07 julho 2011
no bom caminho
Depois da noção do tempo, a noção do espaço começa a desenhar-se com contornos mais nítidos na cabeça de four-and-a-quarter (como ele faz questão de dizer) do Gugas. Explico-lhe o mundo, os continentes, os países, os oceanos. Aproveito para a primeira lição sobre os Navegadores Portugueses, que nós não somos e nunca fomos lixo. E agora a brincadeira preferida do meu filho mais velho é desenhar grandes planisférios ao seu gosto - com África, Dinamarca, Portugal, Itália, China, Brasil, América e Disneyworld com as devidas dimensões emocionais - e sobrevoá-los com a crescente colecção de aviõezinhos. Espero que tenhas oportunidade de voar isso tudo e muito mais, filho.
06 julho 2011
eu também quero dizer uma coisa sobre as agências de rating
Os senhores que as fundaram e os que lá trabalham têm mau hálito, pelos púbicos encravados, pústulas genitais, rabo de babuíno, pés tortos, corcunda, falta de gosto no vestir e, sobretudo, uma pilinha muito pequenina. Espero que as vossas mulheres vos adornem o crónico par de chifres com novas hastes a cada dia, e que vos peguem chatos e coisas piores.
gralha
O Diogo aprendeu a dizer "gralha", coisa boa da mãe! E, como vê que me derreto, agora passa o tempo todo: "gálha, gálha, gálha". Bom demais.
05 julho 2011
educação para a igualdade
Chegou o dia em que os meus familiares do sexo masculino me vão cair em cima: acabei de pintar as unhas do meu filho mais velho. Ele escolheu o tom Cherry Glacé, da Nivea. Talvez me salve de uma morte por apedrejamento porque a coisa só durou 2 minutos e a acetona apagou todas as provas do "crime".
Sempre defendi que, na educação dos meus filhos, não ia haver coisas de "menina" e de "menino". Meninas e meninos têm diferenças biológicas e neurológicas, sim, mas eu não vou reforçar estereótipos de base essencialmente social. Não incentivo a experimentação de coisas tipicamente do género oposto; advirto para o facto de muita gente achar que isso não é "normal"; mas não proíbo nem tento dissuadir. Depois de muitas vezes em que disse ao Gugas que, ou cortava as unhas, ou eu lhas pintava, ele escolheu a segunda opção. "Não te importas que os outros meninos digam que o verniz é só para as meninas?", perguntei. "Não. Os meninos também podem usar.", retorquiu. Quando percebeu que tinha de esperar 10 minutos para que secasse: "Quero tirar, quero tirar! Quero ir brincar com os carrinhos."
E eu suspirei intimamente, que isto uma pessoa é muito moderna mas não gosta que os filhos sejam alvo de chacota na piscina.
Sempre defendi que, na educação dos meus filhos, não ia haver coisas de "menina" e de "menino". Meninas e meninos têm diferenças biológicas e neurológicas, sim, mas eu não vou reforçar estereótipos de base essencialmente social. Não incentivo a experimentação de coisas tipicamente do género oposto; advirto para o facto de muita gente achar que isso não é "normal"; mas não proíbo nem tento dissuadir. Depois de muitas vezes em que disse ao Gugas que, ou cortava as unhas, ou eu lhas pintava, ele escolheu a segunda opção. "Não te importas que os outros meninos digam que o verniz é só para as meninas?", perguntei. "Não. Os meninos também podem usar.", retorquiu. Quando percebeu que tinha de esperar 10 minutos para que secasse: "Quero tirar, quero tirar! Quero ir brincar com os carrinhos."
E eu suspirei intimamente, que isto uma pessoa é muito moderna mas não gosta que os filhos sejam alvo de chacota na piscina.
04 julho 2011
auto-conhecimento de fêmea
Consigo adivinhar em que fase do ciclo estou pelo meu nível de paciência em relação às dissonâncias domésticas. Durante a ovulação, uma tampa de sanita (que acabei de limpar) com salpicos amarelados dá-me vontade de chorar. Mesmo antes do Dia P, uma bola de roupa (que lavei e dobrei amorosamente) atirada para o armário dá-me vontade de lhe despejar o cesto de roupa suja na cabeça. No resto do tempo, costuma ser suficiente entoar o mantra "nãosejasumamulherchata, nãosejasumamulherchata, nãosejasumamulherchata" para conseguir lidar com estes pequenos nadas e pedir, com o sorriso possível, que as coisas sejam feitas de outra forma.
03 julho 2011
ainda vais a tempo
Pessoas que gostam de mim continuam a alertar-me para o poço dos infernos que é voltar a Portugal, neste momento. São queridas e bem intencionadas. Mas deixem-me tentar explicar, sem ser com o argumento fatalista da pátria e da alma e do Tejo: isto tudo, meus amigos, é só um mundo. É todo ele mais ou menos o mesmo. O céu é o mesmo. As pessoas são basicamente as mesmas. Os sorrisos são os mesmos. A escuridão é a mesma. As regras de trânsito, a comida, a música, os cheiros não são os mesmos. Mas o fundamental não difere assim tanto. Há dias fáceis e há dias difíceis em todo o lado. E chega uma altura em que temos de decidir se queremos estar onde somos realmente felizes ou se queremos continuar a forçar a felicidade só para dizermos que if I can make it there, I'll make it everywhere. Recuso-me a desempenhar um papel quando não fui eu a escrever o guião, ainda que a história pareça ter mais consistência. A minha vida pode ser americana, pode ser outra coisa qualquer. Mas a vida que eu quero construir para mim - e para os meus filhos, já agora - é portuguesa. Com muitos temperos e amigos do resto do mundo, se possível.
02 julho 2011
fátinha
Ainda no top 10 das desvantagens do regresso: a miséria da nossa justiça. Tenho muita, muita vergonha. É medieval. (e quem diz a fátinha diz os outros todos, não é uma questão partidária)
30 junho 2011
ainda a questão linguística
Não é que eu seja uma ave invulgarmente cosmopolita, mas este mundo em que vivemos apresenta-nos cada vez mais pessoas de diferentes nacionalidades. E chega o dia em que olhamos para os nossos contactos telefónicos, para a nossa lista de amigos do Facebook, e dizemos: "olá... tu queres lá ver que metade do pessoal que aqui está não compreende a minha língua?" E depois? Fazemos aquela figura mete-nojo de começar a escrever só em Inglês (sendo que alguns também não o compreendem)? Mantemos um certo autismo luso e quem quiser que aprenda? Damo-nos ao trabalho (e algum exibicionismo linguístico) de passar a publicar tudo em várias línguas, como se fossemos um guia turístico? Ainda não decidi. E vocês, como fazem?
29 junho 2011
desperdício de conhecimento
No top 10 das piores consequências de deixar os EUA está o facto de o Gugas ir esquecer a Língua Inglesa. Aprendeu-a, como qualquer criança da idade dele, com uma rapidez incrível. Fala com um sotaque nova-jersiano horroroso (bom, nele fica giro e querido). Corrige-nos as construções frásicas e as expressões idiomáticas (o pirralho). E aposto um dedo mindinho que, chegado a Lisboa, se vai recusar a proferir uma palavra que seja em Inglês - principalmente porque toda a gente lhe pede que o faça, como se ele fosse uma atracção circence. E pronto, foi assim que tivemos um filho bilingue durante um ano que, daqui a alguns tempos, terá de re-aprender a falar o inguelês que todo o tuga fala. Já o meu filho americano, sai daqui a dizer uma única coisa da sua terra natal: da-da (pai). Se for só um 'da', é porque nos está a cravar qualquer coisa.
28 junho 2011
foi mesmo muito bom
Os aviões podem atrasar, a barriga pode doer, a chuva pode encharcar, o bebé pode não comer, as filas podem eternizar, o sol pode escaldar, os imprevistos podem surgir, mas não há nada que possa estragar as férias a uma família com muita vontade de estar junta e divertir-se, num lugar cheio de fantasia e coisas bonitas. É certo que foi muito cansativo para o Diogo - mas ele também se divertiu imenso, apesar de não se ir lembrar. Estes poucos dias souberam a muito e foram aquilo que desejámos e ainda mais. Depois de ter estado lá há 19 anos, foi com outros olhos que revi tudo, os olhos brilhantes dos meus filhos, a absorver cada imagem, cada surpresa, cada momento único. Valeu mesmo a pena.
24 junho 2011
22 junho 2011
e não deu para ler nem meia dúzia de páginas
6 meses depois, cerca de 40 mil livros reclassificados e mais 180 mil livros movimentados (sim, só por mim), 3 quilos a menos, muitas nódoas negras a mais, chegou hoje a hora de dizer adeus à biblioteca da Universidade de Princeton. Foi com muita nostalgia que empurrei o meu carrinho azul pelos 6 pisos nas últimas horas e tive de deixar para trás tantas obras, tantos autores, tantos colegas e amigos. Mas chegou a hora de virar a página (a piadinha previsível) começar as férias, antes do regresso ao trabalho em Portugal.
21 junho 2011
longe
Uma vida que acabou. Uma outra vida prestes a começar. E não há telecomunicações nem redes sociais que superem a distância, a necessidade de partilhar estes momentos tão grandes. Enormes. As lágrimas de tristeza juntam-se às de antecipação e alegria e é difícil estar do outro lado de tudo. Queria estar lá hoje. Porque, se nos dias iguais a todos os outros sentimos cada quilómetro, hoje sentimos cada milímetro de lonjura. Fazia falta abraçar e olhar olhos nos olhos, sem ecrãs pelo meio.
