapatos para calçar com a roupa que tenho, compro roupa para substituir ou combinar com a roupa que já tinha - sim, é verdade, acabo por andar muitas vezes com muito tempo de atraso em relação à moda.
Só que há coisas que são uma tentaçãozinha, como os livros. Por isso, não tendo eu tempo nem dinheiro para ir à Feira do Livro, nem sequer paciência para procurar todas as coisas que não lembram ao diabo (tenho a certeza que o espertalhão do diabo é um leitor ávido) nas livrarias mais bem fornecidas, resta-me a Amazon.de, onde parece que nem custa nada comprar e há tudo, das mais diversas origens e nas mais variadas línguas. Segurem-me, senão não paro.
Só que há coisas que são uma tentaçãozinha, como os livros. Por isso, não tendo eu tempo nem dinheiro para ir à Feira do Livro, nem sequer paciência para procurar todas as coisas que não lembram ao diabo (tenho a certeza que o espertalhão do diabo é um leitor ávido) nas livrarias mais bem fornecidas, resta-me a Amazon.de, onde parece que nem custa nada comprar e há tudo, das mais diversas origens e nas mais variadas línguas. Segurem-me, senão não paro.
revolução dentária II - o triunfo
A nossa campanha está a dar frutos! Enquanto lavava os dentes há pouco, entrou sorrateiramente uma desconhecida, sacou da sua escova de dentes e zuca. Antevejo um futuro sorridente nesta universidade.
29 maio 2006
mais vale ser novo, bonito e rico
do que velho, feio e pobrezinho. Isto é um ditado bastante palerma a que recorro de vez em quando e que faz muito sentido actualmente. Tenho as costas que não me mexo, os braços cobertos de tinta que não sai, as unhas num estado deplorável, as mãos cheias de bolhas, uma miséria! Isto de uma gralha não ter dinheiro e ter de ser ela e o seu moço a pintar toda a casa, a carregar móveis, descarregar móveis, montá-los - durante um fim-de-semana em que estiveram 30 e tal graus, by the way - está-me a fazer vir ao de cima o mais refinado burguesismo e preguicite aguda... Está bem que depois dá gozo ver as coisas todas bonitinhas, que nos deram tanto trabalho, mas eu preferia ter dado trabalho remunerado a gente com mais corpinho para isto enquanto eu ia tranquilamente para a praia pôr as minhas leituras em dia. Enfim, já só faltam mais algumas dezenas de móveis...
25 maio 2006
revolução dentária
O meu colega G., como bom brasileiro que é, chegou a terras lusas e logo tratou de hastear a bandeira da saúde oral. Não descansou enquanto eu não comprei uma escova de dentes para ter no gabinete e todos os dias, depois do almoço, só falta arrastar-me até à casa-de-banho para a devida lavagem da dentuça. Mais, está tão empenhado na sua causa que desfila pelos corredores de escova em riste, qual D. Quixote lutando contra os moinhos das cáries alheias, e faz questão que toda a gente perceba que é imperativo trabalhar para um sorriso bem luminoso.
Em vão tentei explicar-lhe que a lavagem de dentes não é um acto social cá na nossa terra, que o pessoal não se sente muito à vontade perto de outros, a babar espuma e fazer caretas em frente ao espelho. Bem, pelo menos sempre fico com os dentes mais branquinhos.
Em vão tentei explicar-lhe que a lavagem de dentes não é um acto social cá na nossa terra, que o pessoal não se sente muito à vontade perto de outros, a babar espuma e fazer caretas em frente ao espelho. Bem, pelo menos sempre fico com os dentes mais branquinhos.
24 maio 2006
afinal, de quem é a festa?
No sábado fui a um casamento de uma filha de um amigo do meu Pai que, por acaso, também andou comigo no remo e também foi colega do L. na escola. No entanto, nunca fomos grandes amigas, só fui ao casamento porque o meu Pai insistiu que era importante para o amigo dele. À partida, discordei da ideia mas lá fui - nunca recuso à partida a oportunidade de comer bolos até à indigestão.
À medida que fui dando voltas pelo recinto e serpenteando pelos 250 convidados comecei a notar uma coisa muito estranha: não havia gente abaixo dos 40 anos. Comecei a interrogar-me se estaria numa daquelas ilhas onde não há pássaros, porque alguém trouxe cobras de outras paragens e lá se foi o chilrear. Mas não, simplesmente, os convidados eram quase todos amigos dos pais dos noivos. Amigos dos noivos devo ter visto, no máximo, uns 15.
Sou só eu que acho que há alguma coisa de estranho nisto? Por que é que a festa de um casamento há de ser uma festa para os pais dos noivos - inclusive só com música da época deles - e não para os noivos propriamente ditos? Está a celebrar-se a formação de um casal ou o facto de se ter conseguido despachar os miúdos lá de casa?
Pronto, não queria ser tão amarga mas o casamento é um tema muito delicado para mim e gostava que o meu fosse uma festa nossa, incluindo dos nossos pais, mas não feita por e para eles.
À medida que fui dando voltas pelo recinto e serpenteando pelos 250 convidados comecei a notar uma coisa muito estranha: não havia gente abaixo dos 40 anos. Comecei a interrogar-me se estaria numa daquelas ilhas onde não há pássaros, porque alguém trouxe cobras de outras paragens e lá se foi o chilrear. Mas não, simplesmente, os convidados eram quase todos amigos dos pais dos noivos. Amigos dos noivos devo ter visto, no máximo, uns 15.
Sou só eu que acho que há alguma coisa de estranho nisto? Por que é que a festa de um casamento há de ser uma festa para os pais dos noivos - inclusive só com música da época deles - e não para os noivos propriamente ditos? Está a celebrar-se a formação de um casal ou o facto de se ter conseguido despachar os miúdos lá de casa?
Pronto, não queria ser tão amarga mas o casamento é um tema muito delicado para mim e gostava que o meu fosse uma festa nossa, incluindo dos nossos pais, mas não feita por e para eles.
19 maio 2006
as mesmas caras, um sítio diferente
Ontem à noite fui a uma grande festa, no Museu Nacional de Arte Antiga, por ocasião da abertura da exposição "Grandes Mestres da Pintura Europeia: de Fra Angelico a Bonnard. Colecção Rau". Infelizmente, cheguei tão tarde que só vi a exposição de fugida mas valeu a pena só pelo ambiente no jardim, na esplanada sobre o rio, em que toda a construção antiga e vegetação bucólica combinavam tão bem com os efeitos de luzes e a música a bombar na batida certa.
Mas o mais divertido foi o facto de ter ido com os meus colegas de trabalho. Ver toda esta gente, que costuma ser tão compostinha - são investigadores e professores universitários - a soltar a franga como (ao que parece) há muito não tinham oportunidade foi uma graça e, ao mesmo tempo, deu para fortalecer ainda mais as cumplicidades que já tinhamos. Já disse que gosto muito dos meus coleguinhas? Gosto muito dos meus coleguinhas.
Mas o mais divertido foi o facto de ter ido com os meus colegas de trabalho. Ver toda esta gente, que costuma ser tão compostinha - são investigadores e professores universitários - a soltar a franga como (ao que parece) há muito não tinham oportunidade foi uma graça e, ao mesmo tempo, deu para fortalecer ainda mais as cumplicidades que já tinhamos. Já disse que gosto muito dos meus coleguinhas? Gosto muito dos meus coleguinhas.
18 maio 2006
pessoas perfeitas
Vocês conhecem alguma pessoa perfeita? É que eu conheço. E tenho de lhe escrever uma fita para a benção do próximo Sábado. Não é nada fácil, portanto.
Ela é simpática, inteligente, doce mas determinada, corajosa mas sem se procurar sobrepôr a ninguém, criativa, trabalhadora, honesta, atenciosa, disponível, bem-disposta... Sim, e gira e elegante. Até tem 22 anos e, como dizia o Herman, ninguém tem 22 anos. Se fosse homossexual, de certeza que me apaixonava por ela.
O que é que eu hei de escrever? Para uma pessoa assim não se pode escrever banalidades. Mas também não posso fazer este discurso assim tão elogioso porque não a quero embaraçar. Quem me dera ser daquelas pessoas muito cultas que têm sempre a citação certa para cada momento na algibeira. Não sou, por isso escreverei qualquer coisita simples, do coração.
Ela é simpática, inteligente, doce mas determinada, corajosa mas sem se procurar sobrepôr a ninguém, criativa, trabalhadora, honesta, atenciosa, disponível, bem-disposta... Sim, e gira e elegante. Até tem 22 anos e, como dizia o Herman, ninguém tem 22 anos. Se fosse homossexual, de certeza que me apaixonava por ela.
O que é que eu hei de escrever? Para uma pessoa assim não se pode escrever banalidades. Mas também não posso fazer este discurso assim tão elogioso porque não a quero embaraçar. Quem me dera ser daquelas pessoas muito cultas que têm sempre a citação certa para cada momento na algibeira. Não sou, por isso escreverei qualquer coisita simples, do coração.
16 maio 2006
furacões
De há umas noites para cá, tenho tido um sonho recorrente e enigmático - coisa que nunca me acontece, até o meu subconsciente costuma ir directo aos assuntos sem andar com grandes rodeios - em que estou algures num descampado e começa a aproximar-se o centro de um furacão. Agarro-me a qualquer coisa, sabendo que serei levada porque não tenho força, o que, de facto, acontece. Enquanto vou no ar, estou cheia de medo, de olhos fechados, achando que vou ser atingida por qualquer coisa; mas acabo por cair bem, sem uma beliscadura, ficando apenas a contemplar a destruição à minha volta.
O L. acha que é de ter estado em Cuba, onde há tantos furacões. A minha colega diz que é por ir viver com ele, por estar com medo desta grande mudança de vida.
Eu acho é que estou cheia de vontade e receio, em simultâneo, que alguma coisa maior do que eu me arranque daqui, me abane e me leve para um novo começo, nem sei bem do quê. Tenho de perguntar a um freudiano.
O L. acha que é de ter estado em Cuba, onde há tantos furacões. A minha colega diz que é por ir viver com ele, por estar com medo desta grande mudança de vida.
Eu acho é que estou cheia de vontade e receio, em simultâneo, que alguma coisa maior do que eu me arranque daqui, me abane e me leve para um novo começo, nem sei bem do quê. Tenho de perguntar a um freudiano.
15 maio 2006
querido, mudámos a casa
Com a ajuda de 4 amiguinhos, o L. e eu passámos todo o fim-de-semana a pintar a nossa casa nova. Deixem que vos diga, pintar dá uma trabalheira enorme! Então os nossos fabulosos tectos de 3 metros de altura, com frisos, são um mimo. Acho que os programas de renovação de casas que passam na televisão são muito enganadores, parece que aquilo se faz com uma perna às costas e afinal faz-se é à custa de dores nas pernas, nas costas, no rabo, nos braços...
Enfim, depois de 20 horas de trabalho e várias camadas de tinta, lá ficamos com aquilo tudo bonitinho. Só não fiquei muito satisfeita com a parede da entrada, que queríamos pintar de ocre mas saíu-nos mais tipo polpa de tomate. É claro que o L. não percebe a diferença e acha que está óptimo mas as meninas compreendem a minha angústia, não é?