19 junho 2011
saído de mim
Rezingão, inconstante, madrugador, pisco, mas também cheio de energia, dançarino e desenhador precoce. Não podiam ser só coisas más que o Diogo herdou da mãe :)
17 junho 2011
fim do dia
Trabalho, trânsito, compras, tudo fica para trás quando se mete a chave à porta e entra em casa. A nossa casa. Acho que esta sensação de casa só existe quando estamos longe dela todo o dia. A sensação de família é muito diferente quando não estamos imersos nela a cada minuto, quando há outras coisas completamente alheias a nós que nos ocupam por algumas horas.
Em breve, voltarei a estar em casa, mãe a tempo inteiro. Escolhi dar umas férias grandes aos meus filhos (e a mim) antes do recomeço do trabalho em Lisboa e quero aproveitar muito bem esse tempo. Mas também sei que me vai fazer falta o sair de casa - e o voltar, ao fim do dia. Quase tudo o que se vive de forma contínua torna-se invisível, imperceptível; espero continuar a sentir o prazer das coisas de casa e da maternidade neste período de imersão completa. É só mais uma semana e splash!
Em breve, voltarei a estar em casa, mãe a tempo inteiro. Escolhi dar umas férias grandes aos meus filhos (e a mim) antes do recomeço do trabalho em Lisboa e quero aproveitar muito bem esse tempo. Mas também sei que me vai fazer falta o sair de casa - e o voltar, ao fim do dia. Quase tudo o que se vive de forma contínua torna-se invisível, imperceptível; espero continuar a sentir o prazer das coisas de casa e da maternidade neste período de imersão completa. É só mais uma semana e splash!
15 junho 2011
o papel da testosterona na eficiência doméstica
É espantoso como um homem consegue lavar toda a louça de uma refeição em 5 minutos e uma mulher demora muito mais. É espectacular - ou então, não.
Quando um homem "lava a louça", pega em tudo o que está no seu ângulo de visão - pratos, talheres, copos, babetes, toalha de mesa, cão - e atira para dentro da máquina de lavar, sem rentabilizar o espaço da mesma, e enche a panela que sobra com um copo de detergente, esfregando-a despreocupadamente e passando depois por água. A seguir, a panela fica a secar sobre a poça que criou na bancada da cozinha, enquanto a máquina é posta a trabalhar apesar de não estar cheia.
Quando uma mulher "lava a louça", levanta tudo o que estava na mesa, sacode e dobra a toalha, coloca cuidadosamente os pratos e talheres nos recipientes próprios da máquina e, de seguida, lava à mão o que será preciso para o dia seguinte. Tudo é colocado no escorredor com minúcia, por ordem de tamanho, evitando empilhamentos periclitantes que, certinho direitinho, acabam em copos partidos e chávenas lascadas. A seguir, a mulher guarda os restos da refeição no frigorífico, arruma tudo no seu lugar, esfrega os bicos do fogão, lava o tabuleiro do bebé, as bancadas da cozinha, o micro-ondas, varre o chão e, se ainda lhe sobrarem forças, passa a esfregona com lava-tudo. E o pior de tudo é que, no fim, sente genuíno prazer em ver a cozinha a brilhar em sentir o cheirinho a lavado. Parva da mulher.
Quando um homem "lava a louça", pega em tudo o que está no seu ângulo de visão - pratos, talheres, copos, babetes, toalha de mesa, cão - e atira para dentro da máquina de lavar, sem rentabilizar o espaço da mesma, e enche a panela que sobra com um copo de detergente, esfregando-a despreocupadamente e passando depois por água. A seguir, a panela fica a secar sobre a poça que criou na bancada da cozinha, enquanto a máquina é posta a trabalhar apesar de não estar cheia.
Quando uma mulher "lava a louça", levanta tudo o que estava na mesa, sacode e dobra a toalha, coloca cuidadosamente os pratos e talheres nos recipientes próprios da máquina e, de seguida, lava à mão o que será preciso para o dia seguinte. Tudo é colocado no escorredor com minúcia, por ordem de tamanho, evitando empilhamentos periclitantes que, certinho direitinho, acabam em copos partidos e chávenas lascadas. A seguir, a mulher guarda os restos da refeição no frigorífico, arruma tudo no seu lugar, esfrega os bicos do fogão, lava o tabuleiro do bebé, as bancadas da cozinha, o micro-ondas, varre o chão e, se ainda lhe sobrarem forças, passa a esfregona com lava-tudo. E o pior de tudo é que, no fim, sente genuíno prazer em ver a cozinha a brilhar em sentir o cheirinho a lavado. Parva da mulher.
14 junho 2011
realidade distorcida
Há imensas pessoas que acham que a vida delas é muito mais negra do que realmente é; também há algumas que preferem olhar para os seus dias com lentes cor-de-rosa. As primeiras estão a precisar de anti-depressivos; as segundas, de aprender a ser honestas consigo próprias.
10 junho 2011
desumanidade
Considero-me previlegiada no que diz respeito aos que me rodeiam. Ouço tanta gente queixar-se de família, amigos (?), vizinhos, colegas, gente mesquinha e capaz das coisas mais terríveis. Pois eu só costumo encontrar pessoas simpáticas, generosas, com bom fundo. Ainda não percebi se sou muito totó ou tenho mesmo muita sorte. Seja como for, também eu cheguei ao dia em que reconheço: há gente muito parva. Muito estúpida. Mesquinha, desonesta, com atitudes que não têm explicação para o comum dos seres humanos. Será que se apercebem disso? Será que gostavam de ser diferentes? É que eu gostava de não ter os meus defeitos, acho que tenho consciência de boa parte deles. Será que acham que não há outra maneira de viver a vida?
09 junho 2011
o doce efeito da memória
Já sei que, quando me for embora, os Invernos passados vão ser feitos de neve fofa e de lareiras, e não de frio e reclusão; os Natais vão parecer cheios de azevinho e biscoitos, e não de saudades da família; vamos sentir falta do Halloween e do Thanksgiving, e não nos vamos lembrar de todas as datas importantes em que estivemos longe de quem realmente importava; a paisagem vai ser recordada como um cenário idílico de bosques, flores e lagos, e não como o lugar em que até para comprar um pacote de leite precisamos de um automóvel. À distância, com o tempo, ultrapassadas todas as dificuldades, a memória que fica de uma parte da nossa vida é muito mais bonita e inócua do que a realidade que se passou. As lágrimas, o isolamento, o vazio, o desenquadramento desaparecem de cena e deixam apenas um retrato a sépia de dias de luz e harmonia familiar. É injusto. Mas ainda bem que é assim, é bom deixar o passado bem arrumado e fazer de conta que as coisas foram perfeitas.
É verdade que vou olhar para estes dois anos em Princeton e vou ter saudades de muitas coisas. Também vou chorar com saudades daqui, parece que colecciono saudades; mas também é verdade que continuo a saber por que volto. Em cada dia que passou quis voltar.
É verdade que vou olhar para estes dois anos em Princeton e vou ter saudades de muitas coisas. Também vou chorar com saudades daqui, parece que colecciono saudades; mas também é verdade que continuo a saber por que volto. Em cada dia que passou quis voltar.
06 junho 2011
o pequeno esforço da readaptação
Mal apresentei a demissão começaram-me logo a subir uns formigueiros pelo corpo acima e deixei de conseguir trabalhar. Ainda nem pus os pés fora da gringolândia e já perdi toda a pica para bulir. Imagino que, quando pegar no automóvel daqui a pouco, desato a buzinar e a chamar nomes ao pessoal que vai a 10km/hora. Ah, que falta me fez a minha portugalidade...
05 junho 2011
o que importa no meio disto das eleições
Deixo um país com um Chefe de Estado charmoso e elegante para voltar a outro em que o novo Chefe de Estado tem olhos bonitos, cabelo penteado e aposto que anda sempre perfumado. Prioridades, como quaisquer outras. Mesmo assim não me importava de importar o Obama.
03 junho 2011
adeus torradas com manteiga de amendoim
Está na altura de dizer adeus a carregar livros e olá a a ler livros. E revistas científicas, estatísticas, entrevistas, questionários. Pequena gralha volta à investigação e à pátria, apesar de ainda não saber exactamente quando. Entretanto, espero que dê para aproveitar um bocadinho do Verão nos EUA e proporcionar umas férias grandes aos meus rapazes, que também já merecem ver a escola pelas costas.
Vou ser a única pessoa a engordar no Verão, agora que vou deixar de fazer 8 horas de exercício diário. É bem feito, que é para não fazer pouco das dietas da blogosfera. Dêem-me um mês e já ando a coleccionar as 1001 maneiras de confeccionar alface com aipo e sumo de limão.
Vou ser a única pessoa a engordar no Verão, agora que vou deixar de fazer 8 horas de exercício diário. É bem feito, que é para não fazer pouco das dietas da blogosfera. Dêem-me um mês e já ando a coleccionar as 1001 maneiras de confeccionar alface com aipo e sumo de limão.
01 junho 2011
ralações
Passámos de uma fase em que o Diogo chorava o jantar todo para uma nova fase em que ele só chora e não engole nem uma colher de comida. O cansaço. O desespero. O que fazer? Tantas regras de ouro da boa educação que já mandámos às urtigas e não há quem o convença a engolir mais do que uns bagos de uva. Já não sabemos mesmo o que fazer...
30 maio 2011
olá, eu sou a gralha e gosto de bagas
Nada como o impulso suburbano-eco-chic de brincar aos camponeses e pegar na pequenada, nos chapéus, nas cestas e ir colher o que a Natureza (ou uma quinta criada para esse efeito) tem para nos oferecer. A apanha do morango é uma coisa para lá de fantástica porque não estraga o verniz das unhas, não cansa, e traz-se para casa um alimento pouco calórico e que dá para fazer imeeensas coisas giríssimas. Além disso, os piquenos apanham ar, fazem festinhas às cabras e aos burros (e depois desinfectam as mãos com o líquido antibacteriano em frascos afixados de 50 em 50 metros nas vedações), ficam derreados e deixam os pais dormir até mais tarde. Prevejo que esta será um dia a nova moda da blogosfera, só é pena ainda não haver muitas destas quintas pick-your-own-cenas em Portugal.