Enfim, depois de 20 horas de trabalho e várias camadas de tinta, lá ficamos com aquilo tudo bonitinho. Só não fiquei muito satisfeita com a parede da entrada, que queríamos pintar de ocre mas saíu-nos mais tipo polpa de tomate. É claro que o L. não percebe a diferença e acha que está óptimo mas as meninas compreendem a minha angústia, não é?
12 maio 2006
dê sangue. ou então não.
Há alguns anos que sou dadora mas são mais as vezes em que sou rejeitada do que as que consigo, de facto, verter meia litrada do meu precioso B RH+. Isto já é mais frustrante do que ter 14 anos e ser barrada à porta do Benzina (alguém se lembra?). Ou é porque não tenho peso, ou é porque a hemoglobina está baixa, ou é porque a tensão está baixa, ou é porque fui a S. Tomé e é preciso esperar 3 - sim, 3 - anos antes de voltar a dar... Parece que o meu voluntarismo tem de arranjar outras vias.
11 maio 2006
ainda estou (um bocadinho) lá
10 maio 2006
perdida
Então não querem lá ver que a RTP tirou os meus queridos 'Perdidos' das terças-feiras à noite?? Depois de uma brevíssima lua-de-mel, em que transmitiam aquilo às 22h30 como bons meninos, começaram a arrastar o meu pequeno rebuçado das malfadadas terças-feiras já para as quartas. E agora, sem apelo nem agravo, zuca! Valha-me a Fox...
09 maio 2006
crónicas
Que bom, que bom, que bom! Eu posso não poder passar a vida a viajar - infelizmente, ainda não tive propostas para a minha oferta de trabalho - mas posso agora subir o continente africano, semanalmente, "às costas" do Gonçalo Cadilhe, que retomou o seu périplo terrestre/marítimo e a sua crónica na Única (Expresso).
08 maio 2006
não sou (mesmo) flausina
Conversa numa casa-de-banho da minha universidade:
"- Aaaahrh! Vou matar os meus pais!!!"
"- Então?"
"- O meu cabelo!"
"- O que é que tem?!?"
"- Uns fios. Fora do sítio."
"- Aaaahrh! Vou matar os meus pais!!!"
"- Então?"
"- O meu cabelo!"
"- O que é que tem?!?"
"- Uns fios. Fora do sítio."
05 maio 2006
festas surpresa
Hoje vou a uma festa surpresa e dei por mim a temer que algum dia me façam alguma. Logo para começar, nunca gostei de festas de aniversário: ou eram de outros miúdos com quem eu até nem ia muito à bola, mas tinha de ir na mesma porque assim ditavam as nossas mãezinhas; ou era a minha, e tinha de conviver com aquela misturada inconciliável de primos, vizinhos e colegas da escola, havendo apenas 2 ou 3 pessoas com quem me apetecia, de facto, brincar. Ainda hoje, recuso-me a fazer festas de aniversário (mas não tenho muito sucesso porque faço anos 3 dias antes do L., que me obriga a fazer festa conjunta) e dispensava bem a maioria daquelas a que tenho de ir. Sim, é verdade, sou um bocado bicho do mato.
Agora, festas surpresa?? Vá lá, o/a pobre aniversariante nem sequer tem a possibilidade de se preparar psicologicamente para a tortura. Ainda por cima, em Portugal, como chega tudo atrasado, o aniversariante acaba por aparecer mais cedo que muitos dos supostos surpreendedores.
Lá vou eu outra vez dar os parabéns à pobre vítima de hoje, com o sorriso reservado para as ocãsiões "desculpa lá esta maçada toda, espero que o resto do dia tenha sido bastante melhor".
Agora, festas surpresa?? Vá lá, o/a pobre aniversariante nem sequer tem a possibilidade de se preparar psicologicamente para a tortura. Ainda por cima, em Portugal, como chega tudo atrasado, o aniversariante acaba por aparecer mais cedo que muitos dos supostos surpreendedores.
Lá vou eu outra vez dar os parabéns à pobre vítima de hoje, com o sorriso reservado para as ocãsiões "desculpa lá esta maçada toda, espero que o resto do dia tenha sido bastante melhor".
04 maio 2006
não sou (lá muito) flausina
Nunca andei no ballet nem na ginástica rítmica.
Nunca tive cuecas com bonequinhos (esta marcou-me, confesso).
Não gosto da maioria das flores (ok, gosto de algumas mas não das mais «previsíveis»).
Não uso roupa côr-de-rosa (excepto a que me oferecem, mas é pouquinha).
Não uso anéis nem pulseiras.
Não bebo vodkas-sabores.
Não tenho nenhum artigo da Hello Kitty.
Não uso maquilhagem no dia-a-dia.
Sobretudo, não gosto de ver montras e muito menos de fazer compras de roupa.
mas gosto de usar saltos altos, vestidos, brincos e colares, com muitas cores, de preferência.
Nunca tive cuecas com bonequinhos (esta marcou-me, confesso).
Não gosto da maioria das flores (ok, gosto de algumas mas não das mais «previsíveis»).
Não uso roupa côr-de-rosa (excepto a que me oferecem, mas é pouquinha).
Não uso anéis nem pulseiras.
Não bebo vodkas-sabores.
Não tenho nenhum artigo da Hello Kitty.
Não uso maquilhagem no dia-a-dia.
Sobretudo, não gosto de ver montras e muito menos de fazer compras de roupa.
mas gosto de usar saltos altos, vestidos, brincos e colares, com muitas cores, de preferência.
03 maio 2006
gosto de gestos
pequenos, quase imperceptíveis, como quando nos apertam o braço levemente para dizer qualquer coisinha.
02 maio 2006
a menina dança?
Notei recentemente (pelos vistos sou muito distraída) que, num dos sítios onde gosto de ir dançar, decorrem transacções mais ou menos duvidosas, entre jovens rapazes e senhoras bastante mais velhas. Eles vêem pegá-las para dançar e parece-me que depois lhes dão outro tipo de voltas. Não comento a licitude destas movimentações - cada um que faça o que quiser da sua vida desde que não prejudique terceiros - mas interrogo-me se, chegando aos "entas" e solteira, me lembraria (lembrarei?) de recorrer a este tipo de soluções. Quando é que o aconchego passa a ser tão imperativo que estamos dispostos a pagar? Qual o valor de uma dança ao fim de uma semana numa cama vazia?
I wonder.
I wonder.
28 abril 2006
posso começar já por aqui
No seguimento da minha rota mais recente, pelos países lindíssimos vamos-fazer-de-conta-que-somos-uma-democracia, gostava muito de conhecer a Venezuela. Alguém já lá esteve e pode dar-me umas dicas?
27 abril 2006
oferece-se
Pequena gralha para cargo de viajante profissional. Alguma experiência, ansiosa por aumentá-la. Trabalho por objectivos (carimbos no passaporte e novos amigos no coração). Não preciso de ordenado, desde que paguem os custos das viagens. Aceito deslocações no país e ao estrangeiro, à excepção (actual) do Iraque, Irão, Afeganistão, Serra Leoa e Libéria. Ofereço garantias*
*Não sei do quê, mas parece-me bem oferecer. Pelo menos da minha satisfação.
*Não sei do quê, mas parece-me bem oferecer. Pelo menos da minha satisfação.
26 abril 2006
deficit cultural
Não ando a alimentar-me convenientemente no que diz respeito às artes. Espero que isto não pareça snob (se parecer, paciência), mas preciso de ir lendo umas coisinhas boas, de ir ouvindo uma musiquinha nova, de ir sendo confrontada com novas encenações de qualquer coisa já bem antiga ou, simplesmente, de ficar a olhar para um quadro, roída de inveja por não ter sido eu a pintá-lo.
Posto isto, por que é que não vou à Festa da Música, ao Indie, ou ao concerto de um dos meus novos colegas?
Preguiça, meus amigos. O pior inimigo do cérebro humano.
Posto isto, por que é que não vou à Festa da Música, ao Indie, ou ao concerto de um dos meus novos colegas?
Preguiça, meus amigos. O pior inimigo do cérebro humano.
24 abril 2006
de volta
O tempo e um belíssimo fim-de-semana por terras minhotas ajudaram a amaciar as minhas inquietações. Ou será que é só parte da maquilhagem de que falava, que já começa a substituir o bronzeado que se desvanece? Seja como fôr, preciso de descansar um pouco na segurança da rotina diária.
Fica a imagem da minha prima de terras caribenhas.
Fica a imagem da minha prima de terras caribenhas.
20 abril 2006
desorientada
Até há pouco, a coisa que mais desejava na vida era ter o meu primeiro filho. Passava tempo demais nos babyblogs, sonhava com todos os miminhos, toda a emoção da gravidez, do parto, dos primeiros meses.
Agora - não sei se foi das férias, dos Mojitos, da alguma saturação num trabalho poucas vezes estimulante - estou virada do avesso. Sinto-me tão angustiada e nem sei bem porquê... Largava tudo e ia para longe dar outra utilidade à minha vida, ao serviço de quem mais precisa. Estou farta do Ocidente, das nossas certezas e fechamento intelectual. Tenho ânsia do essencial e parece que isso, por cá, está demasiado coberto por camadas e camadas de maquilhagem. Quero sentir os pés na terra quente e dançar com gente que cheira a sal e a sabão.
Continuo a querer ser Mãe mas tenho de arrumar as minhas ideias e o meu coração.
Agora - não sei se foi das férias, dos Mojitos, da alguma saturação num trabalho poucas vezes estimulante - estou virada do avesso. Sinto-me tão angustiada e nem sei bem porquê... Largava tudo e ia para longe dar outra utilidade à minha vida, ao serviço de quem mais precisa. Estou farta do Ocidente, das nossas certezas e fechamento intelectual. Tenho ânsia do essencial e parece que isso, por cá, está demasiado coberto por camadas e camadas de maquilhagem. Quero sentir os pés na terra quente e dançar com gente que cheira a sal e a sabão.
Continuo a querer ser Mãe mas tenho de arrumar as minhas ideias e o meu coração.
19 abril 2006
18 abril 2006
cubanizada
Tenho o coração apertadinho, apertadinho com saudades de Cuba e de todas as pessoas maravilhosas que conheci por lá... Aquilo é tão bonito, as férias foram tão boas... Recuso-me a aceitar que já acabou. Entrei em negação: ando de manga curta e sapatinhos de Verão. Que venha a dôr de garganta. É favor devolverem-me a Cayo Largo e já agora deixem-me dormir, que estou com os horários todos trocados.
07 abril 2006
Boa Páscoa!
it's a kind of magic
Às vezes, há momentos inesperados que nos aquecem o coração e fazem regressar àquele deslusbramento da infância. E isso faz toda a diferença num dia em que tudo o mais saíu torto.
Anteontem fui comprar o presente de aniversário do L., a um centro comercial que tem o nome de um navegador português (daquele mesmo português, não do alegadamente português/ genovês/ espanhol). Logo para começar, havia um trio de violoncelo a tocar ao vivo. Que ideia fantástica! O ambiente passa logo, do frenesi das compras de início do mês, para alguma coisa que nos convida a desacelerar e ficar a ouvir um bocadinho.