Ontem, cinco quilos de morangos depois, voltámos a casa e enchemos a barriga. De morangos. E de batido de morango, gelado de morango, espetadas de morango, tarte de morango, granizado de champanhe e morango. O que sobrar, vai para compota. Mal posso esperar pela época da framboesa, da amora e do mirtilo.
Ontem, cinco quilos de morangos depois, voltámos a casa e enchemos a barriga. De morangos. E de batido de morango, gelado de morango, espetadas de morango, tarte de morango, granizado de champanhe e morango. O que sobrar, vai para compota. Mal posso esperar pela época da framboesa, da amora e do mirtilo.
27 maio 2011
a banheira, esse berço do multitasking
Ahh, chegar a casa ao fim do dia (i.e., às 17h) e tomar um bom duche relaxante, tirar toda a poeira, todo o cansaço, esvaziar a cabeça de qualquer preocupação. Só que não. É no banho que planeio o dia seguinte, o trabalho dos cinco membros da minha equipa, o que os meus dois rapazes vão vestir, o jantar, os e-mails e postagens a escrever (sim, esta surgiu-me enquanto esperava que o amaciador TRESemmé Moisture Rich fizesse efeito), o que é preciso acrescentar à lista semanal do supermercado, o que o Gugas vai levar para o próximo Show-and-Tell, os downloads que preciso de fazer, e a lista não tem fim. E vocês, qual é o momento do dia em que organizam o periclitante equilíbrio da vossa agenda pessoal/doméstica/profissional/etc.?
26 maio 2011
a vida a lápis de cera
Apesar de bradar aos sete ventos que sou uma mulher-mãe-profissional muito bem resolvida, é claro que isso é tudo uma grande treta. Não há dia que passe que eu não sinta o gume afiado da culpa pelas sestas não dormidas do Diogo na creche ou pelas porcarias-disfarçadas-de-almoço que o Gugas come na escola. Nessas alturas, surge na minha cabeça a imagem da mulher dos anúncios de detergentes, sorridente, perfeccionista e segura, que nem sonha em mandar os miúdos para as mãos de outra cuidadora antes que eles lhe sejam arrancados pela escolaridade obrigatória.
Só que também é verdade que em todos os desenhos que o Gugas faz da família estamos os quatro a sorrir. Sempre. Tenho de acreditar que isso é sinal de que não andamos a fazer a coisa de forma completamente errada.
Só que também é verdade que em todos os desenhos que o Gugas faz da família estamos os quatro a sorrir. Sempre. Tenho de acreditar que isso é sinal de que não andamos a fazer a coisa de forma completamente errada.
24 maio 2011
antes de ter 90 anos
Ainda vou ter aulas de ballet (clássico, contemporâneo, logo se vê), estudar Etnografia, aprender a falar espanhol decentemente, aprender a falar árabe só o suficiente para botar figura, fazer caminhadas nos Pirinéus, escrever e ilustrar a fábula da Gralha e do Lobo, recolher um cão de um canil, andar de canoa na Venezuela, ajudar a construir uma biblioteca, correr uma maratona, ter o meu próprio jardim de ervas aromáticas, contar estórias aos meus netos, passar muitos dias perto do mar. E ter a minha própria casa. Pronto, era só para não me esquecer.
23 maio 2011
vou queixar-me do tempo
Retiro tudo o que disse acerca do clima daqui. Estamos a um mês do Verão e as temperaturas não passam dos 15 graus. E chove. Chove. Não é por ouvir toda a gente a falar de praias e esplanadas; nem por ainda não ter podido usar vestidos; nem sequer por ainda não termos aberto a época dos piqueniques no jardim. É mesmo porque já ia estando na altura dos meus miúdos começarem a usar calções, que não ganho para as calças rasgadas e joelheiras.
21 maio 2011
mais valia que fossem todos levados daqui, realmente
Se estão a ler esta mensagem é porque a sua autora foi rapturada lá para os infinitos, longe de vós mortais incrédulos que estais por estas horas a ser assolados por terramotos, catástrofes, viagens de autocarro em Agosto com muita gente e pouco desodorizante. Ou então é só porque eu me esqueci de vir aqui apagar o post que deixei programado desde ontem à noite. Ou então não esqueci, deixei-o aqui só porque já há muito pouca coisa no mundo com a qual se possa gozar sem ser politicamente incorrecto. Mas ainda posso gozar com este bando de estafermos que acham que o mundo acaba com hora marcada, como se fosse o season finale do Lost, ou assim, não posso? Totós.
18 maio 2011
de longe, o melhor de viver no faroeste
A vida selvagem. Ontem tive muita dificuldade em explicar ao Gugas que os únicos animais selvagens em Lisboa são os pombos. Ele sugeriu que os lobos americanos apanhem um avião e vão viver para o jardim da Gulbenkian. Por muito que adore a civilização e a paisagem urbana da minha cidade, vou sentir a falta de cada esquilo, cuco, sapo, corvo, ganso, veado, marmota, perú selvagem, castor e urso. Agora até temos ursos em Princeton. Já para não falar nos duendes que se escondem no jardim, de certeza absoluta.
17 maio 2011
dieta milagrosa
Dou vinte e cinco tostões a cada criatura bloguista do sexo feminino, entre os 20 e os 50 anos, que não esteja neste momento em dieta de emagrecimento. Exigo provas, como o total desconhecimento do número de calorias de um iogurte magro ou, preferencialmente, da mera existência do conceito de iogurte magro. Também servem fotografias de pratas de bonbons, bocas sujas de Oreos, pacotes de Doritos ou, de preferência, latas de leite condensado vazias.
Confesso desavergonhadamente que dei este título ao post apenas para apanhar montes de leitoras vindas de motores de busca. Já ninguém me lê e eu sou uma diva, preciso do amor do meu imenso público.
Confesso desavergonhadamente que dei este título ao post apenas para apanhar montes de leitoras vindas de motores de busca. Já ninguém me lê e eu sou uma diva, preciso do amor do meu imenso público.
16 maio 2011
por outro lado, com a idade
Não são só os cabelos brancos, a força da gravidade, as rugas (por falar nisso, descobri um serum óptimo na Sephora. Tirou-me uns 5 anos, a sério). Envelhecer não nos traz só sabedoria, também revela novos defeitos - ou então torna-nos mais conscientes dos mesmos. Estou muito menos disposta a fazer fretes. E manipuladora, tão manipuladora que tenho de me controlar. Com o andar da coisa, vou ser absolutamente insuportável antes de chegar à menopausa. Haja quem me ature.
13 maio 2011
restaurador olex
Fiquei órfã de avô aos 10 anos, aquele avô com quem tenho tudo a ver. Faz-me falta todos os dias e mendigo a atenção e o olhar de um avô desde então. Acho que é por isso que tenho especial carinho por alguns homens mais velhos, homens honestos, esforçados, pacientes, que nem sempre têm quem os valorize. Uma mulher de idade é uma pessoa cansada, tantas vezes amargurada, mas vitoriosa do que ultrapassou; um homem de cabelos brancos é um rapazinho com saudades do cólo da mãe que já perdeu.
Trabalha comigo um senhor que, na iminência de ter de procurar novo emprego, escureceu o cabelo. Dá-me vontade de chorar que, nesta idade, ainda não tenha a segurança económica que merece.
Trabalha comigo um senhor que, na iminência de ter de procurar novo emprego, escureceu o cabelo. Dá-me vontade de chorar que, nesta idade, ainda não tenha a segurança económica que merece.
07 maio 2011
os náiques fazem voar
Ontem fui ter com a minha Inesa e outra amiga dela a Nova Iorque e andámos a ver a cidade da perspectiva gaja - Sexo e a Cidade, Lipstick Jungle, Gossip Girl, deixo à vossa escolha. Abdicámos dos saltos altos e passámos horas a andar, a gralhar, a ver lojas, a comprar mais do que o devido, a passear, a descobrir, enfim, o dia de férias perfeito! Terminou em beleza num jantar em Brooklyn (que ainda não fiquei a conhecer devidamente) e depois tive de dar uso à minha mais recente aquisição (cf. abaixo) para correr que nem doida e conseguir entrar no combóio da meia-noite segundos antes de partir. Cheguei a Princeton mais morta que viva, antevendo o despertar dioguino daí a quatro horas. Ahhh, mas valeu a pena :) Queridas amigas que ainda não vieram visitar-nos, venham quando quiserem. Despachem-se, que isto não dura para sempre.
04 maio 2011
america, america!
Mataram o mauzão. O preço da gasolina vai baixar e a taxa de desemprego já baixou. Não tarda, todos vão retomar a colecção de cartões de crédito e a compra de mansões gigantes nos subúrbios, mobiladas bienalmente e apetrechadas de jardim, deck, piscina, garagem para quatro automóveis (mais que só serve para guardar outras coisas). É o país onde é possível encontrar uma equipa de trabalho constituída por uma portuguesa, um veterano do Vietname, uma lésbica assumida, uma indiana, um judeu, laborando lado-a-lado com uma energia interminável, esperando o dólar ao final da quinzena. É o anúncio da Coca-Cola tornado realidade. É um sinal de esperança num mundo assolado de intolerância, injustiça, medo, desilusão. E eu sou a ave rara que quer dar o fora.
30 abril 2011
miaúfa
Li há dias uma mãe dizendo que não se inquietava com vírus e demais ameaças pequenas ao bem-estar filial. Pois eu tenho mais medo das doenças e sofrimentos dos meus filhos do que se me largassem no meio de leões com o rabo pincelado de molho BBQ. Não acredito em mães sem medo.
25 abril 2011
resoluções para 4 dias
Nesta semana em que estou sozinha com os filhos desligo o computador e vou aproveitar para ler, tomar longos banhos de imersão, adormecer de janela aberta com o coaxar das rãs, não cozinhar, não me irritar, não me apressar.
Está-se mesmo a ver.
Está-se mesmo a ver.
20 abril 2011
se ao menos isto e aquilo
Ontem estive a dar dicas de exercicios para as coxas a uma colega minha que podia ser modelo da Victoria's Secret. A sério que é tão gira e, como dizê-lo?, boa que eu própria quase lhe dava uma trinca; e, no entanto, anda preocupada com a firmeza das pernas.
Este ano consegui alcançar o ponto inédito em que me sinto, ao mesmo tempo, esqueléctica e gorda (em partes diferentes do corpo, claro). Quão estúpido é que é isso? Bastante. E, ainda assim, congemino planos, cremes, coberturas, tudo o que possa ajudar a apagar esta sensação de insuficiência. Ser mulher é uma coisa muito palerma, às vezes...
Este ano consegui alcançar o ponto inédito em que me sinto, ao mesmo tempo, esqueléctica e gorda (em partes diferentes do corpo, claro). Quão estúpido é que é isso? Bastante. E, ainda assim, congemino planos, cremes, coberturas, tudo o que possa ajudar a apagar esta sensação de insuficiência. Ser mulher é uma coisa muito palerma, às vezes...
19 abril 2011
da mediocridade
Não começo a escrever um dos vários livros que já pensei porque tenho horror a produzir uma coisa medíocre. Agora ando a ler de fio a pavio o blogue da Ana Cássia Rebelo e já nem me atrevo a escrever aqui. Ainda bem que não vejo programas de culinária senão a minha família arriscava-se a passar fome.
14 abril 2011
assim é que se conhecem os amigos
É tudo muito bonito, ah e tal, felicidades e beijinhos, mas a única pessoa que se chegou à frente para me oferecer o presente que pedi foi a Vera. Grande mulher, tu sabes aquilo de que este país precisa. E de ti na CMM, evidentemente!
13 abril 2011
parabéns a mim
Por estas horas (post programado, como quase todos) estou a comer bolo de framboesas ao pequeno-almoço. E depois vou transportar mais uns milhares de livros. Se quereis ser uns queridos e oferecer-me alguma coisa hoje, é um emprego jeitoso em Lisboa a começar a 15 de Setembro. Em não sendo possível, também gosto de chocolates, pronto.
12 abril 2011
coitados dos homens
O pessoal anda a falar, a propósito disto, manifestando solidariedade com as novas angústias paternais. É verdade, acredito que sofram. Mas tenho sobretudo pena deles porque os filhos pequeninos gostam mais das mães do que dos pais. E isso é injusto. Eles até podem chegar a casa, fugindo o mais cedo que conseguiram do trabalho, à espera de um abraço da criançada; mas o abraço dado à mãe é mais prolongado. Deve ser tramado.
Adenda: Faltou mencionar quem, com muito mais seriedade do que eu, falou do assunto. Perdoem-me a falha a Mãe Capotada, a Sofia, a Marta, a Duchess e quem entretanto se tenha aliado à causa.
Adenda: Faltou mencionar quem, com muito mais seriedade do que eu, falou do assunto. Perdoem-me a falha a Mãe Capotada, a Sofia, a Marta, a Duchess e quem entretanto se tenha aliado à causa.
as fronteiras da mitologia infantil
Gugas: "Mamã, a Fada Sininho existe mesmo?"
gralha: "Não, filho, é só uma personagem de desenhos animados, como o Mickey ou o Handy Manny. A única fada que existe mesmo é a Fada dos Dentes."
Enquanto proferia estas palavras apercebi-me do cerco que se aperta na minha vida familiar, da necessidade de esclarecer quais as fantasias oficiais do pedaço e quais aquelas que devem deixar-se cair. O Gugas anda muito inquieto com a diferença entre o mundo real e o imaginário, adora jogos de role-playing e tem uma quedazinha especial para o dramático. Ainda dá em actor de telenovela venezuelana, se não temos cuidado. De modo que a lista oficial de personagens imaginárias (shhhiuu, mas não digam aos meus filhos!) da família gralha é a seguinte: Pai Natal, Coelho da Páscoa, Fada dos Dentes e os Duendes que vivem na floresta junto à nossa casa. Vamos ver até quando dura...
gralha: "Não, filho, é só uma personagem de desenhos animados, como o Mickey ou o Handy Manny. A única fada que existe mesmo é a Fada dos Dentes."
Enquanto proferia estas palavras apercebi-me do cerco que se aperta na minha vida familiar, da necessidade de esclarecer quais as fantasias oficiais do pedaço e quais aquelas que devem deixar-se cair. O Gugas anda muito inquieto com a diferença entre o mundo real e o imaginário, adora jogos de role-playing e tem uma quedazinha especial para o dramático. Ainda dá em actor de telenovela venezuelana, se não temos cuidado. De modo que a lista oficial de personagens imaginárias (shhhiuu, mas não digam aos meus filhos!) da família gralha é a seguinte: Pai Natal, Coelho da Páscoa, Fada dos Dentes e os Duendes que vivem na floresta junto à nossa casa. Vamos ver até quando dura...
11 abril 2011
eu também quero fazer recomendações ao éfeémei
Estimados e simpáticos senhores (que daqui a uns anos nos vão perdoar a dívida, certo?),
Já que vão entrar pelo meu ninho dentro e desatar a gralhar acerca do que tem de ser feito em troco do vosso generoso "empréstimo", tenho algumas sugestões:
1. Aumento, e fiscalização efectiva, dos impostos sobre a propriedade mobiliária e imobiliária. Que não é só quem vive do trabalho que utiliza as estradas, os hospitais e as escolas.
2. Limitação máxima dos salários base de qualquer funcionário público ao nível do Presidente da República e do Primeiro-Ministro. Sim, isso incui CEOs de empresas e institutos públicos.
3. Benesses como viagens em primeira classe, automóveis topo de gama, motoristas e assessores particulares são apenas para ministros e presidentes. O resto partilhe ou pague a diferença do seu bolso.
4. Avaliação independente de todos os funcionários do Estado e despedimento daqueles que, por um período superior a 3 meses, tenham produtividade inferior a 80%. Bónus para os que tenham produtividade superior a 100%. (é assim comigo)
5. Todos os feriados (excepto o Natal, o Ano Novo e o Dia de Portugal) passam a ser gozados na segunda-feira ou sexta-feira mais próxima do dia em questão. Acabam-se as "pontes".
6. Redução do período de férias de qualquer funcionário do Estado a 22 a 25 dias úteis (consoante a produtividade) por ano. Isso inclui as férias escolares e judiciais, está claro.
7. Avaliação e redistribuição por leilão dos 2 milhões de hectares de terra abandonados, caso se confirme que isso se verifica há mais de 2 anos.
8. Obrigatoriedade da emissão de facturas/recibos por qualquer entidade fornecedora de produtos ou serviços.
9. Suspensão do pagamento de pensões por reforma/invalidez a todos aqueles que continuem a ter uma ocupação remunerada de forma contínua. Se estão disponíveis para trabalhar, não precisam ainda da pensão.
10. Penalização dos pagamentos às entidades públicas na área da educação, saúde e justiça (propinas, taxas moderadoras, etc.) aos cidadãos que, por rendimentos ou propriedade, estejam num nível socioeconómico correspondente aos 20% mais ricos do país de forma a garantir a gratuidade dos mesmos serviços aos 20% mais pobres.
E é só isto. Espero que ajude.
Cumprimentos grálhicos
08 abril 2011
o problema da peúga
Queridas americanas, por favor parem de usar peúgas de algodão com sabrinas. Não estou à espera de iniciar a revolução que vos faria deixar de usar peúgas de desporto todo o santo dia mas, pelo menos, quando usam sabrinas. É que prejudica-me as córneas, a sério. Obrigada.
07 abril 2011
realmente ja' devo estar muito americanizada
Por que diabo e' que os sindicatos convocaram uma nova greve geral para Maio? O governo nao caiu ja'??? A serio, e que tal deixarem as pessoas, tipo, trabalhar, para ver se as coisas nao pioram ainda mais? Que vergonha!
05 abril 2011
a proporcionalidade da coisa
O meu marido não me ofereceu uns Jimmy Choo como aconteceu à Cocó na Fralda; em compensação, fez-me panquecas de mandioca com côco e leite condensado. Quem já provou compreenderá o meu regozijo. (e teve de encomendar a farinha de mandioca da Amazon e tudo, vejam lá)
03 abril 2011
02 abril 2011
coisas boas da minha vida
Ir deitar-me e ter um desenho do Gugas escondido debaixo da minha almofada :)
01 abril 2011
por muito boa que seja a vizinhança
A falta que nos faz estar perto da família... Pelas saudades, pelos momentos irrepetíveis que não são partilhados, pelas falhas do Skype, pela necessidade que também nós, pais, temos de cólo. E por todas as vezes que precisamos de ajuda e não temos para onde nos virar. É muito difícil.
31 março 2011
boa vizinhança
Dizem que os Dinamarqueses são o povo mais feliz do mundo (apesar de terem taxas de IRS que chegam aos 70 porcento, ouch!). Não tenho a certeza disso, mas são os mais queridos, isso são. O nosso carro - chamemos-lhe isso para não dizer asneiras, pelo menos durante a Quaresma -, dizia eu, o nosso carro avariou outra vez. E os nossos vizinhos emprestaram-nos o deles, sem hesitar, e foram para fora uma semana. Isso poupou-nos centenas de dólares em aluguer de um veículo que nos permitisse ir trabalhar. Estes gestos de generosidade e confiança fazem-nos acreditar um bocadinho mais no lado bom da humanidade. Se fosse assim com toda a gente, mesmo com a crise e com todos os imprevistos da vida, as coisas seriam tão mais fáceis.