O momento inesperado, esse, foi quando entrei na loja para comprar o dito presente - uma caixa com truques de magia - e, indecisa, pedi ajuda ao funcionário. Parecia ele que estava à espera que alguém lhe pedisse aquilo há meses! Não fez mais nada: abriu várias caixas e deu início a um verdadeiro espectáculo de magia, com direito a truques de cartas, copinhos de onde saltam bolas impossíveis, dedos luminosos mais rápidos do que o meu olhar acompanhava, uma parafernália de ilusões! Confesso que até nem costumo ser grande entusiasta destas coisas, mas aquela encenação surpreendente, que o senhor fez pelo simples prazer de ver o meu ar acriançado a tentar descobrir os truques, conseguiu deixar-me um sorriso para o resto do dia.
Anteontem fui comprar o presente de aniversário do L., a um centro comercial que tem o nome de um navegador português (daquele mesmo português, não do alegadamente português/ genovês/ espanhol). Logo para começar, havia um trio de violoncelo a tocar ao vivo. Que ideia fantástica! O ambiente passa logo, do frenesi das compras de início do mês, para alguma coisa que nos convida a desacelerar e ficar a ouvir um bocadinho.
O momento inesperado, esse, foi quando entrei na loja para comprar o dito presente - uma caixa com truques de magia - e, indecisa, pedi ajuda ao funcionário. Parecia ele que estava à espera que alguém lhe pedisse aquilo há meses! Não fez mais nada: abriu várias caixas e deu início a um verdadeiro espectáculo de magia, com direito a truques de cartas, copinhos de onde saltam bolas impossíveis, dedos luminosos mais rápidos do que o meu olhar acompanhava, uma parafernália de ilusões! Confesso que até nem costumo ser grande entusiasta destas coisas, mas aquela encenação surpreendente, que o senhor fez pelo simples prazer de ver o meu ar acriançado a tentar descobrir os truques, conseguiu deixar-me um sorriso para o resto do dia.
06 abril 2006
05 abril 2006
efeito bronze
Há por aí agora uma loção corporal - acho que não preciso de fazer publicidade, é aquela que põe moçoilas com carnes nos anúncios - que promete oferecer-nos um bronzeado enquanto nos hidrata a pele ressequida. Ora eu já sou, por natureza, um bocado céptica em relação a alguma coisa que promete dar-nos um aspecto de quem esteve 2 semanas de férias sem nunca termos saído da frente do computador, mas alguém me explique como é que isto pode não ser uma fraude. É suposto passarmos o creme só no corpo, ficando com a carinha laroca bem branquinha, como se tivessemos uma couve-flor a nascer dos ombros? Ou é preferível distribuirmos a dita loção também pelas faces, correndo o risco de ficar com um acesso de acne tardia passados uns dias de aplicação? Na verdade, isto inquieta-me porque pertenço a uma sub-espécie grálhica que fica terrivelmente pálida no Inverno, dificilmente bronzeia no Verão, e se recusa a pôr os pezinhos num solário. Oh, sim, que problemas tão graves que me atormentam...
04 abril 2006
03 abril 2006
surfin' grackle
Este fim-de-semana foi bom, bom, como já estava a precisar há uns tempos. Nada de medidas, estuques, electrodomésticos e confusões! Só um belo solzão, praia, amigos, esplanada e descanso (e umas sabrinas prateadas novas! estou apaixonada!).
No Sábado de manhã, fomos para Carcavelos porque tinha oferecido ao L. uma aula de surf, coisa que ele nunca tinha experimentado. As ondas não estavam grande coisa e o mar estava a puxar um pouco mas é claro que aqui a gralha quis logo mostrar as suas habilidades para impressionar o namorado. "Olha para mim, tão gira neste fato justinho (yeah, right)". "Olha agora, a apanhar esta vaga monumental (50 cm de espuma)". "Olha esta, eu a dar uma cambalhota e a apanhar com a prancha na nuca...". "Olha, tantas estrelas!"
E, antes que eu perdesse a consciência enquanto era arrastada para fora por uma corrente, o meu principe veio salvar-me e tirar-me dali para fora. Ou seja, o meu objectivo de passar por donzela-em-apuros foi cumprido e, a seguir, pudemos ir almoçar com amigos para ele se gabar do seu grande feito. O que uma gralha não faz por amor.
No Sábado de manhã, fomos para Carcavelos porque tinha oferecido ao L. uma aula de surf, coisa que ele nunca tinha experimentado. As ondas não estavam grande coisa e o mar estava a puxar um pouco mas é claro que aqui a gralha quis logo mostrar as suas habilidades para impressionar o namorado. "Olha para mim, tão gira neste fato justinho (yeah, right)". "Olha agora, a apanhar esta vaga monumental (50 cm de espuma)". "Olha esta, eu a dar uma cambalhota e a apanhar com a prancha na nuca...". "Olha, tantas estrelas!"
E, antes que eu perdesse a consciência enquanto era arrastada para fora por uma corrente, o meu principe veio salvar-me e tirar-me dali para fora. Ou seja, o meu objectivo de passar por donzela-em-apuros foi cumprido e, a seguir, pudemos ir almoçar com amigos para ele se gabar do seu grande feito. O que uma gralha não faz por amor.
31 março 2006
enamoramento
a curva de um lábio
a amplitude dos teus ombros
onde me encosto e adormeço
e nada mais me faz falta
o teu perfil quando conduzes
olhando sério quando me ouves
do alto de ti, a minha pequenez
preciosa, porque só tua
dançamos juntos
e sinto o teu corpo
quero alcançar-te num minuto
mas tu descobres-me
ao ritmo das coisas
que estão escondidas num segredo
Ainda bem que vamos estar longe um do outro durante 2 semanas para voltar a descobrir tudo isto.
a amplitude dos teus ombros
onde me encosto e adormeço
e nada mais me faz falta
o teu perfil quando conduzes
olhando sério quando me ouves
do alto de ti, a minha pequenez
preciosa, porque só tua
dançamos juntos
e sinto o teu corpo
quero alcançar-te num minuto
mas tu descobres-me
ao ritmo das coisas
que estão escondidas num segredo
Ainda bem que vamos estar longe um do outro durante 2 semanas para voltar a descobrir tudo isto.
29 março 2006
o meu pé de feijão
Cresceu 6 cm num dia. A sério. Não, não lhe dei viagra. Nem tive de tirar uma pecinha de roupa nem nada. Quase que dá para vê-lo a crescer. Estou muito orgulhosa. Se isto fosse traduzido automaticamente para inglês no Babelfish parecia um daqueles sempre adoráveis e-mails de spam.
Amanhã conto já sair do gabinete pela janela (2º andar).
Amanhã conto já sair do gabinete pela janela (2º andar).
28 março 2006
o calor
A Primavera revela-se finalmente, trazendo os primeiros ensaios de calor. Com o calor vem:
Um terrível sono depois de almoço;
A retoma do vício na Frize Limão (passo a publicidade);
O barulhinho bom dos grilos ao fim da tarde;
O cheiro a campo, mesmo que seja só no parque de estacionamento rodeado de canavial;
As tardes longas, em que já não há desculpa para ir para casa ver televisão;
A passarada a cortejar-se desavergonhadamente mesmo à frente da minha janela;
A vontade de comprar umas sabrinas, daquelas que já não uso desde os 10 anos;
Conduzir de janela aberta e sorrir com as músicas que vêm dos outros carros;
Os almoços no Jardim Zoológico;
E mais um novo colega. Com uns olhos que são uma auto-estrada daqui até à praia e uma pronúncia do Norte de fazer derreter os corações mouriscos.
(isto estava a ir tão bem, pronto, tinha de estragar!)
Um terrível sono depois de almoço;
A retoma do vício na Frize Limão (passo a publicidade);
O barulhinho bom dos grilos ao fim da tarde;
O cheiro a campo, mesmo que seja só no parque de estacionamento rodeado de canavial;
As tardes longas, em que já não há desculpa para ir para casa ver televisão;
A passarada a cortejar-se desavergonhadamente mesmo à frente da minha janela;
A vontade de comprar umas sabrinas, daquelas que já não uso desde os 10 anos;
Conduzir de janela aberta e sorrir com as músicas que vêm dos outros carros;
Os almoços no Jardim Zoológico;
E mais um novo colega. Com uns olhos que são uma auto-estrada daqui até à praia e uma pronúncia do Norte de fazer derreter os corações mouriscos.
(isto estava a ir tão bem, pronto, tinha de estragar!)
27 março 2006
os blogues e a vida
Hoje de manhã acordei a achar que ando a passar demasiado tempo pela blogosfera. Sonhei que estava em amena cavaqueira com alguns bloguistas que costumo ler com frequência e que, apesar da troca de comments e ocasionais e-mails, nunca conheci pessoalmente (eheh, agora vão ter de adivinhar quem são...). No entanto, depois de dar a primeira vista de olhos por alguns dos check-points obrigatórios, percebi que é inegável que acabamos por nos tocar uns aos outros; que aquilo que dizemos, às vezes sem muita importância, pode deixar alguém a pensar sobre isso; e que é verdade que se constrói redes de cumplicidade e gera mesmo algum afecto - felizmente, no meu caso, ainda não tive o efeito contrário mas já tenho visto que isto não é nenhum mar de rosas e também há odiozinhos de estimação.
Como socióloga, esta nova plataforma de relação, mais do que simples comunicação, faz-me uma comichão gostosa no intelecto. Até que ponto cada um de nós está disposto a desenhar e expor uma imagem de si mesmo? Há sempre um certo grau de exibicionismo em tudo isto, com maior ou menor pudor consoante os casos. Se assim não fosse, havia muita gente que se limitaria a ler blogues sem ter necessidade de escrever. Só que, mais tarde ou mais cedo, o ímpeto de gralhar acaba por surgir.
Já li alguém que dizia que quem muito bloga pouca vida tem. Não me parece que seja bem assim mas também não é obrigatório que os melhores blogues sejam aqueles que descrevem uma vida frenética e imprevisível. Somos bichos de afinidades e aqui elas estão dispostas numa vitrine gigante, sob luzes fluorescentes. Só compra quem quer.
Como socióloga, esta nova plataforma de relação, mais do que simples comunicação, faz-me uma comichão gostosa no intelecto. Até que ponto cada um de nós está disposto a desenhar e expor uma imagem de si mesmo? Há sempre um certo grau de exibicionismo em tudo isto, com maior ou menor pudor consoante os casos. Se assim não fosse, havia muita gente que se limitaria a ler blogues sem ter necessidade de escrever. Só que, mais tarde ou mais cedo, o ímpeto de gralhar acaba por surgir.
Já li alguém que dizia que quem muito bloga pouca vida tem. Não me parece que seja bem assim mas também não é obrigatório que os melhores blogues sejam aqueles que descrevem uma vida frenética e imprevisível. Somos bichos de afinidades e aqui elas estão dispostas numa vitrine gigante, sob luzes fluorescentes. Só compra quem quer.
24 março 2006
o novo colega
Eu já era uma gralha sortuda mas agora ainda é mais agradável vir trabalhar todos os dias. No meu gabinete, além de mim, havia, até hoje, dois rapazes: o N., um miúdo distraído mas muito simpático, com quem troco palmadinhas nas costas futebolísticas e novas descobertas musicais; e o R., também muito querido, atencioso e educado, uma espécie de homem dos 7 ofícios a quem recorremos quando mais ninguém consegue resolver qualquer coisa (desde um problema de software ao desencravar de uma fotocopiadora).