30 março 2011
do bom feitio
Uma pessoa só se apercebe realmente de quão bom feitio tem o marido quando ele passa dois dias seguidos com a telha (com todas as razões do mundo). É estranho, é muito estranho. É como passar toda a vida numa ilha grega a contemplar o Egeu e, de repente, descobrir que também existe o Mar do Norte.
Como é que ele me atura com os meus altos e baixos, com as minhas reacções imprevisíveis, com a minhas respostas demolidoras só porque sim...?
Como é que ele me atura com os meus altos e baixos, com as minhas reacções imprevisíveis, com a minhas respostas demolidoras só porque sim...?
25 março 2011
Portugal visto de longe
A Vera perguntava como é estar de fora a observar a situação do nosso país. É mais ou menos como ser um pássaro pousado no ramo alto de uma árvore a ver uma ninhada de pintainhos a caminhar alegremente para um precipício. Tão queridos e desorientados. (a galinha fugiu da capoeira, não aguentou a pressão)
23 março 2011
o casamento real
Dizem que estamos todos no máximo a 6 pessoas de conhecer seja quem for. Pois bem, eu estou só a duas de conhecer o Príncipe William, por dois ramos diferentes. Vai daí fomos convidados para uma festa a propósito do casamento do Bill e da Kate. Um primo dela, um senhor que anda sempre descalço (sim, mesmo na rua) e trabalha com o meu amantíssimo esposo, resolveu encenar a festa do ano aqui em Princeton. A minha maior tristeza por não irmos deve-se ao facto de nunca mais vir a ter oportunidade de usar um daqueles chapelinhos minúsculos e excêntricos. É muito injusto, há uma velhota excêntrica dentro de mim que quer sair e acho que vou ter de esperar mais uns anos antes de poder pintar o cabelo de vermelho e ninguém achar estranho.
22 março 2011
porquê querer voltar
A maior parte as pessoas a quem digo que desejo voltar a Portugal pensa que o problema está nos EUA ou na minha maneira de ver os EUA; não está, a questão está em gostar mesmo muito de Portugal. Há a família, os amigos, o cão, a casa, mas há também todo um país - tudo, com coisas boas e más. O meu país é como um Avô: pode dizer disparates, pode nem sempre nos compreender, mas é parte de nós. É parte de nós. Já estive em vários países e há alguns onde teria muito prazer em passar algum tempo. Mas sempre com bilhete de regresso a casa. Compreendo perfeitamente que haja outros que não pensem assim mas eu já me conheço. Eu quero voltar a casa. E fá-lo-ei assim que possível.
E, sim, tenho medo das dificuldades no regresso. Mas dificuldades temos nós vencido neste ano e meio.
E, sim, tenho medo das dificuldades no regresso. Mas dificuldades temos nós vencido neste ano e meio.
21 março 2011
se hoje é segunda-feira
...e acordamos depois de uma noite de indisposição, a chuva mistura-se com a neve, ainda é noite, o café não presta, temos uma borbulha no queixo e, mesmo assim, temos vontade de começar a trabalhar e sorrimos, é porque estamos mesmo de bem com a vida.
19 março 2011
o meu pai
Muito do que sou como mãe, aprendi-o com o meu pai. As estórias, o entusiasmo com as conquistas filiais, as provocações, os gestos carinhosos sem motivo aparente, os pequenos rituais só nossos. Ambiciono ser a super-mãe dos meus filhos como ele é o meu super-pai. Ainda acredito que está muito próximo da omnisciência e da omnipotência. Alem do mais, é o melhor avô do mundo, adorado pelos netos. Por isso, hoje custa mesmo não estar com ele, apesar de aqui não ser hoje o Dia do Pai. Vamos ter de esperar mais um mês para o termos aqui connosco.
18 março 2011
existem dois tipos de pessoas
(as que acham que só há dois tipos de pessoas, e as que não estão de acordo com isso)
Nos tempos que correm, não distingo crentes de não crentes, altos de baixos, gordos de magros, esquerda de direita, portistas de adeptos de outras coisas, louros de morenos, nacionais de estrangeiros. A distinção que faço é só uma: entre as pessoas que, independentemente da sua situação profissional/financeira, conseguem ter empatia com quem não tem uma vida fácil, e as que não conseguem. É que cansam-me tanto os embirrentos com a história da geração à rasca, "ah porque eu também tive de trabalhar para comprar um carro e lá lá lá", como os que têm um emprego espectacular (hoje. amanhã...?), a casa de sonho, as viagens trimestrais de férias, e não fazem a mais pálida ideia de quão injusta, difícil e filha da mãe a vida pode ser.
Nos tempos que correm, não distingo crentes de não crentes, altos de baixos, gordos de magros, esquerda de direita, portistas de adeptos de outras coisas, louros de morenos, nacionais de estrangeiros. A distinção que faço é só uma: entre as pessoas que, independentemente da sua situação profissional/financeira, conseguem ter empatia com quem não tem uma vida fácil, e as que não conseguem. É que cansam-me tanto os embirrentos com a história da geração à rasca, "ah porque eu também tive de trabalhar para comprar um carro e lá lá lá", como os que têm um emprego espectacular (hoje. amanhã...?), a casa de sonho, as viagens trimestrais de férias, e não fazem a mais pálida ideia de quão injusta, difícil e filha da mãe a vida pode ser.
o primeiro filho
Quando nasce o segundo filho, o primeiro é impiedosamente desapossado do título de bebé. Deixa de ser o epicentro da vida dos paizinhos (ainda bem), aprende a fazer montes de coisas sozinho, cresce, desenvencilha-se, partilha espaços, brinquedos e festas. Na minha opinião de irmã mais velha, o saldo é largamente positivo.
E depois chega o dia em que o mais velho adoece e o aperto no coração de mãe é o mesmo em que quando tinha 7 meses e teve as primeiras noites febris. Agora, o cólo já chega mal para um bebé tão grande. Em compensação, há festinhas de mano mais novo que ajudam a curar febres e alegrar dias a fio fechado em casa.
O meu Guguinhas já não é bebé mas está com pneumonia. Hoje não digo mal da indústria farmacêutica.
E depois chega o dia em que o mais velho adoece e o aperto no coração de mãe é o mesmo em que quando tinha 7 meses e teve as primeiras noites febris. Agora, o cólo já chega mal para um bebé tão grande. Em compensação, há festinhas de mano mais novo que ajudam a curar febres e alegrar dias a fio fechado em casa.
O meu Guguinhas já não é bebé mas está com pneumonia. Hoje não digo mal da indústria farmacêutica.
17 março 2011
goodreads
Não sei se já conheciam esta rede social mas eu só a descobri na semana passada e estou contentinha da vida. Finalmente, uma rede social que me ajuda a definir os meus gostos literários, faz sugestões de leitura em função disso, permite-me encontrar pessoas que gostam do mesmo que eu e avisa-me dos novos lançamentos que me podem interessar. Mais, num retoque geekfreak, através da aplicação do iPhone posso registar o código de barras de qualquer livro do mundo e ele passa automaticamente para a minha lista de lidos/a ler. Finalmente vou conseguir começar a reunir a minha colecção bibliográfica e estabelecer prioridades para o que quero ler no futuro. Adeus Facebook e suas mensagens irritantes de jogos que não interessam ao Baby Jesus, mais as correntes de poesia de bolso com imagens de unicórnios em tons pastel. Olá co-bibliófilos, o que é que recomendam que tenha saído recentemente?
15 março 2011
a promoção
Face aos actuais acontecimentos em Portugal e no mundo, inibo-me um bocadinho ao dizer isto: estou feliz. Mas estou-o porque estava a precisar desta promoção, depois de anos a dar passos atrás a nível profissional. Sabe bem saber que, sim, uma mãe-de-dois também pode ser reconhecida pela qualidade do seu trabalho. Sabe bem ir liderar uma equipa de quatro americanos de gema. Sabe bem e leva-me a reconhecer que isto só é mesmo possível nos EUA, uma estrangeira cair de pára-quedas e, ao fim de dois meses e meio, passar à frente de nacionais há muito mais tempo na empresa, exclusivamente em função do mérito. Por isso, eu sei que o mundo está mal e a vida é injusta mas hoje, só hoje, deixem-me gozar esta pequenina vitória.
13 março 2011
à rasquismo explicado às criancinhas
(enquanto víamos um vídeo da manifestação de ontem)
Gugas: Por que é que essas pessoas estão a fazer tanto barulho?
gralha: É uma manifestação. Uma manifestação é quando um grupo de pessoas acha que alguma coisa está mal e precisa de mudar, juntam-se e fazem muito barulho.
G: E por que é que estas pessoas estão a fazer barulho?
g: Porque as coisas estão muito más em Portugal, filho. Há muitas pessoas sem trabalho, há muitas pessoas com trabalhos maus. Há pessoas que não conseguem ter dinheiro para comprar comida, roupa, brinquedos para os meninos...
G: Isso é muito triste, mamã.
g: Pois é.
G: Tive uma ideia! As pessoas que têm dinheiro podiam dar dinheiro às outras.
g: Pois, mas nem toda a gente gosta de partilhar.
G: Ah...
Gugas: Por que é que essas pessoas estão a fazer tanto barulho?
gralha: É uma manifestação. Uma manifestação é quando um grupo de pessoas acha que alguma coisa está mal e precisa de mudar, juntam-se e fazem muito barulho.
G: E por que é que estas pessoas estão a fazer barulho?
g: Porque as coisas estão muito más em Portugal, filho. Há muitas pessoas sem trabalho, há muitas pessoas com trabalhos maus. Há pessoas que não conseguem ter dinheiro para comprar comida, roupa, brinquedos para os meninos...