Agora, chegou o G., um paulista muito simpático e que também não é mal jeitoso de todo ;)
Nada disto tem a ver com os sentimentos que tenho pelo L., sobre os quais não tenho qualquer dúvida. O engraçado é isso mesmo, a diversidade de sentimentos que podemos ter por várias pessoas, os vários níveis e tipos de amizade, companheirismo ou simples "engraçamento" com alguém.
Isto foi uma coisa que só consegui arrumar na cabeça há relativamente pouco tempo. Não há nada de mau, à partida, em termos afinidades com este ou aquele, em sentirmos até atracção por outro, enquanto estamos apaixonados por outra pessoa. Quando o amor é verdadeiro e o compromisso realmente assumido a 100%, o resto são peanuts, acessórios e pequenos momentos que dão côr ao dia-a-dia.
Agora, chegou o G., um paulista muito simpático e que também não é mal jeitoso de todo ;)
Nada disto tem a ver com os sentimentos que tenho pelo L., sobre os quais não tenho qualquer dúvida. O engraçado é isso mesmo, a diversidade de sentimentos que podemos ter por várias pessoas, os vários níveis e tipos de amizade, companheirismo ou simples "engraçamento" com alguém.
Isto foi uma coisa que só consegui arrumar na cabeça há relativamente pouco tempo. Não há nada de mau, à partida, em termos afinidades com este ou aquele, em sentirmos até atracção por outro, enquanto estamos apaixonados por outra pessoa. Quando o amor é verdadeiro e o compromisso realmente assumido a 100%, o resto são peanuts, acessórios e pequenos momentos que dão côr ao dia-a-dia.
23 março 2006
under construction
A minha casa nova está tão completamente desfeita - para ser refeita mais bonitinha - que até me faz calafrios andar por lá. Os prédios em obras sempre me fizeram alguma confusão, é como ver a barriga da nossa Mãe pelo lado de dentro: não é suposto sermos confrontados com a fragilidade (aparente! algumas das paredes chegam a ter 50 cm de espessura) de uma estrutura que nos vai abrigar durante sabemos lá quanto tempo.
Quero ver a minha casinha pronta, com as paredes pintadas, o soalho novo a brilhar e aquele cheirinho de começo de alguma coisa mesmo importante!
Entretanto, esta chuva toda e algumas notícias deixam-me tão angustiada... Quando é que chega mesmo a Primavera, com sol, dias maiores e boas notícias?
Quero ver a minha casinha pronta, com as paredes pintadas, o soalho novo a brilhar e aquele cheirinho de começo de alguma coisa mesmo importante!
Entretanto, esta chuva toda e algumas notícias deixam-me tão angustiada... Quando é que chega mesmo a Primavera, com sol, dias maiores e boas notícias?
22 março 2006
questão pertinente (aposto que ainda ninguém se tinha lembrado)
Será que a Primavera não chega este ano porque andam a exterminar as andorinhas que ficaram de a trazer, como medida preventiva contra a gripe das aves?
21 março 2006
as árvores
Gosto muito de árvores.
As árvores são dos bichos mais simpáticos que conheço.
As árvores passam o dia muito quietinhas mas aposto que, nas noites sem lua, fazem grandes bailados silenciosos (sobretudo no Outono, por isso lhes caem as folhas).
As melhores árvores são as oliveiras porque são nodosas e sequinhas como uma avó tricotadeira e dão azeitonas gulosas.
Hoje não plantei nenhuma árvore mas semeei um feijão-manteiga num ninho de algodão em rama (há quanto tempo não fazem isto?).
Assim termina o meu primeiro post naïf. Todos temos direito a um, de vez em quando.
As árvores são dos bichos mais simpáticos que conheço.
As árvores passam o dia muito quietinhas mas aposto que, nas noites sem lua, fazem grandes bailados silenciosos (sobretudo no Outono, por isso lhes caem as folhas).
As melhores árvores são as oliveiras porque são nodosas e sequinhas como uma avó tricotadeira e dão azeitonas gulosas.
Hoje não plantei nenhuma árvore mas semeei um feijão-manteiga num ninho de algodão em rama (há quanto tempo não fazem isto?).
Assim termina o meu primeiro post naïf. Todos temos direito a um, de vez em quando.
20 março 2006
elogio da masculinidade
O verdadeiro homem é aquele que vem connosco ao cinema ver "O Segredo de Brokeback Mountain" e, no final, tocado por aquele amor tão intenso e indisputável, se deixa ficar na sala até todos sairem, trocando beijos urgentes e muito apaixonados.
17 março 2006
identidade
| What animal would best suit your personality? A DOG. |
| Click Here to Take This Quiz Brought to you by YouThink.com quizzes and personality tests. |
You are one of the best friends that someone could ever ask for. A very loyal, compassionate person who is always there for close friends and family members who are in a tough time. You are someone who can be counted on time and time again and never let small grudges get in the way of a good friendship. But unfortunately, you are very dependant, and every now and then someone will take advantage of your loyalty, and it is most often not until you end up hurt that you realised your foolishness.
Por que é que isto não me surpreende?
nostalgias
Pelos vistos não me está a dar só a mim :)
A querida minhoca faz esta ligação para aquele site que todos os portugueses entre os 20 e 35 anos estavam a precisar hoje (sobretudo se apanharam o trânsito que eu apanhei). Os acordes das Fábulas da Floresta Verde até me fizeram vir a lagrimita ao olho...
A tarde perfeita depois das aulas na primária: chegar a casa, iogurte líquido e torradinhas com doce de morango, e correr para a sala para ver o inegualável Dartacão! A menina que nunca sonhou ser a Julieta que atire a primeira pedra...
P.S. E à noite, o Roque Santeiro. Excepto naquele Sábado único no ano, em que se juntava a família toda para ver o Festival da Canção
A querida minhoca faz esta ligação para aquele site que todos os portugueses entre os 20 e 35 anos estavam a precisar hoje (sobretudo se apanharam o trânsito que eu apanhei). Os acordes das Fábulas da Floresta Verde até me fizeram vir a lagrimita ao olho...
A tarde perfeita depois das aulas na primária: chegar a casa, iogurte líquido e torradinhas com doce de morango, e correr para a sala para ver o inegualável Dartacão! A menina que nunca sonhou ser a Julieta que atire a primeira pedra...
P.S. E à noite, o Roque Santeiro. Excepto naquele Sábado único no ano, em que se juntava a família toda para ver o Festival da Canção
16 março 2006
tenho saudades
Das aulas no liceu. Daquelas tão aborrecidas e inúteis que resolvia passá-las a desenhar a colecção Primavera-Verão (93? 94?), quando ainda pensava que ia ser designer de moda.
Daquelas em que os rapazes faziam bolinhas de cuspo e disparavam pelas canetas bic cristal, sem carga, fazendo montinhos brancos nos quadros de ardósia seculares.
Daquelas que, quando finalmente chegavam ao fim, com o toque de uma sirene que parecia mais aviso de ataque aéreo (sobretudo na altura da 1ª Guerra do Golfo), saíamos para o pátio, um batalhão calçado de All Stars e com calças de ganga demasiado justas, e íamos comer palmiers cobertos até ao enjôo. Oh adolescência...
Daquelas em que os rapazes faziam bolinhas de cuspo e disparavam pelas canetas bic cristal, sem carga, fazendo montinhos brancos nos quadros de ardósia seculares.
Daquelas que, quando finalmente chegavam ao fim, com o toque de uma sirene que parecia mais aviso de ataque aéreo (sobretudo na altura da 1ª Guerra do Golfo), saíamos para o pátio, um batalhão calçado de All Stars e com calças de ganga demasiado justas, e íamos comer palmiers cobertos até ao enjôo. Oh adolescência...
15 março 2006
punzete
Aqui há dias, e pela primeira vez em mais de 4 anos de namoro, escapou-me um... Fiquei roxa de vergonha e o L. começou por ficar muito "zangado" (as meninas não fazem disso!) e agora diverte-se a gozar com a questão.
O mais importante é que isto recordou-me dos novos problemas que vão surgir, agora que vamos viver juntos. Como disfarçar/explicar/ lidar com pequenas maravilhas como a depilação que não pode estar permanentemente perfeita, a roupa interior que não é tão bonita, o dia em que tivemos tanto, tanto que fazer que não houve tempo para lavar o cabelo...?
Sei que a vivência a dois não será um mar de rosas e que tenho de me ir preparando, mas custa-me tanto ver desmoronar-se a ideia da gralha (quase) sempre impecável. Chuif...
O mais importante é que isto recordou-me dos novos problemas que vão surgir, agora que vamos viver juntos. Como disfarçar/explicar/ lidar com pequenas maravilhas como a depilação que não pode estar permanentemente perfeita, a roupa interior que não é tão bonita, o dia em que tivemos tanto, tanto que fazer que não houve tempo para lavar o cabelo...?
Sei que a vivência a dois não será um mar de rosas e que tenho de me ir preparando, mas custa-me tanto ver desmoronar-se a ideia da gralha (quase) sempre impecável. Chuif...
14 março 2006
(im)paciência
Sou muito impaciente. Ainda agora, estava a escrever este preciso post sobre impaciência e o blogger apagou-me tudo. Aí é que fiquei mesmo impaciente!
Como eu estava a dizer, cada vez mais me apercebo que, em vez de isso me permitir fazer e experimentar mais do que os mais desacelerados (a desculpa que me dava), significa que vivo sempre a desejar e esperar, num grande entusiasmo precoce, sem que acabe por gozar devidamente o momento.
Não há nada como a semana antes das férias; a hora que antecede aquele jantar, em que nos vestimos, arranjamos e sonhamos com o que irá acontecer; o breve momento que precede um beijo há muito antecipado. Tretas! Não há nada melhor que as férias, o jantar e o beijo!
Em teoria, compreendo muito bem tudo isto. Já em prática...
Este é o mês de todas as esperas. À espera das férias, que me levarão para paisagens mais tropicais. À espera da conclusão das obras da minha casa, para dar início a uma nova fase da vida. À espera do desfecho de um sonho muito, muito antecipado, mas de tão improvável concretização neste momento.
Já experimentei fazer Yoga. Apesar de ser excelente para variadíssimas coisas, não me tornou mais paciente. Tenho de ter paciência neste combate à impaciência...
Como eu estava a dizer, cada vez mais me apercebo que, em vez de isso me permitir fazer e experimentar mais do que os mais desacelerados (a desculpa que me dava), significa que vivo sempre a desejar e esperar, num grande entusiasmo precoce, sem que acabe por gozar devidamente o momento.
Não há nada como a semana antes das férias; a hora que antecede aquele jantar, em que nos vestimos, arranjamos e sonhamos com o que irá acontecer; o breve momento que precede um beijo há muito antecipado. Tretas! Não há nada melhor que as férias, o jantar e o beijo!
Em teoria, compreendo muito bem tudo isto. Já em prática...
Este é o mês de todas as esperas. À espera das férias, que me levarão para paisagens mais tropicais. À espera da conclusão das obras da minha casa, para dar início a uma nova fase da vida. À espera do desfecho de um sonho muito, muito antecipado, mas de tão improvável concretização neste momento.
Já experimentei fazer Yoga. Apesar de ser excelente para variadíssimas coisas, não me tornou mais paciente. Tenho de ter paciência neste combate à impaciência...
13 março 2006
às vezes sabe bem...
... Andar com a nossa colega pelos corredores da universidade e, de regresso ao gabinete, ela dizer: "Não podes trazer mais essas calças." Porquê? "Os rapazes ficam todos a olhar".
Não é vaidade, é uma bela festinha no ego que já estava a precisar, nos seus 26-quase-27 aninhos que já não vêem ginásio há uns meses.
Não é vaidade, é uma bela festinha no ego que já estava a precisar, nos seus 26-quase-27 aninhos que já não vêem ginásio há uns meses.
09 março 2006
vozes masculinas
Não há nada que serene e assegure uma mulher como uma bela voz masculina. Não precisa de cantar, nem sequer de sussurrar, basta que tenha aquele timbre certo, de árvore muito antiga, navio que sabe para onde ruma, estrada de regresso a casa.
Há qualquer coisa de tão primitivo nisto... Posso apreciar música cantada por mulheres mas nenhuma me toca tão fundo na intimidade como certos cantores. Também deve ter qualquer coisa a ver com o facto de, por eles, a voz ser menos desperdiçada (quer queiramos, quer não, a maioria das mulheres é mais gralha do que os homens).
Seja como for, o que há de melhor do que adormecer ao som das palavras certas proferidas pelo homem certo? Às vezes basta até a respiração.
Há qualquer coisa de tão primitivo nisto... Posso apreciar música cantada por mulheres mas nenhuma me toca tão fundo na intimidade como certos cantores. Também deve ter qualquer coisa a ver com o facto de, por eles, a voz ser menos desperdiçada (quer queiramos, quer não, a maioria das mulheres é mais gralha do que os homens).
Seja como for, o que há de melhor do que adormecer ao som das palavras certas proferidas pelo homem certo? Às vezes basta até a respiração.
08 março 2006
dia da mulher
Manifesto o meu desagrado por terem criado um dia - com raízes históricas, é certo - especial para as mulheres, como se fossemos uma minoria que precisa de ser tratada de uma maneira especial. Os problemas existem, as injustiças existem, sobretudo para uma certa camada com menor formação académica e nos meios rurais. Sei-o por estudar isso mesmo há anos e não porque os jornais e as televisões convenientemente o comentam hoje. Mas rejeito esta inferiorização da nossa própria capacidade de melhorar a nossa situação. Podem faltar-nos muitas vezes os meios financeiros, o acesso a determinadas esferas e até o tempo, mas isso não é desculpa para nos faltar a inteligência, a força para trabalhar e a criatividade para dar a volta por cima.
Rejeito as benevolências e facilitismos. Se há coisa ques as mulheres sempre souberam ter foi coragem e capacidade para dar o litro. Tenho dito.
Rejeito as benevolências e facilitismos. Se há coisa ques as mulheres sempre souberam ter foi coragem e capacidade para dar o litro. Tenho dito.
07 março 2006
genial
"Uma mulher, quando começa a compreender que é infalível, como o Papa, torna-se um instrumento de tortura."
in Agustina Bessa-Luís, Doidos e Amantes
in Agustina Bessa-Luís, Doidos e Amantes
06 março 2006
agradecimentos
Agradecer com elegância e propriedade não é coisa tão fácil como pode parecer à primeira vista. Basta ver os Óscares (e eu vi, as minhas olheiras testemunham-no) para perceber que um agradecimento pode ser sintético, sentido, emotivo, espalhafatoso, seco, disparatado ou mesmo completamente destrambelhado. O meu Óscar para Melhor Agradecimento vai para: Rachel Weisz - pronto, reconheço a minha parcialidade por causa do filme, o Fiel Jardineiro. A Rachel foi luminosa, bem-humorada, com nível e sentido de oportunidade. Além disso, está uma grávida linda.
Eu própria tive hoje de escrever dois grandes agradecimentos. O primeiro, à minha tia, acompanhando um grande ramo de flores, por me ter dado tanta mobília óptima e que me vai dar um jeitão. O segundo, para incluir na tese de mestrado.
O que se agradece (e a quem) numa tese de mestrado? Aos pais, ao orientador, aos participantes no estudo... Mas também achei por bem agradecer a quem verdadeiramente me aturou durante as longas horas de leitura, de cruzamentos estatísticos, de escrita, correcção e nova correcção: o meu namorado e o meu cão. Muito obrigada L. e M., a vossa simples presença, em silêncio, ao meu lado, foi o meu grande alento ao longo de 330 páginas e demasiados dias.
Eu própria tive hoje de escrever dois grandes agradecimentos. O primeiro, à minha tia, acompanhando um grande ramo de flores, por me ter dado tanta mobília óptima e que me vai dar um jeitão. O segundo, para incluir na tese de mestrado.
O que se agradece (e a quem) numa tese de mestrado? Aos pais, ao orientador, aos participantes no estudo... Mas também achei por bem agradecer a quem verdadeiramente me aturou durante as longas horas de leitura, de cruzamentos estatísticos, de escrita, correcção e nova correcção: o meu namorado e o meu cão. Muito obrigada L. e M., a vossa simples presença, em silêncio, ao meu lado, foi o meu grande alento ao longo de 330 páginas e demasiados dias.
03 março 2006
juventude e idade adulta
Estar nesta fase da vida, com um pé na inocência e o outro da plena independência, é, ao mesmo tempo, assustador e excitante. É engraçado, porque não senti nada disto na transição para a adolescência - às vezes penso que nunca fui adolescente, nem sequer borbulhas tive - e acho que só o sinto tanto agora porque já não afecta só a minha vida mas a de outros à minha volta: os pais que vão ver a filhota a sair de casa, o irmão que vai deixar de ter a irmã mais velha para o defender/chatear, o namorado que vai passar a ser algo mais... Até o meu cão vai mudar de casa e arranjar um "irmão", bem maior e mais pateta que ele, o que vai obrigar a alguns ajustes na "matilha" lá em casa.
Deve ser bom poder orientar os meus dias, semanas, meses, apenas em função de um 'nós' a dois, imagino que possa passar a ser uma coisa mais ao sabor do vento. Também vai ser bom ter a minha própria casinha, que posso decorar mais ao meu gosto, convidando os amigos para ir lá jantar ou apenas para noitadas à conversa.
Mas vou ter muitas saudades dos serões a ver filmes encostadinha à Mamã. E do Pai chegar a casa e eu dar-lhe um grande xi-coração e beijinho, como se ainda tivesse 8 anos.
... E do jantarinho pronto à minha espera... E dos almoços de Domingo algures a 200 Km de casa, só porque o meu Pai sofre de febre de estrada e não pode passar um fim-de-semana sem a sua viagenzita...
Sinto-me a mergulhar com lastro a mais mas sei que o meu buddy está ao meu lado e posso confiar nele de olhos fechados (esta metáfora é para mergulhadores).
Bem, talvez deixe um olhito aberto... Já aprendi a não pôr as mãos no fogo por ninguém, nem por mim.
Deve ser bom poder orientar os meus dias, semanas, meses, apenas em função de um 'nós' a dois, imagino que possa passar a ser uma coisa mais ao sabor do vento. Também vai ser bom ter a minha própria casinha, que posso decorar mais ao meu gosto, convidando os amigos para ir lá jantar ou apenas para noitadas à conversa.
Mas vou ter muitas saudades dos serões a ver filmes encostadinha à Mamã. E do Pai chegar a casa e eu dar-lhe um grande xi-coração e beijinho, como se ainda tivesse 8 anos.
... E do jantarinho pronto à minha espera... E dos almoços de Domingo algures a 200 Km de casa, só porque o meu Pai sofre de febre de estrada e não pode passar um fim-de-semana sem a sua viagenzita...
Sinto-me a mergulhar com lastro a mais mas sei que o meu buddy está ao meu lado e posso confiar nele de olhos fechados (esta metáfora é para mergulhadores).
Bem, talvez deixe um olhito aberto... Já aprendi a não pôr as mãos no fogo por ninguém, nem por mim.
02 março 2006
problemas
Sou só eu que não tenho mais prazer em resolver um desafio do que em gozar a beleza e simplicidade de uma coisa previsível e não enigmática?
Desde a 1ª classe que não gosto de Matemática. O que é que me interessava quantas fatias de bolo podiam comer o Joãozinho e o Zézinho se o bolo não estava lá à minha frente para eu o provar? Considero que as pessoas que se divertem a resolver problemas têm problemas lá na cabeça delas - a começar pelo meu namorado.
Como comparar isso ao prazer de ler um livro daqueles que nos dão um nó no estômago, a compreender como funciona o sistema digestivo, a saber por que razão o nosso país tem as fronteiras e os costumes que tem, tudo coisas com que gostava de ocupar o meu intelecto escolar em miúda?
Dito isto, e depois de o desprezar por bastante tempo, ontem passei tempos infinitos para resolver um Sudoku e agora estou viciada.
Desde a 1ª classe que não gosto de Matemática. O que é que me interessava quantas fatias de bolo podiam comer o Joãozinho e o Zézinho se o bolo não estava lá à minha frente para eu o provar? Considero que as pessoas que se divertem a resolver problemas têm problemas lá na cabeça delas - a começar pelo meu namorado.
Como comparar isso ao prazer de ler um livro daqueles que nos dão um nó no estômago, a compreender como funciona o sistema digestivo, a saber por que razão o nosso país tem as fronteiras e os costumes que tem, tudo coisas com que gostava de ocupar o meu intelecto escolar em miúda?
Dito isto, e depois de o desprezar por bastante tempo, ontem passei tempos infinitos para resolver um Sudoku e agora estou viciada.
01 março 2006
check!
Começo a suspeitar que sou um bocadinho organizada demais quando retiro um prazer quase físico da conclusão de tarefas banais, daquelas que apontamos na nossa to do list mental e se vão arrastanto ao longo de semanas:
- preenchimento e envio da declaração de IRS check!
- fazer contratos de água e luz check!
- encomenda das louças para a casa de banho check!
- impressão da versão final da tese check!
- arrumação dos recibos da Segurança Social check!
É que fico tão contente que só me apetece ir passar o fim de tarde a comer chocolates e beber coca-cola para comemorar. Sou mesmo copinho-de-leite...
De resto, o meu carnaval foi uma grande seca. As nossas máscaras até estavam giras (de personagens do Fame) mas o sítio onde fomos estava cheio de adolescentes a cantar Shakira a plenos pulmões, a música não ia além do samba e da salsa e, se calhar, já não tenho mesmo paciência para esta palermeira toda!
- preenchimento e envio da declaração de IRS check!
- fazer contratos de água e luz check!
- encomenda das louças para a casa de banho check!
- impressão da versão final da tese check!
- arrumação dos recibos da Segurança Social check!
É que fico tão contente que só me apetece ir passar o fim de tarde a comer chocolates e beber coca-cola para comemorar. Sou mesmo copinho-de-leite...
De resto, o meu carnaval foi uma grande seca. As nossas máscaras até estavam giras (de personagens do Fame) mas o sítio onde fomos estava cheio de adolescentes a cantar Shakira a plenos pulmões, a música não ia além do samba e da salsa e, se calhar, já não tenho mesmo paciência para esta palermeira toda!
24 fevereiro 2006
o crime não compensa
E andar de combóio também não. Hoje resolvi que não ia pagar um bilhete de duas zonas, já que não saio de Lisboa e ando apenas duas estações. "O pior que pode acontecer é ter de sair na estação anterior", pensei. Meu dito, meu feito. Logo à saída, apareceu o revisor, que se deve ter apaixonado pela minha linda bochecha insuflada e, depois de picar o meu bilhete, não arredou mais pé. Eu bem lhe gritava impropérios mentalmente mas ele resolveu ficar a contemplar esta bela ave à distância de uma respiração. O combóio ia quase vazio, será que posso processar a CP por assédio sexual?