G: Isso é muito triste, mamã.
g: Pois é.
G: Tive uma ideia! As pessoas que têm dinheiro podiam dar dinheiro às outras.
g: Pois, mas nem toda a gente gosta de partilhar.
G: Ah...
12 março 2011
4 anos de gugas
Como é que é possível um menino tão bom, lindo, inteligente, curioso, bem-disposto, comilão, generoso, sonhador, meigo, e lindo (já disse lindo?) ter saído de mim há 4 anos? É muita sorte demais. O melhor deste dia, hoje, é poder fazer dele exactamente o que o Gugas deseja: uma festa cheia de amigos, muita animação, muitos mimos. Só falta o resto da família estar connosco para que seja perfeito.
Muitos parabéns filhote querido!
Muitos parabéns filhote querido!
10 março 2011
a americanização da gralha
Parecendo que não, uma pessoa vai deixando entrar as estrelas e riscas pela pele adentro. É a manteiga de amendoim, é o tratar as pessoas por tu, é o comer só com um garfo (pronto, esta é mentira. ainda). Hoje fiquei estupefacta comigo mesma - e olhem que eu me tenho sempre em grande conta, é difícil surpreender o meu ego permanentemente inchado - ao falar com o Grande Chefe (Mórmon) da minha empresa. Como é que é possível eu já conseguir representar o papel do Yes Sir I'm All For It com tanta facilidade? É que sai-me como o ar que expiro. Será que alguma vez voltarei a ser uma humilde portuguezinha? Será que vou conseguir voltar a tratar as pessoas por Senhor Doutor, fazer vénias, diminuir-me à minha insignificância perante chefias tantas vezes broncas? Será que consigo voltar a suportar esperas de 4 horas em repartições públicas, incumprimentos de horários, trânsito louco, meias doses de refeições, pacotes de leite só de 1 litro?
Sim. Mas vou ter de me habituar a tudo isso de novo.
Sim. Mas vou ter de me habituar a tudo isso de novo.
09 março 2011
pessoas
Não sei se sou eu que tenho expectativas baixas ou se é o mundo que é melhor do que o pintam. Só sei que todos os dias vou conhecendo pessoas boas, interessantes, com quem vale a pena estar. Serei muito ingénua ou os falsos, estúpidos, desonestos e egoístas andam todos a esconder-se de mim?
07 março 2011
atirem-me tomates, atirem-me a mercearia inteira
(título roubado com grande descaramento à Mãe Capotada)
Neste bonito processo que é a educação dos nossos filhos, há alturas em que nos deparamos com cruzamentos em que temos de fazer escolhas fracturantes. Quero ser a mãe fixe ou quero ser a mãe assertiva? Deixo-o tirar macacos do nariz, desde que seja com descrição e não os coma, ou incentivo a hipocrisia?
Pois bem, a festa de aniversário do Gugas aproxima-se e tive de fazer uma destas escolhas. Decidimos não fazer o (americanamente) politicamente correcto, convidar a turma toda, e deixámos que fosse ele a escolher quem queria convidar. Claro está que não quis convidar os rapazes que lhe andaram a fazer a vida negra nos primeiros meses na escola. Até que houve um deles que veio pedir-lhe para ir à festa. Resposta do Gugas: "pois claro que sim." E agora? Seguir a moral cristã e ensinar o perdão, ou seguir o instinto mais primário e ensinar-lhe que as (más) acções têm consequências? Se fosse com outra pessoa, tinha ido pela primeira opção. Tratando-se do meu filho mais velho que, temo, tem tendência a ser feito gato-sapato pelos espertalhões, achei que era mais importante mostrar-lhe que podemos dizer que não, que valemos por nós próprios e não pelos níveis de popularidade que atingimos junto deste ou daquele. Outras crianças precisam que lhes ensinem a dar. Esta precisa de aprender a não dar tudo a todos, indiscriminadamente. Posso bem com a fama de má, se for esse o preço de criar um adulto com o ego no sítio. Além disso, ele já pratica o perdão diariamente de cada vez que o Diogo lhe estraga uma construção de Lego. É uma questão de prioridades.
Neste bonito processo que é a educação dos nossos filhos, há alturas em que nos deparamos com cruzamentos em que temos de fazer escolhas fracturantes. Quero ser a mãe fixe ou quero ser a mãe assertiva? Deixo-o tirar macacos do nariz, desde que seja com descrição e não os coma, ou incentivo a hipocrisia?
Pois bem, a festa de aniversário do Gugas aproxima-se e tive de fazer uma destas escolhas. Decidimos não fazer o (americanamente) politicamente correcto, convidar a turma toda, e deixámos que fosse ele a escolher quem queria convidar. Claro está que não quis convidar os rapazes que lhe andaram a fazer a vida negra nos primeiros meses na escola. Até que houve um deles que veio pedir-lhe para ir à festa. Resposta do Gugas: "pois claro que sim." E agora? Seguir a moral cristã e ensinar o perdão, ou seguir o instinto mais primário e ensinar-lhe que as (más) acções têm consequências? Se fosse com outra pessoa, tinha ido pela primeira opção. Tratando-se do meu filho mais velho que, temo, tem tendência a ser feito gato-sapato pelos espertalhões, achei que era mais importante mostrar-lhe que podemos dizer que não, que valemos por nós próprios e não pelos níveis de popularidade que atingimos junto deste ou daquele. Outras crianças precisam que lhes ensinem a dar. Esta precisa de aprender a não dar tudo a todos, indiscriminadamente. Posso bem com a fama de má, se for esse o preço de criar um adulto com o ego no sítio. Além disso, ele já pratica o perdão diariamente de cada vez que o Diogo lhe estraga uma construção de Lego. É uma questão de prioridades.
02 março 2011
motivo número 1 porque encerrei a loja
Ao segundo filho já faço muitas vezes como fosse o terceiro. Fantástico, aqui
01 março 2011
motivo número 1 porque nunca vou ser rica
Recusar-me a trocar um emprego de cão, mal pago, mas que me dá gozo, por outro que paga bem mas torna os meus neurónios infelizes.
28 fevereiro 2011
a reter dos Oscars de ontem
O vencedor do melhor argumento original a dizer que devemos sempre ouvir o que a nossa mãe tem para nos dizer. Fixem-se nisso, meus rapazes.
(ando sem vontade de coisas light, perdoem a minha ausência)
(ando sem vontade de coisas light, perdoem a minha ausência)
24 fevereiro 2011
fala para a mão, fala
Com o aproximar da velhice (i.e. os 32 anos) vou perdendo a paciência para os ignorantes por culpa própria. Antes, ainda podia dedicar-lhes alguns minutos de argumentação, agora limito-me a dizer que sim e seguir em frente. Faz-me 'espece' como há quem não aprenda nada com a vida e com a História, até o meu cão aprendeu a fazer xixi só na rua passados uns (bons) anos de treino.
22 fevereiro 2011
parece que os países árabes andam indispostos
Pergunto-me, caso o W. Bush ainda estivesse no poder, se já estaria a invadir a Líbia. E quanta gente vai ter de morrer às mãos do Exmo. Presidente K. antes que as Nações Unidas digam alguma coisa?
18 fevereiro 2011
faz-me tanta falta
Ó faxavor, era um bocadinho disto...
Mais um pouco disto...
Mas, sobretudo, uma boa dose disto...
As nossas praias são tão lindas e eu tenho tantas saudades do mar que me apetece ganir. E agora bom fim-de-semana. O meu vai ser prolongado :)
Mais um pouco disto...
Mas, sobretudo, uma boa dose disto...
As nossas praias são tão lindas e eu tenho tantas saudades do mar que me apetece ganir. E agora bom fim-de-semana. O meu vai ser prolongado :)
livros
Adoro livros. São o meu objecto preferido. E, ao contrário dos meus colegas, continuo a adorar livros apesar de trabalhar com eles. Sim, é um trabalho sujo, cansativo e mal pago, mas há qualquer coisa de especial em estar rodeada de milhões de livros. Faço-lhes festas (se forem portugueses, até levam um beijinho sorrateiro), sinto-lhes o peso de anos, leitores, estantes, noites e dias em que já tiveram tanto (ou tão pouco) significado. Começam como ideias, passam ao papel graças ao trabalho de muita gente e são arrumados num canto poeirento. Pequenos, grandes, alguns tão grandes que mal consigo pegar num só. Em tantas línguas, sobre tantos assuntos, com cantos dobrados, marcas, sublinhados, postais esquecidos no interior. Os "meus" livros não são meus, mas passam pelas minhas mãos e gosto de achar que lhes dou o devido valor. E é por isso que lhes perdôo as nódoas negras por me cairem em cima, as mãos desfeitas pelas arestas abertas, os constantes macacos que habitam no meu nariz. Agora julgavam que eu ia escrever um post inteiro sem dizer uma parvoíce qualquer, não?
16 fevereiro 2011
lost in translation
Animeio de imigrante e reparo que uma das barreiras mais difíceis de vencer é a do sentido de humor. Por estas bandas, o politicamente correcto é lei superior à Constituição. Não dá para descrever a cara que fizeram dois colegas meus quando lhes disse que estava a pensar mascarar os meus filhos de hitler & estaline no próximo Halloween. Mais valia ter dito mal da tarte de maçã ou da Oprah. E a publicidade, senhores? Ui...
15 fevereiro 2011
14 fevereiro 2011
um cheirinho de primavera
Não, infelizmente não há por aqui disso, que a neve sob a minha janela ainda tem 20 cm de altura. Este cheirinho é de ver certos blogues que andam para aí, com as novas colecções de roupa desta estação. E as saudades que me dão das lojas daí, das Zaras, Mangos, H&M, Promods e afins... Não me falem em NY, que não ponho lá os pés há meses. Aqui só há armazéns gigantescos onde temos de escolher entre o barato e altamente piroso e a alta-costura Ralph Lauren e DKNY. É engraçado reparar como a moda na Europa e nos EUA é tão diferente, nomeadamente em termos de cores. Aqui nunca conseguiriam vender os tons cinzentos, castanhos e roxos anos a fio, como aí. Os americanos levam muito a sério as sete cores do arco-íris e seria politicamente incorrecto não distribuir democraticamente o conteúdo dos seus gigantescos closets. Pronto, agora vou ali comer uma fatia de bolo e sonhar com dias com temperatura positiva.
13 fevereiro 2011
só para quem vê o how i met your mother
Chegámos à conclusão que o nosso filho mais velho é uma versão infantil do Marshall. Senão, vejamos: é um pequeno gigante bem-disposto. Canta as coisas triviais que anda a fazer ("e agora vou desapertaaar a tampa do fraaaascooo..."). E fica mal em absolutamente todas as fotografias que lhe tiramos. Espero que encontre uma Lily à altura daqui a uns anos (que eu vou achar indigna dele, claro!). E tudo está bem desde que o nosso filho mais novo não venha a revelar-se uma versão infantil do Barney.
10 fevereiro 2011
tão perto da perfeição
Aparentemente, chega a haver pessoas que acham que a descrição da minha vida e' tão maravilhosa que suspeitam que a gralha e' apenas ficcional.
(vou fazer de conta que e' isso e não receio das minhas ameaças em blogues alheios)
Eu sei, eu sei, os filhos lindos, o marido
Einstein, mas em giro, a casa de sonho, o grande emprego, tudo isto e' de desconfiar. Mas e' mesmo verdade. Se alguém tiver duvidas, posso apresentar provas e, a pedido, envio-vos algumas penas pelo correio. Pronto, isso se calhar não porque ainda estou a recuperar do depenanco pôs-segunda gravidez.
Mas, por acaso, há um blogue que leio e de cuja veracidade duvido cada vez mais...
(vou fazer de conta que e' isso e não receio das minhas ameaças em blogues alheios)
Eu sei, eu sei, os filhos lindos, o marido
Einstein, mas em giro, a casa de sonho, o grande emprego, tudo isto e' de desconfiar. Mas e' mesmo verdade. Se alguém tiver duvidas, posso apresentar provas e, a pedido, envio-vos algumas penas pelo correio. Pronto, isso se calhar não porque ainda estou a recuperar do depenanco pôs-segunda gravidez.
Mas, por acaso, há um blogue que leio e de cuja veracidade duvido cada vez mais...
09 fevereiro 2011
crise de um terço de idade
Ainda não me deram urgências de Porsches Carrera GT nem de namoradas louras (quem sabe um dia?), mas há um formigueiro dentro de mim que me faz sentir necessidade de coisas, hoje em dia, que não tinha quando era uma catraia de 20-e-tais. Esta crise de um terço de idade revela-se em vários pequenos nadas, dos quais destaco o enjôo da marca branca. Toda a minha vida de adulta comprei marca branca. Agora sonho com o dia em que posso entrar num supermercado e comprar Fairy, Dodot, Scottex, todas essas coisas bonitas que anunciam na televisão e que dobrariam a conta à saída da caixa. É um sonho audacioso, eu sei, mas o que é de nós sem o sonho?
E já que vou embalada, também gostava de poder chegar ao fim do mês e ir à Zara perder-me com roupas e acessórios porque me apetece e não apenas porque preciso mesmo. E de tomar a bica na rua. E comprar pastilhas elásticas. Pagar a alguém para me pintar as unhas. E esfregar as minhas sanitas (podem ser pessoas diferentes). Se tudo isto não for possível, pronto, ao menos uma casa mesmo minha. Uma pessoa chega aos 31 anos e gostava de poder dizer que (o banco que lhe fez o empréstimo) tem uma casa. É só isto.
E já que vou embalada, também gostava de poder chegar ao fim do mês e ir à Zara perder-me com roupas e acessórios porque me apetece e não apenas porque preciso mesmo. E de tomar a bica na rua. E comprar pastilhas elásticas. Pagar a alguém para me pintar as unhas. E esfregar as minhas sanitas (podem ser pessoas diferentes). Se tudo isto não for possível, pronto, ao menos uma casa mesmo minha. Uma pessoa chega aos 31 anos e gostava de poder dizer que (o banco que lhe fez o empréstimo) tem uma casa. É só isto.
08 fevereiro 2011
e uma setinha no rabiosque, não?
Portanto, no meio desta vida inenarrável de remadora-de-galés meets palhaço Batatinha, oportunidade de gozar o Dia de S. Valentim com o meu namorado igual a nicles, vou ter de arranjar tempo, imaginação e paciência (e dinheiro, lá acabará por ser!) para fazer vinte e dois postalinhos de Be My Valentine para cada um dos colegas do Gugas? E cupcakes cor-de-rosa para os colegas do Diogo, não? Já que é para fazer serão... Amigos selvagens, o sentido do Dia de S. Valentim não é mostrar a alguém que é especial? Se toda a criançada é especial, isso não faz de cada um absolutamente banal?
07 fevereiro 2011
queridas amigas
As verdadeiras amizades são aquelas que estão presentes quando mais precisamos. Neste momento, não sei o que seria da minha vida sem vocês. Uma cozinha por mim, nunca falha, nunca se queixa. A outra limpa-me tosses e ranhos dos miúdos que é um primor. Alimenta-se a soro e nem pia, nem nada. Umas queridas é o que vocês são. Bendita a hora em que vos mandei para cá de contentor - se soubesse como são preciosas, tinham vindo em classe executiva, com direito a guardanapo aquecido e tudo.
04 fevereiro 2011
em sendo moda, podia dar-lhes para pior
Como bem notou a Precis, o pessoal da blogosfera (e não só) está a dar todo em atleta e desatou a correr. Correm, correm, chegam a casa e vêem o Biggest Loser e, no dia seguinte, correm mais um pouco. Ora bem, pessoas, acho que estão no caminho certo. Parece que os ginásios aí estão mais caros, que os salários foram reduzidos, que a Primavera ainda não chegou, o melhor é começarem a correr.
Sempre disse que o exercício era o melhor anti-depressivo, desodorizante, impulsionador do sistema imunitário e modelador corporal que conheço. Além disso é barato. Façam-me só um favor: se resolverem todos continuar a correr a longo prazo - coisa que estimulo -, ide todos correr para o Estádio 1º de Maio, para o Estádio Universitário, para o Passeio Marítimo de Oeiras ou para a passadeira do ginásio. É que eu gostava de continuar a ter a beira-rio só para mim.
Sempre disse que o exercício era o melhor anti-depressivo, desodorizante, impulsionador do sistema imunitário e modelador corporal que conheço. Além disso é barato. Façam-me só um favor: se resolverem todos continuar a correr a longo prazo - coisa que estimulo -, ide todos correr para o Estádio 1º de Maio, para o Estádio Universitário, para o Passeio Marítimo de Oeiras ou para a passadeira do ginásio. É que eu gostava de continuar a ter a beira-rio só para mim.
03 fevereiro 2011
um ano de diogo
You're an accident waiting to happen
You're a piece of glass left in a beach
Well, you tell me things I know you're not supposed to
Then you leave me just out of reach
Who's gonna ride your wild horses?
Who's gonna drown in your blue sea?
Who's gonna ride your wild horses?
Who's gonna fall at the foot of thee?
O primeiro aniversário do nosso filho é uma data muito especial. Há uma nostalgia única, uma lembrança do dia do parto e de todos os momentos bons e menos bons que passámos desde então. É um dia em que queremos ter a nossa cria perto de nós só mais um bocadinho. Só para não custar tanto acreditar que ele já está a aprender a voar. Este meu passarinho vai voar muito alto e para muito longe, só espero que vá voltando ao ninho de vez em quando.
décimo segundo mês
Meu filho pequenino, já a ficar tão grande. Doze meses de (dores de) crescimento, de mimos, de transformação. Um perdigoto de gente que já começa a ser gente a sério, que quer ir a todo o lado, que quer descobrir tudo. Ainda não dás mais de dois passos sozinho sem cair mas tens muita, muita vontade. És comunicativo e provocador. Transbordas charme e conquistas qualquer um com o teu sorriso malandro mas ainda preferes o colinho bom da mamã quando o sono ataca. Ou só porque sim. Toda eu sou orgulho de cada uma das tuas conquistas mas deixa-te ser mais um bocadinho bebé, meu amor.
02 fevereiro 2011
olá, eu sou a gralha e gosto de assustar criancinhas
Pelos vistos, a "casinha de chocolate" e' demasiado hardcore para um rapaz que ainda não fez 4 anos. Principalmente um que e' tão querido que se preocupa com o facto de a bruxa ficar sem-abrigo se a criançada desatar a comer-lhe as paredes de pão de gengibre.
31 janeiro 2011
ser mãe vs. não ser mãe
Gralha: "Ok chefe, tal como disse ao chefe-grande, tirei ferias na Quinta-feira porque e' o aniversario do meu filho e quero passar o dia com ele."
Chefe: "mas achas que ele percebe que e' o aniversario dele?"
Gralha: "Nao, mas e' um dia importante para mim..."
Chefe: "ah..."
Chefe: "mas achas que ele percebe que e' o aniversario dele?"
Gralha: "Nao, mas e' um dia importante para mim..."
Chefe: "ah..."
28 janeiro 2011
coisas que eu tenho de ouvir
"Não devia haver impostos para as empresas. Alias, os impostos deviam ser só para pagar as estradas e a iluminação publica."
E, passados 10 minutos...