Chegados, pois, à estação até onde se destinava o dito bilhete, o meu caro amigo pica fez ainda o obséquio de me abrir a porta e arregalar-me a dentuça, no esboço de um sorriso. Rosnei um "obrigada" com muito má vontade e lá saí de rabo entre as pernas, preparando-me para uma caminhada de meia hora até ao trabalho...
Conclusão, para a semana volto a poluir o ambiente e a contribuir para os engarrafamentos diários da minha linda cidade (também não é muito, não ando nas horas de ponta e o meu carro polui só um pouquinho). A poupança necessária far-se-á na supressão dos almoços fora.
P.S. Cenas dos próximos capítulos: gralha já esquelética é alimentada à força pela mãe.
Chegados, pois, à estação até onde se destinava o dito bilhete, o meu caro amigo pica fez ainda o obséquio de me abrir a porta e arregalar-me a dentuça, no esboço de um sorriso. Rosnei um "obrigada" com muito má vontade e lá saí de rabo entre as pernas, preparando-me para uma caminhada de meia hora até ao trabalho...
Conclusão, para a semana volto a poluir o ambiente e a contribuir para os engarrafamentos diários da minha linda cidade (também não é muito, não ando nas horas de ponta e o meu carro polui só um pouquinho). A poupança necessária far-se-á na supressão dos almoços fora.
P.S. Cenas dos próximos capítulos: gralha já esquelética é alimentada à força pela mãe.
23 fevereiro 2006
g(r)al(h)inhas com dentes
Não sou a única a precisar de ir ao dentista:
"Mutant Chickens Grow Teeth
By Jennifer Viegas, Discovery News
Feb. 22, 2006 — Chickens born with a mutated gene associated with tooth development were coaxed by researchers into growing functioning teeth, according to a paper published in this week's Current Biology.
Researchers previously caused teeth to grow in birds by combining mouse tooth-forming tissue with bird jaw tissue, but this time the scientists merely enhanced a genetic trait that exists naturally in the mutant birds.
The unusual feat represents the first evidence for tooth development in birds without grafts or tissue manipulation.
Lead author Matthew Harris told Discovery News that the early theropod dinosaur ancestors of birds possessed impressive choppers. "
In: http://animal.discovery.com/news/briefs/20060220/chicken.html
"Mutant Chickens Grow Teeth
By Jennifer Viegas, Discovery News
Feb. 22, 2006 — Chickens born with a mutated gene associated with tooth development were coaxed by researchers into growing functioning teeth, according to a paper published in this week's Current Biology.
Researchers previously caused teeth to grow in birds by combining mouse tooth-forming tissue with bird jaw tissue, but this time the scientists merely enhanced a genetic trait that exists naturally in the mutant birds.
The unusual feat represents the first evidence for tooth development in birds without grafts or tissue manipulation.
Lead author Matthew Harris told Discovery News that the early theropod dinosaur ancestors of birds possessed impressive choppers. "
In: http://animal.discovery.com/news/briefs/20060220/chicken.html
22 fevereiro 2006
um pequeno dente, uma grande diferença
Ontem fui extrair um dente do siso e acho que, de facto, como reza o ditado, estes dentes estão associados ao nosso juízo. Pelo menos, quando saí do consultório, depois de deixar lá metade do ordenado de um mês, fiquei com vontade rir - ou perdi o juízo, ou a anestesia tinha-me chegado ao cérebro.
Hoje, já não estou com muita vontade de rir, depois de uma noite a babar a almofada e com a sensação que tinha participado no Fight Club. Mas o melhor foi ver a cara com que acordei: pareço a Mulher-Elefante, mas assim uma versão querida (com brincos e cabelo aos caracóis).
Oh miséria! E logo hoje que decidi, por força das circun$tância$, passar a vir de combóio para o trabalho... É assim que, com menos um dentinho apenas, ganhei um look explosivo (no sentido em que a minha face ameaça explodir a qualquer momento) e um novo estilo de vida. Essa parte não faz mal, já tinha saudades da experiência etnográfica que é andar de transportes públicos.
P.S. Acho que esta noite vou pôr o dente debaixo da almofada, pode ser que a fada-dos-dentes me deixe lá um cheque generoso...
Hoje, já não estou com muita vontade de rir, depois de uma noite a babar a almofada e com a sensação que tinha participado no Fight Club. Mas o melhor foi ver a cara com que acordei: pareço a Mulher-Elefante, mas assim uma versão querida (com brincos e cabelo aos caracóis).
Oh miséria! E logo hoje que decidi, por força das circun$tância$, passar a vir de combóio para o trabalho... É assim que, com menos um dentinho apenas, ganhei um look explosivo (no sentido em que a minha face ameaça explodir a qualquer momento) e um novo estilo de vida. Essa parte não faz mal, já tinha saudades da experiência etnográfica que é andar de transportes públicos.
P.S. Acho que esta noite vou pôr o dente debaixo da almofada, pode ser que a fada-dos-dentes me deixe lá um cheque generoso...
21 fevereiro 2006
momentos grálhicos em Lisboa
Com este tempo invernoso que não passa só me apetece cuidar das penas, dar uma arrumadela no ninho e enrolar as asas à volta da cabeça para que me deixem dormir. As terças-feiras são mesmo uma grande chaga...
Para me alegrar, aqui vai mais uma das tão femininas listinhas das minhas-coisas-preferidas. Neste caso, momentos marcantes na minha linda cidade, sem qualquer tipo de ordem.
1. Santo António, com os amigos e farturas, desde o Marquês de Pombal até Alfama;
2. Remar no Tejo ao lado de um golfinho (foi no século passado, mas aconteceu);
3. Dormir em pé no Metro, depois do encerramento da Expo '98 (a fome, a sede!);
4. Quarta-feira à noite num bar de Santos e uma rodada de kalashnikovs;
5. Dar de comer aos patos no Jardim da Gulbenkian;
6. Pequenos-almoços ao Domingo, no Chiado;
7. Saída de Santa Apolónia para o primeiro Interrail;
8. Intervalos das aulas, à porta do liceu, num mar de calças de ganga e ténis All Stars;
9. Andar de patins no jardim do Campo Grande;
10. Experimentar todas as variedades de Magnum na esplanada junto aos crocodilos, no Jardim Zoológico.
Pronto, já estou contente.
Para me alegrar, aqui vai mais uma das tão femininas listinhas das minhas-coisas-preferidas. Neste caso, momentos marcantes na minha linda cidade, sem qualquer tipo de ordem.
1. Santo António, com os amigos e farturas, desde o Marquês de Pombal até Alfama;
2. Remar no Tejo ao lado de um golfinho (foi no século passado, mas aconteceu);
3. Dormir em pé no Metro, depois do encerramento da Expo '98 (a fome, a sede!);
4. Quarta-feira à noite num bar de Santos e uma rodada de kalashnikovs;
5. Dar de comer aos patos no Jardim da Gulbenkian;
6. Pequenos-almoços ao Domingo, no Chiado;
7. Saída de Santa Apolónia para o primeiro Interrail;
8. Intervalos das aulas, à porta do liceu, num mar de calças de ganga e ténis All Stars;
9. Andar de patins no jardim do Campo Grande;
10. Experimentar todas as variedades de Magnum na esplanada junto aos crocodilos, no Jardim Zoológico.
Pronto, já estou contente.
20 fevereiro 2006
convicções e concessões
Quando uma gralha tem 16 anos e já tem muitas certezas acerca dos dos e don'ts para o resto da vida, é mais que evidente que se vai enganar uma década depois.
Acabei de assinar o contrato de arrendamento para a casa que finalmente marca a minha saída definitiva do ninho, depois da breve experiência de um semestre a estudar na Alemanha, que nem deu para lhe tomar o gosto. Ao mesmo tempo que isto simboliza a minha passagem definitiva para a idade adulta e o assumir de mais uma etapa numa relação, não deixo de me confrontar com o facto de estar a quebrar três promessas que tinha feito a mim mesma:
1. Nunca alugar uma casa - comprar! Ou seja, não deitar dinheiro pelo cano abaixo para uma coisa que (ainda*) não vai ser minha;
2. Não ir viver junta com ninguém - casar! Até a expressão "viver junta" me arrepia... Sim, sou completamente conservadora nesta questão;
3. Não pedir dinheiro emprestado aos meus pais - safar-me sozinha! Esta ainda está para ver mas com a quantidade de obras que vamos fazer, não sei como é que vamos pagar.
Não é que eu sonhe com uma vida de contos de fadas; não é que eu esteja à espera que todos os meus sonhos se realizem; mas há coisas que são muitíssimo importantes para nós e sobre as quais acabamos por ter de fazer concessões em nome do amor a uma pessoa com convicções muito diferentes das nossas. Será que estou a tomar a decisão certa? Só o tempo o dirá. Neste momento, sinto que sim e, de qualquer forma, nunca fui de fugir ao risco e à incerteza. Mais vale arrepender-me de alguma coisa que fiz do que de não fazer nada para evitar dissabores.
*É uma questão complicada, mas esperamos vir a comprar esta mesma casa daqui a um par de anos
Acabei de assinar o contrato de arrendamento para a casa que finalmente marca a minha saída definitiva do ninho, depois da breve experiência de um semestre a estudar na Alemanha, que nem deu para lhe tomar o gosto. Ao mesmo tempo que isto simboliza a minha passagem definitiva para a idade adulta e o assumir de mais uma etapa numa relação, não deixo de me confrontar com o facto de estar a quebrar três promessas que tinha feito a mim mesma:
1. Nunca alugar uma casa - comprar! Ou seja, não deitar dinheiro pelo cano abaixo para uma coisa que (ainda*) não vai ser minha;
2. Não ir viver junta com ninguém - casar! Até a expressão "viver junta" me arrepia... Sim, sou completamente conservadora nesta questão;
3. Não pedir dinheiro emprestado aos meus pais - safar-me sozinha! Esta ainda está para ver mas com a quantidade de obras que vamos fazer, não sei como é que vamos pagar.
Não é que eu sonhe com uma vida de contos de fadas; não é que eu esteja à espera que todos os meus sonhos se realizem; mas há coisas que são muitíssimo importantes para nós e sobre as quais acabamos por ter de fazer concessões em nome do amor a uma pessoa com convicções muito diferentes das nossas. Será que estou a tomar a decisão certa? Só o tempo o dirá. Neste momento, sinto que sim e, de qualquer forma, nunca fui de fugir ao risco e à incerteza. Mais vale arrepender-me de alguma coisa que fiz do que de não fazer nada para evitar dissabores.
*É uma questão complicada, mas esperamos vir a comprar esta mesma casa daqui a um par de anos
17 fevereiro 2006
armadinhas tecnológicas
Detesto telemóveis. Nunca gostei de falar ao telefone e fico piúrsa com determinadas situações com que somos confrontados só porque estamos sempre contactáveis (a menos que se ande com o telemóvel desligado. Já experimentei essa estratégia e todos me cairam em cima).