"A Suécia e' que e' fixe, a licença de maternidade e', tipo, um ano para ambos os pais!"
Decidam-se, pequenos selvagens, decidam-se!
E, passados 10 minutos...
"A Suécia e' que e' fixe, a licença de maternidade e', tipo, um ano para ambos os pais!"
Decidam-se, pequenos selvagens, decidam-se!
24 janeiro 2011
decisões
Janeiro e' tempo de decisões para o próximo ano lectivo. Decisões difíceis. Desde que sou mãe sinto que estou limitada a escolhas extremamente altruístas ou extremamente egoístas. O estigma do egoísmo tem-me feito sempre escolher pela familia em primeiro lugar. Será que a mãe tem mesmo de vir sempre em ultimo? Não me parece que haja nenhuma medalha ao cortar a meta, só uma consciencia menos pesada...
Estou cansada. E custa saber que, seja qual for a decisão, vai envolver sofrimento.
Estou cansada. E custa saber que, seja qual for a decisão, vai envolver sofrimento.
20 janeiro 2011
guru da pediatria, exactamente por quê?
Sou só eu que embirro assim umas coisas valentes com o Eduardo Sá? Mães e média parecem unânimes em achá-lo o supra-sumo da sabedoria sobre o desenvolvimento infantil. Pois eu acho que a conversa dele é demasiado... nhónhó. Pronto, de repente lembrei-me.
18 janeiro 2011
conta-me como foi
Isto de ter um marido perneta e' como experimentar viver num casamento 'a antiga. Chegamos a casa, vou buscar-lhe a pantufa e ele senta-se no sofá a ler o jornal, pronto, neste caso um livro. Entretanto, eu trato da roupa, dou banhos, faço o jantar, ponho a mesa, ando atras dos miúdos para eles não fazerem disparates, sempre sorrindo de um modo angelical. De vez em quando paro para ver se o Senhor Doutor precisa de alguma coisa. Ele trata os petizes com ternura, mas não pega no bebe ao colo, que isso são coisas mais da mãe. No fim do dia, depois de tratar da louca, das roupas e das merendas para o dia seguinte, sento-me, extasiada com a sorte de ter arranjado tão bom partido. Ou então e' mesmo porque estou morta de cansaço e não consigo acreditar que vou levantar-me 'as 6h15.
E depois penso que ainda há casamentos assim, e isso faz-me uma grande comichão!
(diga-se que o meu marido faz tudo o que lhe e' fisicamente possível, mesmo com o gesso)
E depois penso que ainda há casamentos assim, e isso faz-me uma grande comichão!
(diga-se que o meu marido faz tudo o que lhe e' fisicamente possível, mesmo com o gesso)
16 janeiro 2011
gralhadixit, gralhando há 5 anos
E só me ocorre a pergunta: será que isto dura até eu começar a dizer coisas como "lapes", "tenes" e a comprar mobília de madeira maciça?
15 janeiro 2011
inverno, a parte ainda menos romântica
O marido escorregar no gelo e partir uma perna. E pronto, aguarda-se dias melhores, de preferência ainda antes da Primavera.
14 janeiro 2011
dever cívico, desculpa lá man mas, desta vez, passo
A propósito do que diz hoje a Ana C. (desculpa mas nao consigo linkar), eu ate estava com imensa vontade de fazer uma hora de carro ate a lindíssima cidade de Newark para ir votar mas não há estímulo. Ainda não e desta que participo no círculo eleitoral da comunidade emigrante, essa percentagem em que ninguém repara.
12 janeiro 2011
inverno, a parte menos romantica
Acordar as 6h para ir desenterrar o carro porque a tempestade-bebe de 20 cm de neve não e desculpa para nos baldarmos ao trabalho.
Que saudades daqueles Invernos azuis em Lisboa, ir a praia em Janeiro e passear junto ao rio a ver os corvos-marinhos a pescar...Mas parece que já nem disso há aí, de há uns anos para ca andamos a fazer concorrência a Irlanda em termos de precipitação media anual :(
Que saudades daqueles Invernos azuis em Lisboa, ir a praia em Janeiro e passear junto ao rio a ver os corvos-marinhos a pescar...Mas parece que já nem disso há aí, de há uns anos para ca andamos a fazer concorrência a Irlanda em termos de precipitação media anual :(
10 janeiro 2011
perspectiva gralhico-antropológica do caso actual
Se Portugal não fosse um pais consumidor de vinho por tradição, o Renato andaria agora as compras na quinta avenida. Vejamos:
Os dois discutiam. O agressor dava umas chapadas, uns pontapés, possivelmente atirava-lhe o comando de televisão a cabeça. Se estivesse mesmo com vontade de lhe tratar da saúde, encomendava serviço de quartos e usava uma faca de manteiga. Se conseguisse terminar assim o serviço, saia discretamente e, quando questionado mais tarde, acusava um putativo ladrão. E depois apanhava um taxi para a Hermes mais próxima.
Mas não, habituado que esta a usar um saca-rolhas, pumba, foi a chacina que (não) se sabe e foi apanhado.
Os dois discutiam. O agressor dava umas chapadas, uns pontapés, possivelmente atirava-lhe o comando de televisão a cabeça. Se estivesse mesmo com vontade de lhe tratar da saúde, encomendava serviço de quartos e usava uma faca de manteiga. Se conseguisse terminar assim o serviço, saia discretamente e, quando questionado mais tarde, acusava um putativo ladrão. E depois apanhava um taxi para a Hermes mais próxima.
Mas não, habituado que esta a usar um saca-rolhas, pumba, foi a chacina que (não) se sabe e foi apanhado.
09 janeiro 2011
inverno (post mais significativo do que parece à partida)
A neve sossega. A neve faz com que os bebés durmam até tarde (i.e. 7h30). A neve serena as inquietações, alisa os relevos das dúvidas, convida a ficar à lareira a achar que tudo é, no fundo, perfeito.
Noutro registo, ontem o Gugas pediu-me para ver fotografias da nossa casa de Lisboa. Enquanto revi os anos de 2008 e 2009 em imagens percebi uma coisa: este período nos EUA não é uma interrupção, é mesmo só um tempo de mudança. Quando voltar, em 2012, as pessoas estarão diferentes, os cenários estarão diferentes. Algumas ruas terão mudado de sentido. Algumas lojas (infelizmente muitas...) terão fechado. Alguns amigos já não vão ter nada em comum connosco. Outros terão ainda mais (espero), porque nos acompanharam ao longo do tempo em que estivemos longe, apoiando-nos nas alturas mais difíceis. As relações à distância não funcionam, mesmo. Nem as relações connosco próprios. Nunca vou voltar a ser quem fui antes de vir para o outro lado do mar. Espero gostar de quem serei quando voltar para esse lado.
(o meu actual local de trabalho)
Noutro registo, ontem o Gugas pediu-me para ver fotografias da nossa casa de Lisboa. Enquanto revi os anos de 2008 e 2009 em imagens percebi uma coisa: este período nos EUA não é uma interrupção, é mesmo só um tempo de mudança. Quando voltar, em 2012, as pessoas estarão diferentes, os cenários estarão diferentes. Algumas ruas terão mudado de sentido. Algumas lojas (infelizmente muitas...) terão fechado. Alguns amigos já não vão ter nada em comum connosco. Outros terão ainda mais (espero), porque nos acompanharam ao longo do tempo em que estivemos longe, apoiando-nos nas alturas mais difíceis. As relações à distância não funcionam, mesmo. Nem as relações connosco próprios. Nunca vou voltar a ser quem fui antes de vir para o outro lado do mar. Espero gostar de quem serei quando voltar para esse lado.
08 janeiro 2011
ena pá, estes portugueses são perigosos
Renato, criatura, não podias ter sido mais discreto? Não viste nem um episódio de CSI? Não sei o que te levou a um acto tão extremo mas isso arruina um bocado a reputação pacata dos portugueses no estrangeiro. E agora vou ali aprender a dizer "cronista fofoqueiro" em inglês para quando me fizerem perguntas sobre o caso.
(não quero tecer teorias injustas sobre nenhum dos intervenientes, desconhecendo o que se passou. Espero que o caso McCann nos tenha ensinado alguma coisa)
(não quero tecer teorias injustas sobre nenhum dos intervenientes, desconhecendo o que se passou. Espero que o caso McCann nos tenha ensinado alguma coisa)
06 janeiro 2011
já não ter vinte anos
Depois de virar os 30 compreendo melhor alguns silêncios que algumas pessoas mais velhas reservavam aos meus comentários quando era uma miúda de vinte-e-tais. Eram os silêncios que diziam: "ainda e tão miúda...". Tenho dado por mim a reproduzir esses silêncios com os meus colegas de trabalho, recentemente saídos da faculdade. Meu Deus, tantas certezas que se tem naquela idade. E que parvas que podem ser algumas conversas...
Isso não invalida que goste deles, claro.
Isso não invalida que goste deles, claro.
05 janeiro 2011
bodas de flores (acho eu)
Não e uma indirecta, mas já sabes que gosto de malmequeres, querido. Parabéns a nos!
03 janeiro 2011
décimo primeiro mês
Meu borrachinho tridente, parabéns por mais um mês de vida. Estás cada vez mais apetitoso e, de cabelo cortado, as bebés lá da creche não te podem resistir. Neste mês tiveste muitos mimos e ficaste habituado a andar ao cólo mas, pelo menos, estás a comer cada vez melhor. Já andas agarrado às coisas e adoras os brinquedos que recebeste no Natal. Para minha surpresa, porque és segundo filho e tens um quotidiano bilingue, já dizes quatro palavras: "mamã", "dá", "olá" e, finalmente, "papá". Parece-me que vais mesmo ser um gralhinho :) E estás quase a fazer um ano... É claro que passou incrivelmente depressa.
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