Por que é que me mandam sms? Por que é que me mandam daquelas sms que me obrigam a reagir de alguma maneira? Uma não resposta já é uma afirmação da minha parte; qualquer mensagem que mande será interpretada ao mais ínfimo detalhe e guardada na eternidade de um chip. Esta comunicação que se transforma numa coisa forçada não é comunicação, é mercantilismo verbal, e deixa-nos sempre em dívida para com quem nos escreve.
Por que é que me mandam sms? Por que é que me mandam daquelas sms que me obrigam a reagir de alguma maneira? Uma não resposta já é uma afirmação da minha parte; qualquer mensagem que mande será interpretada ao mais ínfimo detalhe e guardada na eternidade de um chip. Esta comunicação que se transforma numa coisa forçada não é comunicação, é mercantilismo verbal, e deixa-nos sempre em dívida para com quem nos escreve.
casa
Passo a vida a mudar de casa. Mudei há 3 meses, vou mudar-me daqui a mais uns tantos. Começo a achar que não lido tão bem com isto como pensava.
A nossa casa é uma coisa mesmo muito nossa. Os vizinhos são nossos, o bairro é nosso, as paredes são nossas e a vista das janelas é só nossa. Não é uma questão de possessividade, é quase uma lei da Física do universo que nos povoa interiormente.
Quando mudei da última vez lidei com isso pela negação. Apesar de viver a 2 km dali, nunca mais passei na que era a minha rua e nem sequer quero pensar em como era a disposição do meu quarto. É como um namoro terminado em que prefiro fazer de conta que nunca conheci aquela pessoa. Isto, apesar de a casa actual ser maior e mais bonita.
Acho que há coisas grandes demais para lidar com elas com total frontalidade. Quando mudar de novo, será que vou deixar de passar em duas ruas? Qualquer dia ando aos zig-zags em Lisboa para escapar à nostalgia...
A nossa casa é uma coisa mesmo muito nossa. Os vizinhos são nossos, o bairro é nosso, as paredes são nossas e a vista das janelas é só nossa. Não é uma questão de possessividade, é quase uma lei da Física do universo que nos povoa interiormente.
Quando mudei da última vez lidei com isso pela negação. Apesar de viver a 2 km dali, nunca mais passei na que era a minha rua e nem sequer quero pensar em como era a disposição do meu quarto. É como um namoro terminado em que prefiro fazer de conta que nunca conheci aquela pessoa. Isto, apesar de a casa actual ser maior e mais bonita.
Acho que há coisas grandes demais para lidar com elas com total frontalidade. Quando mudar de novo, será que vou deixar de passar em duas ruas? Qualquer dia ando aos zig-zags em Lisboa para escapar à nostalgia...
16 fevereiro 2006
as coisas não ditas
Uma relação, para sobreviver - de uma forma que valha a pena e não simplesmente a arrastar-se -, precisa de ingredientes como os sentimentos, a admiração, o respeito, a capacidade de ajuste mútuo. E se é verdade que a comunicação é fundamental (até para mim, que não sou de muitas conversas), também é indispensável que certas coisas não sejam ditas. Se ambos contarem tudo, falarem de tudo, confessarem tudo, surgirá, mais cedo ou mais tarde, um pequeno tremor de terra silencioso.
Não podemos dizer que não gostamos mesmo nada daquela música, a preferida do outro ("não se ama alguém que não ouve a mesma canção").
Não podemos admitir que achamos aquele amigo um grande imbecil.
Não podemos reconhecer que aquela saia linda que nos ofereceu é a coisa mais horrível a sair de uma loja desde a invenção daqueles tops que alargam da cintura para baixo, e que só ficam bem às grávidas.
Sobretudo, não podemos dar a entender que nunca nos poderemos entender com os pais do respectivo.
Nunca, por nunca, tecer comentários menos abonatórios da masculinidade/ feminilidade do outro.
Mas o pior dos pecados relacionais é abrir-lhe as portas àquele quartinho onde temos guardadas (mentalmente, entenda-se!) todas as outras pessoas que já tiveram ou poderão ter significado romântico na nossa vida: ex-namorados, paixões não concretizadas, flirts sem importância. Todos estes têm de estar bem guardadinhos, sem nomes, sem cara, sem aparente protagonismo, como demónios domesticados que só nós, na mais extrema intimidade, podemos gerir.
Não podemos dizer que não gostamos mesmo nada daquela música, a preferida do outro ("não se ama alguém que não ouve a mesma canção").
Não podemos admitir que achamos aquele amigo um grande imbecil.
Não podemos reconhecer que aquela saia linda que nos ofereceu é a coisa mais horrível a sair de uma loja desde a invenção daqueles tops que alargam da cintura para baixo, e que só ficam bem às grávidas.
Sobretudo, não podemos dar a entender que nunca nos poderemos entender com os pais do respectivo.
Nunca, por nunca, tecer comentários menos abonatórios da masculinidade/ feminilidade do outro.
Mas o pior dos pecados relacionais é abrir-lhe as portas àquele quartinho onde temos guardadas (mentalmente, entenda-se!) todas as outras pessoas que já tiveram ou poderão ter significado romântico na nossa vida: ex-namorados, paixões não concretizadas, flirts sem importância. Todos estes têm de estar bem guardadinhos, sem nomes, sem cara, sem aparente protagonismo, como demónios domesticados que só nós, na mais extrema intimidade, podemos gerir.
15 fevereiro 2006
lufada
Estou encantada com este blogue. É uma lufada de ar... com cheirinho a mofo: reconfortante, nostálgico e cheio de auto-comiseração despretensiosa.
7 minutos com a Chefe Gralha
Ora não é que tenho descurado as minhas obrigações de bloguista do sexo feminino e ainda não coloquei aqui nenhuma receita? Esta é muito fácil, barata, original e mundialmente famosa (ie, há gente algures na Alemanha, Ilha da Reunião, Cazaquistão e Argélia - ex-colegas de ERASMUS - que já a provou).
CARIL DE BANANA
(Não neguem à partida uma ciência que desconhecem! É muito saboroso! E não, não é suposto ter nenhuma conotação ordinária)
Ingredientes (2 PAX): Arroz, 2 bananas um pouco verdes, sortido de legumes, Um pacotinho de leite de soja de baunilha (cc. 25 cl), azeite, pó de caril, côco ralado, 1-2 piri-piri, sal e pimenta q.b.
Preparação: Faz-se o arroz bem sequinho para acompanhar. Dá-se uma escaldadela nos legumes, seguida de uma rápida passagem na frigideira quente, em azeite, com o piri-piri, sal e pimental. Baixando um pouco o lume, adiciona-se o leite de soja e o pó de caril, envolvendo bem para ficar homogéneo. Adiciona-se o côco a gosto e continua-se a envolver. Junta-se a banana cortada em rodelas grossas e envolve-se com cuidado para não a desfazer por completo, apesar de desfazer um pouquinho para dar consistência à molhenga. Rectificar os condimentos e servir.
Apresentação: Arroz e caril vão para a mesa em separado, para adicionar ao gosto de cada um e se, como me acontece a mim quase sempre, tiver ficado picante demais, pode acompanhar-se com compota de morango. Para beber, um bom tinto aveludado ou batido de manga. Água não, para não enxaguar os sabores!
Bon Appétit!
CARIL DE BANANA
(Não neguem à partida uma ciência que desconhecem! É muito saboroso! E não, não é suposto ter nenhuma conotação ordinária)
Ingredientes (2 PAX): Arroz, 2 bananas um pouco verdes, sortido de legumes, Um pacotinho de leite de soja de baunilha (cc. 25 cl), azeite, pó de caril, côco ralado, 1-2 piri-piri, sal e pimenta q.b.
Preparação: Faz-se o arroz bem sequinho para acompanhar. Dá-se uma escaldadela nos legumes, seguida de uma rápida passagem na frigideira quente, em azeite, com o piri-piri, sal e pimental. Baixando um pouco o lume, adiciona-se o leite de soja e o pó de caril, envolvendo bem para ficar homogéneo. Adiciona-se o côco a gosto e continua-se a envolver. Junta-se a banana cortada em rodelas grossas e envolve-se com cuidado para não a desfazer por completo, apesar de desfazer um pouquinho para dar consistência à molhenga. Rectificar os condimentos e servir.
Apresentação: Arroz e caril vão para a mesa em separado, para adicionar ao gosto de cada um e se, como me acontece a mim quase sempre, tiver ficado picante demais, pode acompanhar-se com compota de morango. Para beber, um bom tinto aveludado ou batido de manga. Água não, para não enxaguar os sabores!
Bon Appétit!
14 fevereiro 2006
Dia do Só Eu É Que Não Tenho Namorado
Acho que este dia tinha mesmo de ser abolido. Quem tem namorado não liga e acha que é uma manobra de marketing; quem não tem, é massacrado o dia inteiro com mensagenzinhas pseudo-românticas e insinuações, como se fosse algum crime não ter namorado. Só tem uma vantagem: pode encher-se a caixa de correio dos colegas de trabalho com poemas pirosos e fotografias de pombinhos e ursos de peluche. Uma delícia, eheh.
13 fevereiro 2006
cheirinho bom
É segunda-feira, ainda faltam duas semanas para o Carnaval, e é melhor nem contar as semanas que faltam para as férias de Verão...
...Mas há um cheirinho a Primavera no ar!
E ontem até deu para almoçar na esplanada, junto ao rio, e apreciar a beleza da minha cidade. Pensar que há quem ache que é impossível viver em Lisboa e ter qualidade de vida...
...Mas há um cheirinho a Primavera no ar!
E ontem até deu para almoçar na esplanada, junto ao rio, e apreciar a beleza da minha cidade. Pensar que há quem ache que é impossível viver em Lisboa e ter qualidade de vida...
11 fevereiro 2006
soneto invertido neo-contemporâneo
Após intenso estudo de mercado, cheguei à conclusão que a melhor maneira de conquistar audiência para o meu blogue é chegar às faixas mais alargadas da blogosfera, a saber: os intelectuais, os engraçadinhos, os que dizem asneiras, os artistas e os fofinhos (alguns deles sobrepõem-se). Resolvi então brindar-vos com o meu versejar praguejador, o que conquista, à partida, os primeiros, terceiros e quartos. Se alguém achar alguma piada, lá se conquista também os que gostam de dar a boa risada matinal. A parte dos fofinhos é mais complicada mas acho que a inclusão da palavra "beijinho" pode apelar a esta faixa da população.
Aqui vos deixo assim com esta pequena pérola da literatura grálhica.
PUTA
Mas que grande puta é ela,
Anafada e singela,
Acenando na beira da estrada
Aos carros que passam – não param
Como se não vissem nada,
Porque nada de jeito a acharam.
Do joanete, massacrada
Sobre um salto excessivo.
Mostra a mama despojada
Num jeito de estar sugestivo
De quem abre as pernas à hora,
Ou ao minuto, o que seja,
Por trás, pela frente, e embora
Faça beijinho, não beija.
© gralha dixit 2006
Aqui vos deixo assim com esta pequena pérola da literatura grálhica.
PUTA
Mas que grande puta é ela,
Anafada e singela,
Acenando na beira da estrada
Aos carros que passam – não param
Como se não vissem nada,
Porque nada de jeito a acharam.
Do joanete, massacrada
Sobre um salto excessivo.
Mostra a mama despojada
Num jeito de estar sugestivo
De quem abre as pernas à hora,
Ou ao minuto, o que seja,
Por trás, pela frente, e embora
Faça beijinho, não beija.
© gralha dixit 2006
10 fevereiro 2006
o significado do meu ser
gralha
Do Lat. gracula; s. f., Ornit., pássaro conirrostro da família dos corvos; erro tipográfico; fig., pessoa tagarela; (no pl.) jogo popular. (In: Dicionário da Língua Portuguesa On-Line);
3ª pess. sing. pres. ind. de gralhar; 2ª pess. sing. imp. de gralhar.
Inquieta-me um pouco ser sinónimo de erro e de jogo. Ainda falam da coisificação da mulher, então e este menosprezo por um bicho tão importante? Vou queixar-me à Sociedade Protectora dos Animais.
Tranquilizam-me, por outro lado, as minhas aparentes raízes reais, dado o tão evidente parentesco com o Conde Drácula.
Este post está mesmo muito fraquinho. Tenham paciência, estou gonsdipada e com a moca dos comprimidos. Bom fim-de-semana.
Do Lat. gracula; s. f., Ornit., pássaro conirrostro da família dos corvos; erro tipográfico; fig., pessoa tagarela; (no pl.) jogo popular. (In: Dicionário da Língua Portuguesa On-Line);
3ª pess. sing. pres. ind. de gralhar; 2ª pess. sing. imp. de gralhar.
Inquieta-me um pouco ser sinónimo de erro e de jogo. Ainda falam da coisificação da mulher, então e este menosprezo por um bicho tão importante? Vou queixar-me à Sociedade Protectora dos Animais.
Tranquilizam-me, por outro lado, as minhas aparentes raízes reais, dado o tão evidente parentesco com o Conde Drácula.
Este post está mesmo muito fraquinho. Tenham paciência, estou gonsdipada e com a moca dos comprimidos. Bom fim-de-semana.
09 fevereiro 2006
o politicamente incorrecto matrimónio
Há um grito no meu peito que não pode ser mais contido: por que é que, hoje em dia, parece um crime uma pessoa querer casar-se? Porquê? É piroso, sintoma de submissão, quadrado ao mais alto nível, sinal de que não se é ambicioso o suficiente para dedicar os 20s e 30s, em quase-exclusividade, à carreira. Quando fui à minha primeira entrevista de emprego, numa multinacional-queremos-o-seu-coiro-aqui-a-dar-no-duro-das-9h-às-23h, cada pessoa no grupo a ser testado tinha de ir respondendo sem pensar a perguntas-relâmpago do entrevistador-do-Mal:
Entrevistador-do-Mal: Qual é o seu maior sonho?
Gralha-pura-e-ingénua: Casar e ter filhos.
Como todos vós adivinhais, recebi um sorriso de desprezo e não uma bela proposta para começar na próxima semana.
Qual é o mal de se viver no século XXI e não achar que a carreira deve vir em primeiro lugar? Mais, qual é o mal de achar que há alguma coisa de sagrado na decisão de duas pessoas viverem juntas para sempre, e querem assumir perante a Lei - ou, no meu caso, perante Deus - essa decisão? Quando tento demonstrar o meu ponto de vista tratam-me como se estivesse a confessar que tenho piolhos: isso já lhes passou pela cabeça mas só quando eram crianças.
Partidários-do-casamento-já-não-se-usa: Mas que diferença faz um papel? O que interessa é o que se sente, sem haver prisões.
Gralha-terrorista-pró-matrimónio: Lá está! Não é um papel, é um voto, uma decisão formalizada. Os seres humanos têm destas coisas, um dos traços que nos destingue dos animais irracionais.
OK, é verdade que vivo num contexto urbano, provavelmente é diferente noutros sítios. O que é certo é que nenhum dos meus primos se casou ou casará tão cedo, e apenas uma das minhas amigas o fez. Será que tenho um efeito anti-enlace em meu redor?
Entrevistador-do-Mal: Qual é o seu maior sonho?
Gralha-pura-e-ingénua: Casar e ter filhos.
Como todos vós adivinhais, recebi um sorriso de desprezo e não uma bela proposta para começar na próxima semana.
Qual é o mal de se viver no século XXI e não achar que a carreira deve vir em primeiro lugar? Mais, qual é o mal de achar que há alguma coisa de sagrado na decisão de duas pessoas viverem juntas para sempre, e querem assumir perante a Lei - ou, no meu caso, perante Deus - essa decisão? Quando tento demonstrar o meu ponto de vista tratam-me como se estivesse a confessar que tenho piolhos: isso já lhes passou pela cabeça mas só quando eram crianças.
Partidários-do-casamento-já-não-se-usa: Mas que diferença faz um papel? O que interessa é o que se sente, sem haver prisões.
Gralha-terrorista-pró-matrimónio: Lá está! Não é um papel, é um voto, uma decisão formalizada. Os seres humanos têm destas coisas, um dos traços que nos destingue dos animais irracionais.
OK, é verdade que vivo num contexto urbano, provavelmente é diferente noutros sítios. O que é certo é que nenhum dos meus primos se casou ou casará tão cedo, e apenas uma das minhas amigas o fez. Será que tenho um efeito anti-enlace em meu redor?
cá estamos
Hoje o dia está cinzento. Estou a ver se trabalho qualquer coisa. Tenho fome, já ia lá abaixo comer um palmier, ia, ia. Amanhã já é sexta-feira. E, pronto, cá estamos.
O meu namorado descobriu que tenho um blogue. Daí a indentificá-lo, são dois passinhos. Acabou-se a minha liberdade absoluta de fazer comentários a outros rabos masculinos (ontem o George Clooney estava mesmo giro no «E.R.», umm...) e a qualquer coisa que tenha a ver com ele, senão lá levo com a cara de amuo número 5. Isto significa que os meus posts vão passar a ser ainda mais aliciantes, não tarda nada o counter das visitas começa a andar para trás...
O meu namorado descobriu que tenho um blogue. Daí a indentificá-lo, são dois passinhos. Acabou-se a minha liberdade absoluta de fazer comentários a outros rabos masculinos (ontem o George Clooney estava mesmo giro no «E.R.», umm...) e a qualquer coisa que tenha a ver com ele, senão lá levo com a cara de amuo número 5. Isto significa que os meus posts vão passar a ser ainda mais aliciantes, não tarda nada o counter das visitas começa a andar para trás...
08 fevereiro 2006
o meu cão é o mais fixe do mundo (10 razões a título de exemplo)
1. Nunca roeu os meus sapatos (só meias, cuecas, canetas, óculos, torradeiras, aspiradores, guarda-chuvas);
2. Desconfia dos velhinhos que andam com bengala;
3. Bebe Frize Limão apesar das bolhinhas lhe fazerem comichão no focinho e o deixarem a espirrar;
4. Tem 2 pares de "peúgas brancas" mas acha-se cheio de estilo;
5. Ajuda-me sempre a fazer exercício (quando faço abdominais, senta-se em cima da minha barriga);
6. Continua a trazer-me os brinquedos para a rambóia, todos os dias, ainda que já tenha 5 anos;
7. Dá puns e fica a olhar para mim com ar escandalizado;
8. Descobriu recentemente a geometria (maçãs, laranjas, pêssegos = bolas);
9. Encaixa-se perfeitamente nas minhas pernas para dormirmos a sesta;
10. É meu.
2. Desconfia dos velhinhos que andam com bengala;
3. Bebe Frize Limão apesar das bolhinhas lhe fazerem comichão no focinho e o deixarem a espirrar;
4. Tem 2 pares de "peúgas brancas" mas acha-se cheio de estilo;
5. Ajuda-me sempre a fazer exercício (quando faço abdominais, senta-se em cima da minha barriga);
6. Continua a trazer-me os brinquedos para a rambóia, todos os dias, ainda que já tenha 5 anos;
7. Dá puns e fica a olhar para mim com ar escandalizado;
8. Descobriu recentemente a geometria (maçãs, laranjas, pêssegos = bolas);
9. Encaixa-se perfeitamente nas minhas pernas para dormirmos a sesta;
10. É meu.
07 fevereiro 2006
mulher do Norte
Esta bicheza lançou este desafio a todos os Portugueses, para que testemos o nosso portismo. Tenho a declarar que esta gralha é uma tripeira nata, o que não está nada mal para uma lisboeta ! :)
(pronto, confesso que tenho metade das costelas minhotas e até sou dragona)
(pronto, confesso que tenho metade das costelas minhotas e até sou dragona)
estupefacientes
Não se preocupem, não vou fazer uma palestra sobre os malefícios dos ditos. Também não vou propor liberalizações nem descriminalizações de coisa nenhuma. Felizmente, há alguns estupefacientes que são legais e, com a devida moderação, não fazem muito mal. Há lá coisa mais fantástica do que ver as alterações no nosso estado de espírito quando bebemos uma caipirinha à beira-mar ou a bela bica de manhã, com os colegas? Até suspeito que, nestes casos, o alcoól e a cafeína desempenham um papel menor, sendo o contexto que dá a pica/ descontracção/ sensação de que a vida é mesmo fantástica. O que é certo é que, para uma pessoa da minha relativamente reduzida massa corporal, uma coisita destas de nada deixa-me logo cheia de vontade de ouvir aquela música inesquecível, conhecer aquele sítio de que nos falaram, experimentar culinárias exóticas, fazer novos projectos e - é verdade - até trabalhar.
06 fevereiro 2006
sentidos de humor
A minha relação com as pessoas é muito afectada pelo humor que se consegue estabelecer entre nós. Independentemente do tipo de relação, é preciso que haja alguma base de humor, que sirva de alicerce a uma linguagem comum, a dos subentendidos. É claro que não vou começar a contar anedotas à minha Big Boss como conto aos meus colegas, mas é preciso que haja qualquer coisa.
O problema é quando os sentidos de humor são incompatíveis. Como, por exemplo, quando, de visita à minha futura casa com a minha sogra-to-be, e tendo ela comentado que a cozinha é pequena, eu respondo que "não há problema, também não tenciono passar lá muito tempo." Ela ri-se? Não. Devolve-me outra graçola? Nem pensar. Fica é com uma cara de pânico, antevendo a inanição do seu rebento. A que acha ela piada, então? Aos Malucos do Riso.
A boa disposição genuína fica assim arrasada como estado normal da nossa relação e as conversas triviais têm de se ficar pelo "tempo anda instável". Alguém sabe se é possível reconverter sentidos de humor? Será que devo passar a ver o humor nacional que passa a seguir aos noticiários???
p.s. Eu tinha-me comprometido a deixar o sarcasmo de fora do blogue. Consegui durante duas semanas.
O problema é quando os sentidos de humor são incompatíveis. Como, por exemplo, quando, de visita à minha futura casa com a minha sogra-to-be, e tendo ela comentado que a cozinha é pequena, eu respondo que "não há problema, também não tenciono passar lá muito tempo." Ela ri-se? Não. Devolve-me outra graçola? Nem pensar. Fica é com uma cara de pânico, antevendo a inanição do seu rebento. A que acha ela piada, então? Aos Malucos do Riso.
A boa disposição genuína fica assim arrasada como estado normal da nossa relação e as conversas triviais têm de se ficar pelo "tempo anda instável". Alguém sabe se é possível reconverter sentidos de humor? Será que devo passar a ver o humor nacional que passa a seguir aos noticiários???
p.s. Eu tinha-me comprometido a deixar o sarcasmo de fora do blogue. Consegui durante duas semanas.
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